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<publisher-name><![CDATA[Universidade de LisboaFaculdade de Belas-Artes]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Cildo Meireles: "como na tradição oral" e além]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Cildo Meireles: 'as in the oral tradition' and beyond]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) Centro de Artes Programa de Pós-Graduação em Artes]]></institution>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1647-61582016000300017&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1647-61582016000300017&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1647-61582016000300017&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Desde os anos 1960, Cildo Meireles traz o campo da "oralidade" como suporte de sua produção artística, que exige em sua estrutura uma "biografia" construtiva. Sob este eixo, a instalação Elemento Desaparecendo/ Elemento Desaparecido (2002) se apropria da "tradição oral", cuja ativação pode acenar e repor em questão um sistema social existente, inserindo-lhe contrainformações críticas.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Since the 1960s, Cildo Meireles brings the field of "orality" to support his artistic production, which requires in its structure a "constructive" biography. Under this perspective, the installation Disappearing Element/Missing Element (2002) appropriates the "oral tradition", which activation can point and replace into question existing social system, inserting counterpropaganda criticism.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Cildo Meireles: &quot;como na tradi&ccedil;&atilde;o oral&quot; e al&eacute;m</b></p>     <p><b>Cildo Meireles: &#39;as in the oral tradition&#39; and beyond</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Angela Grando&#42;</b></p>     <p>&#42;Membro do Conselho Editorial e Professora Universit&aacute;ria. </p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Federal do Esp&iacute;rito Santo (UFES), Centro de Artes, Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Artes. Av. Fernando Ferrari, 514, Goiabeiras, Vit&oacute;ria &#8211; ES, CEP 29075-910, Brasil. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b> </p>     <p>Desde os anos 1960, Cildo Meireles traz o campo da &quot;oralidade&quot; como suporte de sua produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica, que exige em sua estrutura uma &quot;biografia&quot; construtiva. Sob este eixo, a instala&ccedil;&atilde;o Elemento Desaparecendo/ Elemento Desaparecido (2002) se apropria da &quot;tradi&ccedil;&atilde;o oral&quot;, cuja ativa&ccedil;&atilde;o pode acenar e repor em quest&atilde;o um sistema social existente, inserindo-lhe contrainforma&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas.</p>     <p><b>Palavras chave:</b> Cildo Meireles, instala&ccedil;&atilde;o, oralidade, transgress&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b> </p>     <p>Since the 1960s, Cildo Meireles brings the field of &quot;orality&quot; to support his artistic production, which requires in its structure a &quot;constructive&quot; biography. Under this perspective, the installation Disappearing Element/Missing Element (2002) appropriates the &quot;oral tradition&quot;, which activation can point and replace into question existing social system, inserting counterpropaganda criticism.</p>     <p><b>Keywords</b>: Cildo Meireles, installation, orality, transgression.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para explicar, de in&iacute;cio, o que surpreende e desconcerta no agenciamento da &quot;oralidade&quot; como elemento construtivo no trabalho de Cildo Meireles, a narrativa do pr&oacute;prio artista se imp&otilde;e:</p>     <blockquote> &#91; &#8230; &#93; <i>Um dia, depois do almo&ccedil;o, eu decidi ir at&eacute; essa rodovi&aacute;ria.