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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Antonio García López (1970) studied painting at the Faculty of Fine Arts of the University of Valencia and is currently a painter, researcher and professor of painting at the University of Murcia, sustaining his recent artistic project in collage. With strong irony, sarcasm, humor as aconceptual strategy, he has performed a large number of works in which visuality, space delimitation and collage are the conceptual elements that define composition.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Antonio Garc&iacute;a L&oacute;pez: Colagem e Politica como processo de Pintura</b></p>     <p><b>Antonio Garc&iacute;a L&oacute;pez: Collage and Politics as a Painting Process</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Il&iacute;dio Salteiro*</b></p>     <p>*Portugal, Pintor.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade de Lisboa; Faculdade de Belas-Artes; Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e Estudos em Belas Artes. Largo da Academia Nacional de Belas Artes 14, 1200-005 Lisboa, Portugal.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b></p>     <p>Antonio Garc&iacute;a L&oacute;pez (1970) estudou Pintura na Faculdade de bela Artes de Universidade de Valencia e atualmente &eacute; pintor, investigador e professor de Pintura na Universidade de M&uacute;rcia, sustenta o seu projeto art&iacute;stico recente na colagem. Com forte ironia, sarcasmo, humor como estrat&eacute;gia conceptual, tem realizado um n&uacute;mero bastante alargado de obras nas quais a visualidade, a delimita&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os e a colagem s&atilde;o os elementos conceptuais que definem a composi&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><b>Palavras chave:</b> Colagem / pintura / arte e politica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b></p>     <p>Antonio Garc&iacute;a L&oacute;pez (1970) studied painting at the Faculty of Fine Arts of the University of Valencia and is currently a painter, researcher and professor of painting at the University of Murcia, sustaining his recent artistic project in collage. With strong irony, sarcasm, humor as aconceptual strategy, he has performed a large number of works in which visuality, space delimitation and collage are the conceptual elements that define composition.</p>     <p><b>Keywords:</b> Collage / painting / art and politics.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Antonio Garc&iacute;a L&oacute;pez, pintor e investigador nascido e formado na Universidade Polit&eacute;cnica de Valencia, &eacute; professor de pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade de M&uacute;rcia. Artista com uma atividade regular, mas naturalmente afastada dos circuitos do mercado de arte atual, &eacute; um profundo conhecedor da arte contempor&acirc;nea, ao mesmo tempo que se deixa envolver pela atmosfera art&iacute;stica valenciana, povoada de grandes artistas hist&oacute;ricos como Jos&eacute; de Ribera (1591-1652), Joaquim Sorolla Batisda (1863-1923) e sobretudo Josep Renau Berenguer (1907-1982). Neste universo, onde uma cultura pict&oacute;rica est&aacute; bem representada, desenvolve o seu trabalho art&iacute;stico, tocado pelas influ&ecirc;ncias dos enquadramentos do cinema e experimentando a realiza&ccedil;&atilde;o de manifestos agitadores de consci&ecirc;ncias e transformados em pintura.