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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Cultura material, memória e identidade na obra de Josefina Guilisasti]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The text analyzes some projects of Josefina Gulisasti, a Chilean visual artist. Through still life painting or spaces of memory, the artist problematizes the connections between material culture, time, space and memory. These themes, considered "minor" by art history emerge as imagery realities able to summon technical, poetic, historical and ideological dimensions that configure painting as acritical space of reflection about past and present time.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Cultura material, mem&oacute;ria e identidade na obra de Josefina Guilisasti</b></p>     <p><b>Material culture, memory and identity in Josefina Guilisasti's work</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Teresa Matos Pereira*</b></p>     <p>*Portugal.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas Artes, Centro de investiga&ccedil;&atilde;o e Estudos em Belas Artes (FBAUL). Largo da Academia Nacional de Belas Artes 1249-058 Lisboa, Portugal. Instituto Polit&eacute;cnico de Lisboa (ESE-IPL) Escola Superior de Educa&ccedil;&atilde;o de Lisboa Centro Interdisciplinar de Estudos Educacionais. Estrada do Calhariz de Benfica, 1549-003 Lisboa.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b></p>     <p>O texto analisa alguns projetos desenvolvidos por Josefina Gulisasti, pela artista visual chilena. Atrav&eacute;s da pintura de natureza morta ou de espa&ccedil;os da mem&oacute;ria problematiza as liga&ccedil;&otilde;es entre cultura material, tempo, espa&ccedil;o e mem&oacute;ria. Estes temas, considerados "menores" pela hist&oacute;ria da arte, surgem como realidades imag&eacute;ticas capazes de convocar dimens&otilde;es de ordem t&eacute;cnica, po&eacute;tica, ideol&oacute;gica e hist&oacute;rica que configuram a pintura como espa&ccedil;o de reflex&atilde;o cr&iacute;tica acerca do passado e do presente.</p>     <p><b>Palavras chave:</b> Cultura material / mem&oacute;ria / natureza morta / museu / pilhagem.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b></p>     <p>The text analyzes some projects of Josefina Gulisasti, a Chilean visual artist. Through still life painting or spaces of memory, the artist problematizes the connections between material culture, time, space and memory. These themes, considered "minor" by art history emerge as imagery realities able to summon technical, poetic, historical and ideological dimensions that configure painting as acritical space of reflection about past and present time.</p>     <p><b>Keywords:</b> Material culture / memory / still life / museum / plunder.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Josefina Guilisasti (n. 1963 Santiago, Chile) estudou Pintura na Universidad do Chile entre 1981 e 1985. Na d&eacute;cada de 90 estuda cenografia no Teatro alla Scala em Mil&atilde;o e em 2012, hist&oacute;ria na Universidad Adolfo Ib&aacute;&ntilde;ez. Atrav&eacute;s da pintura, v&iacute;deo, instala&ccedil;&atilde;o e fotografia, a artista prop&otilde;e um cruzamento entre a praxis art&iacute;stica &#8212; compreendendo as quest&otilde;es da representa&ccedil;&atilde;o, da discursividade da imagem, da integra&ccedil;&atilde;o espacial, da rela&ccedil;&atilde;o entre o uno e o m&uacute;ltiplo &#8212; com a reflex&atilde;o em torno do <i>aesthetic locus</i>, do espa&ccedil;o do museu e das opera&ccedil;&otilde;es/estrat&eacute;gias de musealiza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A no&ccedil;&atilde;o central de "cultura material" surge na obra e Guilisasti como um n&oacute; de sentidos que vai