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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Nuno Gama is a Portuguese fashion designer, who is known for the portugality of his works. Based on an approach that links clothes to ways of thinking, Gama's creations are analyzed in how they reflect aspects of his three levels of identity: personal, familiar and national. Although identity isn´t something that we can undress, Nuno Gama's clothes seem to suit us well enough to say that identity is also something we put on.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Nuno Gama e a identidade que se veste</b></p>     <p><b>Nuno Gama and the identity that one puts on</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ana Sofia R&eacute; de Oliveira Palmela&#42;</b></p>     <p><b>&#42;</b>Portugal<b>,</b> professora e artista visual. Licenciatura em Artes Pl&aacute;sticas &#8211; Pintura pela Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas-Artes (FBAUL); P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o Art&iacute;stica, FBAUL; mestranda em Ensino das Artes Visuais Universidade de Lisboa, Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o (IEUL).</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Aluna do Mestrado em Ensino das Artes Visuais, Universidade de Lisboa (UL). Alameda da Universidade,1649-013, Lisboa, Portugal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b> </p>     <p>Nuno Gama &eacute; um estilista portugu&ecirc;s, cujas cria&ccedil;&otilde;es se popularizaram pela caracter&iacute;stica portugalidade. Atrav&eacute;s de uma abordagem que relaciona a roupa com modos de pensar, analisa-se a forma como o estilista reflete, nas suas cria&ccedil;&otilde;es, aspetos de tr&ecirc;s n&iacute;veis da sua identidade: pessoal, familiar e nacional. Apesar de n&atilde;o podermos despir a identidade, a ader&ecirc;ncia &agrave;s roupas de Nuno Gama comprova que a identidade &eacute; tamb&eacute;m algo que se veste. </p>     <p><b>Palavras chave:</b> moda, self, n&iacute;veis de identidade. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b> </p>     <p>Nuno Gama is a Portuguese fashion designer, who is known for the portugality of his works. Based on an approach that links clothes to ways of thinking, Gama&#39;s creations are analyzed in how they reflect aspects of his three levels of identity: personal, familiar and national. Although identity isn&#180;t something that we can undress, Nuno Gama&#39;s clothes seem to suit us well enough to say that identity is also something we put on.</p>     <p><b> Keywords</b>: fashion, self, levels of identity. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O criador que me proponho abordar desenvolve o seu trabalho na &aacute;rea da moda, cuja visibilidade passa por um circuito diferente do mundo das artes pl&aacute;sticas. Nuno Gama, natural de Azeit&atilde;o, tendo residido no Porto desde o in&iacute;cio da carreira at&eacute; 2012, e vivendo atualmente em Lisboa, &eacute; um estilista e designer de moda que n&atilde;o se resume apenas vestir o seu cliente. O seu trabalho passa tamb&eacute;m por uma incontorn&aacute;vel reflex&atilde;o sobre si a identidade cultural portuguesa, ao repensar o ser portugu&ecirc;s nas suas cria&ccedil;&otilde;es. Testemunho disso &eacute; a recorrente utiliza&ccedil;&atilde;o de s&iacute;mbolos nacionais, bem como materiais e t&eacute;cnicas tradicionalmente portuguesas.</p>     <p>A sua dedica&ccedil;&atilde;o a projetar a portugalidade, dentro e fora de portas, nas pe&ccedil;as e nos desfiles que cria valeu-lhe, no passado 10 de Junho, a condecora&ccedil;&atilde;o por m&eacute;rito civil da Ordem do Infante D. Henrique.