</p>     <p>Enquanto investigador o seu trabalho est&aacute; acess&iacute;vel em diversas publica&ccedil;&otilde;es e sites da universidade onde leciona. Publica&ccedil;&otilde;es orientadas em fun&ccedil;&atilde;o de linhas de investiga&ccedil;&atilde;o bem definidas: a pintura numa rela&ccedil;&atilde;o estreita com os novos materiais pict&oacute;ricos ou as novas mat&eacute;rias, as quest&otilde;es de g&eacute;nero e as influ&ecirc;ncias do cinema na Pintura. Sendo estas as tr&ecirc;s quest&otilde;es que estruturam a sua investiga&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica, s&atilde;o tamb&eacute;m estas quest&otilde;es que v&atilde;o estruturando e construindo a sua obra pict&oacute;rica atrav&eacute;s de visualidades, espa&ccedil;os e colagens. Quando nos referimos a visualidades, referimo-nos &agrave; pintura em si mesma, como um todo. Quando nos referimos a espa&ccedil;o, referimo-nos &agrave; delimita&ccedil;&atilde;o retangular e perfeita, quadrada, muito acentuada particularmente na s&eacute;rie de trabalhos intitulados "Personagens da Crise". Quando nos referimos a colagem, referimo-nos ao paradigma da pintura onde a cola &eacute; sempre o m&eacute;dium; um m&eacute;dium rotineiramente usado no nosso quotidiano atrav&eacute;s de constantes <i>cut and paste</i>.</p>     <blockquote>    <p><i>O processo cut and paste composto pela apropria&ccedil;&atilde;o de identidades pict&oacute;ricas diferentes resgata-as pela sua reutiliza&ccedil;&atilde;o/recria&ccedil;&atilde;o, criando novos contextos, atrav&eacute;s de sobreposi&ccedil;&otilde;es, transpar&ecirc;ncias, camadas criando planos, criando perspetivas. A conjuga&ccedil;&atilde;o destes elementos pode gerar uma multiplicidade de solu&ccedil;&otilde;es, renovando o seu significado e mensagem</i> (Cordeiro, 2014)</p></blockquote>     <p>A sua pintura &eacute; feita com a consci&ecirc;ncia, do <i>cut and paste,</i> do que se corta, recorta e do que se cola noutro enquadramento, compondo discursos visuais, pol&iacute;ticos muitas vezes, extremamente ret&oacute;ricos e discursivos, exorcizando emo&ccedil;&otilde;es, agitando consci&ecirc;ncias, sem medos de ser acusada, pejorativamente, de panflet&aacute;ria. Panflet&aacute;ria apenas porque se atreve a questionar-nos, a incomodar-nos, ao inv&eacute;s de se subjugar &aacute;s normas e regras da composi&ccedil;&atilde;o <i>bauhausiana</i> ou do plasticismo.</p>     <p>Em 1937 Josep Renau Berenguer (1907), artista e professor de Belas Artes na Universidade de Valencia foi o respons&aacute;vel pela encomenda a Pablo Picasso de uma pintura para o Pavilh&atilde;o de Espanha na Exposi&ccedil;&atilde;o Internacional de Paris. Esta simples encomenda, dando origem &agrave; <i>Guernica</i>, pintura da qual todos sabemos a hist&oacute;ria, tamb&eacute;m deu origem ao exilio do seu encomendador, porque questionou, sublinhou e manifestou opini&atilde;o. Hoje podemos verificar que o questionamento e a opini&atilde;o em paralelo com o equil&iacute;brio e harmonia tamb&eacute;m s&atilde;o uma via da arte. E a via de Antonio Garc&iacute;a L&oacute;pez &eacute; essa. E &eacute; apenas a 'autoridade pessoal' e a 'personalidade' pr&oacute;pria dos artistas (Negreiros, 1971) que lhe confere o direito de manifestar opini&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Personagens da Crise</b></p>     <p>A s&eacute;rie <i>Personagens da Crise</i>, de 2013, corresponde a um conjunto de trabalhos, claramente inc&oacute;modos pelas op&ccedil;&otilde;es que nos obriga a tomar, criando cumplicidades, questionando-nos sobre o nosso posicionamento social e obrigando-nos, num processo de pura reconstru&ccedil;&atilde;o mental, a identificarmo-nos ou recusarmos o que nos &eacute; apresentado. Esta s&eacute;rie serve-se de alegorias ao dinheiro, &agrave; economia, &agrave; geopol&iacute;tica ou &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o, para articular imagens num universo compositivo ir&oacute;nico, maledicente, tanto &agrave; maneira das cantigas de esc&aacute;rnio e mal dizer, &agrave; maneira trovadoresca, como &agrave; maneira de Josep Resnau Berenguer na serie <i>The American Way of Life</i> (<a href="#f1">Figura 1</a>). Este modo de estruturar e construir a sua obra, possibilita que esta s&eacute;rie de trabalhos possa ser enquadr&aacute;vel numa atualizada pintura de g&eacute;nero e de costumes.