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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Maimuna Adam: viagem, deslocamento e memória como metáforas da identidade]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article discusses the work of the Mozambican visual artist Maimuna Adam considering the aesthetic and critical reflection on issues involving the construction of identities. The artist proposes, through her artwork, a cross between historical, autobiographical references and memories (resulting from direct experiences or mediated by family stories).]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>      <p><b>Maimuna Adam: viagem, deslocamento e mem&oacute;ria como met&aacute;foras da identidade</b></p>     <p><b>Maimuna Adam: travel, displacement and memory as metaphors of Identity</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Teresa Matos Pereira&#42; </b></p>     <p>&#42;Portugal, Artista Pl&aacute;stica. Licenciatura em Artes Pl&aacute;sticas / Pintura, Mestrado em Teorias da Arte, Doutoramento em Belas Artes / Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Professora no Instituto Polit&eacute;cnico de Lisboa (IPL), Escola Superior de Educa&ccedil;&atilde;o (ESELx).</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Investigadora, Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas-Artes. Largo da Academia Nacional de Belas-Artes, 1249-058, Lisboa, Portugal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b></p>     <p>O presente artigo aborda a obra da artista visual mo&ccedil;ambicana Maimuna Adam considerando a reflex&atilde;o cr&iacute;tica e est&eacute;tica em torno das quest&otilde;es que envolvem a constru&ccedil;&atilde;o das identidades. A artista prop&otilde;e, atrav&eacute;s da sua obra, um cruzamento entre refer&ecirc;ncias autobiogr&aacute;ficas, hist&oacute;ricas e mem&oacute;rias (resultantes de viv&ecirc;ncias diretas ou mediadas por hist&oacute;rias de fam&iacute;lia).</p>     <p><b>Palavras chave: </b> Identidade-rizoma, Mem&oacute;ria, Mo&ccedil;ambique, Deslocamento. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b></p>     <p>This article discusses the work of the Mozambican visual artist Maimuna Adam considering the aesthetic and critical reflection on issues involving the construction of identities. The artist proposes, through her artwork, a cross between historical, autobiographical references and memories (resulting from direct experiences or mediated by family stories).</p>     <p><b>Keywords:</b>. Rhizome-identity, Memory, Mozambique, Displacement.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Maimuna Adam (n. Maputo, 1984) licenciou-se em Belas Artes na Universidade de Pretoria, Africa do Sul em 2008. Com ra&iacute;zes familiares diversas, (filha de pai indiano e m&atilde;e norueguesa) a sua trajet&oacute;ria de vida passou ainda por Gotemburgo, Maputo, Mbabane e Pret&oacute;ria. O seu percurso art&iacute;stico integra a participa&ccedil;&atilde;o em in&uacute;meras exposi&ccedil;&otilde;es e resid&ecirc;ncias quer em &Aacute;frica (com destaque para Mo&ccedil;ambique, S. Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe ou &Aacute;frica do Sul quer na Europa com passagens por Portugal, Alemanha B&eacute;lgica ou Holanda).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A estes tr&acirc;nsitos que perfazem os trilhos de uma internacionaliza&ccedil;&atilde;o do trabalho art&iacute;stico, somam-se outros que integram as viv&ecirc;ncias pessoais da artista &#8211; aos quais n&atilde;o ser&aacute; alheia a dispers&atilde;o dos membros do n&uacute;cleo familiar, repartidos por tr&ecirc;s continentes em pa&iacute;ses como o Chile, Mo&ccedil;ambique, Noruega ou Su&eacute;cia. Estes &uacute;ltimos ir&atilde;o marcar indelevelmente a reflex&atilde;o est&eacute;tica e art&iacute;stica onde se entrela&ccedil;am os m&uacute;ltiplos centros de significados que comp&otilde;em a identidade de Maimuna Adam &ndash; identidade cultural, identidade de g&eacute;nero, identidade nacional, etc.