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<publisher-name><![CDATA[Universidade de LisboaFaculdade de Belas-Artes]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A experiência da Cor em Paulo Pasta]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Presbiteriana Mackenzie Faculdade de Arquitetura e Urbanismo ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article presents abrief overview on the work of the important contemporary Brazilian painter Paulo Pasta, also seeking to identify his motivations in the development of his career, his references, as well as the main characteristics of his artistic work. This work presents itself in a very challenging moment, when the artist, always in search of an internal coherence in his work, decides to bring back landscape paintings of his origin, of his native land.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>A experi&ecirc;ncia da Cor em Paulo Pasta</b></p>     <p><b>The color experience in Paulo Pasta</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ariane Daniela Cole*</b></p>     <p>*Brasil, artista visual.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Presbiteriana Mackenzie, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, curso de Design. R. Itamb&eacute;, 143 &#8212; Higien&oacute;polis, S&atilde;o Paulo &#8212; SP, 01302-907, Brasil.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b></p>     <p>O presente artigo desenvolve um breve panorama sobre a obra do importante pintor brasileiro contempor&acirc;neo Paulo Pasta, intencionamos tamb&eacute;m identificar suas motiva&ccedil;&otilde;es no desenvolvimento de seu percurso, suas refer&ecirc;ncias, assim como as principais caracter&iacute;sticas de seu fazer art&iacute;stico. Este trabalho, se apresenta em um momento muito desafiador, quando o artista, sempre em busca de uma coer&ecirc;ncia interna em seu trabalho, decide trazer de volta pinturas de paisagem de sua origem, de sua terra natal.</p>     <p><b>Palavras chave:</b> Paulo Pasta / Pintura / Brazil.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b></p>     <p>This article presents abrief overview on the work of the important contemporary Brazilian painter Paulo Pasta, also seeking to identify his motivations in the development of his career, his references, as well as the main characteristics of his artistic work. This work presents itself in a very challenging moment, when the artist, always in search of an internal coherence in his work, decides to bring back landscape paintings of his origin, of his native land.</p>     <p><b>Keywords:</b> Paulo Pasta / Painting / Brazil.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Lembro vivamente do dia em que fui visitar a primeira exposi&ccedil;&atilde;o de pinturas de Paulo Pasta em 1984, importante pintor paulistano cuja obra acompanho com aten&ccedil;&atilde;o desde aquele momento. J&aacute; nesta primeira exposi&ccedil;&atilde;o, do ent&atilde;o jovem artista, pod&iacute;amos identificar as bases s&oacute;lidas de uma pintura que se estruturaria na tradi&ccedil;&atilde;o da pintura, em di&aacute;logo, sobretudo com as obras de Matisse, Morandi e Volpi, entre outros e na pesquisa da cor e da atmosfera, j&aacute; presentes naquelas paisagens realizadas em guache sobre papel.</p>     <p>Com C&eacute;zanne, o artista compreendeu a natureza construtiva do trabalho em pintura, mediado pela forma e pela cor numa elabora&ccedil;&atilde;o de car&aacute;ter mental. O seu amadurecimento o levou ao desenvolvimento de um trabalho marcado pela simplicidade, concis&atilde;o, densidade, de formas enxutas, cores discretas e pinceladas econ&ocirc;micas.