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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The work of Brazilian artist Paulo Bruscky will be analyzed, focusing his Classified Magazine, which is part of a project developed by the duo Bruscky and Daniel Santiago, envolving publishing classified in major newspapers. Bruscky, through his work, faced the military dictatorship in Brazil (1964-1985), defending freedom of expression.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS POR AUTORES CONVIDADOS</b></p>     <p align="right"><b>INVITED ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>A &lsquo;Revista Classificada&rsquo; de Paulo Bruscky</b></p>     <p><b>The Classified Magazine by Paulo Bruscky </b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Maria do Carmo de Freitas Veneroso&#42; </b></p>     <p>&#42;Professora universit&aacute;ria e artista visual. Par acad&eacute;mico externo desta revista. </p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Federal de Minas Gerais, Escola de Belas Artes, Departamento de Artes Pl&aacute;sticas. Av. Ant&ocirc;nio Carlos, 6627. Campus Pampulha. Belo Horizonte, Minas Gerais. CEP 31270-901. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b></p>     <p>Ser&aacute; analisado o trabalho do artista brasileiro Paulo Bruscky, focalizando sua Revista Classificada, que faz parte de um projeto desenvolvido pela dupla formada por Bruscky e Daniel Santiago, de publica&ccedil;&atilde;o de an&uacute;ncios classificados em jornais de grande circula&ccedil;&atilde;o. Bruscky, atrav&eacute;s de seu trabalho, enfrentou a ditadura militar no Brasil (19641985), defendendo a liberdade de express&atilde;o. </p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Revista Classificada / Paulo Bruscky / Arte contempor&acirc;nea no Brasil / Livro de artista. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT: </b></p>     <p>The work of Brazilian artist Paulo Bruscky will be analyzed, focusing his Classified Magazine, which is part of a project developed by the duo Bruscky and Daniel Santiago, envolving publishing classified in major newspapers. Bruscky, through his work, faced the military dictatorship in Brazil (1964-1985), defending freedom of expression. </p>     <p><b>Keywords:</b> Classified Magazine / Paulo Bruscky / Brazilian contemporary art / Artist&rsquo;s book. </p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o </b></p>     <p>Nesse artigo, abordarei o trabalho do artista brasileiro Paulo Bruscky, focalizando e contextualizando sua <i>Revista Classificada</i>, obra realizada em parceria com Daniel Santiago. Esse &eacute; um dos seus in&uacute;meros livros de artista, por&eacute;m integra um projeto mais amplo desenvolvido pela dupla, de interfer&ecirc;ncias nos an&uacute;ncios classificados de jornais de ampla circula&ccedil;&atilde;o. O trabalho analisado mostra tamb&eacute;m uma nova maneira de fazer livros, al&eacute;m da busca por formas alternativas para a difus&atilde;o de mensagens pol&iacute;ticas e po&eacute;ticas. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Paulo Bruscky (<a href="#f1">Figura 1</a>) nasceu em Recife, Pernambuco, em 21 de mar&ccedil;o de 1949. Artista multim&iacute;dia e poeta, Bruscky utiliza v&aacute;rias formas para a circula&ccedil;&atilde;o de seus trabalhos, tendo sido um dos pioneiros da Arte Postal no Brasil, que ele denominou Arte Correio. Al&eacute;m disso, tem colaborado na introdu&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias tecnologias na arte, como o fax, o filme super 8, a arte em <i>outdoor</i> (artdoor), o xerox, o <i>offset</i> e o mime&oacute;grafo. Sua obra pode ser analisada a partir de seu car&aacute;ter po&eacute;tico/pol&iacute;tico, mais especificamente no campo da micropol&iacute;tica, ao discutir problemas espec&iacute;ficos, cotidianos, locais, ao mesmo tempo em que dialoga com quest&otilde;es globais (Ribeiro, 2012). </p>     <p>&nbsp;</p><a name="f1"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a23f1.