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<publisher-name><![CDATA[Universidade de LisboaFaculdade de Belas-Artes]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Construção pela destruição: camadas de pele da cidade revelada pela obra de Vhils]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Construction through destruction: skin layers of the city revealed by Vhils' work]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade de Brasília Instituto de Artes ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper discusses the work of the Portuguese artist Alexandre Farto (Vhils), which takes place on the public space through the excavations of superimposed layers on walls revealing the city's enclosed stories. Therefore, this study examines how his relation with the urban space led him to construct his poetic, inquiring about his association with the public space, just as his artistic practice that uses the space itself as a pilar. This paper also analyses the relation with the observer, building connections with phenomenological concepts, and with the ethnographic look enclosed on the making of public art on the contemporaneity.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Constru&ccedil;&atilde;o pela destrui&ccedil;&atilde;o: camadas de pele da cidade revelada pela obra de Vhils</b></p>     <p><b>Construction through destruction: skin layers of the city revealed by Vhils' work</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Marcos Antony Costa Pinheiro*</b></p>     <p>*Brasil: artista pl&aacute;stico.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade de Bras&iacute;lia, Instituto de Artes, Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Artes Visuais. Campus Universit&aacute;rio Darcy Ribeiro, Pr&eacute;dio SG 1. CEP: 70.910-900 &#8212; Caixa Postal 4432 &#8212; Asa Norte &#8212; Bras&iacute;lia/DF, Brasil.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b></p>     <p>Esse artigo discute a obra do artista portugu&ecirc;s Alexandre Farto (Vhils), que acontece no espa&ccedil;o p&uacute;blico, por meio de escava&ccedil;&otilde;es de camadas superpostas em paredes, de modo a revelar hist&oacute;rias contidas na cidade. Para tanto, a pesquisa examina como sua rela&ccedil;&atilde;o com o espa&ccedil;o urbano o levou a constru&ccedil;&atilde;o de sua po&eacute;tica, investigando assim sua rela&ccedil;&atilde;o com espa&ccedil;o p&uacute;blico, como tamb&eacute;m sua pr&aacute;tica art&iacute;stica que usa o pr&oacute;prio espa&ccedil;o como suporte. Analisa ainda a rela&ccedil;&atilde;o com o observador, tecendo rela&ccedil;&otilde;es com conceitos fenomenol&oacute;gicos, e, com o olhar etnogr&aacute;fico contido nos fazeres de arte p&uacute;blica na contemporaneidade.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> arte urbana / arqueologia / mem&oacute;ria / espa&ccedil;o / lugar.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b></p>     <p>This paper discusses the work of the Portuguese artist Alexandre Farto (Vhils), which takes place on the public space through the excavations of superimposed layers on walls revealing the city's enclosed stories. Therefore, this study examines how his relation with the urban space led him to construct his poetic, inquiring about his association with the public space, just as his artistic practice that uses the space itself as a pilar. This paper also analyses the relation with the observer, building connections with phenomenological concepts, and with the ethnographic look enclosed on the making of public art on the contemporaneity.</p>     <p><b>Keywords:</b> public art / archeology / memory / space / place.