</p>     <p>Muito j&aacute; se falou do car&aacute;ter intelectual, mental do desenho, seu car&aacute;ter projetivo em contraponto ao car&aacute;ter sensorial, material, corp&oacute;reo da pintura. O dilema entre a forma e a cor, desenho e pintura em Matisse, ecoou no desenvolvimento do trabalho de Pasta. Embora o artista use o recurso do desenho para pensar sua pintura, podemos verificar em sua busca uma profunda associa&ccedil;&atilde;o entre desenho e pintura, tornando-as, forma e cor, interativas, indivis&iacute;veis e amalgamadas. Para o artista ambos desenho e pintura podem ser olhados do ponto de vista do tempo, enquanto o desenho &eacute; mais r&aacute;pido e preciso, a pintura &eacute; mais lenta, cumulativa, duradoura. "Precis&atilde;o e ac&uacute;mulo, casamento de risco e condensa&ccedil;&atilde;o. " (Pasta, 2012:101)</p>     <p>Assim, para este artista, o desenho, tamb&eacute;m elaborado lentamente ao longo da constru&ccedil;&atilde;o de sua obra, traz consigo um car&aacute;ter &eacute;tico, de fundamento, investido de probidade, de inescap&aacute;vel honestidade cuja associa&ccedil;&atilde;o com a cor seria capaz de condensar "todos os estados do pintor".</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Do desenvolvimento da obra</b></p>     <p>No desenvolvimento de sua obra vimos a continuidade desta pesquisa se estabelecer em obras que se configuram em estruturas aparentemente abstratas mas que remetem a quest&otilde;es intr&iacute;nsecas da paisagem, onde figura um desejo de constru&ccedil;&atilde;o espacial constitu&iacute;da tanto pelo desenho como pela cor.</p>     <p>Ao final da d&eacute;cada de 80, com o acr&eacute;scimo da cera de abelhas &agrave; tinta a &oacute;leo, eleita desde o in&iacute;cio na confec&ccedil;&atilde;o de suas pinturas sobre tela, a pintura ganhou espessura, onde cada camada apagava parcial ou inteiramente a camada anterior, as formas raspadas na &uacute;ltima camada, revela vest&iacute;gios de cores submersas, tal qual um palimpsesto, em uma arqueologia do fazer, nos falam de tempos sobrepostos, de mem&oacute;ria e de um mergulho na interioridade. As formas remetendo a elementos arquitet&ocirc;nicos como ogivas, arcos, front&otilde;es, j&aacute; indicavam os caminhos que a obra iria tomar, lenta e densamente.</p>     <p>Na s&eacute;rie "Cacos", voltou-se para o ch&atilde;o de cacos de cer&acirc;mica de seu ateli&ecirc;, aqui no lugar de retirar apenas acrescentava mais tinta em sutis passagens tonais. Depois de 5 anos voltou &agrave;s formas eretas e construtivas, o que se estabeleceria at&eacute; o momento presente.</p>     <p>Inicialmente, na d&eacute;cada de 90, o que parecia ser o espa&ccedil;o entre arcos, se aproximava do desenho de colunas (<a href="#f1">Figura 1</a>), apresentaram n&atilde;o somente suas formas mas uma configura&ccedil;&atilde;o espacial que se consubstanciava, apontando caminhos para a busca da constru&ccedil;&atilde;o de uma atmosfera.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a08f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Neste per&iacute;odo pudemos ver um deslocamento crom&aacute;tico, antes somente na faixa das cores quentes entre amarelos e vermelhos, agora dava espa&ccedil;o para a entrada de azuis, violetas, castanhos. Dos "arcos" aos "pi&otilde;es", o artista se concentrou nas formas, que se desdobraram em ampulhetas, c&aacute;lices, expandiram o trabalho com as cores que ganhou em pot&ecirc;ncia e satura&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Para Paulo Pasta, nestas passagens de uma cor a outra, de um motivo a outro, se revela um dos vetores mais importantes para compreender a sua obra.</p>     <p>A partir de 2004 deu in&iacute;cio a uma s&eacute;rie que ele intitula "vigas" (<a href="#f2">Figura 2</a>). Destas estruturas que lembram vigas e colunas, surgiram as "cruzes" pelo deslocamento das vigas para baixo. A partir da&iacute;, com a oblitera&ccedil;&atilde;o de partes das figuras, ele exacerba a indistin&ccedil;&atilde;o entre figura e fundo, o jogo entre cores e formas se torna mais amb&iacute;guo, ganhando esta s&eacute;rie o nome de "fun&acirc;mbulos", que quer dizer "o homem que caminha sobre a corda bamba". Para Mammi (2015), este jogo que o artista estabelece entre estruturas, espa&ccedil;os e cores, esta ambiguidade e oscila&ccedil;&atilde;o, nos remete &agrave; volatilidade de nossa experi&ecirc;ncia contempor&acirc;nea.