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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article analyzes the work of the Brazilian artist Laura Cattani (1982), more specifically the "Personal Demon" (2015) and the unfolding of the double concept, from psychoanalysis to art. It is intended to compare two myths of Greco-Roman culture, Narcissus and Pygmalion, presented by Stoichita (Stoichita, 2011) on the limits of the drive of erotic desire in theoretical-practical production. The conclusion is about the pitfalls of narcissism in art, and about sublimation and creation.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>Dossier editorial</b> </p>     <p align="right"><b>Editorial section</b> </p>     <p><b>O duplo de Laura Cattani: reflex&otilde;es sobre as armadilhas de Narciso em um trabalho pl&aacute;stico</b></p>     <p><b>The double in Laura Cattani: reflection on the traps of Narcisssus in a plastic work</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Eduardo Figueiredo Vieira da Cunha&#42;</b></p>     <p>&#42;Brasil, Artista Visual. Bacharelado em Desenho pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Master of Fine Artes, City University de Nova York. Doutorado em Artes Pl&aacute;sticas e Ci&ecirc;ncias da Arte em Paris-1 Panth&eacute;on-Sorbonne (Paris-1). </p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Instituto de Artes (IA); Departamento de Artes (DAV); Programa de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Artes Visuais (PPGAV) R. Sr. dos Passos, 248  &ndash;  Centro, Porto Alegre  &ndash;  RS, 90020-180, Brasil. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Resumo:</b></p>     <p>Este artigo analisa o trabalho da artista brasileira Laura Cattani (Brasil, 1990), mais especificamente o denominado "Dem&ocirc;nio Pessoal" (2015) e os desdobramentos do conceito do duplo, da psican&aacute;lise &agrave; arte. Pretende-se comparar dois mitos da cultura greco-romana, Narciso e Pigmali&atilde;o, apresentados por Stoichita (Stoichita, 2011) sobre os limites da puls&atilde;o do desejo er&oacute;tico na produ&ccedil;&atilde;o te&oacute;rico-pr&aacute;tica. A conclus&atilde;o versa sobre as armadilhas do narcisismo na arte, e sobre a sublima&ccedil;&atilde;o e cria&ccedil;&atilde;o. </p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Narcisismo / erotismo duplo / limite / sublima&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Abstract:</b></p>     <p>This article analyzes the work of the Brazilian artist Laura Cattani (1982), more specifically the "Personal Demon" (2015) and the unfolding of the double concept, from psychoanalysis to art. It is intended to compare two myths of Greco-Roman culture, Narcissus and Pygmalion, presented by Stoichita (Stoichita, 2011) on the limits of the drive of erotic desire in theoretical-practical production. The conclusion is about the pitfalls of narcissism in art, and about sublimation and creation.</p>     <p><b>Keywords:</b> Narcissism / double / eroticism / limit / sublimation.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Quando se trata da quest&atilde;o da metodologia da pesquisa em Artes Pl&aacute;sticas, um conselho &eacute; sempre dado ao jovem artista: o de tomar cuidado com as armadilhas impostas por Narciso. Embora a arte contempor&acirc;nea trabalhe muito com os temas ligados &agrave; autobiografia e &agrave; identidade, ultapassar certos limites de controle do ego para algu&eacute;m que se dedica ao oficio da cria&ccedil;&atilde;o, pode ser algo remoto e indefinido,como o amplo conceito de autoria. O trabalho pr&aacute;tico, apresentando aqui como exemplo a obra intitulada <I>Dem&ocirc;nio Pessoal</i> (<a href="#f1">Figura 1</a>) e a consequente reflex&atilde;o te&oacute;rica da artista Laura