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Alexandre Farto (Vhils, n. 1987) &eacute; um artista oriundo do graffiti, que veio a desenvolver atrav&eacute;s da experimenta&ccedil;&atilde;o do est&ecirc;ncil uma linguagem visual pr&oacute;pria. Ao lidar com a cria&ccedil;&atilde;o de camadas superficiais de paredes no in&iacute;cio, veio posteriormente emergir na a&ccedil;&atilde;o de retir&aacute;-las por meio de martelos, &aacute;cidos e at&eacute; mesmo explosivos. Essa a&ccedil;&atilde;o de retirada d&aacute; vista &aacute;s camadas de hist&oacute;ria que constitui o espa&ccedil;o urbano. Esse artigo pretende abordar aspectos da sua obra e da sua rela&ccedil;&atilde;o com o espa&ccedil;o p&uacute;blico, esta que se expressa pela destrui&ccedil;&atilde;o &#8212; constru&ccedil;&atilde;o, polos distintos, mas que se entremeiam, e que provocam um olhar sens&iacute;vel no meio, aproximando assim sua obra de conceitos da fenomenologia de Merleau-Ponty no que tange a esfera do sens&iacute;vel e o papel do artista contempor&acirc;neo como observador-participante analisado pelo cr&iacute;tico Hal Foster.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Construindo o artista</b></p>     <p>Alexandre Farto &eacute; um artista portugu&ecirc;s, que no in&iacute;cio de sua carreira se dedicava &agrave; parte mais ilegal da pr&aacute;tica do graffiti. Mundialmente conhecido pelo seu nome art&iacute;stico Vhils, suas mem<b>&oacute;</b>rias est&atilde;o atreladas ao lugar aonde nascera e crescera, a zona do Seixal, margem Sul do Estu&aacute;rio do Tejo. Aonde ele presenciou o desenvolvimento urbano ocorrido em Portugal na d&eacute;cada 80 e 90.</p>     <p>Suas experi&ecirc;ncias com est&ecirc;ncil foram determinantes para chegar nas experimenta&ccedil;&otilde;es contidas atualmente em seus trabalhos. Nas palavras de Vhils, "parece que as paredes engordavam tr&ecirc;s ou quatro cent&iacute;metros" (Vhils, 2012). Essa reflex&atilde;o permitiu ao artista se questionar sobre a quest&atilde;o das camadas presentes nas paredes, camadas estas que remontam uma 'mem&oacute;ria' da cidade. Ao escavar essas camadas estaria em contato com a hist&oacute;ria daquele lugar. Resqu&iacute;cios que revelam tra&ccedil;os hist&oacute;ricos da cidade camuflados ao longo do tempo. Sobreposi&ccedil;&otilde;es que remontam percursos da cidade a longo da hist&oacute;ria, o seu desenvolvimento urbano. Ao escavar uma parede revelam-se camadas do que j&aacute; foi um modo de sentir a cidade e que ficou gravado no tempo, mas que pela urg&ecirc;ncia hoje da comunica&ccedil;&atilde;o ligada ao consumo, ficou obliterada pela sobreposi&ccedil;&atilde;o de mensagens. Ao romper as camadas da parede, Vhils cria um tra&ccedil;o de empatia ao trabalhar com rostos de pessoas muitas vezes an&ocirc;nimas.</p>     <p>Estas imagens seguem a l&oacute;gica proveniente do est&ecirc;ncil, em que a imagem surge de um negativo, enfatizando o contraste na constru&ccedil;&atilde;o da mesma. Aqui o artista se utiliza de martelo pneum&aacute;tico, como tamb&eacute;m &aacute;cidos corrosivos ou at&eacute; mesmo explosivos para assim remover a pele da cidade. As paredes usadas como mero suporte na cultura do grafite, aqui se tornam elementos constituintes da po&eacute;tica estabelecida com o lugar, que remete como uma pr&aacute;tica 'arqueol&oacute;gica', na qual, ao escavar parede, revela a cidade como um organismo vivo impregnada de memorias constru&iacute;das por seus habitantes.