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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The installation of paintings and texts intituled Cabinet of Curiosities is a proposal by the artist Rui Macedo updating hypotyposis as an exercise. The text stimulates the formation of mental images (and imaginary) through literary suggestion, affecting these images into the apparent emptiness of paintings.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Rui Macedo. Da sugest&atilde;o e do seu poder imag&eacute;tico</b></p>     <p><b>Rui Macedo: on suggestion and its imagistic power</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Margarida Prieto&#42;</b></p>     <p>&#42;Par acad&eacute;mico da Est&uacute;dio. Artista visual e coordenadora da licenciatura em Artes Pl&aacute;sticas da Universidade Lus&oacute;fona de Humanidades e Tecnologias. Membro do CIEBA.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Portugal, Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas-Artes, Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e Estudos de Belas-Artes.1249-058 Lisboa, Portugal. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b> </p>     <p>A instala&ccedil;&atilde;o de pinturas e textos que comp&otilde;em a obra Gabinete de Curiosidades &eacute; uma proposta do artista Rui Macedo que actualiza o exerc&iacute;cio de hipotipose, ou seja, que permite estimular a forma&ccedil;&atilde;o de imagens mentais (e o imagin&aacute;rio) por via da sugest&atilde;o liter&aacute;ria, plasmando estas imagens nas de uma pintura que enquadra o vazio.</p>     <p><b>Palavra-chave:</b> Rui Macedo, hipotipose, instala&ccedil;&atilde;o, pintura, site-specific</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b> </p>     <p>The installation of paintings and texts intituled Cabinet of Curiosities is a proposal by the artist Rui Macedo updating hypotyposis as an exercise. The text stimulates the formation of mental images (and imaginary) through literary suggestion, affecting these images into the apparent emptiness of paintings.</p>     <p><b>Keywords:</b> Rui Macedo, hypotyposis, installation, painting, site-specific</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Rui Macedo &eacute; um artista portugu&ecirc;s que nasceu em &Eacute;vora em 1975. O seu percurso de pintor tem vindo a focar-se na especificidade das montagens do objecto pict&oacute;rico em contextos arquitect&oacute;nicos diversos questionando o conceito <i>site-specific</i> de um modo absolutamente pertinente. Este artigo debru&ccedil;a-se sobre a sua mais recente exposi&ccedil;&atilde;o em territ&oacute;rio nacional: um <i>Gabinete de Curiosidades</i> para o Centro de Artes e Cultura de Ponte de Sor que se constitui como uma instala&ccedil;&atilde;o de pintura composta por 47 telas a &oacute;leo e acr&iacute;lico e 4 textos escritos em Garamond que ocupam uma sala com 20 metros de comprimento, 8 metros de largura e 4 metros de altura. Patente ao p&uacute;blico entre 9 de Janeiro e 27 de Fevereiro de 2016. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Gabinete de Curiosidades</b></p>     <p><i>Gabinete de Curiosidades</i> &eacute; uma instala&ccedil;&atilde;o pict&oacute;rica que ocupa integralmente uma das salas de exposi&ccedil;&otilde;es tempor&aacute;rias do CAC-Centro de Artes e Cultura de Ponte de Sor. O modo como as telas e os textos se colocam no espa&ccedil;o expositivo &eacute; fundamental para a constitui&ccedil;&atilde;o de uma totalidade que p&otilde;e em opera&ccedil;&atilde;o os conceitos pr&oacute;prios de uma exposi&ccedil;&atilde;o pict&oacute;rica onde todas as obras s&atilde;o determinadas pelo lugar que ocupam dentro do espa&ccedil;o de exposi&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>Realizadas especificamente para este evento e para este lugar, as pinturas demonstram, atrav&eacute;s do seu instalar cr&iacute;tico e pela explora&ccedil;&atilde;o <i>site-specific</i> da morfologia arquitect&oacute;nica do Centro de Artes e Cultura, o rigor do trabalho de Rui Macedo. </p>     <p>As 47 pinturas est&atilde;o organizadas por quatro linhas horizontais que percorrem o per&iacute;metro da sala (as tr&ecirc;s paredes dispon&iacute;veis). 