sucessivamente sendo desfeito atrav&eacute;s de cada uma das s&eacute;ries de trabalhos que desenvolve desde o final da d&eacute;cada de 1990. Os objetos produzidos numa dada comunidade, que, em determinado momento da sua hist&oacute;ria, tornam tang&iacute;veis os modos de exist&ecirc;ncia vivencial poder&atilde;o, posteriormente ser alvo de sele&ccedil;&atilde;o, acervo, musealiza&ccedil;&atilde;o e exposi&ccedil;&atilde;o sendo-lhes acrescentado um valor, para l&aacute; do valor de uso, tornando-os objetos simb&oacute;licos. Por &uacute;ltimo, quando lhes &eacute; prestado um "culto", enquanto elementos representativos de culturas originais, tornam-se patrim&oacute;nio n&atilde;o s&oacute; de uma comunidade localizada mas da pr&oacute;pria humanidade.</p>     <p>&Eacute; precisamente no &acirc;mbito destas problem&aacute;ticas que Josefina Guilisasti prop&otilde;e uma reflex&atilde;o alargada onde as sucessivas releituras da natureza morta, do espa&ccedil;o do museu e do conceito de cole&ccedil;&atilde;o, possibilitam revelar as dimens&otilde;es pol&iacute;ticas, sociais e culturais que lhes est&atilde;o por vezes subentendidas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. A po&eacute;tica dos objetos quotidianos</b></p>     <p>A natureza morta, um g&eacute;nero que se afirmou na pintura holandesa do s&eacute;c. XVII possui um longo historial desde a antiguidade como assunto "menor", j&aacute; que se encontra nos ant&iacute;podas daquilo que o sistema ocidental valorizou enquanto imagem, espa&ccedil;o e tempo da arte. Ou seja n&atilde;o evoca o tempo hist&oacute;rico ou mitol&oacute;gico mas o tempo presente, do quotidiano, enquadra-se numa arquitetura dom&eacute;stica (muitas vezes em espa&ccedil;os de servi&ccedil;o) e n&atilde;o integra a representa&ccedil;&atilde;o do corpo humano na sua po&eacute;tica.</p>     <p>Ao abordar a pintura de natureza morta deparamo-nos com duas ordens de quest&otilde;es: por um lado a temporalidade na e da pintura e por outro a dimens&atilde;o "biogr&aacute;fica" dos objetos pintados.</p>     <p>Tal como o nome indica, trata-se de um g&eacute;nero de pintura marcada pela figura&ccedil;&atilde;o de objetos ou seres inanimados, evocando um intervalo de tempo suspenso, uma esp&eacute;cie de limbo. Frutos, flores, pe&ccedil;as de ca&ccedil;a, alimentos, objetos, etc. sofrem uma interrup&ccedil;&atilde;o temporal dos seus ciclos vitais ou de uso e apresentam-se, na imagem, congelados no momento (presente) subsequente &agrave; vida ou utiliza&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria (passado) e que antecede o ciclo de deteriora&ccedil;&atilde;o, desgaste e/ou desaparecimento (futuro). Estes elementos que comp&otilde;em a natureza morta constituem o momento ef&eacute;mero num ciclo temporal mais vasto e s&atilde;o a representa&ccedil;&atilde;o tem&aacute;tica da temporalidade na pintura. Contudo, se esta dimens&atilde;o tem&aacute;tica expressa o tempo na pintura n&atilde;o poderemos igualmente ignorar o tempo da pintura ou seja, a temporalidade implicada nos atos de realiza&ccedil;&atilde;o, observa&ccedil;&atilde;o/frui&ccedil;&atilde;o e leitura da obra e que, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, convocam aspetos de natureza t&eacute;cnica, compositiva e est&eacute;tica.