<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1647-6158</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista :Estúdio]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Estúdio]]></abbrev-journal-title>
<issn>1647-6158</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Universidade de LisboaFaculdade de Belas-Artes]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1647-61582016000300009</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Grupo Acre, aqui nasceu (e assim finou?)]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Grupo Acre, born here (and thus ended ?)]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sabino]]></surname>
<given-names><![CDATA[Isabel]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade de Lisboa Faculdade de Belas Artes Centro de Investigação e Estudos em Belas-Artes (CIEBA)]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Lisboa ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<volume>7</volume>
<numero>15</numero>
<fpage>73</fpage>
<lpage>79</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1647-61582016000300009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1647-61582016000300009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1647-61582016000300009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Em 1977, duas obras em dois locais são decisivas na história do Grupo Acre, e expressivas da viragem gradual da sociedade portuguesa desde abril de 74. A sua análise e contextualização visam compreender raízes conceptuais e relação com o espaço para onde são pensadas, nos IV Encontros Internacionais de Arte das Caldas da Rainha, quando a violência súbita que irrompe ali assinala a suspensão da atividade do grupo. Hoje, sem lugar certo, o medo infiltra-se nos espaços públicos globais, implicando profunda reflexão sobre o destino da liberdade criativa.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In 1977, two works in two places are decisive in the history of Grupo Acre, and they are expressive of the gradual turn of the Portuguese society since April 74. Their analysis and contextualization aim to understand conceptual roots and relation with the space they have been though to, in the IV International Art Meetings of Caldas da Rainha, when violence suddenly breaks out, marking the suspension of this group's activity. Today, without map, fear seep in global public spaces, implying deep reflection about the destiny of creative freedom.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Grupo Acre]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[violência, medo]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[liberdade criativa]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Grupo Acre]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[violence]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[fear]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[creative freedom]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Grupo Acre, aqui nasceu (e assim finou?)</b>  </p>     <p><b>Grupo Acre, born here (and thus ended ?)</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Isabel Sabino&#42;</b></p>     <p>Portugal, artista visual. Licenciatura em Artes Pl&aacute;sticas/Pintura, Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (ESBAL), Agrega&ccedil;&atilde;o no 5&ordm; grupo, Pintura, ESBAL, Agrega&ccedil;&atilde;o em Belas Artes / Pintura / Composi&ccedil;&atilde;o, Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas Artes (FBAUL).</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade de Lisboa; Faculdade de Belas Artes; Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e Estudos em Belas-Artes (CIEBA). Largo da Academia Nacional de Belas Artes, 1249-058, Lisboa, Portugal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b> </p>     <p>Em 1977, duas obras em dois locais s&atilde;o decisivas na hist&oacute;ria do Grupo Acre, e expressivas da viragem gradual da sociedade portuguesa desde abril de 74. A sua an&aacute;lise e contextualiza&ccedil;&atilde;o visam compreender ra&iacute;zes conceptuais e rela&ccedil;&atilde;o com o espa&ccedil;o para onde s&atilde;o pensadas, nos IV Encontros Internacionais de Arte das Caldas da Rainha, quando a viol&ecirc;ncia s&uacute;bita que irrompe ali assinala a suspens&atilde;o da atividade do grupo. Hoje, sem lugar certo, o medo infiltra-se nos espa&ccedil;os p&uacute;blicos globais, implicando profunda reflex&atilde;o sobre o destino da liberdade criativa. </p>     <p><b>Palavras chave:</b> Grupo Acre, viol&ecirc;ncia, medo, liberdade criativa. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b> </p>     <p>In 1977, two works in two places are decisive in the history of Grupo Acre, and they are expressive of the gradual turn of the Portuguese society since April 74. Their analysis and contextualization aim to understand conceptual roots and relation with the space they have been though to, in the IV International Art Meetings of Caldas da Rainha, when violence suddenly breaks out, marking the suspension of this group&#39;s activity. Today, without map, fear seep in global public spaces, implying deep reflection about the destiny of creative freedom.</p>     <p><b>Keywords</b>: Grupo Acre, violence, fear, creative freedom.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Dois locais estabelecem as coordenadas iniciais deste texto, remetendo para agosto de 1977, nas Caldas da Rainha, perante duas obras concebidas para os IV Encontros Internacionais de Arte pelo Grupo Acre. </p>     <p>A&iacute;, na Pra&ccedil;a D. Maria Pia, Rossio, ou Pra&ccedil;a da Rep&uacute;blica &#8211; que quase todos conhecem por Pra&ccedil;a da Fruta dado ali acontecer, todas as manh&atilde;s desde o s&eacute;culo XVIII, um mercado ao ar livre &#8211; colocam na parede uma l&aacute;pide comemorativa do nascimento de D. Sebasti&atilde;o, rei de Portugal. Mais adiante, na Pra&ccedil;a do Peixe ou Pra&ccedil;a 5 de Outubro, local igualmente p&uacute;blico, instalam um objeto escult&oacute;rico que evoca o 16 de mar&ccedil;o de 1974.</p>     <p>Constitu&iacute;do por Clara Men&eacute;res e Lima Carvalho (ap&oacute;s morte de Queiroz Ribeiro em dezembro de 1974), o Grupo Acre est&aacute; ativo desde junho desse ano at&eacute; 1977. Protagoniza uma obra que acompanha uma fase expressiva do per&iacute;odo p&oacute;s-revolucion&aacute;rio em Portugal e possibilita revis&otilde;es com grande sentido de atualidade para artistas, criadores e investigadores sobre os processos criativos em grupo e politicamente empenhados. </p>     <p>Neste texto, a suspens&atilde;o da atividade do grupo nas circunst&acirc;ncias em que sucede torna-se pertinente para an&aacute;lise por coincidir com o rumo entretanto tomado pela sociedade portuguesa e o inusitado palco de viol&ecirc;ncia em que se transforma o dia final dos Encontros nas Caldas.</p>     <p> Ali, naquele local, a destrui&ccedil;&atilde;o das obras &eacute; diversamente ruidosa, f&iacute;sica e definitiva, mas em ambas o desfecho &eacute; comum: acabam perdidas no tempo. E hoje?</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Aqui nasceu</b> </p>     <p>Assim, recuemos. </p>     <p>Hoje, 12 de agosto de 1977, na varanda do 1&ordm; andar do pr&eacute;dio dos n&ordm;s 81-84, h&aacute;, com anu&ecirc;ncia do advogado ent&atilde;o propriet&aacute;rio, uma l&aacute;pide colocada na parede sob instru&ccedil;&otilde;es de Clara e o &quot;Pintor&quot;, depois de estes, c&aacute; em baixo, na cal&ccedil;ada portuguesa do tabuleiro central da pra&ccedil;a, confirmarem a corre&ccedil;&atilde;o da posi&ccedil;&atilde;o e o efeito desejado, deixando-a coberta para ser descerrada apenas na hora combinada no &uacute;ltimo dia dos Encontros. </p>     <p>&Agrave; semelhan&ccedil;a das tr&ecirc;s edi&ccedil;&otilde;es anteriores dos Encontros Internacionais de Arte (Valadares, Viana do Castelo e P&oacute;voa do Varzim), esta IV edi&ccedil;&atilde;o, agora nas Caldas da Rainha de 1 a 12 de agosto, &eacute; iniciativa da revista Artes Pl&aacute;sticas e do Grupo Alvarez, do Porto, com especial a&ccedil;&atilde;o de Jaime Isidoro e do cr&iacute;tico Eg&iacute;dio &Aacute;lvaro. Celebrando-se o cinquenten&aacute;rio da ascens&atilde;o da vila a cidade, h&aacute; colabora&ccedil;&atilde;o da autarquia caldense, do Museu Jos&eacute; Malhoa, da Casa de Cultura e dos servi&ccedil;os de Turismo, e patroc&iacute;nio da Dire&ccedil;&atilde;o Geral da Cultura. Visa-se estabelecer momentos de di&aacute;logo no espa&ccedil;o p&uacute;blico entre a popula&ccedil;&atilde;o e a produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica de diversas formas, incluindo as menos convencionais ou mais vanguardistas, fomentando a reflex&atilde;o, a abertura cultural, a coloca&ccedil;&atilde;o de Portugal nos mapas da arte contempor&acirc;nea.