70 cm separam, em altura, cada linha de pinturas, propondo uma equidist&acirc;ncia horizontal. A alimentar esta distin&ccedil;&atilde;o, cada linha ostenta pinturas similares, separando-se das restantes por afinidade e diferen&ccedil;a (<a href="#f1">Figura 1</a>). </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v7n15/7n15a02f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A linha mais alta mostra sete pinturas, cada uma com 40 x 150 cm, posicionadas rente ao tecto para iludir que a representa&ccedil;&atilde;o de um corte horizontal na tela e na composi&ccedil;&atilde;o &eacute; uma interrup&ccedil;&atilde;o provocada pela arquitectura. No final desta linha, no lugar de uma oitava e &uacute;ltima pintura, e a ocupar exactamente a mesma &aacute;rea, est&aacute; colocado o seguinte texto em vinil preto autocolante:</p>     <blockquote> (...) <i>a escala desta s&eacute;rie de mapas permite um rigor na representa&ccedil;&atilde;o como nunca antes foi poss&iacute;vel. O detalhe, o pormenor, a min&uacute;cia, a precis&atilde;o e o modo singular do desenho, na express&atilde;o, na capacidade de verosimilhan&ccedil;a e na adequa&ccedil;&atilde;o caracterizam estes mapas destacando-os de outros da mesma &eacute;poca e elevando a arte da cartografia a um n&iacute;vel excepcional.</i> (Macedo, 2016, Gabinete de Curiosidades)</blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A segunda linha a contar de cima &eacute; composta por treze pinturas, cada uma com 90 x 90 cm. A sua particularidade s&atilde;o as <i>shaped canvas</i> que se ajustam a duas portas e que tomam a forma dos cantos, adossando-se &agrave; parede. Ao fundo da sala, a ocupar uma posi&ccedil;&atilde;o central, surge o seguinte texto, igualmente em vinil preto autocolante:</p>     <blockquote><i>Datadas do final do s&eacute;c. XIX foram pintadas pelo mesmo artista que retratou Dorian Grey. Est&aacute; comprovado que as obras deste pintor t&ecirc;m caracter&iacute;sticas singulares, nomeadamente a vivacidade e a (a)temporalidade. Neste caso, os modelos para cada uma destas treze pinturas s&atilde;o treze p&aacute;ssaros voadores. &Eacute; preciso cham&aacute;-los com assobios espec&iacute;ficos para que voem at&eacute; ao centro da tela e se tornem vis&iacute;veis ao nosso olhar.</i></blockquote>     <p>A terceira linha &eacute; constitu&iacute;da por vinte pinturas, com 50 x 40 cm cada. Colocada exactamente ao n&iacute;vel do olhar do observador/visitante, este alinhamento inicia-se com o seguinte texto:</p>     <blockquote><i>Estas vinte pinturas est&atilde;o hoje integralmente reunidas depois de terem sido alienadas pelos herdeiros do primeiro propriet&aacute;rio. O trabalho de pesquisa e aquisi&ccedil;&atilde;o comprova-se pelo documento vis&iacute;vel em cada uma delas. Datadas do per&iacute;odo hel&eacute;nico, foram executadas por um mestre pintor an&oacute;nimo cuja verosimilhan&ccedil;a das representa&ccedil;&otilde;es dos cachos de uva iludiam os p&aacute;ssaros. Contudo, e &agrave; semelhan&ccedil;a de outras obras de artistas engenhosos, a luz e outros elementos da natureza absorveram uns pigmentos enquanto outros emigraram, deixando a possibilidade da sua contempla&ccedil;&atilde;o em aberto ou, como op&ccedil;&atilde;o, o uso imprescind&iacute;vel de um mecanismo ocular ainda por inventar.