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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O Mundo Invertido na obra de Gabriel e Gilberto Colaço]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article proposes to present the definition and signification of Gabriel and Gilberto Colaço's body of work: questioning about the aspect of its structure, situating its place and its function and / or its perception and representation in the sense system. Study carefully the systematic articulation of the substances in question, to give their own heterogeneity a structural interpretation. It is a discovery of the history of forms and their representations. The study comprises the works present at the "Territorial" exhibition that was evident in the Mute Gallery from 26 May to 25 June 2016.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Mundo invertido]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>O Mundo Invertido na obra de Gabriel e Gilberto Cola&ccedil;o</b></p>     <p><b>An inverted world at Gabriel &amp; Gilberto Cola&ccedil;o</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Diana Costa*</b></p>     <p>*Portugal, Artista Visual.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Instituto Polit&eacute;cnico de Beja (IPBeja), &amp; Universidadde de Lisboa, Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e Estudos em Belas-Artes (CIEBA), 1249-058 Lisboa, Portugal. IPBeja, Rua Pedro Soares, Campus do Instituto Polit&eacute;cnico de Beja. Apartado 6155. 7800-295 Beja, Portugal.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b></p>     <p>Este artigo prop&otilde;e apresentar a defini&ccedil;&atilde;o e significa&ccedil;&atilde;o dos objetos do corpo de trabalho de Gabriel e Gilberto Cola&ccedil;o: interrogando sobre o aspeto da sua estrutura, situando o seu lugar e a sua fun&ccedil;&atilde;o e/ou a sua perce&ccedil;&atilde;o e representa&ccedil;&atilde;o no sistema do sentido. Estudar atentamente a articula&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica das subst&acirc;ncias em causa, dar &agrave; sua pr&oacute;pria heterogeneidade uma interpreta&ccedil;&atilde;o estrutural. Trata-se de um descobrir da hist&oacute;ria das formas e suas representa&ccedil;&otilde;es. O estudo compreende as obras presentes na exposi&ccedil;&atilde;o "Territorial" que esteve patente na Galeria Mute de 26 de Maio a 25 de Junho de 2016.</p>     <p><b>Palavras chave:</b> Mundo invertido / jogo / dimens&atilde;o / imagem.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b></p>     <p>This article proposes to present the definition and signification of Gabriel and Gilberto Cola&ccedil;o's body of work: questioning about the aspect of its structure, situating its place and its function and / or its perception and representation in the sense system. Study carefully the systematic articulation of the substances in question, to give their own heterogeneity a structural interpretation. It is a discovery of the history of forms and their representations. The study comprises the works present at the "Territorial" exhibition that was evident in the Mute Gallery from 26 May to 25 June 2016.</p>     <p><b>Keywords:</b> Upside down world / game / dimension / image.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>A pertin&ecirc;ncia deste artigo cinge-se ao entendimento dos caminhos e estrat&eacute;gias definidos por Gabriel e Gilberto Cola&ccedil;o na defini&ccedil;&atilde;o e elabora&ccedil;&atilde;o da exposi&ccedil;&atilde;o "Territorial".</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na procura e reflex&atilde;o sobre o que fazer, sobre o que criar, os artistas direcionam a sua pesquisa para um aprofundamento do pensamento operativo e especulativo centrado na jun&ccedil;&atilde;o de duas realidades, e na forma de traduzir e criar um produto reflexo desse pensamento duplo. Partem do vis&iacute;vel, neste caso, do exterior, expressam-se n&atilde;o por uma op&ccedil;&atilde;o pl&aacute;stica pr&oacute;xima ao natural, mas por uma abordagem planificada das formas e da cor. Deste modo, manifestam a express&atilde;o do objeto arquitet&oacute;nico pela demonstra&ccedil;&atilde;o de equil&iacute;brio, pela luz e pela sensibilidade crom&aacute;ticas.