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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A pele bordada, o corpo presente e o tempo tangível na obra de Ana Teresa Barboza]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper presents an approach to the artistic career of Ana Teresa Barboza that since 2004 combines textile techniques of embroidery, crochet or weave with photography, drawing and installation. Deepening the links between fabric / skin, embroidery and body (understood in its biological, psychological, social and performative dimensions) or exploring the dichotomy between artificial structures (of manual manufacture) and the natural / organic structures the artist addresses a set of questions of genre, status as well as the time's inscription in artwork.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>A pele bordada, o corpo presente e o tempo tang&iacute;vel na obra de Ana Teresa Barboza</b></p>     <p><b>The Embroidered Skin, Body and tangible time in Ana Teresa Barboza work</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Teresa Matos Pereira*</b></p>     <p>*Portugal, artista pl&aacute;stica.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Instituto Polit&eacute;cnico de Lisboa, Escola Superior de Educa&ccedil;&atilde;o (ESE-IPL), Estrada do Calhariz de Benfica, 1549-003 Lisboa, Portugal. Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas Artes, Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e Estudos em Belas Artes. Largo da Academia Nacional de Belas Artes 14, 1200-005 Lisboa, Portugal.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b></p>     <p>Este texto apresenta uma abordagem ao percurso art&iacute;stico de Ana Teresa Barboza que, desde 2004 conjuga as t&eacute;cnicas t&ecirc;xteis do bordado, do crochet ou da tecelagem com a fotografia, o desenho e a instala&ccedil;&atilde;o. Aprofundando as liga&ccedil;&otilde;es entre tecido/pele, bordado e corpo (entendido nas suas dimens&otilde;es biol&oacute;gicas, psicol&oacute;gicas, sociais e perform&aacute;ticas) ou explorando a dicotomia entre estruturas artificiais (de fabrico manual) e as estruturas naturais/org&acirc;nicas a artista interpela um conjunto de quest&otilde;es de g&eacute;nero, de estatuto bem com a inscri&ccedil;&atilde;o do tempo na obra de arte.</p>     <p><b>Palavras chave:</b> Arte t&ecirc;xtil / bordado / corpo / tempo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b></p>     <p>This paper presents an approach to the artistic career of Ana Teresa Barboza that since 2004 combines textile techniques of embroidery, crochet or weave with photography, drawing and installation. Deepening the links between fabric / skin, embroidery and body (understood in its biological, psychological, social and performative dimensions) or exploring the dichotomy between artificial structures (of manual manufacture) and the natural / organic structures the artist addresses a set of questions of genre, status as well as the time's inscription in artwork.</p>     <p><b>Keywords:</b> Textile art / embroidery / body / time.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ana Teresa Barboza (n. 1981, Lima, Chile) estudou Pintura na Faculdad de Arte de la Pontificia Universidad Cat&oacute;lica do Per&uacute; entre 1999 e 2004. Para al&eacute;m do percurso desenvolvido enquanto artista pl&aacute;stica, Ana Teresa Barboza, desenvolveu igualmente uma atividade no &acirc;mbito do design de vestu&aacute;rio.</p>     <p>A utiliza&ccedil;&atilde;o do t&ecirc;xtil como suporte pl&aacute;stico, designadamente a conjuga&ccedil;&atilde;o do bordado com outras modalidades como a fotografia, a colagem, o desenho, a performance ou a instala&ccedil;&atilde;o assume-se como eixo central dos seus processos criativos. O t&ecirc;xtil permite &#8212; lhe, por um lado, a explorar os limites das t&eacute;cnicas que lhe est&atilde;o associadas e, por outro, problematizar um conjunto de modalidades de representa&ccedil;&atilde;o e discursividade quer em termos do formalismo da imagem, quer no &acirc;mbito do significado.