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<publisher-name><![CDATA[Universidade de LisboaFaculdade de Belas-Artes]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A dialética dos materiais na obra de Regina Rodrigues]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The dialectic of materials in the Regina Rodrigues's art work]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) Centro de Artes Programa de Pós-Graduação]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This case study aims to reflect on the dichotomies proposed by the artist Regina Rodrigues (1959-) when working with ceramics in dialogue with glass. We use the Process Criticizes and Inferential Criticizes, as support for a retrospective look at her works, produced with these materials in the exhibition "Uma Oleira de Vida Inteira" (2015). We seek to uncover some of the guiding principles that permeate the poetics of Rodrigues as the dual match between rigid and flexible, opacity and transparency, the inside and the outside, the male and the female.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>A dial&eacute;tica dos materiais na obra de Regina Rodrigues</b></p>     <p><b>The dialectic of materials in the Regina Rodrigues&#39;s art work</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Tatiana Campagnaro Martins&#42;</b></p>     <p>&#42;Brasil, artista pl&aacute;stica. Estudante de mestrado. Bacharelado em Artes Pl&aacute;sticas pela Universidade Federal do Esp&iacute;rito Santo (UFES), Centro de Artes. </p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Federal do Esp&iacute;rito Santo (UFES), Centro de Artes, Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o. Av. Fernando Ferrari n°514, Goiabeiras Vit&oacute;ria &#8211; ES CEP, 29075-910, Brasil.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b></p>     <p>Este estudo de caso tem como objetivo refletir sobre as dicotomias propostas pela artista pl&aacute;stica Regina Rodrigues (1959-) ao trabalhar a cer&acirc;mica em di&aacute;logo com o vidro. Utilizamos a Cr&iacute;tica de Processo e a Critica inferencial, como suporte para um olhar retrospectivo sobre as obras produzidas com estes materiais na exposi&ccedil;&atilde;o &quot;Uma Oleira de Vida Inteira&quot; (2015). Buscamos desvelar alguns dos princ&iacute;pios norteadores que permeiam a po&eacute;tica de Rodrigues como o jogo dual entre o r&iacute;gido e o flex&iacute;vel, a opacidade e a transpar&ecirc;ncia, o dentro e o fora, o masculino e o feminino.</p>     <p><b>Palavras chave:</b>Arte, cer&acirc;mica, objeto, escultura, processo de cria&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b></p>     <p>This case study aims to reflect on the dichotomies proposed by the artist Regina Rodrigues (1959-) when working with ceramics in dialogue with glass. We use the Process Criticizes and Inferential Criticizes, as support for a retrospective look at her works, produced with these materials in the exhibition &quot;Uma Oleira de Vida Inteira&quot; (2015). We seek to uncover some of the guiding principles that permeate the poetics of Rodrigues as the dual match between rigid and flexible, opacity and transparency, the inside and the outside, the male and the female.</p>     <p><b>Keywords</b>: art, pottery, object, sculpture, creative process.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este artigo &eacute; um estudo de caso sobre as obras realizadas em cer&acirc;mica e vidro, pela artista pl&aacute;stica brasileira Regina Rodrigues (1959 &#8211; ), expostas na mostra <i>Uma Oleira de Vida Inteira</i> (2015) na Galeria de Arte Espa&ccedil;o Universit&aacute;rio (GAEU), despedida da artista, que ap&oacute;s 20 anos como docente na cadeira de cer&acirc;mica da Universidade Federal do Esp&iacute;rito Santo (UFES) retornou para Uberl&acirc;ndia &#8211; MG.