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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A Identidade da Mão e as Anatomias do Nu no Desenho e no Desenhar de João Cutileiro]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The Cutileiro's female nude drawing is an erotization sociology through the functions of a variable gaze phenomenology. The draughtsperson hand identifies the gesture of the body and captures it in the transformation of instant and urgency. In this intentional framework, the paper analyses the operating graphical interfaces through three pairs of factors involved in to draw. The "theme and figure" explores the identities of the body and the gender. The "technic and graphics" studies the outline geometry and trace variability. The "volume and pose" deals with the position, motion and gravity on deviations of human proportion.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>A Identidade da M&atilde;o e as Anatomias do Nu no Desenho e no Desenhar de Jo&atilde;o Cutileiro</b></p>     <p><b>The Hand Identity and the Nude Anatomies in Drawing and in to Draw of Jo&atilde;o Cutileiro.</b> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Shakil Yussuf Rahim&#42; & Ana Leonor Madeira Rodrigues&#42;&#42;</b></p>     <p>&#42;Portugal, arquiteto. Licenciatura em Arquitetura, Universidade T&eacute;cnica de Lisboa, Faculdade de Arquitectura (FAUTL); Doutoramento no ramo Arquitetura, especialidade Desenho, Universidade de Lisboa, Faculdade de Arquitetura (FAUL). Docente e investigador, FAUL, Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o em Arquitetura; Urbanismo e Design (CIAUD).</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade de Lisboa, Faculdade de Arquitetura (FAUL); Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o em Arquitetura, Urbanismo e Design (CIAUD). R. S&aacute; Nogueira, 1349-055 Lisboa, Portugal.</p>     <p>&#42;&#42;Portugal, artista visual. Licenciatura em Pintura, Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (ESBAL); Doutoramento em Arquitetura, especialidade Comunica&ccedil;&atilde;o Visual, Universidade T&eacute;cnica de Lisboa, Faculdade de Arquitetura (FAUTL). Professora na Faculdade de Arquitetura (FAUL); Departamento de Desenho e Comunica&ccedil;&atilde;o Visual.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade de Lisboa, Faculdade de Arquitetura (FAUL); Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o em Arquitetura, Urbanismo e Design (CIAUD). R. S&aacute; Nogueira, 1349-055 Lisboa, Portugal.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b> </p>     <p>O desenho de nu feminino em Cutileiro &eacute; uma sociologia de erotiza&ccedil;&atilde;o pelas fun&ccedil;&otilde;es de uma fenomenologia de olhar vari&aacute;vel. A m&atilde;o do desenhador identifica o gesto do corpo e capta-o no devir do instante e da urg&ecirc;ncia. Neste quadro intencional, o artigo analisa as rela&ccedil;&otilde;es gr&aacute;ficas operacionais atrav&eacute;s de tr&ecirc;s pares de factores envolvidos no desenhar. A &quot;tem&aacute;tica e a figura&quot; explora as identidades do corpo e do g&eacute;nero. A &quot;t&eacute;cnica e o grafismo&quot; estuda a geometria do contorno e as variabilidades do tra&ccedil;o. O &quot;volume e a pose&quot; trata da posi&ccedil;&atilde;o, do movimento e da gravidade nos desvios da propor&ccedil;&atilde;o humana.</p>     <p><b>Palavras chave:</b> Desenho de Nu, Desenhador, Fenomenologia do Olhar, Jo&atilde;o Cutileiro, Portugal</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b> </p>     <p>The Cutileiro&#39;s female nude drawing is an erotization sociology through the functions of a variable gaze phenomenology. The draughtsperson hand identifies the gesture of the body and captures it in the transformation of instant and urgency. In this intentional framework, the paper analyses the operating graphical interfaces through three pairs of factors involved in to draw. The &quot;theme and figure&quot; explores the identities of the body and the gender. The &quot;technic and graphics&quot; studies the outline geometry and trace variability. The &quot;volume and pose&quot; deals with the position, motion and gravity on deviations of human proportion.