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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Barahona Possolo assumes a seemingly anachronistic role in the Portuguese plastic landscape, since his painting assumes a declared realism, often associated with visual languages of the past. It is intended to observe the provocative strand structured in the porn-erotic theme in sexually explicit representations, framed in a public presentation context, for contents that allow multiple readings, specifically in the All We Can Eat series, from 2013.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>Artigos originais</b> </p>     <p align="right"><b>Original articles</b></p>     <p><b>Barahona Possollo: a contradi&ccedil;&atilde;o do soft-porn</b></p>     <p><b>Barahona Possollo: the soft-porn contradiction</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Lu&iacute;s Herberto&#42;</b></p>     <p><b>&#42;</b>Portugal, artista pl&aacute;stico e professor. Licenciatura em Artes Pl&aacute;sticas/Pintura, Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Doutoramento em Belas-Artes/ Pintura, Universidade de Lisboa. </p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade da Beira Interior (UBI); Faculdade de Arte e Letras; Departamento de Comunica&ccedil;&atilde;o e Artes; Membro do LabCom/IFP (UBI). Universidade da Beira Interior. Convento de Sto. Ant&oacute;nio.6201-001 Covilh&atilde;. Portugal. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Resumo:</b></p>     <p>Barahona Possolo assume um papel aparentemente anacr&oacute;nico na paisagem pl&aacute;stica portuguesa, j&aacute; que a sua pintura assume um realismo declarado, muitas vezes associado a linguagens visuais do passado. Pretende-se observar a vertente provocat&oacute;ria estruturada em representa&ccedil;&otilde;es sexualmente expl&iacute;citas, na categoria soft-porn, enquadradas em contexto de apresenta&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, para conte&uacute;dos que possibilitam leituras m&uacute;ltiplas, especificamente na s&eacute;rie <I>All We Can Eat</i>, de 2013.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> provoca&ccedil;&atilde;o / soft-porno / er&oacute;tico / p&uacute;blico/privado.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Abstract:</b></p>     <p>Barahona Possolo assumes a seemingly anachronistic role in the Portuguese plastic landscape, since his painting assumes a declared realism, often associated with visual languages of the past. It is intended to observe the provocative strand structured in the porn-erotic theme in sexually explicit representations, framed in a public presentation context, for contents that allow multiple readings, specifically in the All We Can Eat series, from 2013.</p>     <p><b>Keywords:</b> provocation / soft-porn / erotic / public/private.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>  A fus&atilde;o entre arte e representa&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita do sexo &eacute; ainda particularmente controversa, j&aacute; que permite uma diversidade de leituras poss&iacute;veis para manifesta&ccedil;&otilde;es desta natureza, muito por conta das constru&ccedil;&otilde;es sociais e morais que se reflectem na raz&atilde;o popular e que em parte, definem aspectos genu&iacute;nos na nossa cultura. Contrariando esta percep&ccedil;&atilde;o, assiste-se academicamente a um lento, mas progressivo estudo do bin&oacute;mio arte/ pornografia, habitualmente afirmativo no baixo valor moral da pornografia, em contraste com conceitos mais elevados atribu&iacute;dos &agrave; chamada <i>high art</i>, dificultando assim a exist&ecirc;ncia, na esfera das artes visuais, para representa&ccedil;&otilde;es nesta tem&aacute;tica, com limitadas excep&ccedil;&otilde;es solidamente estabelecidas na paisagem cultural contempor&acirc;nea. </p>     <p>&Eacute; essencial entender que os processos culturais e pol&iacute;ticos influenciam a cultura visual na representa&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica do sexo expl&iacute;cito. De qualquer modo, as leituras mostram-nos que o espa&ccedil;o p&uacute;blico, bem como a actua&ccedil;&atilde;o comportamental nas diversas identidades sexuais, convencionais e marginais, est&atilde;o em constante muta&ccedil;&atilde;o (Habermas, 1991), aplicando-se esta abordagem tamb&eacute;m &agrave;s artes visuais. </p>     <p>Na pintura de Possollo, h&aacute; uma constante de provoca&ccedil;&atilde;o porno-er&oacute;tica ao longo do seu percurso, sem configurar de imediato uma pintura