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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A construção de uma cartografia poética de determinada produção de artistas visuais na Amazônia]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article reflects on a poetic cartography of certain visual artists who work or originate in the Amazon, departing on some trips made in that territory between 2013 and 2014, noting how artists articulate themselves to develop their productions and what do they think about a region so full of peculiarities, differences and complexities as the Amazon. I present also the poetics of diaries, with the intention of (re) discovering the region through the writing, understanding this as a part of the path of understanding on Amazon.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>A constru&ccedil;&atilde;o de uma cartografia po&eacute;tica de determinada produ&ccedil;&atilde;o de artistas visuais na Amaz&ocirc;nia</b></p>     <p><b>Building a particular mapping of visual artists in the Amazon</b> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Keyla Tikka Sobral&#42;</b></p>     <p>&#42;Brasil, artista visual. Bacharel em Comunica&ccedil;&atilde;o Social; Mestre em Artes pela Universidade Federal do Par&aacute;.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Federal do Par&aacute;, Instituto de Ci&ecirc;ncias da Arte, Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Artes. Av. Magalh&atilde;es Barata n&ordm; 611 BEL&Eacute;M-PAR&Aacute; Cep: 66060281 Brasil. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b> </p>     <p>Este artigo reflete sobre uma cartografia po&eacute;tica de determinados artistas visuais que atuam ou s&atilde;o de origem da Amaz&ocirc;nia Legal, a partir de viagens realizadas nesse territ&oacute;rio entre 2013 e 2014, observando de que maneira os artistas se articulam para realizar suas produ&ccedil;&otilde;es e o que eles pensam sobre uma regi&atilde;o cheia de especificidades, diferen&ccedil;as e complexidade como &eacute; a Amaz&ocirc;nia. Reflito ainda a po&eacute;tica dos Di&aacute;rios de Bordo, com a inten&ccedil;&atilde;o de (re) descobrir a regi&atilde;o atrav&eacute;s da escrita, compreendendo esta como parte do percurso de entendimento sobre a Amaz&ocirc;nia. </p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Amaz&ocirc;nia, Arte Contempor&acirc;nea, Cartografia</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b> </p>     <p>This article reflects on a poetic cartography of certain visual artists who work or originate in the Amazon, departing on some trips made in that territory between 2013 and 2014, noting how artists articulate themselves to develop their productions and what do they think about a region so full of peculiarities, differences and complexities as the Amazon. I present also the poetics of diaries, with the intention of (re) discovering the region through the writing, understanding this as a part of the path of understanding on Amazon.</p>     <p><b>Keywords:</b> Amazon, Contemporary Art, Cartography</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O presente artigo vem falar sobre uma cartografia po&eacute;tica de artistas visuais que pensam e trabalham na Amaz&ocirc;nia Legal, a partir de viagens realizadas por mim, enquanto artista-pesquisadora, nas seguintes cidades que comp&otilde;e essa regi&atilde;o: Porto Velho, Bel&eacute;m, Boa Vista, S&atilde;o Luis, Palmas, Cuiab&aacute;, Manaus, Macap&aacute; e Rio Branco, durante os anos de 2013 e 2014. </p>     <p>A maior parte destas viagens foram realizadas no territ&oacute;rio amaz&ocirc;nico atrav&eacute;s do projeto Amaz&ocirc;nia das Artes do Sesc-Par&aacute;, projeto que incentiva artistas a divulgarem seus trabalhos em diversas cidades desta regi&atilde;o. </p>     <p>Foi uma oportunidade de conhecer mais de perto o Norte do Brasil, e, deparar-me com similitudes e diferen&ccedil;as, se sentindo por muitas vezes como uma esp&eacute;cie de estrangeiro dentro do seu pr&oacute;rpio territ&oacute;rio.