</i></blockquote>     <p>A quarta linha de pinturas, rente ao rodap&eacute;, obedece a uma l&oacute;gica de corte e incompletude semelhante &agrave; da primeira linha, mas com refer&ecirc;ncia ao ch&atilde;o. Constitui-se por oito pinturas com 25 x 220 cm, e o seguinte texto ocupa uma posi&ccedil;&atilde;o interm&eacute;dia, sugerindo que se trata de um ciclo de pinturas:</p>     <blockquote><i>Cerca de 1327, ano em que Francesco Petrarca descreve a experi&ecirc;ncia da sua subida ao topo do Mont Ventoux, a representa&ccedil;&atilde;o paisag&iacute;stica pertencia aos longes e, inserida na l&oacute;gica forma/fundo, estava destinada ao &uacute;ltimo plano da composi&ccedil;&atilde;o pict&oacute;rica. </i>     <br><i> Este alinhamento de nove paisagens pintadas no estilo flamengo &eacute; &uacute;nico nas suas caracter&iacute;sticas: tratam-se de representa&ccedil;&otilde;es onde a vegeta&ccedil;&atilde;o luxuriante toma integralmente o primeiro plano elidindo outros temas e</i> (...) </blockquote>     <p>A peculiaridade dos dois textos integrados nos alinhamentos mais acima e mais abaixo &eacute; a sua incompletude por via de duas estrat&eacute;gias: 1) no modo agramatical do texto que inicia e termina cada texto, sugerindo que se trata de um fragmento; 2) no corte parcial de linha de texto superior e inferior, respectivamente, num acordo com a arquitectura (<a href="#f2">Figura 2</a>, <a href="#f3">Figura 3</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v7n15/7n15a02f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v7n15/7n15a02f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Este corte das letras nas linhas de texto (junto ao ch&atilde;o e rente ao tecto) &eacute; tamb&eacute;m conivente com a representa&ccedil;&atilde;o das pinturas de cada uma das s&eacute;ries e serve, por isso, a mesma ilus&atilde;o que &eacute; a de uma certa incompletude, fragmenta&ccedil;&atilde;o referente a um corte arquitect&oacute;nico. Parece que o espa&ccedil;o (em altura) n&atilde;o &eacute; suficiente para comportar quer as pinturas quer os textos no seu formato integral e, por isso, justificando o seu corte; ambos (a)parecem incompletos para caber dentro dele. </p>     <p>O t&iacute;tulo, <i>Gabinete de Curiosidades</i>, remete paraa estrat&eacute;gia de acumula&ccedil;&atilde;o de pinturas que est&aacute; patente na montagem, se bem que a sua organiza&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o obede&ccedil;a a crit&eacute;rios de simetria, em vez de encaixe, o que sublinha a instala&ccedil;&atilde;o como um todo. </p>     <p>Excepto a linha junto ao ch&atilde;o onde as pinturas ostentam paisagens, a representa&ccedil;&atilde;o em todas as restantes telas resume-se a molduras, <i>passe-partout</i>, fios e pregos que prendem os suportes &agrave; parede, sombras pr&oacute;prias e projectadas, pap&eacute;is colados e suspensos com peda&ccedil;os de fita-cola (<a href="#f4">Figura 4</a>). Nestas representa&ccedil;&otilde;es pict&oacute;ricas o artista recorre a t&eacute;cnicas que garantem uma sensa&ccedil;&atilde;o de verosimilhan&ccedil;a no observador &#8211; uma sensa&ccedil;&atilde;o que &eacute; inquietante, justamente pelo vazio proposto por uma moldura que, aparentemente, nada enquadra. Contudo, a natureza descritiva dos textos concebidos por Rui Macedo permite sugestionar a imagina&ccedil;&atilde;o do visitante e colocar a imagem pict&oacute;rica como pot&ecirc;ncia. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v7n15/7n15a02f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Da sugest&atilde;o e do seu poder imag&eacute;tico.</b></p>     <blockquote><i>Toda a arg&uacute;cia</i> &#91;...