</p>     <p>As t&eacute;cnicas t&ecirc;xteis, nomeadamente o bordado, encontram-se associadas a um conjunto de significados onde a imagem da mulher e o discurso acerca da condi&ccedil;&atilde;o feminina se cruzam num espetro de subalterniza&ccedil;&atilde;o e invisibilidade que se estende igualmente &agrave;s pr&oacute;prias modalidades art&iacute;sticas (consideradas como "artes menores", "artesanato", "artes aplicadas "ou "artes decorativas") e remetidas para uma esfera da domesticidade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Ornamenta&ccedil;&atilde;o e subalternidade</b></p>     <p>O modelo de uma sociedade patriarcal, que domina as constru&ccedil;&otilde;es socio culturais ocidentais encontra-se na base de uma invisibilidade e subalterniza&ccedil;&atilde;o da atividade art&iacute;stica da mulher. Esta subalterniza&ccedil;&atilde;o reside num mesmo sistema de valores que determinou a hierarquia entre "artes maiores" e "artes menores", entre "arte erudita" e "arte popular", dicotomias estruturantes da pr&oacute;pria hist&oacute;ria da arte ocidental. Neste sentido, atrav&eacute;s do discurso hist&oacute;rico, as modalidades ligadas ao t&ecirc;xtil como o bordado, a costura, a tecelagem, consideradas "menores" ou integradas no &acirc;mbito das "artes aplicadas" ou "decorativas" foram, ami&uacute;de, consideradas lavor feminino, interligando arte e g&eacute;nero de forma indel&eacute;vel. Na verdade, a arte do bordado (com uma express&atilde;o particularmente importante a partir das civiliza&ccedil;&otilde;es agr&aacute;rias das margens do Tigre e do Eufrates) apenas conheceu no final do s&eacute;culo XVIII a sua primeira apari&ccedil;&atilde;o numa exposi&ccedil;&atilde;o. Em 1798 Mary Linwood mostra, Londres, (Hanover Square Rooms) as c&oacute;pias, &agrave; escala real, de imagens da pintura de mestres como Gainsborough ou Raynolds. Apesar de lhe ser reconhecido um cunho art&iacute;stico, n&atilde;o deixava de ser uma forma "decorativa" e por isso, desprovida de um envolvimento intelectual, e remetida apenas para uma dimens&atilde;o manual.</p>     <p>Tomando como ponto de partida a associa&ccedil;&atilde;o estabelecida pela historiografia entre t&ecirc;xtil/g&eacute;nero/"arte menor", algumas artistas, sobretudo a partir das d&eacute;cadas de 1960 e 1970, ir&atilde;o resgatar o t&ecirc;xtil (e as t&eacute;cnicas a ele associadas) reconfigurando o seu <i>modus operandi</i> e conferindo-lhe um especial protagonismo como espa&ccedil;o de interven&ccedil;&atilde;o simultaneamente art&iacute;stica, social, cultural e pol&iacute;tica. Associada ao movimento feminista, a evoca&ccedil;&atilde;o do universo t&ecirc;xtil assumiu-se por um lado como forma de exprimir uma subjetividade feminina, apresentando-se um espa&ccedil;o politicamente subversivo. Por outro lado, possibilitou colocar no mesmo n&iacute;vel arte e artesanato, afastando-se do antagonismo entre "arte erudita" e "arte decorativa". Atualmente artistas como Rayna Fahey atrav&eacute;s do <i>Radical Cross Stitch</i> ou Julie Jackson (<i>Subversive Cross-Stitch</i>) desenvolveram plataformas de interven&ccedil;&atilde;o onde, atrav&eacute;s do bordado e do artesanato, desafiam paradigmas sociais estabelecidos, designadamente o machismo entranhado nos movimentos neocolonialistas, belicistas e mesmo anticapitalistas, lembrando uma hist&oacute;ria de resist&ecirc;ncia criativa narrada no feminino.</p>     <p>Ana Teresa Barboza aflora, atrav&eacute;s do seu trabalho algumas destas quest&otilde;es nomeadamente o estatuto do trabalho artesanal atrav&eacute;s do recurso a t&eacute;cnicas manuais como o crochet, o bordado ou a cestaria, a associa&ccedil;&atilde;o entre o t&ecirc;xtil e um universo feminino, marcado pela dimens&atilde;o dom&eacute;stica ou meramente utilitarista. &Agrave;s possibilidades de transforma&ccedil;&atilde;o dos materiais atrav&eacute;s da manipula&ccedil;&atilde;o manual ou adi&ccedil;&atilde;o de mais camadas de sentido &agrave; imagem, junta-se uma associa&ccedil;&atilde;o que a artista estabelece entre os processos de trabalho artesanal e os processos de crescimento