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> S&atilde;o cerca de 120 os artistas convidados a participar: Serge Oldenburg, Orlan, o Grupo Anima de Poesia Visual (com Melo e Castro), o Grupo Puzzle, Miguel Yeco, Gillian Ayres, Artur Bual, Eurico, o Grupo Acre, etc. Ao longo dos doze dias, h&aacute; exposi&ccedil;&otilde;es, pinturas realizadas ao vivo, performances, a&ccedil;&otilde;es rituais, declama&ccedil;&otilde;es, concertos e, no ambiente de teor festivo muito livre e convivial, somam-se atividades de perfil tradicional com outras cr&iacute;ticas e conceptuais, &agrave;s vezes mais transgressoras ou com nudez expl&iacute;cita, pouco habituais numa cidade pequena e conservadora.</p>     <p>Conforme o programa, no 12&ordm; e &uacute;ltimo dia, &agrave;s 15h30, &eacute; descerrada a l&aacute;pide de m&aacute;rmore do Grupo Acre (<a href="#f1">Figura 1</a>) (<i>Programa dia 12 sexta-feira</i>, 1977).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v7n15/7n15a09f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&quot;No 1&ordm; andar desta casa nasceu, em 20-Janeiro-1554, D. Sebasti&atilde;o &#8211; Rei de Portugal&quot;, lemos nas palavras gravadas na pedra e subscritas pelo grupo. No topo da pra&ccedil;a, a ermida de S. Sebasti&atilde;o parece estabelecer uma estranha coincid&ecirc;ncia topon&iacute;mica com o nome que a placa escondera at&eacute; a&iacute;, como que tornando s&oacute;lido, naquele lugar, o nevoeiro que, desde mart&iacute;rios passados, envolve o mito de Alc&aacute;cer-Quibir. Agora, trata-se de levantar essa n&eacute;voa e, segundo folheto do grupo (Grupo Acre, 1977), a inten&ccedil;&atilde;o da interven&ccedil;&atilde;o passa por questionar a validade de uma hist&oacute;ria com lendas t&atilde;o ou mais determinantes que factos e, sobretudo, remeter o mito para a responsabilidade individual e colectiva de todos os portugueses, j&aacute; que, como afirmam nesse texto, &quot;nasce em todas as casas portuguesas&quot;. </p>     <p>Mas, se o desejo &eacute; combater a passividade da espera tradicional no sebastianismo, o p&uacute;blico, meio indiferente ou alheado da verdade hist&oacute;rica, pouco reage ali, n&atilde;o parecendo colocar d&uacute;vidas ao que a placa refere, como que sancionando a mistifica&ccedil;&atilde;o numa confirma&ccedil;&atilde;o t&aacute;cita, quase honrosa ou crente. Afinal, talvez D. Sebasti&atilde;o tenha mesmo nascido ali.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. E assim finou?</b></p>     <p>Apesar do fundo cr&iacute;tico, ir&oacute;nico e pol&iacute;tico da mistifica&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica que prop&otilde;e, a l&aacute;pide do Grupo Acre &eacute; uma obra discreta e passa praticamente despercebida, comparada com a instala&ccedil;&atilde;o-escultura que a dupla de artistas apresenta tamb&eacute;m na cidade, na Pra&ccedil;a do Peixe, pelas 18h30.</p>     <p>Essa outra interven&ccedil;&atilde;o, homenagem duplamente apelidada &quot;Escultura&quot; ou &quot;Monumento ao 16 de Mar&ccedil;o de 1974&quot;, remete para o levantamento dos soldados do Regimento de Infantaria das Caldas que assinala o prel&uacute;dio de Abril. A instala&ccedil;&atilde;o consta de esp&eacute;cie de estrutura geom&eacute;trica que brota do ch&atilde;o, leve, perceptivamente transparente, com alus&otilde;es quase vegetais, constitu&iacute;da por varetas verticais, subtilmente ritmadas, encimadas por caracteres soltos, cruzando a informa&ccedil;&atilde;o do facto hist&oacute;rico com uma sua desconstru&ccedil;&atilde;o po&eacute;tica: </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> (...) <i>cerca de 150 hastes de ferro (de 1,80m a 2,50m), pintadas de verde escuro que simbolizavam as For&ccedil;as Armadas. Al&eacute;m dessas, havia sete hastes que serviam de suporte a uma placa, tamb&eacute;m em ferro, com a inscri&ccedil;&atilde;o da data: &quot;16-3-74&quot;. Toda esta constru&ccedil;&atilde;o estava fixada em cimento sobre tijolo. A &aacute;rea total da escultura era de 3x3 metros.