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a08f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Seus trabalhos, segundo o artista, buscam construir um lugar. Trata-se de um lugar de suspens&atilde;o, que nos exige tempo de aprecia&ccedil;&atilde;o, tempo da cor ser elaborada, penetrar, impressionar nossos sentidos, e nos devolver &agrave; mem&oacute;ria. Ao longo destes anos foi poss&iacute;vel acompanhar o desfilar destas cores cuidadosamente constru&iacute;das, cristalizadas nestas estruturas, que por sua vez, nos remetem a lugares-cor.</p>     <blockquote>    <p><i>Minhas cores s&atilde;o compostas, v&ecirc;m de uma paleta derivada, isto &eacute;, s&atilde;o cores feitas a partir da paleta f&iacute;sica, das cores f&iacute;sicas. Gosto delas quando abandonam suas caracter&iacute;sticas industriais, quando passam pelo processo daexperi&ecirc;ncia, quando podem vir a se transformar em outras, quando se modificam pela vizinhan&ccedil;a, quando somaram e sofreram muta&ccedil;&atilde;o</i> (Pasta, 2012: 116-117).</p></blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O que pintar, a quest&atilde;o do motivo, &eacute; outra quest&atilde;o que mobiliza o pintor, que se empenha na busca da constitui&ccedil;&atilde;o de um sistema, capaz de gerar uma coer&ecirc;ncia interna na obra, assim como o fizeram, a t&iacute;tulo de exemplo, Matisse com as rela&ccedil;&otilde;es entre desenho e cor, Jasper Johns com seus motivos, Alfredo Volpi com suas tonalidades, Sean Scully com sua vibra&ccedil;&atilde;o, entre outros.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Paisagem</b></p>     <p>Todavia, para nossa surpresa, no ano de 2015, Paulo Pasta inaugura duas exposi&ccedil;&otilde;es: <i>F&aacute;bula da Paisagem</i>, onde apresentava paisagens de sua terra Natal e <i>H&aacute; um Fora Dentro da Gente e Fora da Gente um Dentro,</i> apresentando as duas vertentes de sua obra (<a href="#f3">Figura 3</a>, <a href="#f4">Figura 4</a> e <a href="#f5">Figura 5</a>). Tais exposi&ccedil;&otilde;es apresentando paisagens ainda demandam reflex&atilde;o e an&aacute;lise, sobretudo porque s&atilde;o vindas de um pintor experiente e reconhecido e celebrado pela cr&iacute;tica como um dos maiores pintores da atualidade brasileira.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a08f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a08f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a08f5.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para o artista n&atilde;o h&aacute; diferen&ccedil;a entre os dois trabalhos, em ambos a cor &eacute; protagonista da constru&ccedil;&atilde;o atmosf&eacute;rica, do sentido po&eacute;tico que ele busca. "A minha cor obedece a um sentido atmosf&eacute;rico, eu acho, a minha cor n&atilde;o &eacute; local, a minha cor n&atilde;o &eacute; f&iacute;sica, &eacute; quase um estado". (Pasta, 2015)</p>     <p>Na medida em que estas paisagens s&atilde;o pintadas a partir de fotografias tiradas com um celular e da sua mem&oacute;ria, estas imagens referenciais, codificadas, sintetizadas, ganham uma dimens&atilde;o abstrata que apresenta resson&acirc;ncias na pintura destas paisagens. Embora se tratem de paisagens naturais, do interior do pa&iacute;s, tratam-se de paisagens vastas, horizontalizadas, marcadas pela a&ccedil;&atilde;o humana em extensas planta&ccedil;&otilde;es de cana de a&ccedil;&uacute;car.</p>     <p>A presen&ccedil;a de torres ou postes de ilumina&ccedil;&atilde;o, entre as esparsas formas verticais presentes nesta s&eacute;rie, s&oacute; se apresentam para reafirmar a for&ccedil;a da horizontalidade destas pinturas, que por sua vez nos colocam novamente em contato com a sua inten&ccedil;&atilde;o de constituir uma atmosfera.