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Di&aacute;rios de Bordo</b> </p>     <p>Durante as viagens foram realizados di&aacute;rios de bordo que foram elementos das viagens e s&atilde;o elementos importantes de todo o processo, espa&ccedil;os estes reservados para a escrita sobre a regi&atilde;o, aos desenhos realizados dentro dos avi&otilde;es, e que reverberaram sobre as sensa&ccedil;&otilde;es imediatas; um di&aacute;rio de bordo com discurso factual e liter&aacute;rio, espa&ccedil;o para uma pr&aacute;tica po&eacute;tica sobre o viajar na regi&atilde;o amaz&ocirc;nica. </p>     <p>Aceitar participar do projeto era disparar essa vontade de &quot;caixeiro-viajante&quot;, de exercitar uma certa <i>flanerie</i>, n&atilde;o nas cidades modernas europeias, mas nas cidades do modernismo e da p&oacute;s-modernidade amaz&ocirc;nida. Entendo a flanerrie a partir do que Baudelaire, ao se remeter ao fluxo de descobertas do sujeito na cidade moderna deambula pela cidade, no fluxo a descobrir a metr&oacute;pole, o que mais adiante Walter Benjamin ir&aacute; abordar com um mergulho filos&oacute;fico profundo. Aqui, nossa <i>flanerie</i> &eacute; p&oacute;s-moderna, em cidades que viveram certo fausto na <i>Belle &Eacute;poque</i>, carregando, ainda seus signos de modernidade, mas que vivem imersas em contradi&ccedil;&otilde;es na contemporaneidade. Nossa <i>flanerie</i> &eacute; <i>flanerie</i>, pois buscamos os detalhes, as pequenas surpresas, os encontros que se processam no inesperado do acontecimento. O <i>fl&acirc;neur</i> percebe a paisagem, como afirma Walter Benjamin &quot;Paisagem &#8211; eis no que se transforma a cidade para o <i>fl&acirc;neur</i>. Melhor ainda, para ele a cidade se cinde em seus p&oacute;los dial&eacute;ticos. Abre-se para ele como paisagem e, como quarto, cinge-o&quot;. </p>     <p>A inten&ccedil;&atilde;o com os di&aacute;rios de bordo foi realizar uma esp&eacute;cie de registro subjetivo das viagens, transformando tamb&eacute;m numa a&ccedil;&atilde;o po&eacute;tica atrav&eacute;s da escrita e dos desenhos, construindo assim anota&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias sobre um &quot;re-descobrimento&quot;, o &quot;re-conhecimento&quot; da regi&atilde;o Amaz&ocirc;nica (afinal, era a primeira vez que estava conhecendo as outras cidades da mesma regi&atilde;o).</p>     <p>A prop&oacute;sito, importante sublinhar que al&eacute;m dos navegadores, v&aacute;rias outras pessoas excursionaram pelas terras amaz&ocirc;nicas, antes deles diversos povos cruzaram a regi&atilde;o, disseminando sua cultura, deixando marcas, dispersando at&eacute; mesmo sementes e colaborando na constitui&ccedil;&atilde;o da diversidade do bioma que compreende a Amaz&ocirc;nia. Como por exemplo o escritor M&aacute;rio de Andrade, que no livro <i>Turista Aprendiz</i>, tamb&eacute;m recorreu a um di&aacute;rio de bordo para expressar suas impress&otilde;es do Norte e Nordeste do Brasil:</p>     <blockquote>&#91;...&#93; <i>A foz do Amazonas &eacute; uma dessas grandezas t&atilde;o grandiosas que ultrapassam as percep&ccedil;&otilde;es fisiol&oacute;gicas do homem. N&oacute;s s&oacute; podemos monumentaliz&aacute;-las na intelig&ecirc;ncia. O que a retina bota na consci&ecirc;ncia &eacute; apenas um mundo de &aacute;guas sujas e um matinho sempre igual no longe mal percebido das ilhas. O Amazonas prova decisivamente que a monotonia &eacute; um dos elementos mais grandiosos do sublime. &Eacute; incontest&aacute;vel que Dante e o Amazonas s&atilde;o igualmente mon&oacute;tonos. Pra gente gozar um bocado e perceber a variedade que tem nessas monotonias do sublime carece limitar em molduras mirins a sensa&ccedil;&atilde;o. Ent&atilde;o acha uma lindeza os barcos veleiros coloridos e acha cotuba a morte dos pretendentes, se prende ao horizonte plantado de &aacute;rvores que a refra&ccedil;&atilde;o apara do firme das ilhas e do livro de J&oacute;. A foz do rio Amazonas &eacute; t&atilde;o ingente que blefa a grandeza</i> &#91;...