</p>     <p>Neste estudo, refletimos sobre a dualidade de sentidos apresentada pela artista ao colocar a cer&acirc;mica em di&aacute;logo com o vidro. Para tal an&aacute;lise utilizamos a Cr&iacute;tica de Processo e a Cr&iacute;tica Inferencial como suportes para um olhar retrospectivo, em busca de vest&iacute;gios, ind&iacute;cios de pensamentos e a&ccedil;&otilde;es da artista sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre materiais e formas geradoras de sentido na obra. </p>     <p><i>Uma Oleira de Vida Inteira</i>, apresentou uma sele&ccedil;&atilde;o de obras de diferentes momentos da carreira de Rodrigues, evidenciando seu interesse pelas potencialidades expressivas da cer&acirc;mica no campo tridimensional da arte contempor&acirc;nea. Imersa em um territ&oacute;rio investigativo, a artista explorou o potencial n&atilde;o funcional do universo cer&acirc;mico, voltando sua aten&ccedil;&atilde;o para as caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias dos materiais e t&eacute;cnicas. Tamb&eacute;m mostrou o desejo da artista em colocar a cer&acirc;mica em di&aacute;logo com outros materiais como o ferro o cobre e o vidro.</p>     <p>Neste artigo nosso olhar se volta, em especial para as obras onde Rodrigues interage a cer&acirc;mica com o vidro, resultado de suas pesquisas dos &uacute;ltimos cinco anos, apresentadas anteriormente nas mostras <i>Opacidade e Transpar&ecirc;ncia</i> (2012) na Galeria de Arte e Pesquisa (GAEU) e <i>Transum&acirc;ncia</i> (2015) na galeria municipal de Montemor-o-Novo em Portugal. As demais obras expostas, anteriores a 2008, se apresentam para n&oacute;s, nesse momento, como documentos de um processo din&acirc;mico, n&atilde;o linear, onde regress&otilde;es e progress&otilde;es infinitas s&atilde;o ineg&aacute;veis. </p>     <blockquote> &#91;...&#93; <i>Como cada vers&atilde;o cont&eacute;m, potencialmente, um objeto acabado e o objeto considerado final representa, de forma potencial, tamb&eacute;m, apenas um dos documentos do processo, cai por terra a id&eacute;ia da obra entregue ao p&uacute;blico como a sacraliza&ccedil;&atilde;o da perfei&ccedil;&atilde;o. Tudo a qualquer momento, &eacute; perfect&iacute;vel. A obra est&aacute; sempre em estado de prov&aacute;vel muta&ccedil;&atilde;o, assim como h&aacute; poss&iacute;veis obras nas metamorfoses que os documentos preservam.</i> (Salles, 2001: 26). </blockquote>     <p>Portanto a obra, tanto quanto os documentos pertencem ao campo do inacabado, onde os &quot;documentos s&atilde;o uma possibilidade e a obra, deles decorrente, &eacute; uma escolha entre outras poss&iacute;veis. A obra apresentada &eacute; uma vers&atilde;o dentro de um sem-fim de probabilidades &#91;...&#93;&quot; (Cirillo, 2004: 37).</p>     <p>Os primeiros trabalhos de Rodrigues em cer&acirc;mica e vidro s&atilde;o do inicio de 2011, quando a artista teve o projeto, <i>Opacidade e Transpar&ecirc;ncia,</i> contemplado no Edital 11/Bolsa Atelier, um financiamento concedido pela Secretaria de Estado da Cultura (SECULT) para o desenvolvimento de pesquisa e produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica. Vendo nesse financiamento a possibilidade de ampliar suas investiga&ccedil;&otilde;es no campo da cer&acirc;mica enquanto express&atilde;o pl&aacute;stica, se prop&ocirc;s a trabalha -l&aacute; integrada a um novo material, o vidro.</p>     <p>As motiva&ccedil;&otilde;es que levaram Rodrigues a buscar o di&aacute;logo da cer&acirc;mica com o vidro est&atilde;o presentes na ficha de inscri&ccedil;&atilde;o do projeto Bolsa Atelier. Salles afirma que podemos utilizar como documento &quot;&#91;...&#93; todo e qualquer registro do percurso feito pelo artista ou, de modo mais amplo, todo e qualquer registro que nos ofere&ccedil;a informa&ccedil;&otilde;es sobre processos de cria&ccedil;&atilde;o.&quot; (Salles, 2008: 89). Portanto, a ficha de inscri&ccedil;&atilde;o, assim como os relat&oacute;rios do andamento do projeto, foram utilizados nessa analise como material documental do processo de cria&ccedil;&atilde;o de Rodrigues.</p>     <p>Segundo a artista, no projeto de inscri&ccedil;&atilde;o, <i>Opacidade e Transpar&ecirc;ncia</i> nasceu em continuidade a sua pesquisa mais recente, onde interessada em colocar o barro em di&aacute;logo com materiais conflituosos, realizou uma s&eacute;rie de trabalhos aproximando a cer&acirc;mica com o cobre, criando um jogo dual entre flexibilidade e rigidez.</p>     <p>Quais quest&otilde;es relativas ao seu trabalho com o cobre teriam continuidade nesse novo percurso com o vidro? Para responder tal pergunta se fez necess&aacute;rio uma analise n&atilde;o s&oacute; das obras com fio de cobre, mas tamb&eacute;m dos documentos de processo em busca de registros das reflex&otilde;es da mente criadora nos rastros da artista.