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<publisher-name><![CDATA[Universidade de LisboaFaculdade de Belas-Artes]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Frans Krajcberg: a identidade brasileira revelada através do olhar para a natureza]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Frans Krajcberg: The Brazilian identity revealed through looking at the nature]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)  ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper will address some issues - which are related to the construction of the art of Frans Krajcberg, through Vilém Flusser's thinking - about Brazilian identity and how the immigrant propagates its historical values in another environment. Krajcberg with his photographs, sculptures and paintings reveals the tragedy of the destruction of nature and fight for awareness of the future consequences of the aggression to the environment.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Frans Krajcberg: a identidade brasileira revelada atrav&eacute;s do olhar para a natureza</b></p>     <p><b>Frans Krajcberg: The Brazilian identity revealed through looking at the nature</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>M&aacute;rcia Helena Girardi Piva&#42;</b></p>     <p>&#42;Brasil, artista visual. Licenciatura em Educa&ccedil;&atilde;o Art&iacute;stica com habilita&ccedil;&atilde;o em Artes Pl&aacute;sticas, Universidade Presbiteriana Mackenzie, S&atilde;o Paulo. Mestrado em Artes Visuais, Instituto de Artes, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Doutoramento em Artes Visuais, Instituto de Artes, UNICAMP.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Cidade Universit&aacute;ria Zeferino Vaz, Bar&atilde;o Geraldo, Campinas, SP, 13083-970, Brasil.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b> </p>     <p>Este texto tratar&aacute; de algumas quest&otilde;es &#8211; que ser&atilde;o relacionadas &agrave; constru&ccedil;&atilde;o da arte de Frans Krajcberg, atrav&eacute;s do pensamento de Vil&eacute;m Flusser &#8211; sobre identidade brasileira e como o imigrante propaga seus valores hist&oacute;ricos em outro ambiente. Krajcberg, com suas fotografias, esculturas e pinturas revela a trag&eacute;dia da destrui&ccedil;&atilde;o da natureza e luta pela conscientiza&ccedil;&atilde;o sobre as consequ&ecirc;ncias futuras da agress&atilde;o ao meio-ambiente.</p>     <p><b>Palavras chave:</b> Frans Krajcberg, arte contempor&acirc;nea, meio ambiente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b> </p>     <p>This paper will address some issues &#8211; which are related to the construction of the art of Frans Krajcberg, through Vil&eacute;m Flusser&#39;s thinking &#8211; about Brazilian identity and how the immigrant propagates its historical values in another environment. Krajcberg with his photographs, sculptures and paintings reveals the tragedy of the destruction of nature and fight for awareness of the future consequences of the aggression to the environment.</p>     <p><b>Keywords</b>: Frans Krajcberg, contemporary art, environment.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Planet&aacute;rio por natureza, Frans Krajcberg, apesar de nascido na Pol&ocirc;nia, relata que foi no Brasil que nasceu pela segunda vez. Se no Brasil fala-se de falta de identidade, n&atilde;o podemos aplicar esta quest&atilde;o para este artista que insistentemente luta por nos revelar a p&aacute;tria que escolheu para viver. </p>     <p>Este texto far&aacute; uma an&aacute;lise da trajet&oacute;ria do artista Frans Krajcberg, a partir do pensamento do fil&oacute;sofo Vil&eacute;m Flusser, sobre quest&otilde;es que se referem &agrave; identidade brasileira e como o imigrante propaga seus valores hist&oacute;ricos em outro ambiente. </p>     <p>Frans Krajcberg lutou no ex&eacute;rcito Russo durante a Segunda Guerra Mundial e se viu sozinho no mundo quando toda sua fam&iacute;lia pereceu no Holocausto. Este fato &#8211; o vivenciar os horrores da guerra e a viol&ecirc;ncia do homem contra o homem &#8211; intensificou seu pensamento sobre uma reavalia&ccedil;&atilde;o de quais valores s&atilde;o realmente