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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article presents two recent works of Corpos Informáticos, a collective of artists that also constitutes itself as a research group attached to the Universidade de Brasilia. The presentation and reflection on such works provide the knowledge of a few principles that guide the group's proposals and its questions about the nature of art.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>A composi&ccedil;&atilde;o urbana em Corpos Inform&aacute;ticos</b></p>     <p><b>The urban composition in Corpos Inform&aacute;ticos</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Cristiane Herres Terraza&#42;</b></p>     <p>&#42;Brasil, ceramista, docente e pesquisadora. Licenciada em Artes Pl&aacute;sticas (Funda&ccedil;&atilde;o Dulcina de Morais / Faculdade de Artes), Mestre e Doutora em Arte (Instituto de Arte/ Universidade de Brasilia).</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Instituto Federal de Bras&iacute;lia, campus Samambaia. Complexo Boca da Mata, Lote 02 &#8211; DF-460 &#8211; Samambaia Sul, Bras&iacute;lia &#8211; DF, Brasil.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b> </p>     <p>O artigo apresenta dois recentes trabalhos do Corpos Inform&aacute;ticos, um coletivo de artistas que se constitui tamb&eacute;m como grupo de pesquisa ligado &agrave; Universidade de Bras&iacute;lia. A apresenta&ccedil;&atilde;o e a reflex&atilde;o sobre tais trabalhos proporcionam o conhecimento de alguns princ&iacute;pios que norteiam as proposi&ccedil;&otilde;es do grupo e seus questionamentos sobre a natureza da arte. </p>     <p><b>Palavras chave:</b> corpos inform&aacute;ticos, itera&ccedil;&atilde;o, proposi&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b> </p>     <p>The article presents two recent works of Corpos Inform&aacute;ticos, a collective of artists that also constitutes itself as a research group attached to the Universidade de Brasilia. The presentation and reflection on such works provide the knowledge of a few principles that guide the group&#39;s proposals and its questions about the nature of art.</p>     <p><b>Keywords</b>: corpos inform&aacute;ticos, interaction, artistic proposition.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Uma arte de ocupa&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico seja ela da rua ou da Internet, consistindo, dentre outros princ&iacute;pios, como uma maneira de criar um paradoxo entre a realidade mecanizada e uniformizadora. Este &eacute; um dos fios condutores do processo de cria&ccedil;&atilde;o e a&ccedil;&atilde;o do grupo Corpos Inform&aacute;ticos, surgido em 1992, coordenado pela artista, professora e pesquisadora Bia Medeiros.</p>     <p>Segundo sua coordenadora, o grupo nasce do entendimento de que a performance possui a pot&ecirc;ncia de estar em rela&ccedil;&atilde;o. A a&ccedil;&atilde;o coletiva com o outro forma grupo e nisso &eacute; sincr&ocirc;nico. Necessita-se, por&eacute;m, da diacronia, da subjetividade do outro em di&aacute;logo para que a desej&aacute;vel percep&ccedil;&atilde;o em complexidade ocorra. A percep&ccedil;&atilde;o dos v&aacute;rios afectos e como estes se integram na a&ccedil;&atilde;o geram uma organicidade desej&aacute;vel &agrave; experi&ecirc;ncia art&iacute;stica. </p>     <blockquote><i>Como coordenadora do Grupo Corpos Inform&aacute;ticos, esta &eacute;, ent&atilde;o, minha primeira afirmativa: grupo = organismo = corpo formado por diversos corpos sem &oacute;rg&atilde;os que reunidos vivem em uma unidade org&acirc;nica.