</p>     <p>Considera-se que a exposi&ccedil;&atilde;o est&aacute; dividida em dois segmentos: o primeiro bidimensional, caracterizado pela pintura sobre tela e papel e, o segundo, tridimensional, caracterizado pelo valor escult&oacute;rico apresentado num formato de instala&ccedil;&atilde;o. O segmento que se pretende real&ccedil;ar neste artigo &eacute; o primeiro, onde a tem&aacute;tica se apresenta como uma jun&ccedil;&atilde;o de "dois mundos": o verdadeiro e o invertido.</p>     <p>As obras apresentam-se como ilhas flutuantes, onde podemos observar toda a parte inferior da ilha que, no entanto, em vez de ser uma estrutura de rocha e terra (propriedades reais), apresenta-se como um reflexo da parte superior. Se fizermos uma rota&ccedil;&atilde;o de 180&ordm; do papel assistimos a uma outra narrativa a vir &aacute; superf&iacute;cie (<a href="#f1">Figura 1</a>, <a href="#f2">Figura 2</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a10f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a10f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A prop&oacute;sito desta reflex&atilde;o, recorda-se a s&eacute;rie <i>Stranger Things,</i> de fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, criada, escrita e dirigida pelos irm&atilde;os Matt e Ross Duffer. Na trama, um menino desaparece misteriosamente na pequena cidade de Hawkins, Indiana, e faz com que os seus amigos entrem numa busca perigosa pelo seu paradeiro e, no caminho, encontram uma estranha menina com poderes telecin&eacute;ticos. Ela vai ser a chave para descobrir o <i>Mundo Invertido</i> e extrair Will, o menino desaparecido, dessa dimens&atilde;o espacial. Trata-se de uma realidade paralela, que neste caso, assume uma narrativa sombria e perigosa, onde, de forma reflexa e invertida, mostra todas as caracter&iacute;sticas arquitet&oacute;nicas e geogr&aacute;ficas da cidade de Hawkins, mas com 180&ordm; de invers&atilde;o, como se estivesse submersa.</p>     <p>O <i>Mundo Invertido</i> foi a terminologia escolhida para definir este conjunto de obras, que espelham a capacidade para nos aludir para outras dimens&otilde;es, conduzindo-nos por vezes a horizontes de espiritualidade, ilus&atilde;o ou at&eacute; pesadelo. S&atilde;o trabalhos que evidenciam aspetos da pintura, da arquitetura e da fantasia, e o modo como estes se aproximam e se distanciam, criando, assim, uma nova abordagem para a realidade observada.</p>     <p>O <i>Mundo Invertido</i> poderia ser considerado nestas obras como uma dimens&atilde;o espacial paralela que coexiste com a nossa pr&oacute;pria, uma dimens&atilde;o que &eacute; um reflexo ou um eco do nosso mundo. Deixa-nos tamb&eacute;m as quest&otilde;es: qual a posi&ccedil;&atilde;o final da imagem? Qual &eacute; reflexo e qual &eacute; o verdadeiro? S&atilde;o narrativas simult&acirc;neas? &Agrave; luz da f&iacute;sica te&oacute;rica de hoje, eventuais outros universos podem existir sem problemas, contanto que estejam em "outras dimens&otilde;es" (um conceito postulado por Theodor Kaluza e Oscar Klein, dois f&iacute;sicos do in&iacute;cio do s&eacute;culo 20). Kaluza prop&ocirc;s que, se o nosso universo tivesse quatro dimens&otilde;es de espa&ccedil;o (em vez das tr&ecirc;s que conhecemos), a gravidade funcionaria de acordo com as equa&ccedil;&otilde;es que regem o eletromagnetismo. Ou seja: a gravidade seria t&atilde;o poderosa quanto a for&ccedil;a eletromagn&eacute;tica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este conjunto de obras de Gabriel e Gilberto Cola&ccedil;o, as ilhas, gravitam no espa&ccedil;o e espelham duas dimens&otilde;es: a real e a invertida, no entanto, no espa&ccedil;o invertido espelham-se e codificam-se formas que expressam mensagens comunicativas abertas &agrave; descodifica&ccedil;&atilde;o (<a href="#f3">Figura 3</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a10f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O trabalho gera-se por refer&ecirc;ncia &agrave; realidade. Pela sua forma processual gera novos c&oacute;digos para o exerc&iacute;cio da perce&ccedil;&atilde;o. Parte da realidade e volta sempre a ela, retirando e reinserindo novas f&oacute;rmulas de sensa&ccedil;&atilde;o, como os elementos de felicidade, de satisfa&ccedil;&atilde;o que se formulam num tempo e espa&ccedil;o espec&iacute;fico, em contraste com elementos eventualmente opostos, com evidentes tra&ccedil;os de destrui&ccedil;&atilde;o e decad&ecirc;ncia. Possui um devir, que necessariamente nos obriga a fazer uma leitura vertical em efeito ping-pong, onde procuramos sempre a leitura do que est&aacute; no espa&ccedil;o inverso como consequ&ecirc;ncia do espa&ccedil;o "real".</p>     <p>Cria uma <i>ret&oacute;rica visual</i>, tendo em conta que refere uma mensagem ic&oacute;nica cujas leis s&atilde;o aut&oacute;nomas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s das mensagens verbais mas que podem agir sobre o espectador de maneira pr&oacute;xima. A liga&ccedil;&atilde;o entre o real e n&atilde;o real gerado pelas imagens origina um sistema de pensamento visual. A imagem vale por si ou pelo que quer dizer? A imagem pode ser t&atilde;o forte como o mundo real e exprimir-se ou a imagem &eacute; s&oacute; o seu sentido figurativo? Pela efic&aacute;cia da imagem para traduzir significados, utilizam-na para converter um discurso real num sistema visual.</p>     <p>Na arte, a ideia que temos da imagem est&aacute; sempre interligada &agrave; representa&ccedil;&atilde;o visual, e &eacute; tema de reflex&atilde;o para a filosofia desde os tempos mais antigos.</p>     <p>Gabriel e Gilberto, situam-se no campo da produ&ccedil;&atilde;o de imagens. Implica terem uma s&eacute;rie de ferramentas &agrave; sua disposi&ccedil;&atilde;o para arquitetar uma ideia. &Eacute; necess&aacute;rio efetuar a escolha certa dos elementos perante as v&aacute;rias possibilidades para conseguir construir uma ideia. H&aacute; rela&ccedil;&atilde;o evidente com a linguagem escrita. Os termos ligados ao discurso verbal surgem com frequ&ecirc;ncia quando se aborda a realidade visual/pl&aacute;stica: faz-se a <i>leitura de uma obra</i>, referimo-nos ao <i>vocabul&aacute;rio visual</i> em geral ou ao de um artista em particular. A comunica&ccedil;&atilde;o visual funciona como uma estrutura que n&atilde;o &eacute; coincidente com a estrutura verbal. Enquanto a estrutura verbal obedece a regras determinadas pela necessidade comunicacional codificada, as estruturas de comunica&ccedil;&atilde;o visual s&atilde;o diversificadas, como se verifica na <i>linguagem</i> que cada artista adota, na express&atilde;o pl&aacute;stica.</p>     <p>A literacia visual abarca um n&iacute;vel mais simples, como em qualquer estrutura do conhecimento, leitura das imagens do quotidiano, e um n&iacute;vel mais espec&iacute;fico, de elabora&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica de imagens complexas. Trata-se de uma capacidade de ler e interpretar as imagens, desto modo, &eacute; poss&iacute;vel relacionar os modos de leitura entre texto e imagem: a escrita est&aacute; para a literacia ( em termos gen&eacute;ricos ), como a imagem est&aacute; para a literacia visual ( Felten, 2008).</p>     <p>O indiv&iacute;duo <i>visualmente</i> culto dever&aacute; desenvolver significados a partir de formas mais simples da imagem, como uma fotografia de jornal, de formas mais complexas, no caso de objetos art&iacute;sticos, sendo capaz de ultrapassar as narrativas visuais mais comuns. O contacto com diferentes formas de linguagem ic&oacute;nica &eacute; ben&eacute;fico para o desenvolvimento da literacia visual. O grau de compreens&atilde;o dos conte&uacute;dos significativos e de formas visuais mais convencionais que os media permanentemente divulgam depende do grau de informa&ccedil;&atilde;o de cada indiv&iacute;duo. A literacia visual cria funcionalidades visuais, abertura de ju&iacute;zos e capacidade cr&iacute;tica, nomeadamente no que se refere aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massas, cada vez mais dominantes na sociedade de consumo.