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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article explores the creative processes in some works of Maya Watanabe, in particular transactions that involve cinema and visual arts. The research, the investigation field, the passage to the desk, the development of the work and the way to expose the screens in space. Maya Watanabe thinks the space, the picture, the scene, the assembly, the dimension of language, time and narrative as composition of the work force.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Processos de cria&ccedil;&atilde;o na obra de Maya Watanabe</b></p>     <p><b>Creation processes in the work of Maya Watanabe</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Sylvia Beatriz Bezerra Furtado&#42;</b></p>     <p>Brasil, artista visual, cineasta, videoartista e professora. Doutorado em Sociologia Universidade Federal do Cear&aacute; (UFC). Mestrado em Comunica&ccedil;&atilde;o pela Universidade Aut&ocirc;noma de Barcelona-UAB, Espanha. Gradua&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o pela Universidade Federal do Cear&aacute;. </p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Federal do Cear&aacute;, Instituto de Cultura e Arte, Gradua&ccedil;&atilde;o em Cinema e Audiovisual e da P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o, da linha de pesquisa Cinema e Fotografia. Av. Carapinima, 1615 &#8211; Benfica, Fortaleza &#8211; CE, 60015-290, Brasil.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b></p>     <p>Artigo explora os processos de cria&ccedil;&atilde;o em algumas obras de Maya Watanabe, em especial as opera&ccedil;&otilde;es que envolvem o cinema e artes visuais. A pesquisa, o campo de investiga&ccedil;&atilde;o, a passagem para a mesa de trabalho, o desenvolvimento da obra e o modo de expor as telas no espa&ccedil;o. Maya Watanabe pensa o espa&ccedil;o, o quadro, a cena, a montagem, a dimens&atilde;o da linguagem, o tempo e a narrativa como for&ccedil;as de composi&ccedil;&atilde;o da obra.</p>     <p><b>Palavras chave:</b> Cinema, Video instala&ccedil;&atilde;o, Maya Watanabe.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b></p>     <p>The article explores the creative processes in some works of Maya Watanabe, in particular transactions that involve cinema and visual arts. The research, the investigation field, the passage to the desk, the development of the work and the way to expose the screens in space. Maya Watanabe thinks the space, the picture, the scene, the assembly, the dimension of language, time and narrative as composition of the work force.</p>     <p><b>Keywords:</b> Cinema, video installation, Maya Watanabe.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A obra de Maya Watanabe traz para o centro do processo de cria&ccedil;&atilde;o a rela&ccedil;&atilde;o entre o que &eacute; propriamente do cinema e das artes visuais, n&atilde;o apenas porque utiliza de um e de outro campo art&iacute;stico algumas de suas ferramentas mas porque faz delas o problema mesmo de seus trabalhos. Desde a forma como monta os procedimentos de suas pesquisas, como constitui um campo de investiga&ccedil;&atilde;o, at&eacute; a passagem dos dados da pesquisa para a sua mesa de trabalho, o que se explicita &eacute; a elabora&ccedil;&atilde;o de um pensamento pl&aacute;stico e sonoro que dialoga com o cinema ao mesmo tempo que o enfrenta com na sua expans&atilde;o no espa&ccedil;o expositivo. &Eacute; desse lugar que as quest&otilde;es sobre a linguagem, o tempo, a narrativa, a identidade e alguns outros problemas que inquietam a artista derivam como obras em imagem em movimento. Assim, propomos neste texto tentar explicitar os procedimentos em algumas de suas obras, todas elas realizadas para serem expostas no espa&ccedil;o museal, em forma de videoinstala&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Maya Watanabe &eacute; uma artista nascida no Peru, em 1983, que vive entre Amsterdam, Paris e Madrid e, agora desenvolve pesquisa em T&oacute;quio. Suas obras est&atilde;o em meio a performance e filmes instalados e investigam a experi&ecirc;ncia do sil&ecirc;ncio, da fragmenta&ccedil;&atilde;o como resist&ecirc;ncia ao que modela e interrompe o sentido. Textos, imagens e extratos de filmes s&atilde;o refer&ecirc;ncias recorrentes. Por vezes, como uma quest&atilde;o da <i>mise-en-sc&egrave;ne</i> quando os corpos se p&otilde;em em formas e movimentos na paisagem urbana, como ocorre em &quot;El Contorno&quot; (2011), em que h&aacute; um exerc&iacute;cio coreogr&aacute;fico no qual cinco performers e a c&acirc;mara se relacionam no quadro filmogr&aacute;fico, numa clara refer&ecirc;ncia &agrave; posta em cena mediada pela c&acirc;mara e todas as decis&otilde;es que da&iacute; decorrem.