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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The Brazilian artist Lucia Castanho has developed an impressive series inspired by Ophelia character, originally presented by William Shakespeare in Hamlet. The series, as the same time that emphasizes a unique configuration - the heart - overflows into multidimensional - in different artistic forms through diverse materiality. From the uno to the multi, the artist determines the potency of language - through images of the feminine.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Lucia Castanho e o mito do cora&ccedil;&atilde;o como lugar dos sentimentos</b></p>     <p><b>Lucia Castanho and the heart myth as a place of the feelings</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Marcos Rizolli&#42;</b></p>     <p>&#42;Brasil, artista visual. Licenciatura em Educa&ccedil;&atilde;o Art&iacute;stica (Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de Campinas (PUC Campinas); Mestrado e Doutorado em Comunica&ccedil;&atilde;o e Semi&oacute;tica: Artes (PUC S&atilde;o Paulo, 1993; 1999).</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Presbiteriana Mackenzie; Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o, Arte e Hist&oacute;ria da Cultura (Coordenador); Grupo de Pesquisa Arte e Linguagens Contempor&acirc;neas &#8211; CNPq (L&iacute;der). Rua da Consola&ccedil;&atilde;o, 930 &#8211; Pr&eacute;dio 16. S&atilde;o Paulo (SP) CEP 01302-907, Brasil.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b> </p>     <p>A artista brasileira Lucia Castanho vem desenvolvendo uma s&eacute;rie expressiva inspirada na personagem Of&eacute;lia, originalmente apresentada por William Shakespeare, em Hamlet. A s&eacute;rie, ao mesmo tempo que aborda uma configura&ccedil;&atilde;o &uacute;nica &#8211; o cora&ccedil;&atilde;o &#8211; transborda em multidimensionalidade &#8211; em diferentes modalidades art&iacute;sticas, atrav&eacute;s de diversificadas materialidades. Do uno ao multi, a artista determina a pot&ecirc;ncia da linguagem &#8211; em imagens do feminino. </p>     <p><b>Palavras chave:</b> linguagem e sentimento, Of&eacute;lia, Lucia Castanho.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b> </p>     <p>The Brazilian artist Lucia Castanho has developed an impressive series inspired by Ophelia character, originally presented by William Shakespeare in Hamlet. The series, as the same time that emphasizes a unique configuration &#8211; the heart &#8211; overflows into multidimensional &#8211; in different artistic forms through diverse materiality. From the uno to the multi, the artist determines the potency of language &#8211; through images of the feminine.</p>     <p><b>Keywords:</b> language and feeling, Ophelia, Lucia Castanho.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Lucia Castanho &eacute; uma artista brasileira contempor&acirc;nea, com forma&ccedil;&atilde;o doutoral e experiente em doc&ecirc;ncia nos campos da arte e do design. Vive e mant&eacute;m ateli&ecirc; em Sorocaba, cidade pr&oacute;xima a S&atilde;o Paulo. Em sua cidade, ocupa espa&ccedil;o de lideran&ccedil;a cultural, sempre envolvida em a&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas para o desenvolvimento da comunidade art&iacute;stica local &#8211; em especial, &agrave; frente da Associa&ccedil;&atilde;o de Educa&ccedil;&atilde;o, Cultura e Arte &#8211; AECA, com o objetivo de criar o Museu de Arte Contempor&acirc;nea de Sorocaba &#8211; MACS, cujo processo de implanta&ccedil;&atilde;o reconhece est&aacute;gio bem avan&ccedil;ado.