</i> &#91;...&#93; <i>Quando eu me aproximei mais vi uma outra coisa estranha: os picol&eacute;s</i> &#91;...&#93;. <i>Tinha os de 1,50 que era leite, 1,00 que era fruta e a&iacute; perguntei: &quot;vem c&aacute; e esse de 0,50?&quot; O menino respondeu: &quot;Esse &eacute; s&oacute; &aacute;gua&quot;</i> (Rivitti, 2007:82). </blockquote>     <p>&Eacute; a partir desse epis&oacute;dio ocorrido em 1974, na rodovi&aacute;ria pr&oacute;xima &agrave; casa de sua av&oacute;, na periferia de Campinas, Goi&aacute;s, que Meireles relata como a ideia de seu trabalho <i>Elemento Desaparecendo / Elemento Desaparecido</i> (tema deste texto) surgiu. &Eacute; da&iacute; que apropria-se da cena e do discurso verbal para a elabora&ccedil;&atilde;o da instala&ccedil;&atilde;o exposta na XI Documenta de Kassel, em 2002. Ele diz: &quot;Eu fiquei com aquilo na cabe&ccedil;a at&eacute; esse dia l&aacute; em Madri em que contei para o Okui e ele falou para desenvolver isso&quot; (Rivitti, 2007:82).Para a montagem desse trabalho, Cildo Meireles organizou e coordenou a instala&ccedil;&atilde;o de uma pequena f&aacute;brica de picol&eacute;s em Kassel, na Alemanha, envolvendo a cria&ccedil;&atilde;o de uma logomarca (<a href="#f1">Figura 1</a>) &#8211; estampada nos uniformes, carrinhos e embalagens dos picol&eacute;s &#8211; incluindo a aquisi&ccedil;&atilde;o de equipamentos e insumos, o acordo das rela&ccedil;&otilde;es contratuais com os fornecedores e funcion&aacute;rios, bem como a produ&ccedil;&atilde;o e venda do produto em diversos carrinhos que circularam nos espa&ccedil;os p&uacute;blicos da cidade no per&iacute;odo de dura&ccedil;&atilde;o da Documenta (<a href="#f2">Figura 2</a>, <a href="#f3">Figura 3</a>). </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v7n15/7n15a17f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v7n15/7n15a17f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v7n15/7n15a17f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Os picol&eacute;s foram produzidos como o &quot;diverso do mesmo&quot;, isto considerando a materialidade das cores azul, cinza e verde de suas embalagens, os t&iacute;tulos <i>Elemento Desaparecendo/ Elemento Desaparecido</i> inscritos nos palitos de pl&aacute;stico e por terem sido disponibilizados em tr&ecirc;s formatos diferentes: achatado, cil&iacute;ndrico e c&uacute;bico, em acordo com as cores (<a href="#f4">Figura 4</a>, <a href="#f5">Figura 5</a>, <a href="#f6">Figura 6</a>). Contudo, apesar da varia&ccedil;&atilde;o desses elementos, &eacute; preciso destacar que os tr&ecirc;s &quot;tipos&quot; de picol&eacute;s eram feitos de &aacute;gua, portanto, incolores e ins&iacute;pidos. Tamb&eacute;m, ao ser usado as conven&ccedil;&otilde;es visuais e conceituais de uma ind&uacute;stria, foi criado uma perspectiva contr&aacute;ria a sua realidade, por ser constitu&iacute;da sem vis&atilde;o de lucro ou mesmo de crescimento mercadol&oacute;gico, al&eacute;m de se estabelecer em car&aacute;ter tempor&aacute;rio, o que permite pensar na sua pr&oacute;pria &quot;desmaterializa&ccedil;&atilde;o&quot;, e</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> &#91;...&#93; <i>ficou desde o in&iacute;cio acordado que os rendimentos l&iacute;quidos da venda do produto (descontados os custos vari&aacute;veis de produ&ccedil;&atilde;o e comercializa&ccedil;&atilde;o) seriam integralmente distribu&iacute;dos entre os funcion&aacute;rios envolvidos, subvertendo, assim, a l&oacute;gica de apropria&ccedil;&atilde;o e acumula&ccedil;&atilde;o de valor em que se ancora a produ&ccedil;&atilde;o capitalista.