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1.1 Desconstruindo a pele da parede</b></p>     <p>Os fragmentos de paredes ao serem removidos, revelam mem&oacute;rias passadas, gravitando entre o vis&iacute;vel e o invis&iacute;vel, ao serem extra&iacute;das, criam-se formas, vem &agrave; tona resqu&iacute;cios. Essas sutilezas s&atilde;o a carnalidade do mundo, desencadeando modos de ver, como afirma Merleau-Ponty:</p>     <blockquote>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>A vis&atilde;o n&atilde;o &eacute; certo modo do pensamento ou presen&ccedil;a a si: &eacute; o meio que me &eacute; dado de estar ausente de mim mesmo, de assistir por dentro &agrave; fiss&atilde;o do ser, ao t&eacute;rmino da qual somente me fecho sobre mim</i> (Merleau-Ponty, 2014:51)</p></blockquote>     <p>Vhils estabelece aqui princ&iacute;pios formativos que geram marcas, invocando uma ci&ecirc;ncia que n&atilde;o se expressa por palavras, mas "por obras que existem no vis&iacute;vel &agrave; maneira das coisas naturais, e que, no entanto, comunica por elas." (Merleau-Ponty, 2014: 51). Aqui o olho passa a tomar posse de lugares aonde a conformidade do habitual tinha atingindo seu esplendor. Ao estabelecer um di&aacute;logo pela forma, o artista escolhe rostos de pessoas an&ocirc;nimas que representam um espectro do mundo contempor&acirc;neo nas grandes cidades. Esse olhar fenomenol&oacute;gico n&atilde;o &eacute; um olhar retiniano que tra&ccedil;a escalas, dimens&otilde;es; e sim, um olhar muscular, que adentra na voluminosidade de o mundo despertando no corpo sens&iacute;vel a experi&ecirc;ncia de um espa&ccedil;o sens&iacute;vel.</p>     <p>Experimentamos a cidade com o nosso corpo, ele nos leva em dire&ccedil;&atilde;o ao mundo. O corpo aqui assume uma import&acirc;ncia que possui sua pr&oacute;pria intencionalidade. A origem do espa&ccedil;o n&atilde;o &eacute; outra que o movimento do corpo, ao se movimentar cria-se o espa&ccedil;o. Merleau Ponty afirma que a maneira como percebemos o meio atrav&eacute;s do corpo estabelece uma forma de percep&ccedil;&atilde;o do mesmo. Estabelecendo uma rela&ccedil;&atilde;o de reciprocidade de est&iacute;mulos. Aqui o ato de ver abrange todo o corpo, ele se adequa a uma configura&ccedil;&atilde;o para possibilitar um modo para que vis&atilde;o abarque todo espa&ccedil;o. Colocando o corpo de forma a receber o ambiente.</p>     <blockquote>    <p><i>O corpo pr&oacute;prio est&aacute; no mundo como cora&ccedil;&atilde;o est&aacute; no organismo: ele mant&eacute;m continuamente em vida o espet&aacute;culo vis&iacute;vel, ele o anima e o nutre interiormente, forma com ele um sistema</i> (Merleau-Ponty, 2013: 273)</p></blockquote>     <p>Ao estabelecer seu trabalho, o artista Vhils deixa latente a sua rela&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca com a cidade. Cidade essa das mem&oacute;rias, das visualidades. A rela&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria abrange uma gama de afetos por mem&oacute;rias que solidifica em um entendimento de mundo que se expressa perante o espa&ccedil;o que o corpo habita, convergindo todos os sentidos do mesmo.</p>     <p>A rela&ccedil;&atilde;o do grafite com a cidade &eacute; fundamental, o modo de vida urbano que se intensificou a partir do s&eacute;culo XX permitiu maior troca nas rela&ccedil;&otilde;es sociais. No seio da Cidade nasceu grandes movimentos culturais, como, por exemplo, o graffiti, que na sua caracteriza&ccedil;&atilde;o fundamental se configura como um gesto, uma marca que cria uma comunica&ccedil;&atilde;o dentro do espa&ccedil;o urbano. Como afirma Di Felice, em seu livro sobre paisagens p&oacute;s-urbanas: "No interior dos novos conglomerados urbanos, a maneira de apropriar do espa&ccedil;o e de interagir com espa&ccedil;o torna-se predominante visual" (Di Felice, 2014:128).