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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article presents a trip on the work of Teresa Milheiro. which is interwined with her life and her interiority. Starting from her work of sculpture / jewelery, which Teresa anchored in the imagery of Gil Vicente, we are making bridges with its various phases, such as " selfdefense jewels", "torture jewels" or "biojewels" and also social criticism where she questions art, fashion, politics and science, creating the concept of "psychological Auschwitz". In addition to the theme, a reference to the technical and artistic expertise of her work is important.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Interioridades: Teresa Milheiro</b></p>     <p><b>Interiorities: Teresa Milheiro</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Isabel Ribeiro de Albuquerque*</b></p>     <p>*Portugal, artista visual e joalheira. Licenciatura em Artes Pl&aacute;sticas / Pintura, Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas Artes (FBAUL). Mestrado em Teorias de Arte, FBAUL.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade de lisboa, Faculdade de Belas-Artes, Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e Estudos de Belas Artes (CIEBA). Largo da Academia Nacional de Belas Artes, 1249-058 Lisboa, Portugal.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b></p>     <p>Este artigo &eacute; uma viagem sobre a obra de Teresa Milheiro a qual se confunde com a sua vida e a sua interioridade. Partindo do seu trabalho de escultura/joalharia, que Teresa ancorou na imag&eacute;tica de Gi Vicente, vamos fazendo pontes com as suas diversas fases como as "joias de autodefeses","joias de tortura", ou as biojoias e ainda a fase de cr&iacute;tica social onde questiona a arte, a moda, a pol&iacute;tica e a ci&ecirc;ncia, criando o conceito de "Auschwitz psicol&oacute;gico". Para al&eacute;m da tem&aacute;tica &eacute; importante uma refer&ecirc;ncia &agrave; per&iacute;cia t&eacute;cnica e art&iacute;stica do seu trabalho.</p>      <p><b>Palavras-chave:</b> Auschewitz psicol&oacute;gico / joia de autodefesa / joias de tortura / interioridade / imag&eacute;tica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b></p>     <p>This article presents a trip on the work of Teresa Milheiro. which is interwined with her life and her interiority. Starting from her work of sculpture / jewelery, which Teresa anchored in the imagery of Gil Vicente, we are making bridges with its various phases, such as " selfdefense jewels", "torture jewels" or "biojewels" and also social criticism where she questions art, fashion, politics and science, creating the concept of "psychological Auschwitz". In addition to the theme, a reference to the technical and artistic expertise of her work is important.</p>     <p><b>Keywords:</b> psychological Auschwitz / self-defense jewels / torture jewels / interiority / imagery.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O objetivo deste texto &eacute; dar a conhecer o trabalho de joalharia de Teresa Milheiro. Para tal pretendemos partir da obra <i>Passagem para Um Outro Lado</i>, um conjunto de marionetas<i>,</i> que consideramos uma obra fulcral no seu trabalho e ir estabelecendo pontes com as diversas fases da sua escultura/ joalharia.</p>     <p>N&atilde;o podemos dissociar a atividade art&iacute;stica da sua pr&oacute;pria vida porque as suas preocupa&ccedil;&otilde;es sociais e pol&iacute;ticas e os seus sentimentos revelam-se na sua obra como uma forma de den&uacute;ncia literal por vezes, subtil por outras, ou ainda atrav&eacute;s da estetiza&ccedil;&atilde;o da dor.