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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Dilma Góes: arte têxtil capixaba nas décadas de 1980 e 1990, um olhar através de seus arquivos pessoais]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article discusses the prospects of woven art in the Espírito Santo (Brasil), from the work of Dilma Góes, starting from her experience as generating images to resignifying these memories and the (re)materialization in works that reflect the textile innovation in Brasil. It starts with a historical contextualization of this visual language in Brasil. The approach will be made by through the methodological bias the studies of the creation process, based on the assumptions of genetic criticism and archives studies on its mediation with visual arts, starting from the study of the artist's documents of the creative process.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Dilma G&oacute;es: arte t&ecirc;xtil capixaba nas d&eacute;cadas de 1980 e 1990, um olhar atrav&eacute;s de seus arquivos pessoais</b></p>     <p><b>Dilma G&oacute;es: brazilian textil art from 1980 to 1990, looking through her personal files</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Aparecido Jos&eacute; Cirillo&#42; & Rosa da Penha Ferreira da Costa&#42;&#42; </b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&#42;Brasil, artista visual e professor. Doutor em Comunica&ccedil;&atilde;o e Semi&oacute;tica. </p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Federal do Esp&iacute;rito Santo, Centro de Artes, Departamento de Artes Visuais &ndash; Lab. De Extens&atilde;o e Pesquisa em Arte (UFES/CAR/DAV/LEENA). Avenida Fernando Ferrari, 514 &ndash; Centro de Artes, Cemuni I. Campus de Goiabeiras, Vit&oacute;ria, Esp&iacute;rito Santo, CEP 29.075-910, Brasil.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&#42;&#42;Brasil, artista visual e professora. Bacharel em Artes Pl&aacute;sticas, Mestre em Artes. </p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Federal do Esp&iacute;rito Santo, Centro de Ci&ecirc;ncias Jur&iacute;dicas e Econ&ocirc;micas, Departamento de Arquivologia &ndash; Lab. De Extens&atilde;o e Pesquisa em Arte (UFES/CCJE/DARV/LEENA). Avenida Fernando Ferrari, 514 Campus de Goiabeiras, Vit&oacute;ria, Esp&iacute;rito Santo, CEP 29.075-910, Brasil.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b></p>     <p>O artigo discute as perspectivas da arte tecida no Esp&iacute;rito Santo (Brasil), a partir do trabalho de Dilma G&oacute;es, partindo das suas experi&ecirc;ncias vividas como imagens geradoras nas suas produ&ccedil;&otilde;es est&eacute;ticas, resignifica essas mem&oacute;rias e as (re)materializa em obras que refletem a inova&ccedil;&atilde;o t&ecirc;xtil no Brasil. Parte-se de uma contextualiza&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica sobre esta linguagem pl&aacute;stica no Brasil. A abordagem se d&aacute; pelo vi&eacute;s te&oacute;rico metodol&oacute;gico dos estudos do processo de cria&ccedil;&atilde;o, baseado nos pressupostos da critica gen&eacute;tica e da arquivologia em sua media&ccedil;&atilde;o com as artes visuais, estudados a partir dos documentos do processo de cria&ccedil;&atilde;o da artista.</p>     <p><b>Palavras chave: </b> Arte t&ecirc;xtil; Processo de Cria&ccedil;&atilde;o; Dilma G&oacute;es; Cr&iacute;tica Gen&eacute;tica; Arquivologia. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT:</b></p>     <p>The article discusses the prospects of woven art in the Esp&iacute;rito Santo (Brasil), from the work of Dilma G&oacute;es, starting from her experience as generating images to resignifying these memories and the (re)materialization in works that reflect the textile innovation in Brasil. It starts with a historical contextualization of this visual language in Brasil. The approach will be made by through the methodological bias the studies of the creation process, based on the assumptions of genetic criticism and archives studies on its mediation with visual arts, starting from the study of the artist&#39;s documents of the creative process.