</p>     <p>Se considerarmos uma dimens&atilde;o ontol&oacute;gica dos objetos representados na pintura, h&aacute;, na natureza morta, uma evoca&ccedil;&atilde;o mais ou menos indireta de <i>regimes de valor</i> e <i>sistemas classificat&oacute;rios</i> (Appadurai, 2008) que presidem &agrave; natureza das coisas (utilit&aacute;ria, simb&oacute;lica, etc.), circula&ccedil;&atilde;o no tempo e no espa&ccedil;o, bem como as suas modalidades de uso individual e coletivo. Contudo, a proximidade e evid&ecirc;ncia dos objetos quotidianos torna-os, paradoxalmente, presen&ccedil;as mudas, remetendo para um plano secund&aacute;rio as suas fun&ccedil;&otilde;es sociais e/ou simb&oacute;licas. Em larga medida, a pintura de natureza morta acabou por regatar do sil&ecirc;ncio estes objetos, provocando uma desloca&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito das fronteiras definidas pelos sistemas classificat&oacute;rios a que pertencem, e transpondo-os para o dom&iacute;nio dos temas art&iacute;sticos. Esta desloca&ccedil;&atilde;o, finalmente, n&atilde;o deixa de ser elucidativa quanto &agrave;s pr&oacute;prias din&acirc;micas sociais, culturais, art&iacute;sticas e hist&oacute;ricas que determinam as dimens&otilde;es intersubjetivas dos objetos, no fundo aquilo a que Igor Kopytoff, designou como "biografia cultural das coisas" (Kopytoff, 2008). Entre a utiliza&ccedil;&atilde;o quotidiana e o acervo museol&oacute;gico encontram-se processos de natureza social e simb&oacute;lica atrav&eacute;s dos quais os objetos s&atilde;o transpostos para uma categoria ic&oacute;nica capaz de legitimar conceitos, valores e identidade, assumidos por um determinado grupo social ou comunidade. Neste sentido, ao enveredar por uma abordagem &agrave; natureza morta (no sentido mais amplo do conceito), Josefina Guilisasti aprofunda um conjunto de problem&aacute;ticas correlacionadas, onde se cruzam aspetos de natureza cultural e pol&iacute;tica, que configuram a chamada "cultura material", bem como os paradigmas conceptuais/te&oacute;ricos que interligam os objetos e os seus contextos de exist&ecirc;ncia (contemplando a sua produ&ccedil;&atilde;o, circula&ccedil;&atilde;o, utiliza&ccedil;&atilde;o, ciclo de vida, acervo e exposi&ccedil;&atilde;o).</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>2. Deslocamentos</b></p>     <p>Assumindo a obra dos pintores S&aacute;nchez-Cot&aacute;n (1560&#8211;1627) e Giorgio Morandi (1890&#8211;1964) como refer&ecirc;ncias, Josefina Guilisasti desenvolve uma abordagem contempor&acirc;nea &agrave; modalidade da natureza morta entrecruzando-a com as dimens&otilde;es pol&iacute;ticas implicadas na defini&ccedil;&atilde;o e salvaguarda do patrim&oacute;nio, as opera&ccedil;&otilde;es e din&acirc;micas envolvidas na musealiza&ccedil;&atilde;o dos objetos ou a pr&oacute;pria dimens&atilde;o autorreferencial da pintura. Na obra <i>La Vigilia</i> de 2001 (<a href="#f1">Figura 1</a>) a artista realiza uma s&eacute;rie de 72 pinturas a &oacute;leo a partir de 12 objetos de cozinha em alum&iacute;nio (tachos, panelas, marmitas, chaleiras, frigideiras, &#8230;), apresentados em 6 posi&ccedil;&otilde;es diferentes, &agrave; escala real. A presen&ccedil;a silenciosa e s&oacute;bria de objetos de cozinha &eacute; meticulosamente representada atrav&eacute;s de um duplo <i>tromp l'oeil</i>: o da modela&ccedil;&atilde;o das formas e do espa&ccedil;o mas tamb&eacute;m o da prateleira onde s&atilde;o emolduradas as pinturas &#8212; como se de um escaparate se tratasse.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a11f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>As posi&ccedil;&otilde;es e a coloca&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o t&ecirc;m em considera&ccedil;&atilde;o o ponto a partir do qual ir&aacute; ser observada cada imagem, convocando um conceito de <i>site specific</i> ou pintura instalativa. Mais do que a representa&ccedil;&atilde;o ilusionista dos objetos, interessa a Josefina Guilisasti um olhar sobre uma materialidade pret&eacute;rita do conjunto de objetos que, no quotidiano assumem, nas palavras da artista, uma presen&ccedil;a afetiva, melanc&oacute;lica, e constituem-se enquanto registos de uma mem&oacute;ria