</p>     <p><b>Keywords</b>: Nude Drawing, Draughtsperson, Phenomenology of the Gaze, Jo&atilde;o Cutileiro, Portugal</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>O artigo investiga a identidade gr&aacute;fica do escultor portugu&ecirc;s Jo&atilde;o Pires Cutileiro (1937- ), focado nos seus desenhos de nu feminino como objecto de estudo. A identidade do desenho e do desenhar, como materializa&ccedil;&atilde;o de uma m&atilde;o em movimento, &eacute; estudada atrav&eacute;s de uma metodologia de tr&ecirc;s pares de factores: i) tem&aacute;tica e figura, ii) t&eacute;cnica e grafismo e iii) volume e pose. A partir das rela&ccedil;&otilde;es entre estes factores constr&oacute;i-se uma unidade gr&aacute;fica resultado da operacionaliza&ccedil;&atilde;o visual e cognitiva do desenhador. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Jo&atilde;o Cutileiro e a Liberdade</b></p>     <p> Jo&atilde;o Cutileiro tem um percurso marcado pelo trabalho de escultura em pedra, com forte marca ideol&oacute;gica e pol&iacute;tica, na defesa da autenticidade e da liberdade da express&atilde;o art&iacute;stica portuguesa contempor&acirc;nea (Chic&oacute;, 1982). Extremista nas opini&otilde;es que cria no p&uacute;blico e na cr&iacute;tica, Cutileiro recria personagens hist&oacute;ricas, aleg&oacute;ricas e religiosas, com enquadramentos em epis&oacute;dios da literatura e hist&oacute;ria de Portugal (Wohl, 1979), como o 25 de Abril, as T&aacute;gides, reis, guerreiros, poetas, entre outros. O seu trabalho &eacute; reconhecido atrav&eacute;s de encomendas p&uacute;blicas e particulares, muitas de &acirc;mbito comemorativo e monumental que ocupam o espa&ccedil;o da cidade. Atrav&eacute;s das origens do seu m&aacute;rmore alentejano, Cutileiro ultrapassa a estatu&aacute;ria acad&eacute;mica para se situar nas fronteiras do novo experimentalismo (Pinharanda, 1995), onde introduz a sensualidade do corpo feminino, a expressividade da mat&eacute;ria e a ambiguidade do erotismo na agrega&ccedil;&atilde;o do desejo. &Eacute; neste quadro sensorial, que surge o seu portf&oacute;lio de desenhos, como escultor do corpo, que encontra na linha os trajetos da forma para investigar as sedu&ccedil;&otilde;es da express&atilde;o humana. </p>     <blockquote><i>Para o escultor, o desenho &eacute; uma fotografia, no sentido em que esta &eacute; um registo, que mais tarde poder&aacute; dar lugar para outra coisa ainda, e essa coisa &eacute; que &eacute; linda (fruindo aqui das palavras de Fernando Pessoa). Nesse sentido, o escultor n&atilde;o cessa de desenhar, descobrindo no ser feminino, com o seu olhar de artista, o car&aacute;cter, a verdade interior que transparece da sua forma</i> (Mega, 2008: 285). </blockquote>     <p><b>2. O Desenho de Nu Art&iacute;stico e a Fenomenologia de Olhar Vari&aacute;vel</b> </p>     <p>O desenho de nu em Cutileiro &eacute; um prazer. Para ele, que desenha e descobre o corpo; e para n&oacute;s, que vemos o resultado da sua observa&ccedil;&atilde;o e com isso espreitamos essa descoberta. Este prazer &eacute; tamb&eacute;m o da tentativa de desenhar o <i>belo</i> associando-a &agrave; verdade como sugeria Plat&atilde;o. A hist&oacute;ria da arte ocidental da representa&ccedil;&atilde;o do nu multiplica a quest&atilde;o da beleza como uma vari&aacute;vel que ultrapassa o corpo (Berger et al., 2002). A est&eacute;tica organiza e categoriza estas subjetividades da identidade do corpo que o desenhador regista, e que fazem sublimar o contorno f&iacute;sico do desenho, para o situar como caracter&iacute;stica aut&oacute;noma e imaterial da representa&ccedil;&atilde;o. Tal como refere Fernando Pessoa (1888-1935), no <i>Livro do Desassossego</i>, a nudez &eacute; um fen&oacute;meno da alma (Pessoa, 2013). </p>     <p>Do movimento musculado dos homens eternos e intoc&aacute;veis dos desenhos de Miguel &Acirc;ngelo Buonarroti (1475-1564), &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita do corpo pelos desenhos er&oacute;ticos de Degas (1834-1917) ou Picasso (1881-1973), as metodologias, t&eacute;cnicas e materiais do desenho de nu alteraram-se substancialmente atrav&eacute;s do tempo e da cultura (Pignatti, 2004). Neste quadro de circunst&acirc;ncias, Cutileiro &eacute; um desenhador da acelera&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea, porque minimiza os recursos gr&aacute;ficos para chegar &agrave; simplicidade do desenho urgente. Um desenho que se ajusta ao sublime Kantinano pela experi&ecirc;ncia emocional (Chalumeau, 1997) e &agrave; voca&ccedil;&atilde;o <i>supra-sens&iacute;vel</i> da imagina&ccedil;&atilde;o defendida por Deleuze. Cutileiro devolve ao observador o poder de completar o sentido do sens&iacute;vel para al&eacute;m da raz&atilde;o objectiva do registo:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote><i>Tal &eacute; o acordo &#8211; discordante &#8211; da imagina&ccedil;&atilde;o e da raz&atilde;o: n&atilde;o &eacute; apenas a raz&atilde;o que tem uma &quot;destina&ccedil;&atilde;o supra-sens&iacute;vel&quot; mas tamb&eacute;m a imagina&ccedil;&atilde;o. Neste acordo, a alma &eacute; sentida como unidade supra-sens&iacute;vel indeterminada de todas as faculdades; somos n&oacute;s pr&oacute;prios referidos a um foco, como a um &quot;ponto de concentra&ccedil;&atilde;o&quot; no supra-sens&iacute;vel</i> (Deleuze, 2000a: 58). </blockquote>     <p>Longe dos dualismos conceptuais, o desenhar como acto &eacute; uma fenomenologia de olhar vari&aacute;vel, que n&atilde;o op&otilde;e consci&ecirc;ncia e mundo, o para si e o em si. Adopta uma rela&ccedil;&atilde;o de intencionalidade significante (Cerbone, 2006) e de cogni&ccedil;&atilde;o integrada, numa consci&ecirc;ncia perceptiva encarnada de corpo vivido (Merleau-Ponty, 1945, 1994), que se torna num riscador e contorna a forma e o espa&ccedil;o no plano. Esta textura do corpo inteiro de Merleau-Ponty duplica o <i>noema</i> quando se trata do caso espec&iacute;fico de desenhar o corpo, e intensifica-se quando esse corpo &eacute; do outro. Por isso tamb&eacute;m para Cutileiro, o deslocamento do olhar e da m&atilde;o divide-se em v&aacute;rias partes; combina-se em muitas outras com diferentes quantidades. Para delimitar estes desdobramentos, estuda-se de seguida tr&ecirc;s pares de factores motrizes nas possibilidades que Cutileiro associa &agrave; express&atilde;o f&iacute;sica e significativa do desenhar.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2.1 A Tem&aacute;tica e a Figura</b></p>     <p>Um dos principais temas que Cutileiro trabalha no desenho &eacute; a figura humana e as suas extens&otilde;es do nu. O feminino surge no desenhador como fonte de voluptuosidade e transgress&atilde;o (Alvim, 1981). As &quot;meninas e mulheres de Cutileiro&quot; s&atilde;o um corpo conjunto unido pelo g&eacute;nero e pelo autor, ainda que separadas por p&aacute;ginas. A maioria est&aacute; isolada, mas n&atilde;o parecem estar sozinhas. Porque d&aacute;-nos a sensa&ccedil;&atilde;o de pertencerem ao espa&ccedil;o que ocupam. &Agrave; semelhan&ccedil;a das <i>Sources</i> e de outros desenhos de Ingres (1780-1867), a express&atilde;o combinada de carne, inoc&ecirc;ncia e acaso produz tens&atilde;o e atra&ccedil;&atilde;o no observador (Gu&eacute;gan, 2006). </p>     <p>No desenho de Cutileiro a pele &eacute; macia e o corpo desbastado (<a href="#f1">Figura 1</a>). O rosto &eacute; gracioso, e os olhos amendoados adicionam juventude e curiosidade (<a href="#f2">Figura 2</a>). Outras vezes a atitude &eacute; desencontrada e esquiva, e o olhar &eacute; distante. S&atilde;o mulheres temperamentais (Fran&ccedil;a, 1966), que por vezes parecem estar ao espelho. Mostram-se e deixam-se desenhar: umas olham para o desenhador (<a href="#f3">Figura 3</a>), outras escondem o rosto para se protegerem da intimidade. Mas todas juntam-se &agrave; <i>V&eacute;nus</i> de Botticelli (c. 1485) na encena&ccedil;&atilde;o de que as deusas podem ultrapassar o pudor:</p>     <blockquote><i>A V&eacute;nus de Botticelli &eacute;, do ponto de vista anat&oacute;mico, uma caricatura disforme, que nenhuma estrutura &oacute;ssea ou tens&atilde;o muscular, mant&eacute;m em p&eacute;. O corpo &eacute; um ap&ecirc;ndice desamparado de um rosto melanc&oacute;lico que olha para o exterior</i> (...) <i>&Eacute; por isso que a pintura &eacute; t&atilde;o assombrosa. Esta mulher que &eacute; fruto do desejo est&aacute; al&eacute;m do que o desejo, tal como sempre conhecemos, pode alcan&ccedil;ar</i> (Scruton, 2009: 137).