</i> (Anjos, 2010:68) </blockquote> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v7n15/7n15a17f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v7n15/7n15a17f5.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6"><img src="/img/revistas/est/v7n15/7n15a17f6.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A obra &eacute; particularmente uma proposta de a&ccedil;&atilde;o e participa&ccedil;&atilde;o. O objeto picol&eacute;, tanto pelas inscri&ccedil;&otilde;es <i>Elemento Desaparecendo / Elemento Desaparecido</i> em seus palitos, quanto por estar afeito a ser consumido, direciona o espectador a refletir e interagir com a obra. Por exemplo, a a&ccedil;&atilde;o de ingerir o picol&eacute;, leva a desmaterializa&ccedil;&atilde;o do objeto e o l&iacute;quido (&aacute;gua) passa a circular no corpo do observador. Ou seja, a partir do momento em que a interven&ccedil;&atilde;o &eacute; realizada a materialidade do objeto (picol&eacute;) perde sua solidez e evapora. Este processo pode provocar uma inquietude, relacionada &agrave; multiplicidade de valores que emergem do processo da obra. Por exemplo, n&atilde;o se pode deixar de ser atingido pela inquietude de que a exist&ecirc;ncia da &aacute;gua seja preservada, considerando as condi&ccedil;&otilde;es que, hoje, podem tornar sua exist&ecirc;ncia comprometida. O trabalho opera uma experi&ecirc;ncia desconcertante, um Acontecimento. E que significa isto, Acontecimento? Na defini&ccedil;&atilde;o de Deleuze e Guattari, o que acontece, o que &eacute; do Acontecimento porta a dimens&atilde;o da revela&ccedil;&atilde;o, do excesso. Contudo, a sua experimenta&ccedil;&atilde;o d&aacute;-se como uma falta, ou seja, a revela&ccedil;&atilde;o do Acontecimento conflui como um excesso-falta, pela impossibilidade de se dizer o tudo/absoluto do que acontece/Acontecimento. Como explicar um s&oacute; momento com diversas articula&ccedil;&otilde;es? Sem se petrificar no passado ou no presente, o Acontecimento entrela&ccedil;a o tempo e o sentido, ao produzir diferen&ccedil;a no pr&oacute;prio sujeito. E, sem se confundir com o sujeito, o que acontece se atualiza num corpo, num vivido, como modo intensivo e flutuante, sem se petrificar. Nas palavras desses fil&oacute;sofos: &quot;Nada se passa a&iacute;, mas tudo se torna, de tal maneira que o acontecimento tem o privil&eacute;gio de recome&ccedil;ar quando o tempo passou&quot; (Deleuze, 1992:204). O intervalo entre o ocorrido e aquele por advir dura um tempo perec&iacute;vel e conserva algo de vis&iacute;vel e diz&iacute;vel, mas tamb&eacute;m de invis&iacute;vel e indiz&iacute;vel, podendo se expandir em um seguimento de reitera&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>O instante de subtra&ccedil;&atilde;o do picol&eacute; (evapora&ccedil;&atilde;o do l&iacute;quido) instaura uma experi&ecirc;ncia equivalente a uma &quot;espera infinita que j&aacute; passou infinitamente&quot; (Deleuze, 1992:203). O ef&ecirc;mero se aproxima da no&ccedil;&atilde;o de Acontecimento, o quena leitura de Deleuze &eacute; tamb&eacute;m chamado de &quot;entre-tempo&quot; e pode ser descrito como algo sem localiza&ccedil;&atilde;o temporal precisa, ou segundo suas palavras: &quot;o presente passa (em sua escala), ao passo que o ef&ecirc;mero conserva e conserva-se (na sua escala)&quot; (Deleuze & Guattari, 1992:55). Sem reduzir, na coincid&ecirc;ncia da evapora&ccedil;&atilde;o do l&iacute;quido do picol&eacute; com o aparecimento da inscri&ccedil;&atilde;o &quot;elemento desaparecido&quot;, o espectador pode produzir (ou n&atilde;o) uma reflex&atilde;o cr&iacute;tica e redirecionar o processo est&eacute;tico que subsiste nessa experi&ecirc;ncia, ou seja, que persiste no tempo, naquilo que se envolve com a linguagem, tornando poss&iacute;vel sua expans&atilde;o. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Na fronteira entre fic&ccedil;&atilde;o e realidade, ou  &quot;pertencendo simultaneamente a esses dois mundos&quot;</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&quot;A mim&quot;, diz Cildo Meireles, &quot;parecia que nas artes pl&aacute;sticas era um desafio fascinante chegar a essa situa&ccedil;&atilde;o da oralidade como suporte&quot; (Cildo, 2014:104). Para tanto, a &quot;oralidade&quot; cria conceitos, d&aacute; partida &agrave; ideia que vai se formalizar, &eacute; ligada a diversos tipos de situa&ccedil;&atilde;o &#8211; experi&ecirc;ncias vividas, acontecimentos pol&iacute;ticos, imagin&aacute;rio popular, hist&oacute;rias religiosas e liter&aacute;rias &#8211; e se desloca por temporalidades impuras, dial&eacute;ticas. Nesse sentido, a oralidade se insere na &quot;biografia&quot; da obra, e n&atilde;o somente pontua uma conex&atilde;o entre a constru&ccedil;&atilde;o da coisa escrita ou contada e a forma, como coloca em situa&ccedil;&atilde;o a dial&eacute;tica entre a pr&aacute;tica pl&aacute;stica e a montagem te&oacute;rica. Ainda, se articula na trilha do conceito de &quot;sintoma&quot;, como empregado por George Didi-Huberman (Didi-Huberman, 2002:49), tratado como um campo de imagens, multidimensional, receptivo ao anacronismo do tempo e a historicidade de que emerge. Para este historiador, &quot;a obra pensa&quot; e nos dizeres de Cildo Meireles &quot;&#91;...&#93; cada traballho tem uma esp&eacute;cie de biografia&quot; (Soares, 2006:72), a arte deve encorajar o pensar, seduzir.</p>     <p>Como se sabe, nos finais dos anos 1960 e in&iacute;cio dos anos 1970, o trabalho de Cildo Meireles se faz numa pr&aacute;xis experimental, que extrai de uma inst&acirc;ncia antropol&oacute;gica e da rela&ccedil;&atilde;o entre arte e sociedade um modo de pensar. E, aspira contra divulgar mensagens ou fazer circular por meio da especificidade da arte &quot;uma for&ccedil;a social&quot; que deve produzir um efeito modificador no meio circundante. Isso significa dizer que trabalhos como <i>Inser&ccedil;&otilde;es em circuitos ideol&oacute;gicos: Projeto Coca-Cola</i> (Meireles, 1981:22) ouas mensagens do <i>Projeto c&eacute;dula</i> (Meireles, 1981:26) colocaram em situa&ccedil;&atilde;o um sentido cr&iacute;tico ante a realidade, mecanismo recuperado e reutilizado em outros de seus trabalhos posteriores. &Eacute; o caso de <i>Elemento Desaparecendo / Elemento Desaparecido</i>, que reivindica o real para, sem se tornar estranho a ele, transgredir ativamente o seu campo. Conforme um processo que extrai mat&eacute;rias de um campo para criar uma nova maneira de pensar e, ao mesmo tempo, mudar com esse processo as condi&ccedil;&otilde;es em que o observador se encontra. Isto, no sentido da personaliza&ccedil;&atilde;o do receptor, que &quot;pode converter-se em emissor&quot;, diz Meireles. </p>     <p>E, interagir com o <i>Elemento Desaparecendo / Elemento Desaparecido</i>, &eacute; lidar com um discurso ininterrupto de quest&otilde;es diversas &#8211; conceitual, oral, sinest&eacute;sica, po&eacute;tica &#8211; que implica em repotencializar as coisas, &quot;transgredir o real&quot;. Seria uma pr&aacute;tica art&iacute;stica, diz Meireles, operando numa escala industrial: &quot;em vez de trazer algo do universo industrial (<i>ready-mades</i>) para o interior do universo da arte, queria possibilitar a interven&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo no mundo industrial &#91;...