</p>     <p>Estudar a imagem e atribuir-lhe uma informa&ccedil;&atilde;o visual constitu&iacute;da por v&aacute;rios signos, &eacute; o mesmo que reconhec&ecirc;-la como discurso, logo, como um instrumento de comunica&ccedil;&atilde;o e express&atilde;o. Pode-se reconhecer que uma imagem &eacute; constitu&iacute;da sempre por uma mensagem para o outro.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O simb&oacute;lico de uma representa&ccedil;&atilde;o &eacute; um intermedi&aacute;rio entre a realidade reconhec&iacute;vel e o reino do m&iacute;stico e invis&iacute;vel da fantasia, entre o que &eacute; conscientemente compreens&iacute;vel e invis&iacute;vel.</p>     <p>Como se justifica esta simbologia e realidade paralela nas obras de Gabriel e Gilberto? Ser&aacute; que esta dupla vis&atilde;o se acentua e se define por serem dois os artistas intervenientes e que somam ideias e processos criativos? Ou podemos ir mais longe e dizer que s&atilde;o duas realidades que se espelham porque Gabriel e Gilberto s&atilde;o g&eacute;meos? As afinidades art&iacute;sticas entre os dois artistas s&atilde;o ent&atilde;o, para al&eacute;m dos procedimentos operativos, familiares, pois s&atilde;o dois irm&atilde;os g&eacute;meos. A produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica decorre como uma parceria, mas ao mesmo tempo como um jogo em que os dois s&atilde;o as personagens principais. A forte rela&ccedil;&atilde;o entre ambos tamb&eacute;m se reflete na plasticidade final, no criar e nas formas de produzir. T&ecirc;m uma linguagem pr&oacute;pria que se funde de tal forma que se torna imposs&iacute;vel dizer onde come&ccedil;a e acaba a interven&ccedil;&atilde;o de cada um. Ou ser&aacute; poss&iacute;vel dizer que um representa o espa&ccedil;o real e o outro o espa&ccedil;o invertido?!</p>     <p>A capacidade de descodificar o grau de compreens&atilde;o dos conte&uacute;dos significativos e das formas visuais &eacute; uma capacidade necess&aacute;ria para apreender a arte, mas ao mesmo tempo uma capacidade necess&aacute;ria ao indiv&iacute;duo comum para aprender a vida e tudo o que o rodeia, da&iacute; o paralelismo entre pintura (campo de interven&ccedil;&atilde;o no mundo da arte) e o real. <i>Ler</i> pintura &eacute; descodificar mist&eacute;rios (seja qual for o campo de interven&ccedil;&atilde;o &#8212; real ou fantasia).</p>     <p>S&oacute; quando a pintura for adequadamente entendida, estudada e definida como algo vital para todos, come&ccedil;ar&aacute; a compreender-se plenamente o potencial desta capacidade humana.</p>     <p>No momento em que se acaba de alcan&ccedil;ar uma certa conclus&atilde;o, apercebemo-nos que se abre um outro campo onde tudo quanto se exprimiu anteriormente pode ser redito ou refeito de outra forma. De maneira que aquilo que encontramos, na verdade, ainda n&atilde;o possu&iacute;mos, ainda est&aacute; por descobrir, o achado &eacute; o que proclama por novas buscas. "Se nenhuma pintura conclui a pintura, se mesmo nenhuma obra est&aacute; absolutamente conclu&iacute;da, cada cria&ccedil;&atilde;o muda, altera, esclarece, confirma, exalta, recria ou cria de antem&atilde;o todas as outras. Se as cria&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o algo adquirido, n&atilde;o &eacute; apenas porque, como todas as coisas, passam, &eacute; tamb&eacute;m porque t&ecirc;m quase toda uma vida &agrave; sua frente." (Ponty, 1992). Da&iacute; as v&aacute;rias interpreta&ccedil;&otilde;es do <i>Mundo Invertido</i>, por exemplo, na obra "Alinhamento 9" o <i>Mundo Invertido</i> n&atilde;o parece o mesmo da obra "Alinhamento 6", as dicotomias divergem, onde numas obras sup&otilde;e-se serem dimens&otilde;es paralelas simbolicamente escuras, destruidoras e at&eacute; explosivas, e noutras, dimens&otilde;es paralelas mais romantizadas, onde por vezes parece que os contextos se invertem (<a href="#f4">Figura 4</a> e <a href="#f5">Figura 5</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a10f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a10f5.