<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1647-6158</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista :Estúdio]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Estúdio]]></abbrev-journal-title>
<issn>1647-6158</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Universidade de LisboaFaculdade de Belas-Artes]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1647-61582017000200002</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Es[ins]tabilidades: as instalações de José Spaniol]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[S[ins]tabilities: the installations of José Spaniol]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Rizolli]]></surname>
<given-names><![CDATA[Marcos]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade Presbiteriana Mackenzie Programa de Pós-Graduação em Educação, Arte e História da Cultura ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[São Paulo SP]]></addr-line>
<country>Brasil</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2017</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2017</year>
</pub-date>
<volume>8</volume>
<numero>18</numero>
<fpage>18</fpage>
<lpage>25</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1647-61582017000200002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1647-61582017000200002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1647-61582017000200002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[José Paiani Spaniol é um experiente docente-pesquisador na Pós-Graduação do Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista, em São Paulo - Brasil, e atraiu nosso interesse analítico justamente por atuar, no ambiente universitário, nas fronteiras entre docência e pesquisa artística. Se reconhece como artista-pesquisador, elaborando processos formais a partir de uma insistente busca de equilíbrio entre produtividade acadêmica e produção expressiva.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[José Paiani Spaniol is an experienced lecturer at the Institute of Arts of the Paulista State University in São Paulo - Brazil, and has attracted our analytical interest precisely because of his role in the university environment at the frontiers between teaching and artistic research. It recognizes himself as an artist-researcher, elaborating formal processes based on an insistent search for a balance between academic productivity and expressive production.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[arte e pesquisa]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[arte e docência]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[instalações]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[José Spaniol]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[art and research]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[art and teaching]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[installation]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[José Spaniol]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>Dossier editorial</b></p>     <p align="right"><b>Editorial section</b></p>     <p><b>Es&#91;ins&#93;tabilidades: as instala&ccedil;&otilde;es de Jos&eacute; Spaniol</b></p>     <p><b>S&#91;ins&#93;tabilities: the installations of Jos&eacute; Spaniol</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Marcos Rizolli&#42;</b></p>     <p><b>&#42;</b>Brasil, artista visual. Licenciatura em Educa&ccedil;&atilde;o Art&iacute;stica, Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de Campinas (PUC/Campinas). Mestrado e Doutorado em Comunica&ccedil;&atilde;o e Semi&oacute;tica: Artes (PUC / S&atilde;o Paulo). </p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Presbiteriana Mackenzie, Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o, Arte e Hist&oacute;ria da Cultura, Grupo de Pesquisa Arte e Linguagens Contempor&acirc;neas  &ndash;  CNPq. Rua da Consola&ccedil;&atilde;o, 930  &ndash;  Pr&eacute;dio 16 (CEFT). S&atilde;o Paulo (SP) CEP 01302-907 Brasil. