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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this article we intend to analyze a set of works by Maria José Oliveira that are on the border of Sculpture and Jewelry. Since some of these pieces presuppose a body to use them, although they may be autonomous, it will be more appropriate to call this group of works Sculpture for the body. They are mixed pieces, which play with the interior / exterior and the presence / absence of the body. It's a work in transition constituted by versatile objects that mold to the body, dressing and reconfiguring it.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Escultura para o corpo: Maria Jos&eacute; Oliveira</b></p>     <p><b>Sculpture for the body: Maria Jos&eacute; Oliveira</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Isabel Ribeiro de Albuquerque*</b></p>     <p>*Portugal, artista visual, pintora e joalheira.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas Artes, Centro de investiga&ccedil;&atilde;o e Estudos em Belas-Artes. Largo da Academia Nacional de Belas Artes 14, 1200-005 Lisboa, Portugal.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b></p>     <p>Neste artigo pretende analisar-se um conjunto de trabalhos de Maria Jos&eacute; Oliveira que est&atilde;o na fronteira da Escultura e da Joalharia. Dado que algumas destas pe&ccedil;as pressup&otilde;em um corpo para as usarem, podendo, embora, as mesmas ser aut&oacute;nomas, ser&aacute; mais apropriado chamar a este corpo de trabalho Escultura para o corpo. S&atilde;o pe&ccedil;as mistas, que jogam com o interior/ exterior e a presen&ccedil;a/aus&ecirc;ncia do corpo. &Eacute; uma obra em transi&ccedil;&atilde;o constitu&iacute;da por objetos vers&aacute;teis que se moldam ao corpo, vestindo-o e reconfigurando-o.</p>     <p><b>Palavras chave:</b> Escultura / joalharia / corpo / interior / exterior / presen&ccedil;a / aus&ecirc;ncia / transi&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b></p>     <p>In this article we intend to analyze a set of works by Maria Jos&eacute; Oliveira that are on the border of Sculpture and Jewelry. Since some of these pieces presuppose a body to use them, although they may be autonomous, it will be more appropriate to call this group of works Sculpture for the body. They are mixed pieces, which play with the interior / exterior and the presence / absence of the body. It's a work in transition constituted by versatile objects that mold to the body, dressing and reconfiguring it.</p>     <p><b>Keywords:</b> Sculpture / jewelry / body / interior / exterior / presence / absence / transition.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Maria Jos&eacute; Oliveira tem uma vasta cria&ccedil;&atilde;o que abarca a cer&acirc;mica, pintura, escultura, objetos, formando um corpo de trabalho que ser&aacute; o objeto deste artigo &#8212; as pe&ccedil;as pr&oacute;ximas da joalharia mas que est&atilde;o para al&eacute;m do conceito de joalharia. Este conjunto de objetos j&aacute; foi denominado como <i>"(n&atilde;o) joias</i>" por Cristina Filipe. Receberam tamb&eacute;m a designa&ccedil;&atilde;o de "<i>anti-joalharia</i>" por S&iacute;lvia Chic&oacute;, e ainda o nome de Ourivesaria T&ecirc;xtil t&iacute;tulo dado &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o feita na <i>Artefacto 3</i>, em 1988.</p>     <p>Neste artigo n&atilde;o se pretende catalogar este trabalho, pois essa pretens&atilde;o foi resolvida teoricamente pelo P&oacute;s-Modernismo com a hibridiza&ccedil;&atilde;o de g&eacute;neros. Pretende-se, portanto, dilucidar sobre as fronteiras que poder&atilde;o fornecer uma identidade a partir das caracter&iacute;sticas tipol&oacute;gicas destes artefactos.</p>     <p>A obra de Maria Jos&eacute; &eacute; dif&iacute;cil de espartilhar conceptualmente porque o desenho pode ser pintura sobre papel ou colagem e a pintura &eacute; muitas vezes tridimensional. Dado que algumas destas pe&ccedil;as pressup&otilde;em um corpo para as usarem, podendo, embora, as mesmas ser aut&oacute;nomas, ser&aacute; mais apropriado chamar a este corpo de trabalho Escultura para o corpo, uma classifica&ccedil;&atilde;o que resulta da reflex&atilde;o sobre as vanguardas do s&eacute;culo XX e da anunciada morte das disciplinas art&iacute;sticas (Sardo, 2017).