</i> (Medeiros, 2013: 3) </blockquote>     <p>Desde seu in&iacute;cio, o grupo foi formado por diferentes corpos, vinculados ou n&atilde;o ao programa de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o do Instituto de Arte da Universidade de Bras&iacute;lia. Atualmente, o grupo &eacute; composto por Ayla Gresta; Bia Medeiros; Diego Azambuja; Jo&atilde;o Stoppa; Maria Eug&ecirc;nia Matricardi; Mariana Brites; Mateus de Carvalho Costa; Natasha de Albuquerque; R&ocirc;mulo Barros, mas tamb&eacute;m daqueles que o pr&oacute;prio grupo chama de &#39;corpos expandidos&#39; os &quot;sempre queridos iteratores; exCorpos Inform&aacute;ticos ou simplesmente admiradores: Bianca Tinoco; Kamala Hamers; M&aacute;rcio H. Mota; Tiago Moria; Victor Valentim entre outros.&quot; (Medeiros, 2015: 1473)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Sobre o Corpos</b></p>     <p>O Corpos Inform&aacute;ticos funda-se na Universidade de Bras&iacute;lia, como grupo de pesquisa, coordenado pela prof&ordf; Dr&ordf; Maria Beatriz de Medeiros. Realiza, portanto, n&atilde;o somente as experimenta&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas art&iacute;sticas como performance, v&iacute;deo-instala&ccedil;&atilde;o, web art, teleperformances, mas tamb&eacute;m empreende a constru&ccedil;&atilde;o de um corpus te&oacute;rico sobre arte e a&ccedil;&atilde;o. Uma importante ideia sobre a qual o grupo cultiva seu trabalho &eacute; a percep&ccedil;&atilde;o de que o tempo atual se desenrola como uma &#39;era dos dobramentos&#39;, referindo-se &agrave;s camadas do cotidiano, incluso o ciberespa&ccedil;o. As diversas dimens&otilde;es (camadas) que comp&otilde;em o cotidiano s&atilde;o percebidas e experimentadas de modo que a a&ccedil;&atilde;o do grupo e de cada componente seja provocadora de &quot;retroa&ccedil;&otilde;es, conex&otilde;es, prolifera&ccedil;&otilde;es, na fractaliza&ccedil;&atilde;o desta infinidade infinitamente redobrada&quot; (Deleuze, 1991: 42). Tomando como base a figura da voluta, em sua cont&iacute;nua indica&ccedil;&atilde;o de movimento e complexidade, os com-ponentes (corpos) do grupo realizam a&ccedil;&otilde;es que provoquem a configura&ccedil;&atilde;o de n&oacute;s (atar, desatar, reatar) com o outro, com o espa&ccedil;o, consigo mesmo.</p>     <p>O grupo possui uma produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica que se transversaliza da performance &agrave; arte tecnol&oacute;gica, atualmente embrenhando-se pelo que o grupo denomina de &quot;composi&ccedil;&atilde;o urbana&quot;. Elege esta terminologia uma vez que, segundo seu pensamento, os termos interven&ccedil;&atilde;o ou interfer&ecirc;ncia remetem &agrave; implanta&ccedil;&atilde;o daquilo que n&atilde;o cabe na <i>urbis</i> ou no corpo. As proposi&ccedil;&otilde;es do Corpos Inform&aacute;ticos &eacute; de acariciar o cotidiano, experimentando-o e saboreando a&ccedil;&otilde;es dos corpos em encontro com outros. &quot;A composi&ccedil;&atilde;o urbana n&atilde;o interfere nem interv&eacute;m, comp&otilde;e e decomp&otilde;e com o corpo pr&oacute;prio, com o corpo do outro, com o espa&ccedil;o &#39;p&uacute;blico&#39;, com a internet.