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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Criação: da totalidade à hibridação]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Art establishes a link between mind and matter, with an emerging emancipation escaping from convention. But the art emancipation includes its denial by requiring a dependency, hidden in technology. The support, before being touched, is already filled with intention, its utility. It matters, in the contexts discussed in the "Estúdio" issue 14, to identify the different artistic proposals and their identities. We propose a route of connections between people, cultures, past and present, art: an intermittent link with objects, materials, which sometimes become festive, sometimes encrypted, media to a deeper connection that underlies in the human condition.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>EDITORIAL</b></p>     <p align="right"><b>EDITORIAL</b></p>     <p><b>Cria&ccedil;&atilde;o: da totalidade &agrave; hibrida&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p><b>Creation: from totality to hibridation</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Jo&atilde;o Paulo Queiroz&#42;</b></p>     <p>&#42;Portugal, par acad&eacute;mico interno e editor da <i>Revista Est&uacute;dio</i>. </p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas-Artes, Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e Estudos em Belas-Artes (CIEBA). Largo da Academia Nacional de Belas-Artes, 1249-058, Lisboa, Portugal. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b> </p>     <p>A arte estabelece uma articula&ccedil;&atilde;o entre o pensamento e a coisa, com uma crescente emancipa&ccedil;&atilde;o face a conven&ccedil;&otilde;es. Mas a emancipa&ccedil;&atilde;o da arte inclui a sua nega&ccedil;&atilde;o ao exigir uma depend&ecirc;ncia, escondida, da tecnologia. O suporte, antes de ser sensibilizado, j&aacute; &eacute; portador de uma inten&ccedil;&atilde;o, uma utilidade. Importa, nos contextos abordados na revista <i>Est&uacute;dio</i> 14, identificar propostas art&iacute;sticas, identit&aacute;rias, interpeladoras. Prop&otilde;e-se um itiner&aacute;rio de liga&ccedil;&otilde;es entre pessoas, culturas, passados e presentes, pela arte: uma liga&ccedil;&atilde;o intermitente com os objectos, os materiais, que ora se tornam vest&iacute;gios festivos, &agrave;s vezes cifrados, mediatizadores de uma liga&ccedil;&atilde;o mais profunda que radica na condi&ccedil;&atilde;o humana.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> arte, cria&ccedil;&atilde;o, hibrida&ccedil;&atilde;o, emancipa&ccedil;&atilde;o, camp.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b></p>     <p>Art establishes a link between mind and matter, with an emerging emancipation escaping from convention. But the art emancipation includes its denial by requiring a dependency, hidden in technology. The support, before being touched, is already filled with intention, its utility. It matters, in the contexts discussed in the &quot;Est&uacute;dio&quot; issue 14, to identify the different artistic proposals and their identities. We propose a route of connections between people, cultures, past and present, art: an intermittent link with objects, materials, which sometimes become festive, sometimes encrypted, media to a deeper connection that underlies in the human condition.</p>     <p><b>Keywords:</b> art, creation, hybridization, emancipation, camp.