</blockquote> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a05f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a05f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a05f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Como refere Kenneth Clark, em <i>The Nude: A Study in Ideal Form</i>, o corpo humano n&atilde;o &eacute; um tema da arte mas uma forma de arte (Clark, 1972). Para Cutileiro, o desenho do nu feminino &eacute; a confirma&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia da silhueta nos processos de visualiza&ccedil;&atilde;o dos limites do corpo e da sedu&ccedil;&atilde;o t&aacute;ctil da sua obra escult&oacute;rica, atrav&eacute;s de figuras b&iacute;fidas, <i>daphenes</i> e torsos (Rafeiro, 2000). Ainda que estes desenhos detenham autonomia e n&atilde;o perten&ccedil;am &agrave;s fases preparat&oacute;rias da sua atividade projectual, est&atilde;o na mesma direc&ccedil;&atilde;o porque a figura &eacute; o centro da sua procura tridimensional. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2.2. A T&eacute;cnica e o Grafismo</b></p>     <p>Cutileiro desenha a silhueta, atrav&eacute;s de linhas org&acirc;nicas, en&eacute;rgicas e em movimento (Wohl, 1979). Uma t&eacute;cnica que faz uso da geometria de contorno, que define a massa do corpo pelas diferentes medidas dos vazios. O vazio constr&oacute;i a extens&atilde;o do desenho, como muitas vezes fez Rodin (1840-1917) nos seus estudos de nu quando os preencheu com aguadas (Normand-Romain & Buley-Uribe, 2006). Mas se Cutileiro herda essa continuidade de gest&atilde;o de massas, afasta-se de Rodin na mancha, porque n&atilde;o a substitui pelo suporte. &Eacute; atrav&eacute;s da linha e pela sobreposi&ccedil;&atilde;o de pequenos tra&ccedil;os ou de um gesto &uacute;nico, que desenha ora com densidade gr&aacute;fica ora com simplicidade linear (<a href="#f4">Figura 4</a>), na procura do sublime contorno da pele humana: </p>     <blockquote><i>O que fica inacabado, como os riscos que se sobrep&otilde;em, como a insist&ecirc;ncia num detalhe, s&atilde;o j&aacute; prefigura&ccedil;&otilde;es do movimento da m&atilde;o rasgando o espa&ccedil;o, procurando o vazio no denso seio das mat&eacute;rias. </i>     <br><i>Os desenhos de Jo&atilde;o Cutileiro, variando entre as linhas subtil&iacute;ssimas e as marcadas incis&otilde;es; entre os suaves contornos ou os abruptos cortes com que se estanca um corpo, s&atilde;o j&aacute; instant&acirc;neos fugazes desse gesto que o habita e que procura</i> (...) (Almeida, 1988: 3). </blockquote> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a05f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O escopro e martelo do escultor s&atilde;o substitu&iacute;dos por aparos, pinceis e tintas. Ao longo da figura, a m&atilde;o do desenhador desdobra-se num riscador, que adquire espessuras e intensidades alternadas, que criam vibra&ccedil;&otilde;es de luz (<a href="#f5">Figura 5</a>). Uma estimula&ccedil;&atilde;o bipolar dos campos receptivos da imagem retiniana, em &aacute;reas de contraste (Livingstone, 2002). O cabelo, por exemplo, &eacute; uma marca do autor, definido por uma trama densa, rebelde e ondulada (<a href="#f6">Figura 6</a>). Neste sentido material, o desenho gestual &eacute; para Cutileiro uma t&eacute;cnica que desperta a criatividade, pelo dom&iacute;nio da velocidade do tra&ccedil;o (tempo) e pela sele&ccedil;&atilde;o de marcas visuais (informa&ccedil;&atilde;o):</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote><i>&#39;Selection&#39;, however, shows its limitations as an interpretative concept when we enlarge our view of drawing to take in the drawing of all known traditions. We are then bound to adopt a more generally valid standpoint, and treat visual ontology under a complex heading of structure, method, symbolism and visual analogy.