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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A geometria de Rui Effe: um sensível conceito]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article reaffirms the idea that semiotic theory in its North American headquarters, which can be perceived as critical and creative platform, in the universe of contemporary art. One significant example is the Portuguese artist Rui Effe. He, by himself, professor of semiotics discipline at the Polytechnic Institute of Cávado and Ave, in Barcelos, makes significant use of a sensitive geometry that, through careful observation of the landscape, he defines a visual mediated structures, appearances and revealing concepts of acute semiotic knowledge - bringing to converge practice and consciousness of the language.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>A geometria de Rui Effe: um sens&iacute;vel conceito</b></p>     <p><b>The geometry of Rui Effe: a sensitive concept</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Marcos Rizolli&#42;</b></p>     <p>&#42;Brasil, artista visual. Membro do Conselho Editorial. Licenciatura em Educa&ccedil;&atilde;o Art&iacute;stica (Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de Campinas &#8211; PUC/Campinas). Mestrado e Doutorado em Comunica&ccedil;&atilde;o e Semi&oacute;tica: Artes (Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo &#8211; PUC/SP).</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Presbiteriana Mackenzie, Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o, Arte e Hist&oacute;ria da Cultura, Grupo de Pesquisa <i>Arte e Linguagens Contempor&acirc;neas</i> &#8211; CNPq (L&iacute;der). Rua da Consola&ccedil;&atilde;o, 930 &#8211; Pr&eacute;dio 16, S&atilde;o Paulo (SP), CEP 01302-907, Brasil.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b> </p>     <p>Este artigo reafirma a ideia de que a teoria semi&oacute;tica, em sua matriz norteamericana, pode ser percebida como plataforma cr&iacute;tico-criativa, no universo das artes contempor&acirc;neas. Um significativo exemplo: o artista portugu&ecirc;s Rui Effe. Ele mesmo, professor da disciplina Semi&oacute;tica no Instituto Polit&eacute;cnico do C&aacute;vado e Ave, em Barcelos, faz uso expressivo de uma sens&iacute;vel geometria que, atrav&eacute;s da observa&ccedil;&atilde;o atenta da paisagem, define uma visualidade mediada por estruturas, apar&ecirc;ncias e conceitos reveladores de agudo conhecimento semi&oacute;tico &#8211; fazendo convergir pr&aacute;tica e consci&ecirc;ncia de linguagem. </p>     <p><b>Palavras chave:</b> Rui Effe, semi&oacute;tica, geometria.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b></p>     <p>This article reaffirms the idea that semiotic theory in its North American headquarters, which can be perceived as critical and creative platform, in the universe of contemporary art. One significant example is the Portuguese artist Rui Effe. He, by himself, professor of semiotics discipline at the Polytechnic Institute of C&aacute;vado and Ave, in Barcelos, makes significant use of a sensitive geometry that, through careful observation of the landscape, he defines a visual mediated structures, appearances and revealing concepts of acute semiotic knowledge &#8211; bringing to converge practice and consciousness of the language.</p>     <p><b>Keywords:</b> Rui Effe, semiotics, geometry.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A Semi&oacute;tica &#8211; a teoria geral dos signos, em sua matriz norteamericana, postulada por Charles Sanders Peirce &#8211; enquanto ferramenta de estudo acerca das linguagens parece ser um justo recurso para a defini&ccedil;&atilde;o de uma cr&iacute;tica de arte centrada na visualidade art&iacute;stica contempor&acirc;nea. Pois, se considerarmos os elementos presentes nas semioses art&iacute;sticas, poderemos entender a Semi&oacute;tica em dupla argumenta&ccedil;&atilde;o: ao tempo que o conhecimento semi&oacute;tico instrui a pr&aacute;tica de linguagem, permite ao artista contempor&acirc;neo exercer, como primeiro fruidor, a an&aacute;lise cr&iacute;tica de sua obra &#8211; em exerc&iacute;cios semi&oacute;ticos abdutivos &#8211; que seriam, em si, o m&eacute;todo da inventividade e da criatividade, na linguagem.