&#93; (Andrade, 2002: 60) </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O di&aacute;rio de M&aacute;rio de Andrade estava cheio de anota&ccedil;&otilde;es, peda&ccedil;os de papel, desenhos, p&aacute;ginas datilografadas, outras &agrave; m&atilde;o, notas avulsas, de forma que ficou rico em detalhes. </p>     <p>Escrever os di&aacute;rios era de alguma forma ser envolvida pelo fluxo dos rios e pelo fluxo das palavras, que me acompanhavam durante as viagens, durante todo o percurso. Estar em tr&acirc;nsito, sempre de passagem, e, sempre ser surpreendida pela palavra. </p>     <p>Propus a minha escrita para o registro das viagens, ser de maneira factual e po&eacute;tica, como assinala a pesquisadora Rosane Preciosa: &quot;Escrevemos para dar visibilidade ao invis&iacute;vel, para responder ao chamamento das nossas marcas, que o corpo carrega consigo&quot;. </p>     <p>Blanchot assinala sobre di&aacute;rios de bordo:</p>     <blockquote><i>O Di&aacute;rio representa a seq&uuml;&ecirc;ncia dos pontos de refer&ecirc;ncia que um escritor estabelece e fixa para reconhecer-se, quando pressente a metamorfose perigosa a que est&aacute; exposto. &Eacute; um caminho ainda vi&aacute;vel, uma esp&eacute;cie de caminho de ronda que ladeia, vigia e, por vezes, duplica o outro caminho, aquele onde errar &eacute; a tarefa sem fim</i> (Blanchot, 1987: 19)</blockquote>     <p>Anotar as expedi&ccedil;&otilde;es, o deslocamento do corpo pela Amaz&ocirc;nia. &Eacute; fazer ainda um esp&eacute;cie de <i>auto-(re) conhecimento</i> pr&oacute;prio, como sublinho dentro de minhas anota&ccedil;&otilde;es: &quot;Conhecer a si mesmo &eacute; atravessar a ponte.&quot;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Constru&ccedil;&atilde;o de uma cartografia</b> </p>     <p>Minha pretens&atilde;o nessas viagens foi principalmente a de conhecer alguns artistas que atuam e pensam a regi&atilde;o, tendo como um dos objetivos a realiza&ccedil;&atilde;o de uma cartografia de encontros a partir de um territ&oacute;rio t&atilde;o complexo como a Amaz&ocirc;nia. Coloquei como estrat&eacute;gia para constru&ccedil;&atilde;o desse mapa, o ritual do encontro e da intera&ccedil;&atilde;o, fossem esses pessoais ou virtuais, j&aacute; que corria o risco de encontrar os artistas no momento em que estava l&aacute; ou n&atilde;o.</p>     <p>Comecei a anotar sobre as pessoas que nas viagens eu tive contato, que fizeram parte da minha viv&ecirc;ncia, e, que eram artistas ou produtores culturais que indicavam nomes de outros artistas. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Fiz um recorte particular baseado nos encontros sem inten&ccedil;&atilde;o curatorial ou de afirma&ccedil;&atilde;o de &quot;mapa definitivo&quot; sobre as artes visuais na regi&atilde;o norte. Importante relatar que como sujeito participe, pois tamb&eacute;m atuo como artista visual, estava ali para tentar compreender de que maneira atuamos e nos articulamos. </p>     <p> Foram sendo desenhados em minha cartografia os nomes dos seguintes artistas: Danielle Fonseca (Par&aacute;), Orlando Maneschy (Par&aacute;), Paulo Trindade (Amazonas), S&aacute;vio Stoco (Amazonas), JJ Nunes (Amap&aacute;), Ueliton Santana (Acre), Joeser Alvarez (Rond&oacute;nia), Isaias Miliano (Roraima), Marina Boaventura (Tocantins), Marcos Dutra (Tocantins), Thiago Martins de Melo (Maranh&atilde;o) e Cl&oacute;vis Irigaray (Mato Grosso). Um grupo de artistas misturado entre jovens e experientes artistas, com carreiras consolidadas e outras em ascens&atilde;o. </p>     <p>Um dos pontos a esclarecer foi de que maneira fiz esse agrupamento de pessoas? Durante as viagens pela Amaz&ocirc;nia consegui conversar com muita gente, na sua maioria estudantes de universidades, produtores culturais e artistas. A cada viagem fui elencando nomes, de acordo com os encontros que se davam e as trocas que aconteciam. Tive oportunidade de trocas e compartilhamentos com a maioria deles, quer seja durante a viagem, ou depois dela. Conheci os artistas Marina Boaventura (Tocantins), Marcos Dutra (Tocantins) e Isaias Miliano (Roraima), nas pr&oacute;prias localidades, que s&atilde;o artistas atuantes em seus estados, e travamos muitos di&aacute;logos a partir de ent&atilde;o.</p>     <p>Os artistas Danielle Fonseca (Par&aacute;), Orlando Maneschy (Par&aacute;), j&aacute; faziam parte das minhas anota&ccedil;&otilde;es desde o come&ccedil;o da viagem e acompanharam todo o processo dessa pesquisa.</p>     <p>Os artistas S&aacute;vio Stoco (Amazonas), Paulo Trindade (Amazonas) e Joeser Alvarez (Rond&oacute;nia) n&atilde;o tive a oportunidade de conhecer pessoalmente durante as viagens, mas consegui conhece-los depois, j&aacute; em Bel&eacute;m, e, os coloquei na minha cartografia (<a href="#f1">Figura 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a03f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Os outros nomes foram sendo anotados a partir de indica&ccedil;&otilde;es locais como os nomes dos artistas visuais Thiago Martins de Melo e Cl&oacute;vis Irigaray, que foram mencionados por produtores culturais do Maranh&atilde;o e Mato Grosso.</p>     <p>E por &uacute;ltimo, mesmo n&atilde;o conseguindo viajar para o Acre e Macap&aacute;, devido a falta de verbas, e ciente que o projeto s&oacute; se concluiria ao completar o meu mapa, que era incluir alguns nomes de produtores de artes visuais atuantes nestas localidades da Amaz&ocirc;nia Legal. Recorri ent&atilde;o a internet para realizar essa viagem imagin&aacute;ria, pesquisei na internet e livros o nome de alguns artistas do Acre e Macap&aacute;, e, cheguei aos nomes de Ueliton Santana e JJ Nunes.</p>     <p>Dando prosseguimento a constru&ccedil;&atilde;o do percurso, dediquei-me a leituras sobre a regi&atilde;o, e a pesquisa sobre as produ&ccedil;&otilde;es dos nomes dos artistas anotados; continuei conversando com a maioria deles atrav&eacute;s de e-mails e redes sociais, e com alguns, tive oportunidade de rever pessoalmente, e com isso prolongar nossa discuss&atilde;o sobre nossas fronteiras, nossos territ&oacute;rios, similitudes e particularidades.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>De que maneira estar num local t&atilde;o peculiar afeta sua produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica? Percebo o trabalho de Cl&oacute;vis Irigaray (Mato Grosso) em conson&acirc;ncia com o de Isaias Miliano (Roraima), onde percebem a natureza ao redor com grande relev&acirc;ncia, e apresentam em pinturas e esculturas seu olhar atento para a regi&atilde;o como fortalecimento da pr&oacute;pria cultura. </p>     <p>Danielle Fonseca (Par&aacute;) (<a href="#f4">Figura 4</a>) com suas instala&ccedil;&otilde;es, pinturas e esculturas vem apresentando a regi&atilde;o atrav&eacute;s das &aacute;guas, onde o rio e a filosofia atravessam juntos; Orlando Maneschy (Par&aacute;) (<a href="#f5">Figura 5</a>) apresenta em seus v&iacute;deos sua experi&ecirc;ncia de um devir-natureza; S&aacute;vio Stoco (Amazonas) e Marcos Dutra (Tocantins) pensam a paisagem amaz&ocirc;nica a partir da manipula&ccedil;&atilde;o de diferentes t&eacute;cnicas e suportes; Marina Boaventura (Tocantins) (<a href="#f3">Figura 3</a>) parte do corpo trazendo em suas performances reflex&otilde;es sobre um territ&oacute;rio int&iacute;mo e afetivo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a03f2.jpg"></a></p>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a03f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a03f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a03f5.