relevantes para convivermos neste planeta. Como judeu, sentiu a discrimina&ccedil;&atilde;o &agrave; flor da pele. Para o artista a divis&atilde;o por r&oacute;tulos, que o pr&oacute;prio homem coloca como um fardo, uns sobre os outros, mostra que interesses capitalistas e gananciosos t&ecirc;m um caminho que sempre nos levar&aacute; ao caos e &agrave; destrui&ccedil;&atilde;o. Este artista encontrou a verdade na natureza e sua obra tem como teor principal a den&uacute;ncia da viol&ecirc;ncia descabida do homem em sua rela&ccedil;&atilde;o com o meio ambiente. </p>     <p><b>1. O encontro consigo mesmo atrav&eacute;s do di&aacute;logo entre a arte e a natureza</b> </p>     <p>Segundo Vil&eacute;m Flusser, para o encontro consigo mesmo &eacute; necess&aacute;rio: &quot;Retroceder, para podermos imaginar e depois compreender e, por fim, para agir decididamente&quot; (Flusser, 1998: 32). Esta quest&atilde;o colocada pelo fil&oacute;sofo seguir&aacute; neste texto, a trajet&oacute;ria de Frans Krajcberg, um imigrante europeu que escolheu o Brasil para viver e que se considera muito mais brasileiro do que muitos brasileiros natos. O artista relata a import&acirc;ncia do pa&iacute;s para o seu trabalho e sua vida: &quot;Aqui eu nasci pela segunda vez. &#91;...&#93; O Brasil &eacute; o pa&iacute;s mais rico do mundo. A natureza brasileira &eacute; a mais forte, a mais vibrante, vale a pena dan&ccedil;ar, gritar, chorar com ela&quot; (Krajcberg, 1985: 03).</p>     <p>Para Krajcberg &quot;a natureza humana &eacute; infinitamente mais pobre que a prodigiosa criatividade da natureza&quot; (Krajcberg, 1985: 03). A liberdade proporcionada pelas florestas brasileiras, com sua variedade e movimento, intensificou a descoberta da natureza como fonte ilimitada de cria&ccedil;&atilde;o, motivo de dedica&ccedil;&atilde;o de toda uma vida &agrave; arte e &agrave; luta ante ao descaso humano sobre a import&acirc;ncia vital da preserva&ccedil;&atilde;o do meio ambiente. Ao preocupar-se com as intoler&acirc;ncias, com os fanatismos dos nacionalismos e das religi&otilde;es, o artista posiciona-se como um internacionalista, nesse sentido, a natureza o fez planet&aacute;rio. </p>     <p>Frans Krajcberg chega ao Brasil em 1948, no Rio de Janeiro, sem dinheiro e sem falar o portugu&ecirc;s. Ap&oacute;s alguns dias dormindo em bancos de pra&ccedil;as, resolve ir para S&atilde;o Paulo, e assim o faz como passageiro clandestino no vag&atilde;o de um trem. Atrav&eacute;s do contato com Francisco Matarazzo e com a ajuda de uma funcion&aacute;ria do Museu de Arte Moderna de S&atilde;o Paulo, que falava alem&atilde;o, conseguiu empregar-se nesta institui&ccedil;&atilde;o no setor de manuten&ccedil;&atilde;o, o que lhe possibilitou o contato com diversos artistas. </p>     <p>Krajcberg come&ccedil;a a criar alguns desenhos e pinturas atrav&eacute;s dos quais sua hist&oacute;ria de vida parece refletir-se, percebida pela proeminente utiliza&ccedil;&atilde;o dos tons de cinza. O artista Lasar Segall, em 1952, compra um desenho de Frans Krajcberg e sabendo que ele havia estudado engenharia, oferece-lhe a fun&ccedil;&atilde;o de engenheiro desenhista na ind&uacute;stria de papel administrada pela fam&iacute;lia Klabin, no Paran&aacute;. Neste Estado, inicia uma rela&ccedil;&atilde;o mais intensa com a natureza brasileira. Em pouco tempo deixar&aacute; o novo emprego para isolar-se na floresta, onde ir&aacute; executar alguns trabalhos ligados &agrave; pr&aacute;tica artesanal, &agrave; natureza morta e a alguns vegetais que, aos poucos v&atilde;o ganhando novos coloridos. Krajcberg comenta que queria sempre isolar-se, n&atilde;o sentia mais vontade de viver em sociedade e que foi seu contato com a natureza, que lhe deu um novo sentido para vida.