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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Klaus Mitteldorf: Memórias do Presente]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal do Rio Grande do Sul Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação Departamento de Comunicação]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The abstract presents a concise summary of the topic, the context, the objective, the approach (methodology), results, and conclusions, not exceeding 6 lines: so the goal of this article is to assist the creators and authors of submissions in the context of scholarly communication. It presents a systematic sequence of suggestions of textual composition. As a result this article exemplifies itself in a self-explanatory way. We conclude by reflecting on the advantages of communication between artists on dissemination platforms.]]></p></abstract>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Crystal Image]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>Artigos originais</b> </p>     <p align="right"><b>Original articles</b></p>     <p><b>Klaus Mitteldorf: Mem&oacute;rias do Presente</b></p>     <p><b>Klaus Mitteldorf: Memories of the Present</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Sandra Maria L&uacute;cia Pereira Gon&ccedil;alves&#42;</b></p>     <p>&#42;Brasil, artista visual. Gradua&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o Visual pela Escola de Belas-Artes (EBA) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mestrado em Comunica&ccedil;&atilde;o e Cultura na Escola de Comunica&ccedil;&atilde;o (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Doutorado em Comunica&ccedil;&atilde;o e Cultura na Escola de Comunica&ccedil;&atilde;o (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). </p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faculdade de Biblioteconomia e Comunica&ccedil;&atilde;o, Departamento de Comunica&ccedil;&atilde;o. Av. Paulo Gama, 110  &ndash;  Bairro Farroupilha  &ndash;  Porto Alegre  &ndash;  Rio Grande do Sul. CEP: 90040-060 Brasil. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Resumo:</b></p>     <p>O artigo prop&otilde;e como foco de reflex&atilde;o o trabalho do fot&oacute;grafo, artista e cineasta brasileiro Klaus Mitteldorf (S&atilde;o Paulo, Brasil, 1953) denominado Introvis&atilde;o (Mitteldorf, 2006), narrativa visual em forma de fotolivro que re&uacute;ne a s&eacute;rie de mesmo nome. Comp&otilde;em o fotolivro 59 imagens coloridas e em preto e branco produzidas entre os anos de 1992 e 2006. A s&eacute;rie trata de quest&otilde;es relacionadas ao ver e seus correlatos. Os conceitos de Fotografia Expandida (Fernandes, 2002; 2006), Fotografia Express&atilde;o (Rouill&eacute;, 2009) e Imagem Cristal desenvolvido por Deleuze (2007) e apropriado para a fotografia por Fatorelli (2003) ser&atilde;o desenvolvidos para a compreens&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o do artista e da s&eacute;rie apresentada.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Klaus Mitteldorf / Introvis&atilde;o / Imagem Cristal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Abstract:</b></p>     <p>The abstract presents a concise summary of the topic, the context, the objective, the approach (methodology), results, and conclusions, not exceeding 6 lines: so the goal of this article is to assist the creators and authors of submissions in the context of scholarly communication. It presents a systematic sequence of suggestions of textual composition. As a result this article exemplifies itself in a self-explanatory way. We conclude by reflecting on the advantages of communication between artists on dissemination platforms.