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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The purpose of this article is to establish links between the 'Rasuras' work of artist Edith Derdyk and the act of writing, considering that both draw lines in space, both mark surfaces, fix gestures and produce meanings. This relationship is seen under the concept of Barthes, scripture, that evokes a telling experience, close to what is happening to the one who writes, causing an estrangement in the language, or an erasure ('Rasura').]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>A escritura-rasura na obra de Edith Derdyk</b></p>     <p><b>The scripture &#8211; erasure in the work of Edith Derdyk</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>&Acirc;ngela Castelo Branco Teixeira&#42;</b></p>     <p>&#42;Brasil, escritora, artista visual e arte educadora. Bacharelado em Fonoaudiologia na Universidade Estadual Paulista (UNESP), Mestrado em Educa&ccedil;&atilde;o / Ensino na Educa&ccedil;&atilde;o Brasileira, UNESP.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Estadual Paulista &#39;J&uacute;lio de Mesquita Filho&#39;, Instituto de Artes, Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Arte e Educa&ccedil;&atilde;o. Dr. Bento Teobaldo Ferraz, 271 Barra Funda, 01140-070, S&atilde;o Paulo-SP, Brasil.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b> </p>     <p>O objetivo deste artigo &eacute; tecer aproxima&ccedil;&otilde;es entre a obra &#39;Rasuras&#39; da artista Edith Derdyk e o ato de escrever, considerando que ambos tra&ccedil;am linhas no espa&ccedil;o, marcam superf&iacute;cies, fixam gestos e produzem sentidos. Esta rela&ccedil;&atilde;o se dar&aacute; &agrave; luz do conceito de escritura de Barthes que evoca um dizer-experi&ecirc;ncia, pr&oacute;ximo do que est&aacute; acontecendo com aquele que escreve, causando um estranhamento na l&iacute;ngua, ou seja, uma &quot;rasura&quot;. </p>     <p><b>Palavras chave:</b> escritura, rasura, experi&ecirc;ncia, gesto.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b> </p>     <p>The purpose of this article is to establish links between the &#39;Rasuras&#39; work of artist Edith Derdyk and the act of writing, considering that both draw lines in space, both mark surfaces, fix gestures and produce meanings. This relationship is seen under the concept of Barthes, scripture, that evokes a telling experience, close to what is happening to the one who writes, causing an estrangement in the language, or an erasure (&#39;Rasura&#39;).</p>     <p><b>Keywords</b>: scripture, erasure, experience, gesture</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. O gesto de tecer o espa&ccedil;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O objetivo deste artigo &eacute; tecer aproxima&ccedil;&otilde;es entre a obra <i>Rasuras</i> (<a href="#f1">Figura 1</a>) da artista paulista Edith Derdyk e o ato de escrever, considerando que ambos tra&ccedil;am linhas no espa&ccedil;o, fixam gestos, marcam superf&iacute;cies e produzem sentidos. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v7n15/7n15a14f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A artista paulista Edith Derdyk formou-se em Artes Pl&aacute;sticas pela FAAP (Funda&ccedil;&atilde;o Armando &Aacute;lvares Penteado, S&atilde;o Paulo / SP) em 1980 e desde ent&atilde;o possui uma vasta produ&ccedil;&atilde;o que transita entre trabalhos gr&aacute;ficos, livros infantis, livros sobre desenho e seu ensino, po&eacute;tica da costura, o ato criador e in&uacute;meros livros de artista. Em 1997, lan&ccedil;ou o livro <i>Linha de Costura</i>, com textos po&eacute;ticos sobre o ato de tecer, coser, costurar e escrever. Como artista pl&aacute;stica realizou exposi&ccedil;&otilde;es nacionais e internacionais em importantes galerias de arte e museus, al&eacute;m de desenvolver bolsas de cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica. Atua ainda como professora e orientadora de jovens artistas. Linhas, pap&eacute;is, livros, chapas de ferro e palavras s&atilde;o suas mat&eacute;rias de cria&ccedil;&atilde;o. Tens&atilde;o, corte, tra&ccedil;o, costura, sutura, rasura e transposi&ccedil;&atilde;o s&atilde;o seus principais gestos. </p>     <p>Em seu trabalho h&aacute; a instaura&ccedil;&atilde;o de um lugar entre a costura, o desenho-linha e a escrita. No texto <i>Da sutura a rasura: A costura de Edith Derdyk</i> de Andrea Masag&atilde;o a artista afirma: &quot;eu tenho a linha costurada na minha m&atilde;o&quot; (Masag&atilde;o, 2011:2). Para ela, escrever &eacute; como costurar: &quot;Costurando, ligando, furando, recortando, costurando pensamentos e tudo mais. Para que escreve? &quot;Escrevo para me fixar, &eacute; quase fic&ccedil;&atilde;o. Escrevo, desenho, costuro, construo para me fixar&quot; (Masag&atilde;o, 2011:2).