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a06f1.jpg"></a>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>O trabalho de Antonio Garc&iacute;a L&oacute;pez, pela dimens&atilde;o conceptual que carrega dentro de si, tendo em conta todos os plasticismos do seculo XX, ultrapassa-os para cumprir o des&iacute;gnio maior de assinalar os personagens do seu tempo, utilizando a Pintura como m&eacute;dium. Nesta s&eacute;rie, as coisas maiores n&atilde;o ser&atilde;o os abundantes e grandes temas da atualidade sobre arte, est&eacute;tica e filosofia, mas ser&atilde;o sobretudo a an&aacute;lise das realidades envolventes e das rotinas do quotidiano. Realidade em mudan&ccedil;a, em crise estrutural, aberta a todas as propostas e solu&ccedil;&otilde;es e onde o paradigma de vanguarda ditadora de verdades ef&eacute;meras, j&aacute; n&atilde;o faz algum sentido porque h&aacute; espa&ccedil;o para muitos outros paradigmas (Khun, 1975), desta vez enquadrados pela consci&ecirc;ncia dos valores da sustentabilidade e n&atilde;o da novidade pela novidade ou da "arte pela arte".</p>     <p>&Eacute; nesta rela&ccedil;&atilde;o entre a quest&atilde;o de g&eacute;nero ou de costumes profanos da sociedade atual e a rejei&ccedil;&atilde;o dos valores meramente compositivos, que se situa a pintura de Antonio Garc&iacute;a L&oacute;pez. A arte e a pol&iacute;tica est&atilde;o presentes neste trabalho, quase nos colocando dentro da ac&ccedil;&atilde;o como numa obra liter&aacute;ria, dram&aacute;tica ou mesmo cinematogr&aacute;fica. Mas sempre com o ver, a plasticidade e com a aus&ecirc;ncia de tempo que caracterizam a pintura.</p>     <p>O pensamento estruturante da s&eacute;rie intitulada <i>Personagens da Crise</i> teve como objetivo dar visibilidade, de uma maneira pessoal, &agrave;s v&iacute;timas e perpetuadores das mudan&ccedil;as traum&aacute;tica que estamos vivenciando, porque esta situa&ccedil;&atilde;o social, pol&iacute;tica, econ&oacute;mica e inst&aacute;vel afeta diretamente a vida e a sa&uacute;de f&iacute;sica e mental das pessoas (L&oacute;pez, 2013). Por isto esta s&eacute;rie de trabalhos acaba por nos colocar a quest&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o da arte e neste caso, da pintura.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Fun&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>A quest&atilde;o da funcionalidade da arte na pintura de AGL &eacute; uma evid&ecirc;ncia, l&uacute;cida e consciente. Tanto a visualidade criada como o texto que a acompanha s&atilde;o duas formas paralelas que constituem um todo. O texto acaba por ser um titulo longo que disponibiliza assuntos, que nos d&aacute; pistas, que nos sinaliza momentos, universalizando-os. Como <i>&Iacute;caro</i> (<a href="#f2">Figura 2</a>)<i>,</i> tamb&eacute;m <i>El Recortado</i> (<a href="#f3">Figura 3</a>) est&aacute; acompanhado por um texto:</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a06f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a06f3.jpg"></a>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <blockquote>    <p><i>La t&eacute;cnica del recorte, requiere de cierta pericia y grado de madurez, se hace necesaria una gran coordinaci&oacute;n. Todo recorte no aplicado con la precisi&oacute;n del bistur&iacute; viene asociado a una v&iacute;ctima potencial, si las medidas de ajuste son aplicadas atajo grueso , se corre el riesgo de que la v&iacute;ctimapase definitivamente a cad&aacute;ver esquel&eacute;tico</i> (L&oacute;pez, 2013).