</p>     <p><b>Keywords:</b> Klaus Mitteldorf / Introvis&atilde;o / Crystal Image.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este artigo prop&otilde;e como foco de reflex&atilde;o o trabalho do fot&oacute;grafo, artista e cineasta brasileiro Klaus Mitteldorf (S&atilde;o Paulo, Brasil, 1953) denominado <I>Introvis&atilde;o</i> (Mitteldorf, 2006), narrativa visual em forma de fotolivro que re&uacute;ne a s&eacute;rie de mesmo nome. Comp&otilde;em o fotolivro 59 imagens coloridas e em preto e branco, de base anal&oacute;gica, produzidas entre os anos de 1992 e 2006. De acordo com o autor, <I>Introvis&atilde;o</i> &eacute; uma reflex&atilde;o sobre as possibilidades da linguagem fotogr&aacute;fica (Mitteldorf, 2007) e o ato do ver. Nesse sentido, ele radicaliza seu distanciamento da transpar&ecirc;ncia documental afastando-se, formalmente, de uma fotografia com car&aacute;ter mais figurativo, caracter&iacute;stica de suas primeiras s&eacute;ries, para buscar uma fotografia mais autoral, abstrata, livre da subservi&ecirc;ncia &agrave; refer&ecirc;ncia.</p>     <p>Na s&eacute;rie proposta, a mat&eacute;ria fotogr&aacute;fica transforma-se em elemento fundamental na express&atilde;o visual de quest&otilde;es de cunho fortemente existencial do artista. Liberto da figura&ccedil;&atilde;o, no exerc&iacute;cio do ver proposto, atrav&eacute;s de formas imag&eacute;ticas fugidias, quase l&iacute;quidas que lembram, por vezes, aquarelas, como se pode observar na imagem a seguir (<a href="#f1">Figura 1</a>), o artista convida o espectador interessado a refletir sobre quest&otilde;es pertinentes &agrave; contemporaneidade, que afetam as rela&ccedil;&otilde;es do ser, tais como a velocidade, o ef&ecirc;mero, a imperman&ecirc;ncia, o esquecimento e a quase impossibilidade de se viver o presente que rapidamente se faz mem&oacute;ria, uma lembran&ccedil;a imprecisa. Em suas imagens, o invis&iacute;vel aos olhos busca fazer-se presen&ccedil;a na mat&eacute;ria pl&aacute;stica de cores e formas espectrais. Suplementares, apresentam-se como um desafio &agrave; percep&ccedil;&atilde;o e ao pensamento; ruidosas e estriadas almejam futuros. Ressalta-se que, figurativamente, o trabalho de Mitteldorf &eacute; marcado pela presen&ccedil;a da &aacute;gua, do corpo feminino, pelo uso intenso da cor e pelo movimento. Tais caracter&iacute;sticas d&atilde;o-se a ver na s&eacute;rie apresentada.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v8n18/8n18a05f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Realizada no &acirc;mbito familiar do artista (Mitteldorf, 2007), <I>Introvis&atilde;o</i> possui como fio condutor reflex&otilde;es acerca do ver (ou do nunca ver  &ndash;  sempre h&aacute; filtros a emba&ccedil;ar o olhar). Atrav&eacute;s dos mais diferentes prismas, deformadores da figura&ccedil;&atilde;o, o espectador/leitor da imagem &eacute; transportado para um universo de luzes e sombras, linhas, cores, formas desfocadas a se gestarem em imagens que escapam do tempo presente, transformado em passagem. O exerc&iacute;cio do ver oferecido por Mitteldorf prop&otilde;e ao observador interessado, um mergulho intensivo no ser. Suas imagens cristalinas, suplementares, possibilitam achados, metamorfoses, viagem.