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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Julie Brook, naquele quarto a céu aberto]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade de Lisboa Faculdade de Belas Artes Centro de Investigação e Estudos em Belas-Artes]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Between the profile of the cliff in the Scottish coastline and the colour of distant rocks, in watercolours in notebooks, films that seem from another time and drawings with sea foam, or in the building of a path for the light and its reflection in the pigments on the body, Julie Brook affirms a singular way. The possible variations of the search for a language of her own glimpse in the necessary distance and in the physical experience in open spaces, as if the ancestral form of a room ( for her own) took the scale of the world and a voice was heard in the matter of earth.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Julie Brook, naquele quarto a c&eacute;u aberto</b></p>     <p><b>Julie Brook, in that room under the open sky</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Isabel Sabino*</b></p>     <p>*Portugal, artista visual. Licenciatura em Artes Pl&aacute;sticas/Pintura, Escola Superior de BelasArtes de Lisboa (ESBAL). Agrega&ccedil;&atilde;o no 5&ordm; grupo, Pintura, ESBAL. Agrega&ccedil;&atilde;o em Belas Artes/Pintura/Composi&ccedil;&atilde;o, Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas-Artes.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas Artes, &Aacute;rea de Pintura, Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e Estudos em Belas-Artes, CIEBA. Largo da Academia Nacional de Belas Artes, 1249-058 Lisboa, Portugal.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b></p>     <p>Entre o perfil da fal&eacute;sia no litoral escoc&ecirc;s e a cor de rochas distantes, em aguarelas de caderninhos, filmes que parecem doutro tempo e desenhos com espuma do mar, ou na constru&ccedil;&atilde;o de um caminho para a luz e o reflexo dela nos pigmentos sobre o corpo, Julie Brook afirma uma via singular. As varia&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis da procura de uma linguagem pr&oacute;pria cintilam na lonjura necess&aacute;ria e na experi&ecirc;ncia f&iacute;sica em espa&ccedil;os abertos, como se a forma ancestral de um quarto (s&oacute; para si) tomasse a escala do mundo e uma voz se ouvisse na mat&eacute;ria da terra.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Paisagem / casa / quarto / mundo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b></p>     <p>Between the profile of the cliff in the Scottish coastline and the colour of distant rocks, in watercolours in notebooks, films that seem from another time and drawings with sea foam, or in the building of a path for the light and its reflection in the pigments on the body, Julie Brook affirms a singular way. The possible variations of the search for a language of her own glimpse in the necessary distance and in the physical experience in open spaces, as if the ancestral form of a room ( for her own) took the scale of the world and a voice was heard in the matter of earth.</p>     <p><b>Keywords:</b> Landscape / house / room / world.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Da primeira vez que a viu, na carrinha estacionada, pareceu-lhe um anjo adormecido. N&atilde;o sabia ainda que ela partiria, de tempos a tempos, como se nenhuma parede pudesse faz&ecirc;-la sentir-se em casa permanentemente &#8212; nem quando os quatro filhos nasciam, um ap&oacute;s o outro.</p>     <p>De Rinteln/Alemanha (onde nasceu em 1961) &agrave; Ruskin School of Art de Oxford (onde se graduou em 1983), o trajeto de Julie Brook mal faria prever a profunda inquieta&ccedil;&atilde;o que a levaria a habitar, por vezes precariamente, na dist&acirc;ncia e no isolamento, zonas long&iacute;nquas da Esc&oacute;cia: o Jura, as ilhas de Mingulay e Skye. Mais tarde, s&atilde;o as viagens na L&iacute;bia e na Nam&iacute;bia. Aquela carrinha nesse dia, casas desabitadas, tendas, ou muitas vezes apenas o c&eacute;u como tecto, nada disso em Jules significa uma vida n&oacute;mada ou carenciada, nem uma op&ccedil;&atilde;o exc&ecirc;ntrica ou alternativa que alguma tradi&ccedil;&atilde;o brit&acirc;nica acolhe. &Eacute; uma necessidade fundamental no processo art&iacute;stico.