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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[It intends to reflect on the experiences and inventions concerning to poetics landscape construction from the works and the project "Archives of Destruction" the brazilian artist Glayson Arcanjo.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>Dossier editorial</b> </p>     <p align="right"><b>Editor's section</b> </p>     <p><b> "Arquivos da Destrui&ccedil;&atilde;o": experi&ecirc;ncias e inven&ccedil;&otilde;es sobre a paisagem a partir da obra de Glayson Arcanjo</b></p>     <p><b>"Archives of the Destruction": experiences and inventions about landscape by the Glayson Arcanjo's work</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Paula Cristina Somenzari Almozara&#42;</b></p>     <p><b>&#42;</b>Brasil, artista visual, professora e pesquisadora. Doutorado em Educa&ccedil;&atilde;o, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Mestrado em Artes, Unicamp. Bacharelado em Educa&ccedil;&atilde;o Art&iacute;stica com Habilita&ccedil;&atilde;o em Artes Pl&aacute;sticas, Unicamp. </p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: N&uacute;cleo de Pesquisa e Extens&atilde;o do Centro de Linguagem e Comunica&ccedil;&atilde;o da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de Campinas (PUC-Campinas). Campus I  &ndash;  Pr&eacute;dio da Reitoria Rod. D. Pedro I, km 136. Pq. das Universidades Campinas  &ndash;  SP / CEP: 13086-900 Brasil. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Resumo:</b> </p>     <p>Pretende-se refletir sobre as experi&ecirc;ncias e inven&ccedil;&otilde;es ligadas a constru&ccedil;&atilde;o de uma po&eacute;tica da paisagem por interm&eacute;dio de obras e de projetos do artista brasileiro Glayson Arcanjo, especificamente, os intitulados "Arquivos da Destrui&ccedil;&atilde;o".</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Paisagem / Glayson Arcanjo / projeto de exposi&ccedil;&atilde;o / arquivo / desenho.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Abstract:</b> </p>     <p>It intends to reflect on the experiences and inventions concerning to poetics landscape construction from the works and the project "Archives of Destruction" the brazilian artist Glayson Arcanjo.</p>     <p><b>Keywords:</b> Landscape / Glayson Arcanjo / exhibition project / archive / drawing.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>O objetivo &eacute; pensar sobre uma po&eacute;tica da paisagem baseada em uma no&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica que a coloca como elemento constru&iacute;do e identificado pela experi&ecirc;ncia e pela inven&ccedil;&atilde;o. Para tanto, pretende-se articular essa quest&atilde;o por interm&eacute;dio da obra e de projetos do artista brasileiro Glayson Arcanjo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os projetos de exposi&ccedil;&atilde;o "Arquivos da Destrui&ccedil;&atilde;o" de Arcanjo que foram apresentados &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es Museu de Arte da Universidade Federal de Uberl&acirc;ndia e Museu da Universidade Estadual de Minas Gerais, interessam-nos particularmente, pois, por meio desses, podemos, inicialmente, verificar dois ind&iacute;cios conceituais de an&aacute;lise que reverberam por toda a obra do artista e que nos ajudam em uma reflex&atilde;o amplificada sobre a paisagem. O primeiro diz respeito a men&ccedil;&atilde;o da palavra "ru&iacute;na", vista como uma met&aacute;fora a fim de determinar uma rela&ccedil;&atilde;o indicial dos resqu&iacute;cios da presen&ccedil;a humana, vislumbrados por constru&ccedil;&otilde;es abandonadas na paisagem da cidade e que, no caso do