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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Bego Antón: Em busca de singularidades]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The following article presents and develops abrief reflection on the work of the basque photographer Bego Antón, triggered by an unusual curiosity for small groups of people who share peculiar beliefs, likings or lifestyles, in a broad exploration of human behaviors. Throughout the text not only her humanized relation with photography and her subjects of interest are analyzed but also her most significant projects. It is concluded that Antón's work is a singular praise to singular individuals, and to the difference that enriches the vast field of beliefs, attitudes and affections of a vast social panorama.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Bego Ant&oacute;n: Em busca de singularidades</b></p>     <p><b>Bego Ant&oacute;n: In search of singularities</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Susana de Noronha Vasconcelos Teixeira da Rocha*</b></p>     <p>*Portugal Artista Visual.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas Artes, Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e Estudos em Belas Artes (CIEBA). Largo da Academia Nacional de Belas Artes 14, 1200-005 Lisboa, Portugal.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b></p>     <p>O presente artigo apresenta e desenvolve uma breve reflex&atilde;o sobre a obra da fot&oacute;grafa basca Bego Ant&oacute;n, nascida de uma curiosidade invulgar por pequenos grupos de indiv&iacute;duos que partilham cren&ccedil;as, gostos ou estilos de vida peculiares, numa explora&ccedil;&atilde;o alargada dos comportamentos humanos. Ao longo do texto &eacute; analisada n&atilde;o s&oacute; a sua rela&ccedil;&atilde;o humanizada com o processo fotogr&aacute;fico e com os temas que fotografa, mas tamb&eacute;m os seus projetos mais significativos. Conclui-se que a obra de Ant&oacute;n &eacute; um elogio &agrave; singularidade dos indiv&iacute;duos, e &agrave; diferen&ccedil;a que enriquece o vasto campo das cren&ccedil;as, atitudes e afetos de um vasto panorama social.</p>     <p><b>Palavras chave:</b> Bego Ant&oacute;n / fotografia / novo documentalismo / singularidade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b></p>     <p>The following article presents and develops abrief reflection on the work of the basque photographer Bego Ant&oacute;n, triggered by an unusual curiosity for small groups of people who share peculiar beliefs, likings or lifestyles, in a broad exploration of human behaviors. Throughout the text not only her humanized relation with photography and her subjects of interest are analyzed but also her most significant projects. It is concluded that Ant&oacute;n's work is a singular praise to singular individuals, and to the difference that enriches the vast field of beliefs, attitudes and affections of a vast social panorama.</p>     <p><b>Keywords:</b> Bego Ant&oacute;n / photography / new documentalism / singularity.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Bego Ant&oacute;n, fot&oacute;grafa espanhola, nascida no Pa&iacute;s Basco, tem desenvolvido ao longo dos &uacute;ltimos anos um conjunto de trabalhos fotogr&aacute;ficos focados em singularidades que unem pequenos grupos de pessoas invulgares pelas suas diferen&ccedil;as, manifestadas atrav&eacute;s de cren&ccedil;as, estilos de vida, passatempos ou por componentes afetivas da vida humana, que no seu conjunto tornam um individuo &uacute;nico. Em 2017 foi a vencedora do Pr&eacute;mio Revela&ccedil;&atilde;o PhotoEspa&ntilde;a, com o projeto "Everybody loves to ChaChaCha" (2015), realizado no decorrer uma resid&ecirc;ncia art&iacute;stica na ISCP New York, que documentou uma pr&aacute;tica invulgar designada <i>Musical Canine Freestyle</i>, com adeptos em v&aacute;rios estados norte-americanos. Por&eacute;m, a sua aten&ccedil;&atilde;o a pr&aacute;ticas peculiares inicia-se anos antes, talvez ainda durante a sua forma&ccedil;&atilde;o enquanto Jornalista, que viria a contribuir para a sua capacidade de aproxima&ccedil;&atilde;o emp&aacute;tica aos sujeitos que fotografa, e para a sua significativa capacidade de pesquisa inerente e imprescind&iacute;vel em todos dos seus projetos fotogr&aacute;ficos.