</p>     <p>Por outro lado, h&aacute; a liga&ccedil;&atilde;o &agrave; terra que, certamente, nos remete para o nosso lugar no mundo e, concretamente, no globo que temos vindo a perturbar.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1.</b></p>     <p>Antes, em trabalhos de estudante e numa estadia no Sri Lanka antes de 1980, j&aacute; h&aacute; em obras suas sinais relacionados com a constru&ccedil;&atilde;o deabrigos. E, ap&oacute;s os estudos, vive entre 1991 e 1994 como os antigos habitantes do Jura numa gruta na desabrida costa da zona, com recursos e conforto m&iacute;nimos. Nas obras dessa fase trabalha em blocos notas, desenho, pintura, fotografia, filmes curtos (ent&atilde;o em <i>super 8</i> &#8212; <a href="#f1">Figura 1</a>) e constru&ccedil;&otilde;es no terreno &#8212; um misto de esculturas e arquiteturas.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v8n20/8n20a07f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O registo dos locais integra o desejo de apropria&ccedil;&atilde;o, mais literal nas interven&ccedil;&otilde;es <i>in-situ</i> portadoras de um simbolismo que transcende o nosso tempo, invocando formas ancestrais e qualidades imanentes da sua hist&oacute;ria (celta), ao mesmo tempo parecendo alhear-se disso. Nessa procura subjaz uma imers&atilde;o no meio envolvente em que a "solid&atilde;o intensifica a sensa&ccedil;&atilde;o de ser uma habitante &iacute;ntima na paisagem" (Brook, 1999), devendo entender-se a obra produzida na rela&ccedil;&atilde;o audaciosa do contexto eremita e das caminhadas, dos alimentos e dos materiais necess&aacute;rios que faz quest&atilde;o de obter no pr&oacute;prio meio ambiente, fundindo a sobreviv&ecirc;ncia e a arte numa prova de liberdade, autonomia, determina&ccedil;&atilde;o e resist&ecirc;ncia (<a href="#f2">Figura 2</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v8n20/8n20a07f2.jpg"></a>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Nas pinturas da mostra <i>The land's edge also</i> (1999) surge repetidamente um tema: uma fal&eacute;sia, sempre do mesmo ponto de vista, com a mesma escala e forma id&ecirc;ntica. Se Monet, na pintura ao ar livre das suas medas de feno ou da Catedral de Rouen destaca a impress&atilde;o da luz nas diversas horas do dia, Julie procura, sobretudo, uma percep&ccedil;&atilde;o interior resultante da acumula&ccedil;&atilde;o de observa&ccedil;&otilde;es patente numa atmosfera expressionista. Meg Bateman (Brook 1999) constata que, embora focada na representa&ccedil;&atilde;o, a atitude da artista implica um fluxo constante que exige o uso de diferentes meios operativos. Apesar do esfor&ccedil;o f&iacute;sico envolvido nas obras escult&oacute;ricas <i>in-situ</i>, Julie assume o prazer destas face &agrave; maior dificuldade nas pinturas, reconhecendo nestas uma energia apol&iacute;nea, enquanto que nos desenhos de cinza e espuma do mar a delicadeza no equil&iacute;brio org&acirc;nico entre a a&ccedil;&atilde;o natural e a interven&ccedil;&atilde;o e controle consciente da forma remetem para um universo feminino ou, dir&iacute;amos n&oacute;s, oriental.</p>     <p>Para si, o desenho articula as 2 e as 3 dimens&otilde;es promovendo o compromisso da rela&ccedil;&atilde;o t&aacute;ctil com o vis&iacute;vel, nesse sentido interessando-lhe mais como gesto do que transposi&ccedil;&atilde;o da representa&ccedil;&atilde;o da realidade. Assim, os registos s&atilde;o algo grosseiros, pouco detalhados, t&atilde;o r&aacute;pidos quando poss&iacute;vel, captando em s&iacute;ntese a cor ou a forma, a incid&ecirc;ncia da luz, frequentemente menos auto-conscientes do que o trabalho posterior.</p>     <p>"Desenhar &eacute; como respirar", afirma na conversa com Meg.