natural. Ou seja, a utiliza&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicas que envolvem entrela&ccedil;amento ou acr&eacute;scimo de mat&eacute;ria atrav&eacute;s de camadas sucessivas possibilitam a cria&ccedil;&atilde;o de estruturas semelhantes aos tecidos vegetais, mimetizando os processos de crescimento natural e integrando o tempo como subst&acirc;ncia tang&iacute;vel na obra de arte. Desde 2004, Ana Teresa Barboza desenvolve um conjunto de projetos que, de forma subtil, v&atilde;o problematizando estas quest&otilde;es bem como uma rela&ccedil;&atilde;o entre corpo, g&eacute;nero e viol&ecirc;ncia, paisagem e representa&ccedil;&atilde;o ou puxando as fronteiras da arte t&ecirc;xtil para uma dimens&atilde;o autorreferencial. Apropriando-se de um <i>modus operandi</i>, intr&iacute;nseco ao t&ecirc;xtil e atendendo a quest&otilde;es de natureza t&eacute;cnica e imag&eacute;tica (incluindo nas sua composi&ccedil;&otilde;es alguns motivos "decorativos"), invoca, atrav&eacute;s deste meio um conjunto de sentidos capazes de reequacionar as liga&ccedil;&otilde;es entre tradi&ccedil;&atilde;o e contemporaneidade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. A Pele dilacerada</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nas pe&ccedil;as bordadas realizadas entre 2004 e 2008 a artista prop&otilde;e (auto)representa&ccedil;&otilde;es do corpo onde o ato de bordar assume uma ambiguidade que oscila entre a auto mutila&ccedil;&atilde;o e a sutura&ccedil;&atilde;o/repara&ccedil;&atilde;o de uma ferida. Aqui, a evoca&ccedil;&atilde;o de um corpo autopoietico (Maturana &amp; Varela:1997), possibilita, num primeiro momento, explorar um feixe de sentidos metaf&oacute;ricos associados &agrave; dimens&atilde;o epid&eacute;rmica que recobre o corpo. Ou seja, a ideia de pele enquanto lugar da experi&ecirc;ncia no mundo, o primeiro interface entre o Ser e o Outro, onde s&atilde;o gravadas os tra&ccedil;os particulares do tempo vivencial. Esta singularidade inerente a cada hist&oacute;ria de vida permite &agrave; artista transportar para a obra uma dimens&atilde;o autobiogr&aacute;fica. A pele adornada, ferida, dilacerada ou suturada n&atilde;o &eacute; apenas uma membrana que recobre os v&aacute;rios &oacute;rg&atilde;os, mas espa&ccedil;o multissensorial e multidimensional onde o sentido t&aacute;ctil assume um protagonismo que atravessa a dimens&atilde;o conceptual, material e t&eacute;cnica da obra.</p>     <p>Atrav&eacute;s da conjuga&ccedil;&atilde;o entre a fotografia e o bordado a artista encena um conjunto de autorretratos onde o ato de bordar evoca a experi&ecirc;ncia dolorosa de romper a pele. Nestas obras a evoca&ccedil;&atilde;o da pele assume-se como met&aacute;fora que, &agrave; semelhan&ccedil;a do conceito de Eu-pele (<i>Moi-peau</i>), teorizado pelo psicanalista Didier Anzieu (1995), interliga as dimens&otilde;es ps&iacute;quica, org&acirc;nica e social a partir de uma rela&ccedil;&atilde;o com o Outro, estabelecida, primeiramente, pela via sensorial. A pele surge assim como fronteira entre um Eu-ps&iacute;quico e um Eu-corpo, um Eu-realidade e um Eu-idealizado, assumindo uma verdadeira fun&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel ps&iacute;quico que possibilita os processos de demarca&ccedil;&atilde;o, modera&ccedil;&atilde;o, media&ccedil;&atilde;o e inscri&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A s&eacute;rie de <i>Bordados</i> (<a href="#f1">Figura 1</a> e <a href="#f2">Figura 2</a>), evocam<i>,</i> num primeiro momento, um Eu-pele que se transforma em Eu-corpo quando o bordado deixa de ser camada d&eacute;rmica, ornamento tatuado que mescla forma e fundo e assume uma dimens&atilde;o mais visceral. Neste caso, dilacerando a membrana exterior, o bordado deixa antever os &oacute;rg&atilde;os internos que, em algumas pe&ccedil;as s&atilde;o extra&iacute;dos para fora desse corpo. O bordado perde ent&atilde;o o sentido amb&iacute;guo dado pela delicadeza e preciosismo dos elementos florais e ganha um <i>pathos</i> onde a dor e a crueldade evocam simultaneamente um