</p>     <p>Na esfera produtiva, a artista exp&otilde;e desde 1986 e est&aacute; representada em acervos de importantes institui&ccedil;&otilde;es de arte e cultura: Museu de Arte de S&atilde;o Paulo &#8211; MASP; Museu de Arte Moderna de S&atilde;o Paulo &#8211; MAM; Museu de Arte Contempor&acirc;nea da Universidade de S&atilde;o Paulo &#8211; MAC-USP. Sua obra &eacute; tamb&eacute;m representada por importantes Galerias de Arte &#8211; citemos duas: Monica Filgueiras, em S&atilde;o Paulo; Art Office Roberta Karam, em Porto Alegre.</p>     <p>Na esfera criativa, Lucia Castanho sempre esteve interessada em express&otilde;es viscerais. Primeiro, o desenho &#8211; de contundentes grafias &#8211; reconheceu gestos vigorosos, em registros difusos, entre a linha e a mancha. Depois, a pintura &#8211; de cromias intensas &#8211; reconheceu figuralidades densas, entre pinceladas vertiginosas e insinua&ccedil;&otilde;es anat&ocirc;micas. E, mais recentemente, novos meios e outras materialidades &#8211; objetos, fotografias, performances &#8211; em atitude expressiva multidimensional. Assim, surge a S&eacute;rie <i>Cora&ccedil;&atilde;o de Of&eacute;lia</i>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. A S&eacute;rie Cora&ccedil;&atilde;o de Of&eacute;lia</b></p>     <p>Ao afirmar que <i>o cora&ccedil;&atilde;o &eacute; o primeiro &oacute;rg&atilde;o formado no &uacute;tero</i>, Lucia Castanho vem definindo um percurso expressivo que pretende apresentar, atrav&eacute;s do n&atilde;o-verbal, os pap&eacute;is da mulher na sociedade contempor&acirc;nea (<a href="#f1">Figura 1</a>). Para tanto &#8211; baseada em seus estudos doutorais em Artes &#8211; irradia seu discurso pl&aacute;stico a partir da imagem de Of&eacute;lia (personagem de Shakespeare, em Hamlet, que enlouquece de tanta paix&atilde;o e morre afogada, num prov&aacute;vel suic&iacute;dio).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a04f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Assim, entre a consci&ecirc;ncia e a pr&aacute;tica de linguagem, a artista transporta Of&eacute;lia, ainda que simbolicamente, para o s&eacute;culo XXI &#8211; justamente para provar novas representa&ccedil;&otilde;es visuais e colocar outras quest&otilde;es sobre a identidade feminina, o desejo, a vida e a morte.</p>     <p>As maneiras como a artista opera sua express&atilde;o revelam um prop&oacute;sito intensificador: a imagem recorrente &eacute; a forma coron&aacute;ria &#8211; percebida e revelada nas mais diversificadas materialidades e plasticidades. Todas, contudo, nascem como desejo de forma e bem poderiam ser consideradas e(s)(n)tranhezas do cora&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O cora&ccedil;&atilde;o &#8211; o org&atilde;o coron&aacute;rio em sua constitui&ccedil;&atilde;o anat&ocirc;mica &eacute; configura&ccedil;&atilde;o fixa, t&atilde;o est&aacute;tica quanto o corpo da Of&eacute;lia morta. Contudo, nem tanto fixo ou est&aacute;tico. Vejamos, sen&atilde;o: O cora&ccedil;&atilde;o, conforme descrito nos atlas de anatomia, &eacute; um &oacute;rg&atilde;o oco, capacitado ao bombeamento do sangue para o corpo atrav&eacute;s do cont&iacute;nuo fluxo de contra&ccedil;&atilde;o e relaxamento. Toda essa din&acirc;mica se d&aacute; por interm&eacute;dio de um &oacute;rg&atilde;o que tem &#8211; mais ou menos &#8211; a dimens&atilde;o de nossa m&atilde;o fechada em punho &#8211; posi&ccedil;&atilde;o manual que &eacute;, inclusive, considerada como gesto e atitude de luta e resist&ecirc;ncia. N&atilde;o por acaso, o batimento card&iacute;aco &eacute; revelado pelas veias do pulso. Seria Of&eacute;lia, organicamente revelada? Certamente, organicamente configurada! Uma forma oca, revestida por uma membrana. Algo como: um saco fechado, fibroso, envolto por uma pel&iacute;cula. Bem assim, conforme a artista t&atilde;o anatomicamente configura, o cora&ccedil;&atilde;o de Of&eacute;lia. A vida, elternadamente, distribuida em sangue e oxig&ecirc;nio. E, aqui, transmutada em vazio, arames e tecidos (<a href="#f2">Figura 2</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a04f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Ent&atilde;o, o cora&ccedil;&atilde;o de Of&eacute;lia, atualizado pela express&atilde;o contempor&acirc;nea se estrutura a partir do tramado do arame de cobre, cujos n&oacute;s e filmentos se referem ao conjunto vascular, garantindo a oca tridimensionalidade do objeto, devidamente configurado pelo tecido, que lhe serve de membrana.