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Gabriel e Gilberto representam um <i>Mundo</i> onde outros mundos possam coexistir. E com esta reflex&atilde;o recordamos a obra cinematogr&aacute;fica <i>Interstellar</i> que apresenta um aspeto interessante relativamente &agrave;s dimens&otilde;es paralelas, que faz parte do mundo e da ci&ecirc;ncia moderna, da fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e dos mitos da antiguidade: a viagem no tempo. <i>Interstellar</i> &eacute; um filme anglo-americano de fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica dirigido por Christopher Nolan estrelado por Matthew McConaughey, Anne Hathaway, entre outros. Ele conta a hist&oacute;ria em que a Terra &eacute; um planeta devastado, onde os estudiosos de todas as &aacute;reas procuram mundos vi&aacute;veis &agrave; habitabilidade humana e que possa evitar a extin&ccedil;&atilde;o da Humanidade. A comunidade cient&iacute;fica acredita que a solu&ccedil;&atilde;o pode estar nas pontes de Einstein-Rosen (buracos negros), portais que possibilitam a liga&ccedil;&atilde;o entre mundos paralelos, independentemente da dist&acirc;ncia entre eles. E &eacute; assim que uma equipa de exploradores espaciais &eacute; enviada na miss&atilde;o mais importante da Hist&oacute;ria humana: entrar num desses portais e encontrar um mundo onde a vida possa prosseguir.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Um dos valores de maior refer&ecirc;ncia no filme &eacute; a forma como &eacute; apresentado o conceito de "Dila&ccedil;&atilde;o de Tempo" e as realidades paralelas que da&iacute; adv&ecirc;m. O exerc&iacute;cio de observa&ccedil;&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o da obra dos artistas, por si s&oacute;, s&atilde;o um desvelar da dicotomia temporal da rela&ccedil;&atilde;o entre duas dimens&otilde;es. Mais um conceito que se introduz na visualidade da representa&ccedil;&atilde;o procurada por Gabriel e Gilberto. Ao mesmo tempo que olhamos para a representa&ccedil;&atilde;o da natureza na parte superior da ilha, nunca perdemos a hist&oacute;ria apresentada no <i>Mundo Invertido</i> na parte inferior. Em simult&acirc;neo fazemos leituras, sem que nenhuma delas possa acontecer isoladamente.</p>     <p>Assim, Gabriel e Gilberto apresentam de forma sistem&aacute;tica e modular em cada uma das pe&ccedil;as, diferentes possibilidades de mundos paralelos nas suas cria&ccedil;&otilde;es pict&oacute;ricas, a partir dos meios operativos e processuais inerentes &agrave; pintura para a representa&ccedil;&atilde;o dos seus universos. No processo pict&oacute;rico visam sempre acentuar a import&acirc;ncia de um pensamento pl&aacute;stico e sistem&aacute;tico na cria&ccedil;&atilde;o das formas apresentadas, em intimidade com a racionaliza&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica e especula&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, contextualizando a intui&ccedil;&atilde;o e descoberta de novos significados na imagem retratada. Est&aacute; sempre latente a necessidade de criar uma l&oacute;gica conceptual e clara, criando sistemas percetivos caracterizados pela forma de manipular a ordem do entendimento dos diferentes n&iacute;veis de representa&ccedil;&atilde;o, gerindo e pensando na forma como devem ser apresentados, como dialogam entre si ou interagem com o observador.</p>     <p>O observador &eacute;, portanto, o respons&aacute;vel &uacute;ltimo da pr&oacute;pria representa&ccedil;&atilde;o/ interpreta&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Gabriel e Gilberto Cola&ccedil;o, nasceram em 1975 na Nazar&eacute; e s&atilde;o naturais de Benedita, Alcoba&ccedil;a. Atualmente Gabriel vive e trabalha em Alcoba&ccedil;a e Gilberto vive e trabalha em Lisboa. No ano de 2002 ambos conclu&iacute;ram o curso de Artes Pl&aacute;sticas &#8212; Pintura, na Faculdade de Belas Artes do Porto. E em 2005, efetuaram a p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Desenho na Faculdade de Belas Artes de Lisboa.