coletiva, plasmada nas suas dimens&otilde;es antropol&oacute;gica, cultural, socioecon&oacute;mica e hist&oacute;rica. Mais do que registos de uma visualidade em estado puro, <i>La Vigilia</i>, evoca o ciclo de vida de um conjunto de objetos que, a partir da quotidianidade, integraram n&atilde;o s&oacute; um regime de valor e de uso enquanto mercadorias e pe&ccedil;as utilit&aacute;rias, mas tamb&eacute;m como s&iacute;mbolos de contesta&ccedil;&atilde;o politica. Na verdade a os tachos e panelas vazias tornaram-se &iacute;cones das marchas de protesto, (a "Marcha das Panelas Vazias"), primeiro na d&eacute;cada de 1970 contra Salvador Allende e na d&eacute;cada seguinte contra Augusto Pinochet.</p>     <p>A s&eacute;rie <i>Bodegones</i> de 2007 (<a href="#f2">Figura 2</a>) &eacute; composta por m&oacute;dulos em madeira subdivididos de forma assim&eacute;trica e que integram, ao todo, 125 pinturas a &oacute;leo, em diferentes formatos, com representa&ccedil;&otilde;es de p&aacute;ssaros de porcelana em diferentes posi&ccedil;&otilde;es. Uma vez mais, a escolha dos modelos representados recaiu sobre um conjunto de objetos que outrora era muito apreciado como elemento decorativo nos espa&ccedil;os dom&eacute;sticos e que acabaria por cair em desuso, permanecendo uma mem&oacute;ria melanc&oacute;lica da sua presen&ccedil;a. Aqui a "biografia social do objeto" cruza as dimens&otilde;es t&eacute;cnicas e est&eacute;ticas que est&atilde;o na base da classifica&ccedil;&atilde;o das artes decorativas. Por um lado, a pr&oacute;pria historicidade da circula&ccedil;&atilde;o e fabrico da porcelana (com origem na China e que s&oacute; no s&eacute;culo XVIII come&ccedil;a a ser fabricada na Alemanha e alvo de espionagem industrial); por outro lado, o estatuto das artes decorativas como "artes menores" que articulam as dimens&otilde;es funcional e est&eacute;tica.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a11f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A abordagem pict&oacute;rica realizada por Josefina Guilisasti, distingue-se pelo tratamento crom&aacute;tico e textural dos motivos pintados aos quais se acrescenta um cuidado na articula&ccedil;&atilde;o com espa&ccedil;o e com o observador. O tempo e o espa&ccedil;o da pintura cruzam-se aqui conjuntamente, de forma metaf&oacute;rica e de forma tang&iacute;vel. Na verdade, o realismo figurativo na representa&ccedil;&atilde;o das pe&ccedil;as, remete para uma matura&ccedil;&atilde;o demorada do ato pict&oacute;rico e para uma temporalidade gerada pela pintura que se estende igualmente ao ato de contempla&ccedil;&atilde;o. Aqui, a representa&ccedil;&atilde;o a partir de pontos de vista diferenciados, cria um jogo de perspetivas que convoca o observador a uma postura ativa na observa&ccedil;&atilde;o da obra.</p>     <p>Sobre a import&acirc;ncia da natureza morta no seu percurso, a artista refere,</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>    <p><i>As&iacute;, trabajar con el bodeg&oacute;n no pasa por la idea de estar al d&iacute;a, sino m&aacute;s bien de saber trabajar desde una econom&iacute;a de medios, para crear un estado de detenci&oacute;n: no ir con los tiempos sino en contra de ellos, de manera de crear una pintura que requiere de un tiempo (de contemplaci&oacute;n) y un espacio (de exhibici&oacute;n) particular para el espectador contempor&aacute;neo</i>. (Guilisasti, 2016)</p></blockquote>     <p>A problematiza&ccedil;&atilde;o dos sistemas de classifica&ccedil;&atilde;o dos objetos e as respetivas consequ&ecirc;ncias na atribui&ccedil;&atilde;o de um estatuto e valor pr&oacute;prios ser&aacute;, anos depois (em 2014) desenvolvida no projeto intitulado <i>Objetos Light</i> (<a href="#f3">Figura 3</a>) de 2014. Em <i>Objetos Light</i> a