</p>     <p><b>Keywords:</b> Textile Art; Creation Process; Dilma G&oacute;es; Genetic Criticism; Archival. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>O artigo aborda atrav&eacute;s dos estudos do processo de cria&ccedil;&atilde;o da artista Dilma G&oacute;es, baseado nos pressupostos da cr&iacute;tica gen&eacute;tica e da arquivologia, as perspectivas da arte tecida no Esp&iacute;rito Santo (ES). Com breve hist&oacute;rico das t&eacute;cnicas t&ecirc;xteis no Brasil, relata o percurso de G&oacute;es, o trabalho desenvolvido atrav&eacute;s das pesquisas no Laborat&oacute;rio de Extens&atilde;o e Pesquisa em Arte (LEENA) na Universidade Federal do Esp&iacute;rito Santo (UFES), e a identifica&ccedil;&atilde;o das tipologias documentais relativas ao trabalho da artista em quest&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1 A arte tecida</b></p>     <p><b>1. 1 Das ra&iacute;zes brasileiras ao di&aacute;logo com a arte contempor&acirc;nea</b></p>     <p>A cultura brasileira, com origem ind&iacute;gena, sempre conheceu as t&eacute;cnicas ligadas aos fazeres t&ecirc;xteis como a cestaria e a tecelagem. Sua tomada pela pr&aacute;tica art&iacute;stica se destacar&aacute; com o movimento modernista e a proposta antropof&aacute;gica que objetivava olhar para a cultura e as pr&aacute;ticas nacionais. A refer&ecirc;ncia t&ecirc;xtil no cen&aacute;rio art&iacute;stico nacional era Regina Gomide Graz e Gernaro de Carvalho.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No Brasil, nos anos de 1960, o movimento t&ecirc;xtil foi reconhecido pelo p&uacute;blico e pela cr&iacute;tica de arte, &agrave; &eacute;poca vinculado a abstra&ccedil;&otilde;es, bordados com figura&ccedil;&otilde;es, a explora&ccedil;&atilde;o de texturas e vazados. Para essa arte no Brasil, a d&eacute;cada de 1980 foi transformadora, amadurecendo reflex&otilde;es e experi&ecirc;ncias iniciadas no movimento modernista brasileiro, especificamente com Graz e suas investiga&ccedil;&otilde;es est&eacute;ticas a partir de procedimentos tradicionais nas artes. </p>     <p>&#91;...&#93;<i>O Movimento Modernista nasceu, tamb&eacute;m, sob o signo da procura de relacionamento de diversos campos de express&atilde;o art&iacute;stica, na qual vai, enfim, reaparecer a nossa art&ecirc;xtil, com uma solit&aacute;ria mas atuante figura. Regina Gomide Graz</i> &#91;...&#93;<i>j&aacute; casada com o pintor su&iacute;&ccedil;o John Graz</i>. (Caurio, 1995: 90).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Nesse per&iacute;odo, artistas brasileiros desenvolveram trabalhos ligados &agrave; tape&ccedil;aria como linguagem. &Eacute; de Rita C&aacute;urio (1995) o mais s&eacute;rio levantamento do estado dessa arte no Brasil, ampliando a dimens&atilde;o de sua percep&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica. </p>     <p>G&oacute;es (<a href="#f1">Figura 1</a> e <a href="#f2">Figura 2</a>) surge como um marco. Como linguagem est&eacute;tica, o fazer t&ecirc;xtil no ES d&aacute;-se em torno da cria&ccedil;&atilde;o do curso de artes pl&aacute;sticas, na d&eacute;cada de 1960, junto &agrave; UFES, que trouxe o ensino da tape&ccedil;aria e tecelagem. Os principais representantes dessa arte no ES s&atilde;o: Freda Jardim, Dilma G&oacute;es e Renato Caseira, nos anos de 1960 a 1990, e atualmente, Jos&eacute; Cirillo e Hilal Sami Hilal. Abordamos o trabalho de G&oacute;es, analizando seus documentos de processo de cria&ccedil;&atilde;o, buscando identificar tend&ecirc;ncias e intencionalidades revelados