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<institution><![CDATA[,Universidade de Lisboa Faculdade de Belas-Artes Centro de Investigação e Estudos em Belas-Artes (CIEBA)]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Dom João Marcos (b. 1944), coadjutor Bishop of the Diocese of Beja, with artistic training in Fine Arts Painting, has been making many notable altarpieces. Above all, his way of operating privileges the sublime moments of open mind in harmony with the spiritual dimension of man and life. As part of a Western culture eminently Christian, the matrix of his painting is integrated in the aesthetic of a Neocatechumenal Way, a sizeable branch of the Vatican Council II.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>D. Jo&atilde;o Marcos: Bispo e pintor de ret&aacute;bulos hoje</b></p>     <p><b>D. Jo&atilde;o Marcos: Bishop and painter of altarpieces today</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Il&iacute;dio Salteiro&#42;</b></p>     <p>&#42;Portugal, artista pl&aacute;stico / pintor. Membro do conselho editorial da revista. Licenciatura em Artes-Pl&aacute;sticas / Pintura, Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa (ESBAL). Mestrado em Historia da Arte, Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas. Doutoramento em Belas-Artes Pintura, Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas-Artes (FBAUL).</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas-Artes, Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e Estudos em Belas-Artes (CIEBA). Largo da Academia Nacional de Belas-Artes, 1249-058, Lisboa, Portugal. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b> </p>     <p>Dom Jo&atilde;o Marcos (n. 1944), Bispo coadjutor da diocese de Beja, com forma&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica em Artes Pl&aacute;sticas Pintura, possui uma obra retabular not&aacute;vel. Os seus modos de operar privilegiam acima de tudo os momentos sublimes do fazer em franca sintonia com a dimens&atilde;o espiritual do homem e da vida. No &acirc;mbito de uma cultura ocidental, de matriz eminentemente crist&atilde;, a sua pintura &eacute; integr&aacute;vel na est&eacute;tica do Caminho Neocatecumenal, um ramo consequente do Conc&iacute;lio do Vaticano II.</p>     <p><b>Palavras chave:</b> Jo&atilde;o Marcos, bispo pintor, ret&aacute;bulo, arte contempor&acirc;nea, religi&atilde;o, cristianismo. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b> </p>     <p>Dom Jo&atilde;o Marcos (b. 1944), coadjutor Bishop of the Diocese of Beja, with artistic training in Fine Arts Painting, has been making many notable altarpieces. Above all, his way of operating privileges the sublime moments of open mind in harmony with the spiritual dimension of man and life. As part of a Western culture eminently Christian, the matrix of his painting is integrated in the aesthetic of a Neocatechumenal Way, a sizeable branch of the Vatican Council II.</p>     <p><b>Keywords</b>: Jo&atilde;o Marcos, bishop painter, altarpiece, contemporary art, religion, Christianism.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>D. Jo&atilde;o Marcos nasceu em 1949, na aldeia de Monteperobolso, em Almeida no distrito da Guarda em Portugal. Fez a forma&ccedil;&atilde;o religiosa nos semin&aacute;rios de Santar&eacute;m, de Almada, dos Olivais e no Instituto Superior de Estudos Teol&oacute;gicos de Lisboa. Paralelamente realizou entre 1972 e 1976 a forma&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica em Artes-Pl&aacute;sticas Pintura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (ESBAL), atual Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL).</p>     <p>Ordenado sacerdote em 1974, foi p&aacute;roco no Milharado, em Camarate e na Apela&ccedil;&atilde;o entre 1985 e 2002, foi diretor espiritual no Semin&aacute;rio dos Olivais desde 1995 e no Semin&aacute;rio Redemptoris Mater desde 2001 at&eacute; 2014. Foi membro do Conselho Presbiteral do Patriarcado de Lisboa desde 2001 e c&oacute;nego do Cabido da S&eacute; Patriarcal de Lisboa de 2003 a 2014. Em 10 de novembro de 2014 foi nomeado Bispo Coadjutor da Diocese de Beja. Nestes lugares e em todos estes cargos a sua atividade art&iacute;stica deixou marcas. Deixou Obra enquanto Arte nascida da profundidade da sua F&eacute;.