</p>     <p>Estaria, desta maneira, definida a forma com a qual a artista se manifesta, exercendo um processo de intensifica&ccedil;&atilde;o de sentidos. Se, em dimens&atilde;o org&atilde;nica, o cora&ccedil;&atilde;o &eacute; o org&atilde;o mediador do percurso do sangue, nas manifesta&ccedil;&otilde;es da linguagem art&iacute;stica proposta, se tornar&aacute; os atributos da vida &#8211; em din&acirc;mico ir e vir (<a href="#f3">Figura 3</a>, <a href="#f4">Figura 4</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a04f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a04f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Pela pot&ecirc;ncia da arte, transformar o organismo em mito!</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>2. O mito do cora&ccedil;&atilde;o como lugar dos sentimentos</b></p>     <p>Mitos s&atilde;o narrativas utilizadas em todos os tempos, por todas as culturas, para explicar a riqueza dos fen&ocirc;menos da natureza e a complexidade da exist&ecirc;ncia humana. Enquanto nos servem para especular acerca da origem do mundo e do homem, num sentido universal, artistas s&atilde;o sujeitos habilitados &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de suas pr&oacute;prias mito-po&eacute;ticas. Esse &eacute; o caso fulcral da S&eacute;rie <i>Cora&ccedil;&atilde;o de Of&eacute;lia</i>.</p>     <p>Of&eacute;lia, em Hamlet, &eacute; personagem que prova, intensamente, as adversidades de seu tempo afetivo. Em dicotomia: &eacute; muito jovem, inocente, fr&aacute;gil e ing&ecirc;nua, disposta ao amor e, desprotegida, compreende a realidade da vida; &eacute; mulher resistente, mentalmente prostituta de seu pai, emocionalmente dura, incorformada com sua condi&ccedil;&atilde;o feminina que n&atilde;o lhe permite decidir o pr&oacute;prio destino.</p>     <p>Of&eacute;lia, na dramaturgia Shakespeariana, &eacute; uma heroina tr&aacute;gica, um mito que divaga entre corrup&ccedil;&atilde;o dos homens, as can&ccedil;&otilde;es obscenas que entoa como forma de resist&ecirc;ncia e os cen&aacute;rios sombrios de seu entorno &#8211; para tornar-se, no universo da visualidade, lembran&ccedil;a imag&eacute;tica recorrente, desde Millais (1851-52) at&eacute; a contemporaneidade.</p>     <p>Contudo, sob a guarda expressiva de Lucia Castanho, Of&eacute;lia deixa de ser potencialmente a hero&iacute;na tr&aacute;gica. Of&eacute;lia, em sua identidade unidimensional, torna-se, ent&atilde;o, argumento expressivo multidimensional. Imagem-argumento, transcrita em m&uacute;ltiplas modalidades art&iacute;sticas e em diversificadas materialidades.</p>     <p>Bidimensionalmente: se desenho, a anatomia; se pintura, as crom&aacute;ticas pulsa&ccedil;&otilde;es; se incis&atilde;o, quase sempre em troncos de &aacute;rvore, conceito! Tridimensionalmente: se escultura, a modelagem densa ou as estruturas aramadas leves; se objetos (quase <i>ready made</i>), os tecidos aveludados, as veladuras do tule, os bordados e as flores alfinetadas em m&uacute;ltiplas superf&iacute;cies. E ainda, se performance, manifesto! Tudo sensorial e tatilmente sensual.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. <i>Cora&ccedil;&atilde;o de Of&eacute;lia</i>, as plasticidades dos sentimentos</b></p>     <p>As experimenta&ccedil;&otilde;es materiais e procedimentais com as quais a artista se envolve s&atilde;o de tal ordem proliferantes que parecem ser signos de uma obsessiva express&atilde;o (<a href="#f5">Figura 5</a>). Uma linguagem algo entre a densidade e a liquidez. Uma linguagem um tanto et&eacute;rea, suspensa ou flutuante. Assim, o corpo de Of&eacute;lia, configurado em cora&ccedil;&atilde;o, revela-se denso, em sua musculatura... vazio, em sua cavidade... e l&iacute;quido, entre o sangue, como lugar do corpo e da vida, e a &aacute;gua, como lugar da paisagem e da morte.