</i> (...)<i>At certain points the structure rests on a foundation of visual analogies between human perceptual experience both of graphic forms and of realities</i> (Rawson, 1987: 24). </blockquote> <a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a05f5.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a05f6.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>2.3. O Volume e a Pose</b></p>     <p>A rigidez do c&acirc;none cl&aacute;ssico e das tradi&ccedil;&otilde;es idealizadas da propor&ccedil;&atilde;o humana fogem ao paradigma de Cutileiro (Chic&oacute;, 1982). A propor&ccedil;&atilde;o detecta desvios e alongamentos na fisionomia. As cinturas afunilam. Os gl&uacute;teos aumentam como nos desenhos de Rubens (1577-1640). Os seios e a p&uacute;bis tornam-se salientes (<a href="#f7">Figura 7</a>). A pernas afastam-se (Almeida, 1988). E &eacute; nestas diferen&ccedil;as que se estabelece um modelo biom&eacute;trico de rela&ccedil;&atilde;o entre cintura e quadril, onde o desenho acentua os pontos de inflex&atilde;o e o corpo se deforma. Esta &eacute; a &quot;imperfei&ccedil;&atilde;o harmoniosa&quot; do que parece estar inacabado, caracter&iacute;stica a que se refere o Nobel Jos&eacute; Saramago (1922-2010) nas referencias &agrave; obra de Cutileiro (Saramago, 1987).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f7"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a05f7.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Mas esta deforma&ccedil;&atilde;o continua a ser uma resposta &agrave; formata&ccedil;&atilde;o da anatomia da mulher com fun&ccedil;&otilde;es reprodutivas (Scruton, 2009) sob o desejo voyeurista do olhar masculino, que vem desde a <i>V&eacute;nus de Willendorf</i> (c. 20.000 a. C.). Nisso, Cutileiro encontra-se com a Hist&oacute;ria. </p>     <blockquote><i>Nos nus da pintura a &oacute;leo europeia em geral, o principal protagonista nunca &eacute; pintado: &eacute; o espectador em frente ao quadro, e pressup&otilde;em-se ser um homem. Tudo se dirige a ele. Tudo deve apresentar-se como resultado da sua presen&ccedil;a ali. Foi para ele que as figuras assumiram a sua situa&ccedil;&atilde;o de nus. Ele, por&eacute;m, &eacute; por defini&ccedil;&atilde;o um estranho &#8211; um estranho ainda vestido</i> (Berger et al., 2002: 58). </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O que se mostra actual &eacute; a liberdade e express&atilde;o dos movimentos. A pose evidencia a curva do corpo (Gon&ccedil;alves, 2008), e os volumes adquirem v&aacute;rias rota&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o ao observador, mostrando que o corpo tem tridimensionalidade (<a href="#f8">Figura 8</a>). Os gestos e a gravidade do corpo criam direc&ccedil;&otilde;es e focos de aten&ccedil;&atilde;o dados pelo movimento que executam (Rafeiro, 2000). As poses tradicionais s&atilde;o misturadas, entre o controle apol&iacute;neo e a dissimula&ccedil;&atilde;o dionis&iacute;aca. Seja de frente ou de costas. Sentada, deitada ou de p&eacute;. Inteira ou cortada. As meninas de cutileiro n&atilde;o s&atilde;o anjos, t&ecirc;m costas. Inscrevem-se nos novos c&acirc;nones partilhados por uma cultura visual contempor&acirc;nea baseada na moda e na publicidade.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f8"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a05f8.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Da Identidade do Desenhar: o Aqui, o Agora e o Devir</b></p>     <p>Em &quot;O Impercept&iacute;vel Devir da Iman&ecirc;ncia&quot;, Jos&eacute; Gil reflete sobre os produtos do acto de pensar que se transformam e s&oacute; existem com a pr&oacute;pria ac&ccedil;&atilde;o (Gil, 2008). No desenho, a resposta ao devir &eacute; a ac&ccedil;&atilde;o que mostra a identidade do desenhar, porque esta precisa de gerir os factores de <i>repeti&ccedil;&atilde;o e diferen&ccedil;a</i> (Deleuze, 2000b). </p>     <p>Para o desenhador, o aqui (espa&ccedil;o) e o agora (tempo) materializados em marcas