</p>     <blockquote><i>...Mas isolado por que viver? A natureza soube me dar for&ccedil;a e me deu o prazer de sentir, pensar e trabalhar. Sobreviver. Eu andava na floresta e descobria um mundo desconhecido. Descobria a vida. A vida pura. Ser, mudar, continuar, receber a luz, o calor, a umidade. A verdadeira vida: quando eu estou na natureza eu penso a verdade verdadeira, eu falo com verdade, me pergunto com verdade. Quando eu olho para ela eu sinto como tudo isso se movimenta; nasce, morre, a continuidade da vida</i> (Krajcberg, 2008: 05). </blockquote>     <p>No Estado do Paran&aacute;, em sua busca pela verdade, indignou-se com as queimadas constantes que sempre tingiam o c&eacute;u de vermelho e procurou afastar-se desta situa&ccedil;&atilde;o. Krajcberg vai, ent&atilde;o, para o Rio de Janeiro, quando ir&aacute; partilhar o ateli&ecirc; com o escultor Frans Weissmann. Recebe o pr&ecirc;mio de melhor pintor na IV Bienal de S&atilde;o Paulo, em 1957, e com a venda de alguns trabalhos resolve ir para Paris. Neste per&iacute;odo, j&aacute; intoxicado pela terebentina, decide parar de pintar por algum tempo, &eacute; quando vai para Ibiza, na Espanha &#8211; e pela primeira vez, sente a necessidade de experimentar a mat&eacute;ria, e n&atilde;o s&oacute; a pintura. A partir da&iacute; come&ccedil;a a fazer gravuras com papel japon&ecirc;s, resgatando as formas da natureza que ficavam registradas sobre a areia, as pedras, recolhendo marcas que passaram a direcionar o processo de cria&ccedil;&atilde;o de suas obras. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Foi no ano de 1959 que o artista fez suas primeiras telas de terra e de pedras (<a href="#f1">Figura 1</a>), de acordo com Pierre Restany, &quot;a natureza passa a ser seu ateli&ecirc;... seu estudo e seu m&eacute;dium&quot;. (Restany apud Vian-Mantovani; Lanore, 2005: 06).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a07f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Em 1960 trabalhou com Braque e os Novos Realistas, interessou-se pelas pesquisas da <i>Op art</i> e Arte cin&eacute;tica, conheceu bem esse grupo e compreendeu a necessidade pr&oacute;pria do artista em expressar o que vivenciava. Estes artistas mostravam a natureza das cidades, por&eacute;m Krajcberg, mesmo conhecendo e concordando com os questionamentos deste grupo, sentia que a natureza das cidades n&atilde;o era a dele. Ele necessitava da verdade e foi em meio &agrave; natureza que, para ele, a verdade passou a ser revelada. Entre idas e vindas para o Brasil, inicia suas viagens pela Amaz&ocirc;nia, al&eacute;m de outras regi&otilde;es brasileiras como Paran&aacute;, Mato Grosso, Nordeste e Minas Gerais. Assim come&ccedil;a a consolidar-se uma quest&atilde;o que passar&aacute; a ser essencial em sua express&atilde;o art&iacute;stica: a import&acirc;ncia da preserva&ccedil;&atilde;o da natureza para o futuro da humanidade.</p>     <p>Em 1964 recebe o pr&ecirc;mio na Bienal da cidade de Veneza com seus quadros de terras e pedras. De volta ao Brasil, em Minas Gerais, fica fascinado com as terras de Itabirito, puro pigmento para suas obras. A partir da&iacute; inicia suas esculturas com troncos de arvores e cip&oacute;s (<a href="#f2">Figura 2</a>), recolhidos dos restos das queimadas, assim como suas macrofotografias, onde passa a registrar o que n&atilde;o podia ser vis&iacute;vel aos olhos. Em Nova Vi&ccedil;osa, no sul da Bahia, fascinado com o mangue e a Mata Atl&acirc;ntica, se estabelece definitivamente em um s&iacute;tio localizado &agrave; beira-mar, o qual denominou de &quot;S&iacute;tio Natura&quot; (<a href="#f3">Figura 3</a> e <a href="#f4">Figura 4</a>), onde permanece desde 1972 at&eacute; hoje. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a07f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a07f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a07f4.jpg"></a>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Com o olhar atento &#8211; em suas viagens por todas as regi&otilde;es deste imenso Brasil &#8211; construiu um di&aacute;logo po&eacute;tico atrav&eacute;s das cinzas que restavam das florestas incendiadas. Prop&ocirc;s a busca da verdade como um apelo a ser tra&ccedil;ado a partir da arte &#8211; com o intuito de que o homem se conscientize como parte e participante da natureza -, mostrando assim que n&atilde;o h&aacute; como superar a natureza, pois existe um limite, que &eacute; nossa pr&oacute;pria sobreviv&ecirc;ncia.