politizada ou sequer um manifesto de g&eacute;nero e identidade, apesar de serem poss&iacute;veis interpreta&ccedil;&otilde;es mais direccionadas para o <i>queerspace</i>, n&atilde;o apenas pelo enquadramento p&uacute;blico que o autor por vezes assume, mas tamb&eacute;m porque h&aacute; uma constante adapta&ccedil;&atilde;o na (re) constru&ccedil;&atilde;o comportamental exposta (Ingram, 1997). Este espa&ccedil;o <i>queer</i> permite de certo modo agir num enquadramento normativo heterossexual, sem necessidade de recorrer a estrat&eacute;gias de marginaliza&ccedil;&atilde;o, habitualmente associadas em demonstra&ccedil;&otilde;es mais panflet&aacute;rias e que o autor recusa.</p>     <p>&Eacute; uma pintura de sedu&ccedil;&atilde;o que promove uma carga hedonista e que paradoxalmente se distancia da leitura obscena atribu&iacute;da &agrave;s imagens pornogr&aacute;ficas, precisamente pelas qualidades pl&aacute;sticas que declara, sem, contudo, se afastar da esfera de transgress&atilde;o aos in&uacute;meros modelos de representa&ccedil;&atilde;o institucionalizados que por si n&atilde;o as contemplam.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Lugar/ Tempo</b></p>     <p>Neste enquadramento t&atilde;o espec&iacute;fico, as importantes mudan&ccedil;as que emergiram nas revolu&ccedil;&otilde;es sociais, sobretudo a partir da d&eacute;cada de 1960, com particular aten&ccedil;&atilde;o para as quest&otilde;es da sexualidade, n&atilde;o permitiram uma evolu&ccedil;&atilde;o semelhante no que diz respeito &agrave; integra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica para a representa&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica neste campo, e na sociedade portuguesa em particular, s&atilde;o muito reduzidas as produ&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas de relevo com tem&aacute;ticas relativas &agrave; representa&ccedil;&atilde;o sexual expl&iacute;cita e em espa&ccedil;os p&uacute;blicos, institucionais ou privados, estando muitas outras dispon&iacute;veis no contradit&oacute;rio que &eacute; a internet. O contexto actual desta globalidade permite aqui a perman&ecirc;ncia de conte&uacute;dos sem restri&ccedil;&otilde;es, contudo, n&atilde;o &eacute; suficiente para romper com as barreiras morais enraizadas nas sociedades democr&aacute;ticas ocidentais, para al&eacute;m da publicidade sugestiva ou do cinema (classificado), assumindo uma 'sexualiza&ccedil;&atilde;o da cultura' que insiste em manter &agrave; dist&acirc;ncia as artes eruditas, de acordo com um conceito j&aacute; definido por McNair <i>(Striptease Culture. Sex, Media and the Democratization of Desire</i>, 2002). </p>     <p>  Possollo exp&otilde;e em 2013 a s&eacute;rie <I>All We Can Eat</i> (<a href="#f1">Figura 1</a>), sendo esta a sua primeira exposi&ccedil;&atilde;o individual inteiramente dedicada &agrave; tem&aacute;tica, apesar de anteriores e repetidas abordagens neste campo. Este conjunto de pinturas designa n&atilde;o apenas o seu lugar, enquanto cita&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria hist&oacute;ria da pintura, na sua adapta&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica e formal, mas explora igualmente c&oacute;digos e rituais comuns ao <i>soft-porn</i>. Apresenta conte&uacute;dos sexualmente expl&iacute;citos muito pr&oacute;ximos de uma <i>'escrita renascentista'</i>, no modo sugestivo e tangencial com que aborda os jogos de sexo nas suas pinturas. No realismo evidente das suas composi&ccedil;&otilde;es, estabelece uma rela&ccedil;&atilde;o confort&aacute;vel entre comunica&ccedil;&atilde;o e t&eacute;cnica, quando alia um sentido literal da realidade, ainda que de modo ficcional, ao retirar dos pressupostos contempor&acirc;neos as implica&ccedil;&otilde;es da fotografia, manipulando no suporte da pintura, o acidente formal que por vezes surge atrav&eacute;s da objectiva. Neste sentido, a sua pintura assume contornos ficcionais e pragm&aacute;ticos em simult&acirc;neo e bem determinados, opondo-se &agrave;s caracter&iacute;sticas documentativas que a fotografia apresenta. E neste caso espec&iacute;fico, existe uma manipula&ccedil;&atilde;o fotogr&aacute;fica que ao se afastar da sua fun&ccedil;&atilde;o documental, se posiciona como um <i>medium</i> que comunica em simult&acirc;neo, realidade e artif&iacute;cio (Steiner, 1995). O artista anarquiza esta situa&ccedil;&atilde;o e transporta-nos para uma ideia de realidade, tornando-a mais veros&iacute;mil que a pr&oacute;pria fotografia, aliada a quest&otilde;es como a expressividade, a