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Paulo Trindade (Amazonas) imprime em suas instala&ccedil;&otilde;es e v&iacute;deos um tom pol&iacute;tico com sua subjetividade de resist&ecirc;ncia, bem como, encontramos o Thiago Martins de Melo (Maranh&atilde;o) (<a href="#f7">Figura 7</a>) que n&atilde;o reside mais na regi&atilde;o, mas seu trabalho est&aacute; impregnado de quest&otilde;es pol&iacute;ticas ligadas ao norte do pa&iacute;s.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a03f6.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f7"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a03f7.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>E JJ Nunes (Amazonas) (<a href="#f6">Figura 6</a>) e Joeser Alvarez (Rond&oacute;nia) (<a href="#f2">Figura 2</a>) pensam seus trabalhos diretamente ligados a sociedade urbana, se apropriando da cidade transformando-a em palco para suas a&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas.</p>       <p>Percebo os processos em fluxo cont&iacute;nuo, um fluxo norte, uma Amaz&ocirc;nia que os atravessa, que carregam em si e que reverberam atrav&eacute;s de processos art&iacute;sticos elaborados num espa&ccedil;o social complexo. Uma Amaz&ocirc;nia h&iacute;brida, misturada, plural. </p>     <p>S&atilde;o di&aacute;logos vistos ali entre arte e vida. A viv&ecirc;ncia incorporada a pr&aacute;tica art&iacute;stica, fruto de suas inquieta&ccedil;&otilde;es. E que constituem um circuito paralelo, um circuito transversal comparado aos grandes centros. </p>     <p> S&atilde;o vis&otilde;es de um imagin&aacute;rio que os arrebata, que os fazem experimentar po&eacute;ticas, cada um com suas diferen&ccedil;as e que os unem pelas fronteiras dessa grande imensid&atilde;o verde. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> O ritmo da Amaz&ocirc;nia &eacute; mais compassado, como o ritmo do rio Madeira, denso e delicado, numa tarde dourada qualquer. E compassadamente se d&atilde;o os processos, as descobertas e redescobertas de uma regi&atilde;o t&atilde;o imensa, misteriosa e enigm&aacute;tica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b> </p>     <!-- ref --><p>Andrade, M&aacute;rio de (2002) <i>O turista aprendiz</i>. Belo Horizonte: Itatiaia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446147&pid=S1647-6158201600010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Benjamin, Walter (2000) &quot;Paris do Segundo Imp&eacute;rio&quot;. In: <i>Charles Baudelaire: um l&iacute;rico no auge do capitalismo. Obras escolhidas III.</i> S&atilde;o Paulo: Brasiliense.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446149&pid=S1647-6158201600010000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Blanchot, Maurice(2013). <i>O livro por vir.</i> S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446151&pid=S1647-6158201600010000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Preciosa, Rosane. (2012) &quot;Err&acirc;ncia, contamina&ccedil;&otilde;es, fluxos esquizos.&quot; <i>Revista Visualidades</i>, Goi&acirc;nia, v 10, N. 2, julho-dez.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446153&pid=S1647-6158201600010000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo recebido a 07 de setembro de 2015 e aprovado a 23 de setembro de 2015.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:keylasobral@msn.com">keylasobral@msn.com</a> (Keyla Tikka Sobral)</p>      ]]></body><back>
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