</p>     <p>A presen&ccedil;a da horizontal veio aos poucos se apresentando como for&ccedil;a direcional ao longo do tempo, desde a s&eacute;rie "Vigas" embora esta pudesse nos remeter &agrave; ideia de pilares. Estas formas horizontais, ao se deslocarem para baixo engendraram formas em cruz, dando in&iacute;cio &agrave; s&eacute;rie "Cruzes", estas transversais se "apoiam" nas verticais, confirmando sua presen&ccedil;a e for&ccedil;a. E, na exposi&ccedil;&atilde;o de 2015, estas formas horizontais comparecem tamb&eacute;m, sutil e significativamente, na base do quadro, como podemos ver na <a href="#f3">Figura 3</a> e <a href="#f4">Figura 4</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Considera&ccedil;&otilde;es</b></p>     <p>Podemos talvez compreender as duas vertentes da obra de Paulo Pasta como contrapontos, no lugar de contraposi&ccedil;&otilde;es, de uma identidade que deseja expressar-se de um modo a contemplar toda a amplitude de uma experi&ecirc;ncia est&eacute;tica, abrangente e profundamente. Para al&eacute;m das formas e da pesquisa da cor chama a aten&ccedil;&atilde;o a fatura, o tratamento da superf&iacute;cie, o toque, o gesto do pincel. Enquanto nas pinturas abstratas a superf&iacute;cie da tela &eacute; nas pinturas mais recentes densa, porosa e lisa, nas pinturas de paisagens a pincelada &eacute; mais din&acirc;mica, leve, flu&iacute;da, resultando em uma atmosfera mais et&eacute;rea.</p>     <p>H&aacute; que se considerar tamb&eacute;m as passagens de uma pintura a outra. Ambas nos falam do tempo, tempo de suspen&ccedil;&atilde;o, tempo da espera, da mem&oacute;ria, tempo da cor, e do espa&ccedil;o. Ambas abrigam, cada qual ao seu modo, uma concep&ccedil;&atilde;o de paisagem, talvez possamos falar em paisagens que transitam entre a imensid&atilde;o e a intimidade.</p>     <p>Entendemos assim, que &eacute; perfeitamente poss&iacute;vel coexistirem estas duas linhas de trabalho, assim como &eacute; poss&iacute;vel identificar uma qualidade, uma busca de constru&ccedil;&atilde;o deste lugar-cor que se revela em ambas, onde um <i>Dentro</i> e um <i>Fora</i> se alternam criando uma unidade, gerando uma rela&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica na obra e na sua rela&ccedil;&atilde;o com o espectador. Onde a cor pode ser vista como uma mem&oacute;ria, uma s&iacute;ntese de um estado, que vela uma exterioridade e revela uma interioridade. Trata-se de uma presen&ccedil;a, de uma constru&ccedil;&atilde;o que se d&aacute; nas rela&ccedil;&otilde;es entre um sentir-pensar, um pensar-sentir, na busca de comunicar este estado, esta <i>condensa&ccedil;&atilde;o do ser</i>, ao espectador. Esta condensa&ccedil;&atilde;o que Matisse se refere, segundo Paulo Pasta, possibilita a sua identifica&ccedil;&atilde;o, este poder reconhecer-se em toda a sua experi&ecirc;ncia na pintura.</p>     <p>Como a modernidade j&aacute; esclareceu, a paisagem se d&aacute; em n&oacute;s, no tr&acirc;nsito entre o exterior e o interior, entre a suspensa visualidade e a materialidade dos corpos, os apelos do mundo e a subjetividade, move-se um olhar entre o exterior e o interior, uma busca pela espiritualidade comungada ao mundo, que olha para fora, e espiritualidade internalizada, a que olha para dentro. E, neste vai e vem deste <i>olhar intermin&aacute;vel</i> (Aumont, 2004), entre a percep&ccedil;&atilde;o, o pensamento, que por sua vez abriga a mem&oacute;ria e a imagina&ccedil;&atilde;o (Gombrich, 1986), e a a&ccedil;&atilde;o sobre a mat&eacute;ria da pintura, elaboramos, aprofundamos o conhecimento do mundo. Assim, brota a paisagem internalizada, estendida, vivida, sentida, elaborada, pensada, lembrada, contada a favor do aprofundamento do nosso olhar, do nosso entendimento sobre o as coisas e sobre o mundo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <blockquote>    <p><i>Desvendar rela&ccedil;&otilde;es, estabelecer articula&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o seria assim o universo de todapr&aacute;tica art&iacute;stica? Se a arte cria outros elos que nos revelam porque nos (re)situam no lugar que ocupamos, o movimento do mundo parece ser ditado pela rela&ccedil;&atilde;o que estabelecemos entre intimidade e exterioridade, em meio &agrave;s modula&ccedil;&otilde;es que nos aproximam do espa&ccedil;o porque nos distanciam dele. Nessa perp&eacute;tua circula&ccedil;&atilde;o, o olhar entoa sua (com)posi&ccedil;&atilde;o.