</p>     <p>A dimens&atilde;o meta-criativa das semioses art&iacute;sticas deve compreender o conceito abdutivo na gera&ccedil;&atilde;o de valores cr&iacute;tico-criativos.</p>     <p>Um artista que bem poderia corporificar essa demanda &eacute; o portugu&ecirc;s Rui Effe, que vive e trabalha entre Braga e Lisboa. Licenciado em Artes Pl&aacute;sticas &#8211; Pintura, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, com P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Dire&ccedil;&atilde;o Art&iacute;stica pela Escola Superior Art&iacute;stica do Porto e Mestrado em Artes Pl&aacute;sticas e Comunica&ccedil;&atilde;o Art&iacute;stica pela Universidade do Minho, o artista vem desenvolvendo desde 1999 in&uacute;meros trabalhos: ilustra&ccedil;&otilde;es, pinturas, objetos, instala&ccedil;&otilde;es, v&iacute;deo-arte e meta-poemas &#8211; j&aacute; com visibilidade internacional. Effe tem atuado, ainda, como docente no Instituto Polit&eacute;cnico do C&aacute;vado e Ave &#8211; justamente na disciplina de Semi&oacute;tica.</p>     <p>Portanto, como artista e professor, atua no arco aplicado das semioses art&iacute;sticas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Geometria Pr&aacute;tica</b></p>     <p>A arte de Rui Effe manifesta-se toda estruturada &agrave; partir de uma consci&ecirc;ncia geom&eacute;trica que resulta numa not&aacute;vel intelig&ecirc;ncia formal. O artista se apropria da natureza, da paisagem e dos lugares para, imageticamente, conciliar: geografia e geometria; tri e bidimensionalidade; sobre e justaposi&ccedil;&atilde;o; percep&ccedil;&atilde;o e cogni&ccedil;&atilde;o &#8211; em dimens&atilde;o autoral.</p>     <p>Parece ser, por esse motivo, um artista cl&aacute;ssico &#8211; aquele sujeito criativo que observa a natureza como se fosse um fen&ocirc;meno &agrave; espera da ordem mental humana. E assim, poder&iacute;amos dizer acerca da geometria pr&aacute;tica de Rui Effe o mesmo que Salmi afirmou sobre Michelangelo: </p>     <blockquote><i>V&ecirc; beleza na correspond&ecirc;ncia da forma com a ideia, pois a beleza depende da intencionalidade, isto &eacute;, da adequa&ccedil;&atilde;o da forma ao seu objetivo</i> &#91;...&#93;. <i>A propor&ccedil;&atilde;o &eacute; qualitativa</i> &#91;...&#93;<i>. &Eacute; uma medida intelectual</i> (Salmi, 1996: 44). </blockquote>     <p>Mais recentemente, Effe vem elaborando trabalhos que se referem &agrave;s paisagens e aos lugares. Assim, entre pr&aacute;tica e consci&ecirc;ncia de linguagem, se encontrou de forma irrevers&iacute;vel com a sua voca&ccedil;&atilde;o de artista-ge&ocirc;metra: ao insistentemente perseguir as propriedades das imagens, reduzindo-lhes &agrave; ess&ecirc;ncia; ao inventivamente perceber as estruturas formais, ampliando-lhes &agrave; express&atilde;o &#8211; sempre em vi&eacute;s anal&iacute;tico.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>E, entre todas as formas de express&atilde;o da qual o artista se ocupa, as colagens de pequenos formatos, seriam seu dispositivo mais agudamente revelador das conex&otilde;es abdutivas entre suas semioses expressivas e suas singulares s&iacute;nteses semi&oacute;ticas.</p>     <p>O artista experimenta a geometria para compreender a linguagem. Age nas estruturas de uma abstra&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima para referir-se &agrave; paisagem. Seus lugares geom&eacute;tricos evocam um estado metodologicamente intimista: o procedimento da forma recortada traduz, sem representar, um desenho mental (<a href="#f1">Figura 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v7n16/7n16a08f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Muito apropriadamente, Effe conduz seu processo criativo para uma produ&ccedil;&atilde;o visual rigorosa, para definir uma ordem formal que espelha &#8211; e revela &#8211; a geometria