Cattani, realizada junto ao Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o do Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Brasil) podem ser lidos como um coment&aacute;rio sobre estas fronteiras t&ecirc;nues e perme&aacute;veis entre o desejo do artista e sua cria&ccedil;&atilde;o. O fen&ocirc;meno do reflexo, o erotismo e o conceito do duplo, ser&atilde;o abordados no ponto de vista da instaura&ccedil;&atilde;o da obra, onde o espelho aparece como um elemento revelador. Pretende-se situar no fen&ocirc;meno da especula&ccedil;&atilde;o da imagem, o duplo narcisista da artista, refletindo-se em um retrato impalp&aacute;vel, que corre o risco de ficar preso em uma armadilha ao se inebriar em sua pr&oacute;pria imagem. A possibilidade de escape viria pelo mito de Pigmali&atilde;o, consolidando-se como um processo de sublima&ccedil;&atilde;o que resulta na constru&ccedil;&atilde;o efetiva da obra f&iacute;sica, um retrato n&atilde;o-especular do artista.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v8n18/8n18a03f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O objetivo &eacute; realizar uma reflex&atilde;o, atrav&eacute;s de metodologia dial&eacute;tica, sobre os mitos de Narciso e Pigmali&atilde;o, percorrendo as rela&ccedil;&otilde;es entre arte e psican&aacute;lise como caminhos de m&atilde;o dupla. E tratar sobre a emerg&ecirc;ncia da obra quando esta aponta para a autobiografia. Usando exemplos tanto de autores cl&aacute;ssicos da literatura universal como Ov&iacute;dio, Dante e Pl&iacute;nio, da filosofia e da psican&aacute;lise, passamos por autores e artistas latino-americanos contempor&acirc;neos como Mar&iacute;a Negroni (2013), Tania Rivera (2012) e Munir Klamt. O artigo trata da sublima&ccedil;&atilde;o como puls&atilde;o, indicando a possibilidade de substitui&ccedil;&atilde;o do desejo narcisista, que em princ&iacute;pio &eacute; est&eacute;ril, por outro, em um investimento que se constr&oacute;i em um corpo pl&aacute;stico, o da realiza&ccedil;&atilde;o da obra de arte. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. O desejo em Narciso</b></p>     <p>O duplo pode ser visto como o desdobramento do real, o lugar da fantasia e da imagina&ccedil;&atilde;o do artista. Por isso, antes &eacute; preciso um esclarecimento sobre a especificidade da produ&ccedil;&atilde;o pl&aacute;stica de Laura Cattani: Ela j&aacute; come&ccedil;a atrav&eacute;s de um trabalho em dupla, compartilhando a cria&ccedil;&atilde;o com o artista Munir Klamt, que tamb&eacute;m &eacute; seu companheiro. Atrav&eacute;s de uma colabora&ccedil;&atilde;o que acontece h&aacute; mais de 10 anos, os dois artistas formaram uma entidade, um duplo que denominam de &Iacute;o. Esta entidade, segundo a artista, absorve o desejo da imagina&ccedil;&atilde;o, que adquire a forma de obras como a escultura <I>Dem&ocirc;nio Pessoal.</i> Se a realidade incomoda o artista, o desejo o liberta. Como possuir algo que eu desejo? Colocando-o no interior de mim mesmo. </p>     <p>O espelho, elemento central da obra <I>Dem&ocirc;nio Pessoal,</i> nos oferece um prato de vidro, frio e imediato: o ver e o ter. Ali o observador pode se perder, como Narciso, e acabar preso pela armadilha. Laura Cattani conta que sempre foi obcecada por armadilhas. E complementa, relatando que o processo de concep&ccedil;&atilde;o da escultura incluiu uma pesquisa sobre armadilhas medievais, chegado &agrave;s mais cru&eacute;is, utilizadas no passado para capturar animais de grande porte como ursos. <I>Dem&ocirc;nio Pessoal</i> segue este modelo, formado por duas arcadas com fileiras de dentes de vidro. O processo de constru&ccedil;&atilde;o do mecanismo da escultura-armadilha foi bastante complicado, e partiu de uma s&eacute;rie de esbo&ccedil;os pr&eacute;vios. (<a