&#93;&quot; (Cildo, 2014:104). O trabalho funciona como industrializa&ccedil;&atilde;o de objeto art&iacute;stico pela pr&oacute;pria organiza&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que &eacute; uma f&aacute;brica. Donde, Cildo Meireles classificar esse trabalho, assim como <i>Camel&ocirc;</i> (1998), como &quot;poemas industriais&quot;. Sobre esta quest&atilde;o j&aacute; foi dito que: &quot;Esses dois trabalhos parecem atestar, pela precariedade evidente dos objetos que lhes d&atilde;o corpo, a batalha desigual da poesia contra a ind&uacute;stria&quot; (Anjos, 2010:71). Nesse confronto, o produto final &eacute; ent&atilde;o oferecido na forma de mercadoria de consumo individual e privilegia aquele que deseja e pode comprar, mas a&iacute; se flagra uma troca: n&atilde;o s&oacute; de um objeto ordin&aacute;rio para um &quot;objeto art&iacute;stico&quot; como tamb&eacute;m da no&ccedil;&atilde;o de p&uacute;blico de arte pela aquela de comprador. E, por mais que se busque visibilidade para essa imagem, ela nos escapar&aacute;, porque n&atilde;o &eacute; apreendida pelo retiniano, escapa ao campo de percep&ccedil;&atilde;o visual, pois inclui um processo de tempo e de a&ccedil;&otilde;es n&atilde;o constitu&iacute;das como vis&iacute;veis. Ao comentar isto, retomo Deleuze que esclarece: &quot;As visibilidades n&atilde;o se definem pela vis&atilde;o, mas s&atilde;o complexos de a&ccedil;&otilde;es e paix&otilde;es, de a&ccedil;&otilde;es e rea&ccedil;&otilde;es, de complexos multissensoriais que v&ecirc;m &agrave; luz&quot; (Deleuze, 1988:68). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p><i>Elemento Desaparecendo / Elemento Desaparecido</i> se funda no seu pr&oacute;prio enunciado, se cumpre ao enunciar-se, ao explicitar-se. O verbo desaparecer, conjugado no ger&uacute;ndio e no partic&iacute;pio, dirige o foco tanto para a coisa (obra) quanto para a atitude do sujeito (observador) defronte a coisa, pela indecis&atilde;o que pode afetar seu discernimento na quest&atilde;o ontol&oacute;gica. O trabalho arma um circuito de inteligibilidade que se movimentaria infiltrado nas pr&aacute;ticas individuais e nas condi&ccedil;&otilde;es sociais (<i>habitus</i>) do observador. Ao participar da experi&ecirc;ncia, este vai levar adiante a hist&oacute;ria que, sob interfer&ecirc;ncia volunt&aacute;ria ou n&atilde;o, vai se alterar sem perder alguns dados procedentes. Essa inser&ccedil;&atilde;o do observador no processo da obra forja o pensamento expansivo, faz emergir tens&otilde;es na percep&ccedil;&atilde;o e no sensorial, que persistem na pluralidade de experi&ecirc;ncias e podem se repotencializar a cada vez que s&atilde;o retomadas, revelando-se alguns detalhes ou omitindo-se outros. Contudo, a ideia original do trabalho &eacute; preservada. Nas palavras de Meireles: </p>     <blockquote> &#91;...&#93; <i>se pensarmos bem, veremos que a oralidade &eacute; o elemento essencial das rela&ccedil;&otilde;es sociais no Brasil</i> &#91;...&#93;. <i>O seu dinamismo se passa sobretudo no seu plano da cria&ccedil;&atilde;o verbal cotidiana, e n&atilde;o h&aacute; raz&atilde;o para que os chamados artistas pl&aacute;sticos n&atilde;o explorem esse fato. Gostaria que meus trabalhos pudessem ser &quot;manipulados&quot; mesmo por aqueles que tenham apenas ouvido falar deles. Mesmo porque, como a l&iacute;ngua, a arte n&atilde;o tem dono</i> (Meireles, 2009:29). </blockquote>     <p>Nessa perspectiva a oralidade se movimenta naquele eixo proclamado por Benjamin, no qual &quot;o narrador retira da experi&ecirc;ncia o que ele conta: sua pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia ou a relatada pelos outros. E incorpora as coisas narradas &agrave; experi&ecirc;ncia dos seus ouvintes&quot; (Benjamin, 1987:201). Por isso mesmo, &eacute; o movimento de coisas t&atilde;o diversas que vai organizar a &quot;biografia da obra&quot;, e essa partilha &eacute; sua constitui&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica, o que a identifica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Anjos, Moacir (2010) &quot;Cildo Meireles: A ind&uacute;stria e a poesia&quot;. In: Anjos, Moacir. <i>Cr&iacute;tica, Moacir dos Anjos</i> / &#91;coordena&ccedil;&atilde;o da s&eacute;rie e apresenta&ccedil;&atilde;o Luiza Mello & Marisa Mello&#93; &#8211; Rio de Janeiro: Automatica. &#91;Consult. 