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Resumo:</b></p>     <p>Jos&eacute; Paiani Spaniol &eacute; um experiente docente-pesquisador na P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o do Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista, em S&atilde;o Paulo  &ndash;  Brasil, e atraiu nosso interesse anal&iacute;tico justamente por atuar, no ambiente universit&aacute;rio, nas fronteiras entre doc&ecirc;ncia e pesquisa art&iacute;stica. Se reconhece como artista-pesquisador, elaborando processos formais a partir de uma insistente busca de equil&iacute;brio entre produtividade acad&ecirc;mica e produ&ccedil;&atilde;o expressiva. </p>     <p><b>Palavras-chave:</b> arte e pesquisa / arte e doc&ecirc;ncia / instala&ccedil;&otilde;es / Jos&eacute; Spaniol.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Abstract:</b></p>     <p>Jos&eacute; Paiani Spaniol is an experienced lecturer at the Institute of Arts of the Paulista State University in S&atilde;o Paulo  &ndash;  Brazil, and has attracted our analytical interest precisely because of his role in the university environment at the frontiers between teaching and artistic research. It recognizes himself as an artist-researcher, elaborating formal processes based on an insistent search for a balance between academic productivity and expressive production.</p>     <p><b>Keywords:</b> art and research / art and teaching / installation / Jos&eacute; Spaniol.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Jos&eacute; Paiani Spaniol &eacute; um experiente docente-pesquisador na P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o do Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista, em S&atilde;o Paulo  &ndash;  Brasil, e atraiu nosso interesse anal&iacute;tico justamente por atuar, no ambiente universit&aacute;rio, nas fronteiras entre doc&ecirc;ncia e pesquisa art&iacute;stica. Se reconhece como artista-pesquisador, elaborando processos formais a partir de uma insistente busca de equil&iacute;brio entre produ&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica e produ&ccedil;&atilde;o expressiva.</p>     <p>Fator importante, pois o cen&aacute;rio de pesquisas acad&ecirc;micas no Brasil, notadamente aquele vinculado ao sistema nacional de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o, ainda n&atilde;o consegue assimilar ou reconhecer plenamente a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento n&atilde;o-verbal: aquele que produz, como forma de pesquisa, as linguagens art&iacute;sticas  &ndash;  entre elas, as visualidades contempor&acirc;neas.</p>     <p>Desse modo, aqui, queremos nos referir:</p>     <blockquote>     <p><i>...ao trabalho de pesquisa em cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica, empreendido por artistas que objetivam obter como produto final a obra de arte. Portanto</i> &#91;...&#93; <i>pesquisa realizada pelos artistas, ou seja, quando o artista tamb&eacute;m se assume como pesquisador e busca, com essa dupla face, obter trabalhos art&iacute;sticos como resultado de suas pesquisas</i> (Zamboni, 2001: 6).</p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p>Spaniol admite, contudo, que sua atua&ccedil;&atilde;o lim&iacute;trofe entre mundo acad&ecirc;mico e universo art&iacute;stico gera tens&otilde;es institucionais. Tens&otilde;es, essas, que parecem reverberar em suas instigantes instala&ccedil;&otilde;es. Preponderantemente artista, desafia  &ndash;  com suas ocupa&ccedil;&otilde;es intervencionistas  &ndash;  a natural voca&ccedil;&atilde;o de diversificados espa&ccedil;os institucionais: igrejas, mosteiros, universidades, galerias, museus... Gera, antes de tudo, agudos tensionamentos entre os objetos (m&oacute;veis apropriados do cotidiano ou inventivamente redesenhados) e seus ambientes. Consequentemente, desencadeia uma subvers&atilde;o simb&oacute;lica das coisas  &ndash;  claramente, porque tornam-se deslocadas de suas funcionalidades habituais e resultam em desconcertantes di&aacute;logos com os espa&ccedil;os arquitet&ocirc;nicos.