href="#f2">Figura 2</a>)</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v8n18/8n18a03f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O acionador da armadilha-escultura, redondo, ocupa uma posi&ccedil;&atilde;o privilegiada na obra. Um prato em a&ccedil;o inoxid&aacute;vel polido, que &eacute; tamb&eacute;m um lugar de reflex&atilde;o. &Eacute; a partir do espelho e do reflexo, em um <i>mise-en-abyme,</i> que o mecanismo fatal pode ser acionado. O espelho pode ser visto como um lugar privilegiado de uma opera&ccedil;&atilde;o que permite ver a nossa face, mas tamb&eacute;m &eacute; um lugar poss&iacute;vel de todas as fascina&ccedil;&otilde;es. Um lugar perigoso que nos leva a diferentes valores simb&oacute;licos, como a identidade, a alteridade e o pr&oacute;prio reflexo da imagem. Parafraseando Agn&egrave;s Minazzoli, o espelho se transforma em olho da imagem, "aquele sem d&uacute;vida que nos convoca a manter vigil&acirc;ncia" (Minazzoli, 1999: 55). </p>     <p>Esta imagem refletida parece ter o poder de nos mostrar o reflexo de nossas mem&oacute;rias e fantasias, sem que n&oacute;s saibamos onde existem os limites, onde termina a escultura e come&ccedil;am nossos sonhos. &Eacute; uma escultura-armadilha, um lugar de convertibilidade e de fronteiras. Fronteiras que se abrem e se fecham constantemente. </p>     <p>A po&eacute;tica de Cattani realiza um entrecruzamento de temas comuns a duas eras &ndash; a medieval e a contempor&acirc;nea: o du<i>plo</i>, o lugar do veneno e o lugar da cura, a arte e a dor, os m&aacute;rtires, a autobiografia, a ascens&atilde;o divina, o rito de possess&atilde;o demon&iacute;aco, o transe ext&aacute;tico, a prote&ccedil;&atilde;o e o desdobramento do real. A arte aparece como um abrigo para estes fantasmas, onde a palavra surge como um texto, mas talvez n&atilde;o consiga transmitir isso tudo. Notamos que tanto no pensamento dominante na idade m&eacute;dia, como na obra de muitos artistas contempor&acirc;neos, como &eacute; o caso de Cattani, o fantasma se converte em uma experi&ecirc;ncia extrema da perda. A estrat&eacute;gia da idade m&eacute;dia era curiosa: tratava-se de atrair o olhar pelo efeito do medo e de desatar esse n&oacute; da armadilha usando a palavra, a voz. A arte contempor&acirc;nea comungaria com a idade m&eacute;dia figuras de fantasmas emprestados de outras &eacute;pocas, como a confiss&atilde;o, as penit&ecirc;ncias, os m&aacute;rtires, a idolatria e a iconoclastia, as imagens mentais e os diferentes aspectos da ilus&atilde;o, a alucina&ccedil;&atilde;o, como um coment&aacute;rio e prote&ccedil;&atilde;o da realidade. </p>     <p>Desatar os n&oacute;s da armadilha de Narciso: a palavra e a voz convertem-se agora em um texto, o texto do artista. Escrevendo e falando sobre seu pr&oacute;prio trabalho, o artista-pesquisador conseguiria se livrar da armadilha do narcisismo est&eacute;ril, transferindo-o &agrave; ideia do duplo que constr&oacute;i, desdobrando assim seus fantasmas e desejos em obras, como Pigmali&atilde;o? Ou se exp&otilde;e ainda mais ao risco: o de perceber, no duplo, a mesma realidade da qual pretendia o artista escapar, n&atilde;o sabendo distinguir e caindo assim na armadilha, como um Narciso alucinado? </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. O desejo em Pigmali&atilde;o</b></p>     <p>Escrevendo sobre <I>Dem&ocirc;nio pessoal,</i> a artista salienta que a dupica&ccedil;&atilde;o se expande para um "duplo estado", o do criador e observador: "o reflexo do indiv&iacute;duo com seu duplo, encontra a atra&ccedil;&atilde;o dos abismos. A imagem suscita que o espectador, ao mergulhar no centro do <I>Dem&ocirc;nio Pessoal,</i> o aciona. Dupla aniquila&ccedil;&atilde;o &ndash; a do ser e do dispositivo" (Cattani, 2016:74). Mas a