Eu-ps&iacute;quico. A automutila&ccedil;&atilde;o como forma de catalisar e aliviar uma dor emocional e a ideia de cura s&atilde;o assim transpostas para uma linguagem pl&aacute;stica onde o contacto direto com a mat&eacute;ria mimetiza o ato de autoinfligir a dor ou, inversamente, o de suturar uma ferida e restaurar o tecido rasgado. A tens&atilde;o psicol&oacute;gica ser&aacute; explorada sob outra dimens&atilde;o na s&eacute;rie "<i>animales familiares</i>" (<a href="#f3">Figura 3</a> e <a href="#f4">Figura 4</a>) iniciada em 2011. Aqui a figura humana interage com animais, em situa&ccedil;&otilde;es de agress&atilde;o, conflito latente ou de sedu&ccedil;&atilde;o que em larga medida, espelham as pr&oacute;prias rela&ccedil;&otilde;es humanas. Visualmente as obras destacam-se pela linearidade do desenho da figura humana e de um certo decorativismo do bordado e remetem, numa perspetiva conceptual, para uma evoca&ccedil;&atilde;o das puls&otilde;es vitais atrav&eacute;s da viol&ecirc;ncia e do erotismo &#8212; expondo um lado instintivo, pulsional, abafado pela epiderme da vida em sociedade; um Eu-pele em tens&atilde;o com o <i>ethos</i> social onde a agressividade e o afeto mediam as rela&ccedil;&otilde;es entre o Eu e o Outro.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v9n22/9n22a10f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v9n22/9n22a10f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v9n22/9n22a10f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v9n22/9n22a10f4.jpg"></a>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>3. O corpo presente</b></p>     <p>A liga&ccedil;&atilde;o do t&ecirc;xtil com o corpo ser&aacute; aprofundada num projeto desenvolvido no ano de 2009 onde Ana Teresa Barboza assume como ponto de partida as potencialidades de socializa&ccedil;&atilde;o do vestu&aacute;rio, criando pe&ccedil;as de vestir para dois corpos, intituladas "<i>prendas parados</i>" (<a href="#f5">Figura 5</a>). Estas s&oacute; assumem uma forma tridimensional quando vestidas e integram um conjunto de sentidos que remetem para as liga&ccedil;&otilde;es entre individual e coletivo, a partir da performatividade do vestu&aacute;rio. Nestas, mais do que um corpo individual, a artista evoca a cria&ccedil;&atilde;o de um corpo socializado onde o ato de vestir assume uma import&acirc;ncia fundamental nos c&oacute;digos corporais. Na verdade, a rela&ccedil;&atilde;o entre Ana Teresa Barboza e a cria&ccedil;&atilde;o de pe&ccedil;as de vestu&aacute;rio vem desde a adolesc&ecirc;ncia quando aprende a costurar com a av&oacute;, tendo criado, ap&oacute;s a forma&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica, uma marca pr&oacute;pria de design de vestu&aacute;rio.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v9n22/9n22a10f5.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Em <i>prendas para dos</i> o vestu&aacute;rio assume-me como forma de comunica&ccedil;&atilde;o (na linha de pensamento de Umberto Eco em <i>Psicologia do Vestir</i>) e n&atilde;o s&oacute; como superf&iacute;cie de prote&ccedil;&atilde;o do corpo, configurando aquilo a que a artista designa por "modos de Vestir" ou seja, condutas de vestu&aacute;rio, socialmente e culturalmente enquadradas.</p>     <p>Os c&oacute;digos de vestu&aacute;rio s&atilde;o dissecados atrav&eacute;s da alus&atilde;o a todo o processo de medi&ccedil;&atilde;o do corpo (tomada de medidas), instrumentos de trabalho, desenho e confe&ccedil;&atilde;o das pe&ccedil;as atrav&eacute;s de t&eacute;cnicas manuais de costura (na s&eacute;rie de 12 pe&ccedil;as bordadas, intituladas <i>Instrucciones</i> que acompanham as pe&ccedil;as de vestir). Finalmente o conjunto &eacute; completado com imagens fotogr&aacute;ficas das pe&ccedil;as vestidas e uma performance.