artista, s&atilde;o transformadas em lugares de identifica&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica por meio do desenho e por interven&ccedil;&otilde;es (<a href="#f1">Figura 1</a>). O segundo aspecto &eacute; a ideia vestigial, ou seja, marcas, sinais, que podem intensificar uma rela&ccedil;&atilde;o experiencial e de inven&ccedil;&atilde;o que transforma o espa&ccedil;o em lugar, no que concerne especificamente a uma acep&ccedil;&atilde;o de lugar como sendo: "tempo em espa&ccedil;o; ou seja, lugar &eacute; tempo lugarizado, pois entre espa&ccedil;o e tempo se d&aacute; o lugar, o movimento, a mat&eacute;ria" (Oliveira, 2012: 5).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v8n19/8n19a02f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Dentro da an&aacute;lise da produ&ccedil;&atilde;o de Glayson Arcanjo, a tomada de consci&ecirc;ncia sobre a constru&ccedil;&atilde;o de significados associados ao espa&ccedil;o estabelece uma inven&ccedil;&atilde;o sobre a ru&iacute;na e os vest&iacute;gios como uma esp&eacute;cie de arqueologia da paisagem. Nesse caso, n&atilde;o se trata da disciplina arqueol&oacute;gica em si, mas de um posicionamento imaginativo de como ocorre a rela&ccedil;&atilde;o entre os resqu&iacute;cios de constru&ccedil;&atilde;o e a mem&oacute;ria individual, em uma esp&eacute;cie de tentativa de demarcar e experimentar sentimentos e sensa&ccedil;&otilde;es sobre o/e a partir do contato com o espa&ccedil;o/lugar. Ao ressaltar isso pelo desenho na pr&oacute;pria observa&ccedil;&atilde;o do s&iacute;tio abandonado, o processo afirma-se como tautol&oacute;gico, no qual a ru&iacute;na e sua re-apresenta&ccedil;&atilde;o ocorrem em paralelo. O registro n&atilde;o se limita apenas &agrave; essa opera&ccedil;&atilde;o tautol&oacute;gica, mas infere outro processo que &eacute; o de cuidadosa apreens&atilde;o dos detalhes das ru&iacute;nas e de seus vest&iacute;gios por meio de um rigoroso desenho de observa&ccedil;&atilde;o (<a href="#f2">Figura 2</a>) em outro suporte que passa a integrar um arquivo de mem&oacute;rias e sensa&ccedil;&otilde;es e que, posteriormente, determinar&atilde;o interven&ccedil;&otilde;es em espa&ccedil;os expositivos.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v8n19/8n19a02f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Observamos que, dentro das proposi&ccedil;&otilde;es expogr&aacute;ficas de "Arquivos da Destrui&ccedil;&atilde;o" (<a href="#f3">Figura 3</a>), o artista pretende um deslocamento do desenho elaborado e registrado <i>in loco</i> para o espa&ccedil;o asc&eacute;tico do museu. Essa transposi&ccedil;&atilde;o evidencia uma reapresenta&ccedil;&atilde;o do desenho que demonstra as peregrina&ccedil;&otilde;es do artista por s&iacute;tios abandonados na cidade. A monumentalidade proposta, ou seja, o tamanho e as propor&ccedil;&otilde;es escolhidas para as paredes do museu sugerem algumas sensa&ccedil;&otilde;es e sentimentos experenciados por Arcanjo diante do abandono e dos escombros. N&atilde;o sendo ru&iacute;nas hist&oacute;ricas, no sentido estrito do termo, sua import&acirc;ncia n&atilde;o diminui por isso, uma vez que sua historicidade reside na sua exist&ecirc;ncia como testemunhos de um processo de abandono t&iacute;pico de explora&ccedil;&otilde;es imobili&aacute;rias dos grandes centros urbanos.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v8n19/8n19a02f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Reapresentar tais ru&iacute;nas, nesse sentido, &eacute; um ato de resist&ecirc;ncia e de provoca&ccedil;&atilde;o, retirando os destro&ccedil;os de sua condi&ccedil;&atilde;o de invisibilidade urbana, por meio dos tr&ecirc;s processos vivenciados pelo artista: a interven&ccedil;&atilde;o no local, a representa&ccedil;&atilde;o mnem&ocirc;nica do desenho sobre papel e reapresenta&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o museal.