&quot; (Medeiros e Abuquerque, 2013: 26)</p>     <p>As a&ccedil;&otilde;es resultam das proposi&ccedil;&otilde;es perform&aacute;ticas nomeadas pelo Corpos como &#39;fuleragem&#39;, palavra do vocabul&aacute;rio popular que tanto significa algo que burla e trai, como aquilo que &eacute; reles, sem requinte, indigno de confian&ccedil;a. Esse termo escolhido para denominar as a&ccedil;&otilde;es, re-vela, re-fere-se, designa o car&aacute;ter de cria&ccedil;&atilde;o din&acirc;mica, coletiva, de encontro e de inteira experimenta&ccedil;&atilde;o, sem m&eacute;todo, sem caminho tra&ccedil;ado previamente, construindo a composi&ccedil;&atilde;o no presente (&#39;presenta&ccedil;&atilde;o&#39;) entre os componentes e abrindo-se a todos aqueles que queiram se envolver (iteratores). O iterator &eacute; mais que o espectador, mesmo no entendimento que o espectador nunca &eacute; passivo, pois o olhar &eacute; tamb&eacute;m uma a&ccedil;&atilde;o que mobiliza a percep&ccedil;&atilde;o e afeta. O iterator, ao agir, &#39;apaga&#39; o autor, n&atilde;o se submete &agrave; inten&ccedil;&atilde;o inicial deste &uacute;ltimo, mas comp&otilde;e a inven&ccedil;&atilde;o. Na itera&ccedil;&atilde;o, a autoria do proponente inicial &eacute; suspensa: artista e iterator tornam-se a&ccedil;&atilde;o. A itera&ccedil;&atilde;o &eacute; a real modifica&ccedil;&atilde;o do trabalho iniciado exercida pelos corpos expandidos, ou seja, por aqueles que n&atilde;o s&atilde;o os componentes do grupo.</p>     <blockquote><i>A &quot;itera&ccedil;&atilde;o&quot; &eacute; a manobra da arte que convida o ex-espectador a se tornar participante, no caminho do processo, se juntar a ele. Esta frase &eacute; um duplo pleonasmo: &quot;iter&quot; &eacute; caminho, processo. Esta arte deixa-se acariciar, tocar-se, machucar-se na a&ccedil;&atilde;o dos presentes neste caminhar.</i> (Medeiros, 2013: 3) </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, o grupo cria e comp&otilde;e um corpo te&oacute;rico sobre itera&ccedil;&atilde;o, performance, a&ccedil;&otilde;es e rea&ccedil;&otilde;es &agrave; arte que se distancia e questiona as galerias, sem deixar de ocup&aacute;-las. Sobre este aspecto, &eacute; interessante ressaltar que, ao ocupar o espa&ccedil;o institucionalizado da arte, sejam museus ou galerias, por v&aacute;rias vezes o grupo monta a exposi&ccedil;&atilde;o em sua abertura ao p&uacute;blico, no vernissage. Tal pr&aacute;tica provocativa visa enriquecer a percep&ccedil;&atilde;o e a sensibiliza&ccedil;&atilde;o para o trabalho, convidando a todos o que ali est&atilde;o &agrave; participa&ccedil;&atilde;o e &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica.</p>     <p>Nessa perspectiva, os trabalhos realizados pelo grupo, bem como sua elabora&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica geram ensejos de questionamento e reflex&atilde;o sobre a natureza da arte ao ampara-se nas quest&otilde;es cotidianas e no bin&ocirc;mio simplicidade/complexidade. Tal elabora&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m &eacute; constru&iacute;da de modo particular. Os textos do grupo, em especial de sua coordenadora, s&atilde;o engendrados objetivando (ou subjetivando) a provocar, a articular, a estampar, o modo como o grupo atua. Ler um texto do grupo &eacute; caminhar nas dobras e vielas de sua a&ccedil;&atilde;o.</p>     <blockquote><i>Arte &eacute; reflex&atilde;o? Inflex&atilde;o, proposi&ccedil;&atilde;o e at&eacute; despacho. Ela escoa, n&atilde;o se fixa nas paredes. Derrete o suporte, n&atilde;o suporta. Importa? O suporte, se suporte for, n&atilde;o abra&ccedil;ar&aacute; aquilo que deve surgir sem pedir licen&ccedil;a no espectador, no expectador (aquele que est&aacute; na expectativa) ou no &quot;iterator&quot;.