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Escultura para o corpo</b></p>     <p>As pe&ccedil;as que constituem a sua obra de cria&ccedil;&atilde;o partem da tela crua, de materiais naturais como os fios de linho e de algod&atilde;o com pintura de argila e &oacute;xidos. S&atilde;o pe&ccedil;as que se prendem com a po&eacute;tica do mole em contraponto ao duro do metal, o qual apenas se vislumbra nas aplica&ccedil;&otilde;es de folha de ouro e nos parafusos.</p>     <p>A obra <i>Escultura Habitada</i> (<a href="#f1">Figura 1</a>) remete para um corpo simultaneamente interior/exterior, como um corpo esvaziado ou como se o esqueleto tivesse sido despido e pendurado, ideia que Ren&eacute; Magritte j&aacute; tinha apresentado em <i>A Filosofia no Quarto de Dormir</i> (1966), pintando um vestido pendurado como se tivesse levado com ele a forma do corpo que o vestia. Esta ideia de uma pele ou de um esqueleto que se despe tamb&eacute;m se encontra em <i>Skelaton Dress</i>, (<a href="#f2">Figura 2</a>) de Elsa Schiaparelli, artista influenciada pelo cubismo e o surrealismo que achava que a moda n&atilde;o podia estar desvinculada das artes pl&aacute;sticas contempor&acirc;neas, sobretudo da pintura. Fundindo a moda com a arte de alguns artistas, que contratou, ofereceu &agrave;s mulheres uma nova op&ccedil;&atilde;o de vestir.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a02f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a02f2.jpg"></a>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><i>Escultura Habitada</i> ou <i>Corpo Costelas</i> (<a href="#f3">Figura 3</a>) que Maria Jos&eacute; apresenta penduradas do teto, pode remeter-nos para a obra de Eva Hesse, <i>Right After</i> (<a href="#f4">Figura 4</a>) onde questiona o lugar da obra de arte porque o seu trabalho est&aacute; focado na fronteira que existe entre a pintura e a escultura (Kraus, 2000: 100).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a02f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a02f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Desde os anos 60 que o campo da escultura se foi alargando, quer em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s t&eacute;cnicas utilizadas quer aos suportes. Em 1966, Lucy Lippard organiza uma exposi&ccedil;&atilde;o com o nome de <i>Abstra&ccedil;&atilde;o Exc&ecirc;ntrica</i> na qual incluiu a obra de Eva Hessa, admitindo que o caracter pict&oacute;rico da sua obra deveria ser avaliado como escultura. O mesmo se passa em rela&ccedil;&atilde;o a grande parte da obra de Maria Jos&eacute; Oliveira que abra&ccedil;a a joalharia contempor&acirc;nea como forma de criar uma identidade porque, no dizer da &eacute;poca, queria fazer "coisas" que n&atilde;o sabia o que eram ou que n&atilde;o tinham ainda denomina&ccedil;&atilde;o. Enquanto Eva Hesse (1936-1970) se move entre o minimalismo ou a abstra&ccedil;&atilde;o geom&eacute;trica e trabalha na transi&ccedil;&atilde;o entre a pintura e a escultura entrando no campo do absurdo como categoria est&eacute;tica ligada ao abstracionismo exc&ecirc;ntrico, Maria Jos&eacute; cria pe&ccedil;as de transi&ccedil;&atilde;o com um caracter fora do comum que poder&iacute;amos catalogar como "formalismo" exc&ecirc;ntrico, dado que se pode dizer que neste corpo de trabalho nunca abandonou a forma, mesmo que esvaziada do seu interior.</p>     <p>Nesta &eacute;poca produziram-se muitas mudan&ccedil;as sociais e culturais que se refletiram na arte e muito em particular na joalharia de cuja produ&ccedil;&atilde;o deixou de ser um s&iacute;mbolo de riqueza material para se tornar um campo aberto &agrave; express&atilde;o de novas ideias e de experimenta&ccedil;&atilde;o de novos materiais e t&eacute;cnicas. Na Holanda e n&atilde;o s&oacute;, "o <i>design</i> de joalharia passou aos poucos de artesanato tradicional para uma linguagem visual, mais ao menos relacionada com o corpo humano" (Unger, 1990:9) como por exemplo Lam (Louise Antonia Maria) de Wolf (<a href="#f5">Figura 5</a>) ou Caroline Broadhead (<a href="#f6">Figura 6</a>) que nos anos 80 criaram pe&ccedil;as de joalharia t&ecirc;xtil para vestir. A joalharia contempor&acirc;nea vai adquirindo significado porque os seus criadores valorizam mais o ato criativo em detrimento da sua feitura e dos materiais convencionais, criando uma rela&ccedil;&atilde;o complexa entre a pe&ccedil;a e o seu portador. Contemplando este tipo de obras podem colocar-se perguntas, tais como: Como foi criada? Como &eacute; que algu&eacute;m a vai usar interpretando o seu significado?</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a02f5.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f6"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a02f6.