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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Ilídio Salteiro: Pensamento, Partilha e Comunicação Visual, a pintura contemporânea como ato de 'Religare']]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article proposes a reflection on the landscape as a concept, in the artistic work of Ilídio Salteiro, from ten paintings, of different series. It is intended to analyze how this landscape coexists with architecture, which sometimes disappears and transmutes into imaginary topographies. How can the contemporary painting be an exercise of 'Religare?'.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Il&iacute;dio Salteiro: Pensamento, Partilha e Comunica&ccedil;&atilde;o Visual, a pintura contempor&acirc;nea como ato de 'Religare'</b></p>     <p><b>Il&iacute;dio Salteiro: The thinking, The sharing and Visual Communication, Contemporary painting as an act of 'Religare'</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Cl&aacute;udia Matos Pereira*</b></p>     <p>*Brasil Artista pl&aacute;stica.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas-Artes, Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e estudos em Belas-Artes da Universidade de Lisboa (CIEBA). Largo da Academia Nacional de Belas Artes 14, 1200-005 Lisboa, Portugal</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b></p>     <p>Este artigo prop&otilde;e uma reflex&atilde;o sobre a paisagem como conceito, na obra de Il&iacute;dio Salteiro, a partir de dez pinturas, de diferentes s&eacute;ries. Pretende-se analisar como esta paisagem convive com a arquitetura, que por vezes desaparece e se transmuta em topografias imagin&aacute;rias. Como a pintura contempor&acirc;nea pode ser um exerc&iacute;cio de 'Religare?'</p>      <p><b>Palavras chave:</b> Arte / pintura contempor&acirc;nea / imagem e cultura / multiculturalismo / globaliza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b></p>     <p>This article proposes a reflection on the landscape as a concept, in the artistic work of Il&iacute;dio Salteiro, from ten paintings, of different series. It is intended to analyze how this landscape coexists with architecture, which sometimes disappears and transmutes into imaginary topographies. How can the contemporary painting be an exercise of 'Religare?'.</p>     <p><b>Keywords:</b> Art / contemporary painting / image and culture / multiculturalism / globalization.</p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Eu vejo sentindo.</i></p>     <p>&#8212; Gloucester para Lear, em <i>Rei Lear</i>, Shakespeare, Ato IV, Cena 6</p></blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Il&iacute;dio Salteiro &eacute; um artista pl&aacute;stico portugu&ecirc;s, nascido em 1953 em Alcoba&ccedil;a. Sua pintura apresenta uma densidade conceitual e profundidade reflexiva, observ&aacute;veis no decorrer de sua trajet&oacute;ria como artista. O <i>Centro do Mundo</i> foi o tema de uma s&eacute;rie recentemente exposta, dentre muitas exposi&ccedil;&otilde;es j&aacute; realizadas pelo artista, desde 1979. Atualmente ele prepara a s&eacute;rie <i>Babel</i> para exposi&ccedil;&otilde;es agendadas em 2018, como a que inaugura em janeiro, <i>Far&oacute;is e Tempestades</i>. Este artigo &eacute; a primeira publica&ccedil;&atilde;o da parte de um estudo maior, dedicado ao artista.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. O imagin&aacute;rio do artista</b></p>     <p>O universo simb&oacute;lico de Il&iacute;dio Salteiro &eacute; especialmente denso, assim como sua obra. H&aacute; influ&ecirc;ncias de pintores centrais que configuram seu arcabou&ccedil;o imag&eacute;tico. Com Giotto, percebe-se a predile&ccedil;&atilde;o pelo mundo medieval e renascen&ccedil;a.