</p>     <p>Os anos 70 foram uma d&eacute;cada pulverizada por diversos fatores como a guerra colonial, para a qual todos tinham uma participa&ccedil;&atilde;o anunciada, as consequ&ecirc;ncias de um Conc&iacute;lio Ecum&eacute;nico, as ramifica&ccedil;&otilde;es culturais do <i>Maio de 68</i> e uma revolu&ccedil;&atilde;o transformadora dos modos de estar, ver e compreender o mundo. Neste contexto, o tempo decorrido entre 1972 e 1976 correspondeu a anos conturbados, em Portugal e no mundo, tanto antes de 1974 como depois, com reformas e adapta&ccedil;&otilde;es aos novos tempos. Nesta onda de mudan&ccedil;as, coube a Jo&atilde;o Marcos ser padre e ser artista, apesar de como artista se colocar num patamar muito especial: &quot;Eu sou apenas o pincel ou a tinta que Cristo usa, mas &eacute; sempre Ele o artista&quot; (apud <i>A Voz da Verdade</i>, 2014).</p>     <p>A op&ccedil;&atilde;o pela vida religiosa antecedeu a forma&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica. A aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; Pintura &eacute; uma consequ&ecirc;ncia natural de as igrejas tamb&eacute;m serem espa&ccedil;os de Arte, lugares de beleza, lugares diferenciados, <i>lugares-tempo.</i> Espa&ccedil;os plenos de coisas deslumbrantes aos olhos, ao pensamento e ao esp&iacute;rito. Em todas as igrejas os ret&aacute;bulos s&atilde;o objetos de destaque, livros abertos, momentos de visualidades, obras que louvam Deus e demonstram a f&eacute; dos homens. N&atilde;o ser&aacute; isto o mais relevante da coisa art&iacute;stica?</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Contexto hist&oacute;rico</b></p>     <p>Em Portugal, a Igreja de Nossa Senhora de F&aacute;tima em Lisboa, projetada pelo arquiteto Pardal Monteiro, integrando obras de v&aacute;rios artistas, nomeadamente Almada Negreiros, marcou em 1933-38 o in&iacute;cio da modernidade nos espa&ccedil;os religiosos. Posteriormente, nos anos 50, foi decisivo o papel Movimento de Renova&ccedil;&atilde;o da Arte Religiosa (MRAR), fundado por Nuno Teot&oacute;nio Pereira (Pereira, 2000) em v&eacute;speras do Conc&iacute;lio Vaticano II.</p>     <p>Este Conc&iacute;lio, que se prolongou entre 1962 e 1965, convocado por Jo&atilde;o XXIII e conclu&iacute;do por Paulo VI, foi posto em pr&aacute;tica por Jo&atilde;o Paulo II, Bento XVI e ainda hoje pelo Papa Francisco. Nele sopraram os ventos do Esp&iacute;rito que v&atilde;o reformulando a vida da Igreja e tendo consequ&ecirc;ncias diretas ou indiretas no desenho do mundo.</p>     <p>Em 1964 o pintor Kiko Arg&uuml;ello, nascido em Leon em 1939, fundou um movimento religioso muito din&acirc;mico, imbu&iacute;do de uma est&eacute;tica muito caracter&iacute;stica. Este movimento, designado por Caminho Neocatecumenal, tem como objetivo suscitar nos crist&atilde;os uma f&eacute; adulta cultivada em pequenas comunidades, na sua vertente evangelizadora e batismal. Um movimento ao qual a pr&aacute;tica pastoral de Jo&atilde;o Marcos se encontra ligada, com consequ&ecirc;ncias vis&iacute;veis e evidentes na sua obra pict&oacute;rica.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>2. Obra pict&oacute;rica</b></p>     <p>Ordenado sacerdote em 23 de junho de 1974, Jo&atilde;o Marcos tamb&eacute;m tem tido como miss&atilde;o providenciar a presen&ccedil;a da arte do seu tempo no espa&ccedil;o religioso crist&atilde;o. Reconhece que </p>     <blockquote><i>as pinturas e esculturas que admiramos nos nossos museus s&atilde;o maioritariamente obras de arte crist&atilde;, e as igrejas s&atilde;o, quase sempre, os edif&iacute;cios mais belos das nossas cidades, vilas e aldeias</i> ( &#8230; ) <i>Para n&oacute;s crist&atilde;os, a beleza n&atilde;o &eacute; um luxo que possamos