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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Arte contemporânea: proposições olfatórias e gustativas]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article is about contemporary art matters, whose limits are diluted in the relations that are established between procedures and form, as well as in the exploitation of other senses, and not only in the appraisal done through vision interpretation. It approaches poetic propositions of Brazilian artists Isabel Sommer and Lucimar Bello, that provoque aesthetic experiences through the senses of smell and taste, generating new dialogues with art.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Arte contempor&acirc;nea: proposi&ccedil;&otilde;es olfat&oacute;rias e gustativas</b></p>     <p><b>Contemporary Art: Olfactory and taste propositions</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Lurdi Blauth&#42; & Fernanda de Christo&#42;&#42;</b></p>     <p>&#42;Brasil, artista visual. Lincenciatura em Desenho e Pl&aacute;stica; Mestre e Doutora em Po&eacute;ticas Visuais, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Feevale, Programa de P&oacute;s Gradua&ccedil;&atilde;o em Processos e Manifesta&ccedil;&otilde;es Culturais. Avenida Dr. Maur&iacute;cio Cardoso, n&ordm; 510, Hamburgo Velho, Novo Hamburgo, RS, CEP 93030-220, Brasil.</p>     <p>&#42;&#42;Brasil, artista visual, bailarina. Universidade Feevale, Artes Visuais (FEEVALE).</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Ballerin Cia de Dan&ccedil;a. Rua Affonso Schmitt, &ordm; 158, Centro, Picada Caf&eacute;, RS, CEP 95175-000, Brasil.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b></p>     <p>Este artigo trata de quest&otilde;es da arte contempor&acirc;nea, cujos limites s&atilde;o dilu&iacute;dos nas rela&ccedil;&otilde;es que se estabelecem entre procedimentos e suportes, bem como na explora&ccedil;&atilde;o de outros sentidos, e n&atilde;o apenas na aprecia&ccedil;&atilde;o por meio da interpreta&ccedil;&atilde;o da vis&atilde;o. Aborda proposi&ccedil;&otilde;es po&eacute;ticas das artistas brasileiras Isabel Sommer e Lucimar Bello, que provocam experi&ecirc;ncias est&eacute;ticas com os sentidos do olfato e do gosto, gerando novos di&aacute;logos com a arte.</p>     <p><b>Palavras chave:</b> mem&oacute;ria, ac&uacute;mulos, processo de cria&ccedil;&atilde;o, experi&ecirc;ncia est&eacute;tica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b></p>     <p>This article is about contemporary art matters, whose limits are diluted in the relations that are established between procedures and form, as well as in the exploitation of other senses, and not only in the appraisal done through vision interpretation. It approaches poetic propositions of Brazilian artists Isabel Sommer and Lucimar Bello, that provoque aesthetic experiences through the senses of smell and taste, generating new dialogues with art.</p>     <p><b>Keywords:</b> memory, accumulations, creation process, aesthetic experience.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b> </p>     <p>Na arte contempor&acirc;nea, determinadas proposi&ccedil;&otilde;es interagem na fronteira entre o que comp&otilde;e ac&uacute;mulos e h&aacute;bitos cotidianos e o que pode ser considerado uma experi&ecirc;ncia est&eacute;tica. Materiais e suportes convencionais da arte s&atilde;o substitu&iacute;dos por a&ccedil;&otilde;es que agu&ccedil;am, para al&eacute;m da vis&atilde;o contemplativa, os sentidos do olfato e do gosto evocando mem&oacute;rias, lembran&ccedil;as e outras partilhas sens&iacute;veis. </p>     <p>Neste estudo, enfocamos proposi&ccedil;&otilde;es de duas artistas brasileiras sobre cujos trabalhos, mesmo tendo distintos percursos e processos de cria&ccedil;&atilde;o, procuramos tecer algumas aproxima&ccedil;&otilde;es. </p>     <p>A artista visual Isabel Sommer (1964), reside na cidade de Esteio, RS, &eacute; graduada em Artes Visuais, (2009) e p&oacute;s-graduada em Pintura, Gravura e Processos H&iacute;bridos, Universidade Feevale, Novo Hamburgo, RS, (2011). Desenvolve a sua pesquisa por meio de diferentes linguagens