</p>     <p>Seus fasc&iacute;nios adv&ecirc;m da cultura ocidental, de ra&iacute;zes t&atilde;o conhecidas. Giotto representa para ele, o pai da pintura moderna, das volumetrias, da introdu&ccedil;&atilde;o da arquitetura no espa&ccedil;o pict&oacute;rico, da paisagem e da inova&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o. "Giotto redescobriu a arte de criar a ilus&atilde;o de profundidade numa superf&iacute;cie plana" (Gombrich, 2005:201). "&Eacute; uma pintura muito calculada, tamb&eacute;m muito surrealista." N&atilde;o aquele movimento circunscrito e nomeado pelo grupo de pintores do s&eacute;culo XX. &Eacute; sobre o surrealismo na pintura que se fala &#8212; na totalidade. "Toda ela tem uma dimens&atilde;o surrealista" (Il&iacute;dio Salteiro, comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, 23 dezembro 2017).</p>     <p>Os azuis que ele utiliza na pintura, se baseiam em El Greco, como tamb&eacute;m, algumas pinceladas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A sensa&ccedil;&atilde;o de se deparar com uma atmosfera enigm&aacute;tica, presente na obra de Chirico (Gombrich, 2005:589) assim como o uso de sombras misteriosas, luzes intensas e perspectivas distorcidas (Janson, 2010:997) s&atilde;o elementos que influenciam a pintura do artista.</p>     <p>As ambiguidades entre as imagens da realidade e 'as imagens das imagens' da realidade, percept&iacute;veis nas obras de Magritte (Argan, 2008:480), acrescentam-se ao ide&aacute;rio criativo de Il&iacute;dio. Em sua s&eacute;rie de pinturas do Cat&aacute;logo de Exposi&ccedil;&atilde;o em Oeiras (Salteiro, 2007:7-13) o artista pinta, em algumas delas, bal&otilde;es sobrepostos &agrave;s paisagens, semelhantes aos das bandas desenhadas, que se tornam elementos da composi&ccedil;&atilde;o. Neles aparecem escritas, as perguntas que nomeiam as obras: <i>Were is the life? Where was the museum of contemporary art? Where is the painting?</i> Logo a seguir, outra s&eacute;rie de pinturas &eacute; nomeada pelo artista como: <i>Nem tudo o que parece &eacute;! Ou Ceci n&eacute;st pas une pipe (Magritte</i>). Constata-se a influ&ecirc;ncia de Magritte nas obras de Il&iacute;dio Salteiro, atrav&eacute;s deste jogo simb&oacute;lico.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Pres&eacute;pio &#8212; o cen&aacute;rio fundador de seus &iacute;cones</b></p>     <p>Entrar na casa, no lar de um artista &eacute; como abrir um ba&uacute; com segredos guardados pelo tempo. &Agrave; esquerda da escada que leva ao atelier, in&uacute;meras pe&ccedil;as de cole&ccedil;&atilde;o de toda uma vida, referentes a Pres&eacute;pios, estavam dispostos em cerca cinco prateleiras. Cole&ccedil;&atilde;o de Il&iacute;dio e de sua esposa Dora-Iva Rita, tamb&eacute;m artista pl&aacute;stica. Ao dialogar sobre as pe&ccedil;as, pude ver ali os <i>componentes simb&oacute;licos essenciais</i> que perpassam toda a sua obra &#8212; a gruta (<i>Montanha</i>), a <i>Ponte,</i> o <i>Ninho</i> (manjedoura), a <i>Casa,</i> o <i>Lago,</i> e tantos outros elementos. Instantaneamente compreendi toda a din&acirc;mica de sua cria&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Il&iacute;dio afirmou: "o Pres&eacute;pio &eacute; um grande universo, representado numa escala muito pequenina, mediante a organiza&ccedil;&atilde;o das pe&ccedil;as por uma autoridade." Ele reflete: "com a pintura ocorre a mesma situa&ccedil;&atilde;o: h&aacute; uma autoridade a compor o espa&ccedil;o e a atmosfera, que &eacute; o artista" (Il&iacute;dio Salteiro, comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, 23 dezembro 2017).