a partir desta documenta&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v6n12/6n12a23f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>  <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v6n12/6n12a23f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>      <p>A base te&oacute;rica da metodologia de aproxima&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica com o processo de cria&ccedil;&atilde;o &eacute; chamada por Hay e Gresillon, de Cr&iacute;tica Gen&eacute;tica (Zular, 2002). Ao final dos anos de 1970, houve um interesse pelos meios de produ&ccedil;&atilde;o de linguagem, quer escritos, quer orais (Contat; Ferrer, 1998). Estudando os manuscritos liter&aacute;rios, a metodologia difundiu-se no Brasil, ampliando-se ao final de 1990, para as artes visuais com os estudos de Cec&iacute;lia Almeida Salles e do Centro de Estudos em Cr&iacute;tica Gen&eacute;tica (CECG-PUC-SP), sendo denominado de Cr&iacute;tica de Processo.</p>     <p>Busca-se entender aspectos do processo de cria&ccedil;&atilde;o de G&oacute;es, com uma an&aacute;lise formal e material dos documentos, al&eacute;m de impedir a perda da documenta&ccedil;&atilde;o, de fundamental import&acirc;ncia para a hist&oacute;ria das artes e da cultura no ES, realizando o estudo a partir de documentos pertencentes ao Grupo de Pesquisa vinculado ao LEENA/UFES, com a colabora&ccedil;&atilde;o de Rocarati, em seu TCC, orientado pelo professor Jos&eacute; Cirillo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>1.2 Nas tramas da sensibilidade da artista Dilma G&oacute;es</b></p>     <p>Dilma Sales de Barros G&oacute;es nasceu em 5/7/1944, em Itapemirim (ES). Em 1966, formou-se na UFES, sendo professora de 1968-1992. Em 1973 fez um Curso de Especializa&ccedil;&atilde;o em Tape&ccedil;aria, ministrado por Yeddo Titze (UFSC). G&oacute;es declara em entrevista (maio de 2009):</p>     <p><i>&Eacute; curioso como adentrei "acidentalmente" nas artes t&ecirc;xteis. Em 1973, meu marido foi aceito num programa de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Santa Maria, RS</i>. &#91;...&#93;<i>Eu j&aacute; era professora da UFES e atrav&eacute;s da institui&ccedil;&atilde;o indaguei ao Centro de Artes de Santa Maria sobre possibilidades de fazer algum curso que justificasse minha sa&iacute;da da UFES, com vencimentos, para acompanhar meu marido. </i> &#91;...&#93;<i>Para minha surpresa, recebi uma comunica&ccedil;&atilde;o sobre o 1&ordm; Curso de Aperfei&ccedil;oamento em Tape&ccedil;aria na UFSM. </i> &#91;...&#93;.<i>Apesar de n&atilde;o ter estudado no meu curr&iacute;culo tal disciplina, fui com "a cara e a coragem". Em apenas duas semanas de curso apaixonei-me pela &aacute;rea t&ecirc;xtil e nunca mais a deixei. As tr&ecirc;s primeiras t&eacute;cnicas utilizadas foram o bordado sobre talagar&ccedil;a, a montagem e tecelagem em tear vertical. </i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>A experi&ecirc;ncia redirecionou seu trabalho, mas &eacute; sua estada nos Estados Unidos da Am&eacute;rica que marcar&aacute; definitivamente a constru&ccedil;&atilde;o de uma linguagem pl&aacute;stica madura e em di&aacute;logo com a produ&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea das artes t&ecirc;xteis no mundo. Encontra no uso da tecelagem sem tear (tran&ccedil;ados) uma matriz determinante na sua obra, tecendo com materiais inusitados para a t&eacute;cnica e seu tempo no Brasil. Trabalha com feltros, entretelas, pap&eacute;is, pl&aacute;stico, juta; testa os limites dos materiais para suas pesquisas est&eacute;ticas, explorando as potencialidades destes. C&aacute;urio (1995: 113), escreve:</p>     <p><i>De suas m&atilde;os trabalhando feltros, entretelas ou pap&eacute;is v&atilde;o surgindo formas geom&eacute;tricas, &agrave;s quais n&atilde;o falta um toque l&uacute;dico </i> &#91;...