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>A cria&ccedil;&atilde;o pode traduzir-se como a transforma&ccedil;&atilde;o de pensamento em coisa. Quando os materiais ganham um sentido merc&ecirc; de uma reorganiza&ccedil;&atilde;o, uma inten&ccedil;&atilde;o, esses materiais podem ser lidos. Primeiro dentro da <i>intentio auctoris</i>, depois fora dela, na <i>intentio operis</i> (Eco, 2004:93), agora como discursos, ou como <i>parole</i> (Saussure, 2006).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As &quot;falas&quot; emancipam-se atrav&eacute;s dos seus sistemas e apropriam-se das superf&iacute;cies. As ideias projetam-se sobre coisas tamb&eacute;m outrora pensadas. Os suportes s&atilde;o, em grande medida, portadores de inten&ccedil;&otilde;es anteriores, que datam da sua produ&ccedil;&atilde;o industrial (Bruno, 2014). H&aacute; um suporte na fotografia? Certamente. Mas esse suporte, mesmo antes de ser impressionado, j&aacute; est&aacute; portador de uma inten&ccedil;&atilde;o, j&aacute; inclui um discurso terceiro, uma utilidade (Flusser, 1985). Todos os suportes incluem uma redund&acirc;ncia inevit&aacute;vel. </p>     <p>A arte tem uma prerrogativa sobre a utilidade: dispensa-a ontologicamente. Mas essa utilidade contraria-se na sua materialidade: qualquer pe&ccedil;a de arte, aclamadamente in&uacute;til no seu valor facial, encontra-se ancorada na utilidade das m&aacute;quinas e dos suportes que permitem a sua exibi&ccedil;&atilde;o. Na arte contempor&acirc;nea costuma ser preciso ligar um aparelho. E a arte, parecendo cada vez mais livre e emancipada, exige cada vez mais cadeias de produ&ccedil;&atilde;o, divis&atilde;o do trabalho, mercadorias, utilidades. </p>     <p>Os artigos reunidos neste n&uacute;mero 14 da revista <i>Est&uacute;dio</i> abrangem as rela&ccedil;&otilde;es e as dist&acirc;ncias, os materiais e as pessoas, os v&iacute;nculos tempor&aacute;rios que suportam novos pensamentos.</p>     <p>Il&iacute;dio Salteiro (Lisboa, Portugal) apresenta, no artigo &quot;D. Jo&atilde;o Marcos: Bispo e pintor de ret&aacute;bulos hoje&quot;, a obra de grande envergadura de um homem de vida consagrada ao minist&eacute;rio de Cristo que, tendo feito o seu percurso inicial como aluno da escola de artes que hoje edita esta revista, o prossegue e reinventa, tomando nas m&atilde;os a Arte Sacra, e procurando que o seu trabalho possa constituir &quot;uma dire&ccedil;&atilde;o que outros eventualmente poder&atilde;o seguir&quot; (D. Jo&atilde;o Marcos, comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, fevereiro 2016). Nesse sentido nos inspirou a escolha da capa deste n&uacute;mero: o olhar, e gesto, sintetizados no seu <i>Cristo Pantocrator,</i> presen&ccedil;a central na Igreja da Ramada, em Loures, Portugal. H&aacute; um sinal de caminho a ser feito, de caminho a seguir, na atualiza&ccedil;&atilde;o da representa&ccedil;&atilde;o, que &eacute; forma de mostrar a novidade da Encarna&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>O texto de Guilherme Tosetto (Brasil), &quot;O di&aacute;logo nas imagens de Ayrson Her&aacute;clito&quot; introduz imagens que estabelecem uma rela&ccedil;&atilde;o entre o Senegal e o nordeste do Brasil, tomando como elo o passado esclavagista e a perman&ecirc;ncia actual da desigualdade entre os homens. </p>     <p>No artigo &quot;Narrativas Ficcionais de Tunga,&quot; Marta Martins (Santa Catarina, Brasil) revisita a &#39;Teresa&#39; a corda de len&ccedil;ol torcido que permite a fuga de S&atilde;o Jo&atilde;o da Cruz, seguindo a vis&atilde;o de Santa Teresa. A &#39;teresa&#39; &eacute; agora uma a&ccedil;&atilde;o de resgate performativo por Tunga, que atualiza os debates da exclus&atilde;o, onde pontuam os meninos de rua.