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na experi&ecirc;ncia com o <i>cobre</i>, a artista teceu uma delicada trama com fios desse material na cria&ccedil;&atilde;o de formas male&aacute;veis e ocas. Eram longos tubos tecidos que ora se alargavam formando casulos, ora se estreitavam em forma de garganta (<a href="#f1">Figura 1</a>). Nos seus relatos em um caderno di&aacute;rio a artista chamou as formas tecidas de esculturas de linha, afirmando que tais objetos n&atilde;o tinham um desenho inicial, surgiam a partir da manipula&ccedil;&atilde;o da linha e da agulha. Segundo ela,era o gesto que se repetia a cada la&ccedil;ada ao redor do dedo que criava os pequenos pontos de <i>croch&ecirc;</i> que geravam a forma. As palavras da artista revelam sua rela&ccedil;&atilde;o com a nova mat&eacute;ria: &quot;&#91;...&#93; tecer &eacute; experimentar o desejo na vontade mat&eacute;rica &#91;...&#93; o investimento no esfor&ccedil;o &eacute; vis&iacute;vel &agrave; flor da pele &#91;...&#93; toda pele tecida informa uma intimidade com a linha &#91;...&#93;.&quot; Tais relatos nos apontam que, assim como na cer&acirc;mica, a materialidade e a manualidade tamb&eacute;m s&atilde;o quest&otilde;es importantes nas esculturas de linha criadas por Rodrigues.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v7n15/7n15a15f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A trama de pontos de <i>croch&ecirc;</i> que d&atilde;o forma ao objeto tamb&eacute;m permitem ver o seu interior, resultando em uma suave transpar&ecirc;ncia. Rodrigues diz no caderno di&aacute;rio que as formas aparentemente org&acirc;nicas n&atilde;o s&atilde;o coisa alguma, &quot;s&atilde;o apenas objetos lugares, e lugares que n&atilde;o carregam nada, um vazio&quot;. Ainda em seus escritos a artista coloca o vazio como uma fic&ccedil;&atilde;o, pois para ela o vazio est&aacute; &quot;cheio da a&ccedil;&atilde;o, cheio de um tempo de recolhimento e evas&atilde;o ao mesmo tempo&quot;. Portanto o espa&ccedil;o interno envolto pela trama que encobre sem velar n&atilde;o est&aacute; vazio, est&aacute; impregnado de sentimentos e lembran&ccedil;as, deixados pelo contato &iacute;ntimo da artista com a mat&eacute;ria no ato de tecer, no tempo da obra.</p>     <p>Ao colocar o corpo criado com fio de cobre em dialogo com a cer&acirc;mica a artista explora o dentro e o fora das duas mat&eacute;rias. No caderno di&aacute;rio, o orif&iacute;cio aparece como &quot;o lugar que comunica o interior com o exterior&quot;, e &eacute; atrav&eacute;s do orif&iacute;cio que a artista conecta as duas mat&eacute;rias. Em alguns objetos a trama de cobre jorra pelo orif&iacute;cio do corpo s&oacute;lido e opaco da cer&acirc;mica, em outros, &eacute; a cer&acirc;mica que se deixa envolver pelos fios met&aacute;licos que cobrem sua superf&iacute;cie, como se fosse uma epiderme protegendo o corpo cer&acirc;mico (<a href="#f2">Figura 2</a> e <a href="#f3">Figura 3</a>). </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v7n15/7n15a15f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v7n15/7n15a15f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A artista joga com os opostos criando uma s&eacute;rie de contrapontos: o corpo r&iacute;gido da cer&acirc;mica e a trama flex&iacute;vel de <i>croch&ecirc;</i>; o opaco que encobre e a renda de metal que permite ver atrav&eacute;s do objeto; o dentro e o fora ao colocar um corpo inserido no outro; o feminino e o masculino com as formas f&aacute;licas em cer&acirc;mica que penetram as delicadas curvas de cobre.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Essa dial&eacute;tica entre a cer&acirc;mica e o cobre pode ser considerada, segundo a Cr&iacute;tica Inferencial (Baxandall, 2006), como o Encargo que impulsionou a artista em sua nova empreitada. O projeto enviado a SECULT, ao mesmo tempo em que viabilizou sua nova pesquisa propiciou algumas Diretrizes para o novo trabalho.