</p>     <p>Spaniol, ent&atilde;o, age como um dadaista!</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Um m&eacute;todo contempor&acirc;neo</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A voca&ccedil;&atilde;o dada&iacute;sta de suas instala&ccedil;&otilde;es se revela, apropriadamente, a partir de alguns valores preciosos para as metodologias art&iacute;sticas contempor&ecirc;neas: 1) o emprego de imagens e objetos prontos  &ndash;  originado a partir de atentas observa&ccedil;&otilde;es acerca das formas das coisas, que resulta na transforma&ccedil;&atilde;o de configura&ccedil;&otilde;es aparentes em argumentos de linguagem; 2) a apropria&ccedil;&atilde;o dos objetos do cotidiano  &ndash;  deslocados de suas funcionalidades originais, tornam-se elementos manipul&aacute;veis, adulterados em suas matrizes culturais e qualificados &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o de novas identidades simb&oacute;licas; 3) o redesenho  &ndash;  que, por demanda processual, faz uso das t&eacute;cnicas gr&aacute;ficas convencionais, n&atilde;o mais por ambi&ccedil;&atilde;o figural e sim pelo car&aacute;ter especulativo do artista que busca atrav&eacute;s da ressignifica&ccedil;&atilde;o dos objetos, a surpresa formal.</p>     <p>Entretanto, a sua po&eacute;tica visual vai muito al&eacute;m dos recursos <i>nonsense</i> do Dada&iacute;smo.</p>     <p>Seu pensamento criativo, sempre tridimensional, encontra irreversivelmente a modalidade das instala&ccedil;&otilde;es  &ndash;  claramente, para exercer rigorosos dom&iacute;nios t&eacute;cnicos e procedimentais. Frequentemente de car&aacute;ter ef&ecirc;mero, as instala&ccedil;&otilde;es de Jos&eacute; Spaniol compreendem diferentes formas, encarnadas em diversificados materiais. Suas instala&ccedil;&otilde;es mobilizam objetos e espa&ccedil;os  &ndash;  incrivelmente adulterados em suas dimens&otilde;es qualitativas, indiciais e simb&oacute;licas. Ao investir na forma, o artista reivindica a interatividade e alcan&ccedil;a a monumentalidade  &ndash;  enriquecendo a arte e seus conceitos para, ent&atilde;o, anunciar e denunciar nossa contempor&acirc;nea sociedade de objetos intitucionalizados.</p>     <p>Cria e recria imagens, objetos, ambientes  &ndash;  organiza assim, as suas estabilidades e instabilidades; explora, ent&atilde;o, o homem e a natureza. Determina um arco expressivo e insere-se no seu pr&oacute;prio <i>habitat</i> po&eacute;tico.</p>     <p>A personalizada ironia com a qual o artista trata seus objetos  &ndash;  do mobili&aacute;rio &agrave; arquitetura  &ndash;  define uma metodologia inovadora que resulta numa concilia&ccedil;&atilde;o da atenta observa&ccedil;&atilde;o das formas (contornos e volumetrias) e da perspicaz percep&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os (fechamentos e aberturas) com a ambi&ccedil;&atilde;o de pesquisar suas rela&ccedil;&otilde;es. Transforma o m&eacute;todo em express&atilde;o; a pesquisa em arte.</p>     <p>Suas instala&ccedil;&otilde;es, realizadas no Mosteiro de S&atilde;o Bento e na Galeria Bar&oacute; (individual simult&acirc;nea &agrave; sua participa&ccedil;&atilde;o na 29&ordf; Bienal de S&atilde;o Paulo) e, mais recentemente, na Pinacoteca do Estado, evidenciam o car&aacute;ter militante de sua atua&ccedil;&atilde;o como professor, pesquisador e artista. Sua arte pretende refletir  &ndash;  visualmente  &ndash;  as tens&otilde;es estabelecidas entre as diferentes esferas da a&ccedil;&atilde;o humana. O artista hierarquiza a forma para questionar as institui&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Institui&ccedil;&otilde;es... Instala&ccedil;&otilde;es</b></p>     <p>Na ambi&ccedil;&atilde;o de colaborar com o aprimoramento das rela&ccedil;&otilde;es entre artistas e institui&ccedil;&otilde;es, Jos&eacute; Spaniol sempre se preocupou em apresentar sua produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica em espa&ccedil;os expositivos surpreendentes