</p>     <p>Esta constru&ccedil;&atilde;o da paisagem relembra a metodologia nas terapias Junguianas, em que as imagens constru&iacute;das a partir da coloca&ccedil;&atilde;o das pe&ccedil;as sobre a areia, geram o di&aacute;logo entre inconsciente e consciente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Obras &#8212; Paisagens Conceituais</b></p>     <p>Segundo Giulio Argan (2005: 49) "o que interessa do artista n&atilde;o &eacute; mais a concep&ccedil;&atilde;o formal do mundo, mas a condi&ccedil;&atilde;o existencial, o estado psicol&oacute;gico, sua condi&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rico-social." Prop&otilde;e-se uma breve imers&atilde;o na subjetividade e trajet&oacute;ria de Il&iacute;dio Salteiro, em dez obras pontuais. Para Ant&oacute;nio Dam&aacute;sio (2017: 208-209) "o mecenas essencial da consci&ecirc;ncia &eacute; a subjetividade". As imagens que povoam a nossa mente "tornam-se automaticamente nossas imagens pessoais."</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na <a href="#f1">Figura 1</a>, no lado direito est&atilde;o algumas obras do artista na parede de seu atelier. Vemos alguns &iacute;cones: <i>Ponte, Museu, Casa</i>. Linhas e n&uacute;meros s&atilde;o elementos composicionais e protagonistas da cena, que expressam a necessidade de controlar o espa&ccedil;o e a realidade. As cores do fundo apresentam leves grada&ccedil;&otilde;es de tons. A geometria representa o universo humano, em uma dimens&atilde;o transparente. O sil&ecirc;ncio &#8212; a aus&ecirc;ncia &#8212; habitam o espa&ccedil;o com suas paredes cristalinas.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v9n22/9n22a15f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>No lado esquerdo da <a href="#f1">Figura 1</a>, vemos a obra da s&eacute;rie <i>Nem tudo o que parece &eacute;! Ou Ceci n'est pas une pipe, (Magritte</i>), um tr&iacute;ptico. H&aacute; duas sentinelas verticais &#8212; guaritas &#8212; que controlam cada lado da obra. S&atilde;o testemunhas. Existe um sentido de opress&atilde;o e o desejo de amplitude, expressos nas aberturas demarcadas. A <i>Montanha</i> parece engolir uma casa. Na sua entrada &eacute; poss&iacute;vel ver somente dois degraus. As aberturas superiores remetem &agrave; ideia de c&eacute;u ou de dois lagos. Onde surgem os azuis: &aacute;gua ou c&eacute;u &#8212; emo&ccedil;&atilde;o fluida &#8212; sobressai a sensibilidade contida.</p>     <p>Segundo Il&iacute;dio (Il&iacute;dio Salteiro, comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, 23 dezembro 2017) a pintura <i>Cinco casas de frente para mim</i> (<a href="#f2">Figura 2</a>) representa a imagem que ele tem do mar a ver as casas. Ele nunca esteve nesta posi&ccedil;&atilde;o e sempre as observava de perfil. Tenta reconstruir. Luz e sombra criam uma ambienta&ccedil;&atilde;o enigm&aacute;tica e dram&aacute;tica. As distor&ccedil;&otilde;es na perspectiva, aliadas &agrave;s linhas radiais provenientes dos telhados, trazem a impress&atilde;o de que as casas ir&atilde;o partir do fundo da tela, em nossa dire&ccedil;&atilde;o. Poucas janelas, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s paredes fechadas, criam o ambiente introspectivo. Os vermelhos dos telhados emitem a sensa&ccedil;&atilde;o de aquecimento e trazem um peso visual que equilibra as verticalidades luminosas. Uma luz acesa na casa central &eacute; um sinal de vida.