</p>     <p>Almerinda da Silva Lopes (Esp&iacute;rito Santo, Brasil), em &quot;Apropria&ccedil;&atilde;o e ironia na instala&ccedil;&atilde;o &#39;Vestidas de branco&#39; de Nelson Leirner, &quot;faz uma revis&atilde;o sobre o percurso do &quot;n&atilde;o-artista,&quot; dos anos 60 at&eacute; aos dias de hoje. A s&eacute;rie das instala&ccedil;&otilde;es &quot;vestidas de branco&quot; ecoa entre o <i>pop</i> que consome a sua imagem, a ind&uacute;stria cultural (Adorno & Horkheimer, 1985), e ainda talvez outras &quot;damas de branco&quot; da Am&eacute;rica do Sul.</p>     <p>Em &quot;Angie Bonino: Zoon politik&oacute;n en Videoesfera,&quot; a autora Mihaela Radulescu de Barrio (Lima, Per&uacute;) introduz-nos no universo da criadora v&iacute;deo peruana Angie Bonino, que aborda a hibrida&ccedil;&atilde;o presente na subcultura peruana <i>chicha</i> explorando a desterritorializa&ccedil;&atilde;o e o confronto com a hegemonia pol&iacute;tica.</p>     <p>Jos&eacute; Cirillo (Esp&iacute;rito Santo, Brasil) estuda, em &quot;O redondo, o interior e o exterior: materializa&ccedil;&otilde;es do desejo na escultura monumento &#39;Tocar o Sol&#39;, de Quintino Sebasti&atilde;o,&quot; a obra deste escultor bem influente na forma&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica em Lisboa (Sociedade Nacional de Belas Artes), recorrendo &agrave; metodologia hermen&ecirc;utica da cr&iacute;tica gen&eacute;tica (Espagne & Werner, 1990; Salles, 2008) e &agrave; consulta dos numerosos di&aacute;rios gr&aacute;ficos disponibilizados em linha pelo escultor.</p>     <p>O artigo &quot;Marcos Covelo: &#39;painting <s>with</s>  without paint&#39;,&quot; de Marta L&oacute;pez (Vigo, Espanha) aborda o percurso enquadrado nos estudos de mestrado daquele artista e das suas explora&ccedil;&otilde;es em torno dos limites da materialidade pict&oacute;rica e da sua nega&ccedil;&atilde;o (Fern&aacute;ndez Fari&ntilde;a, 2011) incorporando ao mesmo tempo uma forte contextualiza&ccedil;&atilde;o social e pol&iacute;tica. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Fernanda Grigolin (S&atilde;o Paulo, Brasil) em <i>&quot;&#39;Tudo est&aacute; relacionado&#39;</i> de Andr&eacute; Penteado&quot; reflete sobre as liga&ccedil;&otilde;es entre a foto da ativista negra Angela Davis com os demais elementos do atlas warburguiano que se estende pelo espa&ccedil;o de uma instala&ccedil;&atilde;o de Andr&eacute; Penteado. </p>     <p>Em &quot;Silencio en la Casa-escondite de Yolanda R&iacute;os Coello,&quot; Ventura Alejandro P&eacute;rez (Vigo, Espanha) compara a instala&ccedil;&atilde;o com os posicionamentos espaciais presentes na representa&ccedil;&atilde;o ocidental: o posicionamento do corpo integra um sentido.</p>     <p>Carmen Garc&iacute;a & Isabel Hidalgo (Lima, Per&uacute;) no artigo &quot;B&uacute;squeda de la identidad en las instalaciones y expresiones de Eduardo Tokeshi, artista visual peruano&quot; abordam as &quot;caixas&quot; producidas pelo artista que abarcam as misturas &quot;chichas,&quot; as hibrida&ccedil;&otilde;es andinas de cores e etnias, e que ao mesmo tempo se enquadram na busca dos vest&iacute;gios coloridos de um homem &#8211; <i>el hombre invisible</i>.</p>     <p>No artigo &quot;Fragmentaci&oacute;n como interferencia en la obra de Salom&eacute; Nascimento,&quot; a autora Natalia Garc&iacute;a (Vigo, Espanha) aborda a obra da portuguesa Salom&eacute; Nascimento (n. 1970) que revisita os documentos da escola, alargando o suporte do livro de artista at&eacute; abranger uma totalidade ampla e fragment&aacute;ria.