&#93; <i>est&aacute; aqui em entender a imagem como fundadora do olhar, na for&ccedil;a presentificadora que ela possui. &Eacute; portanto &agrave; visibilidade que a imagem faz apelo, que n&atilde;o se confunde com o visto mas com a sua possibilidade e, nessa medida, toca o invis&iacute;vel como pot&ecirc;ncia, como virtualidade da imagem.</i> (Marin, 1993:11) </blockquote>     <p>Todos os textos parecem ocupar o lugar de uma pintura, dentro do alinhamento a que respeitam, pois mant&ecirc;m exactamente as mesmas dimens&otilde;es em altura e em comprimento. Aquilo a que fazem refer&ecirc;ncia, mesmo os que est&atilde;o formal e literalmente incompletos, enquadra-se nos temas que constitu&iacute;ram os <i>Cabinet d&#39;Amateur</i> primitivos: elementos do reino mineral, animal e vegetal. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Numa refer&ecirc;ncia ao reino mineral, est&atilde;o os mapas. O registo cartogr&aacute;fico do terra e dos mares constitui uma actividade significativa no tempo das Descobertas, e no s&eacute;culo XVI estes desenhos incorporam colec&ccedil;&otilde;es importantes quer pela sua qualidade pl&aacute;stica e cient&iacute;fica quer pela sua utilidade. A linha de pinturas que se refere a estes documentos (rente ao tecto) distingue-se tamb&eacute;m pela representa&ccedil;&atilde;o de um <i>passe-partout</i> que sublinha o papel como suporte para o desenho cartogr&aacute;fico (em vez da tela). O <i>detalhe, o pormenor, a min&uacute;cia, a precis&atilde;o e o modo singular do desenho</i> s&atilde;o adjectivos que estimulam o imagin&aacute;rio em direc&ccedil;&atilde;o a imagens extraordin&aacute;rias e deslumbrantes. </p>     <p>Do reino animal vem a sugest&atilde;o de &quot;animais voadores&quot; aos quais se assobia. Rui Macedo opta por p&aacute;ssaros em vez de insectos ou drag&otilde;es, e prop&otilde;e um exerc&iacute;cio performativo: assobiar para ver mais. Deste modo, p&otilde;e em articula&ccedil;&atilde;o os ouvidos e os olhos, o aud&iacute;vel e o vis&iacute;vel, o som e a imagem, a m&uacute;sica e a pintura. &Eacute; a melodia do assobio que atrai at&eacute; ao centro da tela e, neste movimento, pode-se imaginar o voo de cada p&aacute;ssaro.</p>     <p>Do reino vegetal podem-se imaginar as <i>paisagens pintadas no estilo flamengo</i> ampliando a sugest&atilde;o de c&eacute;u, de nuvem e de &aacute;rvore, como se cada pintura fosse, simultaneamente, o registo directo e a (nossa) mem&oacute;ria da experi&ecirc;ncia de uma viagem pela Natureza. </p>     <p>Ainda dentro deste reino, est&aacute; o conjunto de representa&ccedil;&otilde;es de esp&eacute;cies distintas de uvas, t&atilde;o semelhantes &agrave; fruta (ao modelo) que enganam as aves. Esta verosimilhan&ccedil;a &eacute; imposs&iacute;vel de aferir pois, numa ironia com a ci&ecirc;ncia aplicada &agrave; arte, Rui Macedo informa-nos da migra&ccedil;&atilde;o dos pigmentos, da volatilidade das mat&eacute;rias e coloca-nos perante o invis&iacute;vel da pintura, literalmente. Mas a ironia vai mais longe e lan&ccedil;a o desafio &agrave; ci&ecirc;ncia: criar um dispositivo que permita ver o invis&iacute;vel das coisas.</p>     <p>Efectivamente, estes textos potenciam o imagin&aacute;rio, e &eacute; atrav&eacute;s dele que um exerc&iacute;cio de hipotipose acontece, garantindo ao visitante uma imensa satisfa&ccedil;&atilde;o ao &quot;ver&quot; pintura. </p>     <blockquote><i>Hypotyposis paints things in such a lively and energetic way that it places them before our eyes, in a sense, and turns a narrative or description into an image, a painting, or even a living scene.