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<publisher-name><![CDATA[Universidade de LisboaFaculdade de Belas-Artes]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA["Através de um corpo que dói": Reflexões sobre o trabalho de Sandra Maria Lucia Pereira Gonçalves]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA["Through a body that hurts": Reflections on the work of Sandra Maria Lucia Pereira Gonçalves]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (FABICO) Departamento de Comunicação Social]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article refers to the analysis of the photographic series "An x-rayed body is a body that hurts, even if in silence" of the visual artist and Brazilian researcher Sandra Maria Lucia Pereira Gonçalves through the guiding concept of"Genetic criticism", as explained by Cecília Almeida Salles in "Gesto Inacabado: Processo de Criação Artística" (2004).]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b> "Atrav&eacute;s de um corpo que d&oacute;i": Reflex&otilde;es sobre o trabalho de Sandra Maria Lucia Pereira Gon&ccedil;alves</b></p>     <p><b> "Through a body that hurts": Reflections on the work of Sandra Maria Lucia Pereira Gon&ccedil;alves</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Andr&eacute;a Br&auml;cher&#42;</b></p>     <p>&#42;Brasil, professora e pesquisadora, artista visual na &aacute;rea de fotografia. Gradua&ccedil;&atilde;o em Publi cidade e Propaganda, Faculdade de Biblioteconomia e Comunica&ccedil;&atilde;o (FABICO) Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestrado em Hist&oacute;ria, Teoria e Cr&iacute;tica Artes Visuais, Instituto de Artes, UFRGS. Doutorado em Po&eacute;ticas Visuais, UFRGS.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Faculdade de Biblioteconomia e Comunica&ccedil;&atilde;o (FABICO), Departamento de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, &Aacute;rea de Fotografia. FABICO  &ndash;  Faculdade de Biblioteconomia e Comunica&ccedil;&atilde;o/UFRGS. Rua Ramiro Barcelos, 2705 Campus Sa&uacute;de. Porto Alegre  &ndash;  CEP 90035-007. Rio Grande do Sul. Brasil. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b> </p>     <p>O presente artigo refere-se &agrave; an&aacute;lise da s&eacute;rie fotogr&aacute;fica "Um corpo radiografado, &eacute; um corpo que d&oacute;i, mesmo que em sil&ecirc;ncio" da artista visual e pesquisadora brasileira Sandra Maria Lucia Pereira Gon&ccedil;alves atrav&eacute;s do conceito norteador de "Cr&iacute;tica gen&eacute;tica", conforme explicitado por Cec&iacute;lia Almeida Salles em "Gesto Inacabado: Processo de Cria&ccedil;&atilde;o Art&iacute;stica" (2004).</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Instagram / smarthphone / raio-X / cr&iacute;tica gen&eacute;tica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b> </p>     <p>This article refers to the analysis of the photographic series "An x-rayed body is a body that hurts, even if in silence" of the visual artist and Brazilian researcher Sandra Maria Lucia Pereira Gon&ccedil;alves through the guiding concept of"Genetic criticism", as explained by Cec&iacute;lia Almeida Salles in "Gesto Inacabado: Processo de Cria&ccedil;&atilde;o Art&iacute;stica" (2004).</p>     <p><b>Keywords:</b> Instagram / smarthphone / X-ray / genetic criticism.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este artigo tem como foco de sua an&aacute;lise a artista visual e pesquisadora na &aacute;rea da Fotografia Sandra Maria Lucia Pereira Gon&ccedil;alves (Rio de Janeiro, RJ/Brasil 1956) e seu trabalho recente, intitulado: "Um corpo radiografado, &eacute; um corpo que d&oacute;i, mesmo que em sil&ecirc;ncio".