dessacraliza&ccedil;&atilde;o do objeto de exce&ccedil;&atilde;o e a problematiza&ccedil;&atilde;o das categorias como a de "artes decorativas" e "arte erudita", assume um sentido ir&oacute;nico. A s&eacute;rie &eacute; composta por 60 r&eacute;plicas de pe&ccedil;as de porcelana (jarros, esculturas de animais, ta&ccedil;as, ch&aacute;venas, &#8230;) feitas em silicone branco que, quando atiradas ao ch&atilde;o n&atilde;o se quebram. Estas pe&ccedil;as foram expostas no Museu de Artes Decorativas de Santiago no espa&ccedil;o das vitrinas, de modo a estabelecer um di&aacute;logo com as pe&ccedil;as da cole&ccedil;&atilde;o. Nesta s&eacute;rie, o ilusionismo da representa&ccedil;&atilde;o pict&oacute;rica, cede lugar &agrave; tridimensionalidade e a volumetria despida da obra, estabelece um contraponto com a ornamenta&ccedil;&atilde;o das pe&ccedil;as originais, problematizando as categorias como por exemplo a de "arte decorativa", como categoria subalternizada, por oposi&ccedil;&atilde;o a "arte erudita".</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a11f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Ao mesmo tempo a pintura de natureza morta &eacute; mobilizada pela artista como forma de problematizar os regimes de visualidade atrav&eacute;s do confronto entre figura&ccedil;&atilde;o, representa&ccedil;&atilde;o e <i>mimesis</i> como princ&iacute;pios basilares da hist&oacute;ria da pintura ocidental.</p>     <p>Para Ranci&eacute;re, a <i>mimesis</i> n&atilde;o &eacute; tanto um sistema que preside &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de imagens veros&iacute;meis face a um dado modelo, mas antes um "regime de visibilidade das artes" (Ranci&eacute;re:2005, 31) que determinando modos de fazer, estabelece um primado da representa&ccedil;&atilde;o, da narratividade e da hierarquiza&ccedil;&atilde;o dos g&eacute;neros art&iacute;sticos. Convocando precisamente estes c&oacute;digos visuais &eacute; poss&iacute;vel questionar as estruturas de pensamento que lhes est&atilde;o subjacentes.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Do Ex&oacute;tico</b></p>     <p>A liga&ccedil;&atilde;o entre a no&ccedil;&atilde;o de curiosidade ex&oacute;tica e cultura material &eacute; aprofundada nas s&eacute;ries <i>Souvenir</i> (2010) e <i>Souvenir II</i> (2013) de uma forma que poderemos considerar dupla. Por um lado a mimetiza&ccedil;&atilde;o de imagens que remetem para a paisagem, fauna, flora, sociedades humanas atrav&eacute;s de uma linguagem pict&oacute;rica que oscila entre a evoca&ccedil;&atilde;o do ornamento e o desenho cient&iacute;fico. Por outro, a integra&ccedil;&atilde;o destas imagens em representa&ccedil;&otilde;es de quadros com pe&ccedil;as de porcelana (ta&ccedil;as, jarros, na primeira s&eacute;rie de 2010) ou de pratos (na s&eacute;rie de 2013), numa nova alus&atilde;o &agrave; porcelana, o "ouro branco", que se constituiu como um exemplo de mercadoria ex&oacute;tica e objeto de desejo para a sociedade europeia dos s&eacute;culos XVII e XVIII. H&aacute; assim uma dupla alus&atilde;o &agrave; apet&ecirc;ncia pelo ex&oacute;tico e de como esta modelou a perce&ccedil;&atilde;o ocidental acerca das sociedades amer&iacute;ndias, revelando simultaneamente, os seus fantasmas internos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A s&eacute;rie <i>Souvenir</i> de 2010 (<a href="#f4">Figura 4</a>) toma como refer&ecirc;ncia a segunda viagem do HMS Beagle onde participa Charles Darwin. Nesta viagem seguiam igualmente tr&ecirc;s nativos que o capit&atilde;o Robert Fitzroy havia levado para Inglaterra tr&ecirc;s anos antes, com destaque para o jovem Jemmy Button da etnia Yamana da Terra do Fogo. Em 1833 Darwin contata diretamente com os Yamana tecendo um conjunto de considera&ccedil;&otilde;es de teor bastante pejorativo e que marcariam a vis&atilde;o europeia acerca das popula&ccedil;&otilde;es do sul do continente americano com destaque para as sociedades fueguinas. Na verdade classifica os Yamana como seres mais pr&oacute;ximos do animal do que do humano, uma esp&eacute;cie de curiosidade antropol&oacute;gica, dado o seu estado de primitividade, prenunciando aquilo que no final do s&eacute;culo seriam os zoos humanos em muitas das capitais europeias.