</p>     <p>Por outro, &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o do indiscern&iacute;vel, do lacunar e da aus&ecirc;ncia que se apresenta como uma a&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria, tal como se faz, mais uma vez, na tens&atilde;o entre a cena e espa&ccedil;o, em &quot;Escenarios&quot; (2014), (<a href="#f1">Figura 1</a>). Uma v&iacute;deo instala&ccedil;&atilde;o, exposta em tr&iacute;ptico: em &quot;Escenarios I&quot;, um dos &quot;quadros&quot;, se observa um carro abandonado que pega fogo no deserto. No &quot;Escenarios II&quot;, no alto de uma colina tomadas de brumas se assiste a um cemit&eacute;rio clandestino. Em &quot;Escenarios III&quot;, entre em cena a ilha <i>El Front,</i> que abrigou uma pris&atilde;o e foi bombardeada, matando 80&#37; dos prisioneiros, quase todos do Sendero Luminoso, e que hoje se encontra interditada.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v7n15/7n15a04f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>1.  O filmogr&aacute;fico, obra por obra</b></p>     <p>No recorte desta an&aacute;lise, passamos a seguir as obras de Maya Watanabe a partir de uma linha recorrente em seus trabalhos, qual seja, o uso continuado, obra por obra, de elementos ou problematiza&ccedil;&otilde;es daquilo que, em geral e por for&ccedil;a do legado das teorias do cinema, se chama de linguagem cinematogr&aacute;fica. Essa escolha que n&atilde;o se d&aacute; ao acaso, ela deve dos pr&oacute;prios trabalhos, que, desde minha perspectiva, se resolvem como obra atrav&eacute;s de um pensamento constru&iacute;dos atrav&eacute;s das formas f&iacute;lmicas. Eis ent&atilde;o a for&ccedil;a do seu trabalho como forma pl&aacute;stica e sonora, como resultante de um problema da imagem, do desenho sonoro, dos movimentos, dos quadros, dos planos cinematogr&aacute;ficos e, atrav&eacute;s de problematiza&ccedil;&otilde;es com as l&iacute;nguas, da estrutura narrativa.</p>     <p>Eis ent&atilde;o os motivos pelos quais o processo de cria&ccedil;&atilde;o tem na sua obra um embate fundamental com o cinema que resulta sobretudo de um tipo especial de produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica, aquela que n&atilde;o apenas usa o cinema como um instrumento (uma escolha de uso com fins dirigidos a outros interesses) mas que o toma como mat&eacute;ria sens&iacute;vel. Maya Watanabe n&atilde;o usa as imagens em movimento e o desenho sonoro como ferramenta para construir algo, mas como for&ccedil;a, explorando suas possibilidades para al&eacute;m dos seus formatos hist&oacute;ricos. H&aacute; uma produ&ccedil;&atilde;o de formas, de usos, de deslocamentos de formas, que, no mais das vezes se encontra em uma forma dada em um lugar improv&aacute;vel.</p>     <p>&Eacute; nesse intermeio, no entre o formalismo cl&aacute;ssico do cinema, na sua tradi&ccedil;&atilde;o de linguagem, e as proposi&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas de Maya Watanabe que se encontra um processo de cria&ccedil;&atilde;o como pensamento das imagens em movimento. Mesmo quando o trabalho &eacute; marcado por problemas muito espec&iacute;ficos, como o embates com problemas lingu&iacute;sticos, pol&iacute;ticos, religiosos, sociais, etc., &eacute; no campo cinematogr&aacute;fico que ele toma forma e encontra seu universo sens&iacute;vel.</p>     <p>Mesmo quando a tentativa &eacute; a de encontrar uma express&atilde;o para o que ela pr&oacute;pria define como sendo quest&otilde;es identit&aacute;rias, onde se observa uma forte influ&ecirc;ncia, por exemplo, do pensamento de Ludwig Wittgenstein, quando afirma que as fronteiras de nossas l&iacute;nguas s&atilde;o as fronteiras de nossos mundos &#8211; &quot;The limits of my language, mean the limits of my world&quot; &#8211; (Wittgenstein, 1922), n&atilde;o &eacute; a ubiquidade lingu&iacute;stica mas a mat&eacute;ria f&iacute;lmica que lhe traz a resposta como obra.