</p>     <p>Sandra Maria Lucia Pereira Gon&ccedil;alves &eacute; Professora Associada do Departamento de Comunica&ccedil;&atilde;o Social da Faculdade de Biblioteconomia e Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), possui gradua&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o Visual pela Escola de Belas-Artes (EBA) da Universidade Federal do Rio de Janeiro e em Ci&ecirc;ncias Sociais pelo Instituto de Filosofia e Ci&ecirc;ncias Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS). Seu mestrado e doutorado &eacute; em Comunica&ccedil;&atilde;o e Cultura na Escola de Comunica&ccedil;&atilde;o (ECO/ UFRJ). Desde 2000, produz e exp&otilde;e obras relacionadas &agrave; fotografia que possuem, como ponto de partida, a fotografia anal&oacute;gica. Publica regularmente artigos que refletem sobre o fotogr&aacute;fico. Seu foco de interesse atual se dirige a quest&otilde;es relacionadas &agrave; narrativas visuais e que possuem fotolivros como suporte de an&aacute;lise.</p>     <p>Na s&eacute;rie analisada para este artigo, est&atilde;o apresentadas imagens digitais intrigantes com misto de cores, preto-e-branco em alto contraste, ossos (partes internas do corpo) e paisagem que s&atilde;o fruto da mesti&ccedil;agem de materiais de exames de imagens (radiol&oacute;gicos) que "filtram" a paisagem carioca, dando novos sentidos m&uacute;ltiplos desse ver "atrav&eacute;s".</p>     <p>Atrav&eacute;s dos pais, nascemos; atrav&eacute;s deles recebemos nossa carga gen&eacute;tica; atrav&eacute;s deles recebemos nossa educa&ccedil;&atilde;o; atrav&eacute;s deles recebemos amor. Com o passar dos anos, nos vemos naquele momento de vida em que nos transformamos nos cuidadores de nossos pais, respons&aacute;veis por sua sa&uacute;de e bem-estar. Nessas imagens, Sandra Gon&ccedil;alves nos mostra a complexa dimens&atilde;o da dor  &ndash;  representadas pelas imagens de partes do corpo de seus pais j&aacute; em idade avan&ccedil;ada, aqui retratadas pelas <a href="#f1">Figura 1</a>, <a href="#f2">Figura 2</a> e <a href="#f3">Figura 3</a>.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v8n17/8n17a07f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v8n17/8n17a07f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v8n17/8n17a07f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na <a href="#f1">Figura 1</a>, a imagem &eacute; referente ao ombro de sua m&atilde;e; na imagem da <a href="#f2">Figura 2</a>, pode-se visualizar o joelho de seu pai (radiografados ap&oacute;s queda e ap&oacute;s repouso for&ccedil;ado, o que acarretou em inflama&ccedil;&atilde;o do joelho, na <a href="#f2">Figura 2</a>) e tamb&eacute;m a paisagem nost&aacute;lgica da janela da casa de seus pais.</p>     <p>Para analisar o trabalho da artista, &eacute; proposto utilizar o conceito norteador de "Cr&iacute;tica Gen&eacute;tica", conforme escreve Cec&iacute;lia Almeida Salles:</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>    <blockquote><I>A cr&iacute;tica gen&eacute;tica &eacute; uma investiga&ccedil;&atilde;o que v&ecirc; a obra de arte a partir de sua constru&ccedil;&atilde;o. Acompanhando o seu planeamento, execu&ccedil;&atilde;o e crescimento, o cr&iacute;tico gen&eacute;tico preocupa-se com a melhor compreens&atilde;o do processo de cria&ccedil;&atilde;o. &Eacute; um pesquisador que comenta a hist&oacute;ria da produ&ccedil;&atilde;o de obras de natureza art&iacute;stica, seguindo as pegadas deixadas pelos criadores. Narrando a g&ecirc;nese da obra, ele pretende tornar o movimento leg&iacute;vel e revelar alguns dos sistemas respons&aacute;veis pela gera&ccedil;&atilde;o da obra. Essa cr&iacute;tica refaz, com o material que possui, a g&ecirc;nese da obra e descreve os mecanismos que sustentam essa produ&ccedil;&atilde;o</i> (Salles, 2004: 12-3).</blockquote></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>A s&eacute;rie em quest&atilde;o &eacute; recente, 2016, e encontra-se em execu&ccedil;&atilde;o. Formar&atilde;o tamb&eacute;m o arcabou&ccedil;o de informa&ccedil;&otilde;es para o desenvolvimento a seguir: entrevista com a artista e seus escritos n&atilde;o publicados  &ndash;  que j&aacute; foram cedidos para a reda&ccedil;&atilde;o deste artigo.