</p>     <p>Segundo Ruy Otero h&aacute; uma forma lisboeta de se ser <i>punk</i> e a Teresa ser&aacute; um &iacute;cone desse estilo devido &agrave; maneira como critica a subservi&ecirc;ncia ao dinheiro e ao poder e ao seu sentido &eacute;tico (Otero, 2016: 50). A sua obra est&aacute; cheia de alegorias e met&aacute;foras do ser humano que Teresa transfigura em marionetas ou insetos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Passagem para um outro lado</b></p>     <p><i>Passagem Para Um Outro Lado</i> &eacute;, para n&oacute;s, uma viagem sobre a interioridade humana com tudo aquilo que a comporta. Sabemos que tanto o encantamento como o sofrimento humano t&ecirc;m sido um manancial inesgot&aacute;vel de inspira&ccedil;&atilde;o para todos os artistas de todas as artes ao longo dos tempos. Entendeu Teresa Milheiro ancor&aacute;-la nalguma imag&eacute;tica de Gil Vicente. Se pegarmos na trilogia das Barcas, encontramos uma prefigura&ccedil;&atilde;o de julgamento que leva a artista a transformar cada personagem num animal: um peixe do fundo do mar, ou um animal voador conforme o que fez em vida e quando morre passa para o Inferno, o Purgat&oacute;rio ou para o C&eacute;u.</p>     <p>Paralelamente pode afirmar-se que estas pe&ccedil;as tamb&eacute;m remetem para o mundo de Franz Kafka, da <i>Metamorfose</i> e para o pensamento Proto Indo-Europeu. Tamb&eacute;m a&iacute; se encontra a cren&ccedil;a que uma pessoa quando morre pode encarnar depois num animal. Por isso devemos respeitar todos os animais pois n&atilde;o sabemos o que foram anteriormente. Poder-se-&aacute; retroceder ainda mais no tempo e olhar para a arte antiga do Pr&oacute;ximo Oriente. A&iacute; encontramos semelhan&ccedil;as principalmente nos finos trabalhos em metal feitos com grande per&iacute;cia t&eacute;cnica e formal na Sum&eacute;ria (<a href="#f1">Figura 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v8n20/8n20a13f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Contudo este tipo de escultura, e podemos considerar a joalharia uma escultura de pequena dimens&atilde;o, &eacute; um caso in&eacute;dito na joalharia contempor&acirc;nea. Quer sejam objetos de ourivesaria utilit&aacute;rios quer sejam esculturas maci&ccedil;as sum&eacute;rias, podemos compar&aacute;-las &agrave;s esculturas de Teresa no plano da qualidade e per&iacute;cia, sendo estas mais dif&iacute;ceis de executar porque s&atilde;o ocas e com muitas e complexas liga&ccedil;&otilde;es e articula&ccedil;&otilde;es, como &eacute; patente nas marionetes (<a href="#f2">Figura 2</a>).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v8n20/8n20a13f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Estas pe&ccedil;as estiveram expostas em 2016, no Museu do Dinheiro e t&atilde;o importante quanto os trabalhos expostos foi a conce&ccedil;&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o que a conteve &#8212; o espa&ccedil;o c&eacute;nico. Este foi um outro trabalho art&iacute;stico adjacente e complexo do qual a artista n&atilde;o abdicou nem deixou nas m&atilde;os de um comiss&aacute;rio. Foi concebido tamb&eacute;m como ato de cria&ccedil;&atilde;o como se o momento de transforma&ccedil;&atilde;o que as pe&ccedil;as representam tivesse sido congelado no espa&ccedil;o/tempo. &Agrave; constru&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o de apresenta&ccedil;&atilde;o das pe&ccedil;as juntou-se tamb&eacute;m a parte da ilumina&ccedil;&atilde;o, que parece ter sido trabalhada como no cinema, criando um ambiente de sil&ecirc;ncio que nos convidava &agrave; reflex&atilde;o, o sil&ecirc;ncio expressivo &agrave; maneira de Fernando Pessoa:</p>     <blockquote>    <p><i>Todaarte &eacute; uma forma de literatura, porque todaarte &eacute; dizer qualquer coisa. H&aacute;duas formas de dizer &#8212; falar e estar calado.</i> (&#8230;) <i>H&aacute; que procurar em toda a arte que n&atilde;o &eacute; literatura a frase falante que ela cont&eacute;m, ou o poema, ou o romance, ou o drama</i> (Pessoa, 1980: 279).