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Chap&eacute;us e modos de pensar</b></p>     <p>&Eacute; comum a associa&ccedil;&atilde;o entre a nossa identidade e o que vestimos ou cal&ccedil;amos, que mais n&atilde;o &eacute; do que um reflexo do que somos e do que pensamos. A express&atilde;o da l&iacute;ngua inglesa <i>put yourself in my shoes</i> explicita esta utiliza&ccedil;&atilde;o do cal&ccedil;ado como met&aacute;fora para o pr&oacute;prio modo de pensar de cada um &#8211; o ser capaz de se abstrair do seu mundo, para pensar pelo ponto de vista do outro. </p>     <p>&Eacute; a partir dessa necessidade que Edward Bono (2000) criou o m&eacute;todo dos seis chap&eacute;us do pensamento: como forma de superar a confus&atilde;o e a desorganiza&ccedil;&atilde;o do pensamento entre diversas pessoas, criando uma alternativa para a dial&eacute;tica socr&aacute;tica. Atrav&eacute;s da utiliza&ccedil;&atilde;o consecutiva dos chap&eacute;us coloridos procura-se focar o olhar de todos, simultaneamente e em determinada dire&ccedil;&atilde;o, para que nesse modo de pensar sejam lan&ccedil;adas as considera&ccedil;&otilde;es ou opini&otilde;es de cada uma das pessoas. Conv&eacute;m reter esta no&ccedil;&atilde;o de <i>layout</i> na apresenta&ccedil;&atilde;o destas propostas, pois ningu&eacute;m as deve rebater ou julgar, por mais rid&iacute;culas ou desajustadas que sejam. A cada chap&eacute;u correspondem diferentes enfoques na forma de pensar. No final, depois de todos terem colocado os diversos chap&eacute;us, a solu&ccedil;&atilde;o dever&aacute; ser &oacute;bvia para todos, sendo que nos impasses &eacute; a decis&atilde;o emocional que prevalece, com o uso do chap&eacute;u vermelho (Bono, 2000: 175).</p>     <p>O que pretendo reter desta met&aacute;fora dos chap&eacute;us do pensamento &eacute; que identidades diferentes (criador de moda e espetador), pensando de modo diferente, podem concluir o encontro que &eacute; um desfile de moda, olhando todos na mesma dire&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Os outros do Eu</b></p>     <p>As cria&ccedil;&otilde;es de Nuno Gama refletem inevitavelmente aspetos da sua identidade e do seu modo de pensar sobre si, sobre os outros e sobre o mundo. Quando falamos de identidade imaginamos que a ela corresponde um &uacute;nico par de sapatos, um &uacute;nico ponto de vista que se &quot;cal&ccedil;a&quot;, e esquecemos que a nossa individualidade se constr&oacute;i por n&iacute;veis que, tal como as roupas, vestimos por camadas. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; genericamente aceite que &quot;<i>different self-construals may also coexist within the same individual, available to be activated at different times or in different contexts.</i>&quot; (Brewer & Gardner, 1996: 83) H&aacute; uma distin&ccedil;&atilde;o que &eacute; tra&ccedil;ada na generalidade das teorias do <i>self</i> que distingue o <i>self</i> pessoal do <i>self</i> social. O primeiro diz respeito &agrave;s nossas caracter&iacute;sticas mais pr&oacute;prias, &agrave;s nossas idiossincrasias, no fundo, tudo o que nos distingue dos demais, enquanto que o segundo revela aspetos que colocam o individuo em concord&acirc;ncia com outros indiv&iacute;duos, ou com outros grupos sociais (Brewer & Gardner, 1996: 83). </p>     <p>O <i>self</i> social constr&oacute;i-se por rela&ccedil;&atilde;o a outros grupos sociais, e essa constru&ccedil;&atilde;o processa-se a v&aacute;rios n&iacute;veis, consoante o grupo social. Nas rela&ccedil;&otilde;es interpessoais com outros significativos ou grupos que interagem proximamente (de que &eacute; exemplo a rela&ccedil;&atilde;o com o parceiro, os familiares ou o grupo de amigos), forma-se o <i>self</i> interpessoal, que tende a identificar-se com esses outros com quem convive cara-a-cara. Nas rela&ccedil;&otilde;es com outros grupos sociais mais impessoais, a identifica&ccedil;&atilde;o faz-se por meio de um tra&ccedil;o comum, como &eacute; o caso de grupos profissionais, ou a partir de uma identidade coletiva como a identidade nacional (Prentice, Miller & Lightdale, 1994, cit. por Brewer & Gardner, 1996: 83). </p>     <p>&Eacute; a partir destes tr&ecirc;s n&iacute;veis de identidade, baseados respetivamente no <i>self</i> pessoal, interpessoal e coletivo, que proponho a minha abordagem &agrave;s cria&ccedil;&otilde;es do estilista Nuno Gama, por considerar que este criador ativa em diferentes momentos a express&atilde;o destes <i>selves</i> nas roupas e nos desfiles que cria.