</p>     <p>Na verdade, os cambiantes de que se comp&otilde;em as identidades, quer pessoais quer art&iacute;sticas, n&atilde;o poder&atilde;o ser encarados como entidades homog&eacute;neas e autocentradas mas antes entidades heterog&eacute;neas, poliglotas e flu&iacute;das que a artista assume enquanto mat&eacute;rias de reflex&atilde;o est&eacute;tica e explora&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica, intercalando relatos factuais de hist&oacute;rias familiares com narrativas imagin&aacute;rias.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. A Identidade nos seus M&uacute;ltiplos</b></p>     <p>As constru&ccedil;&otilde;es identit&aacute;rias entendidas como processos de media&ccedil;&atilde;o entre o dom&iacute;nio pessoal e o dom&iacute;nio p&uacute;blico, projetam-se como entidades relacionais e estabelecem uma correspond&ecirc;ncia de reciprocidade, constantemente nutrida atrav&eacute;s de mecanismos de identifica&ccedil;&atilde;o. Neste sentido, a problem&aacute;tica em torno da identidade n&atilde;o poder&aacute; ser encarada separadamente de um conjunto de quest&otilde;es de natureza hist&oacute;rica, cultural, sociol&oacute;gica ou psicossocial, que interligam espa&ccedil;o, tempo e subjetividades partilhadas.</p>     <p>Compreendidas enquanto estruturas historicamente determinadas, as constru&ccedil;&otilde;es identit&aacute;rias remetem-nos, na atualidade, para a crescente multiplicidade de refer&ecirc;ncias suscet&iacute;veis de se estruturarem como oportunidades de identifica&ccedil;&atilde;o num momento hist&oacute;rico onde a mudan&ccedil;a &eacute; r&aacute;pida e constantemente alimentada por fluxos de pessoas e de informa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A ideia de uma identidade (nacional) fixa, imut&aacute;vel e de contornos bem definidos colide de frente com uma realidade que, cada vez mais, aponta para uma difus&atilde;o de identidades poss&iacute;veis, multiplicadas pela dispers&atilde;o de pessoas em redor do globo. As identidades est&atilde;o assim sujeitas a um duplo mecanismo de "transla&ccedil;&atilde;o" esp&aacute;cio-temporal, simultaneamente, territorial e cultural (Hall, 1992: 310). </p>     <p>Esta "transla&ccedil;&atilde;o" ser&aacute; tanto mais evidente quando resultante de uma desloca&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica em termos geogr&aacute;ficos e culturais, de que as migra&ccedil;&otilde;es s&atilde;o um exemplo mais conhecido. A desloca&ccedil;&atilde;o de grandes contingentes populacionais, resultantes de processos de descoloniza&ccedil;&atilde;o, de fuga a conflitos armados ou precariedade econ&oacute;mica e social favorecerem a cria&ccedil;&atilde;o de di&aacute;sporas e um previs&iacute;vel contacto de diferentes culturas que viriam a afetar irremediavelmente tanto a constru&ccedil;&atilde;o de identidades por parte dos que se deslocam como daqueles que residem nas sociedades para onde confluem os fluxos migrat&oacute;rios. </p>     <p>A transitoriedade, a ubiquidade e a volatilidade possibilitadas pela tecnologia ou os tr&acirc;nsitos e as viv&ecirc;ncias diasp&oacute;ricas, t&ecirc;m assim assumido um papel cada vez mais presente nas texturas da cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica e liter&aacute;ria. </p>     <p>A conce&ccedil;&atilde;o de uma identidade como ess&ecirc;ncia de um sujeito unificado cai