obra, apesar de amea&ccedil;ada &agrave; aniquila&ccedil;&atilde;o, se constr&oacute;i fisicamente, com a mat&eacute;ria dos sonhos e dos fantasmas. A hist&oacute;ria do escultor grego que se apaixona pela sua obra, e que os Deuses, com um gesto de recompensa pela dedica&ccedil;&atilde;o do escultor, decidem dar vida, constitui-se segiundo Stoichita em "a primeira grande hist&oacute;ria de simulacros da cultura ocidental" (Stoichita, 2011). A particularidade do mito descrito por Ov&iacute;dio &eacute; que a sua escultura &eacute; fruto de sua imagina&ccedil;&atilde;o e da sua arte. J&aacute; a mulher que os deuses lhe oferecem como esposa &eacute; um ser transformado, um artefato dotado de alma e corpo, objeto do desejo. Ainda, e apesar disto, um fantasma, um duplo. </p>     <p>Pigmali&atilde;o, como um mito do esquecimento dos limites, das origens er&oacute;ticas do duplo, e dos desvios do desejo, tem um valor de substitui&ccedil;&atilde;o do real, para se transformar em uma duplica&ccedil;&atilde;o fantasm&aacute;tica. Cl&eacute;ment Rosset lembra que a estrutura do conceito do duplo &eacute; a de n&atilde;o recusar-se a perceber o real, mas simplesmente desdobr&aacute;-lo (Rosset, 2016). E que o fracasso do duplo seria reconhecer muito tarde, no duplo protetor, a mesma realidade que queria-se proteger. </p>     <p>Sabemos que o conceito de fracasso em Arte &eacute; algo amplo. Ele pode ser considerado uma aniquila&ccedil;&atilde;o, como tamb&eacute;m um elemento propulsor para novos recome&ccedil;os. Em <I>Elegia,</i> Maria Negroni cita Samuel Beckett, quando ele diz que tudo o que pode pretender o artista &eacute; fracassar melhor (Negroni, 2013). Em eterna confronta&ccedil;&atilde;o com a adversidade, o artista trabalha com o absurdo quando a perspectiva de fracasso inclui o contr&aacute;rio, a esperan&ccedil;a e supera&ccedil;&atilde;o. Mas fracasso do artista tentado por Narciso aponta para outro caminho: o de perder-se em encantamento com sua pr&oacute;pria imagem. Nenhuma obra seria criada. Um fracasso est&eacute;ril. Stoichita lembra bem que Narciso e Pigmali&atilde;o s&atilde;o dois mitos relativos ao excesso de investimento er&oacute;tico e fant&aacute;smico na imagem A diferen&ccedil;a &eacute; que a hist&oacute;ria de Pigmali&atilde;o &eacute; uma hist&oacute;ria de esquecimento dos limites, mas uma loucura que os deuses tratam com indulg&ecirc;ncia. J&aacute; em Narciso, a obra &eacute; ausente, pois a imagem &eacute; evanescente, sem corpo, como um reflexo. Por isto, ele &eacute; punido pelos deuses com a morte.</p>     <p>Voltando a <I>Dem&ocirc;nio Pessoal</i>: o reflexo no disparador da armadilha est&aacute; ali para lembrar, como um contraveneno, dos males da autorefer&ecirc;ncia. Se estamos diante do perigo, vacinemo-nos. At&eacute; o animal, que escapa vivo de uma armadilha, aprende a li&ccedil;&atilde;o e nunca mais &eacute; pego. Nossa imagem refletida nos coloca diante de um dilema, uma vacila&ccedil;&atilde;o: entre o medo e o desejo, entre a trag&eacute;dia da vida e a obra, entre a perda e a perman&ecirc;ncia. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Em Cattani, o artista que tamb&eacute;m escreve sobre seu pr&oacute;prio trabalho representa um duplo que transita entre dois paradoxos: o primeiro situado no o sistema da produ&ccedil;&atilde;o da obra pl&aacute;stica, que apontaria mais para a desordem, para a incerteza das decis&otilde;es e para a puls&atilde;o er&oacute;tica do desejo (Pigmali&atilde;o). A sublima&ccedil;&atilde;o, articulada &agrave; cria&ccedil;&atilde;o da obra, se efetivaria com a substitui&ccedil;&atilde;o do impulso sexual pela constru&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica da obra. O segundo, centrado na metodologia do texto, e destinado a um