</p>     <p>Pretende-se, igualmente, ir ao encontro do Tema Geral do CSO 2017, qual seja: "Os artistas conhecem, admiram e comentam a obra de outros artistas  &ndash;  seus colegas de trabalho, pr&oacute;ximos ou distantes. Existem entre eles afinidades que se desejam dar a ver" (CSO, 2017).</p>     <p>A artista tem minha admira&ccedil;&atilde;o pessoal pela maturidade, pesquisa e seriedade com que desenvolve sua produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica, desligada de tend&ecirc;ncias e temporalidades do mercado de arte.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>1. "Atrav&eacute;s de um Corpo que D&oacute;i" ou "Nunca te prometi um jardim de flores"</b></p>     <p>Sandra Maria Lucia Pereira Gon&ccedil;alves voltou a produzir em 2016 de "caso com o acaso". Ao olhar um exame de imagem de seus pais, intuitivamente, fez aquele gesto que normalmente fazemos  &ndash;  direcionou um raio-X para a zona de maior incid&ecirc;ncia de luz do c&otilde;modo da casa de seus pais no Rio de Janeiro. Ao olhar atrav&eacute;s da imagem, seu olhar de fot&oacute;grafa percebeu uma imagem composta de ossos e tamb&eacute;m paisagem, que passava atrav&eacute;s da janela. Neste "clic", nasceu a s&eacute;rie que hora escrevo.</p>     <p>A mesma vem sendo criada e publicada no Instagram, &uacute;nica rede social que a fot&oacute;grafa utiliza em seu dia-a-dia, que acessa a partir de seu telefone celular &ndash; um smartphone. As imagens individuais criaram vida e foram destinadas &agrave;s midias sociais. L&aacute;, foi onde me deparei com elas e onde capturaram, por sua for&ccedil;a, tamb&eacute;m o meu olhar. Portanto, n&atilde;o h&aacute; um di&aacute;rio f&iacute;sico ou computador, que primeiramente estas imagens habitaram ou habitam. Elas s&atilde;o pura virtualidade. E, ao ritmo de "curtidas" e "coment&aacute;rios", Sandra Gon&ccedil;alves prossegue a s&eacute;rie sem um n&uacute;mero necess&aacute;rio final de imagens: agora s&atilde;o 13, 15, enquanto escrevo. Em abril de 2017, quantas ser&atilde;o?</p>     <p>Como aponta Cec&iacute;lia Almeida Salles, h&aacute; processos criativos que t&ecirc;m novas tecnologias como suporte. Ao inv&eacute;s de manuscritos, o cr&iacute;tico gen&eacute;tico ir&aacute; verificar, n&atilde;o um fim desses documentos, mas uma nova perspectiva, "que contribuem para o aumento de sua diversidade" (Salles, 2004: 16). Na fotografia, hoje, verifica-se esta mudan&ccedil;a radical de h&aacute;bitos de captura, at&eacute; mesmo, em fot&oacute;grafos com larga trajet&oacute;ria e experi&ecirc;ncia em processos anal&oacute;gicos, como no caso da artista. Fotos capturadas em smartphones s&atilde;o logo publicadas para serem apreciadas por seus seguidores. Portanto, verifica-se tamb&eacute;m uma mudan&ccedil;a na maneira de apreciar este trabalho.</p>     <p>Ao propor o artigo, Sandra Gon&ccedil;alves ainda mantinha "Atrav&eacute;s de um Corpo que D&oacute;i" como t&iacute;tulo destas fotografias. No entanto, ao longo do trabalho, mudou a s&eacute;rie de nome para "Nunca te prometi um jardim de flores", inspirada por recentemente ter inclu&iacute;do nesta paisagem a imagem de flores de um jardim e a sutileza de que a velhice n&atilde;o promete amenidades na sa&uacute;de, seja de quem for, a de nossos pais ou a nossa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. "Nunca te prometi um jardim de flores"</b></p>     <p>Diferentemente de Fl&aacute;vio de Carvalho na s&eacute;rie "Tr&aacute;gica" de 1947, (MAC-SP, 2017), onde desenhos retratam a m&atilde;e do artista em seu leito de morte, o trabalho de Sandra Gon&ccedil;alves trata do envelhecer numa sociedade em que os recursos tecnol&oacute;gicos propiciam diagn&oacute;sticos e tratamentos de sa&uacute;de que outras gera&ccedil;&otilde;es n&atilde;o tiveram acesso, prolongando a exist&ecirc;ncia e o evanecer.