</p></blockquote>     <p>Frases silenciosas que Teresa nos sussurra atrav&eacute;s daquelas pe&ccedil;as de joalharia <i>sui generis</i> porque n&atilde;o s&atilde;o para usar em cima do corpo, contudo precisam dum corpo para adquirirem uma vida pr&oacute;pria.</p>     <p>Tanto o Papa que representa os valores decr&eacute;pitos da igreja, o clero devasso e descuidado do cumprimento dos seus deveres religiosos, como o Imperador querepresenta a gan&acirc;ncia se transformam em Peixes Abissais, contudo o do Papa tem asas porque &eacute; um ser intoc&aacute;vel. Por outro lado o Caga-milh&otilde;es ou agiota &eacute; um empres&aacute;rio vazio de valores humanos e portanto transforma-se em Peixe-ouri&ccedil;o. Mas o Parvo ou o Bobo que simboliza o povo em geral torna-se uma Melga comum, ideia que nos remete para o inseto gigante em que Gregor Samsa se transforma, na <i>Metamorfose</i> de Kafka.</p>     <p>Existem ainda tr&ecirc;s personagens Vicentinos que n&atilde;o se transformam em nada: o Diabo-Anjo, s&iacute;mbolo da luta entre o bem e o mal, o Beb&eacute; e o Palestiniano. Prefigura&ccedil;&atilde;o dos nossos dramas insol&uacute;veis. Peixes e p&aacute;ssaros com bicos ou espinhos, insetos com pernas que nos lembram agulhas s&atilde;o uma abordagem j&aacute; habitual no trabalho da artista, onde as agulhas de seringa s&atilde;o uma presen&ccedil;a constante. Agulhas que t&ecirc;m um carater ambivalente porque tanto inoculam o mal como o curam. E toda esta ambival&ecirc;ncia entre sofrimento e busca da felicidade atravessa toda a obra de Teresa Milheiro. Noutro plano podemos apreciar ainda o lado de reflex&atilde;o de cr&iacute;tica social pegando na personagem da Alcoviteira, que denuncia o tr&aacute;fico de influ&ecirc;ncias e de pessoas e o mundo de intriga e da moda que se transforma num polvo, que &eacute; por excel&ecirc;ncia o s&iacute;mbolo da m&aacute;fia que estende os seus tent&aacute;culos pela sociedade. Como noutros trabalhos da artista encontramos sempre as preocupa&ccedil;&otilde;es de car&aacute;cter sociopol&iacute;tico. Formas de cr&iacute;tica a "um novo colonialismo", ao politicamente correto, como o seu trabalho <i>The Big Sucker</i> (<a href="#f3">Figura 3</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v8n20/8n20a13f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os valores criticados, e, atr&aacute;s referidos, sobre a Alcoviteira j&aacute; eram objeto de preocupa&ccedil;&atilde;o da artista na fase em que explora duma forma acutilante a obsess&atilde;o com a imagem f&iacute;sica, focando a crescente predile&ccedil;&atilde;o generalizada pela juventude e pela beleza. Procura destacar duma maneira original, a rela&ccedil;&atilde;o entre a arte, a moda, a pol&iacute;tica e a ci&ecirc;ncia. A sua joalharia encerra sempre uma reflex&atilde;o cr&iacute;tica &agrave; sociedade. Podem ser exemplos a mania doentia de manter a juventude atrav&eacute;s de inje&ccedil;&otilde;es de <i>botox</i> ou de cirurgias, o que foi motivo para a sua pe&ccedil;a <i>Be Botox Be Fucking Beautiful</i>. Esta pe&ccedil;a &eacute; um <i>kit</i> de <i>botox</i> que se pendura ao pesco&ccedil;o para que se possa combater as rugas em qualquer lugar e a qualquer hora. T&atilde;o pouco a artista teve qualquer inten&ccedil;&atilde;o de dissimular o aspeto frio e duro do colar.</p>     <p>Num mundo onde se d&aacute; tanta import&acirc;ncia &agrave; perfei&ccedil;&atilde;o do corpo, este colar explicitamente frio e pesado, quase amea&ccedil;ador lembrando um instrumento de tortura em miniatura, torna-se um objeto perturbador para quem o use, contrastando com a mensagem inscrita nele.</p>     <p>Noutra pe&ccedil;a, Milheiro parece ironizar sobre o uso quase doentio dos aparelhos para corrigir os dentes, combinando materiais pouco ortodoxos na joalharia atual, mas cheios de significado, que apesar de terem uma forma agressiva s&atilde;o de enorme beleza.