perante a experi&ecirc;ncia das transmuta&ccedil;&otilde;es operadas pelas sociedades modernas que prop&otilde;em um descentramento (espacial, temporal e identit&aacute;rio) e uma deslocaliza&ccedil;&atilde;o que se refletem na fragmenta&ccedil;&atilde;o do sujeito e a emerg&ecirc;ncia de um ser-m&uacute;ltiplo. Este descentramento implica uma pluralidade de centros de significado gerando uma tens&atilde;o entre o <i>Mesmo</i> e o <i>Diverso</i> nos sentidos que s&atilde;o atribu&iacute;dos a estes termos por Edouard Glissant (1990). Para este autor o conceito de <i>Mesmo</i> remete para uma ace&ccedil;&atilde;o da identidade enquanto entidade autocentrada e homog&eacute;nea, que nega uma exist&ecirc;ncia &agrave; diferen&ccedil;a (atrav&eacute;s de mecanismos de anula&ccedil;&atilde;o, rasura e assimila&ccedil;&atilde;o) enquanto o conceito de <i>Diverso</i> preconiza a aceita&ccedil;&atilde;o da diferen&ccedil;a e de um relacionamento marcado pela reciprocidade e intersubjetividade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O <i>Mesmo</i> entronca numa vis&atilde;o de identidade entendida enquanto <i>raiz &uacute;nica</i>, por oposi&ccedil;&atilde;o a uma <i>identidade-rizoma</i> onde se inscreve o conceito de <i>Diverso</i>. Glissant ir&aacute;, de resto, apropriar-se da distin&ccedil;&atilde;o proposta por Gilles Deleuze e Felix Guattari (<i>Capitalisme et Schizophr&eacute;nie</i>) entre <i>raiz</i> e <i>rizoma. </i> Para o autor, a <i>identidade-ra&iacute;z</i> &eacute; excludente: rejeita o outro e elimina tudo &agrave; sua volta; j&aacute; a <i>identidade-rizoma</i> &eacute; uma identidade-rela&ccedil;&atilde;o que se abre ao outro sem se diluir totalmente e cuja configura&ccedil;&atilde;o absoluta &eacute; substitu&iacute;da pelas din&acirc;micas e processos de relacionamento que lhe est&atilde;o na origem. No fundo as m&uacute;ltiplas formas como cada raiz se relaciona com as demais no fluxo que gera o rizoma. Tal como Glissant, outros autores como Stuart Hall (2000) consideram a identidade enquanto entidade relacional em constante mudan&ccedil;a e n&atilde;o enquanto entidade absoluta, construindo-se enquanto rela&ccedil;&atilde;o fluida, heterog&eacute;nea, poliglota e em-processo.</p>     <p>Esta ideia de fluxo &eacute; igualmente um elemento chave na discuss&atilde;o em torno das identidades contempor&acirc;neas j&aacute; que, no contexto de sociedades globalizadas, o espa&ccedil;o e o lugar n&atilde;o coincidem, sendo gradualmente substitu&iacute;dos pela ideia de movimento-tempo. Na verdade, as forma&ccedil;&otilde;es identit&aacute;rias est&atilde;o implicadas na ideia de um lugar a partir do qual &eacute; emitida uma voz. Contudo esta conce&ccedil;&atilde;o &eacute; complexificada pela dissocia&ccedil;&atilde;o entre espa&ccedil;o e lugar e a supress&atilde;o parcial do primeiro atrav&eacute;s do tempo. Enquanto os lugares s&atilde;o pontos de "enraizamento" o espa&ccedil;o pode ser atravessado rapidamente com recurso a tecnologias digitais que superlativam a import&acirc;ncia do tempo. </p>     <p>Estes processos est&atilde;o atualmente muito presentes numa reflex&atilde;o em torno do sentido de perten&ccedil;a e n&atilde;o-perten&ccedil;a &ndash; resultante do cruzamento de <i>rotas</i> e <i>ra&iacute;zes</i> &ndash; e as modalidades que assumem ao incorporar a cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica. Neste caso a arte incorpora decisivamente o <i>rasto</i> e o <i>vest&iacute;gio</i> (Glissant, 1990) como modalidades po&eacute;ticas, est&eacute;ticas e visuais capazes de produzir uma cartografia da mudan&ccedil;a, da troca, da imprevisibilidade e originalidade dos seus produtos finais. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Uma po&eacute;tica da viagem</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote><i>Venho de uma fam&iacute;lia de viajantes &ndash; viajantes por terra, por mar, pela alma ou mesmo viajantes atrav&eacute;s de livros e outros objectos</i> (Adam: 2013). </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p>A viagem e o deslocamento (f&iacute;sicos, metaf&iacute;sicos, psicol&oacute;gicos ou imagin&aacute;rios) volunt&aacute;rios ou for&ccedil;ados surgem na obra da artista como met&aacute;foras que recobrem a explora&ccedil;&atilde;o e problematiza&ccedil;&atilde;o da identidade enquanto processo, sujeita por isso a m&uacute;ltiplas e constantes fluxos, transi&ccedil;&otilde;es, indetermina&ccedil;&otilde;es e transmuta&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Maimuna Adam atribui &agrave; <i>po&eacute;tica da viagem</i> numa dimens&atilde;o simultaneamente autobiogr&aacute;fica, est&eacute;tica e ontol&oacute;gica. A viagem preconiza a sa&iacute;da do lugar (volunt&aacute;ria ou for&ccedil;ada), a desloca&ccedil;&atilde;o espacial, a rela&ccedil;&atilde;o entre o conhecido-desconhecido e o encontro com o outro, possibilitando ao viajante a descoberta de si no/do <i>Diverso</i> (na ace&ccedil;&atilde;o de Glissant).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O "O Vestido Viajante / The Traveling dress series" (2008) (<a href="#f1">Figura 1</a> e <a href="#f2">Figura 2</a>) consiste numa s&eacute;rie fotogr&aacute;fica onde o objeto-vestido &eacute; protagonista simb&oacute;lico da viagem, da migra&ccedil;&atilde;o (espacial e existencial) e das transfigura&ccedil;&otilde;es que da&iacute; adv&ecirc;m. A pele do vestido surge como met&aacute;fora do ser-em-tr&acirc;nsito, que alia a desloca&ccedil;&atilde;o espacial e as m&uacute;ltiplas configura&ccedil;&otilde;es que integram a constru&ccedil;&atilde;o da identidade &ndash; tamb&eacute;m ela considerada uma entidade flu&iacute;da. Como afirma a artista a prop&oacute;sito desta s&eacute;rie:</p>     <blockquote><i>O trabalho representado aqui &eacute; o resultado de uma pesquisa feita em volta de eventos pessoais e hist&oacute;ricos relacionados com o conceito de viagem e o deslocamento, volunt&aacute;rio ou for&ccedil;ado, f&iacute;sico ou ps&iacute;quico, do individuo e/ou do objecto</i> (Adam, 2011). </blockquote>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v6n12/6n12a10f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>  <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v6n12/6n12a10f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>      <p>A op&ccedil;&atilde;o pela fixa&ccedil;&atilde;o dos processos de constru&ccedil;&atilde;o/interven&ccedil;&atilde;o pl&aacute;stica sobre o vestido, atrav&eacute;s da fotografia vem igualmente integrar uma outra camada de significado &agrave; obra j&aacute; que remete precisamente para uma problematiza&ccedil;&atilde;o das liga&ccedil;&otilde;es entre deslocamento/migra&ccedil;&atilde;o e mem&oacute;ria/identidade atrav&eacute;s da mobiliza&ccedil;&atilde;o da fotografia enquanto dispositivo simultaneamente mnem&oacute;nico, testemunhal e de encena&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A dimens&atilde;o autobiogr&aacute;fica que recobre a reflex&atilde;o em torno da constru&ccedil;&atilde;o da identidade adensa-se em projetos como "O Lar" (2010), "Partir" (2010), "Virar as costas" (2011) ou "Fazer as malas / Pack your bags" (2011). </p>     <p>No v&iacute;deo "Lar/Home" (2010) (<a href="#f3">Figura 3</a> e <a href="#f4">Figura 4</a>) duas janelas cobertas por uma cortina transl&uacute;cida surgem visualmente como um plano fixo e surgem antes de mais como met&aacute;fora de uma