</i> (Grupo Acre, 1977). </blockquote>     <p>Entretanto, o sol sobe no dia quente. No espa&ccedil;o p&uacute;blico, as obras s&atilde;o de qualidade desigual, umas apreciadas, outras incompreendidas ou chocantes, originando alguma pol&eacute;mica nas popula&ccedil;&otilde;es mais conservadoras. E, apesar do apoio da c&acirc;mara e de parte da popula&ccedil;&atilde;o se manter aberta &agrave;s propostas, n&atilde;o &eacute; do agrado de todos a invas&atilde;o da cidade pela arte de vanguarda, com obras marcadamente pol&iacute;ticas e de cr&iacute;tica religiosa, <i>happenings</i> e performances com nudez integral (como as de Orlan ou a de Chantal Guyot, que cobre o corpo com mousse de chocolate), vistas como uma sucess&atilde;o de acontecimentos &quot;bizarros&quot; de &quot;hippies&quot;. </p>     <p>Mais logo, a confus&atilde;o &eacute; total, colocando a cidade no mapa da viol&ecirc;ncia de extrema-direita que reage contra o rumo pol&iacute;tico do pa&iacute;s &#8211; e que, s&oacute; entre maio de 75 e 76, realiza mais de sessenta ataques a institui&ccedil;&otilde;es de esquerda ou culturais, com agress&otilde;es, vandalismos, inc&ecirc;ndios e explos&otilde;es apoiadas por uma rede bombista. Exemplo disso &eacute; a destrui&ccedil;&atilde;o parcial por uma bomba, a 7 de janeiro de 1976, das vetustas instala&ccedil;&otilde;es da Cooperativa &Aacute;rvore, no Porto. </p>     <p>Nesse &uacute;ltimo dia, um grupo de desordeiros atravessa os diferentes locais dos Encontros, lan&ccedil;ando provoca&ccedil;&otilde;es, vandalizando um armaz&eacute;m de arrumos e destruindo no seu caminho diversas obras com manifesta&ccedil;&otilde;es de viol&ecirc;ncia e agress&otilde;es contra os artistas, numa f&uacute;ria iconoclasta que poupa uma Crucifica&ccedil;&atilde;o pintada por Artur Bual, tamb&eacute;m no espa&ccedil;o p&uacute;blico. Entre gritos, insultos, pauladas, o monumento do Grupo Acre &eacute; deliberadamente desmantelado, o que impede a sua prevista perman&ecirc;ncia ap&oacute;s o evento. </p>     <p>Nos dias 14 e 16, tabloides di&aacute;rios como o <i>Jornal de Not&iacute;cias</i>, <i>Com&eacute;rcio do Porto</i>, <i>Di&aacute;rio de Not&iacute;cias</i>, <i>Di&aacute;rio de Lisboa</i>, <i>O Di&aacute;rio</i>, etc., citam a ANOP e noticiam abundantemente os incidentes, referindo como poss&iacute;veis autores arruaceiros e caceteiros estranhos &agrave; cidade. Os diferentes textos referem viol&ecirc;ncia, destrui&ccedil;&atilde;o, golpes de picareta, pintores amea&ccedil;ados de morte e agredidos (M&aacute;rio Silva e Serge Oldenburg), manifesta&ccedil;&otilde;es inqualific&aacute;veis de viol&ecirc;ncia ao longo do dia, o cerco dos artistas num restaurante sob amea&ccedil;as, o inc&ecirc;ndio da obra do Grupo Puzzle, o desmantelamento da escultura sobre o 16 de Mar&ccedil;o e remo&ccedil;&atilde;o da l&aacute;pide dos Acre. Chegam a falar at&eacute; em tentativas de linchamento e amea&ccedil;a de destrui&ccedil;&atilde;o do Museu Malhoa onde parte dos encontros acontece. As vers&otilde;es oscilam e, se um artigo diz &quot;ser o grupo de caceteiros natural de Rio Maior e (...) o mesmo que durante o Encontro j&aacute; agredira alguns artistas estrangeiros e turistas com aspeto menos conformista&quot; (<i>Di&aacute;rio de Lisboa</i>, 1977, 16 de agosto), noutro caso referem-se &quot;tentativas de agress&atilde;o a artistas estrangeiros e turistas com aspecto hippie&quot; (<i>Jornal Novo</i>, 1977, 16 de agosto), atribuindo a Eurico Gon&ccedil;alves, artista presente no local, a declara&ccedil;&atilde;o de que aquele tipo de encontros art&iacute;sticos serve precisamente para a cria&ccedil;&atilde;o de &quot;choques a n&iacute;vel cultural e social&quot;.</p>     <p>Segundo os jornais ainda, a pol&iacute;cia interv&eacute;m e os artistas e outros participantes acabam por refugiar-se at&eacute; de madrugada no Col&eacute;gio Agr&iacute;cola. </p>     <p>Mais tarde, &eacute; tamb&eacute;m o pr&oacute;prio Eurico que relata detalhadamente o clima e produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica nesses encontros, com destaque final para a obra destru&iacute;da do Grupo Acre, representativa da revolu&ccedil;&atilde;o, concluindo: </p>     <blockquote><i>Volvidos tr&ecirc;s anos e meio, a reac&ccedil;&atilde;o ainda l&aacute; est&aacute; e n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o permitiu tal tipo de evoca&ccedil;&atilde;o, como perseguiu &agrave; paulada alguns artistas participantes nestes Encontros e destruiu muitos objectos e s&iacute;mbolos de uma intensa actividade desenvolvida durante 12 dias, evidenciando assim um total desrespeito pelo trabalho n&atilde;o</i> remunerado <i>(o sublinhado &eacute; meu) dos artistas. Desfecho lament&aacute;vel que n&atilde;o invalida o que houve de positivo nestes encontros.