dispensar; &eacute; pr&oacute;pria da nossa condi&ccedil;&atilde;o de filhos de Deus. N&atilde;o basta que a f&eacute; nos ilumine a intelig&ecirc;ncia e que a vontade aprenda a obedecer, n&atilde;o nos bastam a doutrina e a moral para darmos ao mundo sinais de que o Reino de Deus j&aacute; est&aacute; presente. &Eacute; necess&aacute;ria a beleza</i> (Marcos, 2015). </blockquote>     <p>Jo&atilde;o Marcos possui uma obra de pintura not&aacute;vel simultaneamente pela qualidade e pela discri&ccedil;&atilde;o. A qualidade adv&eacute;m de um saber adquirido e de uma pr&aacute;tica continuada e persistente, desde os anos 80, com a responsabilidade da interven&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica nos espa&ccedil;os religiosos crist&atilde;os ao servi&ccedil;o da F&eacute; e das comunidades. A discri&ccedil;&atilde;o adv&eacute;m da satisfa&ccedil;&atilde;o sentida no ato do fazer, como momento de ora&ccedil;&atilde;o ou reflex&atilde;o, onde a intimidade se confronta consigo pr&oacute;pria. Mas em ambas as situa&ccedil;&otilde;es se verificam op&ccedil;&otilde;es que deixam antever uma profunda consci&ecirc;ncia sobre quais os modos que deve assumir o objeto art&iacute;stico nas igrejas, de acordo com uma est&eacute;tica crist&atilde;.</p>     <p>Nos seus ret&aacute;bulos procura cruzar a tradi&ccedil;&atilde;o iconogr&aacute;fica crist&atilde; com a express&atilde;o do pensamento atual sobre a necessidade na beleza nos espa&ccedil;os das liturgias (Marcos, 2005). A sua obra art&iacute;stica encontra-se no centro do pa&iacute;s, entre Lisboa e Merceana, a regi&atilde;o que o acolheu e onde exerceu a maior parte do seu sacerd&oacute;cio. Mas esta produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica n&atilde;o se trata do exerc&iacute;cio de dois minist&eacute;rios em paralelo, o sacerdote e o pintor. Muito menos se trata de uma delas servir para sustentabilidade da outra. E ainda menos se trata de uma mera ocupa&ccedil;&atilde;o de tempo. Os modos de operar de Jo&atilde;o Marcos correspondem ao de um artista totalmente ao servi&ccedil;o da Igreja, privilegiando acima de tudo o momento sublime do fazer em franca sintonia com a dimens&atilde;o espiritual do homem convicto da sua F&eacute; e crente numa atividade art&iacute;stica como momento de ora&ccedil;&atilde;o. Os seus ret&aacute;bulos acabam por ser o resultado da sua miss&atilde;o. A miss&atilde;o de edificar, de construir e de oferecer uma abertura para o mist&eacute;rio de Cristo e da Igreja. Neles acontece o recuperar da tradi&ccedil;&atilde;o iconogr&aacute;fica crist&atilde; apresentada em linguagem pr&oacute;pria dos tempos de hoje (Silva, 2001), mas porventura com alguma densidade critica em rela&ccedil;&atilde;o a outras solu&ccedil;&otilde;es est&eacute;ticas contempor&acirc;neas ocorridas no espa&ccedil;o religioso crist&atilde;o, mais pr&oacute;ximas dos valores profanos do mundo da arte.</p>     <p>Da vasta produ&ccedil;&atilde;o de Jo&atilde;o Marcos destacam-se a tape&ccedil;aria <i>Ressurrei&ccedil;&atilde;o</i> (1985) na igreja de Rio Maior, <i>O Mist&eacute;rio do Pentecostes</i> (1986) na igreja de Casais Brancos da freguesia de Aldeia Galega da Merceana, <i>An&aacute;stasis</i> (1989) na igreja da Sagrada Fam&iacute;lia no Bairro da Tabaqueira em Rio de Mouro, <i>Em Nome do Pai do Filho e do Esp&iacute;rito Santo</i> (1991) na igreja de Casais da Serra na freguesia do Milharado, concelho de Mafra, <i>O Mist&eacute;rio da Igreja (</i>1992)naigreja da Benedita concelho de Alcoba&ccedil;a, <i>O T&uacute;mulo Aberto</i> (1992) na igreja do Semin&aacute;rio de Penafirme concelho de Torres Vedras (<a href="#f1">Figura 1</a>), <i>O Mist&eacute;rio da Cruz</i> (2003) na igreja de Roussada, Mafra (<a href="#f2">Figura 2</a>), <i>A Dormi&ccedil;&atilde;o da Virgem</i> (2004) na capela de Calvos, freguesia do Milharado, Mafra, <i>A Vida Manifestou-se</i> (2005) na igreja da Apela&ccedil;&atilde;o, Loures. <i>Servir</i> (2008) na C&uacute;ria Diocesana de Set&uacute;bal, <i>Cristo Pantocrator</i> (2005) na igreja da Ramada, Odivelas. (<a href="#f3">Figura 3</a>), <i>A P&aacute;scoa do Senhor</i> (2009) na igreja de Alfornelos, Amadora. (<a href="#f4">Figura 4</a>), <i>O Batismo de Jesus</i> (2013) na igreja de Ribamar da Lourinh&atilde; (<a href="#f5">Figura 5</a>), <i>O Mist&eacute;rio da Virgem Maria</i> (2013) na igreja de Nossa Senhora de F&aacute;tima do Jeromelo, Milharado, Mafra, <i>A De&eacute;sis</i> (2013) na igreja da P&oacute;voa da Galega, Milharado, Mafra, e <i>Deus &eacute; Amor</i> (2014) na igreja da Brandoa, Amadora.