</p>     <p>Krajcberg n&atilde;o se deixou limitar, buscou preservar sua identidade e seus valores a partir de um conhecimento mais profundo sobre si mesmo. N&atilde;o reprimiu sua condi&ccedil;&atilde;o de polon&ecirc;s ou de judeu, de europeu ou de brasileiro, considerando-se, portanto, um internacionalista. A natureza tornar-se-&aacute; sua p&aacute;tria, visto que foi no seu reencontro com ela que redescobriu sua sensibilidade, seu trabalho, o motivo para viver, onde p&ocirc;de encontrar-se com a verdade. &quot;Sou um homem inteiramente ligado &agrave; natureza. Meu ser, minha vida, minha cultura s&atilde;o a natureza. Dela dependem minha sobreviv&ecirc;ncia e minha criatividade&quot; (Krajcberg apud Scovino, 2011: 19). O artista diz ter criado uma nova arte para o s&eacute;culo XXI &#8211; a preocupa&ccedil;&atilde;o planet&aacute;ria -, que &eacute; expressa em suas esculturas e fotografias assim como em suas palavras:</p>     <blockquote><i>Brevemente haver&aacute; apenas uma natureza vencida pelo homem, uma natureza destru&iacute;da pelo homem, assassinada pelo homem. Estou convencido de que a humanidade pode criar um futuro pr&oacute;spero, justo e seguro, e garantindo sua pr&oacute;pria sobreviv&ecirc;ncia. Para isso, precisamos reexaminar as grandes quest&otilde;es de meio ambiente e formular solu&ccedil;&otilde;es realistas</i> (Krajcberg apud Scovino, 2011: 10-14). </blockquote>     <p>O artista, naturalizado brasileiro, defender&aacute; quest&otilde;es pr&oacute;prias do Brasil por vivenci&aacute;-las intensamente. A degrada&ccedil;&atilde;o do meio ambiente, por&eacute;m, n&atilde;o ser&aacute; tratada com especificidade a este pa&iacute;s, mas abranger&aacute; problemas globais, ao defender a preserva&ccedil;&atilde;o do planeta. </p>     <p>A heterogeneidade da massa urbana no Brasil, marcada pela grande diversidade de imigrantes que a formaram, difere-se entre as v&aacute;rias regi&otilde;es brasileiras. Portanto, apesar de uma &uacute;nica l&iacute;ngua &#8211; o portugu&ecirc;s &#8211; n&atilde;o existe um modelo &uacute;nico que represente a cultura brasileira. Este fato, para o fil&oacute;sofo Vil&eacute;m Flusser, propicia a possibilidade da forma&ccedil;&atilde;o de um &quot;novo homem&quot;, isto &eacute;, h&aacute; espa&ccedil;o para que o imigrante, mesmo em um novo ambiente, possa propagar seus valores hist&oacute;ricos. H&aacute; um espa&ccedil;o para a liberdade que permanece, porque se distancia de uma hist&oacute;ria determinante e de ideologias que n&atilde;o permitem alterar caminhos j&aacute; delimitados. Vil&eacute;m Flusser pensa o Brasil dentro desta concep&ccedil;&atilde;o, de um pa&iacute;s n&atilde;o hist&oacute;rico e permitindo, portanto, a forma&ccedil;&atilde;o de um novo homem. </p>     <p>O &quot;novo homem&quot; seria aquele que, em um territ&oacute;rio que n&atilde;o &eacute; o dele, n&atilde;o se deixa massificar nem aderir &agrave; estrutura da m&aacute;quina urbana imposta. Apesar da ruptura dos elos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; rigidez da sua sociedade original, tem a possibilidade de criar novas estruturas para adaptar-se ao novo ambiente. Desta forma, a liga&ccedil;&atilde;o com sua origem &eacute; somente alterada e sua identidade &eacute; conservada, o que propicia o encontro consigo mesmo. </p>     <p>Flusser (1998) comenta que o imigrante, muitas vezes, acaba perdendo sua identidade pr&oacute;pria e se diluindo entre as massas, por adaptar-se aos fios que passam a conduzi-lo neste outro ambiente. Este n&atilde;o &eacute; o caso de Frans Krajcberg, nada o impediu de tra&ccedil;ar sua maneira de viver no ambiente em que melhor se adaptou, independente das conven&ccedil;&otilde;es, livre de regras e condicionamentos. Tornou-se brasileiro, por&eacute;m n&atilde;o deixou de ser polon&ecirc;s e judeu, n&atilde;o esqueceu sua hist&oacute;ria, mas transformou-a em outra, bem brasileira. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Foi no Brasil que o artista, ap&oacute;s distanciar-se de sua hist&oacute;ria, de seu pa&iacute;s de origem, p&ocirc;de encontrar-se consigo mesmo. Ao estar perdido dentro de uma nova situa&ccedil;&atilde;o procurou orientar-se. Sua hist&oacute;ria n&atilde;o foi recusada, mas ao contr&aacute;rio foi colaboradora de um novo olhar para a natureza. Durante a Segunda Guerra Mundial, encarregado na constru&ccedil;&atilde;o de pontes, p&ocirc;de vivenciar cen&aacute;rios catastr&oacute;ficos em que a natureza era transformada em cinzas e, os homens, com suas vidas interrompidas, eram reduzidos a lixo, em amontoados de corpos.