sem, contudo, abrir m&atilde;o de suas boas rela&ccedil;&otilde;es criativas com o sistema da arte. Exp&otilde;e regularmente em ambientes alternativos e espa&ccedil;os culturais  &ndash;  sem maiores restri&ccedil;&otilde;es. Age estrategicamente: instrui a linguagem, produz a forma; comercializa a arte... interv&eacute;m na cultura das institui&ccedil;&otilde;es. </p>     <p>Vamos, ent&atilde;o, aos exemplos:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A instala&ccedil;&atilde;o <I>Ascen&ccedil;&otilde;es</i>  &ndash;  apresentada na exposi&ccedil;&atilde;o <I>Arte e Espiritualidade</i>, de 2010, e concebida em parceria com o artista Marco Giannotti e o monge-artista Carlos Eduardo Uchoa  &ndash;  se revela como ente paradigm&aacute;tico na elucida&ccedil;&atilde;o de como Jos&eacute; Spaniol busca desafiar a l&oacute;gica das formas e dos espa&ccedil;os institucionalizados.</p>     <p><I>Arte e Espiritualidade</i> se deu em espa&ccedil;os at&eacute; ent&atilde;o n&atilde;o acess&iacute;veis ao p&uacute;blico. Ocupou alas secretas e &aacute;reas de acesso restrito, alterando a visibilidade e a percep&ccedil;&atilde;o do monumental pr&eacute;dio, ent&atilde;o, ocupado por 42 monges no centro da cidade de S&atilde;o Paulo. Durante a ocupa&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica, portas e janelas foram abertas, corredores e ambientes foram ocupados pelo p&uacute;blico e tantos mist&eacute;rios foram revelados: a capela do col&eacute;gio (ambiente de ora&ccedil;&atilde;o); os parlat&oacute;rios (locais de aconselhamentos espirituais); salas com janelas voltadas para o Claustro; a chamada <I>Sala do Papa</i> (Espa&ccedil;o em que Bento XVI saudou o p&uacute;blico em sua visita ao Mosteiro em 2007).</p>     <p>Em <I>Ascen&ccedil;&otilde;es</i>, o artista esvaziou antigos e esquecidos arm&aacute;rios pertencentes ao mobili&aacute;rio do Mosteiro e os elevou at&eacute; quase &agrave; altura do teto, devidamente sustentados por toras de eucalipto. "Foi o jeito que encontrei de me aproximar de um tema da religi&atilde;o" (Spaniol, 2010) (<a href="#f1">Figura 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v8n18/8n18a02f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Em outra exposi&ccedil;&atilde;o  &ndash;  <I>Cadeira e Lousas</i>, tamb&eacute;m de 2010  &ndash;  um peculiar conjunto de desenhos, fotografias, objetos e esculturas, resultou numa abrangente e instigante instala&ccedil;&atilde;o, desta vez ocupando a paulistana Galeria Bar&oacute;.</p>     <p>Spaniol abriu-se para reflex&otilde;es sobre os originais conceitos de obra de arte, objeto art&iacute;stico e instala&ccedil;&atilde;o, visto que, desde a entrada at&eacute; os mais escondidos cantos expositivos as pe&ccedil;as apresentadas geravam cont&iacute;nuas tens&otilde;es: em si; entre si; com o espa&ccedil;o. O artista, calculadamente, pensou nas anatomias da forma, nos duplos das estruturas, nas reverbera&ccedil;&otilde;es da arquitetura. Vale salientar que, potencialmente, a sede da Galeria propiciou esta reflex&atilde;o formal: o desenho geom&eacute;trico, retil&iacute;neo, do edif&iacute;cio serviu como elemento de inspira&ccedil;&atilde;o para as ocupa&ccedil;&otilde;es ali desempenhadas pelo artista.</p>     <p>Pontuando:</p>     <p>A escultura <I>Cadeiras</i>, de 2006, e que integrou a exposi&ccedil;&atilde;o, sintetiza a ideia de reflexo, materialmente constru&iacute;do pelo artista  &ndash;  dando origem a um objeto duplo. A repeti&ccedil;&atilde;o, por oposi&ccedil;&atilde;o, da forma confere &agrave;s pe&ccedil;as um aspecto paradoxal e amb&iacute;guo: "um jogo entre materialidade e reflexo. Os assentos flexionam-se, dilatando ao extremo seu pr&oacute;prio volume, como se estivessem &agrave; procura de uma outra dimens&atilde;o" (Spaniol, 2010).</p>     <p>A po&eacute;tica da exposi&ccedil;&atilde;o <I>Cadeira e Lousas</i> remeteu o p&uacute;blico visitante para novas escalas perceptivas, convidou o espectador para perceber os objetos cotidianos destitu&iacute;dos de suas fun&ccedil;&otilde;es regulares (<a href="#f2">Figura 2</a>). A est&eacute;tica de <I>Cadeira e Lousas</i> resultou no estabelecimento de uma dimens&atilde;o on&iacute;rica. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v8n18/8n18a02f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>E ir&ocirc;nica!</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Es&#91;Ins&#93;tabilidades</b></p>     <p>As rela&ccedil;&otilde;es institucionais  &ndash;  suas hierarquias, seus c&oacute;digos, suas burocracias...  &ndash;  que tanto o artista tenta desestabilizar acabou por configurar uma plataforma criativa singular: ao mesmo tempo, desafiadora e conciliadora. O artista acabou por institucionalizar, ainda que metaforicamente, a pr&oacute;pria arte e seu sistema.</p>     <p>Institucionalizou a paisagem!</p>     <p>Sua mais recente instala&ccedil;&atilde;o se deu em espa&ccedil;o museol&oacute;gico: na Pinacoteca do Estado, na cidade de S&atilde;o Paulo. Realizada em mar&ccedil;o de 2016, a exposi&ccedil;&atilde;o integrou o Projeto Oct&oacute;gono  &ndash;  Arte Contempor&acirc;nea, projeto criado em 2003 e que se destina &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o de um dos dois v&atilde;os livres da edifica&ccedil;&atilde;o  &ndash;  em estilo ecl&eacute;tico  &ndash;  com produ&ccedil;&otilde;es de arte contempor&acirc;nea em conson&acirc;ncia com o acervo da Pinacoteca.</p>     <p>Assim, <I>TIAMM SCHUOOMM CASH,</i> a instala&ccedil;&atilde;o in&eacute;dita de Jos&eacute; Spaniol, fazia refer&ecirc;ncia &agrave; sonoridade deflagrada por uma onda e foi desenvolvida a partir da observa&ccedil;&atilde;o do mar, da imprevisibilidade e da surpresa que os oceanos sugerem. Posicionada no oct&oacute;gono da Pinacoteca, foi constru&iacute;da a partir de dois barcos de madeira, medindo seis metros de comprimento cada, elevados a 10 metros de altura, sustentado por escoras de bambu (<a href="#f3">Figura 3</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v8n18/8n18a02f3.jpg"></a>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>A suspens&atilde;o dos barcos sugere uma paisagem escult&oacute;rica, na qual a aus&ecirc;ncia da &aacute;gua e de seu movimento &eacute; posto em tens&atilde;o pelo ritmo das escoras, criando um cen&aacute;rio ficcional. </p>     <p>Essa obra faz parte de uma s&eacute;rie de trabalhos relacionados &agrave;s sonoridades do mar e sugere que o observador a aprecie a partir de um ponto de vista improv&aacute;vel e desestabilizador, como explica o artista:</p>     <blockquote>     <p><i>TIAMM SCHUOOMM CASH ocupa o mesmo eixo das pinturas ascensionais, de c&uacute;pulas e dos tetos. Semelhante &agrave;s composi&ccedil;&otilde;es orientais, nos vemos diante de uma perspectiva a&eacute;rea, onde as rela&ccedil;&otilde;es espaciais n&atilde;o se definem por aspectos fixos. Esses planos elevados provocam certa vertigem, enfraquecem as medidas e tendem a dissolver os limites</i> (Spaniol, 2016).</p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Retoma-se, aqui, o car&aacute;ter fronteiri&ccedil;o de sua arte. Jos&eacute; Spaniol reivindica o movimento da mat&eacute;ria e requer o fluxo da rela&ccedil;&atilde;o forma-espa&ccedil;o. Traduz esses argumentos et&eacute;reos em energia tensional. </p>     <p>O sujeito encontra o seu equil&iacute;brio. Surge o artista pleno e o pesquisador s&ecirc;nior ao fazer de sua artisticidade a mais leg&iacute;tima plataforma criativa para suas pesquisas acad&ecirc;micas. Bem assim:</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <p><i>...n&oacute;s pesquisadores, raramente nos satisfazemos com os resultados encontrados em uma primeira investiga&ccedil;&atilde;o. Estamos sempre tentando ir um pouco al&eacute;m daquilo que j&aacute; conseguimos estabilizar, digamos assim, em nosso esp&iacute;rito inquieto... &Eacute; preciso criar, permanentemente, espa&ccedil;os de interlocu&ccedil;&atilde;o, onde &eacute; poss&iacute;vel organizar o aparente caos, mantendo a interdisciplinaridade, a inova&ccedil;&atilde;o e o rigor das propostas</i> (Brites e Tessler, 2002: 11).