</p>     <p>O ato de vestir transforma-se, num primeiro momento, num ato perform&aacute;tico, onde a experi&ecirc;ncia corporal do vestir perfaz a consuma&ccedil;&atilde;o da obra. Lembrando o conceito de objeto relacional de Lygia Clark, Ana Teresa Barboza cria um conjunto de objetos de vestir que, mais do que esculturas t&ecirc;xteis, constituem-se antes como pe&ccedil;as perform&aacute;ticas cuja discursividade reside na ambival&ecirc;ncia entre a presen&ccedil;a e a aus&ecirc;ncia dos corpos que as habitam (mesmo que s&oacute; em pot&ecirc;ncia), bem como na ambiguidade entre familiaridade e estranheza. Nas palavras de Sharon Lerner tratam-se de "h&iacute;bridas prendas de vestir que indagan en las distintas posibilidades del vestido como elemento de socializaci&oacute;n y que, en conjunto, funcionan como una alegor&iacute;a del propio cuerpo" (Lerner, 2009).</p>     <p>Na verdade s&atilde;o uma esp&eacute;cie de extens&atilde;o do corpo que depende de um outro para se completar, para tomar forma; traduz uma met&aacute;fora do pr&oacute;prio tecido social que, embora constitu&iacute;do por c&eacute;lulas individuais, apenas possui uma exist&ecirc;ncia enquanto entidade coletiva.</p>     <p><b>4. O Tempo Tang&iacute;vel</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ana Teresa Barboza compara o trabalho com o t&ecirc;xtil aos ritmos de crescimento das plantas onde as t&eacute;cnicas de entrela&ccedil;ar ou acrescentar camadas epid&eacute;rmicas atrav&eacute;s do bordado, mimetizam as pr&oacute;prias estruturas naturais; o processo artesanal aproxima-se assim dos processos naturais. Numa entrevista ao site textileartist.org refere:</p>     <blockquote>    <p><i>Now I'm interested in embroidery and knitting in order to make a parallel between the process of handcraft and the process of nature. Creating structures with threads similar to the tissues ofaplant for example. The knitting in the work forces us to change our view of nature, and explore its structures and processes</i> (Barboza, 2015)</p></blockquote>     <p>A leitura do livro <i>A Vida Secretadas Plantas</i> de Peter Tompkins e Christopher Bird, foi para a artista, um momento fundamental para o desenvolvimento de uma s&eacute;rie de trabalhos a partir de elementos vegetais, ora dissecando a sua estrutura interna ora descascando as suas camadas epid&eacute;rmicas. Os mecanismos de "perce&ccedil;&atilde;o" desenvolvidos pelas plantas bem como a capacidade de se moverem como qualquer outro ser vivo (s&oacute; que numa dimens&atilde;o temporal diferente) s&atilde;o aspetos que esta destaca da leitura do livro publicado em 1973.</p>     <p>Nas s&eacute;ries <i>Estructura de la ra&iacute;z</i> e <i>Crescimiento de las plantas</i> de 2013 (<a href="#f6">Figura 6</a> e <a href="#f7">Figura 7</a>) Ana Teresa Barboza desenvolve um conjunto de trabalhos a partir de estudos de observa&ccedil;&atilde;o das estruturas org&acirc;nicas de ra&iacute;zes bem como dos processos de crescimento das plantas. A dimens&atilde;o temporal e a dimens&atilde;o estrutural entrela&ccedil;am-se nestas s&eacute;ries a partir de uma estreita liga&ccedil;&atilde;o entre o dom&iacute;nio t&eacute;cnico, est&eacute;tico e conceptual. Ou seja, o processo de constru&ccedil;&atilde;o artesanal da imagem estabelece uma estreita coer&ecirc;ncia entre o gesto que define a forma/ estrutura, a mat&eacute;ria t&ecirc;xtil que introduz novas camadas imag&eacute;ticas/texturais e a temporalidade envolvida no ato de bordar.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6"><img src="/img/revistas/est/v9n22/9n22a10f6.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f7"><img src="/img/revistas/est/v9n22/9n22a10f7.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A dimens&atilde;o temporal ser&aacute; aprofundada pela artista na mais recente s&eacute;rie "<i>Crecimiento</i>" (<a href="#f8">Figura 8</a> e <a href="#f9">Figura 9</a>). Nesta &eacute; enfatizada uma liga&ccedil;&atilde;o entre a passagem do tempo, a transforma&ccedil;&atilde;o da natureza e a pr&oacute;pria simbologia das mat&eacute;rias t&ecirc;xteis a partir da silhueta de uma planta, captada ao longo do ciclo de desenvolvimento. Aqui a linha de cor que desenha as sucessivas fases de crescimento da planta assume-se como um fio temporal onde a autorreferencialidade das t&eacute;cnicas t&ecirc;xteis conjuga mat&eacute;ria e simbolismo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f8"><img src="/img/revistas/est/v9n22/9n22a10f8.