manipula&ccedil;&atilde;o da cor ou o gesto, independentemente da sua posi&ccedil;&atilde;o numa hierarquia de interesses e que aqui se reduz ao imagin&aacute;rio sexualizado e no modo como o seu trabalho atinge, ou n&atilde;o, dimens&otilde;es pol&iacute;ticas e/ ou sociais. De qualquer modo, segundo o pr&oacute;prio, qualquer abordagem neste sentido ultrapassa a sua intencionalidade (Possollo, 2016), configurando-se como evidente o contexto da cita&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica, &agrave; semelhan&ccedil;a das primeiras pinturas do g&eacute;nero, como por exemplo, em Botticelli (1445-1510), cuja <I>Nascita di Venere</i> (c. 1482-85) foi fortemente controversa na &eacute;poca, ou Jacopo Caraglio (c.1500-1565), com as suas sugestivas gravuras <I>Amori degli Dei</i> (1527), em met&aacute;foras penetrantes no imagin&aacute;rio cl&aacute;ssico e que ainda hoje, passados cinco s&eacute;culos, se manifestam de um modo controverso, sem esquecer a ic&oacute;nica <I>Veneri di Urbino</i>, que Tiziano (1485-1576) realiza para consumo privado (Eck, 2001). <I>All We Can Eat</i> recria este enquadramento e conceito t&atilde;o manipuladores dos costumes e da moral Renascentista, conseguindo igualmente desconstruir a ampla fronteira classificativa entre er&oacute;tico e pornogr&aacute;fico (<a href="#f2">Figura 2</a>). </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v8n19/8n19a05f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v8n19/8n19a05f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Provoca&ccedil;&atilde;o/Ac&ccedil;&atilde;o/Reac&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Mas Possollo acrescenta algo &agrave; execu&ccedil;&atilde;o pict&oacute;rica e apresenta-se igualmente como espectador e modelo, sendo a auto-representa&ccedil;&atilde;o uma actividade recorrente no seu trabalho anterior (<a href="#f3">Figura 3</a>). A este prop&oacute;sito, refere uma responsabilidade agravada de si pr&oacute;prio enquanto espectador da pintura que realiza, remetendo a passividade como um atributo distante da virtude. Do mesmo modo, proporciona uma leitura amb&iacute;gua, na medida em que n&atilde;o se disponibiliza apenas a si pr&oacute;prio &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o: denuncia tamb&eacute;m todos os espectadores que ao se prestarem &agrave; interpreta&ccedil;&atilde;o destas pinturas proto pornogr&aacute;ficas, assumem tamb&eacute;m a condi&ccedil;&atilde;o do <i>voyeur</i>, limitado ao olhar e reduzido na ac&ccedil;&atilde;o pela imposi&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico. Mas a inten&ccedil;&atilde;o do artista, projectada na obra de arte, n&atilde;o &eacute; suficiente. &Eacute; igualmente necess&aacute;rio entender a inten&ccedil;&atilde;o dos espectadores, que atrav&eacute;s das suas cr&iacute;ticas e interpreta&ccedil;&otilde;es, d&atilde;o lugar &agrave; formula&ccedil;&atilde;o de ju&iacute;zos de valor, que por si, possibilitam um papel construtor e determinante na classifica&ccedil;&atilde;o da obra. Ora uma mesma obra possibilita in&uacute;meras interpreta&ccedil;&otilde;es em diversos indiv&iacute;duos, e a cada um &eacute; permitida a diversidade de interpreta&ccedil;&otilde;es, de acordo com o seu interesse no momento, aumentando exponencialmente as possibilidades interpretativas. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v8n19/8n19a05f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A pintura provocadora de Possollo &eacute; realizada para o consumo privado, recorrendo da sua presen&ccedil;a impactante em espa&ccedil;os p&uacute;blicos legitimados nos protocolos art&iacute;sticos para a validar tamb&eacute;m enquanto <i>high art</i>, atrav&eacute;s de representa&ccedil;&otilde;es de corpos idealizados. &Eacute; um discurso perme&aacute;vel ao programa cl&aacute;ssico, acrescendo alguma provoca&ccedil;&atilde;o nas abordagens expl&iacute;citas de jogos de sexo, mostrando-se sobretudo como uma pintura de sedu&ccedil;&atilde;o. Promove uma carga hedonista e afasta-se paradoxalmente da carga obscena atribu&iacute;da &agrave;s imagens pornogr&aacute;ficas, apesar de neste sentido, serem sempre poss&iacute;veis leituras diversas, bem como aplica&ccedil;&otilde;es flex&iacute;veis do conceito.