&#93;.<i>Na ess&ecirc;ncia, compromisso, t&eacute;cnica, seriedade, pesquisa, raz&atilde;o; mas tudo isso G&oacute;es tempera com imagina&ccedil;&atilde;o, informalidade e uma aut&ecirc;ntica alegria de quem sabe um jogo divertido e se prop&otilde;e a compartilh&aacute;-lo. </i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>No ES participa de atividades docentes, administrativas, t&eacute;cnicas, cient&iacute;ficas e culturais, com muitos projetos de pesquisa. Foi membro de j&uacute;ri em concursos da &aacute;rea art&iacute;stica, de semin&aacute;rios, semanas de arte, oficinas e encontros nacionais. Fez em 1973 sua primeira individual na Exposi&ccedil;&atilde;o de Tape&ccedil;aria promovida pelo Centro de Artes da UFSM, no Centro Cultural Brasil/Estados Unidos, em Santa Maria, RS. Foram 15 mostras individuais nacionais e internacionais, 72 Exposi&ccedil;&otilde;es coletivas, incluindo o Brasil, Lisboa /Portugal (mostra "Arte T&ecirc;xtil do Brasil", no Museu Nacional do Traje), e em Copenhague /Dinamarca com a exibi&ccedil;&atilde;o "Uma Vis&atilde;o sobre a Arte T&ecirc;xtil Brasileira Hoje", realizada no Museu Rundertarn. Encontrou na t&eacute;cnica do entrela&ccedil;ado, a linguagem ideal para a express&atilde;o do seu pensamento e emo&ccedil;&otilde;es. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>2. Os documentos de processo: o vivido como mat&eacute;ria expressiva</b></p>     <p>Para entrar no processo de cria&ccedil;&atilde;o de G&oacute;es foi utilizada a base conceitual e metodol&oacute;gica da Cr&iacute;tica Gen&eacute;tica (Gr&eacute;sillon, 2008) e da Cr&iacute;tica de Processo (Salles, 1998; Cirillo, 2009); foram realizadas as pesquisas e a sele&ccedil;&atilde;o desses rastros da cria&ccedil;&atilde;o com visitas ao seu atelier. Documentos de processo s&atilde;o todo e qualquer meio utilizado pelo artista para registrar uma ideia, experimentar possibilidades ainda no plano das possibilidades est&eacute;ticas. Seguimos as etapas: coleta de documentos de processo que foram digitalizados e classificados; entrevistas com a artista, que auxiliou em algumas das conclus&otilde;es; pesquisas de fontes bibliogr&aacute;ficas, resgatando e promovendo a conserva&ccedil;&atilde;o destes documentos, al&eacute;m do acesso de pesquisadores ao acervo pessoal de documentos de processo digitalizados (<a href="#f3">Figura 3</a> e <a href="#f4">Figura 4</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v6n12/6n12a23f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>  <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v6n12/6n12a23f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>      <p><b>2.1 Tipologia dos documentos da artista</b></p>     <p>Hay (1999) define os suportes da mente criadora em dois grandes grupos: a) <i>cadernetas</i>, formada por p&aacute;ginas fixas "solidariamente" por algum procedimento de agrupamento &ndash; costura, brochura, grampo, etc.; e b) <i>suportes m&oacute;veis: </i> que compreendem fichas, folhas avulsas, p&aacute;ginas arrancadas, conjuntos que garantem a disponibilidade de todos os seus elementos permitindo sua visualiza&ccedil;&atilde;o simult&acirc;nea. Muitas de suas anota&ccedil;&otilde;es n&atilde;o se apresentam diretamente relacionadas com a temporalidade de seu registro, necessitando no caso de G&oacute;es, de demarcarmos um tipo de caderneta, o di&aacute;rio, o qual tem essa fun&ccedil;&atilde;o articulada com a temporalidade. </p>     <p>No levantamento realizado foram gerados 700 registros digitais de documentos de processo de cria&ccedil;&atilde;o de G&oacute;es, permitindo uma aproxima&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o dessas fontes elementares de pesquisa e o poss&iacute;vel aprofundamento do seu processo criativo. Os registros foram classificados e