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v7n14/7n14a02f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v7n14/7n14a02f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v7n14/7n14a02f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v7n14/7n14a02f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v7n14/7n14a02f5.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas foram constru&iacute;das in&uacute;meras igrejas onde as imagens se encontram remetidas &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de mobili&aacute;rio acess&oacute;rio ou dispens&aacute;vel ao culto, enquanto nas igrejas de &eacute;pocas passadas por vezes s&atilde;o utilizadas como fatores de legitima&ccedil;&atilde;o (Blanchy, 2004). Tais entendimentos n&atilde;o se encontram nos ret&aacute;bulos de Jo&atilde;o Marcos porque s&atilde;o obras aut&oacute;nomas, incutidas de uma dimens&atilde;o espiritual centrada na sua pr&oacute;pria delimita&ccedil;&atilde;o geom&eacute;trica, harmonizadas por simetrias formais e crom&aacute;ticas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. S&iacute;mbolo, drama, doxologia</b></p>     <p>Na paisagem rural portuguesa dos anos 50 e 60, pontuada por mosteiros, conventos, capelas, igrejas e catedrais, &eacute; poss&iacute;vel uma aproxima&ccedil;&atilde;o ao mundo das coisas belas, da mem&oacute;ria e do sublime. O deslumbramento por essas coisas, diferentes do mundo comum, pode ser experimentado nas igrejas, como museus repletos de d&aacute;divas, de arte, nem armazenada nem exposta, apenas como suporte de di&aacute;logos e ora&ccedil;&otilde;es.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O desfrute est&eacute;tico que esses espa&ccedil;os propiciam atrav&eacute;s de imagens perenes aliadas a acontecimentos c&eacute;nicos transit&oacute;rios, fascina e aproxima o homem do divino e do art&iacute;stico simultaneamente. Umas vezes reconhecemo-nos no templo, outras vezes reconhecemo-nos no museu (Pousseur, 1999).</p>     <p>No 41&ordm; Encontro Nacional de Pastoral Lit&uacute;rgica Jo&atilde;o Marcos refere que  &#8230; &quot;vivemos hoje um tempo de gra&ccedil;a em que &eacute; poss&iacute;vel recuperarmos as ra&iacute;zes da iconografia crist&atilde;, superar o div&oacute;rcio secular entre a Est&eacute;tica e a Teologia e deixar para tr&aacute;s os equ&iacute;vocos e desencontros que os nossos antepassados tiveram de suportar&quot; &#8230; .Esta mat&eacute;ria &ndash; arte, est&eacute;tica e cristianismo &ndash; foi objeto de estudo para Hans Urs von Balthasar (1905-1988), um importante te&oacute;logo que estar&aacute; na base conceptual de not&aacute;veis realiza&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas, de artistas como Rupnik (1954), Sieger K&ouml;der (1925-2015) ou Kiko Arg&uuml;ello (Marcos, 2015), e tamb&eacute;m Jo&atilde;o Marcos.