gr&aacute;ficas, s&atilde;o os momentos de descoberta das direc&ccedil;&otilde;es que o desenho poder&aacute; tomar. No entanto, essa atualiza&ccedil;&atilde;o &eacute; incompleta (Lyotard, 2008), porque os m&uacute;ltiplos devires que se avizinham criam novos caminhos e sentidos no desenhar, mesmo que a observa&ccedil;&atilde;o se detenha em semelhantes esquemas visuais. Para Cutileiro, o devir n&atilde;o &eacute; abstracto, &eacute; um fen&oacute;meno material que cruza o <i>Mundo 2</i> (consci&ecirc;ncia) e <i>Mundo 3</i> (cria&ccedil;&atilde;o) de Popper, porque &eacute; o registo do prazer da sua experi&ecirc;ncia do corpo. O devir &eacute; por isso um sentido individualizante (Rajchman, 2000).</p>     <p>Pablo Neruda (1904-1973) parece antever, nos finais dos anos 50, este devir atrav&eacute;s do corpo gestual, que ocupar&aacute; espa&ccedil;o em v&aacute;rios artistas contempor&acirc;neos na procura da simplicidade visual, nomeadamente em alguns casos portugueses como os desenhos de Cutileiro ou de Pomar. </p>     <blockquote><i>Desnuda eres tan simple como una de tus manos,     <br>lisa, terrestre, m&iacute;nima, redonda, transparente,     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>tienes l&iacute;neas de luna, caminos de manzana,     <br>desnuda eres delgada como el trigo desnudo</i> (Neruda, 1959, 1971: 37). </blockquote>     <p>A transpar&ecirc;ncia de que fala Neruda &eacute; a textura das novas condi&ccedil;&otilde;es do corpo flu&iacute;do, que n&atilde;o se limita ao seu contentor bio-fisiol&oacute;gico e deixa-se atravessar pelo movimento. Os adjetivos escolhidos por Neruda ajustam-se &agrave;s probabilidades do corpo que Cutileiro procura desenhar, como se tivessem sido pensados para ilustrar a identidade dos desenhos que ainda n&atilde;o existiam.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>A heterog&eacute;nese do tempo e a s&iacute;ntese do desenho por analogia aristot&eacute;lica parecem ocupar a m&atilde;o de Cutileiro. E esta m&atilde;o converge entre ser vidente e estar vis&iacute;vel: </p>     <blockquote><i>Imerso no vis&iacute;vel gra&ccedil;as ao meu corpo, tamb&eacute;m ele vis&iacute;vel, aquele que v&ecirc; n&atilde;o se apropria daquilo que v&ecirc;: apenas se abeira com o olhar, acede ao mundo, e por seu lado, esse mundo, do qual faz parte, n&atilde;o &eacute; em si ou mat&eacute;ria.</i> (...) <i>O enigma consiste em que o meu corpo &eacute; ao mesmo tempo vidente e vis&iacute;vel</i> (Merleau-Ponty, 2006: 20).</p></blockquote>     <p>Por isso, o t&iacute;pico arranjo geom&eacute;trico e crom&aacute;tico dos seus desenhos mantem uma mesma coer&ecirc;ncia visual que encontramos na sua restante obra. Seja nas meninas esculpidas, nos altos-relevos ou nos seus trabalhos de fotografia a preto-branco. Esta identidade visual &eacute; um produto de autor, diretamente reconhec&iacute;vel e o desenho &eacute; a express&atilde;o mais virgem destes princ&iacute;pios visuais dentro de uma fenomenologia de olhar vari&aacute;vel.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Almeida, Bernardo Pinto de (1988) <i>Jo&atilde;o Cutileiro 50 Desenhos</i>. Cat&aacute;logo de Exposi&ccedil;&atilde;o, Santo Tirso: Galeria de Arte A5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446343&pid=S1647-6158201600010000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Alvim, Francisco (1981) &quot;Jo&atilde;o Cutileiro ou a Constru&ccedil;&atilde;o da Imagem Feminina.&quot; <i>In O corpo na obra de Jo&atilde;o Cutileiro: algumas esculturas de colec&ccedil;&otilde;es de m&eacute;dicos</i>, cat&aacute;logo da exposi&ccedil;&atilde;o da 2&ordf; Jornada da Acta M&eacute;dica Portuguesa, Revista de Ci&ecirc;ncia M&eacute;dica, Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446345&pid=S1647-6158201600010000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Berger, John et al. (2002) <i>Modos de Ver</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70. ISBN: 972-44-0489-7&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446347&pid=S1647-6158201600010000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Cerbone, David (2006) <i>Understanding Phenomenology</i>. London and New York: Routledge. ISBN: 978-1-84465-055-2&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446348&pid=S1647-6158201600010000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Chalumeau, Jean-Luc (1997) <i>As Teorias da Arte</i>. Lisboa: Instituto Piaget. ISBN: 972-8329-56-3&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446349&pid=S1647-6158201600010000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Chic&oacute;, S&iacute;lvia (1982) <i>Jo&atilde;o Cutileiro</i>. Lisboa: INCM. ISBN: 9789722701860&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446350&pid=S1647-6158201600010000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Clark, Kenneth (1972) <i>The Nude: A Study in Ideal Form</i>. New York: Princeton University Press. ISBN: 9780691017884&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446351&pid=S1647-6158201600010000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Deleuze, Gilles (2000a) <i>A Filosofia Cr&iacute;tica de Kant</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70. ISBN: 9789724402895&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446352&pid=S1647-6158201600010000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Deleuze, Gilles (2000b) <i>Diferen&ccedil;a e Repeti&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa: Rel&oacute;gio D&#39;&Aacute;gua. ISBN: 978-972-708-595-8&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446353&pid=S1647-6158201600010000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Fran&ccedil;a, Jos&eacute; Augusto (1966) &quot;Uma Exposi&ccedil;&atilde;o de Jo&atilde;o Cutileiro.&quot; <i>Di&aacute;rio de Lisboa</i>, 3 de Novembro, 15762 (46): 28.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446354&pid=S1647-6158201600010000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gil, Jos&eacute; (2008) <i>O Impercept&iacute;vel Devir da Iman&ecirc;ncia</i>. Lisboa: Rel&oacute;gio D&#39;&Aacute;gua. ISBN: 978-989-641-027-8&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446356&pid=S1647-6158201600010000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Gon&ccedil;alves, Patr&iacute;cia (2008<i>) A Irrever&ecirc;ncia e Sensualidade da Obra de Cutileiro no CCC</i>. Nortem&eacute;dico, 34: 30-32. &#91;Consult. 2015-08-30&#93; Artigo. Dispon&iacute;vel em URL:<a href="http://www.nortemedico.pt/publicacoes/?imr=2&imc=22n&fmo=pa&publicacao=41&edicao=11" target="_blank">http://www.nortemedico.pt/publicacoes/?imr=2&imc=22n&fmo=pa&publicacao=41&edicao=11</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446357&pid=S1647-6158201600010000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Gu&eacute;gan, St&eacute;phane (2006) <i>Ingres Erotic drawings</i>. Paris: Flammarion. ISBN: 9782080305282&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446358&pid=S1647-6158201600010000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Livingstone, Margaret (2002) <i>Vision and Art, The Biology of Seeing</i>. New York: Harry N. Abrams. ISBN: 978-0-8109-9554-3&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446359&pid=S1647-6158201600010000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Lyotard, Jean-Fran&ccedil;ois (2008) <i>A Fenomenologia</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70. ISBN: 978-972-44-1325-9&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446360&pid=S1647-6158201600010000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Mega, Rita (2008) &quot;Conversas com Escultores... Jo&atilde;o Cutileiro.