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a11f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Nesta s&eacute;rie de trabalhos Josefina Guilisasti, utiliza uma estrat&eacute;gia de representa&ccedil;&atilde;o da imagem dentro da imagem, atrav&eacute;s da pintura de molduras em <i>tromp l'oeil</i> que delimitam a representa&ccedil;&atilde;o de naturezas mortas onde, em pe&ccedil;as de porcelana, surgem desenhos realizados a partir de ilustra&ccedil;&otilde;es feitas por Darwin e outros autores a partir dos seus relatos de viagem.</p>     <p>Em 2013 a artista voltar&aacute; a esta tem&aacute;tica com a s&eacute;rie <i>Souvenirs II</i> (<a href="#f5">Figura 5</a>) a qual explorando composi&ccedil;&atilde;o em <i>tromp l'oeil</i>, apropria um conjunto de imagens produzidas por artistas europeus que retratam algumas sociedades amer&iacute;ndias e sobretudo a sociedade esclavagista do Brasil no in&iacute;cio do s&eacute;culo XIX.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a11f5.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>As imagens retiradas da obra de pintores como Jean Baptiste Debret (17681848), Henry Chamberlain (1796-1844), Jos&eacute; Maria de Mendeiros (1849-1925), Friedrich Hagedorn (1814-1889), Thomas Ender (1793-1875), entre outros, s&atilde;o inseridas em pinturas de pratos de porcelana como se de elementos decorativos se tratassem.</p>     <p>A transposi&ccedil;&atilde;o destas imagens para pe&ccedil;as de porcelana, que, por sua vez s&atilde;o representadas em pintura, constituem-se como estrat&eacute;gias de acentua&ccedil;&atilde;o do sentido objetual a que foram remetidas as pr&oacute;prias sociedades n&atilde;o ocidentais. Na verdade, estas sociedades, reduzidas pelos exploradores &agrave; categoria de curiosidade ex&oacute;tica, seriam mais tarde (s&eacute;c.XIX) objeto de "cole&ccedil;&atilde;o" e exibi&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>4. Despojos</b></p>     <p>O conjunto de quatro telas de grandes dimens&otilde;es que comp&otilde;em a s&eacute;rie <i>Expolio</i> (2016) realizadas em conjunto com Diego Mart&iacute;nez y Francisco Uzabeaga remetem para a problem&aacute;tica da destrui&ccedil;&atilde;o e saque de bens culturais em contextos de conflito ou de domina&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Nestas pinturas monocrom&aacute;ticas est&atilde;o representadas a Igreja de Elligen, Museu Hermitage, a Grande Mesquita de Alepo e a antiga cidade romana de Apamea, na S&iacute;ria como imagens ic&oacute;nicas da pilhagem e destrui&ccedil;&atilde;o de bens culturais que, ao mesmo tempo problematizam os princ&iacute;pios basilares da atribui&ccedil;&atilde;o de um valor patrimonial, hist&oacute;rico e identit&aacute;rio &agrave;s obras de arte, e o seu valor enquanto mem&oacute;ria coletiva.</p>     <p>A artista apropria-se de uma imagem de uma igreja de Elligen (<a href="#f6">Figura 6</a>) como s&iacute;mbolo das pilhagens levadas a cabo pelos nazis durante a II Guerra Mundial, que despertaram a aten&ccedil;&atilde;o do mundo para o flagelo do roubo de arte em grande escala. Na pintura est&aacute; representada uma igreja onde os soldados aliados encontraram, em 1945, um vasto esp&oacute;lio composto por pe&ccedil;as de arte, m&oacute;veis e tape&ccedil;arias. Estas pe&ccedil;as haviam sido roubadas pelos nazis durante a invas&atilde;o da Fran&ccedil;a e da Holanda.