art&iacute;sticas e suportes, bem como realiza interven&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas em espa&ccedil;os urbanos, interagindo diretamente com o transeunte da cidade. Participa de exposi&ccedil;&otilde;es coletivas e realiza exposi&ccedil;&otilde;es individuais em diversos espa&ccedil;os e institui&ccedil;&otilde;es culturais. </p>     <p>A artista visual Lucimar Bello (1946), vive em S&atilde;o Paulo, SP, &eacute; graduada em Belas Artes pela Universidade Federal de Minas Gerais, (1970), tem doutorado em Artes pela Universidade de S&atilde;o Paulo (1993). &Eacute; p&oacute;s-doutora no N&uacute;cleo de Estudos da Subjetividade, PUC/SP (2008). Realiza exposi&ccedil;&otilde;es individuais e coletivas no Brasil e em diversos outros pa&iacute;ses. Sua pesquisa em Artes Visuais envolve processos de cria&ccedil;&atilde;o em arte contempor&acirc;nea, arte e seu ensino, arte e comunidades.</p>     <p>A inten&ccedil;&atilde;o de abordarmos experi&ecirc;ncias est&eacute;ticas de Sommer e Bello, vem de encontro com um dos eixos conceituais que tratou da quest&atilde;o do envolvimento dos sentidos, proposto pelo Curador-Chefe e historiador Gaud&ecirc;ncio Fidelis, na 10&ordf; Bienal do Mercosul, 2015, em Porto Alegre, RS/Brasil (Funda&ccedil;&atilde;o Bienal, 2015). Essa exposi&ccedil;&atilde;o internacional teve como tem&aacute;tica geral &quot;Mensagens de uma nova Am&eacute;rica&quot;, que foi subdividida em quatro campos conceituais, com o intuito de sinalizar o significado cultural e art&iacute;stico da produ&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea. Considerou o substrato hist&oacute;rico da arte, apresentando obras can&ocirc;nicas e n&atilde;o can&ocirc;nicas, as quais propunham mostrar um amplo percurso hist&oacute;rico e suas poss&iacute;veis conex&otilde;es com produ&ccedil;&otilde;es e manifesta&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas atuais. </p>     <p>Um dos eixos tem&aacute;ticos dessa Bienal, denominado &quot;A Insurg&ecirc;ncia dos Sentidos&quot;, explorou outros meios de apreciar a arte, isto &eacute;, prop&ocirc;s ir al&eacute;m do olhar interpretativo e absoluto atribu&iacute;do exclusivamente &agrave; vis&atilde;o. Para Fidelis, (2015) ao instigar o olfato do p&uacute;blico, abandona-se o &quot;regime do ocularcentrismo&quot; e abre-se um outro campo de alternativas para o engajamento de outros sentidos na realiza&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias curatoriais para a produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica &#8211; diferente daquela baseada na vis&atilde;o, com sua perspectiva excludente e discriminat&oacute;ria. </p>     <p>Mencionamos o artista H&eacute;lio Oiticica (1937-1980), por exemplo, de quem havia trabalhos na Bienal, como a obra <i>Tropic&aacute;lia</i>, que visa agu&ccedil;ar os sentidos do espectador. A obra &eacute; um labirinto constru&iacute;do com uma arquitetura improvisada, semelhante &agrave;s favelas, um cen&aacute;rio tropical com plantas caracter&iacute;sticas e araras. O p&uacute;blico caminha descal&ccedil;o, pisando em areia, brita, &aacute;gua, experimentando sensa&ccedil;&otilde;es t&aacute;teis. Tais proposi&ccedil;&otilde;es criativas fazem refer&ecirc;ncia ao experimental como uma possibilidade de explorar algo desconhecido, ou como o pr&oacute;prio artista refletia: &quot;acham-se coisas que se veem todos os dias mas que jamais pens&aacute;vamos procurar. &Eacute; a procura do mesmo na coisa &#91;...&#93;.&quot; (Oiticica, apud Fervenza, 2012: 56). Assim como os <i>Penetr&aacute;veis</i> de Oiticica, entre outras obras, a pr&aacute;xis art&iacute;stica &eacute;, igualmente, dilatada pelas viv&ecirc;ncias sensoriais com o corpo do participante, propostas por Lygia Clark (1920-1988), gerando novos questionamentos em rela&ccedil;&atilde;o aos dispositivos normativos dos meios e materiais da arte. </p>     <p>Entendemos que, numa mostra de arte de envergadura internacional, por exemplo, s&atilde;o sinalizados recortes de possibilidades est&eacute;ticas que instigam estranhamentos e outras percep&ccedil;&otilde;es, colocando em curso viv&ecirc;ncias cotidianas que podem ser reordenadas poeticamente. Sob esse aspecto, identificamos singularidades nas pr&aacute;ticas art&iacute;sticas de Isabel Sommer e Lucimar Bello que suscitam mem&oacute;rias e lembran&ccedil;as por meio de experi&ecirc;ncias com os outros sentidos, gerando novos di&aacute;logos po&eacute;ticos com a arte contempor&acirc;nea.