</p>     <p>Para reflex&atilde;o da s&eacute;rie proposta, <I>Introvis&atilde;o</i>, o conceito de Fotografia Expandida, aquela que ousa "ampliar os limites da fotografia enquanto linguagem, sem se deter na sua especificidade" (Fernandes, 2002: 17), ser&aacute; utilizado. O conceito de Fotografia Express&atilde;o ser&aacute; abordado a partir de Andr&eacute; Rouill&eacute; (2009). </p>     <p>Soma-se aos conceitos anteriormente citados, o conceito de Imagem Cristal desenvolvido por Deleuze (2007) e apropriado para a fotografia por Fatorelli (2003). Esse &uacute;ltimo conceito qualifica imagens com pot&ecirc;ncia transformadora, transgressora e suplementar, imagens detonadoras de devir (Deleuze, 2007), caracter&iacute;sticas que, acredita-se estarem presentes no trabalho do artista. Todos esses conceitos dar&atilde;o suporte &agrave;s infer&ecirc;ncias que ser&atilde;o aqui realizadas acerca da s&eacute;rie trabalhada. Indica-se que informa&ccedil;&otilde;es mais gerais sobre o percurso de Mitteldorf, foram retiradas de seu site oficial: http://klausmitteldorf.com/</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Conceitos fundamentais</b></p>     <p>Come&ccedil;a-se ent&atilde;o, pelo conceito de Fotografia Express&atilde;o. Em seguida se abordar&aacute; o de Fotografia Expandida para logo depois se abordar o conceito de imagem Cristal.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>1.1 A Fotografia Express&atilde;o</b></p>     <p>Pode-se dizer que a Fotografia Express&atilde;o, como um movimento coletivo, se estabeleceu a partir da segunda metade do s&eacute;culo XX, quando, tendencialmente, as caracter&iacute;sticas que marcaram a Fotografia Documento (objetividade, imparcialidade e neutralidade  &ndash;  a verdade incontest&aacute;vel dos fatos; imagem m&aacute;quina) foram postas em d&uacute;vida. Passou-se a entender que a imagem fotogr&aacute;fica n&atilde;o possu&iacute;a de maneira exclusiva a capacidade de estabelecer um car&aacute;ter de verdade sobre aquilo que retratava e que suas supostas caracter&iacute;sticas de imagem m&aacute;quina, como objetividade, neutralidade, imparcialidade e seus efeitos de verdade n&atilde;o passavam de utopias da Era Moderna. Com o advento das novas tecnologias de produ&ccedil;&atilde;o de imagens, as imagens fotogr&aacute;ficas foram suplantadas em n&uacute;mero, clareza de informa&ccedil;&otilde;es e velocidade de veicula&ccedil;&atilde;o tanto no campo cient&iacute;fico quanto no comunicacional. Tudo isso levou os fot&oacute;grafos, mais bem formados e reflexivos, a duvidarem da natureza da fotografia como documento imparcial do mundo e a se enxergarem como autores e criadores.</p>     <p>A partir da&iacute; oportuniza-se, segundo Rouill&eacute; (2009) o surgimento e o reconhecimento de uma Fotografia Express&atilde;o, que n&atilde;o se encerra apenas no aspecto material e documental da coisa retratada. &Eacute; uma fotografia que se abre a sensa&ccedil;&otilde;es e significados que v&atilde;o al&eacute;m da refer&ecirc;ncia dada e privilegiam e incluem as subjetividades do fot&oacute;grafo e do observador interessado. Descerra-se um novo campo dentro da fotografia, o da express&atilde;o, que ir&aacute; envolver tanto o fot&oacute;grafo, que faz da fotografia seu of&iacute;cio e n&atilde;o est&aacute; preocupado em fazer arte; o fot&oacute;grafo artista, que &eacute; fot&oacute;grafo antes de ser artista: a fotografia &eacute; para ele of&iacute;cio e lugar de sua express&atilde;o art&iacute;stica; e o artista fot&oacute;grafo, para quem a fotografia &eacute; a mat&eacute;ria expressiva para a sua arte: &eacute; artista antes de ser fot&oacute;grafo. A Fotografia Express&atilde;o privilegia o elogio da forma, a presen&ccedil;a do autor e o dialogismo que &eacute; a sua condi&ccedil;&atilde;o de realiza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Entende-se Klaus Mitteldorf como um fot&oacute;grafo artista, visto a fotografia ser seu of&iacute;cio e lugar de sua arte. Todavia, acredita-se que na s&eacute;rie aqui tratada a fotografia transforma-se em pura mat&eacute;ria para a arte. Isso faz com que Mitteldorf adentre a outro territ&oacute;rio, o do universo da arte. Nesse territ&oacute;rio a fotografia de Mitteldorf se expande e &eacute; disso que vamos tratar em seguida.