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esses tr&ecirc;s momentos distintos intensificados pelo desenho s&atilde;o fundamentados pela l&oacute;gica vestigial, que amplifica o ato de observa&ccedil;&atilde;o realizado no espa&ccedil;o/lugar, no qual o suporte eram as paredes restantes da constru&ccedil;&atilde;o e, portanto, ef&ecirc;meras e pouco acess&iacute;veis ao p&uacute;blico e que posteriormente encontram sua perenidade na rela&ccedil;&atilde;o de Arcanjo com os desenhos em sua forma de registro, de intera&ccedil;&atilde;o e de observa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Neste caso, como uma possibilidade de compreender esse abandono e esses vest&iacute;gios, podemos tentar uma aproxima&ccedil;&atilde;o com as "cidades e as trocas" (Calvino, 1990: 72), mais especificamente <I>Erc&iacute;lia</i> descrita no livro <I>Cidades Invis&iacute;veis</i> de &Iacute;talo Calvino (Calvino, 1990), e que aqui ousamos apresentar como uma refer&ecirc;ncia ao processo de Glayson Arcanjo:</p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>     <p><I>Em Erc&iacute;lia, para estabelecer as liga&ccedil;&otilde;es que orientam a vida da cidade, os habitantes estendem fios entre as arestas das casas, brancos ou pretos ou cinza ou pretos e brancos, de acordo com as rela&ccedil;&otilde;es de parentesco, troca, autoridade, representa&ccedil;&atilde;o. Quando os fios s&atilde;o tantos que n&atilde;o se pode mais atravessar, os habitantes v&atilde;o embora: as casas s&atilde;o desmontadas; restam apenas os fios e os sustent&aacute;culos dos fios.</i> &#91;...&#93; <I>Deste modo, viajando-se no territ&oacute;rio de Erc&iacute;lia, depara-se com as ru&iacute;nas das cidades abandonadas, sem as muralhas que n&atilde;o duram, sem os ossos dos mortos que rolam com o vento: teias de aranha de rela&ccedil;&otilde;es intrincadas &agrave; procura de uma forma.</i> (Calvino, 1990: 72)</p> </blockquote>     <p>A descri&ccedil;&atilde;o de <I>Erc&iacute;lia</i> ressalta um processo de conex&atilde;o entre espa&ccedil;os, materiais e elementos conceituais, nos quais seus habitantes "s&atilde;o nada" (Calvino, 1990) a observar do "costado" o que lhes sobrou do desmonte de sua cidade ap&oacute;s a interdi&ccedil;&atilde;o que as "linhas existentes" e indicativas de seus processos de vida provocaram no movimento vital que comp&otilde;e o emaranhado de "linhas existencias". Por sua vez, as linhas dos desenhos de Arcanjo se coadunam &agrave;s linhas de <I>Erc&iacute;lia</i> por mostrarem e representarem as perdas &agrave;s quais, de modo real ou metaf&oacute;rico, o homem da <i>urbe</i> est&aacute; destinado ou pr&eacute;-destinado. </p>     <p>Para compreender, desse modo, "Arquivos da Destrui&ccedil;&atilde;o", temos de referenciar os antecedentes que configuram a g&ecirc;nese dessas obras e projetos (<a href="#f3">Figura 3</a>), e que podem ser percebidos em participa&ccedil;&otilde;es do artista em eventos entre os anos de 2013 e 2014, sendo uma das mais impactantes a resid&ecirc;ncia art&iacute;stica realizado por Arcanjo em 2014 na Plataforma Phosphorus (projeto realizado com apoio do Governo do Estado de S&atilde;o Paulo, Secretaria de Estado da Cultura  &ndash;  Programa de A&ccedil;&atilde;o Cultural  &ndash;  2013, contemplado atrav&eacute;s do edital no. 24/2013 relativo ao "Concurso de Apoio de projetos de espa&ccedil;os independentes vinculados &agrave;s artes visuais no Estado de S&atilde;o Paulo" &#91;Montero, 2014: capa&#93;), na qual o artista vivenciou o espa&ccedil;o urbano do centro da cidade de S&atilde;o Paulo (<a href="#f4">Figura 4</a>) por meio de deambula&ccedil;&otilde;es que ativaram tentativas de a&ccedil;&otilde;es a partir dos pr&eacute;dios e constru&ccedil;&otilde;es abandonadas ou invadidas por ocupa&ccedil;&otilde;es:</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v8n19/8n19a02f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>N&atilde;o h&aacute; como ficar alheio a ideia de ru&iacute;na, de abandono, de escombro. Estamos no cora&ccedil;&atilde;o esquecido da cidade se S&atilde;o Paulo. H&aacute; pr&eacute;dios abandonados por toda a parte. Mas o que &eacute; pior. H&aacute; pessoas abandonadas dormindo embaixo de espessos cobertores. Trope&ccedil;amos em corpos.</i> &#91;...&#93;<i> Na frente do Phosphorus todos os pr&eacute;dios (que estavam vazios desde que mudamos para c&aacute; a 3 anos) foram invadidos pelas ocupa&ccedil;&otilde;es. Movimento popular paulista. LPM, luta por moradia. Uma luta que n&atilde;o conhecemos na pele. Uma luta de classes daqueles que historicamente, n&atilde;o possuem os recursos/direitos m&iacute;nimos de sobreviv&ecirc;ncia. Tentou entrar nas ocupa&ccedil;&otilde;es mas os muros s&atilde;o r&iacute;gidos. O medo n&atilde;o d&aacute; passagem aos estrangeiros.</i> (Montero, 2014: 2).</p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p>A aus&ecirc;ncia da figura humana em seus trabalhos &eacute; sintom&aacute;tica e torna-se profundamente dram&aacute;tica, uma vez que, ao prescindir da representa&ccedil;&atilde;o humana e indicar apenas vest&iacute;gios de sua presen&ccedil;a, isso revela o aspecto mais insidioso do que se pode considerar como ru&iacute;na, ou seja, o abandono. A "ru&iacute;na" para o artista n&atilde;o &eacute; um modelo ligado ao sublime sugerido por uma vis&atilde;o romantizada da paisagem, mas a uma situa&ccedil;&atilde;o moral ligada &agrave; destrui&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de se habitar um espa&ccedil;o.</p>     <p>Os vest&iacute;gios coletados, as a&ccedil;&otilde;es perform&aacute;ticas, as fotografias e, principalmente, os desenhos do artista relacionam-se &agrave; "falta" e tamb&eacute;m a uma tentativa de pertencimento como uma forma de experimentar a perda ao mesmo tempo em que se pretende dignificar ou devolver ao espa&ccedil;o a sua condi&ccedil;&atilde;o de lugar.</p>     <p>Trata-se de uma situa&ccedil;&atilde;o paradoxal. Quando Maria Montero (2014: 2) afirma que o "medo n&atilde;o d&aacute; passagem aos estrangeiros"  &ndash;  ao sugerir que as ocupa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o permitiram a entrada de pessoas "de fora" e, portanto, Glayson n&atilde;o conseguiu conhecer os meandros dos pr&eacute;dios ocupados nem sua resid&ecirc;ncia em 2014  &ndash;  enfim, o que lhe foi dado a conhecer pelos limites f&iacute;sicos impostos colaboraram para a "inven&ccedil;&atilde;o" como busca e para uma tentativa de elucida&ccedil;&atilde;o de otenciais hist&oacute;rias ligadas &agrave; percep&ccedil;&atilde;o, &agrave; empatia e &agrave; subjetividade do artista que se relaciona ao que lhe tocou a alma. Na verdade, para o artista n&atilde;o se trata de uma a&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica apenas, mas de instaura&ccedil;&atilde;o, de uma busca s&iacute;gnica, uma conex&atilde;o com o espa&ccedil;o, um esfor&ccedil;o de se entender uma condi&ccedil;&atilde;o humana ligada ao abandono e &agrave; perda. Nesse sentido, o artista foi privado de uma rela&ccedil;&atilde;o com o espa&ccedil;o, mas essa priva&ccedil;&atilde;o encaminhou seu trabalho para a &uacute;nica coisa que lhe restou, a fachada, que, em &uacute;ltima an&aacute;lise, seria a pe&ccedil;a fundamental de um intrincado quebra-cabe&ccedil;a (puzzle) social que lhe foi "concedido" naquele momento (<a href="#f4">Figura 4</a>).