</i> (Medeiros, 2013: 3) </blockquote>     <p>Em sua a&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica, o Corpos Inform&aacute;ticos instiga, trama, revela o seu corpo e o do outro na rela&ccedil;&atilde;o com as coisas percebidas e que se instituem como obra na inten&ccedil;&atilde;o em fazer arte. Nesse processo, ressalta-se o car&aacute;ter da arte, a amplia&ccedil;&atilde;o das possibilidades do fazer art&iacute;stico e sua forma de pertencer e integrar a realidade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Proposi&ccedil;&otilde;es: Kombeiro e Birutas (e)Vento</b></p>     <p>A cidade conforma-se, h&aacute; algum tempo, em um contexto din&acirc;mico, cujo ritmo de mudan&ccedil;as e transforma&ccedil;&otilde;es, por muitas vezes, impele os indiv&iacute;duos ao embotamento de suas percep&ccedil;&otilde;es ou de uma constru&ccedil;&atilde;o de visualidade pela qual se perde o vigor da subjetividade. Tais processos fazem avan&ccedil;ar para um modo de orquestramento das experi&ecirc;ncias individuais e coletivas, o que pode fazer resultar em comportamentos e a&ccedil;&otilde;es associativas e, de certa forma, homog&ecirc;neas.</p>     <p>Em dois de seus mais recentes trabalhos, o Corpos Inform&aacute;ticos envolve-se com o espa&ccedil;o urbano, criando paradoxos com a realidade e propondo aos indiv&iacute;duos transeuntes uma maneira particular de perceber a cidade. O que inicialmente este artigo aborda &eacute; a proposi&ccedil;&atilde;o <i>Kombeiro</i>, iniciada em 2011, uma instala&ccedil;&atilde;o/composi&ccedil;&atilde;o urbana, composta atualmente de sete kombis coloridas e desenhadas, implantadas ao longo de uma via rodovi&aacute;ria de Bras&iacute;lia, pr&oacute;xima &agrave; Universidade, nas quais tamb&eacute;m foram plantadas v&aacute;rias esp&eacute;cies nativas (<a href="#f1">Figura 1</a> e <a href="#f2">Figura 2</a>). O lugar &eacute; palco de diversas manifesta&ccedil;&otilde;es do grupo &#8211; uma esp&eacute;cie de atelier aberto &#8211; e tornou-se refer&ecirc;ncia de sua produ&ccedil;&atilde;o na cidade. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a18f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a18f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&Agrave;s pessoas que passam desavisadas pela instala&ccedil;&atilde;o, de autom&oacute;vel pela via de velocidade ou a p&eacute; acessando o Centro Ol&iacute;mpico da Universidade, o Kombeiro causa estranhamento. As carca&ccedil;as do que foram autom&oacute;veis est&atilde;o plantadas junto &agrave; relva e conjunta &agrave;s arvores e plantas do cerrado. No mesmo ambiente, uma trilha asfaltada que vai do nada pro lugar nenhum e que tamb&eacute;m j&aacute; foi palco de uma outra composi&ccedil;&atilde;o urbana somente vista em sua totalidade do alto, em helic&oacute;ptero, chamada &#39;Mar(ia-sem-ver)gonha&#39;.</p>     <p>Uma mem&oacute;ria vivenciada que ainda &eacute; presente nas pessoas de meia idade e que pode ser acessada pelas mais jovens em filmes e fotos, &eacute; da Kombi como ve&iacute;culo de uma coletividade afeta &agrave;s transforma&ccedil;&otilde;es da contra-cultura (o movimento hippie dos anos 60 e as comunidades alternativas surgidas tamb&eacute;m no Planalto Central, onde se localiza Bras&iacute;lia, atra&iacute;dos pelas regi&otilde;es de natureza &iacute;mpar, como a Chapada dos Veadeiros e a cidade de Piren&oacute;polis). Esta caracter&iacute;stica do coletivo &#8211; n&atilde;o diretamente ao da contra-cultura &#8211; e de uma maneira diversa de engendrar as a&ccedil;&otilde;es pode ser reconhecida nas a&ccedil;&otilde;es do grupo: &quot;&Eacute; como se os artistas reconhecessem a pot&ecirc;ncia de voc&ecirc; ser mais de um, de voc&ecirc; ser grupo, de estar no apoio&quot; (Medeiros, 2015B).