</i> (Fontanier, 1968: 390) </blockquote>     <p>Tamb&eacute;m a composi&ccedil;&atilde;o da instala&ccedil;&atilde;o, organizada por simetrias e espelhamentos garante uma unidade entre pinturas e textos e uma harmonia visual. A horizontalidade destes alinhamentos, que &eacute; obediente a um regime de equidist&acirc;ncias, sugere, num exerc&iacute;cio de livre associa&ccedil;&atilde;o, um ritmo e remete sobretudo para a escrita musical: assumindo a parede como uma gigante folha de papel pontuada por quatro sequ&ecirc;ncias, ora lentas, ora r&aacute;pidas, as figuras r&iacute;tmicas podem fazer-se corresponder &agrave;s &aacute;reas de cada pinturas e as (equi)dist&acirc;ncias podem assumir as pausas, os sil&ecirc;ncios ou, ainda, ecos por afinidade ao vazio, ao espa&ccedil;o entre pinturas (<a href="#f5">Figura 5</a>). </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v7n15/7n15a02f5.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Gabinete de Curiosidades</i> &eacute; uma instala&ccedil;&atilde;o pict&oacute;rica peculiar pois recorre ao exerc&iacute;cio da hipotipose para garantir a imagem pict&oacute;rica como pot&ecirc;ncia, estimulando o imagin&aacute;rio e as imagens mentais atrav&eacute;s da sugest&atilde;o liter&aacute;ria e da alus&atilde;o a um vazio pict&oacute;rico enquadrado por molduras de &eacute;poca que sustentam as imagens da percep&ccedil;&atilde;o nesta exposi&ccedil;&atilde;o. &Eacute; justamente este vazio que permite, aos observadores, plasmar as imagens mentais criadas pela imagina&ccedil;&atilde;o estimulada por hist&oacute;rias de p&aacute;ssaros, mapas e paisagens. Os textos s&atilde;o t&atilde;o eficazes quanto mais esvaziadas nos (a)parecem as pinturas: o seu espa&ccedil;o vazio &eacute; preenchido pelo imagin&aacute;rio e pela fic&ccedil;&atilde;o. </p>     <blockquote><i>A natureza m&uacute;ltipla da imagem como virtus &#8211; no sentido de uma for&ccedil;a, de uma pot&ecirc;ncia &#8211; convoca tanto o vis&iacute;vel presencial (real) na concretude de uma presen&ccedil;a ou de uma representa&ccedil;&atilde;o, como o invis&iacute;vel (mas n&atilde;o menos real) das imagens mentais.</i> (Prieto, 2012:27) </blockquote>     <p>O objectivo deste <i>Gabinetes de Curiosidades</i> &eacute; surpreender o horizonte de expectativa do visitante, surpresa alimentada pela representa&ccedil;&atilde;o pict&oacute;rica que ilude a percep&ccedil;&atilde;o visual, dando a ver o que escapa ao olhar, o que &eacute; da ordem do (in)vis&iacute;vel, numa alian&ccedil;a profunda das imagens mentais com as da percep&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Fontanier, Pierre (1968), <i>Les Figures du discours</i>, Paris, Flammarion, p. 390.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1447852&pid=S1647-6158201600030000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Marin, Louis, (2001) <i>On representation</i>. Trad. inglesa Catherine Porter. California: Stanford University Press/Stanford Calif&oacute;rnia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1447854&pid=S1647-6158201600030000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Marin, Louis (1993) <i>Des pouvoirs de l&#39;image: Gloses</i>. Paris: &Eacute;ditions du Seuil, col. L&#39;ordre philosophique.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1447856&pid=S1647-6158201600030000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Prieto, Margarida (2013), <i>A Pintura que retem a palavra</i>. &#91;Consult. 2015-12-30&#93; <a href="http://repositorio.ul.pt/handle/10451/8627" target="_blank">http://repositorio.ul.pt/handle/10451/8627</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1447858&pid=S1647-6158201600030000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo recebido a 30 de dezembro de 2015 e aprovado a 10 de janeiro de 2016</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:emam.margaridaprieto@gmail.com">emam.margaridaprieto@gmail.com</a> (Margarida Prieto)</p>      ]]></body><back>
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