</p>     <p>A partir do adensamento urbano da cidade o artista percebe que as formas de comunica&ccedil;&atilde;o se ampliam de diversas formas, proliferando de forma desordenada no &acirc;mbito da cidade. Criando ambientes comunicativos que moldam gostos e ditam modas. Instaurando um fluxo da imagem, seus primeiros experimentos culminaram posteriormente no projeto que o artista denomina como "<i>Scracthing the surface</i>", resultante de demarca&ccedil;&otilde;es em cima de cartazes dispersos pela cidade, Vhils cobria uma quantidade de cartazes com uma camada de tinta branca e depois tra&ccedil;ava desenhos por meio retiradas do material, nesse caso camadas de papel. Ao tratar com esse material estabelecia um esvaziamento de um lugar de tens&atilde;o na qual continha reclames de consumo. As lacunas criadas agora d&atilde;o voz &aacute; um outro modo de ver, essas fendas geravam formas criando narrativas que fazem perceber melhor a cidade. Afastando assim um olhar cansado sobre o espa&ccedil;o de conv&iacute;vio.</p>     <p>A satura&ccedil;&atilde;o cansativa dos cartazes d&aacute; vida agora a outras hist&oacute;rias, estas, por agirem como um fator surpresa, acabam humanizando o lugar. E assim, pela desconstru&ccedil;&atilde;o o artista tenta melhorar o espa&ccedil;o p&uacute;blico, que &eacute; saturado de imagens publicit&aacute;rias, a intervir nesses suportes o artista d&aacute; visibilidade &aacute; cidade revelando constitui&ccedil;&atilde;o de partes do seu passado.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>2. Constru&ccedil;&atilde;o e desconstru&ccedil;&atilde;o e o lugar do outro na cidade</b></p>     <p>Como artista que usa o espa&ccedil;o urbano como suporte, o modo como trabalha o leva &aacute; quest&atilde;o da alteridade com o p&uacute;blico que o cerca, isso o faz construir um invent&aacute;rio do contexto. Umas das suas mem&oacute;rias intr&iacute;nsecas da cidade, Vhils lembra das transforma&ccedil;&otilde;es inerentes no processo de adensamento urbano, que configura os grandes processos de transforma&ccedil;&atilde;o presentes em muitas cidades do mundo. Esse adensamento acaba criando formas de circula&ccedil;&atilde;o em pontos espec&iacute;ficos da cidade e por outro lado deixa ao abandono lugares que s&atilde;o parte da constitui&ccedil;&atilde;o da cidade. Esse pertencer ao espa&ccedil;o urbano traz &agrave; tona a quest&atilde;o da troca. Ao pertencer ao espa&ccedil;o urbano temos uma ampla gama de rela&ccedil;&otilde;es e coexist&ecirc;ncias que fogem a crit&eacute;rios convencionados pelas esferas de poder governamental.</p>     <p>A arte, a partir da d&eacute;cada de 60, trouxe para o debate a quest&atilde;o do <i>site</i>, instaurando um debate ante o consumismo da arte. A arte ao se estabelecer fora da galeria fortaleceu v&aacute;rios movimentos de debate sobre onde &eacute; o lugar da arte. O Grafite sempre tem no seu &iacute;mpeto a vontade de retomar a cidade, o artista ao criar uma marca sua na parede, faz por rebeldia uma tomada de posse do espa&ccedil;o, ao fazer isso ele estabelece um di&aacute;logo com o outro.</p>     <p>Mesmo que essa linguagem n&atilde;o seja literalmente compreendida, a marca faz mudar a forma como o outro v&ecirc; o espa&ccedil;o. Essas trocas fazem tencionar o lugar do artista o colocando dentro de uma condi&ccedil;&atilde;o de etnogr&aacute;fico, como artista observador participante, condi&ccedil;&atilde;o advinda da antropologia, que o faz adentrar em muitas realidades estrangeiras &aacute; ele, possibilitando uma mudan&ccedil;a de paradigma. Ao adentrar esses 'mundos', o artista permite que suas pr&aacute;ticas sejam contaminadas. Suas pr&aacute;ticas passam a investigar