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1.2 A Fotografia Expandida</b></p>     <p>Pode-se pensar a fotografia produzida por Mitteldorf na s&eacute;rie aqui apresentada, como Fotografia Expandida (Fernandes, 2002; 2006), uma fotografia que busca se desgarrar de modelos e de modos de fazer estabelecidos. Nessa fotografia o artista subverte a c&acirc;mera e os seus modos de capta&ccedil;&atilde;o de imagem, busca a mesti&ccedil;agem de meios e materiais que se articulam para a realiza&ccedil;&atilde;o de seus objetivos  &ndash;  o processo criativo do artista dita as normas de fazer desse exerc&iacute;cio emp&iacute;rico. Nesse lugar a fotografia torna-se mat&eacute;ria expressiva, um lugar de questionamentos e experimenta&ccedil;&otilde;es do artista. Existe nela um inconformismo com aquilo que a c&acirc;mera produz diretamente, h&aacute; nela um desejo de experimenta&ccedil;&otilde;es que burlem o aparelho e os seus modos de produzir imagens. Seja a fotografia anal&oacute;gica ou digital, demande o uso do laborat&oacute;rio qu&iacute;mico ou do programa <I>Adobe Photoshop</i>, tudo isso &eacute; mat&eacute;ria plasm&aacute;vel para a express&atilde;o do artista. No que diz respeito ao observador da imagem, a Fotografia Expandida solicita a ele ser c&uacute;mplice do artista, de seu percurso criativo, o que ir&aacute; possibilitar a esse observador a abertura para novos modos de perceber o mundo e a si mesmo.</p>     <p>De acordo com Fernandes (2006), para criar a Fotografia Expandida o usu&aacute;rio/artista dever&aacute; conhecer profundamente o aparelho que opera, bem como os processamentos posteriores que dele derivam, sejam qu&iacute;micos ou digitais para "&#91;...&#93; poder atravessar os limites do aparelho e intervir nas suas fun&ccedil;&otilde;es &#91;...&#93;" (Fernandes, 2006: 14). Portanto, ressalta-se junto com Fernandes (2006) e M&uuml;ller-Pohle (1985), esse &uacute;ltimo fot&oacute;grafo, cr&iacute;tico e editor da revista <I>European Photography</i>, que as possibilidades de interven&ccedil;&otilde;es em todo o processo fotogr&aacute;fico para a express&atilde;o do artista s&atilde;o imensas: t&ecirc;m in&iacute;cio na produ&ccedil;&atilde;o da imagem  &ndash;  perpassam desde o objeto, o modo de utiliza&ccedil;&atilde;o do aparelho chegando &agrave;s manipula&ccedil;&otilde;es na superf&iacute;cie de capta&ccedil;&atilde;o da imagem (anal&oacute;gica ou/e digital)  &ndash;  e continuam na circula&ccedil;&atilde;o e no uso social dado &agrave; fotografia. </p>     <p>Em <I>Introvis&atilde;o</i>, Klaus Mitteldorf, apesar de submetido &agrave; l&oacute;gica do aparelho fotogr&aacute;fico, altera o c&oacute;digo imposto atrav&eacute;s do uso criativo dos controles de ex-posi&ccedil;&atilde;o. O desfoque, a velocidade baixa de capta&ccedil;&atilde;o, a granula&ccedil;&atilde;o obtida atrav&eacute;s do processamento da imagem, tudo isso soma para a express&atilde;o pl&aacute;stica e atordoante das imagens. De acordo com Mitteldorf, em entrevista por e-mail dada a quem escreve este texto, o processo criativo de <I>Introvis&atilde;o</i> envolveu a capta&ccedil;&atilde;o das imagens por meio anal&oacute;gico, quase todo com o filme positivo <I>Kodak EPP</I>, ISO 64 (a maioria dos filmes possu&iacute;a o formato 135 mm, incluindo-se alguns no formato 6x7 cm). Os filmes foram revelados no processo C-41 para filmes negativos. Desse modo, o fotograma do <I>EPP</I>, que era positivo virou negativo. O resultado dessa transforma&ccedil;&atilde;o, segundo Mitteldorf, &eacute; um aumento grande do contraste e das cores nas amplia&ccedil;&otilde;es, ou seja, dos originais que s&atilde;o feitos a partir desses negativos. Al&eacute;m disso, no trabalho proposto, Mitteldorf lan&ccedil;a m&atilde;o de diferentes prismas (lentes, &aacute;gua, lupas, &oacute;culos) para interferir na realidade captada pela objetiva fotogr&aacute;fica, como se pode observar na imagem s seguir (<a href="#f2">Figura 2</a>). Percebe-se nessa fala a presen&ccedil;a de processos cruzados na produ&ccedil;&atilde;o das imagens para a obten&ccedil;&atilde;o dos efeitos pl&aacute;sticos almejados.