</p>     <p>A artista acha que presentemente se vive num "Auschwitz psicol&oacute;gico" porque as pessoas sujeitam-se a tudo duma forma espont&acirc;nea, em nome dum ideal de perfei&ccedil;&atilde;o, para atingir uma beleza estereotipada, imposta pela moda, pela sociedade e pelo <i>status</i>. Segundo ela &eacute; como se viv&ecirc;ssemos num campo de concentra&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gico que leva as pessoas a perder a personalidade e ficarem uniformizadas.</p>     <p>Na sequ&ecirc;ncia da Alcoviteira, em 2009, a artista desenvolve uma s&eacute;rie de pe&ccedil;as como den&uacute;ncia do tr&aacute;fico de &oacute;rg&atilde;os, fazendo cora&ccedil;&otilde;es, rins, pulm&otilde;es, em resina que depois eram embalados assepticamente (<a href="#f4">Figura 4</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v8n20/8n20a13f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Enquanto algumas pe&ccedil;as se podem usar no corpo como objetos de adorno tradicionais, h&aacute; outras que foram concebidas para usar presas na boca caindo ao longo do corpo. &Eacute; o caso do <i>Kit de Sobreviv&ecirc;ncia</i>, (1995) que consiste numa combina&ccedil;&atilde;o de prata, cateteres e pe&ccedil;a em borracha para inserir na boca. Este objeto servir&aacute; para transformar a urina em &aacute;gua pot&aacute;vel, pois a meio dos tubos ter&aacute; um filtro para fazer essa convers&atilde;o, o qual dever&aacute; ser mudado com frequ&ecirc;ncia. &Eacute; uma pe&ccedil;a de joalharia de interven&ccedil;&atilde;o para alertar as pessoas para o estado do Planeta e para a escassez do bem precioso que &eacute; a &aacute;gua (<a href="#f5">Figura 5</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v8n20/8n20a13f5.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A pe&ccedil;a <i>The Killing Jewel</i>, &eacute; uma analogia entre a obsess&atilde;o com a droga, o bem mais precioso para um consumidor, e o ouro como um valor obsessivo para o comum das pessoas. &Eacute; como se esta droga permitisse &agrave; pessoa viver uma realidade dourada (<a href="#f6">Figura 6</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6"><img src="/img/revistas/est/v8n20/8n20a13f6.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>No mesmo sentido, a pe&ccedil;a <i>The anti-existence device</i> pretende simbolizar uma exist&ecirc;ncia n&atilde;o real e a passagem para outra realidade, uma realidade virtual desejavelmente mais feliz. &Eacute; um objeto para usar na parte detr&aacute;s do pesco&ccedil;o que contem v&aacute;rias subst&acirc;ncias que obstruem o contacto com a realidade (<a href="#f7">Figura 7</a>):</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f7"><img src="/img/revistas/est/v8n20/8n20a13f7.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&#8212; <i>Botox</i> para a eterna juventude,</p>     <p>&#8212; Alterador da imagem,</p>     <p>&#8212; Anestesia para a dor f&iacute;sica,</p>     <p>&#8212; Fluido para criar a aus&ecirc;ncia de dor emocional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; com este lado agressivo que Teresa desenvolve o seu trabalho nos anos 90, criando "joias de tortura" que s&atilde;o uma esp&eacute;cie de escultura que se veste como por exemplo o <i>Colete</i> e os <i>Capacetes</i> de tortura. Nesta altura, a necessidade de se defender na noite lisboeta do Bairro Alto que frequentava regularmente nos anos 90, leva-a a construir "joias de autodefesa". Criou uma s&eacute;rie de m&atilde;os articuladas e braceletes com pontas agu&ccedil;adas (<a href="#f8">Figura 8</a>) que rivalizam com as luvas-faca criadas para o filme de terror (1984), <i>A Nightmare on Elm Street</i> (<a href="#f9">Figura 9</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f8"><img src="/img/revistas/est/v8n20/8n20a13f8.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f9"><img src="/img/revistas/est/v8n20/8n20a13f9.