</p>     <p>O foco deste artigo ser&aacute; a obra <i>Rasuras</i> (<a href="#f1">Figura 1</a>), exposta em 1998 no Museu de Arte Contempor&acirc;nea de Niter&oacute;i (Rio de Janeiro-Brasil), para o pr&ecirc;mio &quot;O artista pesquisador&quot;. Nesta obra, Edith tra&ccedil;a linhas no espa&ccedil;o com 60.000 metros de linha preta de algod&atilde;o, presa nas paredes com 22.000 grampos, obra realizada em 13 dias de montagem.</p>     <p>Neste trabalho, o gesto de tra&ccedil;ar linhas &eacute; aparente, deixa rastros e produz uma mancha de cor, condensada, materializando o gesto repetitivo de levar o fio de um ponto ao outro, fixando-o. O fio &eacute; esticado em seu limite m&aacute;ximo, produzindo uma tens&atilde;o, que parece capturar o &uacute;ltimo instante antes do rompimento total, antes do afrouxamento fatal.</p>     <p>N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel detectar o in&iacute;cio do gesto e nem seu ponto final, por&eacute;m, este emaranhado de fios nos d&aacute; not&iacute;cias de que um corpo passou por aqui, de um ponto ao outro, em uma certa cad&ecirc;ncia, labor e continuidade. Al&eacute;m da passagem do tempo, tomamos contato com o movimento do corpo que passou pelo tempo: a cada grampo pregado na parede, a cada gesto de puxar o fio, elev&aacute;-lo, tension&aacute;-lo e traz&ecirc;-lo &agrave; apar&ecirc;ncia nos impregnamos da certeza da exist&ecirc;ncia de um ato: a costura. Ato de deixar um rastro, uma rasura no espa&ccedil;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1.2 Escrita: o gesto de tecer</b> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na produ&ccedil;&atilde;o de um texto, h&aacute; o gesto de tra&ccedil;ar um fio de sentido, a materializa&ccedil;&atilde;o de um pensamento e um desenho a partir das palavras. Encontramos na etimologia da palavra &quot;texto&quot;, que tem sua raiz na palavra latina &quot;texere&quot;, o significado de &quot;tecer&quot;. Segundo o dicion&aacute;rio, tecer significa &quot;tramar, entrela&ccedil;ar, fazer algo atrav&eacute;s da justaposi&ccedil;&atilde;o de fios&quot; (Cunha, 1986:759). Considerando esta acep&ccedil;&atilde;o, o texto escrito pode ser concebido como uma composi&ccedil;&atilde;o, um tecido de significados. Elaborar um texto &eacute; tec&ecirc;-lo com as palavras, tram&aacute;-lo, uni-lo, tal como num tecido os fios se entrela&ccedil;am.</p>     <p>Segundo Flusser(2010:25), &quot;escrever origina-se do latim &#39;scribere&#39;, que significa riscar.&quot; O instrumento pontiagudo da agulha no tecido se assemelha ao instrumento cuneiforme utilizado para riscar/gravar uma superf&iacute;cie. </p>     <p>Escrever pressup&otilde;e a exist&ecirc;ncia de um corpo. Para Nancy (2000:10), n&atilde;o se trata de &quot;escrever acerca do corpo, mas o pr&oacute;prio corpo. N&atilde;o a corporeidade, mas ainda o corpo.&quot; E o que isso significa? Que escrever &eacute; o gesto de tocar algo, de tocar o extremo da l&iacute;ngua, tocar o sentido, margear a sua borda, seus limites, expandindo-o. Escrever com o corpo pressup&otilde;e deixar uma marca para fora do corpo, inscrever-se no espa&ccedil;o, ou seja, deixar um rastro, uma rasura. </p>     <p>Quanto mais de perto olhamos para um tecido, mais percebemos as suas complexas tramas. No texto, esta trama tamb&eacute;m est&aacute; exposta, as palavras podem estar em di&aacute;logo ou em conflito, podem estar soltas ou apertadas, sobrepostas ou lado a lado.