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Bruscky iniciou sua carreira art&iacute;stica no per&iacute;odo em que o Brasil vivia sob uma ditadura militar (1964-85), tendo sido muito atuante desde essa &eacute;poca. Atrav&eacute;s de seu trabalho enfrentou o regime ditatorial, tendo sido perseguido por defender a liberdade de express&atilde;o num momento em que o pa&iacute;s passava por forte censura a todos os tipos de manifesta&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Um breve retorno ao problema: o que &eacute; um livro de artista? </b></p>     <p>Apesar do termo livro de artista poder ser utilizado, no seu sentido lato, para denominar uma categoria abrangente de obras que t&ecirc;m como refer&ecirc;ncia o livro, ainda que n&atilde;o se limitem a ele, n&atilde;o resta d&uacute;vida que pode-se procurar as origens do tipo de obra reconhecida atualmente como &ldquo;livro de artista estrito senso&rdquo; nas experi&ecirc;ncias conceituais dos anos 1960-70. Nesse estudo, o termo livro de artista ser&aacute; utilizado no seu sentido estrito, ao focalizar, especificamente, a Revista Classificada (<a href="#f2">Figura 2</a>), que integra a Cole&ccedil;&atilde;o Especial de Livros de Artista da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais. As obras dessa Cole&ccedil;&atilde;o pertencem, em sua maioria, a uma linhagem que descende diretamente das publica&ccedil;&otilde;es de artistas surgidas durante os anos 1960 e 1970, dentro de uma tend&ecirc;ncia conceitual. Nesse contexto, interessa apontar as estrat&eacute;gias adotadas pelos artistas, na elabora&ccedil;&atilde;o dessas obras de evidente cunho conceitual, ou seja, a &ecirc;nfase na ideia (em detrimento da forma), al&eacute;m de algumas caracter&iacute;sticas frequentes nas propostas, como a transitoriedade dos meios e a precariedade dos materiais utilizados, a atitude cr&iacute;tica frente &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas, assim como as particularidades nas formas de circula&ccedil;&atilde;o e recep&ccedil;&atilde;o de certo universo de obras numa determinada &eacute;poca (Freire, 1999: 16). </p>     <p>&nbsp;</p><a name="f2"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a23f2.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Como se sabe, a arte conceitual &ldquo;influenciou [&#8230;] a no&ccedil;&atilde;o corrente de publica&ccedil;&atilde;o de arte no per&iacute;odo. N&atilde;o apenas os livros de artista [&#8230;] mas tamb&eacute;m outras formas de edi&ccedil;&otilde;es podem ser melhor analisadas &agrave; luz das proposi&ccedil;&otilde;es Conceituais&rdquo; (Freire, 1999: 19). Naquele momento os pap&eacute;is do artista e do p&uacute;blico passavam por novas defini&ccedil;&otilde;es, sendo que a atitude passiva do &uacute;ltimo foi questionada e a atividade do artista, muitas vezes passou a fundir-se com a do cr&iacute;tico e do curador. H&aacute; uma ampla produ&ccedil;&atilde;o de livros de artista ligados &agrave; vertente conceitual, e que tem tido, no presente, in&uacute;meros desdobramentos. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>2. A arte de Paulo Bruscky: um encontro entre poesia e pol&iacute;tica </b></p>     <p>No per&iacute;odo compreendido entre a d&eacute;cada de 1970 e a metade da d&eacute;cada de 1980, enquanto o Brasil e outros pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina viviam sob a ditadura militar, v&aacute;rios artistas buscaram formas alternativas e experimentais para a veicula&ccedil;&atilde;o de suas mensagens art&iacute;sticas. No Brasil foi principalmente ap&oacute;s o Ato Institucional n&ordm; 5 ter sido decretado, em dezembro de 1968, que houve um aumento da repress&atilde;o militar, que passou a execer uma forte censura sobre a produ&ccedil;&atilde;o e circula&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica do per&iacute;odo. Houve o fechamento de importantes Bienais, como a da Bahia, em 1968, artistas tiveram seus