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Proposi&ccedil;&otilde;es olfat&oacute;rias e gustativas</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1.1 <i>Ac&uacute;mulos</i> reordenados no espa&ccedil;o expositivo de Isabel Sommer</b></p>     <p>As distintas interlocu&ccedil;&otilde;es est&eacute;ticas presentes no contexto da arte atual s&atilde;o desdobradas e experienciadas pela artista Isabel Sommer que, em suas proposi&ccedil;&otilde;es criativas, busca um novo sentido para os excessos e os ac&uacute;mulos produzidos pela sociedade de consumo. Atenta aos res&iacute;duos e materiais encontrados no cotidiano, Sommer recolhe, interfere, transforma e reestrutura determinados objetos para reconfigur&aacute;-los como objetos art&iacute;sticos, como &quot;objetos pensantes que promovem o alargamento do conceito de arte&quot; (D&#39;Angelo, 2012: 105) (<a href="#f1">Figura 1</a>). </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v7n16/7n16a15f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A artista, no ato de escolher, recolher e acumular objetos, aproxima-se do <i>bricoleu</i>r que, segundo o antrop&oacute;logo L&eacute;vi-Strauss (1976), coleta materiais e res&iacute;duos que podem ser reaproveitados algum dia. Para a obra denominada <i>Ac&uacute;mulos</i>, exposta na Pinacoteca da Feevale, (2015), Sommer, apropria-se da estrutura de um simples sach&ecirc; de ch&aacute;, utilizado diariamente, modifica seu formato para uma dimens&atilde;o maior (35 x 26 cm) e o reproduz 400 vezes. Esses in&uacute;meros sach&ecirc;s s&atilde;o pigmentados com terra, caf&eacute; e distintos ch&aacute;s, ao mesmo tempo em que s&atilde;o preenchidos e aromatizados com alfafa e hortel&atilde;. Ao serem reordenados e suspensos em varais nas paredes do espa&ccedil;o expositivo, os objetos s&atilde;o deslocados da fun&ccedil;&atilde;o original para o qual foram produzidos (<a href="#f2">Figura 2</a> e <a href="#f3">Figura 3</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v7n16/7n16a15f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v7n16/7n16a15f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O espectador, ao adentrar a exposi&ccedil;&atilde;o, &eacute; absorvido pela repeti&ccedil;&atilde;o desses in&uacute;meros objetos mas &eacute;, simultaneamente, afetado pelos cheiros misturados que impregnam todo o ambiente. Ao sentir o odor de alfafa e hortel&atilde; dos sach&ecirc;s, o espectador testemunha, talvez, &quot;a exist&ecirc;ncia de certa rela&ccedil;&atilde;o do pensamento com o n&atilde;o-pensamento, de certa presen&ccedil;a do pensamento na materialidade sens&iacute;vel, do involunt&aacute;rio no pensamento consciente e do sentido no insignificante&quot; (Ranci&egrave;re, 2009: 11). Sentidos mudos s&atilde;o potencializados e evocam outros lugares, cujas estruturas sens&iacute;veis movem-se numa esp&eacute;cie de arquitetura de sentidos. Os cheiros remetem &agrave;s lembran&ccedil;as de viv&ecirc;ncias, pois elementos terra e ar est&atilde;o presentes neste trabalho na medida em que incorpora manchas de caf&eacute;, terra e ch&aacute;s nos sach&ecirc;s objetos. E, na tentativa de identificar a origem destes cheiros, entram em curso lembran&ccedil;as e mem&oacute;rias e, talvez, nesse experienciar subjetivo, algo possa ser transformado, algo que remeta a outras <i>partilhas sens&iacute;veis</i> (Ranci&egrave;re, 2009). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1.2. <i>Desenhos de comer</i> de Lucimar Bello</b></p>     <p>As proposi&ccedil;&otilde;es criativas de Lucimar Bello envolvem a produ&ccedil;&atilde;o de sentidos a partir da utiliza&ccedil;&atilde;o de outras pr&aacute;ticas art&iacute;sticas que instigam e redimensionam a participa&ccedil;&atilde;o do espectador que passa a fazer parte de a&ccedil;&otilde;es que compartilham experi&ecirc;ncias e que v&atilde;o para al&eacute;m da arte. Tais pr&aacute;ticas art&iacute;sticas, no entendimento de Ranci&egrave;re (2009: 17), &quot;s&atilde;o maneiras de fazer que interv&ecirc;m nas maneiras de ser e formas de visibilidade&quot;, recolocando em causa a quest&atilde;o da partilha sens&iacute;vel, como uma possibilidade de abrir discuss&otilde;es est&eacute;ticas.