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v9n22/9n22a15f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A <i>Casa interior II</I>, na <a href="#f3">Figura 3</a>, pertence a uma s&eacute;rie de dez trabalhos, de mesma estrutura. O canto de um espa&ccedil;o interior e uma paisagem que se v&ecirc; atrav&eacute;s da janela, configuram uma ideia de janela renascentista. S&atilde;o vest&iacute;gios de casas que tamb&eacute;m podem ser objetos, ou maquete. Segundo Susan Woodford (1999:84) os artistas do primeiro Renascimento racionalizaram o espa&ccedil;o e em certas ocasi&otilde;es, representavam extens&otilde;es da casa/lugar, para as quais as pinturas foram criadas. A luz aqui &eacute; um elemento compositivo, onde &eacute; necess&aacute;rio dar forma e n&atilde;o obedece regras. Pela janela se v&ecirc; uma paisagem com pinceladas emocionais e movimentadas. O artista expressa o mundo racional atrav&eacute;s da arquitetura e o mundo ps&iacute;quico-emotivo, em um espa&ccedil;o de limite dominado. A &aacute;gua serena e l&iacute;mpida, encerrada em um tanque, pode ser vista simbolicamente como emo&ccedil;&otilde;es guardadas em um recipiente.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v9n22/9n22a15f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A obra <i>Mem&oacute;ria de um lugar (I/IV),</i> na <a href="#f4">Figura 4</a> retrata o fasc&iacute;nio de Il&iacute;dio pelo Mosteiro de Alcoba&ccedil;a, um marco em sua vida e o primeiro Museu visto por ele. Lugar de suas viv&ecirc;ncias &iacute;ntimas, que sintetiza conceitos utilizados em seu processo art&iacute;stico. Os claustros e espa&ccedil;os s&atilde;o para ele, microuniversos. O claustro representa uma ilha, que &eacute; uma ideia sempre presente. Na regi&atilde;o central do claustro se v&ecirc; uma &aacute;rvore, que nos relembra a frase de Ren&eacute; Char: "<i>o fruto &eacute; cego. &Eacute; a &aacute;rvore que v&ecirc;</i>." O pintor coloca o espectador na posi&ccedil;&atilde;o de um voo panor&acirc;mico. Il&iacute;dio &eacute; o mirante e &eacute; ele "quem d&aacute; a ver".</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v9n22/9n22a15f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Nesta obra a emo&ccedil;&atilde;o domina a raz&atilde;o. As pinceladas expansivas e emocionais avassalam o espa&ccedil;o da tela. O Mosteiro se torna ilha, centro, envolto em uma esp&eacute;cie de <i>Ninho</i>. Essa pintura anuncia temas posteriores.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v9n22/9n22a15f5.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A <i>Casa com paisagem,</i> na <a href="#f5">Figura 5</a><i>,</i> segundo Il&iacute;dio, expressa o alpendre que se relaciona com: peregrinos, varandas, hospitalidade e prote&ccedil;&atilde;o das pessoas. Sugere-se a interpreta&ccedil;&atilde;o desta obra, colocando o alpendre como express&atilde;o do &iacute;cone da <i>Ponte</i>. Ela conecta o mundo intimista do interior da casa enigm&aacute;tica, com um espa&ccedil;o maior de luz e respira&ccedil;&atilde;o. A sombra triangular projetada, em amarelo &agrave; esquerda, traz a sensa&ccedil;&atilde;o de que a Casa imersa na sombra obscura, poderia estar em precip&iacute;cio. O alpendre seria a ponte com o mundo exterior e iluminado.</p>     <p>Esta arquitetura desenvolve-se: alpendre &#8212; <i>Ponte</i> &#8212; <i>Cama</i> (<a href="#f6">Figura 6</a>). Os elementos arquitet&oacute;nicos do alpendre se repetem na concep&ccedil;&atilde;o da Cama. A Cama &eacute; lugar, &eacute; espa&ccedil;o e a paisagem que transborda no reduto mais &iacute;ntimo do homem &#8212; os len&ccedil;&oacute;is e colchas tornam-se topografias. Este tecido topogr&aacute;fico &eacute; um territ&oacute;rio. H&aacute; uma atmosfera conc&ecirc;ntrica de gestos no entorno da Cama, que parece flutuar, com possibilidade de girar. Algu&eacute;m pode estar ali ou n&atilde;o, mas o que h&aacute;, de fato, &eacute; mat&eacute;ria-paisagem.