</p>     <p>O tecido que recebe a costura sempre revela o gesto de quem o bordou. Seja pelo seu avesso ou n&atilde;o, o desenho de cada ponto traz em si uma mem&oacute;ria gestual das m&atilde;os costureiras. Na escrita, o texto recebe a costura da l&iacute;ngua, o gesto de organizar, encadear e tensionar palavras e seus sentidos. </p>     <p>Considerando que o gesto de costurar e escrever s&atilde;o solid&aacute;rios, que rela&ccedil;&otilde;es podemos tra&ccedil;ar entre a obra <i>Rasuras</i> e o ato da escrita? De que escrita estamos falando? Toda a escrita pressup&otilde;e uma rasura? O que &eacute; escrever rasurando? E o ato de tra&ccedil;ar linhas no espa&ccedil;o &eacute; uma escrita? Produzir sentidos &eacute; produzir rasuras?</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1.3. A Escritura-Rasura</b></p>     <p>Fazendo uma distin&ccedil;&atilde;o entre a <i>escrita</i> e a <i>escritura</i>, Barthes (2007:20) afirma que &quot;a escritura faz do saber uma festa,&quot; ou seja, se encontra em toda a parte onde as palavras t&ecirc;m sabor. Enquanto a escrita est&aacute; mais voltada para a representa&ccedil;&atilde;o, a escritura estaria mais pr&oacute;xima da apresenta&ccedil;&atilde;o, dito de outro modo, a escrita seria a imers&atilde;o e a legitima&ccedil;&atilde;o de um dizer &uacute;nico e hegem&ocirc;nico, pautado numa determinada realidade e que teria, portanto, um formato/conte&uacute;do pr&eacute;vio e conhecido pelos c&acirc;nones do saber; por outro lado, a escritura seria a funda&ccedil;&atilde;o de outro dizer, muitas vezes n&atilde;o conhecido do ponto de vista da forma/conte&uacute;do e que, ao provocar um estranhamento na l&iacute;ngua, abriria a possibilidade de um dizer singular, pr&oacute;ximo do que est&aacute; acontecendo com aquele que escreve. </p>     <p>Neste artigo interessa-nos, portanto, este conceito de <i>escritura.</i> Trata-se do gesto de escrever sem rumo certo, sem inten&ccedil;&atilde;o de narrar, representar ou descrever algo previamente. Escrever, apenas. Para que as palavras antes soltas no pensamento possam compor sentidos. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A escritura se encontra, ent&atilde;o, mais pr&oacute;xima de um estado bruto do dizer, um estado de gesto sem finalidade, pois quanto mais pr&oacute;ximos estamos do acontecimento, mais pr&oacute;ximos estamos do indiz&iacute;vel, daquilo que pode apenas ser nomeado como uma primeira vez, pois n&atilde;o h&aacute; refer&ecirc;ncias nem discursos anteriores que o identifique. </p>     <p>Muitas vezes praticamos a escrita como um ato reflexivo somente, de sobrevoo em um acontecimento, com finalidade estruturante e intelectual. Recorre-se ao texto apenas depois de ter-se tombado, no momento em que se sente mais seguro e consistente, quase nunca antes ou durante o tombamento.</p>     <p>J&aacute; na escritura, o corpo que escreve est&aacute; em busca de entrar num real poss&iacute;vel, ou seja, n&atilde;o se est&aacute; a relatar ou a traduzir tal como ele &eacute; ou foi, semelhante a um espelho que revela uma imagem em todos os seus detalhes, mas sim como um acontecimento singular, peculiar, que se funda na fragilidade da pr&oacute;pria elabora&ccedil;&atilde;o, que apenas emerge no mergulho na experi&ecirc;ncia e no retorno &agrave; superf&iacute;cie do suporte dessa escritura. E, para tanto, necessita-se tensionar as palavras, juntar opostos, diluir dicotomias, enfim, coloca-se em jogo o estatuto da l&iacute;ngua porque se est&aacute; a realizar o pr&oacute;prio pensamento. </p>     <p>&Eacute; aqui que a rasura se instaura. Este dizer que &eacute; experi&ecirc;ncia e se d&aacute; no pr&oacute;prio ato de nome&aacute;-la produz um tra&ccedil;o origin&aacute;rio, pois rasura o dizer anterior, inaugura uma voz, constituindo um condensamento e uma mancha de sentido. Algu&eacute;m esteve ali. H&aacute; um vest&iacute;gio de um gesto humano inaugural.