</p>     <p>Juan Loeck (Vigo, Espanha) em &quot;Tiempo de d&iacute;pticos: an&aacute;lisis del trabajo fotogr&aacute;fico-procesual del artista pl&aacute;stico Rub&eacute;n Ramos Balsa&quot; apresenta a indaga&ccedil;&atilde;o deste fot&oacute;grafo que explora os significados da &quot;mensagem sem c&oacute;digo&quot; (Barthes, 2009), especificamente a sua inquieta&ccedil;&atilde;o entre a imagem e o que foi fotografado. As imagens duplas parecem querer actualizar o <i>memento mori</i> (Sontag, 1986:23) numa semiose conceptual de limites quase impercet&iacute;veis. </p>     <p>No texto &quot;La importancia del lugar en la obra de Carlos Rodr&iacute;guez-M&eacute;ndez,&quot; Rom&aacute;n Corbato (Vigo, Espanha) analisa o trabalho daquele autor galego radicado na Noruega. As suas interven&ccedil;&otilde;es nas casas da Galiza registadas em s&eacute;ries fotogr&aacute;ficas convidam a um olhar atento e a uma an&aacute;lise ao desconforme, ao inadaptado, ao reapropriado, ao desviado.</p>     <p>Carlos Correia (Lisboa, Portugal) debru&ccedil;a-se sobre &quot;A pintura reflexiva de Gil Heitor Cortes&atilde;o&quot; interrogando os seus suportes que agem como janelas por onde espreitamos a tinta. E atr&aacute;s desta vemos cidades indistintas, para&iacute;sos abandonados, vis&otilde;es coloniais dist&oacute;picas que persistem como fantasmas de concreto.</p>     <p>Prud&ecirc;ncia Coimbra (Porto, Portugal) no artigo &quot;&Aacute;lvaro Lapa: a imagem e o compromisso com a literatura&quot; estuda a import&acirc;ncia do texto e da sua integra&ccedil;&atilde;o no universo pict&oacute;rico de &Aacute;lvaro Lapa. Pode-se ver as letras da tinta.</p>     <p>Alfredo Nicolaiewsky introduz, em &quot;Barr&atilde;o e Bordallo: um di&aacute;logo&quot; uma interessante liga&ccedil;&atilde;o estabelecida entre o artista brasileiro Barr&atilde;o e a obra do ceramista portugu&ecirc;s do s&eacute;culo XIX Rafael Bordallo Pinheiro. A <i>terrina No&eacute;</i> transporta, e resgata liricamente, os seus bichos, no dil&uacute;vio p&oacute;s-moderno. </p>     <p>No texto &quot;A Pot&ecirc;ncia transformadora do &#39;Caboclo de Arthur Scovino,&#39;&quot; Orlando Maneschy (Par&aacute;, Brasil) apresenta as performances participadas nas ruas de Salvador: <i>levando os elep&ecirc;s da Gal para passear</i> &#8230;  &eacute; ao mesmo tempo uma afirma&ccedil;&atilde;o <i>camp</i> e o seu contr&aacute;rio. O que &eacute; importante &eacute; o que &eacute; menos importante, o ritual inventado, o objeto re-semantizado, o c&oacute;digo que procura a sua subcultura, sempre mais ou menos festivo e ostensivamente in&uacute;til. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Importa, nestes contextos abordados, nestas diferentes propostas art&iacute;sticas, sempre identit&aacute;rias e interpeladoras, recordar o conceito de <i>Camp</i>: </p>     <blockquote><i>De facto, a ess&ecirc;ncia do</i> Camp <i>&eacute; o seu amor pelo desnatural: pelo artif&iacute;cio e pelo exagero. E o</i> Camp <i>&eacute; esot&eacute;rico &#8211; uma esp&eacute;cie de c&oacute;digo privado, um distintivo de identifica&ccedil;&atilde;o at&eacute;, entre as pequenas seitas urbanas.</i> &#91; &#8230; &#93; <i>O gosto</i> Camp <i>&eacute; uma esp&eacute;cie de amor, amor pela natureza humana. Saboreia, em vez de julgar, os pequenos triunfos e a desajeitada intensidade da &quot;personagem&quot;</i> &#91; &#8230; &#93; (Sontag 2004:315; 336). </blockquote>     <p>Fica patente, neste itiner&aacute;rio pleno de liga&ccedil;&otilde;es entre pessoas, culturas, passados e presentes, a arte: uma liga&ccedil;&atilde;o intermitente com os objetos, os materiais, que ora se tornam vest&iacute;gios, festivos, ora cifrados, ora mediatizadores de uma liga&ccedil;&atilde;o mais profunda que radica na condi&ccedil;&atilde;o humana.