</p>     <p> As carca&ccedil;as dos ve&iacute;culos s&atilde;o todas apropriadas pelo grupo, seja pela modifica&ccedil;&atilde;o da forma, seja pelas pinturas, e fixadas em posi&ccedil;&otilde;es diversas. A composi&ccedil;&atilde;o de plantas origin&aacute;rias desse bioma faz refletir sobre a rela&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo com suas cria&ccedil;&otilde;es &#8211; mnem&ocirc;nicas, t&eacute;cnicas, art&iacute;sticas, pol&iacute;ticas, de conhecimento etc &#8211; no espa&ccedil;o geogr&aacute;fico e social: um empreendimento constru&iacute;do ao longo do tempo que faz das inven&ccedil;&otilde;es as extens&otilde;es da exist&ecirc;ncia, tanto do indiv&iacute;duo como das coletividades. A inven&ccedil;&atilde;o &eacute; um modo pr&oacute;prio de perceber e compor:</p>     <blockquote><i>A Kombi parada ali na grama &eacute; uma casinha, um ninho. As crian&ccedil;as interagem bem com a proposta. O l&uacute;dico que diverte. O elogio da fuleragem. Com(de)posi&ccedil;&atilde;o do lugar comum e do baixo astral. Composi&ccedil;&atilde;o por muitas m&atilde;os. Exposi&ccedil;&atilde;o por muitos p&eacute;s. Provoca&ccedil;&atilde;o por muitas bundas.</i> (Medeiros & Aquino, 2012) </blockquote>     <p>O segundo trabalho, intitulado Birutas (e) vento, consiste em uma exposi&ccedil;&atilde;o/evento/ocupa&ccedil;&atilde;o, realizada no ano de 2014 na galeria Espa&ccedil;o Piloto da Universidade de Bras&iacute;lia, e que se expandiu em outras pr&aacute;ticas e proposi&ccedil;&otilde;es do grupo que alcan&ccedil;aram eventos em outros lugares do pa&iacute;s.</p>     <blockquote><i>A exposi&ccedil;&atilde;o/evento/ocupa&ccedil;&atilde;o Birutas (e) vento contou com exposi&ccedil;&atilde;o do Corpos Inform&aacute;ticos, cerca de trinta performances ocorreram na abertura (s&aacute;bado) e em tr&ecirc;s ter&ccedil;as-feiras de tarde e de noite. Na abertura, a exposi&ccedil;&atilde;o foi montada em performance: colar imagens, fazer os desenhos na parede, instalar objetos etc. E, nas ter&ccedil;as-feiras, o espa&ccedil;o continuou sendo tomado por performances, fuleragens, 7 seus res&iacute;duos e outras interven&ccedil;&otilde;es. Enfim, Birutas (e) vento foi evento-processo, evencesso procento</i> (Medeiros, 2015A: 1463). </blockquote>     <p>As a&ccedil;&otilde;es desenvolvidas durante o evento aproximam-se, em algumas ocasi&otilde;es, de gestos cotidianos como brincar em piscinas com amigos (<a href="#f4">Figura 4</a>), realizar uma festa de anivers&aacute;rio, fazer um churrasco (mixurrasco: churrasco &#39;mixuruca&#39;, feito com mixu&ecirc;). S&atilde;o estas a&ccedil;&otilde;es que interessam ao pensamento desenvolvido neste texto: as apropria&ccedil;&otilde;es da realidade realizadas pelos componentes do grupo e que consistem como art&iacute;sticas, considerando a intencionalidade e o campo de estudo e atua&ccedil;&atilde;o destes componentes. As a&ccedil;&otilde;es empreendidas pelo grupo abrem-se &agrave; itera&ccedil;&atilde;o daqueles que se prop&otilde;em a compor, n&atilde;o mais espectadores, mas corpos expandidos, ao enfatizar o processo, a a&ccedil;&atilde;o, a presen&ccedil;a e a experi&ecirc;ncia e &quot;agrupa as cria&ccedil;&otilde;es que se ancoram nas circunst&acirc;ncias e se mostram preocupadas de tecer com a realidade&quot; (Ardenne, 2006:15)</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a18f3.jpg"></a>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v7n13/7n13a18f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Gestos e a&ccedil;&otilde;es costumeiras realizadas, entretanto, como arte, provocam a amplia&ccedil;&atilde;o das percep&ccedil;&otilde;es sobre a realidade, mas tamb&eacute;m sobre a natureza do fazer art&iacute;stico atual, consiste, portanto, em uma maneira subjetiva de apreender o cotidiano ao tentar desfazer aquilo que est&aacute;, de certo modo, normalizado pela rotina. As birutas usadas pelos componentes (<a href="#f3">Figura 3</a>, <a href="#f4">Figura 4</a>) d&atilde;o a pista sobre o que quer o grupo: deixar o gesto em movimento, se disponibilizar ao encontro, fluir o pensamento e ocupar a cidade com ela compondo, traindo a rotina, a normatiza&ccedil;&atilde;o e o m&eacute;todo.