</p>     <p>Este &eacute; o convite que emerge a escritura-rasura. N&atilde;o se sabe o que se est&aacute; a tecer, n&atilde;o se projeta o vivido, tampouco se antecipa sua adjetiva&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o se repete, n&atilde;o se usa a experi&ecirc;ncia anterior como modelo, paradigma ou princ&iacute;pio. Na escritura-rasura h&aacute; sempre um estado de rela&ccedil;&atilde;o, um entre que est&aacute; a se compartilhar, nunca uma an&aacute;lise isolada ou descri&ccedil;&atilde;o em que aquele que escreve est&aacute; separado daquele que vive, padece, observa. </p>     <p>N&atilde;o h&aacute; julgamentos a fazer. Tal como nos afirma Jo&atilde;o Barrento em seu livro <i>O G&ecirc;nero Intranquilo</i>, &quot;a linguagem n&atilde;o fala, mas nomeia&quot; (Barrento, 2010:70). A escritura n&atilde;o gera conc&oacute;rdia, nem promove uma unidade harmoniosa, a sua natureza confessa a disc&oacute;rdia, a tens&atilde;o entre os opostos. A unidade de sentido, o todo, o fio condutor n&atilde;o est&aacute; em quest&atilde;o, mas o seu emaranhado sim. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Conclus&atilde;o</b></p>     <p>A rela&ccedil;&atilde;o entre a obra <i>Rasura</i> (e todo o gesto contido nela) e o ato de escrever (escritura) n&atilde;o se d&aacute; como uma met&aacute;fora, ou seja, como uma substitui&ccedil;&atilde;o de significados e sim como uma justaposi&ccedil;&atilde;o, ou melhor, solicita-nos considerarmos a exist&ecirc;ncia de um &quot;lugar entre&quot; estes dois gestos: rasurar o espa&ccedil;o e rasurar a l&iacute;ngua.</p>     <p>Ao mesmo tempo em que exp&otilde;e um acontecimento, um texto-experi&ecirc;ncia possui certa disposi&ccedil;&atilde;o para o auto-sacrif&iacute;cio, para o abandono da afirma&ccedil;&atilde;o e do dizer que se destina um lugar pr&eacute;vio, certo saber antecipado do acontecimento. Ao mesmo tempo em que exp&otilde;e um gesto e uma materialidade, uma obra-experi&ecirc;ncia faz emergir o que n&atilde;o se fixa, o que est&aacute; prestes a se desintegrar, apagando as mem&oacute;rias anteriores, fazendo surgir outra espacialidade no mesmo espa&ccedil;o, outra materialidade na mesma mat&eacute;ria. Um texto-experi&ecirc;ncia e uma obra-experi&ecirc;ncia tornam-se, ent&atilde;o, mais pr&oacute;ximos do irreconhec&iacute;vel, do inclassific&aacute;vel, do vir a ser a partir do gesto inaugural da rasura.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b> </p>     <!-- ref --><p>Barrento, Jo&atilde;o. (2010) <i>O g&ecirc;nero intranquilo</i>. Lisboa: Ass&iacute;rio Alvim. ISBN 978-972-37-1495-1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1449019&pid=S1647-6158201600030001400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Barthes, Roland. (2007) <i>Aula: aula inaugural da cadeira de semiologia liter&aacute;ria do Col&eacute;gio de Fran&ccedil;a, pronunciada dia 7 de janeiro de 1977;</i> tradu&ccedil;&atilde;o de Leyla Perrone-Mois&eacute;s. S&atilde;o Paulo: Cultrix. ISBN: 978-85-316-0029-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1449021&pid=S1647-6158201600030001400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Cunha, Ant&ocirc;nio Geraldo da (1986) <i>Dicion&aacute;rio Etimol&oacute;gico Nova Fronteira da L&iacute;ngua Portuguesa</i>. Rio de Janeiro. ISBN 978-85-8636817-2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1449023&pid=S1647-6158201600030001400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Flusser, Vil&eacute;m.(2010) <i>A Escrita: H&aacute; futuro para a escrita?</i> Tradu&ccedil;&atilde;o do alem&atilde;o por Murilo Jardelino da Costa. S&atilde;o Paulo: Anablume. ISBN 978-85-391-0053-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1449025&pid=S1647-6158201600030001400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Masag&atilde;o, Andrea Menezes.(2011) <i>Da sutura a rasura: A costura de Edith Derdyk.</i> Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.edithderdyk.com.br/portu/texto_rasuras_andrea&#37;20masagao.pdf" target="_blank">http://www.edithderdyk.com.br/portu/texto_rasuras_andrea&#37;20masagao.pdf</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1449027&pid=S1647-6158201600030001400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Nancy, Jean-Luc.(2000) <i>Corpus.</i> Lisboa: Vega. ISBN 972-699-648-1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1449028&pid=S1647-6158201600030001400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo recebido a 30 de dezembro de 2015 e aprovado a 10 de janeiro de 2016</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:acastelobrancoteixeira@gmail.com">acastelobrancoteixeira@gmail.com</a> (&Acirc;ngela Castelo Branco Teixeira)</p>      ]]></body><back>
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