</p>     <p>Tamb&eacute;m ao utilizar-se do raio-X, ao contr&aacute;rio de artistas que questionam o pr&oacute;prio corpo ou o corpo feminino na sociedade contempor&acirc;nea, como em "Retrato &Iacute;ntimo" de Cris Bierrenbach (Bierrenbach, 2017), Gon&ccedil;alves pensa os exames de imagens  &ndash;  sempre dos pais  &ndash;  como momentos de dor. "Dor permanente que os corpos radiografados evocam" (Gon&ccedil;alves, comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, 2016). De igual modo, reflete sobre as "pernas" radiografadas: "&eacute; a perna que caminha e te leva para o mundo e, ao mesmo tempo, com a passagem dos anos, &eacute; a mobilidade que vai diminuindo" (Gon&ccedil;alves, comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, 2016). Sobre os ombros de sua m&atilde;e  &ndash;  radiografados ap&oacute;s uma queda, que deu origem a um trabalhos de "ombro da m&atilde;e e flores" (<a href="#f3">Figura 3</a>), reflete sobre: "delicadeza e a for&ccedil;a do feminino; minha m&atilde;e &eacute; e sempre foi uma pessoa forte, batalhadora, fr&aacute;gil e delicada" (Gon&ccedil;alves, comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, 2016).</p>     <p>As partes escuras nos impedem de ver claramente a paisagem, pois h&aacute; a interfer&ecirc;ncia dos ossos quebrados, rachados ou apenas machucados. A crepitude obstrui o horizonte onde se dever&iacute;am observar flores, montanhas, gaivotas e patos. &Eacute; o mundo da falta de mobilidade, da lentid&atilde;o, do escurecimento das cores, das formas, daquilo que antes era cotidiano, apraz&iacute;vel e pura alegria.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este primeiro plano radiol&oacute;gico se imp&otilde;e como barreira ao apraz&iacute;vel da paisagem. Ele impede uma vizualiza&ccedil;&atilde;o buc&oacute;lica do bairro, dos telhados, dos muros e das pixa&ccedil;&otilde;es, e mais ao longe, do mar.</p>     <p>A opacidade do material de raio-X   &ndash; , no entanto, n&atilde;o impede de se ver pelas brechas, e partes mais claras nos permitem vislumbrar, mesmo que alteradamente, um pouco do que foi esta vista da janela. A janela da fotogafia de Sandra Gon&ccedil;alves &eacute; ao mesmo tempo a janela da casa dos pais, e esse olhar sobre um momento do tempo, que mescla passado (tempo da mem&oacute;ria afetiva da artista  &ndash;  pois &eacute; o local onde seus pais residem h&aacute; anos no Rio de Janeiro, RJ  &ndash;  Brasil) e presente. &Eacute; a concomit&acirc;ncia contemplativa: imobilidade e fragilidade se d&atilde;o &agrave; mostra, como tamb&eacute;m a bela paisagem da janela.</p>     <p>Talvez uma das sementes desse trabalho tenha sido plantanda a partir de 1995, quando Sandra Gon&ccedil;alves frequentou o "Curso Bloch de Fotojornalismo", concomitantemente ao seu mestrado.</p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>     <p><I>Nesse curso/est&aacute;gio dei in&iacute;cio a um estudo sobre o tempo e a cidade atrav&eacute;s da linguagem fotogr&aacute;fica (reflex&otilde;es originadas no mestrado)  &ndash;  o tempo dos modernos e o nosso contempor&acirc;neo. Passei a observar como o passado insiste em habitar o presente, como o futuro est&aacute; j&aacute; inscrito no passado se fazendo presente nos corpos, dos homens e da cidade</i> (Gon&ccedil;alves, 2009: 2).<i></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p></i>Naquele momento o resultado foi um ensaio fotogr&aacute;fico denominado <I>Carvoarias Urbanas</i>, finalizado no ano 2000, que percorreu em exposi&ccedil;&atilde;o v&aacute;rios estados brasileiros e espa&ccedil;os expositivos importantes, como o Pal&aacute;cio do Catete (2001), Espa&ccedil;o UFF de Fotografia (2002), Centro Cultural Solar do Bar&atilde;o/ Museu da Fotografia Cidade de Curitiba (2002), Casa de Rui Barbosa (FotoRio, 2003), Galeria dos Arcos  &ndash;  Usina do Gas&otilde;metro (Porto Alegre, 2004).