</p>     <p>Desenvolvem o trabalho essencialmente sob o suporte do desenho, pintura e a instala&ccedil;&atilde;o, tendo como refer&ecirc;ncias e interesses, o retrato e a identidade, arquitetura, o espa&ccedil;o Natural e o espa&ccedil;o Humano.</p>     <p>Das v&aacute;rias exposi&ccedil;&otilde;es realizadas, destacam-se, 14 fragmentos contempor&acirc;neos II &#8212; Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador, Brasil (2005), Bios, Galeria Pedro Serrenho, Lisboa (2003), New Skins, Galeria Alvarez, Porto (2007) "Gabriel &amp; Gilberto Cola&ccedil;o + Nick Rodrigues", Rhys Gallery, Boston, EUA (2007), Large formats, Alejandra Von Hartz Gallery, Miami, EUA (2007), Sets #3 &#8212; Galeria Ramis Barquet, Nova Iorque, EUA e Monterrey, Mexico (2008), Start, Galeria Zaum Projects, Lisboa (2008), Abre-Alas, curadoria de Beatriz Lemos, Felipe Scovino, Guga Ferraz, Galeria A Gentil Carioca, Rio de Janeiro, Brasil (2010), 2View, Lugar do Desenho, Funda&ccedil;&atilde;o Julio Resende, Gondomar, Portugal (2013), Entre, Galeria Jaime Portas Vilaseca, Rio de Janeiro, Brasil (2013).</p>     <p>Destacam-se tamb&eacute;m alguns pr&eacute;mios ao longo do seu percurso, 1&ordm;. pr&eacute;mio &#8212; Concurso Nacional de Fotografia Casa da Juventude &#8212; P&oacute;voa de Varzim (2002), 1&ordm;. pr&eacute;mio de pintura, Aveiro jovem criador 2003, Aveiro (2003), 1&ordm;. pr&eacute;mio de PinturaIX Pr&eacute;mio de Pintura e Escultura D. Fernando II, Sintra (2005), 1&ordm;. pr&eacute;mio &#8212; Pr&eacute;mio de Pintura, Herdade do Espor&atilde;o e Di&aacute;rio de Not&iacute;cias (2005), 1&ordm;. pr&eacute;mio &#8212; "Arte e Espiritualidade", Minist&eacute;rio da Cultura, Cordoaria Nacional, Lisboa (2006).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Carrere, Alberto, Saborit, Jos&eacute;, <i>Ret&oacute;rica De La Pintura,</i> Madrid, C&aacute;tedra, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1458204&pid=S1647-6158201800010001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Felten, Peter (2008) <i>Visual Literacy</i>. Journal Of American History, Novembro/Dezembro, Vol 94 N&ordm;1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1458206&pid=S1647-6158201800010001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lyotard, Jean-Fran&ccedil;ois (1990), <i>O Inumano. Considera&ccedil;&otilde;es Sobre O Tempo</i>. Lisboa: Estampa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1458208&pid=S1647-6158201800010001000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Plat&atilde;o (2006) <i>A Rep&uacute;blica</i> (Livro Vii). S&atilde;o Paulo: Edipro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1458210&pid=S1647-6158201800010001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ponty, Merleau (1992) <i>O Olho E O Esp&iacute;rito.</i> Lisboa: Vega.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1458212&pid=S1647-6158201800010001000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Thorne, Kip (2014) <i>The Science Of Interstellar</i>. Nova Iorque: W.W.Norten &amp; Company.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1458214&pid=S1647-6158201800010001000006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Todorov<i>,</i> Tzvetan (1998) <i>Simbolismo E Interpreta&ccedil;&atilde;o</i>. P&oacute;voa Do Varzim: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1458216&pid=S1647-6158201800010001000007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Enviado a 03 de janeiro de 2018 e aprovado a 17 de janeiro de 2018</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:dianagodinhocosta@gmail.com"> dianagodinhocosta@gmail.com</a> (Diana Costa)</p>     ]]></body>
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