o pertencer no espa&ccedil;o urbano tencionando fronteiras, tendo processos colaborativos que visam a ressignifica&ccedil;&atilde;o do lugar materialmente e imaterialmente, insuflando mudan&ccedil;as no tecido social. A arte p&uacute;blica abrange essas necessidades, amparada na concep&ccedil;&atilde;o da arte como experi&ecirc;ncia, estabelecendo di&aacute;logo nos lugares que possibilitam cria&ccedil;&otilde;es coletivas, diluindo o conceito de artista como g&ecirc;nio isolado. Hal Foster em seu ensaio O artista como etn&oacute;grafo relata que:</p>     <blockquote>    <p><i>O mapeamento na arte atual tende na dire&ccedil;&atilde;o da sociologia e da antropologia a ponto de o mapeamento etnogr&aacute;fico de uma institui&ccedil;&atilde;o e comunidade se uma forma prim&aacute;ria de site-specific na arte de hoje.</i> (Foster, 2005: 144)</p></blockquote>     <p>Uma leitura em cima dessa premissa seria que os caminhos tomados pela arte nos &uacute;ltimos trinta anos tencionaram a defini&ccedil;&atilde;o de fixa e f&iacute;sica do entendimento de lugar, instaurando uma fluidez do mesmo, levando o artista observador-participante, infiltra em realidades n&atilde;o familiares &aacute; ele. Mediante &aacute; diversos modo de a&ccedil;&atilde;o a arte p&uacute;blica gerou uma a&ccedil;&atilde;o participativa que por diversas vezes incidiu numa implica&ccedil;&atilde;o social, gerando espa&ccedil;os de visibilidade. Ao registrar rostos de habitantes nas paredes, Vhils chama aten&ccedil;&atilde;o para a liga&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo com a cidade, uma liga&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o fica em segundo plano como costuma parecer na esfera cotidiana.</p>     <p>O seu 'destruir' ativa espa&ccedil;os, os registros dos rostos representam de modo intr&iacute;nseco, a identidade e a subjetividade daquele espa&ccedil;o e que ele representa no seio da cidade, tecendo assim reflex&otilde;es sobre identidade em rela&ccedil;&atilde;o a cidade, e como ela &eacute; dilu&iacute;da ou afetada pela cidade. Transcendendo tamb&eacute;m para identidade da cidade, "ligam os espectadores &agrave;s suas cidades e as comunidades das cidades. " (Vhils, 2014)</p>      <p>Ao ativar esses espa&ccedil;os o artista chama aten&ccedil;&atilde;o, para as identidades e experi&ecirc;ncias individuais que foram suprimidas ou que ser&atilde;o suprimidas pelo processo urgente da cidade. A registrar isso, torna-se uma maneira de tornar duradouro algo que se tornou ef&ecirc;mero.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Tendo que o objetivo da pesquisa era analisar sob a &oacute;tica da fenomenologia, a intera&ccedil;&atilde;o e a percep&ccedil;&atilde;o do lugar atrav&eacute;s das rela&ccedil;&otilde;es espaciais sugeridas pelas interven&ccedil;&otilde;es de Vhils, como abordagem, foi utilizada a an&aacute;lise do fazer da obra considerando a din&acirc;mica entre a obra e o 'lugar' e sua rela&ccedil;&atilde;o com o indiv&iacute;duo. Objetivando analisar como determinados fatores ligados &aacute; percep&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o interferem e contribuem na constru&ccedil;&atilde;o da po&eacute;tica. E como a liga&ccedil;&atilde;o direta com o p&uacute;blico permite estabelecer rela&ccedil;&otilde;es entre espa&ccedil;os f&iacute;sicos e discursivos com a inten&ccedil;&atilde;o de provocar reflex&otilde;es inerentes &agrave; sociedade pelo campo da arte.</p>     <p>No que tange a descortinar um olhar saturado, incitando uma percep&ccedil;&atilde;o pela esfera do sens&iacute;vel no espa&ccedil;o circundante.