</p>     <p>Os <i>Desenhos de Comer,</i> fazem parte das investiga&ccedil;&otilde;es po&eacute;ticas de Lucimar Bello que s&atilde;o a&ccedil;&otilde;es criativas, realizadas desde 2009, com pessoas e comunidades de diferentes lugares feitas por meio de experimenta&ccedil;&otilde;es gustativas. Neste trabalho, a artista percorre a cidade local, onde vai realizar a a&ccedil;&atilde;o, para adquirir pequenas coisas comest&iacute;veis que s&atilde;o reorganizadas sobre uma mesa, formando desenhos muito singulares. Ao mesmo tempo, veste-se, em algumas a&ccedil;&otilde;es, como um <i>chef</i> de cozinha que, de certa maneira, tamb&eacute;m s&atilde;o performances, pois a artista convida os participantes a sentarem &agrave; mesa. Iniciam-se a intera&ccedil;&atilde;o de conversas, percep&ccedil;&otilde;es, afetos e sensa&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o aos h&aacute;bitos cotidianos de comer, os quais, diante do mundo apressado de hoje, na maioria das vezes, n&atilde;o s&atilde;o mais saboreados (<a href="#f4">Figura 4</a>, <a href="#f5">Figura 5</a> e <a href="#f6">Figura 6</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v7n16/7n16a15f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v7n16/7n16a15f5.jpg"></a>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6"><img src="/img/revistas/est/v7n16/7n16a15f6.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Para a artista, o projeto cont&iacute;nuo do comer e o saborear, implicam em colocar o participante em opera&ccedil;&atilde;o reflexiva com o seu pr&oacute;prio corpo, sinalizando que a exist&ecirc;ncia deve ser interpretada &quot;pelo pensamento e pelas experimenta&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m gustativas&quot; (Bello, 2013). Sob esse aspecto, traz &agrave; tona &quot;o irrepresent&aacute;vel que desconcerta o pensamento&quot; (Bello, 2013), com viv&ecirc;ncias sens&iacute;veis que propiciam contatos e trocas de percep&ccedil;&otilde;es e sentidos entre os participantes. </p>     <p>As conviv&ecirc;ncias participativas proporcionadas pela artista em diferentes locais, promovem experi&ecirc;ncias diretas com h&aacute;bitos cotidianos que refletem tamb&eacute;m a diversidade cultural de cada lugar onde s&atilde;o realizadas as a&ccedil;&otilde;es. Bello menciona Jacques Ranci&egrave;re (2009: 11) que fala sobre a &#39;f&aacute;brica do sens&iacute;vel&#39;, e considera &quot;os atos est&eacute;ticos como configura&ccedil;&otilde;es da experi&ecirc;ncia, que ensejam novos modos do sentir e induzem novas formas de subjetiva&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica&quot;. Nesse contexto, os acontecimentos gustativos, igualmente implicam no compartilhar coletivo de experi&ecirc;ncias que podem sinalizar sensibilidades, afetos e ser tocadas por meio da arte. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Nas obras de ambas artistas, o espectador &eacute; convocado a instaurar novos sentidos e, nessa a&ccedil;&atilde;o, participa de opera&ccedil;&otilde;es que buscam articular a partilha sens&iacute;vel com o outro. Essas articula&ccedil;&otilde;es geram significados que suscitam algo que vai al&eacute;m da racionalidade e da sensibilidade, e nos leva a interrogar a vida e nossa pr&oacute;pria hist&oacute;ria. O exerc&iacute;cio experimental da arte e seu entrela&ccedil;amento ao cotidiano da vida, mostram que a arte n&atilde;o se direciona apenas ao olhar, mas, enfatiza o processo vivencial.