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. A identidade que se veste</b></p>     <p>As pe&ccedil;as de Nuno Gama servem de suporte a uma plataforma de express&atilde;o / comunica&ccedil;&atilde;o, onde o estilista joga visual e conceptualmente com diversos aspetos de tr&ecirc;s n&iacute;veis da sua identidade, que eu distingui com as designa&ccedil;&otilde;es de individual, familiar e nacional.</p>     <p>O <i>self</i> individual n&atilde;o se pode dissociar do <i>self</i> familiar, nem do <i>self</i> nacional. Estes tr&ecirc;s n&iacute;veis est&atilde;o intimamente conectados. Como Brewer refere: &quot;when collective identities are activated, the most salient features of self-concept become those that are shared with other members of de in-group&quot; (1991, cit. por Brewer & Gardner, 1996: 84).</p>     <p>Podemos assim falar de uma lente que, ao focar com uma determinada aproxima&ccedil;&atilde;o sobre um n&iacute;vel de identidade, faz ressaltar do <i>self</i> pessoal apenas as caracter&iacute;sticas identit&aacute;rias que respeitam a um determinado n&iacute;vel. Por essa raz&atilde;o, irei abordar esta quest&atilde;o numa perspetiva constru&iacute;da em <i>zoom</i>, a partir do n&iacute;vel individual, passando pelo familiar, at&eacute; ao nacional. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3.1 A identidade individual e os jogos de palavras</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em Dezembro de 2008 a loja que o estilista tinha no Porto foi assaltada. Na cole&ccedil;&atilde;o seguinte (Outono / Inverno 2009), Nuno Gama, com a sua capacidade de brincar consigo pr&oacute;prio, deu express&atilde;o a esta violenta subtra&ccedil;&atilde;o do seu trabalho. Jogando com o duplo sentido do seu apelido, criou uns cachec&oacute;is (<a href="#f1">Figura 1</a>) onde se lia a express&atilde;o &quot;GAMADO&quot; (em linguagem popular &quot;roubado&quot;). Era uma exterioriza&ccedil;&atilde;o de um acontecimento pessoal, mas quando Nuno Gama afirma que &quot;tu &eacute;s aquilo &#91;as suas cria&ccedil;&otilde;es&#93; e perder isso &eacute; perder tudo&quot; denota que a sua identidade &eacute;, em grande parte, sustentada pelo seu trabalho. Na realidade, ao perder o seu trabalho, perdeu-se, mas ironicamente, mesmo quando foi &quot;gamado&quot; reteve o seu nome. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a08f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>3.2 A identidade familiar e as refer&ecirc;ncias geogr&aacute;ficas e po&eacute;ticas</b></p>     <p>Este segundo n&iacute;vel de identidade foi por mim designado por familiar, porque &eacute; relativo &agrave; esfera do criador que representa o lar e as rela&ccedil;&otilde;es familiares. &Eacute; em Azeit&atilde;o e na Arr&aacute;bida (concelho de Set&uacute;bal) que Nuno encontra o seu lar geogr&aacute;fico, da mesma forma que encontra na fam&iacute;lia o lar emocional. Por essa raz&atilde;o, quando ele identifica, em entrevista ao/&agrave; autor(a) em 2013, &quot;o primeiro fasc&iacute;culo&quot; da sua vida, Nuno Gama relaciona simultaneamente estes locais com todas as refer&ecirc;ncias familiares e de inf&acirc;ncia que o estruturaram como pessoa. H&aacute; um pleno reconhecimento disso quando ele refor&ccedil;a, noutra entrevista, a prop&oacute;sito da sua inf&acirc;ncia:</p>     <blockquote><i>Quando fiz 20 anos de marca, fiz uma grande introspec&ccedil;&atilde;o que me fez perceber o que era essencial nisto tudo. E o essencial sou eu e a minha marca. Quando percebi isto, achei que fazia sentido fazer uma colec&ccedil;&atilde;o com este tema. A Arr&aacute;bida tem uma