</p>     <p>Entretanto &eacute; no aspecto digital que v&ecirc;-se a mudan&ccedil;a significativa no trabalho de Gon&ccedil;alves. Segundo David Bate:</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <p><I>Celulares e as novas c&acirc;meras digitais oferecem para seus operadores um ponto de vista da mobilidade apenas reservado anteriormente a profissionais com pequenas c&acirc;meras Leica. Hoje, pequenos dispositivos significam uma menor intrus&atilde;o em situa&ccedil;&otilde;es e eventos</i> (Bate, 2013: 81).</p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p>Sabe-se que Sandra Gon&ccedil;alves, al&eacute;m de trabalhar com filmes (em c&acirc;meras SLR), adquiriu nos &uacute;ltimos anos uma Leica digital. Mas para momentos familiares, viagens e postagens no Instagram faz uso constante de seu smarthphone. Essa menor intrus&atilde;o &eacute; reafirmada pela quantidade de postagens de retratos de sua fam&iacute;lia nessa rede social. Esse aspecto tamb&eacute;m enseja a intimidade propiciada por estes dispositivos.</p>     <p>Bates (2013: 79) tamb&eacute;m argumenta que: "&Eacute; o computador, em sua forma miniaturizada, que torna-se um hub ou "c&eacute;rebro" para sensores de v&aacute;rios tipos. Os sensores podem ter v&aacute;rias formas, n&atilde;o apenas como c&acirc;meras &oacute;ticas de v&aacute;rias tipos (infra-vermelho, raio-X e assim por diante)&#91;...&#93;"</p>     <p>O autor, portanto, vai ao encontro de como a artista executa seu trabalho em termos t&eacute;cnicos, ratificando que &eacute; digital duplamente: pelos exames recentes de imagens que j&aacute; passaram pela tecnologia digital e sensores e, tamb&eacute;m, pela tecnologia contida em seu smarthphone.</p>     <p>Outros dois aspectos do trabalho propriciado pela tecnologia digital: formatos variados e mudan&ccedil;as de cores. J&aacute; no pr&oacute;prio telefone &eacute; poss&iacute;vel aplicarmos filtros e capturarmos imagem em diferentes dimens&otilde;es. Al&eacute;m do que, tamb&eacute;m podemos "cropar" a imagem (cortar) antes mesmo de public&aacute;-la. O celular e seus "apps" miniaturizaram a fun&ccedil;&atilde;o ora destinada ao computador e seus programas de tratamento de imagem. A artista, no entanto, costuma fazer o download das imagens em seu computador e, ent&atilde;o, fazer as modifica&ccedil;&otilde;es de cor e formato em programa espec&iacute;fico para o tratamento de imagens.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Procurou-se no artigo analisar a s&eacute;rie fotogr&aacute;fica "Um corpo radiografado, &eacute; um corpo que d&oacute;i, mesmo que em sil&ecirc;ncio" da artista visual e pesquisadora brasileira Sandra Maria Lucia Pereira Gon&ccedil;alves atrav&eacute;s do conceito norteador de "Cr&iacute;tica gen&eacute;tica", conforme explicitado por Cec&iacute;lia Almeida Salles em "Gesto Inacabado: Processo de Cria&ccedil;&atilde;o Art&iacute;stica" (2004). Utilizou-se entrevista com a artista (2016) e um Memorial (2009), texto onde a mesma revela alguns aspectos de sua produ&ccedil;&atilde;o ao longo de sua trajet&oacute;ria art&iacute;stica e acad&ecirc;mica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Verificou-se que o trabalho ainda est&aacute; em execu&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o sendo uma s&eacute;rie fechada de fotografias, motivo pelo qual, tamb&eacute;m, ao longo dos &uacute;ltimos meses, recebeu nome diferente: "Nunca te prometi um jardim de flores".