fronteira entre o espa&ccedil;o interior e o exterior, entre o espa&ccedil;o dom&eacute;stico e o espa&ccedil;o p&uacute;blico. A passagem do tempo e a presen&ccedil;a humana pressente-se atrav&eacute;s de subtis movimentos da janela da esquerda (inicialmente aberta) da cortina e das silhuetas das palmeiras que se vislumbram para l&aacute; da janela ou de sombras humanas no interior do espa&ccedil;o. A obra joga com diversas camadas de sentido como a rela&ccedil;&atilde;o entre o espa&ccedil;o da casa a no&ccedil;&atilde;o de lar (nem sempre coincidentes), entre espa&ccedil;o-tempo f&iacute;sico e espa&ccedil;o-tempo emocionais que integram de forma indel&eacute;vel a constru&ccedil;&atilde;o da identidade de cada individuo a um n&iacute;vel primordial. O desenho de uma &aacute;rvore que desponta de uma mala de viagem (<a href="#f4">Figura 4</a>) adensa a rela&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica entre o espa&ccedil;o-lar e a cria&ccedil;&atilde;o de uma raiz a partir da qual se desenvolver&aacute; o sujeito (aqui evocado pela &aacute;rvore que estende as suas m&uacute;ltiplas ramifica&ccedil;&otilde;es para finalmente desaparecer, desprender-se da prote&ccedil;&atilde;o das cortinas e do espa&ccedil;o dom&eacute;stico). </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v6n12/6n12a10f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>  <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v6n12/6n12a10f4.jpg"></a>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p> Por outro lado prop&otilde;e igualmente uma reflex&atilde;o em torno do espa&ccedil;o dom&eacute;stico e do espa&ccedil;o p&uacute;blico, onde a "condi&ccedil;&atilde;o feminina" projeta uma sombra sobre a import&acirc;ncia da significa&ccedil;&atilde;o cultural do espa&ccedil;o na constru&ccedil;&atilde;o das identidades de g&eacute;nero (de resto esta liga&ccedil;&atilde;o j&aacute; havia sido sugerida num v&iacute;deo anterior, de 2009, intitulado <i>A Cortina / The Curtain</i>, onde a silhueta de uma m&aacute;quina de costura remete simbolicamente para um universo feminino).</p>     <p>Na obra "Fazer as malas / Pack yor bags" (<a href="#f5">Figura 5</a>, <a href="#f6">Figura 6</a> e <a href="#f7">Figura 7</a>) um v&iacute;deo de 2011, Maimuna Adam encena o ato de organizar a partida. Aqui imp&otilde;e-se a sele&ccedil;&atilde;o dos objetos &ndash; mem&oacute;ria a transportar ao longo da viagem. O objeto assume aqui um duplo sentido se nos lembrarmos das afirma&ccedil;&otilde;es da artista anteriormente transcritas: ele incarna simultaneamente a ideia de raiz e de ve&iacute;culo. Por um lado, trata-se de um elo de liga&ccedil;&atilde;o ao lugar da partida (o vestido, a estatueta, as fotos de fam&iacute;lia, &ndash;), a heran&ccedil;a e vest&iacute;gio dessa perman&ecirc;ncia, e por outro, prop&otilde;e o ato de viajar atrav&eacute;s das mem&oacute;rias evocadas ou delinear uma viagem imagin&aacute;ria (os livros, por exemplo.) </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v6n12/6n12a10f5.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>  <a name="f6"><img src="/img/revistas/est/v6n12/6n12a10f6.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>  <a name="f7"><img src="/img/revistas/est/v6n12/6n12a10f7.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>      <p>Atrav&eacute;s destes projetos s&atilde;o exploradas as liga&ccedil;&otilde;es intricadas que se estabelecem entre a casa e o lar, a partida e o retorno, desfiando a teia que constroem entre o individuo, o espa&ccedil;o, o lugar, os objetos e o tempo (considerados quer em termos f&iacute;sicos como simb&oacute;licos e emocionais) como termos de uma constru&ccedil;&atilde;o de identidades em constante processo. Aqui &agrave; evoca&ccedil;&atilde;o da identidade interp&otilde;em-se os tr&acirc;nsitos, as desloca&ccedil;&otilde;es/descentramentos, as perdas, as partilhas mas tamb&eacute;m a incorpora&ccedil;&atilde;o de m&uacute;ltiplas mundivid&ecirc;ncias e mem&oacute;rias (diretas e indiretas).