como argumento e m&eacute;todo. Os recortes &#8211; de pap&eacute;is e figuras &#8211; e as colagens &#8211; de formas e textos &#8211; acentuam a sua predisposi&ccedil;&atilde;o para o recurso <i>control C-control V</i> da express&atilde;o art&iacute;stica contempor&acirc;nea: a montagem &#8211; m&eacute;todo que faz interagir os mais diversificados c&oacute;digos de linguagem. M&eacute;todo que faz amalgamar suas semioses em po&eacute;ticas visuais que, de t&atilde;o rigorosas e talmente &iacute;ntimas, disp&otilde;e-se ao estabelecimento de uma geometria imprecia, livre de m&eacute;tricas e instrumentos.</p>     <p>A voca&ccedil;&atilde;o de ge&ocirc;metra instrui o artista. A norma geom&eacute;trica prapara a sensibilidade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Geometria Sens&iacute;vel</b></p>     <p>A plataforma geom&eacute;trica adotada pelo artista revela suas inten&ccedil;&otilde;es expressivas: observar os elementos estruturantes das imagens &#8211; da natureza, da paisagem e dos lugares; suas proje&ccedil;&otilde;es, seus linearismos, suas formas &#8211; para dar-lhes visibilidade, numa visualidade construtiva, cerebralmente constituida, que lhes retira da condi&ccedil;&atilde;o sensorial para alcan&ccedil;arem, na linguagem, uma dimens&atilde;o sens&iacute;vel. </p>     <p>Parece ser, dessa forma, um artista moderno &#8211; aquele criador encantado com as apar&ecirc;ncias das estruturas geom&eacute;tricas. Effe &eacute;, assim, um artista-ge&ocirc;metra, que age expressivamnente em usofruto, de uma linhagem de artistas como Vassily Kandinsky ou Paul Klee, que operavam a visualidade, justamente para requer, da linguagem visual, sua condi&ccedil;&atilde;o de autonomia perante o mundo dos fen&ocirc;menos e, portanto, das representa&ccedil;&otilde;es figurativas, desencadeando os processos e os procedimentos da metalinguagem &#8211; moderna e abstrata (<a href="#f2">Figura 2</a>, <a href="#f3">Figura 3</a>).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v7n16/7n16a08f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v7n16/7n16a08f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Bem assim, como gostaria Baudelaire, aqui citado por Jaff&eacute;:</p>     <blockquote><i>...o pressentimento de que, al&eacute;m da realidade objetiva, pudesse existir uma outra &#8211; um mundo imaterial, incorp&oacute;reo, que nem os olhos nem as m&atilde;os poderiam colher e somente a imagina&ccedil;&atilde;o e a fantasia poderiam decifrar</i> (Jaff&eacute;, 1983: 287). </blockquote>     <p>Sob este ponto de vista, podemos imaginar que Rui Effe pensa como C&egrave;zanne:</p>     <blockquote><i>Devemos olhar a natureza como se ningu&eacute;m a tivesse visto antes de n&oacute;s. Sendo artista, devo ter um olhar original. Sendo artista, penso, sobretudo, nas sensa&ccedil;&otilde;es visuais</i> (C&egrave;zanne, cartas a Emile Bernard, 1904). </blockquote>     <p>Ou, ainda, mais filosoficamente:</p>     <blockquote><i>Justamente quando a natureza se retrai, a vida da consci&ecirc;ncia humana alcan&ccedil;a a sua plenitude, a sua autonomia, a sua m&aacute;xima for&ccedil;a e pode deslocar-se da natureza por n&atilde;o mais necessitar de exemplos, deixando de ser esse o espelho que reflete a certeza do ser: a consci&ecirc;ncia continua vivendo e operando o mundo; na realidade, n&atilde;o h&aacute; mais necessidade de medidas fora da linguagem</i> (Heidegger, 2010: 36). </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para experimentar as suas ess&ecirc;ncias estrutrurantes, Effe elabora uma geometria plasticamente imprecisa. Contudo, agudamente autoral. Respondendo aos seus desejos de forma, arma estrat&eacute;gias: faz das estruturas geom&eacute;tricas, contiguamente, seu fundamento criativo e seu argumento visual para se aproximar do mundo &#8211; e , dele, se apropriar.</p>     <p>Abdica da condi&ccedil;&atilde;o perceptiva do mundo, para definir um universo aut&ocirc;nomo. Ent&atilde;o, Rui Effe, com seu instigante geometrismo &#8211; nuclear, conc&ecirc;ntrico e rigoroso; orbital, exc&ecirc;ntrico e impreciso &#8211; empresta da paisagem a sua ess&ecirc;ncia, para transform&aacute;-la em linguagem.