</p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p>O professor universit&aacute;rio e o artista, assim, se encontram e se fundem. Afinal, n&atilde;o ocorre mais atrito entre suas esferas atuativas. Na instabilidade das formas que cria e das espacialidades que produz, nasce  &ndash;  cristalina  &ndash;  a es&#91;ins&#93;tabilidade entre doc&ecirc;ncia e pesquisa art&iacute;stica. Entre o exerc&iacute;cio intelectual e a intui&ccedil;&atilde;o criativa, elabora uma s&iacute;ntese, para revelar a sua ess&ecirc;ncia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <p>Brites, Blanca e Tesller, Elida (2002) <I>O Meio como Ponto Zero</i>. Porto Alegre: Editora da Universidade  &ndash;  UFRGS. ISBN: 85-7025-624-8</p>     <!-- ref --><p>Spaniol, Jos&eacute; Paiani (2010) Depoimento concedido ao G1. &#91;Consult. 2017-01-16&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo.html" target="_blank">http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo.html</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1452862&pid=S1647-6158201700020000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Spaniol, Jos&eacute; Paiani. (2010) Entrevista concedida &agrave; Galeria Bar&oacute;. &#91;Consult. 2017-01-16&#93; Dispon&iacute;vel em URL:URL: <a href="http://barogaleria.com/exhibition/jose-spaniol-2/" target="_blank">http://barogaleria.com/exhibition/jose-spaniol-2/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1452863&pid=S1647-6158201700020000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Spaniol, Jos&eacute; Paiani. (2016) Depoimento Concedido &agrave; Curadoria. &#91;Consult. 2017-01-16&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca-pt/default.aspx?c=1328" target="_blank">http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca-pt/default.aspx?c=1328</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1452864&pid=S1647-6158201700020000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Zamboni, Silvio (2001) <I>A Pesquisa em Arte. Um Paralelo entre Arte e Ci&ecirc;ncia</i>. Campinas: Autores Associados. ISBN: 85-85701-64-126 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1452865&pid=S1647-6158201700020000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo submetido a 26 de janeiro de 2017 e aprovado a 5 de fevereiro 2017</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:marcos.rizolli@mackenzie.br">marcos.rizolli@mackenzie.br</a> (Marcos Rizolli)</p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Brites]]></surname>
<given-names><![CDATA[Blanca]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Tesller]]></surname>
<given-names><![CDATA[Elida]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O Meio como Ponto Zero]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[Porto Alegre ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora da Universidade - UFRGS]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Spaniol]]></surname>
<given-names><![CDATA[José Paiani]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Depoimento concedido ao G1]]></source>
<year>2010</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Spaniol]]></surname>
<given-names><![CDATA[José Paiani]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Entrevista concedida à Galeria Baró]]></source>
<year>2010</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Spaniol]]></surname>
<given-names><![CDATA[José Paiani]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Depoimento Concedido à Curadoria]]></source>
<year>2016</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Zamboni]]></surname>
<given-names><![CDATA[Silvio]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Pesquisa em Arte: Um Paralelo entre Arte e Ciência]]></source>
<year>2001</year>
<publisher-loc><![CDATA[Campinas ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Autores Associados]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