</p>     <p>A arte de Frans Krajcberg torna-se den&uacute;ncia ao vivenciar no Brasil (<a href="#f5">Figura 5</a>) cen&aacute;rios semelhantes aos que vivenciou na Guerra. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a07f5.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Krajcberg &eacute; um dos poucos exemplos vivos de total entrega a valores hoje pouco respeitados. Com suas fotografias, esculturas e pinturas revela a trag&eacute;dia que constitui a destrui&ccedil;&atilde;o da natureza. Recolhe, entre as cinzas das queimadas das florestas brasileiras, troncos calcinados que retornam &agrave; vida atrav&eacute;s da m&atilde;o do artista (<a href="#f6">Figura 6</a>). Por&eacute;m, n&atilde;o &eacute; a beleza est&eacute;tica que importa, ao vermos suas esculturas escutamos o grito do artista, que luta pela conscientiza&ccedil;&atilde;o sobre as consequ&ecirc;ncias futuras da agress&atilde;o ao meio ambiente. O artista diz ter nascido neste &quot;mundo que se chama natureza&quot; e que foi aqui no Brasil, que seu contato com ela, p&ocirc;de restituir-lhe a sensibilidade, a consci&ecirc;ncia de ser homem e participar da vida, com seu trabalho e seu pensamento.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a07f6.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b> </p>     <!-- ref --><p>Fick, Hans (1993). <i>Frans Krajcberg</i> &#8211;. Textos: Paulo Herkenhoff, Pierre Restany e Marie-Odile Briot. <i>Da Verlag Das Andere Gmbh, N&uuml;mberg</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1447501&pid=S1647-6158201600010000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Flusser, Vil&eacute;m (1998). <i>Fenomenologia do brasileiro<b>:</b> em busca de um novo homem</i>. Rio de Janeiro, RJ: Eduerj, 176 p. ISBN 9788585881580 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1447503&pid=S1647-6158201600010000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Krajcberg, Frans et al. (2008). <i>Frans Krajcberg: Natura</i>. Cat&aacute;logo do Museu de Arte Moderna de S&atilde;o Paulo<b>.</b> S&atilde;o Paulo: MAM, 104p.:II.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1447504&pid=S1647-6158201600010000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Krajcberg, Frans (1985) &quot;Sempre fomos ligados &agrave; Natureza. N&oacute;s somos a Natureza&quot;. <i>Jornal da Tarde</i>. Depoimento. Entrevista concedida a Jo&atilde;o Meirelles Filho. &#91;20 de julho de 1985&#93;. S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1447506&pid=S1647-6158201600010000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><i>Enku Grand Award Exhibition</i> (2012) Cat&aacute;logo da exposi&ccedil;&atilde;o, Jap&atilde;o.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1447508&pid=S1647-6158201600010000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Scovino, Felipe (2011). <i>Frans Krajcberg</i>. S&atilde;o Paulo: Arauco Editora, 272p. ISBN 9788560983117 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1447510&pid=S1647-6158201600010000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Vian-Mantovani, Th&eacute;r&egrave;se; Lanore, Alban (2005). &quot;Dossi&ecirc; Frans Krajcberg&quot;. Museu de Arte Moderna. Tradu&ccedil;&atilde;o Talia Mouracad&eacute; & Mimi Sanan&eacute;s.. In <i>Krajcberg: um caso de amor com a natureza: textos compilados</i>. Biblioteca do Museu de Arte Moderna de S&atilde;o Paulo, p.37.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1447511&pid=S1647-6158201600010000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo recebido a 27 de agosto de 2015 e aprovado a 23 de setembro de 2015.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>    <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:mgpiva@yahoo.com.br">mgpiva@yahoo.com.br</a> (M&aacute;rcia Piva)</p>      ]]></body><back>
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