</p>     <p>Docente convidada da EFTI (Madrid) e da IDEP (Barcelona), bem como palestrante frequente de eventos t&atilde;o significativos como a FotoWeek DC e o Santander Photo, Bego Ant&oacute;n procura que a fotografia seja valorizada n&atilde;o apenas pelo seu resultado, mas pelo processo social ou humano que a ela conduz:</p>     <blockquote>    <p><i>The most important thing of being a photographer is not photography itself but experiencing the process, having access to a world that is different of my own and living an adventure. Talking to the people I meet is more important to me than taking their picture.</i> (Ant&oacute;n, 2018)</p></blockquote>     <p>No decorrer deste artigo, procurar-se-&aacute; n&atilde;o s&oacute; dar a conhecer o trabalho de Ant&oacute;n, mas tamb&eacute;m a sua abordagem sens&iacute;vel e humanizada &agrave; pr&aacute;tica da fotografia, onde cada imagem procura dissecar o comportamento humano e refletir sobre as implica&ccedil;&otilde;es morais das rela&ccedil;&otilde;es estabelecidas pelo homem, ou despertadas nele, pela natureza e o animal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. O Animal</b></p>     <blockquote>    <p><i>In a village in the south of England lives a small group of people who feel very passionate about butterflies and moths; not merely because of their beauty, or their colors, or even the way they move, but because ofall these things together. They know all about their habits and their names in Latin. They collect books on them. They observe and record them. They even grow plants that attract them so as to have them near. Butterfly Days is a love story between humans and butterflies</i>. (Ant&oacute;n, 2013a)</p></blockquote>     <p>"Butterfly Days" &#8212; <a href="#f1">Figura 1</a> e <a href="#f2">Figura 2</a>, foi um dos primeiros projetos de Bego Ant&oacute;n dados a conhecer ao p&uacute;blico de forma ampla. Tendo escolhido um pequeno grupo de indiv&iacute;duos, residentes no Sul de Inglaterra, a fotografa acompanhou as suas pr&aacute;ticas em torno de uma paix&atilde;o original e profunda por borboletas e tra&ccedil;as.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v9n22/9n22a16f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v9n22/9n22a16f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Ao contr&aacute;rio da cren&ccedil;a popular de que este gosto conduz a uma pr&aacute;tica colecionista onde "ca&ccedil;adores" de borboletas re&uacute;nem os objetos mortos das suas afei&ccedil;&otilde;es, o grupo ingl&ecirc;s escolhe atrair os pequenos seres proporcionando-lhes habitats prop&iacute;cios &agrave; sua prolifera&ccedil;&atilde;o, condicionando a vida, a flora e a fauna da aldeia inglesa em torno deste prazer comum.</p>     <p>Em v&aacute;rias imagens delicadas, mas tamb&eacute;m com um humor subtil subjacente, a fot&oacute;grafa parece sugerir que, progressivamente, uma simbiose entre animal e humano, se concretizam, focando-se em aspetos que n&atilde;o s&oacute; mostram a beleza deste relacionamento e do seu contexto natural, mas tamb&eacute;m o modo como os apaixonados por borboletas, em breves momentos, metamorfoseiam alguns dos seus atributos.</p>     <p>O fasc&iacute;nio pelo modo como humano e animal se relacionam, instigaria novos projetos fotogr&aacute;ficos cada vez mais focados na dualidade deste relacionamento. Ant&oacute;n diria durante uma entrevista para a World Press Photo Foundation:</p>     <blockquote>    <p><i>I want to think about the different ways we relate to our pets, and how we sometimes tend to humanize those animals, not in a conscious way. We treat them as if they were humans. (&#8230;) Some of them are part ofour lives, some we really like, some we hate; them there are animals we use only to eat, and there are animals we use for entertainment. There's a whole world of relations with animals.