</p></blockquote>     <p><i>El recortado</i> &eacute; uma met&aacute;fora onde a palavra e a imagem convivem com a mesma import&acirc;ncia, lado a lado, em formatos separados. Um processo de trabalho que releva uma pr&aacute;tica art&iacute;stica como interven&ccedil;&atilde;o social. Esta tamb&eacute;m &eacute; uma fun&ccedil;&atilde;o da pintura como qualquer outra, explicitamente tratada nesta exposi&ccedil;&atilde;o, encomendada apenas pelo livre arb&iacute;trio do seu autor, e pela 'autoridade pessoal' do artista (Negreiros, 1971)</p>     <p>A encomenda de arte &eacute; um assunto bastante comum no panorama art&iacute;stico mundial, ao n&iacute;vel das bienais, feiras e mercado de arte em geral, liderado por leiloeiras, galerias, museus e politicas para quem a fun&ccedil;&atilde;o da arte &eacute; um elemento de prestigio social e de investimento. Universos onde geralmente o artista, investigador e professor n&atilde;o se situa. A encomenda feita pelo artista a si pr&oacute;prio deixa de ser encomenda e passa a ser projeto art&iacute;stico, com estudo, investiga&ccedil;&atilde;o e exposi&ccedil;&atilde;o. &Eacute; deste modo que enquadramos o processo de produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica de Antonio Garc&iacute;a L&oacute;pez</p>     <p>A fun&ccedil;&atilde;o da Pintura t&atilde;o explicitamente tratada por Fernand L&eacute;ger (L&eacute;ger, 1965), numa publica&ccedil;&atilde;o que marcou e refletiu o espirito de uma gera&ccedil;&atilde;o modernista, encontra na "arte pela arte" o modelo enaltecido e sobrevalorizado no S&eacute;culo XX (Witcombe, 1995), cujas fun&ccedil;&otilde;es se poder&atilde;o resumir a tornar mais belos os diversos quotidianos modernistas. Neste caso a arte olha apenas para si pr&oacute;pria, sem cumprir outras fun&ccedil;&otilde;es, subjugando-se a continuados princ&iacute;pios de encomenda, nos quais o trabalho de investiga&ccedil;&atilde;o e prospe&ccedil;&atilde;o caracter&iacute;stico da atividade art&iacute;stica se dissipa no cumprimento imediato das tarefas e deveres que a sociedade de consumismo cultural lhe solicita, atrav&eacute;s dos argumentos sucessivos do an&uacute;ncio das mortes de todas as artes.</p>     <p>Mas de um modo pertinente, justificando a sua exist&ecirc;ncia, a pintura permanece, apesar dessas mortes e mortes sucessivamente anunciadas, por causa dos novos instrumentos, das novas mat&eacute;rias, dos novos ecr&atilde;s e dos novos media que, inevitavelmente, possibilitam ao homem outros modos de a fazer.</p>     <blockquote>    <p><i>Essa capacidade da pintura para continuar a crescer e a absorver essas novas realidades permite-nos estar em condi&ccedil;&otilde;es de desmentir os rumores que durante d&eacute;cadas ouvimos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; morte e ao desaparecimento desta singular disciplina art&iacute;stica. Por sorte, tal como o fim do mundo, esse momento ainda n&atilde;o chegou</i> (L&oacute;pez, 2012).</p></blockquote>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>3. Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Verificamos uma grande proximidade entre a s&eacute;rie <i>Personagens da Crise</i> de Antonio Garc&iacute;a L&oacute;pez e a s&eacute;rie <i>American Way of Life</i> de Josep Resnau, dos anos 50. Uma proximidade expl&iacute;cita na forma, atrav&eacute;s do corte, do recorte e da colagem e expl&iacute;cita no conte&uacute;do, atrav&eacute;s da ironia, do sarcasmo e do humor. Em ambas a agita&ccedil;&atilde;o das consci&ecirc;ncias &eacute; o seu ponto de chegada.</p>     <p>O processo art&iacute;stico que Antonio Garc&iacute;a L&oacute;pez utiliza na sua obra, para al&eacute;m de estar ao servi&ccedil;o da composi&ccedil;&atilde;o e consequentemente dos elementos estruturais da pintura, tamb&eacute;m se estrutura em fun&ccedil;&atilde;o das op&ccedil;&otilde;es e das ideias acerca do mundo que envolve a pintura, a arte, e cada um de n&oacute;s como coabitantes desta sociedade. Quando a obra art&iacute;stica tem este discurso, muito localizado no tempo e no espa&ccedil;o social e politico perder&aacute; leitura? Ficar&aacute; ref&eacute;m deste assunto mundano em detrimento do assunto est&eacute;tico? Se assim for, que importa isso? E a quem?