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a04f5.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Vejamos, ent&atilde;o:</p>     <blockquote><i>Esculturas em arame, na leveza das figuras</i> &#91;...&#93; <i>todas as t&eacute;cnicas experimentadas por Lucia Castanho ganham uma expressividade &iacute;mpar, pelos movimentos circulares, mem&oacute;rias do infinito, continuidade,</i> &#91;...&#93; <i>da &aacute;gua.... S&atilde;o volutas femininas. Casulos... H&aacute; ainda o puro vermelho, princ&iacute;pio e fim da vida... vermelho de intensidade apaixonada, devoradora, febril, quase insana</i> (Silva, 2015).</blockquote>     <p>As obras de Lucia Castanho parecem repercutir:</p>     <blockquote><i>...amor e dor (e qual amor n&atilde;o d&oacute;i?), conten&ccedil;&atilde;o e liberdade em conflito. Ainda insist&ecirc;ncia &eacute; o que se percebe em suas sequ&ecirc;ncias de obras, variantes sobre o mesmo tema, com pinturas, desenhos... Com a repeti&ccedil;&atilde;o ela parece buscar a forma exata para expressar uma ideia, um sentir... Em seu fazer po&eacute;tico, com a eterna ang&uacute;stia da representa&ccedil;&atilde;o: o signo, ao tentar apreender o objeto, destr&oacute;i definitivamente o real, tranformando-se em m&uacute;ltiplas e sucessivas possiblidades</i> (Silva, 2015). </blockquote>     <p>A S&eacute;rie <i>Cora&ccedil;&atilde;o de</i> Of&eacute;lia, ao mesmo tempo em que pretende discutir a exist&ecirc;ncia afetiva e emocional da mulher nas sociedades e na cultura, parece buscar o questionamento das estruturas da linguagem visual e dos materiais que seleciona para produzir desenhos, pinturas, esculturas, objetos, fotografias, performances &#8211; sobretudo, para discutir e questionar a ess&ecirc;ncia da vida e da morte.</p>     <p>Como podemos observar:</p>     <blockquote><i>A artista nos imp&otilde;e uma sucess&atilde;o de experi&ecirc;ncias sensoriais &#8211; sensual &#8211; m&iacute;ticas. Tanto corporais quanto s&iacute;gnicas, em apreens&otilde;es visuais que, intensamente sentidas, nos arremessam ao et&eacute;reo. Uma identidade expressiva que dialoga com a materialidade das imagens &#8211; em sugest&otilde;es abstratizantes... do formal ao linear.      <br>Linhas, ali&aacute;s, parecem ser as estruturas gerativas da artisticidade proposta. Permanecem em nossa percep&ccedil;&atilde;o apenas as qualidades</i> &#91;...&#93;<i>: ritmos &#8211; movimentos... pulsares em veias de arame. Dos objetos, desprende-se algo superficial, vago, fragmentar ou, talvez, arqueol&oacute;gico. S&atilde;o objetos cl&aacute;ssicos! Estruturas de beleza...</i> (Rizolli, 2015). </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Entre a Of&eacute;lia, de Shakespeare &#8211; em Hamlet, e a s&eacute;rie <i>Cora&ccedil;&atilde;o de Of&eacute;lia</i> podemos encontrar percep&ccedil;&otilde;es de converg&ecirc;ncia. Desse modo:</p>     <blockquote><i>&Eacute; a &aacute;gua sonhada em sua vida habitual, &eacute; a &aacute;gua do lago que por si mesma &quot;se ofeliza&quot;, se cobre naturalmente de seres dormentes, de seres que se abandonam e flutuam, de seres que morrem docemente</i> (Bachelard, 2013: 85). </blockquote>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Tomemos, de impr&eacute;stimo, um agudo pensamento: &quot;Corre-se o risco de morte por amor, por &ecirc;xtase, por vaidade, por masoquismo, por loucura, por felicidade&quot; (Morin, 1987: 72).