trabalhos impedidos de sair do pa&iacute;s, al&eacute;m da amea&ccedil;a a comiss&otilde;es de sele&ccedil;&otilde;es de sal&otilde;es de arte, diretores de museus e artistas, que insistissem em enfrentar e desobedecer &agrave; censura. </p>     <p>Esse momento coincidiu com a eclos&atilde;o da arte conceitual, cujos artistas buscavam formas alternativas para atuar fora do circuito oficial das galerias e museus. Foi tamb&eacute;m um momento de muita experimenta&ccedil;&atilde;o, na busca por novas formas de reprodu&ccedil;&atilde;o da imagem, mais acess&iacute;veis que aquelas existentes at&eacute; ent&atilde;o, utilizando t&eacute;cnicas recentes como o xerox, o fax, o mime&oacute;grafo e o <i>offset</i> comercial de baixo custo. No Brasil, artistas de tend&ecirc;ncia conceitual como Paulo Bruscky, buscavam tamb&eacute;m fugir da censura, criando redes alternativas para a difus&atilde;o de seus trabalhos. </p>     <p>A Arte Correio (<a href="#f3">Figura 3</a>, <a href="#f4">Figura 4</a>) foi uma dessas formas, que, ao usar o correio para distribuir e veicular os trabalhos, passou a ter um importante papel como canal de comunica&ccedil;&atilde;o entre os artistas e deles com a sociedade, por utilizar um circuito que se mantinha &agrave; margem das institui&ccedil;&otilde;es oficiais, controladas pelo governo militar. Al&eacute;m da Arte Correio, tamb&eacute;m a produ&ccedil;&atilde;o de livros de artista em pequenas edi&ccedil;&otilde;es, que utilizavam processos alternativos de impress&atilde;o j&aacute; citados, criou um canal alternativo para a divulga&ccedil;&atilde;o de ideias. Esse tipo de publica&ccedil;&atilde;o, m&uacute;ltipla e democr&aacute;tica, devido ao seu baixo custo, possibilitava tamb&eacute;m a utiliza&ccedil;&atilde;o de redes alternativas de distribui&ccedil;&atilde;o, fora dos circuitos das galerias e museus de arte, e que n&atilde;o passava pelos crivos oficiais. </p>     <p>&nbsp;</p><a name="f3"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a23f3.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f4"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a23f4.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Foi muito comum nesse per&iacute;odo, no Brasil, tamb&eacute;m a publica&ccedil;&atilde;o de jornais e revistas alternativas, por parte de jovens artistas, cuja produ&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o era totalmente controlada pelos mesmos, atrav&eacute;s do uso de mime&oacute;grafo e outros processos de impress&atilde;o de baixo custo. Em Belo Horizonte, por exemplo, foi a &eacute;poca do jornal <i>O Vapor</i>, da <i>Revista Sil&ecirc;ncio</i>, e da <i>Revista Meia Sola</i>, que traziam artigos, poemas, charges e quadrinhos. Apesar da sua import&acirc;ncia, esse tipo de publica&ccedil;&atilde;o teve como caracter&iacute;stica a sua efemeridade, tendo circulado em um n&uacute;mero restrito de edi&ccedil;&otilde;es. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tanto a Arte Correio como os livros de artista editados e as revistas e jornais citados acima procuraram criar canais e estrat&eacute;gias que possibilitassem a circula&ccedil;&atilde;o e a inser&ccedil;&atilde;o social da arte. Foi assim, atuando &agrave; margem das institui&ccedil;&otilde;es, de forma muitas vezes clandestina, que essas novas pr&aacute;ticas transformaram-se em importantes meios de veicula&ccedil;&atilde;o de den&uacute;ncia e de protesto contra o regime militar. Essa nova rede de comunica&ccedil;&atilde;o trouxe a forte utiliza&ccedil;&atilde;o da palavra na cria&ccedil;&atilde;o de jogos po&eacute;ticos, muitas vezes em di&aacute;logo com a imagem, de forma a transmitir mensagens pol&iacute;ticas e po&eacute;ticas. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Os an&uacute;ncios classificados de jornal </b></p>     <p>A quest&atilde;o da reprodutibilidade da obra de arte &eacute; fundamental na produ&ccedil;&atilde;o de Bruscky, estando presente de diversas formas, e com a utiliza&ccedil;&atilde;o de diferentes meios de impress&atilde;o e de circula&ccedil;&atilde;o. Um desses meios utilizados pelo artista para a circula&ccedil;&atilde;o de seus trabalhos foi e continua sendo o jornal, atrav&eacute;s da publica&ccedil;&atilde;o de an&uacute;ncios nos classificados de jornais de ampla circula&ccedil;&atilde;o. Seu primeiro an&uacute;ncio &eacute; de 1973 ou 1974 no <i>Jornal do Brasil</i>. Em entrevista publicada no <i>Circuito Atelier</i> (2011) de Paulo Bruscky, ele explica a g&ecirc;nese e os desdobramentos desse trabalho utilizando classificados de jornal. O artista declara que achou esse meio muito importante de ser explorado por ser uma forma de registrar ideias, atingindo um p&uacute;blico grande, incluindo pessoas alheias &agrave; arte (Bruscky, 2011). </p>     <p>Os trabalhos veiculados por Bruscky, nos jornais, inclu&iacute;am projetos conceituais, como por exemplo: &ldquo;como colorir nuvens?&rdquo; Os classificados s&atilde;o trabalhados at&eacute; hoje pelo artista, que se apropria de cidades por onde passa, dos seus bairros, da sua geografia. Um exemplo (<a href="#f5">Figura 5</a>) &eacute; sua apropria&ccedil;&atilde;o do bairro da Saudade de Belo Horizonte, que gerou a publica&ccedil;&atilde;o de um an&uacute;ncio no jornal <i>Estado de Minas</i>, em uma de suas vindas &agrave; cidade: &ldquo;Saudade n&atilde;o &eacute; apenas um bairro em Belo Horizonte, &eacute; um sentimento, uma proposta: &eacute; arte&rdquo;. Outro de seus an&uacute;ncios traz a frase: &rdquo;Vervendo esta p&aacute;gina como uma obra de Paulo Bruscky&rdquo; (<a href="#f6">Figura 6</a>). Assim, ele se apropria da p&aacute;gina do jornal, transformando-a no seu trabalho. Trata-se de propostas de a&ccedil;&otilde;es, busca de patroc&iacute;nio para obras a serem realizadas, notas de cr&iacute;tica social ou coment&aacute;rio pol&iacute;tico, envolvendo humor e poesia. Os textos trazem ainda propostas de eventos/a&ccedil;&otilde;es, que podem ser desenvolvidos por qualquer pessoa, tornando, assim, tamb&eacute;m o espectador, um autor da obra. </p>     <p>&nbsp;</p><a name="f5"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a23f5.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f6"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a23f6.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Bruscky narra que em 1977 a Pol&iacute;cia Federal censurou alguns de seus an&uacute;ncios por julgar que eram mensagens cifradas. Assim, ele passou um per&iacute;odo proibido de publicar em jornais, assim como seu parceiro Daniel Santiago. Apesar disso, suas publica&ccedil;&otilde;es circularam tamb&eacute;m em jornais de Nova York e de pa&iacute;ses como o M&eacute;xico e a Holanda, atingindo dessa forma um p&uacute;blico mais diversificado. A <i>Revista Classificada</i>, editada por Bruscky &amp; Santiago, surgiu a partir desses trabalhos, quando a dupla convidou artistas do mundo todo para elaborarem trabalhos sobre a arte dos classificados. Foi a partir do material recebido, que a <i>Revista</i> foi publicada em 1978 (Bruscky, 2011). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A <i>Revista Classificada</i> (<a href="#f7">Figura 7</a>, <a href="#f8">Figura 8</a>, <a href="#f9">Figura 9</a>, <a href="#f10">Figura 10</a>) &eacute; um m&uacute;ltiplo, impresso em xerox, utilizando papel de impress&atilde;o de baixa qualidade e distribu&iacute;do pelo correio. A <i>Revista</i>, al&eacute;m dos an&uacute;ncios da dupla Bruscky &amp; Santiago, traz trabalhos em v&aacute;rias l&iacute;nguas, recebidos de v&aacute;rias partes do mundo, a partir do convite feito pelos artistas. &Eacute;, pois, uma publica&ccedil;&atilde;o que envolve v&aacute;rios autores, que criaram seus pr&oacute;prios &ldquo;an&uacute;ncios classificados&rdquo;, a partir da proposta recebida. A montagem das p&aacute;ginas da <i>Revista</i> foi feita atrav&eacute;s da combina&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios processos como a colagem, a impress&atilde;o por meio de carimbos, interfer&ecirc;ncias &agrave; m&atilde;o, xerox, que resultou na cria&ccedil;&atilde;o de uma obra h&iacute;brida e instigante. </p>     <p>&nbsp;</p><a name="f7"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a23f7.