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Qual o seu valor? Quem a vai usar? Como &eacute; que as inten&ccedil;&otilde;es do seu criador se cruzam com os valores de quem a ir&aacute; usar? (Cheung, 2006: 12).</p>     <p>Estas quest&otilde;es s&atilde;o pertinentes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s pe&ccedil;as de Maria Jos&eacute; que exploram o limite entre a joalharia e a escultura e tamb&eacute;m, a fronteira entre a moda e a joalharia. Dado que os materiais usados s&atilde;o primevos, o seu valor prende-se com o ato criativo, como qualquer objeto de arte e n&atilde;o com o valor intr&iacute;nseco dos seus materiais.</p>     <p>Contudo h&aacute; pe&ccedil;as que s&atilde;o pensadas para n&atilde;o serem usadas por algu&eacute;m como &eacute; o caso da t&uacute;nica que M.J. Oliveira criou para a exposi&ccedil;&atilde;o &Agrave; procura de Maria, relativa aos 300 anos do Patriarcado de Lisboa e os 100 de F&aacute;tima (<a href="#f7">Figura 7</a>). Concebida para a uma parede da sacristia da Igreja de Nossa Senhora da Concei&ccedil;&atilde;o Velha, na rua da Alf&acirc;ndega de Lisboa, esta t&uacute;nica pendurada num cabide, feita em tripa e envolta por outra t&uacute;nica de tarlatana, evoca o mist&eacute;rio da Ascens&atilde;o pela aus&ecirc;ncia do corpo no vestido despido e porque evoca a exist&ecirc;ncia de um corpo no plano divino.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f7"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a02f7.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Esta pe&ccedil;a identifica-se com outras dum mesmo universo como o vestido de tripa de vaca, o colete de Frida Kahlo ou <i>Mais perto de ti</i> (2004), uma blusa apenas com uma manga muito comprida para poder alcan&ccedil;ar o outro. S&atilde;o objetos de funcionalidade absurda no plano da l&oacute;gica formal, que jogam com o interior/ exterior ou com a presen&ccedil;a/aus&ecirc;ncia do corpo.</p>     <p>Outras pe&ccedil;as trazem para a superf&iacute;cie o interior do corpo e n&atilde;o falamos apenas das <i>Costelas</i> e da <i>Coluna vertebral</i>, mas do <i>Antebra&ccedil;o</i> (2014), feito de tela crua e com fecho e dobradi&ccedil;as de lat&atilde;o, simulando a mec&acirc;nica muscular do bra&ccedil;o, atrav&eacute;s de elementos tubulares tendo no seu interior um vazio que poder&aacute; conter um antebra&ccedil;o real. &Eacute; como se a pe&ccedil;a pudesse ser uma camada interior do corpo para ser usada sobre o corpo. Esta ideia de trazer o interior para o exterior pode ver-se tamb&eacute;m nas golas que foram feitas a partir do material interior de um casaco de homem, num jogo de texturas entre entretelas, pasta de enchuma&ccedil;o cinzento, tela crua e linhas (<a href="#f8">Figura 8</a>). Ou ainda outra mais imponente que faz lembrar um toucado eg&iacute;pcio, em tela crua e desenhada a grafite que contem um elemento rotativo (<a href="#f9">Figura 9</a> e <a href="#f10">Figura 10</a>). Somam-se outras joias de pano, outras golas e punhos como fragmentos de vestu&aacute;rio, ou a <i>Dura-m&aacute;ter</i>, a <i>Pia-m&aacute;ter</i> e a <i>Aracn&oacute;ide</i> que, pela dimens&atilde;o, criam uma envolv&ecirc;ncia com o corpo que vai para al&eacute;m do adorno, vestindo-o e reconfigurando-o (Henriques, 2017:73, 74).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f8"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a02f8.jpg"></a>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f9"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a02f9.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f10"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a02f10.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Por fim, h&aacute; ainda um outro aspeto a considerar que &eacute; o lado l&uacute;dico, de grande parte destas pe&ccedil;as, pois podem usar-se de diversas maneiras e, em alguns casos, que se podem revirar passando o interior a ser o exterior. S&atilde;o adornos vers&aacute;teis que se moldam ao corpo e nunca est&atilde;o completamente usados porque proporcionam diversas imagens pl&aacute;sticas podendo ser interpretados de diversas maneiras conforme o seu portador e a ocasi&atilde;o em que &eacute; usada.