</p>     <p>Arte e politica est&atilde;o hoje mais ligadas do que nunca. Alguns artistas explicitam-na, outros servem-se dela. A arte &eacute; um instrumento do poder, que a usa, que a abusa e que a maltrata. Dizemos maltrata pelo cerceamento &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o, &agrave; prospec&ccedil;&atilde;o, &agrave; experimenta&ccedil;&atilde;o e &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o, como &eacute; verific&aacute;vel pelos privil&eacute;gios dados ao museu como im&oacute;vel em desfavor do museu como cole&ccedil;&atilde;o. A quest&atilde;o da arte e politica, da fun&ccedil;&atilde;o da pintura, da colagem como processo conceptual s&atilde;o quest&otilde;es equacion&aacute;veis nesta s&eacute;rie de trabalhos, resultantes de investiga&ccedil;&atilde;o, de experimenta&ccedil;&otilde;es sucessivas sem constrangimentos alguns. Apenas com os argumentos e os fundamentos do seu pr&oacute;prio pensamento, dos seus conceitos e da sua sensibilidade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Cordeiro, Maria da Concei&ccedil;&atilde;o (2017) <i>O Processo Criativo da Pintura num Contexto Cultural H&iacute;brido</i> (tese doutoramento) Lisboa: Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1457843&pid=S1647-6158201800010000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Khun, Thomas (1975), <i>A estrutura das revolu&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas,</i> S&atilde;o Paulo: Perspectiva,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1457845&pid=S1647-6158201800010000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>L&eacute;ger, Fernand (1965), <i>Fun&ccedil;&otilde;es da Pintura,</i>  Lisboa: Difus&atilde;o Europeia do Livro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1457847&pid=S1647-6158201800010000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>L&oacute;pez, Antonio Garc&iacute;a (2012), "El problema es la soluci&oacute;n. La eterna muerte y resurrecci&oacute;n de la pintura como disciplina art&iacute;stica", en Revista <i>DEFORMA Arte, Dise&ntilde;o +</i> <i>Comunicaci&oacute;n,</i> n&ordm;3, 2012, pp. 116-125. ISSN 2253-8054, antes Rev. Grafema ISSN 1647-1024.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1457849&pid=S1647-6158201800010000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>L&oacute;pez, Antonio Garc&iacute;a, (2013), <i>Personajes de la Crisis.</i> <a href="http://webs.um.es/antoniog" target="_blank">http://webs.um.es/antoniog</a> consultado em 22 de dezembro de 2017, ISBN-10: 84-695-7447-7, ISBN-13: 978-84-695-7447-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1457851&pid=S1647-6158201800010000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Negreiros, Almada (1971), <i>Ensaios I,</i> Lisboa: Editorial Estampa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1457853&pid=S1647-6158201800010000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Witcombe, Christopher (1995), Art for Art's Sake, Art History Resources, consultado em 22 de dezembro de 2017 em <a href="http://arthistoryresources.net/modernism/artsake.html" target="_blank">http://arthistoryresources.net/modernism/artsake.html</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1457855&pid=S1647-6158201800010000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Enviado a 7 de janeiro de 2018 e aprovado a 17 de janeiro de 2018</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:i.salteiro@belasartes.ulisboa.pt"> i.salteiro@belasartes.ulisboa.pt</a> (Il&iacute;dio Salteiro)</p>      ]]></body><back>
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