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f9"><img src="/img/revistas/est/v9n22/9n22a10f9.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota Final</b></p>     <p>O bordado entendido enquanto epiderme de um corpo assumido, primeiramente, como corpo <i>autopoietico</i>, possibilita um conjunto de opera&ccedil;&otilde;es de disfarce, prote&ccedil;&atilde;o, desnudamento ou mesmo mutila&ccedil;&atilde;o, acrescentando, ao mesmo tempo, uma camada imag&eacute;tica e metaf&oacute;rica onde se mesclam identidade, mem&oacute;ria e g&eacute;nero. As liga&ccedil;&otilde;es entre um Eu-pele, um Eu-corpo e um Eu-social ganham destaque no desenvolvimento de pe&ccedil;as tridimensionais, para vestir onde a dimens&atilde;o relacional e performativa ultrapassam a dimens&atilde;o epid&eacute;rmica anteriormente explorada atrav&eacute;s do bordado. Aqui imp&otilde;e-se o labor manual da costura, onde, atrav&eacute;s da subvers&atilde;o da dimens&atilde;o utilit&aacute;ria das pe&ccedil;as criadas s&atilde;o problematizadas as dimens&otilde;es sociais do vestir (desde a sua confe&ccedil;&atilde;o at&eacute; aos processo de comunica&ccedil;&atilde;o que lhe est&atilde;o inerentes).</p>     <p>Uma &uacute;ltima dimens&atilde;o, que de forma indel&eacute;vel atravessa o trabalho t&ecirc;xtil consiste na materializa&ccedil;&atilde;o do tempo. Esta &eacute; aprofundada pela artista atrav&eacute;s da evoca&ccedil;&atilde;o dos ciclos org&acirc;nicos de crescimento natural das plantas bem como da pr&oacute;pria temporalidade envolvida no processo de trabalho manual. Finalmente a linguagem do t&ecirc;xtil &eacute; assumida como espa&ccedil;o de problematiza&ccedil;&atilde;o de categorias art&iacute;sticas, de g&eacute;nero ou espa&ccedil;o multidimensional de interface entre o Eu e o Outro, entrecruzando as dimens&otilde;es t&eacute;cnica, sem&acirc;ntica, imag&eacute;tica e simb&oacute;lica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Anzieu, Didier (1995) <i>Le Moi-Peau.</i> Paris: DUNOT&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1459839&pid=S1647-6158201800020001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Barboza, Ana Teresa (2015). <i>Ana Teresa Barboza; Handcraft and nature</i>. Dispon&iacute;vel em <a href="https://www.textileartist.org/ana-teresa-barboza-handcraft-nature" target="_blank">https://www.textileartist.org/ana-teresa-barboza-handcraft-nature</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1459840&pid=S1647-6158201800020001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Durski, Ligia Maria &amp; Safra, Gilberto (2016) O Eu-pele: contribui&ccedil;&otilde;es de Didier Anzieu para a cl&iacute;nica da psican&aacute;lise. <i>Reverso</i>. Belo Horizonte. jun. Vol.38 no.71. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-7395201 6000100012" target="_blank">http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S0102-7395201 6000100012</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1459841&pid=S1647-6158201800020001000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Lerner, Sharon (2009). <i>Modos de Vestir</i>. Texto dispon&iacute;vel em <a href="http://anateresabarboza.blogspot.pt/p/modos-de-vestir.html " target="_blank">http://anateresabarboza.blogspot.pt/p/modos-de-vestir.html</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1459842&pid=S1647-6158201800020001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Maturana, Humberto &amp; Varela, Francisco (1997). <i>De m&aacute;quinas e seres vivos. Autopoiese: a organiza&ccedil;&atilde;o do vivo.</i> Porto legre: Artes M&eacute;dicas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1459843&pid=S1647-6158201800020001000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Enviado a 29 de dezembro de 2017 e aprovado a 17 de janeiro de 2018</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:tpereira@eselx.ipl.pt"> tpereira@eselx.ipl.pt</a> (Teresa Matos Pereira)</p>      ]]></body><back>
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