</p>     <p>Uma recupera&ccedil;&atilde;o das ra&iacute;zes da iconografia crist&atilde; feita pela palavra e pela imagem. Uma obra art&iacute;stica com um impl&iacute;cito sentido de d&aacute;diva e de louvor, e com uma grande sensibilidade est&eacute;tica organizada por um entendimento simb&oacute;lico da vida crist&atilde;, onde espetacularidades barrocas n&atilde;o servir&atilde;o. A prop&oacute;sito do ret&aacute;bulo <i>O T&uacute;mulo Aberto,</i> na igreja do Semin&aacute;rio de Penafirme (<a href="#f1">Figura 1</a>), escreve </p>     <blockquote> ( &#8230; ) <i>Quem, habituado a outras formas de arte religiosa, se aproximar desta pintura buscando representa&ccedil;&otilde;es historicistas e alegorias moralizadoras, certamente se dar&aacute; conta de que n&atilde;o passa por a&iacute; o discurso nem o percurso aqui apresentado. Estas imagens s&atilde;o s&iacute;mbolos que condensam a catequese da Igreja</i> (Marcos, 1993). </blockquote>     <p>Pode dizer-se que Jo&atilde;o Marcos &quot;recria uma iconografia de raiz intemporal e essencialista, na tradi&ccedil;&atilde;o iconol&oacute;gica protocrist&atilde;, com passagens eletivas pela iconologia bizantina, por Giotto e por Cimabue&quot; (Silva, 2001), ao mesmo tempo que se reconhece que </p>     <blockquote><i>o aspeto mais interessante do trabalho deste autor consiste na sua linguagem pict&oacute;rica que se baseia nos &iacute;cones ortodoxos. Trata-se de uma atitude est&eacute;tica que merece reflex&atilde;o, por ser uma tentativa de unir a tradi&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica crist&atilde;, no que ela tem de mais espiritual, com uma express&atilde;o contempor&acirc;nea</i> (Men&eacute;res, 2000). </blockquote>     <p>Na sua obra n&atilde;o se abordam as quest&otilde;es da representa&ccedil;&atilde;o, da espetacularidade e da genialidade, fatores enfatizados desde o s&eacute;culo XV at&eacute; &agrave; atualidade. Escrevem-se e pintam-se as <i>palavras</i> e as imagens como met&aacute;foras e par&aacute;bolas em livros abertos. Estes ret&aacute;bulos deixam-nos claramente perceber um processo de feitura essencial, onde o artista se encontra num estado de plena franqueza, de reflex&atilde;o e de ora&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Admitindo n&atilde;o existir um estilo crist&atilde;o, porque o cristianismo sempre aceitou e soube expressar-se nos estilos de todas as &eacute;pocas, Jo&atilde;o Marcos refere-se a uma <i>Ontologia da Beleza</i> e a uma Est&eacute;tica Crist&atilde; caracterizada por tr&ecirc;s palavras: s&iacute;mbolo, drama e doxologia (Marcos, 2015). Efetivamente estas categorias encontram-se tanto na obra de Jo&atilde;o Marcos, como na est&eacute;tica do Caminho Neocatecumenal, o movimento fundado em 1964 por Kiko Arg&uuml;ello, e definido por Jo&atilde;o Paulo II como <i>&quot;</i>um itiner&aacute;rio de forma&ccedil;&atilde;o cat&oacute;lica, v&aacute;lida para a sociedade e para os tempos de hoje<i>&quot;.</i> Este movimento pretende renovar a Igreja, atrav&eacute;s de uma Inicia&ccedil;&atilde;o Crist&atilde; num tempo em que o conceito de aldeia global se generaliza, recuperando e reatualizando uma est&eacute;tica radicada nas decis&otilde;es do II Conc&iacute;lio de Niceia em 787.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O entendimento da igreja como lugar do sublime e do excecional na condi&ccedil;&atilde;o humana, entendida tanto como palavra tanto como imagem, est&aacute; expresso nas palavras de Jo&atilde;o Marcos quando afirma que &quot;tudo surgiu pela via est&eacute;tica ( &#8230; ) Sempre gostei do que &eacute; bonito... toda a gente gosta ( &#8230; ) Na minha terra, numa aldeia pobre, o que h&aacute; de bonito e de diferente? A Igreja, com imagens dos santos, as talhas douradas, os c&acirc;nticos&quot; (apud <i>A Voz da Verdade</i>, 2014).</p>     <p>No &acirc;mbito de uma cultura ocidental, de matriz eminentemente crist&atilde;, herdeira e integradora de tradi&ccedil;&otilde;es culturais anteriores, os ret&aacute;bulos de Jo&atilde;o Marcos s&atilde;o f&eacute; celebrada, catequese pintada e vida manifestada, com uma evidente dimens&atilde;o simb&oacute;lica, dram&aacute;tica e doxol&oacute;gica. S&atilde;o express&atilde;o de uma est&eacute;tica crist&atilde; atual em que a Beleza &eacute; sin&oacute;nimo de Gl&oacute;ria divina, esplendor do encontro da Verdade e do Bem, e em que a subjetividade do artista est&aacute; aberta para a comunidade que serve, oferecendo aos seus olhos uma express&atilde;o do mist&eacute;rio escutado e celebrado.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b> </p>     <!