</p>     <p>Ao se inserir no meio urbano o artista 'distorce' por meio da desconstru&ccedil;&atilde;o o tecido urbano alterando sua percep&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da a&ccedil;&atilde;o que constr&oacute;i um afeto com lugar. Essas desconstru&ccedil;&otilde;es-constru&ccedil;&otilde;es se fazem perceber e serem percebidas ao adentrar nas camadas da cidade, o artista evidencia mem&oacute;rias que est&atilde;o agregadas n&atilde;o somente na esfera f&iacute;sica, mas compartilhadas em cada indiv&iacute;duo inserido ali naquele meio. Ao trazer isso o artista instaura uma intera&ccedil;&atilde;o com o p&uacute;blico pelo modo sens&iacute;vel.</p>     <p>Essa experi&ecirc;ncia do sens&iacute;vel no mundo, Merleau-Ponty vem afirmar que "o vis&iacute;vel &eacute; o que se aprende pelos sentidos" (2014: 28) essa apreens&atilde;o n&atilde;o &eacute; retiniana, pois ao atingir todos sentidos traz uma consci&ecirc;ncia maior de n&oacute;s mesmos e do espa&ccedil;o pertencente, pois como o mesmo autor refere que perceber &eacute; recordar. Aqui as fronteiras s&atilde;o alargadas e suprimidas tirando o espectador do lugar comum.</p>     <p>Ao entrar nessas novas dire&ccedil;&otilde;es apontadas pela arte contempor&acirc;nea onde o artista se coloca como observador-participante criando uma alteridade que possibilita criar espa&ccedil;os simb&oacute;licos que refor&ccedil;am sistemas de rela&ccedil;&otilde;es entre indiv&iacute;duos, perceber o lugar deste modo permite entender o car&aacute;ter entr&oacute;pico e transit&oacute;riodamat&eacute;ria, dotempoedoespa&ccedil;o. Aartenoespa&ccedil;op&uacute;blico&eacute;umaprovoca&ccedil;&atilde;o, condensando e expandindo novas formas de estabelecer a percep&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Di Felice, M. (2009). <i>Paisagens p&oacute;s-urbanas</i> (1st ed.). S&atilde;o Paulo: Annablume.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1456496&pid=S1647-6158201700040000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Foster, H. (2014). <i>O retorno do real</i>. S&atilde;o Paulo: Cosac naify.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1456498&pid=S1647-6158201700040000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Merleau-Ponty, M. (2014). <i>O olho e o esp&iacute;rito</i> (1st ed.). S&atilde;o Paulo: Cosac naify.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1456500&pid=S1647-6158201700040000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Merleau-Ponty, M. (2013). <i>Fenomenologia da Percep&ccedil;&atilde;o</i> (4th ed.). S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1456502&pid=S1647-6158201700040000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Vhils (2012). <i>Criatividade no meio urbano: Alexandre Farto aka Vhils at Tedx Aveiro. Ted</i>. &#91;Consult. 2017-01-11&#93; URL: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=OnDfZluckjI" target="_blank">https://www.youtube.com/watch?v=OnDfZluckjI</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1456504&pid=S1647-6158201700040000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><i>Vhils: 'N&atilde;o consigo dar um nome ao que fa&ccedil;o'</i>. (2014). <i>Sol</i>. &#91;Consult. 2017-01-12&#93; URL: <a href="http://www.sol.pt/noticia/102272" target="_blank">http://www.sol.pt/noticia/102272</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1456505&pid=S1647-6158201700040000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Enviado a 26 de janeiro de 2017 e aprovado a 15 de fevereiro de 2017</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:mantony.df@gmail.com"> mantony.df@gmail.com</a> (Marcos Antony Costa Pinheiro)</p>      ]]></body><back>
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