</p>     <p>As imagens s&atilde;o realizadas com seu <i>smarthphone</i> a partir da vista da janela da casa de seus pais no Rio de Janeiro  &ndash;  RJ, Brasil. A artista usa como "filtro" exames de imagens  &ndash;  realizados por seus pais nos &uacute;ltimos anos. A tem&aacute;tica revela-se j&aacute; em constru&ccedil;&atilde;o desde, pelo menos os anos 2000, quando come&ccedil;ou a interessar-se pela paisagem urbana e pelo corpo. Nesta s&eacute;rie, o corpo radiografado &eacute; o corpo que ora envelhece, dando-nos a ver momentos de acidentes e enfermidades e a paisagem buc&oacute;lica de uma cidade, considerada, "Maravilhosa".</p>     <p>A artista tem como plataforma de exibi&ccedil;&atilde;o dessa s&eacute;rie o Instagram, ap&oacute;s as imagens passarem pelo computador e por programa de tratamento de imagem. O que mostra em sua trajet&oacute;ria art&iacute;stica uma passagem significativa dos meios anal&oacute;gicos para os digitais  &ndash;  tanto no aspecto da captura, do processamento, quanto da exibi&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>A artista tamb&eacute;m nos desvela um universo delicado e belo de imagens: parte cor, parte preto-e-branco. N&atilde;o intrusivas e delicadas, as imagens abordam a vida cotidiana sem mostrar, literalmente, o momento do evanecer. Lembra-nos de nossa natureza impermanente, em constante mudan&ccedil;a e dos la&ccedil;os afetivos que nos unem e nos movem, tanto na vida, como na arte.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Bates, David (2013) The digital condition of photography: cameras, computers and display. In: Lister, Martin. <I>The Photographic Image in Digital Culture</i>. New York: Routledge. ISBN: 978-0-415-53529-8&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1451599&pid=S1647-6158201700010000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bierrenbach, Cris (2017) <I>Retrato &Iacute;ntimo.</i> &#91;Consult. 20170114&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://crisbierrenbach.com/pessoal/foto/retrato-intimo/" target="_blank">http://crisbierrenbach.com/pessoal/foto/retrato-intimo/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1451600&pid=S1647-6158201700010000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Carvalho, Fl&aacute;vio de (2017) <I>S&eacute;rie Tr&aacute;gica.</i> &#91;Consult. 20170114&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://www.mac.usp.br/" target="_blank">http://www.mac.usp.br/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1451601&pid=S1647-6158201700010000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Gon&ccedil;alves, Sandra Maria Lucia Pereira (2016) <I>Instagram</i>. &#91;Consult. 20170114&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href="https://www.instagram.com/sandramlpgoncalves" target="_blank">https://www.instagram.com/sandramlpgoncalves</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1451602&pid=S1647-6158201700010000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Salles, Cec&iacute;lia Almeida (2004) <I>Gesto Inacabado: Processo de Cria&ccedil;&atilde;o Art&iacute;stica.</i> 2&ordf;. Edi&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o Paulo: FAPESP/ Annablume. ISBN: 85-7419-042-X&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1451603&pid=S1647-6158201700010000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>VIII CONGRESSO INTERNACIONAL CSO'2017 "Criadores Sobre outras" (2017) <I>Chamada.</i> &#91;Consult. 20161204&#93;. Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://cso.fba.ul.pt/chamada.htm/" target="_blank">http://cso.fba.ul.pt/chamada.htm/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1451604&pid=S1647-6158201700010000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo submetido a 20 de janeiro de 2017 e aprovado a 5 de fevereiro 2017</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:andrea.bracher@ufrgs.br">andrea.bracher@ufrgs.br</a> (Andr&eacute;a Br&auml;cher)</p>      ]]></body><back>
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