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6"><img src="/img/revistas/est/v9n22/9n22a15f6.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em <i>The Bed Square,</i> na <a href="#f6">Figura 6</a>, Il&iacute;dio Salteiro joga com o t&iacute;tulo da obra, usando uma ironia, j&aacute; que o formato da tela &eacute; quadrado. A grande diagonal, atravessa o quadrado, de dois metros de lado. Ele faz uma provoca&ccedil;&atilde;o l&uacute;dica, entre <i>The Bed Square</i>, a Pra&ccedil;a e a Cama &#8212; entre o espa&ccedil;o p&uacute;blico e o espa&ccedil;o &iacute;ntimo (Il&iacute;dio Salteiro, comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, 23 dezembro 2017).</p>     <p>O quadro <i>Paisagem corpo,</i> na <a href="#f7">Figura 7</a>, segundo o artista, "&eacute; a terra, vista como corpo", uma ideia de micro e macrocosmos, da mesma maneira que podemos ver a <i>Paisagem Prometida</i>, na <a href="#f8">Figura 8</a>, uma paisagem-corpo (Il&iacute;dio Salteiro, comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, 23 dezembro 2017).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f7"><img src="/img/revistas/est/v9n22/9n22a15f7.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f8"><img src="/img/revistas/est/v9n22/9n22a15f8.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Nesta pintura da <a href="#f7">Figura 7</a> ainda se v&ecirc; a abertura de um espa&ccedil;o arquitet&ocirc;nico, que pode ser uma Casa, ou Templo, ou Museu. A paisagem invade a arquitetura ou &eacute; invadida? Duas montanhas e um rio promovem uma dicotomia entre a raz&atilde;o e a emo&ccedil;&atilde;o. Entre o controle do caos (arquitetura) e o desejo de abertura espont&acirc;nea (pinceladas mat&eacute;ricas). Parece ser uma paisagem invertida, que sai do fundo do quadro e vem at&eacute; n&oacute;s.</p>     <p>A <i>Paisagem Prometida</i>, <a href="#f8">Figura 8</a>, &eacute; "uma paisagem, mas &eacute; um corpo, como se fosse uma coisa que n&oacute;s pud&eacute;ssemos moldar," afirma Il&iacute;dio Salteiro (Il&iacute;dio Salteiro, comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, 23 dezembro 2017). Parece ser um <i>zoom</i> na pintura da <a href="#f7">Figura 7</a>, fora da arquitetura. O artista relata que "s&atilde;o peda&ccedil;os" que denomina de "corpos:" possuem personalidade, uma entidade espec&iacute;fica &#8212; s&atilde;o coisas vivas, h&aacute; vegeta&ccedil;&atilde;o, animais, pessoas, vento, sol, chuva, uma vida pr&oacute;pria. Mas n&atilde;o se v&ecirc; nitidamente, se v&ecirc; do alto.</p>     <p>As arquiteturas e as delimita&ccedil;&otilde;es do espa&ccedil;o desaparecem. As agita&ccedil;&otilde;es e o caos penetram e invadem toda a obra. Tudo passa a ser a emo&ccedil;&atilde;o fluida. Neste sobrevoo pode-se vislumbrar um mar de montanhas.</p>     <p>O mar, os mapas e ilhas povoam o processo criativo do artista. Na <a href="#f9">Figura 9</a>, <i>A Ilha do Tesouro: topografia ideal</i>, apresenta um sobrevoo de maior altitude. H&aacute; um universo imerso em &aacute;gua, uma abertura central e muita luz. Uma estrada fecha-se sobre si mesma. Estaria o ser humano andando em c&iacute;rculos, na mesma circunst&acirc;ncia? Segundo Il&iacute;dio, a estrada "&eacute; um acontecimento em perp&eacute;tuo rein&iacute;cio" (Il&iacute;dio Salteiro, comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, 23 dezembro 2017). Marco Giannotti (2009:13) afirma: "toda cria&ccedil;&atilde;o &eacute; uma esp&eacute;cie de colagem de tempos diversos." Uma ilha que est&aacute; no ide&aacute;rio medieval &eacute; vista como paradis&iacute;aca. Por&eacute;m elas tamb&eacute;m s&atilde;o tempestade, disputas, conhecimento, passado e futuro. As ilhas convivem com dois contrastes: descoberta e fuga. Para Il&iacute;dio Salteiro, "a ilha &eacute; tamb&eacute;m um barco" (Il&iacute;dio Salteiro, comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, 23 dezembro 2017).