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Encruzilhadas</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A par de meios audiovisuais marcados pela imaterialidade Maimuna Adam recorre frequentemente ao desenho (considerando-o na sua universalidade comunicativa) como meio de auto representa&ccedil;&atilde;o, reflex&atilde;o em torno das quest&otilde;es da perten&ccedil;a e n&atilde;o perten&ccedil;a, bem como das rela&ccedil;&otilde;es entre autobiografia e mem&oacute;ria hist&oacute;rica e social. Neste sentido destaca-se a s&eacute;rie <i>Hist&oacute;ria de Fam&iacute;lia/Family History</i> (2011) composta por 11 desenhos realizados a carv&atilde;o, aguarela e caf&eacute; ou "<i> (M)atrim&oacute;nio</i>" (2011) uma instala&ccedil;&atilde;o composta por um vestido num tecido anteriormente utilizado nos uniformes coloniais colocado sobre um tacho met&aacute;lico com caf&eacute; (que vai gradualmente tingindo o tecido, capulana, um livro de artista e desenhos cujo suporte &eacute; papel de fibra de bananeira (<a href="#f8">Figura 8</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="f8"><img src="/img/revistas/est/v6n12/6n12a10f8.jpg"></a></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Em <i> (M)atrim&oacute;nio</i> a utiliza&ccedil;&atilde;o de objetos carregados de simbolismo estende-se ao uso das mat&eacute;rias pl&aacute;sticas que integram o processo criativo: o tecido e o caf&eacute; que estabelecem uma liga&ccedil;&atilde;o entre passado hist&oacute;rico e presente, o vestido (novamente) a remeter-nos para o universo/papel atribu&iacute;do &agrave; mulher (aqui sinalizado pelo rito de passagem do matrim&oacute;nio), a capulana como evoca&ccedil;&atilde;o de uma identidade cultural/nacional. </p>     <p>Esta hibrida&ccedil;&atilde;o de meios e linguagens &#8211; que pontua o recurso ao desenho como express&atilde;o primordial &agrave; presen&ccedil;a escult&oacute;rica do vestido &ndash; patenteia-se como um recurso simultaneamente criativo e discursivo capaz de refletir criticamente acerca da complexidade que envolve a constru&ccedil;&atilde;o de uma identidade individual, considerada como encruzilhada onde se entrela&ccedil;am as identidades culturais/nacionais, heran&ccedil;as familiares/hist&oacute;ricas, experi&ecirc;ncias vivenciais, desloca&ccedil;&otilde;es/migra&ccedil;&otilde;es, problematizando as tens&otilde;es entre as <i>Ra&iacute;zes</i> e as <i>Rotas</i>, entre o <i>Mesmo</i> e o <i>Diverso</i>, entre o <i>Ser</i> e os seus <i>M&uacute;ltiplos</i>.</p>     <p>A reflex&atilde;o em torno da identidade como motor criativo &eacute; assim enunciada pela artista a prop&oacute;sito da instala&ccedil;&atilde;o (M) <i>atrim&oacute;nio</i>:</p>     <blockquote><i>Atrav&eacute;s do uso do caf&eacute;, padr&otilde;es tirados da capulana e elementos visuais extra&iacute;dos da cidade de Maputo, exploro a no&ccedil;&atilde;o de uma identidade que pode ser definida como sendo menos que "ambos/e" e mais como "n&atilde;o s&oacute; isto/nem s&oacute; aquilo" </i> (Adam, 2011) </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p>Do mesmo ano o v&iacute;deo "Entrela&ccedil;ado / Entwined" (2011) retoma esta reflex&atilde;o em torno das liga&ccedil;&otilde;es entre a formula&ccedil;&atilde;o de uma identidade nacional (que se autorretrata como hegem&oacute;nica) e a identidade individual (marcada pela diversidade).