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>S&atilde;o desta altura tamb&eacute;m os insetos &#8212; figuras por vezes amb&iacute;guas pelo contraste do seu ar doce com as pontas e os bicos agu&ccedil;ados id&ecirc;nticos aos das joias de autodefesa (<a href="#f10">Figura 10</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f10"><img src="/img/revistas/est/v8n20/8n20a13f10.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Os insetos que constr&oacute;i desde o in&iacute;cio, o uso de dentes de tubar&atilde;o, ossos e insetos, espinhas de peixe, lagartixas e r&atilde;s dentro de resina, aos quais Teresa classifica como <i>biojoias</i>, s&atilde;o par&aacute;bolas da sua interioridade que irrompe como uma corrente tel&uacute;rica, quer sejam objetos para usar como adorno ou para contemplar.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>A joalharia contempor&acirc;nea tem enveredado por caminhos muito diversos e por vezes radicais e h&aacute; muito deixou de ser apenas um adorno para se tornar num ve&iacute;culo de express&atilde;o comunicacional art&iacute;stica e pelo qual &eacute; poss&iacute;vel passar uma s&eacute;rie de pensamentos, sentimentos, emo&ccedil;&otilde;es que povoam a interioridade humana.</p>     <p>H&aacute; um <i>pathos</i> de morte e ressurrei&ccedil;&atilde;o e, ao mesmo tempo, um sentido de ironia em todo o trabalho de Teresa Milheiro. A agressividade, o sofrimento, a sobreviv&ecirc;ncia e at&eacute; a dor infligida est&atilde;o sempre presentes no seu trabalho.</p>     <p>De uma imag&eacute;tica variada e profunda, avultam evoca&ccedil;&otilde;es de bichos antigos, quase pr&eacute;-hist&oacute;ricos, que tamb&eacute;m podem simbolizar a fragilidade e, simultaneamente a resist&ecirc;ncia humana. Pode aderir-se ou rejeitar-se a prefigura&ccedil;&atilde;o imag&eacute;tica de Teresa Milheiro mas n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel evitar que nos toque quando ficamos face a face. Para al&eacute;m da multiplicidade das alegorias a que recorre devo salientar aspetos de algumas figuras totalizantes e paradoxais: um inseto de recorte primevo que contrasta com a asa de anjo (<i>Melga</i>), ou um outro bicho que enfiado num bra&ccedil;o mimetiza-se como corpo de bicho de seda, encanto das crian&ccedil;as. Como se Teresa Milheiro quisesse ou pudesse abarcar e cristalizar numa s&oacute; obra toda a dial&eacute;tica paradoxal da vida. </p>     <p>Uma pequena, mas n&atilde;o menos importante refer&ecirc;ncia &agrave; per&iacute;cia t&eacute;cnica e art&iacute;stica do seu trabalho. Teresa Milheiro parece incorporar todas as t&eacute;cnicas, todas as artesanias, todos os saberes que ao longo dos tempos foram evoluindo e culturalizando os artistas e o mundo das artes. A sua t&eacute;cnica, a sua arte, a capacidade de transfigura&ccedil;&atilde;o dos materiais levam-nos a ro&ccedil;ar o assombro. Uma mulher que incorpora todas as dores e todos os saberes dos tempos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Pessoa, Fernando. (1980<i>) Textos de Cr&iacute;tica e de Interven&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa: &Aacute;tica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1456920&pid=S1647-6158201700040001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Otero, Ruy. (2016) <i>Passagem para um outro lado: Teresa Milheiro</i>, cat&aacute;logo da exposi&ccedil;&atilde;o Impresso pelo Banco de Portugal. ISBN 978-989-678-472-0&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1456922&pid=S1647-6158201700040001300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Enviado a 26 de janeiro de 2017 e aprovado a 15 de fevereiro de 2017</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:lab.d.arte@gmail.com"> lab.d.arte@gmail.com</a> (Isabel Ribeiro de Albuquerque)</p>      ]]></body><back>
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