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Adorno, Theodor & Horkheimer, Max (1985) <i>Dial&eacute;ctica do esclarecimento</i>. S&atilde;o Paulo: Zahar. Isbn: ISBN: 857110414X&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1439545&pid=S1647-6158201600020000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Barthes, Roland (2009) &quot;A ret&oacute;rica da imagem&quot;, in <i>O &Oacute;bvio e o Obtuso</i>. Lisboa: Ed. 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1439546&pid=S1647-6158201600020000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bruno, Giuliana (2014) &quot;The Surface Tension of Media: Texture, Canvas, Screen.&quot; In Bruno, Giuliana (2014) <i>Surface: matters of aesthetics, materiality, and media.</i> Chicago: The University of Chicago Press. ISBN: 9780226104942&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1439548&pid=S1647-6158201600020000100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Eco, Umberto (2004) <i>Os limites da interpreta&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa: Difel. ISBN: 9789722906982&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1439549&pid=S1647-6158201600020000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Espagne, Michel & Werner, Michael (1990) &quot;Ce que taisent les manuscrits: les fiches de Walter Benjamin et le mythe des Passages.&quot; In Didier, B. & Neefs, J. (Ed.) (1990) <i>Penser, Classer, Ecrire</i>. Coll. Les Manuscrits Modernes. Paris: Presses Universitaires de Vincennes, p. 105-118.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1439550&pid=S1647-6158201600020000100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Fern&aacute;ndez Fari&ntilde;a, Almudena (2011) <i>Lo que la pintura no es: la l&oacute;gica de la negaci&oacute;n como afirmaci&oacute;n del campo expandido en la pintura.</i> Col. Arte & Est&eacute;tica 28. Pontevedra: Deputaci&oacute;n de Pontevedra. ISBN: 978-84-8457-356-2&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1439552&pid=S1647-6158201600020000100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Flusser, Vil&eacute;m (1985) <i>Filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia.</i> S&atilde;o Paulo: Hucitec.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1439553&pid=S1647-6158201600020000100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Salles, Cec&iacute;lia Almeida. (2008) <i>Cr&iacute;tica Gen&eacute;tica</i>: <i>fundamentos dos estudos gen&eacute;ticos sobre o processo de cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica</i>. 3&ordf; ed. revista. S&atilde;o Paulo: EDUC.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1439555&pid=S1647-6158201600020000100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Saussure, Ferdinand (2006) <i>Curso de lingu&iacute;stica geral</i>. Lisboa: Dom Quixote. ISBN: 9789722000567&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1439557&pid=S1647-6158201600020000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Sontag, Susan (1986) <i>Ensaios Sobre Fotografia</i>. Lisboa: Dom Quixote.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1439558&pid=S1647-6158201600020000100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Sontag, Susan (2004) &quot;Notas sobre o camp.&quot; In <i>Contra a Interpreta&ccedil;&atilde;o e Outros Ensaios</i>. Lisboa: G&oacute;tica, pp 315-36. ISBN: 9789727921027&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1439560&pid=S1647-6158201600020000100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>Enviado a 12 de janeiro de 2016 e aprovado a 13 de janeiro de 2016.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:joao.queiroz@fba.ul.pt">joao.queiroz@fba.ul.pt</a> (Jo&atilde;o Paulo Queiroz)</p>      ]]></body><back>
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