</p>     <p>Suas folhas de papel e seus recortes formais alcan&ccedil;am a narrativa pr&oacute;pria das complexidades semi&oacute;ticas. Sua arte, ent&atilde;o, se descola das apar&ecirc;ncias formais para adotar um exerc&iacute;cio intelectual que busca nas refer&ecirc;ncias da hist&oacute;ria da arte os registros que ir&atilde;o consolidar o seu lugar abdutivo &#8211; para se reconhecer numa geometria conceitual. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Geometria Conceitual</b></p>     <p>Rui Effe &eacute;, ent&atilde;o, um artista contempor&acirc;neo &#8211; aquele que t&atilde;o bem sabe conciliar a tr&iacute;ade semi&oacute;tica: qualidade e indexicalidade, devidamente encapsuladas pela dimens&atilde;o simb&oacute;lica da visualidade. A pr&aacute;tica consciente de linguagem permite ao artista vislumbrar a transcria&ccedil;&atilde;o da natureza. Torna o mundo o seu lugar simb&oacute;lico e, entre imagens e textos, exerce a mais alta abstra&ccedil;&atilde;o humana. Entre o visual e o verbal, gera uma geometria parit&aacute;ria entre percep&ccedil;&atilde;o e cogni&ccedil;&atilde;o (<a href="#f4">Figura 4</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v7n16/7n16a08f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Para pensar a geometria das imagens:</p>     <blockquote><i>A imagem &eacute; uma sabedoria que antecede a filosofia e a representa&ccedil;&atilde;o. As imagens que se aprofundam em suas pr&oacute;prias qualidades vivem como um choque a separa&ccedil;&atilde;o do corpo para imaginar a exist&ecirc;ncia</i> (Beuys, 1990: 83). </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Effe, de modo irrevers&iacute;vel, se posicina na esfera intelectual da cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica. A sua peculiar geometria &#8211; pr&aacute;tica e sens&iacute;vel &#8211; torna-se, de modo cada vez mais evidente, o pretexto para a realiza&ccedil;&atilde;o de colagens que exp&otilde;em as tens&otilde;es de espa&ccedil;o e tempo, como se fossem excertos de sua exist&ecirc;ncia.</p>     <p>Para reafirmar tal ponto de vista, poder&iacute;amos revindicar, em excertos, a voz de B&aacute;rbara Valentina, que nos informa:</p>     <blockquote><i>Um percurso singular que come&ccedil;ou no desenho, onde utilizava o seu elemento mais elementar e depurado: a linha... as rela&ccedil;&otilde;es que lhe interessam s&atilde;o as do eu com o espa&ccedil;o... questiona as no&ccedil;&otilde;es de percep&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o e da forma... todo o trabalho do artista &eacute; feito de</i> &#91;...&#93; <i>pormenores que indicam algo maior... abandonou a mera representa&ccedil;&atilde;o figurativa para avan&ccedil;ar sobre uma linha conceitual... Rui Effe dedica-se (&agrave;s) interroga&ccedil;&otilde;es dos lugares que intervenciona... opta por criar um di&aacute;logo com a natureza... questiona dessa forma a fun&ccedil;&atilde;o</i> &#91;...&#93; <i>e o lugar da obra de arte</i> (Valentina, 2011). </blockquote>     <p>Assim, percebemos que a linha deslocou-se do gesto manual e resultou compreendida pelo linearismo dos recortes operados pelas l&aacute;minas da tesoura ou do estilete. A forma, por sua vez, atende ao estado mental na gera&ccedil;&atilde;o de cont&iacute;nuas tens&otilde;es entre forma e espa&ccedil;o, para determinar lugares conceituais, em estatuto simb&oacute;lico.</p>     <p>Afinal, o artista se apresenta no centro de suas experi&ecirc;ncias e deve refletir sobre a sua posi&ccedil;&atilde;o no processo produtivo:</p>     <blockquote><i>A imagina&ccedil;&atilde;o junto com a acuidade anal&iacute;tica formam a coluna dorsal do racioc&iacute;nio</i> &#91;...