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>1.1  &quot;El P&eacute;ndulo&quot; (2013, 15&#39;45)</b></p>     <p>Tr&ecirc;s telas com escala superior em pelo menos duas vezes o corpo humano, posicionadas em forma de um tr&iacute;ptico pictural. Em cada uma delas, tr&ecirc;s homens se posicionam nas pontas dos tr&ecirc;s &acirc;ngulos de um tri&acirc;ngulo espacial. Est&atilde;o de costas um em rela&ccedil;&atilde;o ao outro. N&atilde;o h&aacute; referencia ao espa&ccedil;o onde se encontram, embora suas vestimentas, cal&ccedil;a e sweater, entre os tons de cinza e preto, deixem situar a sua temporalidade no tempo presente. Esses homens formam um coro de vozes que canta e recita alguns vers&iacute;culos de tr&ecirc;s livros sagrados das tr&ecirc;s grandes religi&otilde;es monote&iacute;stas: Tor&aacute;, Novo Testamento e Alcor&atilde;o.</p>     <p>Os trechos extra&iacute;dos dos livros do juda&iacute;smo, cristianismo e islamismo s&atilde;o recitados pelos tr&ecirc;s atores nas l&iacute;nguas que lhes identificam. O antigo hebreu, da Tor&aacute;; o grego, do Novo Testamento; e o &aacute;rabe antigo, do Alcor&atilde;o. O Alcor&atilde;o, como livro sagrado do Isl&atilde;o, &eacute; tomado pelos mu&ccedil;ulmanos como a palavra literal de Deus, Al&aacute;, revelada pelo profeta Maom&eacute; (Muhammad) e em &aacute;rabe significa declamar. &Eacute;, portanto, uma recita&ccedil;&atilde;o. O Novo Testamento &eacute; a segunda parte do conjunto de textos que comp&otilde;em a B&iacute;blia crist&atilde;, escrita ap&oacute;s a morte, ressurrei&ccedil;&atilde;o, e ascens&atilde;o, de Jesus Cristo. A Tor&aacute; &eacute; o texto central do juda&iacute;smo onde se encontram os relatos sobre a cria&ccedil;&atilde;o do mundo, a origem da humanidade, o pacto de Deus com Abra&atilde;o e seu filhos e a liberta&ccedil;&atilde;o dos filhos de Israel do Egito.</p>     <p>Os tr&ecirc;s atores est&atilde;o postos em cena, em cada uma das telas, se deslocando em c&iacute;rculos at&eacute; e em determinados momentos se fundem em um plano de conjunto. Os textos recitados ganham manifesta&ccedil;&otilde;es r&iacute;tmicas tradicionais a cada culto. Esse desenho de voz se faz numa progress&atilde;o que desloca o sentido dos textos ao mesmo tempo que os sons do canto e das recita&ccedil;&otilde;es se tornam indistintos e, por vezes, inaud&iacute;veis. &Eacute; esse fluxo sonoro, cujas fontes v&atilde;o se misturando e perdendo o sentido que obriga ao fruidor da obra um trabalho de efetivo de aten&ccedil;&atilde;o, de ocupa&ccedil;&atilde;o dos vazios produzidos pelo inaud&iacute;vel. &Eacute; esse jogo sonoro que produz a d&uacute;vida, o indiscernimento em rela&ccedil;&atilde;o ao que cada um diz e ao tom que alcan&ccedil;am, e ao que isso faz, o que reverbera, o que transita como lei.</p>     <p>Se o texto e as modula&ccedil;&otilde;es de vozes e a mistura das l&iacute;nguas produzem essa instabilidade que a tudo torna inintelig&iacute;vel, al&eacute;m de colocar em tens&atilde;o os lugares de cada um, suas identidades na forma de ades&atilde;o aos textos sagrados e aos povos que se formam em torno deles, &eacute; o movimento de c&acirc;mara que faz com que a circularidade, o movimento de repeti&ccedil;&atilde;o, este que se volta sobre as formas do infinito, que faz com que nunca seja poss&iacute;vel fixar um ponto de vista. Ou seja, &eacute; o movimento de c&acirc;mara, quase da ordem impercet&iacute;vel, pois extremamente ralentado, que n&atilde;o fixa, nem a imagem nem o lugar daquele que flui o trabalho. Processo que se avoluma com as passagens dos atores de uma tela a outra.</p>     <p>A obra de Maya Watanabe responde a uma pesquisa de campo, no sentido mesmo do que faz a antropologia, numa esp&eacute;cie de pedagogia do territ&oacute;rio. Ou talvez se possa dizer que o seu <i>set</i> de filmagens foi do campo &agrave; mesa de trabalho para chegar na defini&ccedil;&atilde;o da loca&ccedil;&atilde;o, da escolha dos atores, dos textos extra&iacute;dos dos livros ou de filmes, para ent&atilde;o chegar a uma defini&ccedil;&atilde;o de plano, de figurino, de movimento de c&acirc;mara, de luz, o plano de modula&ccedil;&atilde;o de voz, de luz, de enquadramento, etc.