</p>     <p>O deslocamento das fronteiras e as contamina&ccedil;&otilde;es da arte, em seus modos de transformar e pensar, provocam o redimensionamento da arte como objeto, valorizando-se o processo de cria&ccedil;&atilde;o em suas possibilidades de relacionar visibilidades do fazer. S&atilde;o entrela&ccedil;adas certezas e incertezas em a&ccedil;&otilde;es que evocam sentidos outros como detectamos nas pr&aacute;ticas est&eacute;ticas de Sommer e Bello. Isabel Sommer, em <i>Ac&uacute;mulos,</i> traz &agrave; tona cheiros, que podem remeter &agrave; redescoberta de mem&oacute;rias e lembran&ccedil;as de algo vivenciado ou, ao contr&aacute;rio, experienciar algo ainda n&atilde;o vivenciado. J&aacute; Lucimar Bello, em <i>Desenhos de Comer</i>, busca ressignificar pequenos gestos cotidianos, como o pegar coisas m&iacute;nimas para comer e levar &agrave; boca. A opera&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica entre gostos, cheiros, sabores doces e amargos evoca rela&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas, pol&iacute;ticas e culturais, bem como suscita pensamentos, olhares, sensibilidades e narrativas que revelam rituais em seus m&uacute;ltiplos sentidos. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Bello, Lucimar. (2013) <i>Desenhos de comer, cer&acirc;micas para viver, desenhos de comer, para itaparica e travessias, tr&ecirc;s experimenta&ccedil;&otilde;es</i>. &#91;Consult. 2015 12 22&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://anpap.org.br/anais/2013/ANAIS/simposios/08/Lucimar&#37;20Bello&#37;20Frange.pdf" target="_blank">http://anpap.org.br/anais/2013/ANAIS/simposios/08/Lucimar&#37;20Bello&#37;20Frange.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1450747&pid=S1647-6158201600040001500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Funda&ccedil;&atilde;o Bienal (2015) Projeto curatorial &#91;Consult. 2015 11 28&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.fundacaobienal.art.br/site/pt/bienais/10D&#39;" target="_blank">URL: http://www.fundacaobienal.art.br/site/pt/bienais/10D&#39;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1450748&pid=S1647-6158201600040001500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></a></p>     <!-- ref --><p>Angelo, Martha (2012) <i>Tudo &eacute; arte, portanto a arte n&atilde;o existe.</i> In: Vinhosa, Luciano; D&#39;Angelo, Martha (orgs.) (2012) <i>Interlocu&ccedil;&otilde;es &#8211; est&eacute;tica, produ&ccedil;&atilde;o e cr&iacute;tica de arte.</i> Rio de Janeiro: Apicuri. ISBN: 978-85-61022-70-9&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1450750&pid=S1647-6158201600040001500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Fervenza, H&eacute;lio (2012) <i>Formas de apresetna&ccedil;&atilde;o: experi&ecirc;ncia, autonomia, escritos de artistas</i>. In: Vinhosa, Luciano; D&#39;Angelo, Martha (orgs.) (2012) <i>Interlocu&ccedil;&otilde;es &#8211; est&eacute;tica, produ&ccedil;&atilde;o e cr&iacute;tica de arte.</i> Rio de Janeiro: Apicuri. ISBN: 978-85-61022-70-9&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1450751&pid=S1647-6158201600040001500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Fidelis, Gaud&ecirc;ncio (2015) <i>O cheiro como crit&eacute;rio em dire&ccedil;&atilde;o a uma pol&iacute;tica olfat&oacute;ria em curadoria</i>.Chapec&oacute;, SC: Argus. ISBN: 978-85-7897-146-5&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1450752&pid=S1647-6158201600040001500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ranci&egrave;re, Jacques (2009) <i>A partilha do sens&iacute;vel</i>. S&atilde;o Paulo: EXO experimental org; Editora 34 (2&ordf; edi&ccedil;&atilde;o). ISBN: 978-85-7326-321-3&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1450753&pid=S1647-6158201600040001500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ranci&egrave;re, Jacques (2009) <i>O inconsciente est&eacute;tico</i>. S&atilde;o Paulo: Editora 34 (1&ordf; edi&ccedil;&atilde;o). ISBN: 978-85-7326-438-8&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1450754&pid=S1647-6158201600040001500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Artigo completo recebido a 29 de dezembro de 2015 e aprovado a 10 de janeiro de 2016</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:nucleoderelacionamento@feevale.br">nucleoderelacionamento@feevale.br</a> (Lurdi Blauth)</p>      ]]></body><back>
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