</p>     <p>A linguagem do desenho associada &agrave; fisicalidade processual sustenta as interven&ccedil;&otilde;es de grande escala com pedra, terra e outras mat&eacute;rias, o que os t&iacute;tulos das obras na paisagem de 2011 a 2013 confirmam &#8212; "Drawing a line", "Sand line, blue volcanic plates", "Curved rising line, white on white", "Blue line", "Black line on black", "Sand drawing, perpendicular lines". Nesses nomes, Julie enaltece a voca&ccedil;&atilde;o formal das obras em conex&atilde;o com o processo gr&aacute;fico e no respeito da sua integridade f&iacute;sica. J&aacute; noutro conjunto, o t&iacute;tulo "Intercepting Light" designa o filme que documenta a experi&ecirc;ncia e, ao mesmo tempo, um dos fitos principais &#8212; a experi&ecirc;ncia da passagem da luz &#8212; e a identifica&ccedil;&atilde;o de cada obra relaciona-nos com o local e eventos nele surgidos (<a href="#f3">Figura 3</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v8n20/8n20a07f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Esses desenhos na paisagem e os aut&oacute;nomos, em papel, articulam-se com o espa&ccedil;o visando uma pureza da linguagem enfatizada na formalidade nas formas disciplinadas, geom&eacute;tricas, controladas, rigorosas, com sentido cl&aacute;ssico, primitivo, universal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2.</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O processo &eacute; pois central na sua rela&ccedil;&atilde;o com a linguagem. Em conversa com Dan Sturgis e Chris Breward (Brook, 2013) a artista celebra o fazer como necessidade da liga&ccedil;&atilde;o com o material na conex&atilde;o f&iacute;sica com a paisagem. J&aacute; antes afirmara:</p>     <blockquote>    <p>(&#8230;) <i>o que quero dizer com linguagem &eacute; que exista uma consist&ecirc;ncia.</i> (&#8230;) <i>encontrar uma linguagem &eacute; acerca de encontrar uma resposta ao meu ambiente e, tamb&eacute;m, que o ambiente tenha um efeito sobre mim.</i> (Brook, 1999)</p></blockquote>     <p>Esse compromisso com a linguagem estabelece-se atrav&eacute;s do confronto e enamoramento com a terra e as suas manifesta&ccedil;&otilde;es: geologia, calor e frio, luz, ondas, mar&eacute;s, vento. A faceta performativa associada &agrave; necessidade do trabalho em rela&ccedil;&atilde;o profunda com a natureza, marcada por grande exig&ecirc;ncia f&iacute;sica e enorme estoicismo, diferenciam-na de artistas com obras afins como Michael Heizer ou Nancy Holt. Artista de facto <i>sui generis</i>, n&atilde;o deixa de se inscrever de algum modo na linhagem da <i>land art</i> escocesa que Richard Long e Andy Goldsworthy pontuam, embora talvez seja mais expressiva a rela&ccedil;&atilde;o com Robert Smithson.</p>     <p>Referindo-se aos <i>Earth Projects</i>, Smithson associa o processo mental aos processos observ&aacute;veis na natureza no que designa como geologia abstracta, sublinhando a import&acirc;ncia do processo prim&aacute;rio de tomar contacto com a mat&eacute;ria e usando o exemplo de Tony Smith (Blumberg &amp; Yazaldeh), decisivo para si. Limitado na juventude por uma tuberculose, Smith realiza ent&atilde;o pequenas maquetes geom&eacute;tricas com caixas de medicamentos. Em 1951, j&aacute; a trabalhar como arquiteto com Frank Lloyd-Wright, um acontecimento particular f&aacute;-lo entender o sentido profundo da cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica: ao entrar de autom&oacute;vel &agrave; noite num cruzamento em obras em New Jersey acede a uma estrada proibida que perde os limites e desaparece no terreno, dando por si a conduzir na escurid&atilde;o, sem marcos na extens&atilde;o a n&atilde;o ser silhuetas de edif&iacute;cios e postes.</p>     <p>Smithson compreende que o medo se associa &agrave; suspens&atilde;o e perda de limites e, na sua viragem, &agrave; indiferencia&ccedil;&atilde;o que Ehrenzweig teoriza na procura de indistin&ccedil;&atilde;o entre "eu" e "n&atilde;o-eu" inerente ao processo &iacute;ntimo da pesquisa art&iacute;stica, bem como ao sentimento oce&acirc;nico que Freud trabalha em "O Mal Estar da Civiliza&ccedil;&atilde;o" (e Malevich, de resto, j&aacute; tinha antevisto essa instaura&ccedil;&atilde;o abissal no vazio na aus&ecirc;ncia de representa&ccedil;&atilde;o do seu "mundo n&atilde;o objectivo").