</p>     <p>Tudo que compunha a exposi&ccedil;&atilde;o (v&iacute;deos, pinturas, jogos, performances, fuleragens etc) surgia como uma provoca&ccedil;&atilde;o &agrave; estesia &#8211; ficar isento ao que ali estava a se apresentar configurava-se bastante dif&iacute;cil. Assim, tal proposi&ccedil;&atilde;o produziu um conjunto de trabalhos que se imbricaram com a realidade e n&atilde;o simplesmente a representavam em grau ilustrativo. Conjugada &agrave; experimenta&ccedil;&atilde;o da obra pelo processo de itera&ccedil;&atilde;o, tanto aos componentes como &agrave;queles que a eles se juntaram, a possibilidade de desdobramento de pensamento sobre a simplicidade e complexidade dos gestos e das a&ccedil;&otilde;es na sincronicidade entre espa&ccedil;o, tempo e eventos. Nessa perspectiva, provoca-se a reflex&atilde;o sobre no que as circunst&acirc;ncias e os procedimentos cotidianos contribuem na perda ou na forma&ccedil;&atilde;o de subjetividades, sejam estas individuais ou coletivas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Na aproxima&ccedil;&atilde;o ao trabalho do grupo Corpos Inform&aacute;ticos evidencia-se a preocupa&ccedil;&atilde;o de seus componentes em realizar um trabalho que esteja sempre em processo, ao re-haver, re-ver e re-vigorar aquilo que chamamos de pr&aacute;tica art&iacute;stica. Os corpos procuram outros na inten&ccedil;&atilde;o do encontro, mas tamb&eacute;m na de realiza&ccedil;&atilde;o. Fugir do encastelamento da autoria para trair as estruturas e com-formar novos caminhos de fazer arte.</p>     <p>Como grupo de pesquisa, o Corpos vem produzindo textos e trabalhos provocadores n&atilde;o s&oacute; de reflex&atilde;o sobre seu pr&oacute;prio trabalho e sobre a arte, mas tamb&eacute;m da apropria&ccedil;&atilde;o de um modo de escrever mais afeto &agrave;s quest&otilde;es da arte. A escrita reverbera aquilo que o grupo prop&otilde;e em a&ccedil;&atilde;o, em performance, em <i>fuleragem</i>.</p>     <p>A itera&ccedil;&atilde;o, que inibe o lugar de passividade do espectador, convocando-o &agrave; sensibilidade e, contudo, &agrave; cria&ccedil;&atilde;o, anuncia a intencionalidade do grupo de estar dentro e fora do espa&ccedil;o institu&iacute;do da arte (galerias e museus), espalhando-se em cada encontro que sua a&ccedil;&atilde;o pode provocar. O lugar da arte &eacute; a rua, o indiv&iacute;duo desavisado que se espanta com as gambiarras e transgress&otilde;es, o transeunte que junta ao movimento: corpos expandidos nos quais a possibilidade resulta em significa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Refer&ecirc;ncias:</b></p>     <!-- ref --><p>Ardenne, Paul. (2006). <i>Un Arte Contextual: creaci&oacute;n art&iacute;stica em m&eacute;dio urbano, em situaci&oacute;n, de intervenci&oacute;n, de participaci&oacute;n</i>. Murcia: CENDEAC. &#91;Consult. 2015-11-22&#93;. Dispon&iacute;vel em URL: books.google.es/books?id=G-GkffoPcfAC&printsec=frontcover&dq=un+arte+contextual&hl=en&sa=X&ei=P6KPULeuGufT0QXn44C4BQ&ved=0CC0Q6AEwAA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1447521&pid=S1647-6158201600010001800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Deleuze, Gilles. (1991). <i>Qu&#39;est-ce que la philosophie?,</i> ed. Minuit, Paris.