agrupados de acordo com caracter&iacute;sticas recorrentes encontradas; organizados 10 categorias distintas: <i>Amostras T&ecirc;xteis; Prot&oacute;tipos; Folhas Avulsas; Caderneta de Anota&ccedil;&otilde;es; Caderno de Recorda&ccedil;&otilde;es; Caderno; Estamparia; Colcha de Retalhos; Caixa de Lembran&ccedil;as &ndash; Fam&iacute;lia</i> e <i>Atelier</i>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Tramando uma conclus&atilde;o em curso</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os documentos de percurso de G&oacute;es permitiram constituir um acervo importante sobre o per&iacute;odo da produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica no ES, revelando testemunhos materiais de um processo de cria&ccedil;&atilde;o que marcou a produ&ccedil;&atilde;o local das artes vinculadas &agrave; Escola de Artes/UFES, em sua fase de consolida&ccedil;&atilde;o. Esse conjunto de 700 documentos, abre perspectivas a historiografia da arte capixaba de reflexo nacional. </p>     <p>O acervo documental, constitu&iacute;do principalmente de fontes prim&aacute;rias, permite assegurar um patrim&ocirc;nio cultural capixaba, possibilitando outros estudos a partir das imagens geradoras que permearam a constru&ccedil;&atilde;o do processo criador e da obra finalizada por esta artista.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Bibliografias</b></p>     <!-- ref --><p>Caurio, R. (1995). <i>Art&ecirc;xtil no Brasil</i>. ed.da autora. Rio de Janeiro: s.n., 304 :&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1439467&pid=S1647-6158201500020002300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Cirillo, A. J.; Grando, A. M. (2009). <i>Arqueologias da Cria&ccedil;&atilde;o</i>. Belo Horizonte: C/ Arte, 213 p&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1439468&pid=S1647-6158201500020002300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Contat, M.; Ferrer, D. (1998). <i>Porquoi la critique g&eacute;n&eacute;tique? </i> Paris: CNRS Editions.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1439469&pid=S1647-6158201500020002300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gr&eacute;sillon, A. (2008), <i>Elementos de cr&iacute;tica gen&eacute;tica, </i> Porto Alegre, UFRGS, trad. Cristina de C. V. Birk.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1439471&pid=S1647-6158201500020002300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Hay, L. (1996). <i>Pour une s&eacute;miotique du mouvemente. </i> G&ecirc;nesis, n. 10.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1439473&pid=S1647-6158201500020002300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Hay, L. (1999). "A montante da escrita". Trad. de Jos&eacute; Renato C&acirc;mara. <i>Pap&eacute;is Avulsos</i>. Rio de Janeiro: Funda&ccedil;&atilde;o Casa Rui Barbosa, n. 33, : 5 -19.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1439475&pid=S1647-6158201500020002300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Salles, C. A. (1998). <i>Gesto inacabado: processo de cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica</i>. S&atilde;o Paulo: Fapesp/ Annablume.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1439477&pid=S1647-6158201500020002300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Zular, R. (Org.) (2002). <i>Cria&ccedil;&atilde;o em processo: ensaios de cr&iacute;tica gen&eacute;tica</i>. S&atilde;o Paulo: Iluminuras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1439479&pid=S1647-6158201500020002300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo submetido a 5 de setembro de 2015 e aprovado a 23 de setembro de 2015.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:josecirillo@hotmail.com">josecirillo@hotmail.com</a> (Jos&eacute; Cirillo)</p>      ]]></body><back>
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