</p>     <p>Trata-se, para ele, de uma esp&eacute;cie de processo de "des-arquitectura", tamb&eacute;m associ&aacute;vel a Julie Brook, empenhada duplamente numa apologia do trabalho e na persegui&ccedil;&atilde;o do sublime que j&aacute; Burke associara &agrave; perda de limites.</p>     <p>Os desenhos dela com pigmentos oriundos da Nam&iacute;bia (usados pelas mulheres Himba Herero) tamb&eacute;m recordam Smithson, para quem a ferrugem, ou seja, o &oacute;xido de ferro, &eacute; indissoci&aacute;vel da presen&ccedil;a do metal na cultura contempor&acirc;nea como material que, mais cedo ou mais tarde, revela a sua vida pr&oacute;pria no tempo e, desse modo, &eacute; aleg&oacute;rica. Ali&aacute;s, em Brook encontramos tamb&eacute;m processos essenciais para Smithson &#8212; a oxida&ccedil;&atilde;o, a hidrata&ccedil;&atilde;o, a carboniza&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, se Tony Smith exemplifica a necessidade de muitos minimalistas de formas primordiais e depuradas que parecem emergir da pr&eacute;-hist&oacute;ria, isso n&atilde;o significa para Smithson a redu&ccedil;&atilde;o a ideais arquet&iacute;picos ou puras 'gestalt' &#8212; n&atilde;o s&atilde;o unidades "mas coisas num estado de disrup&ccedil;&atilde;o aprisionada" (Smithson, 1968), sustentando o lado escuro na arte que cont&eacute;m o caos e que metaforiza a pr&oacute;pria mente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3.</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Da evoca&ccedil;&atilde;o dos caminhantes sonhadores de Caspar David Friedrich &agrave;s andan&ccedil;as de Robert Smithson e Brook, a presen&ccedil;a da caminhada a p&eacute; em processos e obras de arte tem vindo a tornar-se recorrente hoje, em parte tamb&eacute;m na senda de escritores como Henry David Thoreau no texto de 1861, ou de Robert Walser, j&aacute; no s&eacute;culo XX. Recentemente, Rebecca Solnit (2001) aprofunda a capacidade do andar a p&eacute; na paisagem em ritmar o pensamento, estabelecendo ecos com as ideias e interpelando o exterior e o interior em conson&acirc;ncia. Assim, ocorrem ideias despoletadas por acidentes ou detalhes da paisagem que j&aacute; l&aacute; estavam antes, tal como de resto acontece nas mem&oacute;rias nem sempre involunt&aacute;rias de outro caminhante convicto, Sebald, para n&atilde;o referir as evoca&ccedil;&otilde;es proustianas.</p>     <p>Mas que procura Julie pelo seu p&eacute;, na dist&acirc;ncia? Algo interior tamb&eacute;m, &eacute; certo, suspeitado nos seus primeiros filmes do Jura (<a href="#f1">Figura 1</a>), cujos excertos V&iacute;tor Gon&ccedil;alves usa em "A Vida Invis&iacute;vel" (2013) para ficcionar uma persona m&uacute;ltipla, hesitante entre um passado cristalizado numa casa e um caminho desconhecido. Julie coloca quest&otilde;es respeitantes &agrave; linguagem mas que se situam num plano anterior &agrave; pr&oacute;pria linguagem. Ao escrever sobre a sua obra, Richard Holloway lamenta a falibilidade da verbaliza&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia a que a arte incita, e a perda que a especializa&ccedil;&atilde;o na linguagem acarreta ao ser humano face &agrave; capacidade de leitura do ambiente por outros animais. A vis&atilde;o, o olfacto, a percep&ccedil;&atilde;o sensorial aguda e sinest&eacute;sica, conferem um poder de interpreta&ccedil;&atilde;o de sinais que o ser humano tem perdido. "&#8230;torn&aacute;mo-nos monoglotas que j&aacute; n&atilde;o sabem ler a terra" (Holloway, 2013). Nesse sentido, a necessidade de Julie de contacto prim&aacute;rio com a natureza (que os filmes recentes tentam mostrar &#8212; <a href="#f4">Figura 4</a>) justifica-se pela desafio &agrave; sua capacidade, tamb&eacute;m animal, de percep&ccedil;&atilde;o, numa rela&ccedil;&atilde;o integral com o espa&ccedil;o. &Eacute; assim que, no final, o que Julie canaliza atrav&eacute;s do seu trabalho "&eacute; a pr&oacute;pria terra", afirma o mesmo autor, e uma celebra&ccedil;&atilde;o da vida nos lugares, nos jogos de luz e sombra, na transi&ecirc;ncia das coisas, at&eacute; "que tamb&eacute;m n&oacute;s passemos &#8212; porque passaremos pela certa &#8212; soprados como a areia no deserto mutante."