</i> (Gon&ccedil;alves, 1977: 73) </blockquote>     <p>Para muitos, como a vereadora da cultura da autarquia, as obras e a mem&oacute;ria que ficam s&atilde;o um esp&oacute;lio gratificante para as gera&ccedil;&otilde;es futuras, n&uacute;cleo para um poss&iacute;vel museu de que, ent&atilde;o, se fala. E, se o monumento do grupo Acre acaba sem d&uacute;vida totalmente destru&iacute;do na hora, o destino da l&aacute;pide n&atilde;o &eacute; t&atilde;o certo, estando por confirmar se &eacute; de facto retirada pelos arruaceiros, conforme publicam os jornais, ou prudentemente guardada por Jaime Isidoro, como tamb&eacute;m se diz. </p>     <p>Depois disto, o Grupo Acre suspende tacitamente as suas a&ccedil;&otilde;es.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A decep&ccedil;&atilde;o pelos acontecimentos decorridos nas Caldas soma-se a uma esp&eacute;cie de &quot;an&aacute;tema ca&iacute;do sobre o grupo&quot; (Carvalho, s/d): a morte de Queiroz Ribeiro, a pris&atilde;o de Clara e o ferimento de Lima na a&ccedil;&atilde;o de ocupa&ccedil;&atilde;o de 1975. Ao mesmo tempo, estabiliza-se no pa&iacute;s o estado de direito, o contexto social e pol&iacute;tico vai-se alterando num rumo liberal cada vez mais marcado pela retra&ccedil;&atilde;o do sentido colectivo face ao individualismo. Melhor ou pior, as pessoas adaptam-se.</p>     <p>Nesse ano, em que o Centro Pompidou abre em Paris e j&aacute; se planeia o Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, Clara Men&eacute;res tem forte sucesso individual na Alternativa Zero com a sua Mulher-Terra-Viva (que aparece em capa na Col&oacute;quio Artes no outono). A realidade parece apontar para maior distanciamento entre a utopia da arte com o povo e uma arte sediada nos meios espec&iacute;ficos e sofisticadamente mais preparados para compreender projetos de qualidade. </p>     <p>Assim, como diz Lima Carvalho, &quot;a iniciativa do grupo esmorece&quot;. H&aacute; outras coisas a fazer e adiam-se a&ccedil;&otilde;es em favor de outras &quot;mais importantes e urgentes&quot;. </p>     <p>Afinal, &quot;o tempo n&atilde;o parou&quot; (Carvalho, s/d). Em breve, a partida de Clara para Paris com uma bolsa de estudo acentua a tend&ecirc;ncia para a separa&ccedil;&atilde;o dos dois membros do grupo, que fica suspenso no tempo, sem contudo decretar a seu fim.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>E n&oacute;s, ent&atilde;o e hoje, deixamos com os Acre as Caldas da Rainha, cientes de que a cidade &eacute; pequena, o pa&iacute;s tem dificuldade em vencer a sua posi&ccedil;&atilde;o perif&eacute;rica e, apesar da democracia, s&atilde;o recentes e pouco s&oacute;lidas a abertura ao mundo, &agrave; diferen&ccedil;a e multiplicidade cultural, at&eacute; porque menos priorit&aacute;rias face aos grandes problemas econ&oacute;micos. </p>     <p>H&aacute; pouco, damos conta pela internet do v&iacute;deo de Madonna, a cantar sem aviso numa outra Pra&ccedil;a da Rep&uacute;blica, quase inc&oacute;gnita, presen&ccedil;a simb&oacute;lica mas t&iacute;mida, no local mal cicatrizado depois das feridas abertas recentemente no <i>Charlie Hebdo</i> e no Bataclan.</p>     <p>Ao caminharmos por Paris, encontramos uma cidade de perfil parcialmente apagado. Em museus como o Pompidou, h&aacute; port&otilde;es com detectores de metais, vistorias dos objetos pessoais e, nas ruas e no metro, as pessoas evitam parar e as esplanadas est&atilde;o vazias. Noutras cidades grandes tamb&eacute;m, a viol&ecirc;ncia da amea&ccedil;a latente est&aacute; a criar uma nova identidade para os lugares, tornando em n&atilde;o-lugares os mais carism&aacute;ticos. De certo modo, os arruaceiros, sejam de Rio Maior ou de uma seita radical global de rosto turvo, j&aacute; venceram.</p>     <p>Mas n&atilde;o &eacute; s&oacute; isso. Se a lucidez n&atilde;o impera e a resist&ecirc;ncia tem limites, tamb&eacute;m o engenho criativo se adapta, descobrindo, se tudo correr bem, solu&ccedil;&otilde;es melhores ou, se assim n&atilde;o for, apenas menos m&aacute;s porque, como disse algu&eacute;m do Grupo Acre, o tempo n&atilde;o para. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Hoje, a liberdade criativa arrisca toldar-se, desviando-se no abismo das coordenadas apagadas pelo medo. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b> </p>     <!-- ref --><p><i>Programa dia 12 sexta-feira</i> (1977) Caldas da Rainha, Quartos Encontros Internacionais de Arte em Portugal (documento fotocopiado).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1448447&pid=S1647-6158201600030000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>&quot;Arte nas Caldas da Rainha. Encontros Internacionais visam criar choques&quot; (1977). <i>Jornal Novo</i>, 16 de agosto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1448449&pid=S1647-6158201600030000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Carvalho, Lima (s/d) <i>Arte e Actos P&uacute;blicos do Grupo Acre.</i> (manuscrito do autor).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1448451&pid=S1647-6158201600030000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>&quot;Encontros de arte acabam &agrave; mocada&quot; (1977) <i>O Di&aacute;rio</i>, 16 de agosto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1448453&pid=S1647-6158201600030000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gon&ccedil;alves, Cl&aacute;udia & Ramos, Maria (Coord.) (2001) <i>Porto 60/70: os artistas e a cidade</i>. Porto: Asa: &Aacute;rvore-Cooperativa de Actividades Art&iacute;sticas: Museu de Serralves.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1448455&pid=S1647-6158201600030000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Chic&oacute;, S&iacute;lvia (1999) &quot;Anos 70: antes e ap&oacute;s o 25 de Abril de 1974.&quot; In Pernes, Fernando (Coord.) (1999) <i>Panorama da Arte Portuguesa do S&eacute;culo XX</i>, p. 255-278. Porto: Funda&ccedil;&atilde;o de Serralves/ Campo das Letras, 1999. ISBN: 972-610-212-x&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1448457&pid=S1647-6158201600030000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Gon&ccedil;alves, Eurico (1977) &quot;IV Encontros Internacionais das Caldas da Rainha&quot;. <i>Col&oacute;quio Artes</i> n&ordm; 34, Outubro. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1448458&pid=S1647-6158201600030000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gon&ccedil;alves, Rui M&aacute;rio (1986) &quot;De 1945 &agrave; Actualidade.&quot; In <i>Hist&oacute;ria da Arte em Portugal</i>. Volume 13. Lisboa: Publica&ccedil;&otilde;es Alfa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1448460&pid=S1647-6158201600030000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Grupo Acre (1977) <i>Descerramento de uma l&aacute;pide: montagem de uma escultura</i>. (Documento fotocopiado, assinado Lima Carvalho).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1448462&pid=S1647-6158201600030000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>&quot;Nas Caldas da Rainha Arruaceiros perturbaram Encontro de Arte de Vanguarda&quot; (1977). <i>Di&aacute;rio de Lisboa</i>, 16 de agosto, p. 4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1448464&pid=S1647-6158201600030000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Pereira, Paulo (Dir.) (1995) <i>Hist&oacute;ria da Arte Portuguesa</i> (Vol. III). Lisboa: C&iacute;rculo de Leitores. ISBN: 972-42-1225-4&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1448466&pid=S1647-6158201600030000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Silva, R. H.; Candeias, A. F.; Ruivo, A. (2009) <i>Anos 70: Atravessar fronteiras</i>. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian. ISBN: 978-972-635-206-8&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1448467&pid=S1647-6158201600030000900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><i>Viol&ecirc;ncia do fecho dos encontros Internacionais de Arte, Monumento ao &quot;16 de Mar&ccedil;o&quot; destru&iacute;do a golpes de picareta, Pintores agredidos e amea&ccedil;ados de morte nas Caldas da Rainha</i> (1977). <i>Jornal de Not&iacute;cias</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1448468&pid=S1647-6158201600030000900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo recebido a 30 de dezembro de 2015 e aprovado a 10 de janeiro de 2016</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:isabel.sabino@fba.ul.pt">isabel.sabino@fba.ul.pt</a> (Isabel Sabino)</p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="">
<source><![CDATA[Programa dia 12 sexta-feira]]></source>
<year>1977</year>