</p>     <p>Vidro e argila s&atilde;o mat&eacute;rias que se comportam de maneiras distintas. A argila, com sua capacidade pl&aacute;stica, permite que o artista, atrav&eacute;s de seus gestos, transforme a massa amorfa nas formas sonhadas. A queima modifica sua consist&ecirc;ncia, dureza e cor, gerando o corpo cer&acirc;mico. O vidro por sua vez, r&iacute;gido e fr&aacute;gil, s&oacute; se torna male&aacute;vel quando atinge o ponto de fus&atilde;o por interm&eacute;dio do fogo, o que impede o contato do artista com a mat&eacute;ria. O contato f&iacute;sico com a argila, a manualidade e a gestualidade s&atilde;o recorrentes nos trabalhos em cer&acirc;mica realizados por Rodrigues, procedimentos invi&aacute;veis na cria&ccedil;&atilde;o das formas com o vidro. A artista, com forma&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea de cer&acirc;mica, n&atilde;o dominava as t&eacute;cnicas de modelagem com o vidro. As caracter&iacute;sticas e necessidades impostas pelo vidro conduziram Rodrigues para novas pr&aacute;ticas criativas. Portanto, no projeto enviado &agrave; SECULT a artista fala da import&acirc;ncia do apoio financeiro para a constru&ccedil;&atilde;o das pe&ccedil;as com o novo material, que seriam realizadas por um profissional especializado na t&eacute;cnica do sopro, m&atilde;o de obra inexistente no estado.</p>     <p>A artista iniciou seu trabalho modelando prot&oacute;tipos em argila e testando seu contato com objetos de vidro dispon&iacute;veis no mercado, como l&acirc;mpadas, tubos de ensaio e outros recipientes utilizados em laborat&oacute;rios de qu&iacute;mica, investigou as possibilidades formais e de encaixe entre os objetos. As pe&ccedil;as em argila de formas cil&iacute;ndricas e ov&oacute;ides, com orif&iacute;cios redondos e hastes cil&iacute;ndricas se assemelhavam com as formas criadas com o <i>croch&ecirc;</i>. Como nos trabalhos em cer&acirc;mica e <i>croch&ecirc;</i>, continuou usando os orif&iacute;cios para conectar as duas mat&eacute;rias, testando possibilidades de encaixe, ora como o vidro entrando na cer&acirc;mica, ora a cer&acirc;mica &eacute; que se inseria no vidro (<a href="#f4">Figura 4</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v7n15/7n15a15f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Com cinco prot&oacute;tipos, cada um com um modo de encaixe diferente, Rodrigues viajou ao estado de S&atilde;o Paulo para definir com o t&eacute;cnico em vidro, as possibilidades de realiza&ccedil;&atilde;o das formas pr&eacute;-concebidas. Decidiu fazer primeiro as pe&ccedil;as em cer&acirc;mica, para em seguida trabalhar juntamente com o soprador na constru&ccedil;&atilde;o dos objetos definitivos com medidas precisas em vidro.</p>     <p>As vinte pe&ccedil;as delicadamente acomodadas sobre almofadas, na exposi&ccedil;&atilde;o <i>Opacidade e Transpar&ecirc;ncia,</i> mostravam os di&aacute;logos criados por Rodrigues entre o vidro e a cer&acirc;mica, ou entre a cer&acirc;mica e o vidro, pois n&atilde;o existia entre as mat&eacute;rias uma rela&ccedil;&atilde;o hier&aacute;rquica. Em algumas obras, formas fluidas de vidro brotavam pelos orif&iacute;cios do corpo &aacute;spero e opaco da cer&acirc;mica, como se o seu interior estivesse todo preenchido pela mat&eacute;ria transl&uacute;cida (<a href="#f5">Figura 5</a>). Em outras, a artista criava um jogo de forma e contra-forma onde o vidro revelava a intima rela&ccedil;&atilde;o entre os dois materiais (<a href="#f6">Figura 6</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v7n15/7n15a15f5.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6"><img src="/img/revistas/est/v7n15/7n15a15f6.jpg"></a>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Envolvida com as possibilidades po&eacute;ticas da rela&ccedil;&atilde;o entre as duas mat&eacute;rias Rodrigues se prop&ocirc;s a aprender as t&eacute;cnicas de modelagem em vidro. Em 2014 iniciou um P&oacute;s-Doutoramento na unidade de investiga&ccedil;&atilde;o VICARTE &#8211; Vidro e Cer&acirc;mica para as Artes &#8211; uma parceria da Faculdade de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, Portugal. O resultado dessa investiga&ccedil;&atilde;o pl&aacute;stica p&ocirc;de ser visto na mostra <i>Transum&acirc;ncia</i> (2015) na galeria municipal de Montemor-o-Novo. Nesses trabalhos a rela&ccedil;&atilde;o entre cer&acirc;mica e vidro se modificou, os corpos dos diferentes materiais que antes se interpenetravam, agora apenas se tocavam. O objeto cer&acirc;mico passou a receber delicadamente o corpo de vidro que se aconchegava em sua superf&iacute;cie c&ocirc;ncava (<a href="#f7">Figura 7</a>). O dentro e o fora d&atilde;o lugar ao c&ocirc;ncavo e ao convexo.