</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v8n20/8n20a07f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&Eacute;, pois, longe, em locais a centenas de quil&oacute;metros da cidade mais pr&oacute;xima, que Julie desenvolve o seu trabalho essencial, com materiais que o pr&oacute;prio espa&ccedil;o natural propicia quando percorre a p&eacute; territ&oacute;rios selvagens. Ent&atilde;o, a exist&ecirc;ncia afirma-se na experi&ecirc;ncia necess&aacute;ria, na sublima&ccedil;&atilde;o do esfor&ccedil;o f&iacute;sico da caminhada, exigente e demorada, transformando o tempo dos passos e o espa&ccedil;o aberto onde evolui, passo a passo, num lugar sem corpo, sem coordenadas e sem tempo.</p>     <blockquote>    <p>(&#8230;) <i>No fim ela perder-se-&aacute; ali dentro. Essa parte controladora de si mesma ir&aacute; ceder. Finalmente ela estar&aacute; livre para habitar a estranheza feita do que pode acontecer no seu interior. Esse lugar onde ela pode dar express&atilde;o &agrave; sua pr&oacute;pria linguagem.</i> (Gon&ccedil;alves, 1999)</p></blockquote>     <p>Inusitado est&uacute;dio, constru&ccedil;&otilde;es improvisadas em grutas, em casas, tendas, esse &eacute; o quarto de Julie, como o de Virg&iacute;nia Woolf, inteiramente seu: no seu caso, sem tecto, a c&eacute;u aberto, &eacute; como se a forma ancestral de um tal quarto s&oacute; para si tomasse a escala do mundo, com ele interiorizando o sonho de um tempo geol&oacute;gico ou, qui&ccedil;&aacute;, da aboli&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio tempo. E, nas suas formas geom&eacute;tricas na terra, &eacute; leg&iacute;vel o perfil desse quarto e o seu apagamento.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O pa&iacute;s em que, em 1794, passeia Xavier de Maistre, cabe numa sala e distribui-se por uma cama, uma mesa, algumas cadeiras e uma poltrona, uma lareira, uma secret&aacute;ria, tudo reflectido num espelho a par dos materiais da escrita. Numa outra viagem, Vila-Matas pergunta porque "n&atilde;o haveremos de ser &#8212; homens, deuses, mundo &#8212; sonhos que algu&eacute;m sonha, pensamentos que algu&eacute;m pensa, situados sempre fora do que existe." (Vila-Matas, 2004: 237).</p>     <p>Ao longo dos tempos, as diferentes culturas que nos formam viram ou inventaram deuses, ninfas e esp&iacute;ritos dos lugares e dos elementos. No mais di&aacute;fano do ar e do vento, no rec&ocirc;ndito de &aacute;rvores, lagos, rios, mares, fal&eacute;sias, montanhas e pedras, tanto na terra como nas casas e nas cidades, tem sido comum o desejo ou suspeitas de vozes, presen&ccedil;as. E seria no eco dessas vozes, qui&ccedil;&aacute; de anjos, que os artistas colheriam as ideias das suas obras. A sua aptid&atilde;o primeira consistiria assim na dif&iacute;cil escuta dessas vozes.</p>     <p>Mas talvez os pr&oacute;prios artistas sejam, eles mesmo, anjos com a fun&ccedil;&atilde;o de descobrir ecos distantes escondidos nas coisas &#8212; na terra e nas casas feitas pelos homens &#8212; quando tudo se confunde &agrave; superf&iacute;cie do tempo. A arte ser&aacute;, ent&atilde;o, o trabalho de dar forma &agrave; voz dos anjos, e essa voz em si, por dentro do esquecimento que um tempo mais profundo esconde.</p>     <p>Contudo, quando ele viu Julie, adormecida na carrinha, n&atilde;o podia suspeitar disso e do que seria a vida de ambos numa terra &agrave; partida extensa, que tanto muda connosco e que, cada vez mais, sabemos t&atilde;o pequena como um quarto, t&atilde;o fr&aacute;gil para acolher o futuro.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Bateman, Meg. Conversa com Julie Brook. In Brook, Julie (1999) The land's edge also. Paintings, drawings, sculpture, film (1993-1999). Cat&aacute;logo de exposi&ccedil;&atilde;o. Glascow: Collins Gallery &amp; The University of Glascow, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1456293&pid=S1647-6158201700040000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Brook, Julie (1994) Arts: Where the wild things are, entrevista a Fiammetta Rocco. The Independent, 6 de mar&ccedil;o de 1994. &#91;Consult. 