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a11f6.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Uma imagem do Museu Hermitage (<a href="#f7">Figura 7</a>) com as galerias da arte flamenga do s&eacute;c. XVIII, quase totalmente esvaziada, para evitar a pilhagens, aquando da imin&ecirc;ncia da invas&atilde;o nazi, durante o cerco de 1941-1944.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f7"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a11f7.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Um salto no tempo e a mesma problem&aacute;tica informam as outras duas telas. Ambas se referem &agrave; destrui&ccedil;&atilde;o e pilhagem de vest&iacute;gios hist&oacute;ricos no territ&oacute;rio s&iacute;rio desde que eclodiu a guerra civil em 2011. Assim a primeira evoca a destrui&ccedil;&atilde;o, em 2013 do minarete da Grande Mesquita de Alepo na S&iacute;ria (<a href="#f8">Figura 8</a>), e a segunda, uma imagem de sat&eacute;lite, (tamb&eacute;m de 2013) da cidade romana de Apamea (<a href="#f9">Figura 9</a>), mostra centenas de escava&ccedil;&otilde;es ilegais no s&iacute;tio arqueol&oacute;gico, com vista ao roubo e venda de pe&ccedil;as antigas no mercado negro.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f8"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a11f8.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f9"><img src="/img/revistas/est/v9n21/9n21a11f9.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>No conjunto, estas obras, situadas numa linha temporal que vai de 1941 a 2013, constituem uma abordagem cr&iacute;tica, a partir da linguagem da pintura (aqui elevada a uma escala monumental) das din&acirc;micas que suportam a constitui&ccedil;&atilde;o das cole&ccedil;&otilde;es museol&oacute;gicas (muitas vezes derivadas de saques de guerra), da precariedade que envolve a salvaguarda de bens patrimoniais, bem como da sua import&acirc;ncia enquanto presen&ccedil;as cujo valor simb&oacute;lico (muito al&eacute;m do quantific&aacute;vel valor econ&oacute;mico) &eacute; universalmente partilhado, como marca identit&aacute;ria da humanidade. Na verdade, a pr&oacute;pria designa&ccedil;&atilde;o do projeto, <i>Expolio</i>, remete para as din&acirc;micas hist&oacute;ricas e politicas que est&atilde;o na base da cria&ccedil;&atilde;o das cole&ccedil;&otilde;es, da atribui&ccedil;&atilde;o de um determinado valor de culto aos objetos de arte que os torna simultaneamente, s&iacute;mbolos de poder (e motivo de cobi&ccedil;a) e de sofrimento (ao evocar a perda da mem&oacute;ria e identidade coletivas ou da pr&oacute;pria vida em conflitos armados). A escolha do local para expor estas obras procurou acentuar a dimens&atilde;o cr&iacute;tica da pintura e subsequentemente da obra de arte, como refere a artista:</p>     <blockquote>    <p>(&#8230;) <i>nos interes&oacute; poner en contexto la p&eacute;rdida de su valor como memoria colectiva y a su vez ampliar el propio sentido de la recuperaci&oacute;n de la memoria en su dimensi&oacute;n patrimonial. Es por esto que el Museo de la Memoria y los Derechos Humanos fue un lugar &oacute;ptimo para favorecer una interlocuci&oacute;n apropiada.</i></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota Final</b></p>     <p>Ao longo do seu percurso art&iacute;stico Josefina Guilisasti, procurou alicer&ccedil;ar a pintura enquanto linguagem cr&iacute;tica no &acirc;mbito da qual a natureza morta, entendida nas suas m&uacute;ltiplas dimens&otilde;es (e n&atilde;o apenas como g&eacute;nero pict&oacute;rico, historicamente datado) surge como uma esp&eacute;cie de palimpsesto onde se v&atilde;o inscrevendo um conjunto de abordagens que cruzam a tempos e regimes de valor implicados na cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica e julgamento est&eacute;tico.