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O v&iacute;deo mostra uma figura que primeiro entrela&ccedil;a e posteriormente desfaz uma tran&ccedil;a de cabelo. A carga sem&acirc;ntica das imagens n&atilde;o se esgota no ato representado mas sedimenta-se em diversas camadas de sentido onde o ato de entrela&ccedil;ar sintetiza a fus&atilde;o de elementos (por vezes antag&oacute;nicos) num corpo &uacute;nico (a tran&ccedil;a).</p>     <p>Neste sentido, surge como met&aacute;fora de todos os processos de entrela&ccedil;amento e desmembramento de que se comp&otilde;em as identidades (quer coletivas/nacionais, quer individuais), remetendo de uma forma ainda que difusa para alguns trabalhos ainda do per&iacute;odo de forma&ccedil;&atilde;o com destaque para a instala&ccedil;&atilde;o "100% Mo&ccedil;ambicana" de 2007.</p>     <p>A estas refer&ecirc;ncias vem juntar-se a evoca&ccedil;&atilde;o de uma identidade de g&eacute;nero, que atravessa transversalmente a obra de Maimuna Adam. A tran&ccedil;a (e o ato de a fazer e desfazer) reproduz uma rotina quotidiana associada a um universo feminino (e que no caso da artista recorda as ra&iacute;zes culturais/familiares indianas) que assume uma duplicidade de sentido: as heran&ccedil;as e mem&oacute;rias culturais e/ou familiares, a mem&oacute;ria, mas tamb&eacute;m o condicionamento da identidade individual pelos discursos e formula&ccedil;&otilde;es identit&aacute;rias de natureza coletiva (provindo de identidades culturais, nacionais, globais).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota final</b></p>     <p>A dimens&atilde;o existencial da migra&ccedil;&atilde;o, da viagem &eacute; explorada por Maimuna Adam sob a forma de uma reflex&atilde;o simultaneamente visual, pl&aacute;stica, est&eacute;tica e po&eacute;tica onde a desloca&ccedil;&atilde;o (seja ela f&iacute;sica ou imagin&aacute;ria) integra a configura&ccedil;&atilde;o de uma identidade que a artista entende como fluida e num processo cont&iacute;nuo de constru&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Aqui as hist&oacute;rias e as mem&oacute;rias familiares intersetam-se com as viv&ecirc;ncias individuais em sociedade (consideradas nos seus tr&acirc;nsitos emocionais e f&iacute;sicos) &agrave;s quais n&atilde;o s&atilde;o alheios os discursos em torno das identidades culturais, nacionais, de g&eacute;nero bem como os impactos da globaliza&ccedil;&atilde;o nestes dom&iacute;nios. </p>     <p>A po&eacute;tica da viagem serve de met&aacute;fora para uma identidade multissituada (uma forma de existir entre dois espa&ccedil;os de tempo) que se vai desfiando ao logo dos v&aacute;rios projetos art&iacute;sticos. Aos <i>vest&iacute;gios</i> do legado cultural, herdado das liga&ccedil;&otilde;es familiares (evocados em projetos como "Hist&oacute;ria de Fam&iacute;lia / Family History" ou "Fazer as malas / Pack your bags") e do lugar a partir do qual o artista faz ouvir a sua voz, v&ecirc;m associar-se os <i>rastos</i> do caminho trilhado ao longo do percurso vivencial de que a instala&ccedil;&atilde;o "(M)atrim&oacute;nio" e v&iacute;deo "Entrela&ccedil;ado / Entwined" fazem uma s&iacute;ntese simultaneamente autobiogr&aacute;fica e investigativa. O vestido, o espa&ccedil;o dom&eacute;stico, o registo e encena&ccedil;&atilde;o dos caminhos percorridos, a mala de viagem ou a autorrepresenta&ccedil;&atilde;o surgem como objetos e dispositivos simultaneamente simb&oacute;licos e discursivos que transportam o observador para a diversidade temporal e de significado(s) que entretecem as texturas de uma identidade-rizom&aacute;tica que interliga e funde as heran&ccedil;as e os tr&acirc;nsitos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <!-- ref --><p>Adam, Maimuna (2011). <i>Sobre o Lar (e outras coisas imaginadas) </i>. &#91;Consult. em 2015-06-23&#93; , dispon&iacute;vel em <a href="https://maimunaadam.wordpress.com/artists-statement-2/" target="_blank">https://maimunaadam.wordpress.com/artists-statement-2/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1438351&pid=S1647-6158201500020001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Adam, Maimuna (2013) <i>Bon Voyage</i>. &#91;Consult.2015-08-02&#93; dispon&iacute;vel em : <a href="https://maimunaadam.files.wordpress.com/2013/08/maimunaadambonvoyage2013_pt.pdf" target="_blank">https://maimunaadam.files.wordpress.com/2013/08/maimunaadambonvoyage2013_pt.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1438352&pid=S1647-6158201500020001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Costa, Alda (2013)"Comunicando entre v&aacute;rios mundos" <i>Maimuna Adam. Bon Voyage </i> (Exposi&ccedil;&atilde;o individual) &#91;Consult.2015-08-02&#93; dispon&iacute;vel em : <a href="https://maimunaadam.files.wordpress.com/2013/08/maimunaadambonvoyage2013_pt.pdf" target="_blank">https://maimunaadam.files.wordpress.com/2013/08/maimunaadambonvoyage2013_pt.pdf</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1438353&pid=S1647-6158201500020001000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Crenn, Julie (2015) <i>Odys&eacute;es Africaines</i> &#91;Consult.2015-08-02&#93;, dispon&iacute;vel em <a href: ><a href=" https://crennjulie.files.wordpress.com/2015/05/2.jpg" target="_blank">https://crennjulie.files.wordpress.com/2015/05/2.jpg</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1438354&pid=S1647-6158201500020001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Dias, Jorge (2010) "A Ideia do Local", <i>O Pa&iacute;s. </i> 4 de setembro , :7 &#91;Consultado em 2015-06-25&#93;, dispon&iacute;vel em <a href: ><a href="https://maimunaadam.files.wordpress.com/2010/09/opais0409muvartexpo2010p7.jpg " target="_blank">https://maimunaadam.files.wordpress.com/2010/09/opais0409muvartexpo2010p7.jpg</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1438355&pid=S1647-6158201500020001000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Glissant &Eacute;douard (1981) <i>Le discours antillais. </i> Paris: Seuil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1438356&pid=S1647-6158201500020001000006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Glissant &Eacute;douard (1990) <i>Po&eacute;tique de la Relation. </i> Paris: Gallimard.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1438358&pid=S1647-6158201500020001000007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Glissant &Eacute;douard (2005) <i>Introdu&ccedil;&atilde;o a uma Po&eacute;tica da Diversidade.</i> Juiz de Fora: UFJF.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1438360&pid=S1647-6158201500020001000008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Hall, Stuart & Gieben, Bram (Ed.) (1992) <i>Formations of Modernity.</i> Cambridge: Polity Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1438362&pid=S1647-6158201500020001000009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Hall, Stuart; Held, David; Hubert, Don; Thompson, Keneth (2000) <i>Modernity: An Introduction to Modern Societies</i>. Oxford: Blackwell.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1438364&pid=S1647-6158201500020001000010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo submetido a 4 de setembro de 2015 e aprovado a 23 de setembro de 2015.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:teresamatospereira@yahoo.com">teresamatospereira@yahoo.com</a> (Teresa Matos Pereira)</p>      ]]></body><back>
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