<publisher-loc><![CDATA[Caldas da Rainha ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="journal">
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Arte nas Caldas da Rainha: Encontros Internacionais visam criar choques]]></article-title>
<source><![CDATA[Jornal Novo]]></source>
<year>1977</year>
<month>16</month>
<day> d</day>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Carvalho]]></surname>
<given-names><![CDATA[Lima]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Arte e Actos Públicos do Grupo Acre]]></source>
<year>s/d</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="journal">
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Encontros de arte acabam à mocada]]></article-title>
<source><![CDATA[O Diário]]></source>
<year>1977</year>
<month>16</month>
<day> d</day>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gonçalves]]></surname>
<given-names><![CDATA[Cláudia]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ramos]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Porto 60/70: os artistas e a cidade]]></source>
<year>2001</year>
<publisher-loc><![CDATA[Porto ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Asa: Árvore-Cooperativa de Actividades Artísticas: Museu de Serralves]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Chicó]]></surname>
<given-names><![CDATA[Sílvia]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Anos 70: antes e após o 25 de Abril de 1974]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Pernes]]></surname>
<given-names><![CDATA[Fernando]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Panorama da Arte Portuguesa do Século XX]]></source>
<year>1999</year>
<month>19</month>
<day>99</day>
<page-range>255-278</page-range><publisher-loc><![CDATA[Porto ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Fundação de Serralves/ Campo das Letras]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gonçalves]]></surname>
<given-names><![CDATA[Eurico]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[IV Encontros Internacionais das Caldas da Rainha]]></article-title>
<source><![CDATA[Colóquio Artes]]></source>
<year>1977</year>
<month>Ou</month>
<day>tu</day>
<numero>34</numero>
<issue>34</issue>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Fundação Calouste Gulbenkian]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gonçalves]]></surname>
<given-names><![CDATA[Rui Mário]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[De 1945 à Actualidade]]></article-title>
<source><![CDATA[História da Arte em Portugal]]></source>
<year>1986</year>
<volume>13</volume>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Publicações Alfa]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="">
<collab>Grupo Acre</collab>
<source><![CDATA[Descerramento de uma lápide: montagem de uma escultura]]></source>
<year>1977</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="journal">
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Nas Caldas da Rainha Arruaceiros perturbaram Encontro de Arte de Vanguarda]]></article-title>
<source><![CDATA[Diário de Lisboa]]></source>
<year>1977</year>
<month>16</month>
<day> d</day>
<page-range>4</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pereira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Paulo]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[História da Arte Portuguesa]]></source>
<year>1995</year>
<volume>III</volume>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Círculo de Leitores]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Silva]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. H.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Candeias]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. F.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ruivo]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Anos 70: Atravessar fronteiras]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Fundação Calouste Gulbenkian]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="journal">
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Violência do fecho dos encontros Internacionais de Arte: Monumento ao "16 de Março" destruído a golpes de picareta, Pintores agredidos e ameaçados de morte nas Caldas da Rainha]]></article-title>
<source><![CDATA[Jornal de Notícias]]></source>
<year>1977</year>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