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v8n18/8n18a05f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A a&ccedil;&atilde;o do artista, seja ela na manipula&ccedil;&atilde;o do aparelho fotogr&aacute;fico, no uso dos prismas ou nos processos qu&iacute;micos posteriores que alteram os par&acirc;metros da fotografia cl&aacute;ssica, incomoda e provoca um estranhamento, um desarranjo perceptivo no observador interessado que se v&ecirc; intimado a participar da constru&ccedil;&atilde;o de sentido da cena imag&eacute;tica proposta. Tais observa&ccedil;&otilde;es indicam o conceito a seguir: o de Imagem Cristal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1.3 A Imagem Cristal</b></p>     <p>Aquilo que o artista almeja, mesmo sem o saber, por meio de sua express&atilde;o e expans&atilde;o dentro do territ&oacute;rio da fotografia bem como no territ&oacute;rio da arte &eacute; a cria&ccedil;&atilde;o de uma Imagem Cristal (Deleuze, 2007; Fatorelli, 2003). Tal conceito &eacute; desenvolvido por Fatorelli (2003), pesquisador e fot&oacute;grafo brasileiro a partir de leitura do conceito de Imagem Cristal proposto por Deleuze (2007) para o cinema. Em seu livro, Fatorelli (2003) parte da rela&ccedil;&atilde;o que as imagens estabelecem com o tempo e com o espa&ccedil;o e as divide em Imagens Org&acirc;nicas e Imagens Cristal. As Imagens Org&acirc;nicas s&atilde;o aquelas nas quais as caracter&iacute;sticas refer&ecirc;nciais das imagens s&atilde;o valorizadas e nelas se esgotam. Para o autor, ao contr&aacute;rio, a Imagem Cristal &eacute; aquela onde a submiss&atilde;o &agrave; refer&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; o que importa, pois essa imagem &eacute; possuidora de realidades que n&atilde;o se confundem com ela. S&atilde;o imagens presentes principalmente no universo da Arte. Para Fatorelli, </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&#91;...&#93; <i>aut&otilde;nomas, abstra&iacute;das do v&iacute;nculo remissivo de origem, essas imagens situam-se num presente sempre renovado que desperta um passado e prenuncia um futuro igualmente abertos</i> &#91;...&#93; (Fatorelli, 2003: 33). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Tais imagens provocam a suspens&atilde;o do aqui e agora, possibilitam nexos com um imaterial, "&#91;...&#93; uma pot&ecirc;ncia de pensamento &#91;...&#93; quando o que importa n&atilde;o &eacute; mais reconhecer, mas conhecer" (Fatorelli, 2003: 33).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A pot&ecirc;ncia dessas imagens est&aacute; em ampliar o universo do vis&iacute;vel, em sua possibilidade de mobilizar m&uacute;ltiplas temporalidades que se realizam nas m&uacute;ltiplas visadas de seus leitores. S&atilde;o imagens suplementares, o dialogismo &eacute; a sua condi&ccedil;&atilde;o de realiza&ccedil;&atilde;o. Com esse conceito torna-se poss&iacute;vel perceber que o grau de ader&ecirc;ncia das imagens &agrave; refer&ecirc;ncia &eacute; vari&aacute;vel, havendo cargas diferentes de subjetividade ou objetividade de acordo com as rela&ccedil;&otilde;es estabelecidas dessas imagens com o tempo e com o espa&ccedil;o. Torna-se claro que os conceitos de Fotografia Express&atilde;o, Fotografia Expandida e Imagem Cristal s&atilde;o caracterizadores e propiciadores de certa opacidade e ru&iacute;dos necess&aacute;rios &agrave;s imagens fotogr&aacute;ficas em sua migra&ccedil;&atilde;o para novos territ&oacute;rios, entre eles o da Arte. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Klaus Mitteldorf: um fot&oacute;grafo expressivo, um artista</b></p>     <p>Mitteldorf iniciou seu trajeto expressivo e investigativo dentro da fotografia na d&eacute;cada de 1980. Nesse per&iacute;odo inicial a fotografia &eacute; seu of&iacute;cio (faz fotojornalismo, fotografia de moda e publicidade) e lugar de sua express&atilde;o art&iacute;stica  &ndash;  j&aacute; em 1989 lan&ccedil;ou seu primeiro fotolivro de car&aacute;ter autoral, <I>Norami</i>. A esse primeiro fotolivro se seguiram muitos outros bem como in&uacute;meras exposi&ccedil;&otilde;es, realizadas tanto no Brasil quanto no exterior.</p>     <p>Fot&oacute;grafo expressivo com mais de quarenta anos de carreira, formado em arquitetura e urbanismo (1978), profiss&atilde;o que n&atilde;o chegou a exercer, come&ccedil;ou no fotojornalismo em 1975 com fotografias de <I>Surf</i> realizadas no litoral brasileiro. &Eacute; desse per&iacute;odo tamb&eacute;m seu primeiro envolvimento com o cinema. Logo depois passou a se dedicar a editorais de moda e fotografia publicit&aacute;ria, &aacute;rea na qual alcan&ccedil;ou reconhecido mundial. Nas imagens criadas para os editoriais de moda e para a publicidade, como se pode observar na imagem a seguir (<a href="#f3">Figura 3</a>), j&aacute; era poss&iacute;vel observar o artista invulgar, explorador, aberto ao experimentalismo e ao novo, caracter&iacute;sticas presentes naqueles marcados pelas ideias surrealistas e construtivistas, heran&ccedil;a prov&aacute;vel de sua passagem pela Faculdade de Arquitetura. Nesse per&iacute;odo o uso intenso da cor e dos grafismos &eacute; recorrente.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v8n18/8n18a05f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Em 2009, desiludido com a falta de criatividade do mercado publicit&aacute;rio e da fotografia de moda, voltou-se intensamente para a esfera da arte e passou a se dedicar de modo quase exclusivo &agrave; fotografia expressiva (a arte dos fot&oacute;grafos, no dizer de Andr&eacute; Rouill&eacute; (2009)), fazendo dela mat&eacute;ria privilegiada para sua arte. O cinema tamb&eacute;m permanece em seu campo de experimenta&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2.1 A s&eacute;rie Introvis&atilde;o</b> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como anunciado no in&iacute;cio deste artigo, a narrativa visual produzida na s&eacute;rie <I>Introvis&atilde;o</i> &eacute; composta por 59 imagens em cor e preto e branco, contidas em um fotolivro de mesmo nome, de formato quadrado. De base anal&oacute;gica, as imagens foram produzidas entre os anos de 1992 e 2006. Nessa s&eacute;rie &eacute; poss&iacute;vel percebe o car&aacute;ter investigativo que sempre acompanhou os trabalhos de Mitteldorf, seja na fotografia aplicada ao universo da comunica&ccedil;&atilde;o, seja no seu exerc&iacute;cio de uma fotografia com car&aacute;ter autoral e art&iacute;stico. Em <I>Introvis&atilde;o</i> esse car&aacute;ter investigativo e experimental, ganha o primeiro plano. Atrav&eacute;s dos mais diferentes prismas que "deformam" o percurso da luz, mat&eacute;ria b&aacute;sica do meio fotogr&aacute;fico, e desfocados, Mitteldorf cria imagens e narrativas on&iacute;ricas, l&iacute;mbicas e possibilita ao observador interessado uma epifania, um encontro com uma Imagem Cristal.