leitor/observador, possui uma estrat&eacute;gia, uma regra, mas corre um s&eacute;rio risco de estar mais exposto a um sistema de especula&ccedil;&otilde;es sobre o ego, e se transformar em algo est&eacute;ril (Narciso). </p>     <p>Ambos s&atilde;o movimentados pela perda, pelo risco e por uma busca de perman&ecirc;ncia. A diferen&ccedil;a seria a de que de um lado, em termos de processo de constru&ccedil;&atilde;o da obra (poi&eacute;sis), o artista trabalha com o rearranjo e a reconstru&ccedil;&atilde;o de objetos p&eacute;-existentes. &Eacute; o caso de <I>Dem&ocirc;nio Pessoal,</i> onde o processo enfrenta uma s&eacute;rie de riscos de acidentes, ao lidar com a instabililidade e a precariedade de materiais. Uma irreversibilidade no processo, que pode terminar no aniquilamento. Ainda, e apesar disso, haveria a sublima&ccedil;&atilde;o, pois mesmo diante do fracasso, restaria uma obra. Esta seria a recompensa de Pigmali&atilde;o. J&aacute; de outro lado, a constru&ccedil;&atilde;o lenta do texto de artista &eacute; um processo que n&atilde;o tem a marca do irrevers&iacute;vel, podendo ser composto e recomposto, escrito e reescrito. O risco estaria no mergulho no pr&oacute;prio corpo, um ato de olhar e se perder no abismo de si mesmo, algo sem volta e est&eacute;ril, como um Narciso alucinado e perdido na contempla&ccedil;&atilde;o de seu reflexo. </p>     <p>Apesar disso, e acima de todas as perdas e ganhos, o artista que escreve sobre seu trabalho estaria experimentando, consigo mesmo, as li&ccedil;&otilde;es da vertigem e do mal-estar de nosso tempo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Stoichita, Victor. (2011). <I>O efeito Pigmali&atilde;o: Para uma antropologia hist&oacute;rica dos simulacros.</i> Trad. de Renata Correa Botelho e Rui Pires Cabral. Lisboa: KKYM, ISBN 978-978-97684-0-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1452928&pid=S1647-6158201700020000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Rivera, T&acirc;nia. (2012) <I>O avesso do imagin&aacute;rio: Arte contempor&acirc;nea e Psican&aacute;lise.</i> S&atilde;o Paulo: CosacNaify ISBN 978-85-405-0695-4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1452930&pid=S1647-6158201700020000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Cattani, Laura. (2016) <I>O duplo e seus desdobramentos na arte contempor&acirc;nea.</i> Texto de qualifica&ccedil;&atilde;o para o doutorado no Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Artes Visuais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: UFRGS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1452932&pid=S1647-6158201700020000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Minazzoli, Agn&egrave;s. (1999). <I>La premi&egrave;re ombre. R&eacute;flexions sur le mirroir et la pens&eacute;e.</i> Paris: &Eacute;ditions de Minuit, ISBN 2-7073-1366-1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1452934&pid=S1647-6158201700020000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Rosset, Cl&eacute;ment. (2016). <I>Lo Real e su doble.</i> Trad.: Santiago Espinoza. Buenos Aires: Libros Del Zorzal, ISBN 978975994539.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1452936&pid=S1647-6158201700020000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Negroni, Maria. (2013). <I>Elogio a Joseph Cornell.</i> Buenos Aires, CajaNegra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1452938&pid=S1647-6158201700020000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Artigo completo submetido a 31 de dezembro de 2016 e aprovado a 5 de fevereiro 2017</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:ecunha@cpovo.net">ecunha@cpovo.net</a> (Eduardo Figueiredo Vieira da Cunha)</p>      ]]></body><back>
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