presen&ccedil;a fort&iacute;ssima na minha pessoa e no meu car&aacute;cter, tal como a minha fam&iacute;lia, que &eacute; o meu pilar. Para mim, o s&iacute;mbolo disso &eacute; a Arr&aacute;bida</i> (em entrevista a Carrilho, 2015). </blockquote>     <p>Da mesma forma existe outra refer&ecirc;ncia cultural conterr&acirc;nea que &eacute; incontorn&aacute;vel: o pedagogo e poeta, seu familiar, Sebasti&atilde;o da Gama. </p>     <blockquote>( &#8230; ) <i>perante a minha fam&iacute;lia eu tenho um exemplo familiar de que a poesia, de que o sonho, de que a forma diferente de estar n&atilde;o &eacute; crime. Antes pelo contr&aacute;rio, &eacute; um motivo de orgulho para todos n&oacute;s</i> ( &#8230; )(em entrevista &agrave; autora em 2013). </blockquote>     <p>Na cole&ccedil;&atilde;o de Primavera/Ver&atilde;o de 2015 o estilista homenageou a Arr&aacute;bida (<a href="#f2">Figura 2</a>) que era mais do que uma localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica, era parte de &quot;uma suculenta mem&oacute;ria de inf&acirc;ncia&quot;, como descreveu pelas suas palavras (<i>Correio da Manh&atilde;</i>, 2014, 12 de outubro). O desfile foi pontuado com a declama&ccedil;&atilde;o de poemas de Sebasti&atilde;o da Gama e as propostas remetiam para a experi&ecirc;ncia da Arr&aacute;bida na dupla faceta de serra e praia: por um lado, os grilos que se ouviam sobre a m&uacute;sica de fundo; por outro, os elementos mar&iacute;timos e as riscas que aludiam aos toldos na praia. Viv&ecirc;ncias e refer&ecirc;ncias que eram familiares ao estilista.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a08f2.jpg"></a>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>3.3 A identidade nacional, os s&iacute;mbolos e a crise</b></p>     <p>O nome do estilista j&aacute; est&aacute; intimamente ligado &agrave; nossa hist&oacute;ria, pois partilha o seu apelido com o grande navegador Vasco da Gama. &Eacute;, pois, com naturalidade que associa no seu log&oacute;tipo a cruz de Cristo ao nome Nuno Gama (<a href="#f3">Figura 3</a>). Em entrevista ao/&agrave; autor(a), e como ele pr&oacute;prio descreve, &quot;a cruz est&aacute; assente sobre o O do Nuno, e o O do Nuno n&atilde;o &eacute; mais do que globo terrestre&quot;, o que &eacute; claramente assumido como uma inten&ccedil;&atilde;o de deixar, &agrave; semelhan&ccedil;a do seu antepassado, &quot;a marca do Nuno Gama no mundo&quot;. O discurso do estilista funciona muito neste registo de &quot;querer provar ao mundo que n&oacute;s somos bons&quot;. Este &quot;n&oacute;s&quot; &eacute; um <i>self</i> coletivo que ele assume e que se confunde com o seu <i>self</i> pessoal. Por um lado, afirma a sua marca, mas por outro desenvolve um papel quase de curador, no sentido daquele que cuida e que gere as potencialidades criativas, do patrim&oacute;nio simb&oacute;lico da cultura portuguesa.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a08f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Neste terceiro n&iacute;vel de identidade o estilista tamb&eacute;m n&atilde;o se furta &agrave; necess&aacute;ria e consciente reflex&atilde;o cr&iacute;tica sobre a atualidade do seu pa&iacute;s. H&aacute; uma consci&ecirc;ncia muito clara de que &eacute; importante estar atento aos outros e ao mundo para comunicar a sua mensagem criativa com efic&aacute;cia.</p>     <p>Um exemplo magistral desta comunica&ccedil;&atilde;o bem-sucedida foi o final do desfile da cole&ccedil;&atilde;o Primavera/Ver&atilde;o 2013, na ModaLisboa, em Outubro 2012. A emo&ccedil;&atilde;o da rea&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico foi not&oacute;ria. Os manequins surgiram, em grupo, lembrando as manifesta&ccedil;&otilde;es que assolavam o pa&iacute;s, envergando <i>t-shirts</i> com a frase &quot;Eu quero &eacute; ser feliz&quot; ao peito, amorda&ccedil;ados com um sorriso triste (<a href="#f4">Figura 4</a>). O sentimento que Nuno Gama confessou ser um grito seu, bebia