</p>     <p>Assim, por exemplo, nas imagens vistas a seguir (<a href="#f4">Figura 4</a>), um tr&iacute;ptico, &eacute; poss&iacute;vel vislumbrar o exerc&iacute;cio criativo de Mitteldorf e, ao mesmo tempo, perceber a experi&ecirc;ncia perceptiva oferecida. Tr&ecirc;s imagens, desfocadas e de colora&ccedil;&atilde;o vibrante, de uma mesma personagem feminina se sucedem: Fuga 1, 2, 3 nomeia as imagens que mostram uma mulher em aparente fuga e que parece desvanecer. Interessante que tal imagem possibilite ao expectador dois tipos de leitura: al&eacute;m da convencional &eacute; poss&iacute;vel l&ecirc;-la de baixo para cima, rompendo, desse modo, com a leitura de praxe. Esse fato aponta para a influ&ecirc;ncia do meio cinematogr&aacute;fico no trabalho do artista  &ndash;  pode-se perceber na sequ&ecirc;ncia quase um <i>loop</i>, t&eacute;cnica utilizada hoje para provocar um movimento infinito de uma mesma sequ&ecirc;ncia de imagens (ou imagem). Perceptivamente, &eacute; oferecido ao observador um mergulho nesse <i>loop</i>, no atemporal da fuga que se repete convulsivamente, num movimento repetitivo e obsessivo onde passado e presente se chocam permanentemente, tornando o presente uma quimera, sempre recoberto pelo manto da mem&oacute;ria (Bergson, 2010). O contraste tonal, a forma feminina em desaparecimento propicia a ruptura perceptiva necess&aacute;ria para a eclos&atilde;o de sentidos outros e a afirma&ccedil;&atilde;o do car&aacute;ter suplementar da imagem. Marque-se que no livro esse tr&iacute;ptico se faz anteceder pela imagem sangrada e em p&aacute;gina dupla da imagem do meio.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v8n18/8n18a05f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Nesta outra imagem (<a href="#f5">Figura 5</a>), perturbadora, outra mulher que n&atilde;o mostra o rosto, se afasta do observador. Como as outras imagens do livro, caracteriza-se pelo desfocado e, como a mulher do tr&iacute;ptico anterior (<a href="#f4">Figura 4</a>), a agora apresentada parece tamb&eacute;m desvanecer  &ndash;  &eacute; como se o presente, para o captador e para o observador, se tornasse uma mem&oacute;ria de luz, um presente que n&atilde;o se permite existir, porque o presente apenas passa e velozmente. Melhor explicando: os desfoques acentuam a passagem veloz do instante, e a vis&atilde;o do presente como uma esp&eacute;cie de mem&oacute;ria, quase sempre desfocada, como se essa fosse a &uacute;nica forma de o presente existir (a mem&oacute;ria, a principio, &eacute; mat&eacute;ria plasm&aacute;vel, posta em foco de acordo com o desejo de seu sonhador). As quest&otilde;es suscitadas pelas imagens apresentadas (<a href="#f4">Figura 4</a> e <a href="#f5">Figura 5</a>) permeiam o fotolivro <I>Introvis&atilde;o</i> e oportunizam uma experi&ecirc;ncia est&eacute;tica e perceptiva a um s&oacute; tempo atordoante e instigante.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v8n18/8n18a05f5.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Como cristais faiscantes, as imagens apresentadas em <I>Introvis&atilde;o</i>, ofertam possibilidades infinitas de atualiza&ccedil;&otilde;es, momentos de epifanias ao observador. Passageiro de um tempo que submerge tudo na instantaneidade medi&aacute;tica tornando o mundo um <i>d&eacute;j&agrave; vu</i>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na leitura e inflex&atilde;o que este texto se permite &eacute; poss&iacute;vel perceber a problem&aacute;tica proposta pelo autor: aquela relacionada com o ver. O ver como um nunca ver, certo tensionamento com a urg&ecirc;ncia e velocidade do mundo contempor&acirc;neo, certa insatisfa&ccedil;&atilde;o com o agora. As imagens apresentadas por Mitteldorf parecem possuir como proposta a urg&ecirc;ncia do presente em se fazer mem&oacute;ria, visto que o presente apenas passa, e velozmente. O desfocado utilizado pelo artista sugere apontar para um passado/presente que