</p>     <p>Pelos escombros, pelas vias marginais, Glayson acabou construindo sua po&eacute;tica, n&atilde;o &eacute; sem prop&oacute;sito que o t&iacute;tulo dos projetos de exposi&ccedil;&atilde;o e dos conjuntos de obras apresentados coloca lado a lado as palavras arquivos e destrui&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Em um dos &uacute;ltimos trabalhos desta s&eacute;rie de Arcanjo, percebe-se o inexor&aacute;vel, ou seja, a destrui&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o pode ser aplacada por ser at&aacute;vica ao crescimento desenfreado da cidade e das condi&ccedil;&otilde;es sociais adversas que enfrentamos. Assim, o artista cria um elemento visual emblem&aacute;tico desse poss&iacute;vel destino paisag&iacute;stico dist&oacute;pico da <i>urbe</i>: sua encarna&ccedil;&atilde;o civilizat&oacute;ria, uma imagem de uma constru&ccedil;&atilde;o incrustada em um peda&ccedil;o de muro, uma esp&eacute;cie de <i>ostraca</i> de argamassa e cimento (<a href="#f5">Figura 5</a>), na qual se v&ecirc; representada o que possivelmente deveria ser a parede de onde foi retirada esse pequeno peda&ccedil;o de material.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v8n19/8n19a02f5.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A obra de Glayson Arcanjo deixa impl&iacute;cita nossa incapacidade de controle absoluto sobre a verdade dos fatos, resta-nos apenas a inven&ccedil;&atilde;o, a busca pelo entendimento, pela empatia, por interm&eacute;dio de marcas, ind&iacute;cios e vest&iacute;gios, que associados ao repert&oacute;rio do artista ou do observador podem reconstruir ou reordenar o aparente caos da vida contempor&acirc;nea. E, muito provavelmente nos impele &agrave; sensa&ccedil;&atilde;o de que a paisagem contempor&acirc;nea seja realmente "o muro", como afirma Nelson Brissac Peixoto (2004:13).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Calvino, &Iacute;talo (1990). <I>As cidades invis&iacute;veis</i>. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras. ISBN: 978-85-7164-149-5&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1454322&pid=S1647-6158201700030000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Montero, Maria (Org.) (2014). "Uma p&aacute;gina de prosa e outra de poesia". IN: Cat&aacute;logo do projeto de Resid&ecirc;ncia Phosphorus 2014. S&atilde;o Paulo: Phosphorus (publica&ccedil;&atilde;o independente). Sem ISBN.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1454323&pid=S1647-6158201700030000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Oliveira, L&iacute;via de (2012). "O sentido de lugar". In: Mandarola JR, E; Holzer, W.; Oliveira, L. (2012). <I>Qual o lugar do espa&ccedil;o?: geografia, epistemologia, fenomenologia</i>. S&atilde;o Paulo: Perspectiva. ISBN: 978-85-273-0959-2&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1454325&pid=S1647-6158201700030000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Peixoto, Nelson Brissac (2004). <I>Paisagens urbanas</i>. S&atilde;o Paulo: Editora Senac. ISBN: 85-7359-348-2.26 27 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1454326&pid=S1647-6158201700030000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo submetido a 25 de janeiro de 2017 e aprovado a 5 de fevereiro 2017</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:almozara@gmail.com">almozara@gmail.com</a> (Paula Cristina Somenzari Almozara)</p>      ]]></body><back>
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