</i>  (Dias, 2010:141).</p></blockquote>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Aumont, Jacques (2004) "O Olho intermin&aacute;vel {Cinema e Pintura}." S&atilde;o Paulo. Cosac &amp; Naify.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1458024&pid=S1647-6158201800010000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Dias, Karina (2010) "Entre Vis&atilde;o e Invis&atilde;o: paisagem &#91;por uma experi&ecirc;ncia da paisagem no cotidiano&#93;. " Bras&iacute;lia. Universidade de Bras&iacute;lia. Programa de P&oacute;s Gradua&ccedil;&atilde;o em Artes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1458026&pid=S1647-6158201800010000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>F&aacute;bula da Paisagem". Realiza&ccedil;&atilde;o: Instituto Figueiredo Ferraz. Produ&ccedil;&atilde;o: pseudo v&iacute;deo. Trilha sonora: Jacqueline Du Pr&eacute;. Cor. Som. 2015. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=HdDQ1S3owIo" target="_blank">https://www.youtube.com/watch?v=HdDQ1S3owIo</a> . Acesso em: 05. Nov. 2017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1458028&pid=S1647-6158201800010000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Gombrich, E.H. (1986) Arte e ilus&atilde;o. S&atilde;o Paulo. Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1458030&pid=S1647-6158201800010000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Mammi, Lorenzo (2015) "Paulo Pasta: aventuras da experi&ecirc;ncia." In: textos cr&iacute;ticos, Galeria Milan. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.galeriamillan.com.br/pt-BR/texto-critico/79" target="_blank">http://www.galeriamillan.com.br/pt-BR/texto-critico/79</a> . Acesso em 20 de nov. 2017&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1458032&pid=S1647-6158201800010000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Pasta, Paulo (2012) "A educa&ccedil;&atilde;o pela pintura". S&atilde;o Paulo. Editora Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1458033&pid=S1647-6158201800010000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Pasta, Paulo (2015) "F&aacute;bula da Paisagem. " Galeria Milan. S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1458035&pid=S1647-6158201800010000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Paulo Pasta (2015) Realiza&ccedil;&atilde;o Arte!Tv. Entrevista Eduardo Sim&otilde;es. Imagens e edi&ccedil;&atilde;o: Coil Lopes. Cor. Som. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://youtu.be/DzZX_YMb4oc" target="_blank">https://youtu.be/DzZX_YMb4oc</a> . Acesso em: 10. Out. 2017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1458037&pid=S1647-6158201800010000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Paulo Pasta (2013) <i>O sil&ecirc;ncio &eacute; a moradia da cor</i>. Roteiro e Dire&ccedil;&atilde;o: Pedro Paulo Mendes. Produ&ccedil;&atilde;o: Teca Lacerda. Imagens: Andr&eacute; Palluch. Fotos: Sergio Guerini. Edi&ccedil;&atilde;o: Fabio Ren&eacute;. Finaliza&ccedil;&atilde;o: F&aacute;bio Cidr&atilde;o. Trilha: Harold Budd. Depoimentos: Paulo Pasta, Eduardo Sued, Ronaldo Brito, Leda Catunda. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=rNCkcQUsmeU&t=4s" target="_blank">https://www.youtube.com/watch?v=rNCkcQUsmeU&t=4s</a> Acesso em 20. Out. 2017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1458039&pid=S1647-6158201800010000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Enviado a 02 de janeiro de 2018 e aprovado a 17 de janeiro de 2018</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:arianecole@gmail.com"> arianecole@gmail.com</a> (Ariane Daniela Cole)</p>      ]]></body><back>
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