permanentemente se chocam. Adv&eacute;m da&iacute; um impacto perceptivo que retira o observador da imagem de sua zona de conforto. &Eacute; um Impacto prof&iacute;cuo que oportuniza o aparecimento da Imagem Cristal, imagem essa desestabilizadora de leituras autom&aacute;ticas, propiciadora que &eacute; de metamorfoses e devires. Essas imagens expressam outras esferas da realidade, reveladoras que s&atilde;o da n&atilde;o coincid&ecirc;ncia entre o ato de ver e o olhar, proporcionando por vezes a experi&ecirc;ncia da eternidade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b> </p>     <!-- ref --><p>Bergson, Henri (2010). <I>Mat&eacute;ria e Mem&oacute;ria.</i> S&atilde;o Paulo: Martins Fontes. ISBN: 8578272528&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1453110&pid=S1647-6158201700020000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Deleuze, Gilles (2007). <I>A Imagem tempo.</i> S&atilde;o Paulo, SP: Brasiliense. ISBN: 85-11-22028-3&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1453111&pid=S1647-6158201700020000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Fatorelli, Ant&ocirc;nio (2003). <I>Fotografia e Viagem. Entre a Natureza e o Artificio.</i> Rio de Janeiro: Relume Dumar&aacute;: FAPERJ. ISBN: 85-7316-323-2&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1453112&pid=S1647-6158201700020000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Mitteldorf, Klaus (s/data). <I>Site oficial</i>. &#91;Consult. 2016-12-03&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://klausmitteldorf.com/" target="_blank">http://klausmitteldorf.com/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1453113&pid=S1647-6158201700020000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Mitteldorf, Klaus (2006). Introvis&atilde;o. S&atilde;o Paulo: Edi&ccedil;&atilde;o do autor.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1453114&pid=S1647-6158201700020000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Mitteldorf, Klaus. (2007). "A terapia de Klaus Mitteldorf." Jornal da PUC-Campinas &#91;Consult. 2016-12-06&#93;. Dispon&iacute;vel em URL: URL: <a href="http://www.puc-campinas.edu.br/handlers/arquivos/?arquivo=419" target="_blank">www.puc-campinas.edu.br/handlers/arquivos/?arquivo=419</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1453116&pid=S1647-6158201700020000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>M&uuml;ller-Pohle, Andreas.(1985) Information Strategies. <I>European Photography 21</i>, Photography: Today/Tomorrow, v. 6, n. 1, Jan./Fev./Mar. 1985. &#91;Consult. 2016-12-2&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://www.muellerpohle.net/" target="_blank">http://www.muellerpohle.net/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1453117&pid=S1647-6158201700020000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Persichetti, Simonetta; Trigo, Thales (org.) (2005). <I>Klaus Mitteldorf</i>. Cole&ccedil;&atilde;o SENAC de Fotografia. S&atilde;o Paulo: Editora SENAC. ISBN: 85-7359-466-7&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1453118&pid=S1647-6158201700020000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Rouill&eacute;, Andr&eacute; (2009). <I>A Fotografia. Entre o documento e a arte contempor&acirc;nea.</i> S&atilde;o Paulo: SENAC. ISBN: 978-7359-876-6&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1453119&pid=S1647-6158201700020000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo submetido a 23 de janeiro de 2017 e aprovado a 5 de fevereiro 2017</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:sandrapgon@terra.com.br">sandrapgon@terra.com.br</a> (Sandra Maria L&uacute;cia Pereira Gon&ccedil;alves)</p>      ]]></body><back>
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