</p>     <p>Enquanto Of&eacute;lia surge originalmente como fic&ccedil;&atilde;o, depois de ser vista flutuando em tantas &aacute;guas, em tantos tempos e em tantas culturas, seu mito foi se desvelando em outras realidades &#8211; atrav&eacute;s das in&uacute;meras figuras femininas que encarnou. Sua imagem, multiplicada e atualizada. foi se confundindo com aquelas de mulheres que morreram por amor, por loucura, por paix&atilde;o ou por desespero.</p>     <p>Ent&atilde;o, invadindo o seu cora&ccedil;&atilde;o, a artista estabelece um di&aacute;logo de aproxima&ccedil;&atilde;o com o mito. Das identifica&ccedil;&otilde;es hist&oacute;rias e sociais do feminino, Of&eacute;lia vai se incorporando &agrave; anatomia expressiva da artista &#8211; em experi&ecirc;ncias de vida e morte &#8211; em diversificadas formas de artisticidade.</p>     <p>E, assim, metonimicamente, L&uacute;cia Castanho elabora uma nova sem&acirc;ntica &#8211; o mito do cora&ccedil;&atilde;o feminino como o lugar dos sentimentos, tanto ancestrais quanto emergentes. Afinal, nos acostumamos a pensar que o cora&ccedil;&atilde;o &eacute; mais um &oacute;rg&atilde;o de intelig&ecirc;ncia do que (meramente) a esta&ccedil;&atilde;o principal de bombeamento do sangue pelo corpo.</p>     <p>Potencialmente, o <i>Cora&ccedil;&atilde;o de Of&eacute;lia</i>, de t&atilde;o feminino, transmuta-se em express&atilde;o contempor&acirc;nea, para compreender um sentimento universal. Uma imagem-conceito recorrente: jovialmente implicada no amor e desesperadamente impregnada de loucura, contudo, resultar&aacute; dilu&iacute;da nas &aacute;guas da morte &#8211; justamente para provar novas dimens&otilde;es expressivas e colocar outras quest&otilde;es sobre a(s) identidade(s) da arte.</p>     <p>E, para finalizar, damos voz &agrave; pr&oacute;pria artista: &quot;somos ninfas, somos Of&eacute;lias, somos tantas vezes imagens&quot; (Castanho, 2011: 168).</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Refer&ecirc;ncias</b> </p>     <!-- ref --><p>Bachelard, Gaston (2013) <i>A &Aacute;gua e os Sonhos</i>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes. ISBN: 978-85-782-7635-5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446240&pid=S1647-6158201600010000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Castanho, Lucia (2011). <i>Of&eacute;lia: Percurso &iacute;ntimo de uma imagem idealizada</i>. Tese de Doutorado em Educa&ccedil;&atilde;o, Arte e Hist&oacute;ria da Cultura.S&atilde;o Paulo: Universidade Presbiteriana Mackenzie.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446242&pid=S1647-6158201600010000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Morin, Edgar (1997) <i>O Homem e a Morte</i>. Rio de Janeiro: Imago. ISBN: 978-85-312-0540-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446244&pid=S1647-6158201600010000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Rizolli, Marcos (2015) &quot;Texto de Apresenta&ccedil;&atilde;o.&quot; &#91;Consult. 2015-09-01&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.luciacastanho.com.br" target="_blank">http://www.luciacastanho.com.br</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446246&pid=S1647-6158201600010000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Silva, Mirian Cristina Carlos (2015) &quot;Texto de Apresenta&ccedil;&atilde;o.&quot; &#91;Consult. 2015-09-01&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.luciacastanho.com.br" target="_blank">http://www.luciacastanho.com.br</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446247&pid=S1647-6158201600010000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Artigo completo recebido a 06 de setembro de 2015 e aprovado a 23 de setembro de 2015.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>    <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:marcos.rizolli@mackenzie.br">marcos.rizolli@mackenzie.br</a> (Marcos Rizolli)</p>      ]]></body><back>
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