2014-05-21&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://www.independent.co.uk/arts-entertainment/arts-where-the-wild-things-are-julie-brook-is-a-landscape-artist-with-a-difference-she-lives-under-an-arch-of-rock-on-the-coast-of-distant-jura-fiammetta-rocco-feature-writer-of-the-year-visited-the-island-to-find-out-what-made-her-take-such-an-elemental-journey-1427316.html " target="_blank">http://www.independent.co.uk/arts-entertainment/arts-where-the-wild-things-are-julie-brook-is-a-landscape-artist-with-a-difference-she-lives-under-an-arch-of-rock-on-the-coast-of-distant-jura-fiammetta-rocco-feature-writer-of-the-year-visited-the-island-to-find-out-what-made-her-take-such-an-elemental-journey-1427316.html</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1456295&pid=S1647-6158201700040000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Brook, Julie (1999) The land's edge also. Paintings, drawings, sculpture, film (1993-1999). Cat&aacute;logo de exposi&ccedil;&atilde;o. Glascow: Collins Gallery &amp; The University of Glascow, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1456296&pid=S1647-6158201700040000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Brook, Julie (2013) Made Unmade. Skye and Edimburg: Young Films and Dovecot Studios.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1456298&pid=S1647-6158201700040000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Blumberg, Naomi &amp; Yazaldeh, Ida, Tony Smith, American Architect, Sculptor and Painter. In Enciclopaedia Britannica on-line &#91;Consult. 2017-01-19&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href="https://www.britannica.com/biography/Tony-Smith" target="_blank">https://www.britannica.com/biography/Tony-Smith</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1456300&pid=S1647-6158201700040000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Gon&ccedil;alves, V&iacute;tor (1999) Texto sem t&iacute;tulo. In Brook, Julie (1999) The land's edge also. Paintings, drawings, sculpture, film (1993-1999). Glascow: Collins Gallery &amp; The University of Glascow, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1456301&pid=S1647-6158201700040000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gon&ccedil;alves, V&iacute;tor (2013) A vida Invis&iacute;vel. Filme de longa metragem. Rosa Filmes e Young Films. Portugal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1456303&pid=S1647-6158201700040000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Holloway, Richard (2013) The World in a Grain of Sand. In Book, Julie, Made Unmade. Skye and Edimburgh: Young Films and Dovecot Studios.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1456305&pid=S1647-6158201700040000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Smithson, Robert (1968) A sedimentation of the Mind: Earth Projects. In Flam, Jack (Ed.) (1996) Robert Smithson: The collected writings. Berkeley and Los Angeles: university of Califormina Press, p. 100-113.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1456307&pid=S1647-6158201700040000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Solnit, Rebecca (2001) Wonderlust. A History of Walking. London: Penguin Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1456309&pid=S1647-6158201700040000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Vila-Matas, Enrique (2004) A viagem vertical. Lisboa: Ass&iacute;rio &amp; Alvim.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1456311&pid=S1647-6158201700040000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Enviado a 25 de janeiro de 2017 e aprovado a 15 de fevereiro de 2017</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:i.sabino@belasartes.ulisboa.pt"> i.sabino@belasartes.ulisboa.pt</a> (Isabel Sabino)</p>      ]]></body><back>
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