</p>     <p>Em &quot;El P&eacute;ndulo&quot; (<a href="#f2">Figura 2</a>) a estrutura narrativa &eacute; claramente informada pelo cinema moderno, aquele cujas bases se fizeram na ruptura com as linhas do tempo cont&iacute;nuo. E &eacute; justo essa fragmenta&ccedil;&atilde;o narrativa, onde textos e coros s&atilde;o tratados mais como texturas e se processam nos desenhos dados aos volumes, no trabalho dos tons e com as misturas lingu&iacute;sticas em seus diferentes ritmos, que pode fazer ver as disson&acirc;ncias do que se diz identit&aacute;rio, constituidor do indiv&iacute;duo e do coletivo.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v7n15/7n15a04f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>N&atilde;o h&aacute; um lugar fixo de onde os enunciados emitem uma s&oacute; ordem de comando. Nem mesmo um lugar espec&iacute;fico de onde eles viriam. A tela escura, sem defini&ccedil;&atilde;o nem paisagem, situa os atores em lugar nenhum. N&atilde;o h&aacute; discurso/l&iacute;ngua poss&iacute;vel. As narrativas sobre as escrituras sagradas, sua origem e suas diverg&ecirc;ncias/vertentes se perdem na estrutura espacial da cena: um mapa fragmentado, sem contexto, sem referencias.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1.2 Aphanousia (2008, 5&#39;)</b></p>     <p>Primeiro de uma s&eacute;rie, &quot;Aphanousia&quot; &eacute; uma videoinstala&ccedil;&atilde;o em que uma atriz toma para si muitas vozes que s&atilde;o &aacute;udios originados de filmes. &Eacute; um mon&oacute;logo em que a atriz, uma mulher que atua de forma automatizada, com pouqu&iacute;ssimas varia&ccedil;&otilde;es expressivas, sempre muito s&eacute;ria, e que aparece em planos m&eacute;dios ou abertos. As vozes s&atilde;o compostas por enunciados em diferentes tempos verbais e os sujeitos das falas v&atilde;o se modificando, o que produz uma multiplicidade de outros em uma s&oacute; e mesma pessoa. &quot;Aphanousia&quot;, t&iacute;tulo da obra, &eacute; um jogo de palavras gregas. Trata-se de uma montagem do prefixo <i>A,</i> de nega&ccedil;&atilde;o, com <i>pha(n),</i> de mostrar, aparecer, com <i>ousia,</i> de ess&ecirc;ncia ou subst&acirc;ncia. Montagem que &eacute; tamb&eacute;m a base de composi&ccedil;&atilde;o da obra. E se podemos tomar a montagem como a principal referencia do cinema sovi&eacute;tico, em especial o produzido por Serguei Eisenstein (2002), em &quot;Aphanousia&quot; menos do que querer fazer desse processo uma escrita da l&oacute;gica dial&eacute;tica, onde cada imagem justaposta a seguinte formaria uma terceira, que &eacute; cerebral, aqui encontro uma esp&eacute;cie de vazio, espa&ccedil;o de fissura entre duas imagens, em que n&atilde;o h&aacute; nega&ccedil;&atilde;o de uma delas em rela&ccedil;&atilde;o a outra, onde a palavra se abre ao seu pr&oacute;prio esvaziamento.</p>     <p>Soltas, desconexas, esp&eacute;cie de colcha de retalhos de m&uacute;ltiplas vozes, os textos/&aacute;udios v&atilde;o entram em jogo sem uma referencia e dessa forma v&atilde;o perdendo seu significado. O que cada &aacute;udio d&aacute; a ver s&atilde;o mais o qu&atilde;o as palavras se esvaziam de sentido &agrave; medida que saem de seus contextos e entram em conex&atilde;o com outras palavras, outras frases, outras tonalidades de vozes. Os pequenos trechos das bandas sonoras dos 23 filmes que comp&otilde;em &quot;Aphanousia&quot;, extra&iacute;das e reunidas em uma ordem arbitr&aacute;ria, se dissolvem e evocam novas outras imagens.</p>     <p>Jean-Luc Godard, John Cassavetes, Martin Campbell, Michael Bay, Frank Oz, Th&eacute;o Angelopoulos, Harold Ramis, David Fincher, Terence Malick, Todd Philips, Robert Zemeckis, Chris Marker, Isabel Coixet, Marta Kauffman & David Crane, Stephen Hopkins, Ted Demme, e Ingmar Bergman em um ou mais filmes s&atilde;o citados, num misto de homenagem ao cinema e refer&ecirc;ncia te&oacute;rica, de pensamento das imagens e sons em movimento. E ao mesmo tempo que essas cita&ccedil;&otilde;es s&atilde;o postas em circula&ccedil;&atilde;o &eacute; o sentido da linguagem, da narra&ccedil;&atilde;o, que perde sua origem. <i>Aphnousia</i> diz da palavra, da frase, do texto, como um dado do inexpressivo, do que desaparece quando est&aacute; fora de um contexto, situado.