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Maria Jos&eacute; Oliveira &eacute; uma artista que atravessa todos os tempos conceptuais da arte. Sendo indiferente &agrave;s cataloga&ccedil;&otilde;es disciplinares, sente os materiais e usa-os para dar corpo a objetos que lhe acontecem fruto da sua inquieta&ccedil;&atilde;o e do seu pensamento. S&atilde;o objetos que constr&oacute;i e modela como uma escultura macia e se prendem com a est&eacute;tica do mole lan&ccedil;ada por Claes Oldenbourg e continuada por muitos outros artistas como Ghada Amer com os seus desenhos e pinturas bordadas, ou como as esculturas mais recentes de Louise Bourgeois.</p>      <p>A sua obra denota uma enorme sobriedade devido a uma paleta reduzida de cores que passam pelos tons ocres dos &oacute;xidos e do barro e pelos tons neutros de cinzento, preto, branco e dourado da folha de ouro aplicada pontualmente como se duma sacraliza&ccedil;&atilde;o do objeto se tratasse e, tamb&eacute;m devido aos materiais primevos que usa tornando estes objetos num corpo de trabalho paradoxal visto que quando entram no campo da joalharia s&atilde;o completamente destitu&iacute;dos de valor econ&oacute;mico, conceito inerente &agrave; joia tradicional e ainda porque se dirigem a um p&uacute;blico especial, um p&uacute;blico com capacidade l&uacute;dica porque s&atilde;o pe&ccedil;as vers&aacute;teis e transform&aacute;veis, sujeitas a diversas interpreta&ccedil;&otilde;es.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>S&atilde;o objetos originais onde o corpo &eacute; representado em camadas como uma segunda pele, de m&uacute;sculos ou de ossos, atrav&eacute;s da des-oculta&ccedil;&atilde;o do interior do corpo ou usando a roupa como met&aacute;fora.</p>     <p>&Eacute; uma obra que trabalha permanentemente no limite dos conceitos formais, de categoria mista. Uma obra em transi&ccedil;&atilde;o de um g&eacute;nero para outro que entra no caminho da experimenta&ccedil;&atilde;o ilimitada atrav&eacute;s dum formalismo exc&ecirc;ntrico com uma po&eacute;tica muito pessoal. As formas que Maria Jos&eacute; foi criando t&ecirc;m um caracter escult&oacute;rico e s&atilde;o joias quando ela o determina. Foi um trabalho inovador em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; joalharia que na altura se praticava em Portugal e contempor&acirc;neo da Nova Joalharia que dava os primeiros passos na Europa e nos Estados Unidos.</p>     <p>Maria Jos&eacute; constr&oacute;i e desconstr&oacute;i a partir do corpo at&eacute; &agrave;s entranhas, quer usando as entranhas dum casaco, quer usando tripas, m&uacute;sculos ou ossos. Da sua obra transparece uma imensa interroga&ccedil;&atilde;o ontol&oacute;gica e a infinita ang&uacute;stia do artista.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>AAVV (2017) <i>Maria Jos&eacute; Oliveira, 40 anos de trabalho</i>, Documenta, Sistema Solar, Lisboa. ISBN:978-989-8834-72-0 <a href="https://issuu.com/sistemasolar/docs/maria_jose___oliveira_40_anos_de_tr" target="_blank">https://issuu.com/sistemasolar/docs/maria_jose___oliveira_40_anos_de_tr</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1457490&pid=S1647-6158201800010000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Cheung, Lin | Clarke, Indigo | Clarke, Beccy, (2006) <i>New Directions in Jewelery II</I>, Black Dog Publishing, London. ISBN-10:1904772552 e ISBN-13: 978-1904772552.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1457491&pid=S1647-6158201800010000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Kraus, Rosalind (2000) <i>Bachlors</i>, The MIT Press Cambridge, Massachusetts London, England. ISBN-13: 978-0-262-11239-0&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1457493&pid=S1647-6158201800010000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Sardo, Delfim (2017) <i>O Exerc&iacute;cio Experimental da Liberdade: Dispositivos da arte no s&eacute;culo xx</i>, Orfeu Negro, Lisboa. ISBN 978-989-8327-B2-6&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1457494&pid=S1647-6158201800010000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Unger, Marjan(1990) <i>Novidades da Holanda. News from the Netherlands</i>, Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian, Lisboa. Dutch Form, Foundation, Amesterdam&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1457495&pid=S1647-6158201800010000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Enviado a 04 de mar&ccedil;o de 2017 e aprovado a 16 de mar&ccedil;o de 2017</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:isadribeiro@yahoo.com.br"> isadribeiro@yahoo.com.br</a> (Isabel Ribeiro de Albuquerque)</p>      ]]></body><back>
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