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f7"><img src="/img/revistas/est/v7n15/7n15a15f7.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O contato com os procedimentos t&eacute;cnicos de modelagem em vidro na VICARTE abriram novos campos de investiga&ccedil;&atilde;o pl&aacute;stica para Rodrigues. Mais uma vez Rodrigues explorou a materialidade e o vidro que n&atilde;o podia ser tocado do momento da modelagem foi delicadamente tecido com o fio cobre. Nuvem, como a artista verbalmente chamou a obra pendia do teto junto com um feixe da luz que insidia sobre a renda de argolas de vidro, fruto de um exerc&iacute;cio das aulas de sopro (<a href="#f8">Figura 8</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f8"><img src="/img/revistas/est/v7n15/7n15a15f8.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Rodrigues criou tamb&eacute;m uma s&eacute;rie de gotas em vidro onde inseriu materiais que fazem parte do seu universo criativo como: argila seca, argila l&iacute;quida, fio de cobre picado, &aacute;gua e ar, entre outros. O r&iacute;gido e o flex&iacute;vel aparecem no fino e fr&aacute;gil tubo de vidro que se prolonga at&eacute; formar a gota que parece prestes a pingar. Uma nova vers&atilde;o do jogo entre o dentro e o fora O vidro se tornou o corpo que cont&eacute;m na ess&ecirc;ncia as mat&eacute;rias que habitam o universo criativo de Rodrigues (<a href="#f9">Figura 9</a>). </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f9"><img src="/img/revistas/est/v7n15/7n15a15f9.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Do contraste entre a superf&iacute;cie opaca da cer&acirc;mica e a ligeira transpar&ecirc;ncia da malha em <i>croch&ecirc;</i> com fio de cobre, a artista se lan&ccedil;ou no desafio de explorar as possibilidades de di&aacute;logo entre cer&acirc;mica e vidro. Contornando as limita&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas com novas pr&aacute;ticas construtivas, Rodrigues explorou as potencialidades pl&aacute;sticas desse novo meio, criando diferentes rela&ccedil;&otilde;es entre os materiais. R&iacute;gido e flex&iacute;vel, dentro e fora, opacidade e transpar&ecirc;ncia, feminino e masculino, s&atilde;o algumas das dicotomias que, segundo o nosso olhar, permeiam a po&eacute;tica de Rodrigues.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b> </p>     <!-- ref --><p>Baxandall, Michael (2006) <i>Padr&otilde;es de inten&ccedil;&atilde;o: a explica&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica dos quadros.</i> Tradu&ccedil;&atilde;o de Vera Maria Pereira. 1 ed. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1449110&pid=S1647-6158201600030001500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Cirillo, Jos&eacute; (2004) <i>Imagem: Lembran&ccedil;a: Comunica&ccedil;&atilde;o e Mem&oacute;ria no Processo de Cria&ccedil;&atilde;o.</i> 160f. Tese de Doutorado em Comunica&ccedil;&atilde;o e Semi&oacute;tica. Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1449112&pid=S1647-6158201600030001500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Salles, Cecilia Almeida (2001) <i>Gesto inacabado: processo de cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica.</i> S&atilde;o Paulo: FAPESP. Annablume.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1449114&pid=S1647-6158201600030001500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Salles, Cecilia Almeida (2008) Expans&atilde;o dos documentos de processo: registros audiovisuais. in: Grando, &Acirc;ngela & Cirillo, Jos&eacute; (2008) (Org.) <i>Processo de cria&ccedil;&atilde;o e intera&ccedil;&otilde;es: a critica gen&eacute;tica em debate nas artes perform&aacute;ticas e visuais.</i> Belo Horizonte: C/arte, pp. 89-94.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1449116&pid=S1647-6158201600030001500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo recebido a 20 de dezembro de 2015 e aprovado a 10 de janeiro de 2016</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:tatianacampagnaro@hotmail.com">tatianacampagnaro@hotmail.com</a> (Tatiana Campagnaro Martins)</p>      ]]></body><back>
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