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Atrav&eacute;s de modalidades, consideradas at&eacute; dada altura como" menores" (natureza-morta, artes decorativas, pintura de costumes&#8230;.) a artista prop&otilde;e uma ampla reflex&atilde;o acerca das din&acirc;micas hist&oacute;ricas, sociais, ideol&oacute;gicas e culturais que se encontram na g&eacute;nese do colecionismo, da hierarquiza&ccedil;&atilde;o das categorias art&iacute;sticas, da atribui&ccedil;&atilde;o de valores (est&eacute;ticos, art&iacute;sticos, econ&oacute;micos, antropol&oacute;gicos, etc.) mas tamb&eacute;m da mem&oacute;ria e da identidade que est&atilde;o associadas ao consumo, uso/frui&ccedil;&atilde;o e acervo de v&aacute;rias categorias de objetos.</p>     <p>O espa&ccedil;o do Museu, considerado na sua polissemia, &eacute;, finalmente, convocado pela artista, n&atilde;o s&oacute; enquanto <i>aesthetic locus</i> por excel&ecirc;ncia mas tamb&eacute;m como espa&ccedil;o de coexist&ecirc;ncia de temporalidades heterog&eacute;neas, onde podem ser reequacionadas as dimens&otilde;es sociais, ideol&oacute;gicas, politicas e culturais inerentes ao resgate da mem&oacute;ria e identidade coletivas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Alvarado, Manuel (2016). "Expolio, una mirada desde la pintura al robo de obras de arte". In <i>Expolio</i>. Santiago: Museo de la Memoria y los Derechos Humanos&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1458321&pid=S1647-6158201800010001100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Appadurai, Arjun (2008) <i>A vida Social das Coisas. As mercadorias sob uma perspectiva cultural</i>. Niter&oacute;i: Editora da Universidade Federal Fluminense&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1458322&pid=S1647-6158201800010001100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Guilisasti, Josefina (2016) Entrevista. In Taulis, Ant&oacute;nia. <i>Josefina Guilisasti. La resignificaci&oacute;n de la pintura</i>. Artishock Revista. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://artishockrevista.com/2016/06/03/josefina-guilisasti-la-resignificacion-de-la-pintura/" target="_blank">http://artishockrevista.com/2016/06/03/josefina-guilisasti-la-resignificacion-de-la-pintura/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1458323&pid=S1647-6158201800010001100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Kopytoff, Igor (2008). "A Biografia Cultural das Coisas: a mercantiliza&ccedil;&atilde;o como processo". In Appadurai, Arjun. <i>A vida Social das Coisas. As mercadorias sob uma perspectiva cultural.</i> Niter&oacute;i: Editora da Universidade Federal Fluminense&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1458324&pid=S1647-6158201800010001100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ranci&eacute;re, Jacques (2005). <i>A Partilha do Sens&iacute;vel</i>. S. Paulo: Editora 34, Lda.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1458325&pid=S1647-6158201800010001100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Rojas, Sergio (2016)."Arte y expolio: la humanidad como memoria". In <i>Expolio</i>. Santiago: Museo de la Memoria y los Derechos Humanos&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1458327&pid=S1647-6158201800010001100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Enviado a 03 de janeiro de 2018 e aprovado a 17 de janeiro de 2018</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:tpereira@eselx.ipl.pt">tpereira@eselx.ipl.pt</a> (Teresa Matos Pereira)</p>      ]]></body><back>
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