&#93; <i>A doutrina dos signos &eacute; essencial &agrave; vis&atilde;o do pensamento como um di&aacute;logo. Os signos s&atilde;o a mat&eacute;ria do pensamento, o di&aacute;logo sua forma, uma forma b&aacute;sica, geral, que abra&ccedil;a toda a for&ccedil;a da imagina&ccedil;&atilde;o e todas as formas de pensamento cr&iacute;tico</i> (Santaella, 1993: 175-6). </blockquote>     <p>As estruturas formais e escrituras lineares de Rui Effe configuram o conhecimento semi&oacute;tico do artista. No mesmo instante, definem a sua express&atilde;o art&iacute;stica. A geometria &eacute; come&ccedil;o, meio e fim. Natureza, abstra&ccedil;&atilde;o, cultura.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Rui Effe, ent&atilde;o, apresenta seus lugares geom&eacute;tricos. Lugares de s&iacute;ntese universal, que dialogam abdutivamente: com a arte cl&aacute;ssica, que buscava a beleza na ordem; com a arte moderna, que reinvidicava a autonomia da linguagem; para se inserirem na contemporaneidade das express&otilde;es art&iacute;sticas, revelando argumentos, questionando conceitos &#8211; em dimens&atilde;o intelectual.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A arte de Effe exp&otilde;e lugares geom&eacute;tricos que revelam a tr&iacute;ade semi&oacute;tica: icone, como qualidade sens&iacute;vel; &iacute;ndice, como fato sensorial; s&iacute;mbolo, como argumento cultural.</p>     <p>Em s&iacute;ntese: de todos os lugares, um lugar conceitual que precisa alcan&ccedil;ar o espectador. Ao gerar a forma geom&eacute;trica, o artista atribui densidade sens&iacute;vel &agrave; cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica.</p>     <p>Se dar&aacute;, finalmente, a sua reden&ccedil;&atilde;o criativa: um arco tensional no qual o artista cria, produz e teoriza. Bem assim: contribuindo com a defini&ccedil;&atilde;o de uma linhagem art&iacute;stica &#8211; aquela dos artistas-pensadores, que t&ecirc;m a hist&oacute;ria da arte como horizonte, a linguagem da arte como meta... e a cr&iacute;tica como fim!</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Beuys, Joseph (1990) <i>Joseph Beuys Block Beuys</i>. Munchen: Schirmer/Mosel. ISBN 3-88814-288-1&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1450048&pid=S1647-6158201600040000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>C&egrave;zanne, Paul (1904) <i>Fac-S&iacute;mile de carta enviada a Emile Bernard</i>. Aix-En-Provence: Casa C&egrave;zanne.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1450049&pid=S1647-6158201600040000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Jaff&eacute;, Hans Ludwig Cohn (1983) <i>20,000 years of world painting.</i> London: Greenwich. ISBN 978-051-7426-04-3&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1450051&pid=S1647-6158201600040000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Heidegger, Martin (2010) A origem da obra de arte. Lisboa: 70. ISBN 978-856-2938-03-0&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1450052&pid=S1647-6158201600040000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Salmi, Mario (1996) <i>Michelangelo &#8211; artista &#8211; pensatore &#8211; scrittore</i>. Novara: DeAgostini. ISBN: 978-884-1538-97-5&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1450053&pid=S1647-6158201600040000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Santaella, Lucia (1993) <i>Metodologia Semi&oacute;tica: fundamentos</i> (Livre Doc&ecirc;ncia). S&atilde;o Paulo: Escola de Comunica&ccedil;&atilde;o e Artes da Universidade de S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1450054&pid=S1647-6158201600040000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Valentina, B&aacute;rbara (2011) &quot;Quase Nada.&quot; In <i>Rui Effe</i>. &#91;em linha&#93; Blog &#91;Consult. 2015-12-21&#93;. Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://ruieffe.blogspot.com" target="_blank">http://ruieffe.blogspot.com</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1450056&pid=S1647-6158201600040000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo recebido a 26 de dezembro de 2015 e aprovado a 10 de janeiro de 2016</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:marcos.rizolli@mackenzie.br">marcos.rizolli@mackenzie.br</a> (Marcos Rizolli)</p>     ]]></body>
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