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f8"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a23f8.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f9"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a23f9.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f10"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a23f10.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Conclus&atilde;o </b></p>     <p>Paulo Bruscky &eacute; um artista atuante e continua a produzir obras propositivas e engajadas no seu tempo. Seu trabalho tem atra&iacute;do a aten&ccedil;&atilde;o de cr&iacute;ticos e do p&uacute;blico, e ele tem sido convidado a expor em importantes eventos como a Bienal de S&atilde;o Paulo e a Bienal de Havana. Tamb&eacute;m o Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte, abrigou uma ampla mostra retrospectiva de seu trabalho em 2010 (<i>Paulo Bruscky uma Obra sem Original, </i>2010). Al&eacute;m disso, ele tem exposto sua produ&ccedil;&atilde;o em galerias, museus e bienais, no Brasil e no exterior. </p>     <p>Al&eacute;m da sua produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica, Paulo Bruscky &eacute; conhecido tamb&eacute;m pelo seu <i>atelier</i>/arquivo, um importante acervo documental que ele mant&ecirc;m, contendo uma extensa cole&ccedil;&atilde;o de livros de artista, obras de Arte Correio, objetos gr&aacute;ficos, impressos, etc. Trata-se de um arquivo, precioso, de arte contempor&acirc;nea, com obras principalmente do per&iacute;odo dos anos 1960 e 1970, que j&aacute; foi exposto em uma sala especial na XVI Bienal de S&atilde;o Paulo (2004). Foi uma forma de se &ldquo;mostrar o pr&oacute;prio processo de cria&ccedil;&atilde;o do artista, porque ali ningu&eacute;m v&ecirc; minha obra, v&ecirc; um processo, o meu processo&rdquo; (Bruscky, 2011: 45), nas palavras de Bruscky. Ele costuma abrir seu <i>atelier</i>/arquivo para o p&uacute;blico, recebendo pesquisadores do Brasil e do exterior. Segundo Bruscky, o processo de cataloga&ccedil;&atilde;o desse arquivo, que fazia parte de seus planos, j&aacute; foi iniciado, e sem d&uacute;vida, a obra do artista e seu arquivo continuar&atilde;o a trazer uma importante contribui&ccedil;&atilde;o para a arte contempor&acirc;nea. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b> </p>     <p>Bruscky, Paulo. (2011) &ldquo;Paulo Bruscky: depoimentos.&rdquo; In Ribeiro, Mar&iacute;lia Andr&eacute;s (Ed.) Paulo Bruscky. Belo Horizonte: C/ Arte, (Circuito Atelier, 52). </p>     <!-- ref --><p>Freire, Cristina (1999) <i>Po&eacute;ticas do processo: Arte Conceitual no Museu. </i>S&atilde;o Paulo: MAC, Iluminuras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1437316&pid=S1647-6158201500010002300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p><i>Paulo Bruscky uma Obra sem Original</i> (2010) Cat&aacute;logo de exposi&ccedil;&atilde;o no Museu de Arte da Pampulha, 19 de setembro a 21 de novembro de 2010, Belo Horizonte, MG.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1437318&pid=S1647-6158201500010002300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ribeiro, Mar&iacute;lia Andr&eacute;s (2012) &ldquo;A po&eacute;tica pol&iacute;tica de Paulo Bruscky.&rdquo; <i>Anais do XXXII Col&oacute;quio do Comit&ecirc; Brasileiro de Hist&oacute;ria da Arte 2012. Dire&ccedil;&otilde;es e sentidos da Hist&oacute;ria da Arte.</i> Bras&iacute;lia: Universidade de Bras&iacute;lia, outubro. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo recebido a 11 de Janeiro e aprovado a 24 de janeiro de 2015</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:mcfv@ufmg.br">mcfv@ufmg.br</a></p>      ]]></body><back>
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