</p>     <p>Em todo o caso, o pornogr&aacute;fico &eacute; uma subesp&eacute;cie do er&oacute;tico, j&aacute; que possuem em comum, o recurso &agrave;s representa&ccedil;&otilde;es sexualmente expl&iacute;citas, mas com diferentes objectivos e inten&ccedil;&otilde;es (Kieran, 2001). Se por um lado, o enquadramento da <i>erotica</i> visual est&aacute; actualmente instalado no espa&ccedil;o p&uacute;blico institucional, por outro, as deriva&ccedil;&otilde;es do <i>porno</i> s&atilde;o remetidas de imediato para espa&ccedil;os privados. </p>     <p>Esta abordagem espec&iacute;fica de <I>All We Can Eat</i>, configura-se como o paradoxo na dimens&atilde;o el&aacute;stica entre estes dois universos, em que Possollo estabelece uma evidente cumplicidade formal e conceptual.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas conclusivas</b></p>     <p>  A quest&atilde;o da atribui&ccedil;&atilde;o de uma classifica&ccedil;&atilde;o <i>soft-porn</i>, ou mesmo pornogr&aacute;fica, &agrave;s obras de Barahona Possolo, resvala para um territ&oacute;rio escorregadio, j&aacute; que observamos nas atitudes que estruturam os julgamentos relativos &agrave;s obras onde est&aacute; presente a representa&ccedil;&atilde;o sexualmente expl&iacute;cita, uma clara indetermina&ccedil;&atilde;o em propor defini&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas, certamente e muito por conta dos valores morais de quem as analisa, associados aos significados que um ou outro termo representam nos seus contextos hist&oacute;ricos e sociais espec&iacute;ficos. Neste dom&iacute;nio, h&aacute; todo um conjunto de ideias generalizadas que aparentemente estabelecem um padr&atilde;o demasiado el&aacute;stico nestas atitudes, como podemos constatar pelas leituras sobre a tem&aacute;tica.</p>     <p>A cita&ccedil;&atilde;o ao contexto hist&oacute;rico &eacute; refor&ccedil;ada pelas suas qualidades t&eacute;cnicas e formais, apesar de ser poss&iacute;vel contornar a atribui&ccedil;&atilde;o classificativa de 'escrita renascentista' por vezes atribu&iacute;da ao artista, uma vez que a linguagem pict&oacute;rica em quest&atilde;o tem particularidades muito pr&oacute;prias e contempor&acirc;neas. </p>     <p>Possolo assume nesta s&eacute;rie, o seu lugar provocador, face ao registo normativo que habitualmente imprime.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Eck, B. A. (2001). Nudity and Framing: Classifying Art, Pornography, Information, and Ambiguity. <I>Sociological Forum, Vol. 16, No. 4</i>, 603-632.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1454615&pid=S1647-6158201700030000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Habermas, J. (1991). <I>The Structural Transformation of the Public Sphere. An Inquiry into a Category of Bourgeois Society.</i> (T. Burger, & F. Lawrence, Trads.) Cambridge, Massachusetts: The MIT Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1454617&pid=S1647-6158201700030000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ingram, G. B. (1997). Marginality and the Landscapes of Erotic Alien (n) ations. Em G. B. Ingram, A.-M. Bouthillette, & Y. Retter, <I>Queers in Space. Communities/ Public Places/ Sites of Resistance</i> (pp. 27-52). Canada/ USA: Bay Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1454619&pid=S1647-6158201700030000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Kieran, M. (2001). Pornographic Art. <I>Philosophy and Literature, Vol. 25 (1)</i>, pp. 31-45.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1454621&pid=S1647-6158201700030000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>McNair, B. (2002). <I>Striptease Culture. Sex, Media and the Democratization of Desire.</i> London: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1454623&pid=S1647-6158201700030000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Possollo, B. (8 de Dezembro de 2016). Sof-Porn. (L. Herberto, Entrevistador)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1454625&pid=S1647-6158201700030000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Steiner, W. (1995). <I>The Scandal of Pleasure. Art in the Age of Fundamentalism.</i> Chicago: The University of Chicago Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1454626&pid=S1647-6158201700030000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Walker, J. A. (1999). <I>Art & Outrage.Provocation, Controversy and the Visual Arts.</i> London: Pluto Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1454628&pid=S1647-6158201700030000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo submetido a 20 de janeiro de 2017 e aprovado a 5 de fevereiro 2017</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:luisherberto@gmail.com">luisherberto@gmail.com</a> (Lu&iacute;s Herberto)</p>      ]]></body><back>
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