&quot; <i>Arte Teoria,</i> 11: 279-285. ISSN: 1646-396X&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446361&pid=S1647-6158201600010000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Merleau-Ponty, Maurice (1994) <i>Fenomenologia da Percep&ccedil;&atilde;o</i>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes. ISBN: 85-336-2293-7&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446362&pid=S1647-6158201600010000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Merleau-Ponty, Maurice (2006) <i>O Olho e o Esp&iacute;rito</i>. Lisboa: Vega. ISBN: 972-699-352-0&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446363&pid=S1647-6158201600010000500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Neruda, Pablo (1971) <i>Cien Sonetos de Amor</i>. Buenos Aires: Editorial Losada. ISBN: 9789500301947&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446364&pid=S1647-6158201600010000500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Normand-Romain, Antoinette Le & Buley-Uribe, Christina (2006) <i>Auguste Rodin Dessins et aquarelles</i>. France: &Eacute;ditions Hazan. ISBN: 2 75410082 2&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446365&pid=S1647-6158201600010000500020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Pedro, Ant&oacute;nio (apr.) (2005) <i>Desenho Exposi&ccedil;&atilde;o Colectiva</i>. Cat&aacute;logo de Exposi&ccedil;&atilde;o. Santiago do Cac&eacute;m: C&acirc;mara Municipal de Santiago do Cac&eacute;m.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446366&pid=S1647-6158201600010000500021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Pessoa, Fernando (2013) <i>Livro do Desassossego</i>. Lisboa: Ass&iacute;rio & Alvim. ISBN: 978-972-0-78330-1&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446368&pid=S1647-6158201600010000500022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Pignatti, Terisio (2004) <i>Il Disegno Da Altamira a Picasso</i>. Milano: Mondadori Electa S.p.A. ISBN: 88-370-2759-1&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446369&pid=S1647-6158201600010000500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Pinharanda, Jo&atilde;o Lima (1995) &quot;O decl&iacute;nio das vanguardas: dos anos 50 ao fim do mil&eacute;nio.&quot; In Pereira, Paulo (coord.) <i>Hist&oacute;ria da Arte Portuguesa</i>. Barcelona: Circulo de Leitores, vol. 3, pp. 593-649. ISBN: 972-42-1225-4&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446370&pid=S1647-6158201600010000500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Rafeiro, Jos&eacute; (2000) <i>Jo&atilde;o Cutileiro</i>. Entrevista. &#91;Consult. 2015-08-27&#93; Blog. Dispon&iacute;vel em URL:<a href="http://joaocutileiro.blogspot.pt" target="_blank">http://joaocutileiro.blogspot.pt</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446371&pid=S1647-6158201600010000500025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Rajchman, John (2000) <i>The Deleuze Connections</i>. USA: Massachusetts Institute of Technology. ISBN: 0-262-68120-X&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446372&pid=S1647-6158201600010000500026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Rawson, Philip (1987) <i>Drawing</i>. Philadelphia: University of Pennsylvania Press. ISBN: 0-8122-1251-7&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446373&pid=S1647-6158201600010000500027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Saramago, Jos&eacute; (1987) <i>Jo&atilde;o Cutileiro Amantes</i>. In catalogo de exposi&ccedil;&atilde;o. Almancil: Centro Cultural S&atilde;o Louren&ccedil;o.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446374&pid=S1647-6158201600010000500028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Scruton, Roger (2009) <i>Beleza</i>. Lisboa: Guerra e Paz. ISBN: 978-989-8174-37-6&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446376&pid=S1647-6158201600010000500029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Wohl, Hellmut (1979) <i>The Sculpture of Jo&atilde;o Cutileiro</i>. In Ribeiro, Jos&eacute; Sommer (comiss.) <i>XV Bienal de S&atilde;o Paulo, Representa&ccedil;&atilde;o Portuguesa</i>. Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, Secretaria do Estado da Cultura e Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446377&pid=S1647-6158201600010000500030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo recebido a 4 de Setembro de 2015 e aprovado a 23 de setembro de 2015.</p>    <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:shakil.rahim@fa.ulisboa.pt">shakil.rahim@fa.ulisboa.pt</a> (Shakil Yussuf Rahim)</p>      ]]></body><back>
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