2014-03-03&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.automatica.art.br/images/arte_bra_moacir_dos_anjos_mail.pdf" target="_blank">http://www.automatica.art.br/images/arte_bra_moacir_dos_anjos_mail.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1449263&pid=S1647-6158201600030001700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Benjamin, Walter (1987) &quot;O Narrador&quot;. In: <i>Magia e T&eacute;cnica, Arte e Pol&iacute;tica. Ensaios sobre Literatura e Hist&oacute;ria da Cultura. Obras Escolhidas</i>. Vol. 1. (tradu&ccedil;&atilde;o: Sergio Paulo Rouanet). S&atilde;o Paulo: Ed. Brasiliense.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1449264&pid=S1647-6158201600030001700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Deleuze, Gilles (1988) <i>Foucault</i> (tradu&ccedil;&atilde;o Claudia Sant&#39;Anna Martins). S&atilde;o Paulo: Brasiliense,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1449266&pid=S1647-6158201600030001700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Deleuze, Gilles (1996) &quot;O atual e o virtual&quot;. In: Alliez, &Eacute;ric. (1996) <i>Deleuze Filosofia Virtual</i>. S&atilde;o Paulo: Ed. 34, p. 47-57.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1449268&pid=S1647-6158201600030001700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Deleuze, Gilles; Guattari, Felix. (1992) <i>O que &eacute; a filosofia?</i> Rio de Janeiro: Ed. 34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1449270&pid=S1647-6158201600030001700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Didi-Huberman, Georges (2002) <i>L&#39; Image Survivante: Histoire de l&#39; art et temps des fant&ocirc;mes selon Aby Warburg</i>. Paris : &Eacute;ditions du Minuit.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1449272&pid=S1647-6158201600030001700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Meireles, Cildo (1981) <i>Cildo Meireles</i>. &#91;Textos de Ronaldo Brito e Eudoro Augusto Macieira de Souza&#93;. Rio de Janeiro: Edi&ccedil;&atilde;o FUNARTE,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1449274&pid=S1647-6158201600030001700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Meireles, Cildo (2009) <i>Cildo Meireles</i>. Organiza&ccedil;&atilde;o Felipe Scovino. Cole&ccedil;&atilde;o Encontros. Rio de Janeiro: Beco do Azougue.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1449276&pid=S1647-6158201600030001700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Rivitti, Tha&iacute;s de Souza (2007) <i>A id&eacute;ia de circula&ccedil;&atilde;o na obra de Cildo Meireles</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado. Universidade de S&atilde;o Paulo, Escola de Comunica&ccedil;&otilde;es e Artes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1449278&pid=S1647-6158201600030001700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Soares, Valeska; Meireles, Cildo; Neto, Ernesto (2006) <i>Sedu&ccedil;&otilde;es: Valeska Soares, Cildo Meireles, Ernesto Neto</i>: &#91;instala&ccedil;&otilde;es, June 9-October 15, 2006, Daros Exhibitions&#93; Z&uuml;rich: Hatje Cantz Pub.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo recebido a 30 de dezembro de 2015 e aprovado a 10 de janeiro de 2016</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:angelagrando@yahoo.com.br">angelagrando@yahoo.com.br</a> (Angela Grando)</p>      ]]></body><back>
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