-- ref --><p><i>A Voz da Verdade</i> (2014) &quot;D. Jo&atilde;o Marcos nomeado Bispo Coadjutor de Beja: &#39;&Eacute; sempre Ele o artista.&#39;&quot;&#91;em linha&#93; jornal, Patriarcado de Lisboa. &#91;Consult. 2015-12-12&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.vozdaverdade.org/mobile/link1.php?id=4249" target="_blank">http://www.vozdaverdade.org/mobile/link1.php?id=4249</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1439646&pid=S1647-6158201600020000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Blanchy, L. (2004). <i>Les Expositions d&#39;art contemporain dans les lieux de culte.</i> Grignan: Les &Eacute;ditions Cumplicit&eacute;s.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1439647&pid=S1647-6158201600020000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Figueiredo, Pe. Ricardo (Ed.) (2015) <i>D. Jo&atilde;o Marcos: Imagens da f&eacute;, percursos iconogr&aacute;ficos, teol&oacute;gicos e pastorais,</i> Lisboa: Paulus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1439649&pid=S1647-6158201600020000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Jo&atilde;o Marcos, E. N. (1993). <i>O Ret&aacute;bulo da Igreja do Semin&aacute;rio de Penafirme.</i> Pr&oacute;-Manuscrito.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1439651&pid=S1647-6158201600020000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Marcos, D. J. (2015). &quot;As Artes ao Servi&ccedil;o da Liturgia.&quot; <i>41&ordm; Encontro Nacional de Pastoral Lit&uacute;rgica.</i> F&aacute;tima: Boletim da Pastoral Lit&uacute;rgica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1439653&pid=S1647-6158201600020000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Marcos, D. J. (2015, 26 de Fevereiro). <i>A Palavra e o P&atilde;o.</i> &#91;Consult. 2015-11-29&#93;, de Diocese de Beja: <a href="http://www.diocese-beja.pt/site/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=1382" target="_blank">http://www.diocese-beja.pt/site/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=1382</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1439655&pid=S1647-6158201600020000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Marcos, D. J. (mar&ccedil;o de 2005). &quot;A Est&eacute;tica na Celebra&ccedil;&atilde;o da Eucaristica&quot;. <i>Novellae Olivarum, O Ano da Eucaristia,</i> IV, n&ordm; 30, pp. 21-38.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1439656&pid=S1647-6158201600020000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Men&eacute;res, C. (2000). &quot;Artes Pl&aacute;sticas de Tem&aacute;tica Religiosa&quot;. In M. B. Cruz, & N. Guedes, <i>A Igreja e a Cultura Contempor&acirc;nea em Portugal</i> (pp. 43-72). Porto: Universidade Cat&oacute;lica Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1439658&pid=S1647-6158201600020000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Pereira, J. C. (2000). &quot;O Movimento de Renova&ccedil;&atilde;o da Arte Religiosa&quot;. <i>Arte e Teoria n&ordm; 1</i>, pp. 111-131.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1439660&pid=S1647-6158201600020000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Pousseur, R. (1999). <i>Les &Eacute;glises seront-elles des mus&eacute;es.</i> Paris: Les &Eacute;dition de l&#39;Atelier.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1439662&pid=S1647-6158201600020000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Silva, J. A. (2001). &quot;Pintura.&quot; In C. Azevedo, <i>Dicion&aacute;rio da Hist&oacute;ria Religiosa de Portugal.</i> Rio de Mouro: C&iacute;rculo de Leitores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1439664&pid=S1647-6158201600020000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo recebido a 30 de dezembro de 2015 e aprovado a 10 de janeiro de 2016.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:ilidio.salteiro@gmail.com">ilidio.salteiro@gmail.com</a> (Il&iacute;dio Salteiro)</p>     ]]></body>
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