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1.3  Abrasis (2009, 5&#39;)</b></p>     <p>O mesmo movimento de deslocar o sentido do texto, dos sujeitos enunciadores, de multiplica&ccedil;&atilde;o dos muitos outros que habitam em um mesmo, pode ser experimentado em &quot;Abrasis&quot; (<a href="#f3">Figura 3</a>). Neste trabalho, isso ocorre numa estrutura narrativa realizada em duas telas paralelas, por dois atores que s&atilde;o absolutamente parecidos. Essa semelhan&ccedil;a &eacute; f&iacute;sica, altura, cor da pele e dos cabelos, barba, tipo de rosto, mas tamb&eacute;m de express&atilde;o do corpo e no rosto. S&atilde;o semelhan&ccedil;as entre dois, dois em um, um em dois, um e outro em muitos. O outro que, uma vez mais nessa s&eacute;rie, s&atilde;o falas e desenhos sonoros extra&iacute;dos de filmes e montados sobre uma nova <i>mise-en-sc&egrave;ne.</i></p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v7n15/7n15a04f3.jpg"></a>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Os dois atores ocupam o centro do quadro, na maior parte do tempo em planos frontais ou espelhados e numa mesma propor&ccedil;&atilde;o. Os seus movimentos no campo, no mais das vezes, s&atilde;o duplicados e se d&atilde;o numa mesma dire&ccedil;&atilde;o ou ainda por espelhamento. As paisagens que embora distintas t&ecirc;m a mesma composi&ccedil;&atilde;o e escalas de quadro comuns. O olhar dos atores se dirige ao fora de campo, &agrave;s vezes dirigido ao olhar centralizado do espectador e por outro relacionado a um ponto no infinito, forma de olhar que se conjuga com a express&atilde;o dura de seus rostos. H&aacute; uma dramaturgia do m&iacute;nimo, de corpos em movimentos calculados.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>&quot;Abrasis&quot;, assim como &quot;Aphanousia&quot; e &quot;Autorres&quot; (2005, 1&quot;), primeira das v&iacute;deo-instala&ccedil;&otilde;es de Maya Watanabe, &eacute; um trabalho de apropria&ccedil;&atilde;o de trechos de bandas sonoras de filmes, fonte das m&uacute;ltiplas falas dos muitos diretores que o comp&otilde;em, especialmente do cinema moderno. Esse uso tem o prop&oacute;sito claro de, em fazendo circular, em outro contexto, essas cita&ccedil;&otilde;es f&iacute;lmicas, produzir o esvaziamento dos seus sentidos originais e fazer reverberar a quest&atilde;o dos quantos Outros (l&iacute;nguas, pessoas, lugares, etc.) constituem os limites e as possibilidades do Indiv&iacute;duo e do Coletivo. &Eacute; essa a quest&atilde;o que a imagem em movimento tenta responder em suas formas f&iacute;lmicas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Eisenstein, Serguei. (2002) <i>O Sentido do Filme</i>, Zahar, Rio de Janeiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1448021&pid=S1647-6158201600030000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Watanabe, Maya (2015) <i>Maya Watanabe</i>. S&iacute;tio da artista. &#91;Consult. 2015-12-00&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.mayawatanabe.com" target="_blank">http://www.mayawatanabe.com</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1448023&pid=S1647-6158201600030000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Wittgenstein, Ludwig, (1922) <i>Tratado L&oacute;gico Filos&oacute;fico</i>, &#91;Consult. 2015-12-00&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="https://zcosmos.wordpress.com/2010/05/25/wittgenstein-tractatus-logico-philosophicus-5-6-and-5-61/" target="_blank">https://zcosmos.wordpress.com/2010/05/25/wittgenstein-tractatus-logico-philosophicus-5-6-and-5-61/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1448024&pid=S1647-6158201600030000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo recebido a 29 de dezembro de 2015 e aprovado a 10 de janeiro de 2016</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:sylviabeatrizbezerrafurtado@gmail.com">sylviabeatrizbezerrafurtado@gmail.com</a> (Sylvia Beatriz Bezerra Furtado)</p>      ]]></body><back>
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