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f9"><img src="/img/revistas/est/v9n22/9n22a15f9.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Na pintura <i>Babel</i>, <a href="#f10">Figura 10</a>, a vis&atilde;o topogr&aacute;fica da paisagem apresenta um conjunto de pequenas ilhas interligadas, uma organiza&ccedil;&atilde;o de povoamentos subterr&acirc;neos, onde est&aacute; o futuro. Na parte externa encontra-se o passado, como uma met&aacute;fora ao texto de Padre Ant&ocirc;nio Vieira, <i>Hist&oacute;ria do Futuro.</i> Estamos diante de topografias imagin&aacute;rias, aus&ecirc;ncia da arquitetura e forte conota&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica. Em <i>Babel,</i> h&aacute; um caos gerido e aparente interc&acirc;mbio. Os orif&iacute;cios, ninhos e grutas s&atilde;o elementos fortes na composi&ccedil;&atilde;o. Indicam vida interior e resist&ecirc;ncia. As pinceladas remetem &agrave; ideia da presen&ccedil;a de fios condutores ou de vasos comunicantes. Tudo &eacute; conex&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f10"><img src="/img/revistas/est/v9n22/9n22a15f10.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Segundo Il&iacute;dio, essa ideia de centro existe "para que o ser humano n&atilde;o se esque&ccedil;a que &eacute; de fato, o <i>Centro do Mundo</i> e de que n&oacute;s n&atilde;o somos periferia, devemos crer em uma verdadeira multiculturalidade" (Il&iacute;dio Salteiro, comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, 23 dezembro 2017).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O ato de Religare &#8212; considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Pintar hoy es un acto de resistencia que satisface una necesidad generalizada y puede crear esperanzas.</i></p>      <p>&#8212; John Berger (2009)</p></blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p>Espa&ccedil;o, mat&eacute;ria, aus&ecirc;ncia etempo, s&atilde;o marcantes no percurso da pintura de Il&iacute;dio Salteiro e s&atilde;o, sobretudo, quest&otilde;es primordiais tratadas na arte contempor&acirc;nea. Para Il&iacute;dio, "a pintura &eacute; um ato de verdade". Ele afirma: "minha pintura cumpre a fun&ccedil;&atilde;o de ligar o que est&aacute; desligado e ajuda a decifrar as coisas da vida. A arte &eacute; uma religi&atilde;o sem Deus, sem B&iacute;blia, sem um texto, sem dogmas, tudo &eacute; subjetivo, tudo &eacute; ver&iacute;dico" (Il&iacute;dio Salteiro, comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, 23 dezembro 2017).</p>     <p>Para o artista, o termo <i>Religare</i> &eacute; um "ligar novamente", "religar" "conectar o que se encontra desconectado", sem v&iacute;nculo com a ideia de culto. Il&iacute;dio Salteiro se preocupa fundamentalmente com quest&otilde;es atuais, como a globaliza&ccedil;&atilde;o e a multiculturalidade. Estamos conectados <i>full time</i> em rede, mas muitas vezes desconectados de n&oacute;s mesmos e do indiv&iacute;duo que est&aacute; ao lado. A arte &eacute; conex&atilde;o. &Eacute; tempo de religar. Ele afirma: "a minha pintura &eacute; um <i>Pensamento Continuado</i>. A arte serve para servir aos outros, a <i>Partilha</i> &eacute; simples. O ato se faz atrav&eacute;s da <i>Comunica&ccedil;&atilde;o Visual</i> e busca um <i>Religare</i>".</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Argan, Giulio C. (2008) <i>Arte Moderna</i>. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras. ISBN 978-85-7164-251-5&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461224&pid=S1647-6158201800020001500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Argan, Giulio C. (2005) <i>Hist&oacute;ria da arte como hist&oacute;ria da cidade</i>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes. ISBN 85-336-2147-7&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461225&pid=S1647-6158201800020001500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Berger, John. (2009) <i>Algunos pasos hacia una peque&ntilde;a teor&iacute;a de lo visible</i>. ISBN 978-84-88020-08-6&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461226&pid=S1647-6158201800020001500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Dam&aacute;sio Ant&oacute;nio (2017) <i>A estranha ordem das coisas: a vida, os sentimentos e as culturas humanas.</i> ISBN 978-989-644-334-4&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461227&pid=S1647-6158201800020001500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Giannotti, Marco (2009) <i>Breve hist&oacute;ria da pintura contempor&acirc;nea</i>. S&atilde;o Paulo: claridade. ISBN 978-85-888386-71-6&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461228&pid=S1647-6158201800020001500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Gombrich, E. H. (2005) <i>A hist&oacute;ria da arte</i>. Londres: P&uacute;blico. ISBN 989-619-007-0&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461229&pid=S1647-6158201800020001500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Houayek, Hugo (2011) <i>Pintura como ato de fronteira: o confronto entre a pintura e o mundo</i>. Cole&ccedil;&atilde;o pensamento em arte. Rio de Janeiro: Apicuri. ISBN 978-85-61022-46-4&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461230&pid=S1647-6158201800020001500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Janson, Anthony F. &amp; Janson, Horst Woldemar (Ed.) (2010). <i>A Nova Hist&oacute;ria da Arte de Janson: a tradi&ccedil;&atilde;o ocidental</i>. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461231&pid=S1647-6158201800020001500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Salteiro, Il&iacute;dio (2017) <i>Far&oacute;is e Tempestades: anota&ccedil;&otilde;es de um processo art&iacute;stico</i>. Lisboa: FBAUL-CIEBA ISBN 978-989-8771-92-6&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461233&pid=S1647-6158201800020001500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Salteiro, Il&iacute;dio (2013) <i>O centro do mundo.</i> Lisboa: DPI Cromotipo. ISBN 978-989-98475-0-7&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461234&pid=S1647-6158201800020001500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Salteiro, Il&iacute;dio; Morais, Maria (2007) <i>Il&iacute;dio Salteiro</i> &#91;Cat&aacute;logo de Exposi&ccedil;&atilde;o&#93; Oeiras: Livraria-Galeria Municipal Verney/ Camara Municipal de Oeiras. pp.01-30.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461235&pid=S1647-6158201800020001500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Woodford, Susan (1999) <i>Introducci&oacute;n a la Historia del Arte: como mirar un cuadro.</i> Universidad de Cambridge. Barcelona: Editorial Gustavo Gili. ISBN 84-252-1242-1&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461237&pid=S1647-6158201800020001500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Enviado a 04 de janeiro de 2018 e aprovado a 17 de janeiro de 2018</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:claudiamatosp@hotmail.com">claudiamatosp@hotmail.com</a> (Cl&aacute;udia Matos Pereira)</p>      ]]></body><back>
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