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1447523&pid=S1647-6158201600010001800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Medeiros, Maria Beatriz de. (2015A). &quot;Corpos Inform&aacute;ticos: Birutas (e) Vento,&quot; 2014. In: <i>Anais do 24&ordm; Encontro da ANPAP &#8211; Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Pesquisadores em Artes Pl&aacute;sticas, Compartilhamentos na Arte: Rede e Conex&otilde;es, UFSM, Santa Maria &#8211; R.S., Comit&ecirc; Po&eacute;ticas Art&iacute;sticas,</i> p. 1461-1475. &#91;Consult. 2015-11-22&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://anpap.org.br/anais/2015/comites/cpa/maria_beatriz_de_medeiros.pdf" target="_blank">http://anpap.org.br/anais/2015/comites/cpa/maria_beatriz_de_medeiros.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1447525&pid=S1647-6158201600010001800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Medeiros, Maria Beatriz de. (2015B). <i>Bia Medeiros &#8211; pol&iacute;ticas culturais para a arte contempor&acirc;nea -2015</i>. Entrevista publicada em 19 de mar de 2015. &#91;Consult. 2015-11-22&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=796fnjy6E_g" target="_blank">https://www.youtube.com/watch?v=796fnjy6E_g</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1447526&pid=S1647-6158201600010001800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Medeiros, Maria Beatriz de. (2013). &quot;Presen&ccedil;a e organicidade: corpos inform&aacute;ticos, performance, trabalho em grupo e outros conceitos.&quot; In: <i>ILINX &#8211; Revista do Lume</i>, n. 4. S&atilde;o Paulo: Unicamp. &#91;Consult. 2015-11-29&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://www.cocen.unicamp.br/revistadigital/index.php/lume/article/viewFile/277/257" target="_blank">http://www.cocen.unicamp.br/revistadigital/index.php/lume/article/viewFile/277/257</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1447527&pid=S1647-6158201600010001800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Medeiros, Maria Beatriz de & Albuquerque, Natasha. (2013). &quot;Composi&ccedil;&atilde;o urbana: surpreens&atilde;o e fuleragem.&quot; In: <i>Palco Girat&oacute;rio: circuito nacional</i>. Rio de Janeiro: SESC, 2013, v. Il; ISSN 2317-1596, p. 24-35.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1447528&pid=S1647-6158201600010001800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Medeiros, Maria Beatriz de. & Aquino, Fernando (2012). &quot;Kombi, Kombeiro, Kombunda e Bundalel&ecirc; na Kombi. Performance e Mem&oacute;ria.&quot; In: <i>Anais do VII Congresso da Abrace &#8211; Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Pesquisa e P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Artes C&ecirc;nicas</i>. Porto Alegre &#8211; R.S. outubro. &#91;Consult. 2015-11-23&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://www.portalabrace.org/viicongresso/completos/territorios/Maria_Beatriz_MEDEIROS_Kombi_Kombeiro_Kombunda_e_Bundalel___na_Kombi.pdf" target="_blank">http://www.portalabrace.org/viicongresso/completos/territorios/Maria_Beatriz_MEDEIROS_Kombi_Kombeiro_Kombunda_e_Bundalel___na_Kombi.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1447530&pid=S1647-6158201600010001800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo recebido a 30 de dezembro de 2015 e aprovado a 10 de janeiro de 2016.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:crisherres@gmail.com">crisherres@gmail.com</a> (Cristiane Terraza)</p>      ]]></body><back>
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