muito de motiva&ccedil;&otilde;es pessoais e profissionais, como justificou: </p>     <blockquote><i>Eu quero ser feliz! Eu vim para Lisboa porque queria ser feliz, eu queria estar com a minha fam&iacute;lia, eu queria ter a minha vida, eu queria abrir as minhas asas</i> (em entrevista &agrave; autora em 2013). </blockquote> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a08f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O pa&iacute;s atravessava ent&atilde;o um momento cr&iacute;tico de crise econ&oacute;mica e reagia &agrave; vaga de austeridade que havia sido imposta pelo governo. Na express&atilde;o da sua mais &iacute;ntima identidade, confessando que n&atilde;o era sua inten&ccedil;&atilde;o dar voz a mais ningu&eacute;m que n&atilde;o a si pr&oacute;prio, o grito do Nuno Gama foi tamb&eacute;m o grito de todos os presentes.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A manifesta&ccedil;&atilde;o que se encenara na <i>passerelle</i> por um desejo t&atilde;o simples e puro, funcionou para todos como um mecanismo cat&aacute;rtico das ang&uacute;stias provocadas pela crise, ou por qualquer outro motivo opressor dos mais b&aacute;sicos direitos, quanto mais n&atilde;o seja o direito a sonhar. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Nuno Gama iniciou a sua carreira a criar roupa para si pr&oacute;prio, mas nos 27 anos que completou de carreira na moda, teve tamb&eacute;m de dar resposta &agrave;s necessidades dos seus clientes. Nunca se despiu de quem &eacute;, nem das identidades que o vestem, das mais &iacute;ntimas &agrave;s mais globais, e nunca deixou de o transparecer nas suas cria&ccedil;&otilde;es. &Eacute;, por isso, curioso que a constante portugalidade de Nuno Gama encontre tanta aceita&ccedil;&atilde;o no estrangeiro, j&aacute; que &eacute; fora do pa&iacute;s que re&uacute;ne a maior parte dos seus clientes. Em Portugal, onde as refer&ecirc;ncias simb&oacute;licas e culturais produziriam mais eco, encontra muitas vezes o preconceito e a desconfian&ccedil;a, que em nada se prende com a qualidade, dedica&ccedil;&atilde;o e perfecionismo do seu trabalho. &Eacute; apenas um sintoma que Portugal n&atilde;o est&aacute; bem na sua pele, que os portugueses t&ecirc;m dificuldade em vestir a sua pr&oacute;pria identidade, em aceit&aacute;-la e assumi-la. </p>     <p>Se tantas vezes Nuno Gama conseguiu p&ocirc;r a nu esta conclus&atilde;o, continuar&aacute; decerto a apresentar propostas das suas vis&otilde;es de si e dos seus mundos, onde criador e p&uacute;blico, olham na mesma dire&ccedil;&atilde;o e &quot;vestem a &#91;mesma&#93; camisola&quot;. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b> </p>     <!-- ref --><p>Bono, E. (2000). <i>Six thinking hats</i>. London: Penguin Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446660&pid=S1647-6158201600010000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Brewer, M & Gardner, W. (1996). &quot;Who is this &quot;We&quot;? Levels of collective identity and self representations&quot;. <i>Journal of Personality and Social Psychology</i>. 71 (1), 83-93.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446662&pid=S1647-6158201600010000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Carrilho, R. (2015, Mar&ccedil;o 15). &quot;Nuno Gama: &#39;Quero que os homens que desfilem para mim incendeiem tudo &agrave; sua volta&#39;.&quot; <i>Sol</i>. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.sol.pt/noticia/127041#close" target="_blank">http://www.sol.pt/noticia/127041#close</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1446664&pid=S1647-6158201600010000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo recebido a 7 de Setembro de 2015 e aprovado a 23 de setembro de 2015.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:menina.re@gmail.com">menina.re@gmail.com</a> (Sofia R&eacute; Palmela)</p>      ]]></body><back>
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