</i> (Ant&oacute;n, 2014)</p></blockquote>     <p>O projeto "Ugly Mugly" (2014) &#8212; <a href="#f3">Figura 3</a> e <a href="#f4">Figura 4</a>, nasceria em seguida, no contexto de uma Masterclasse Joop Swart (World Press Photo Foundation), focando-se no animal que ficou conhecido, num concurso realizado na Calif&oacute;rnia, como o c&atilde;o mais feio do mundo. Pretendendo reflectir "<i>on how what is close and important to us can change our perceptions in terms such as beauty</i>" (Ant&oacute;n <i>apud</i> Cohan, 2015), a fotografa tornou-se pr&oacute;xima do c&atilde;o (um c&atilde;o de crista chin&ecirc;s, sem pelo, e com garras dif&iacute;ceis de cortar) e da sua dona, envolvendo-se e retratando a vida de Mugly enquanto um novo tipo de super-estrela canina, com uma vida t&atilde;o pr&oacute;xima &agrave; do ser humano quanto poss&iacute;vel:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>    <p><i>He is the ugliest dog in the world because he won a context in California back in 2012, and since that moment his life changed and he became kind of a movie-star. He is not an ordinary dog. I mean&#8230; He's been married, and divorced, he is the master of the fancy dress competition, he has cake for his birthday&#8230;</i> (Ant&oacute;n, 2017)</p></blockquote>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v9n22/9n22a16f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v9n22/9n22a16f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Para Ant&oacute;n esta tentativa de convers&atilde;o do animal, num ser humanizado &eacute;, mais que uma excentricidade, um ato de amor &#8212; constituindo uma revela&ccedil;&atilde;o de aspetos pouco considerados da afei&ccedil;&atilde;o humana. Ainda que algum sentido de humor esteja novamente presente, no seu relato visual, mesmo nas situa&ccedil;&otilde;es mais <i>kitsch</i> em que Mugly participa existe sempre um profundo respeito pelo animal e pela sua dona, para quem Mugly &eacute; parte significativa da fam&iacute;lia.</p>     <p>A fotografia serve assim para que Bego Ant&oacute;n experimente mundos, por vezes privados, que de outra forma n&atilde;o lhe seriam acess&iacute;veis, num fasc&iacute;nio tornado mat&eacute;ria fotogr&aacute;fica pelo que, a outros, se apresentaria como estranho, rid&iacute;culo ou ris&iacute;vel, mas que no seu entender &eacute; uma aventura numa dimens&atilde;o paralela &agrave; sua realidade, onde c&atilde;o e humano estabelecem uma rela&ccedil;&atilde;o t&atilde;o igualit&aacute;ria (ainda que co-dependente) quando poss&iacute;vel.</p>     <p>O universo canino voltaria a surgir no seu projeto de maior divulga&ccedil;&atilde;o at&eacute; hoje: "Everybody loves to ChaChaCha" (<a href="#f5">Figura 5</a>). O t&iacute;tulo nasce da m&uacute;sica hom&oacute;nima de Sam Cooke, que conta como saindo com uma namorada, esta lhe revela ser incapaz de dan&ccedil;ar ChaChaCha &#8212; acabando a noite, contudo, a dan&ccedil;ar melhor que o pr&oacute;prio.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v9n22/9n22a16f5.jpg"></a>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>"Everybody loves to ChaChaCha" de Bego Ant&oacute;n conta, por sua vez, a hist&oacute;ria de mulheres que dan&ccedil;am com c&atilde;es, ou, como a pr&oacute;pria afirma: "<i>we can say it the other way arround: the story of dogs who dance with ahuman</i>." (Ant&oacute;n, 2016) Tendo no horizonte uma resid&ecirc;ncia artista em Nova Iorque, Ant&oacute;n investigava uma consider&aacute;vel amplitude de t&oacute;picos quando, sem saber como, se deparou no YouTube com um dos duos c&atilde;o/humano, dan&ccedil;ando ao com do uma m&uacute;sica do filme "Grease" de Rendal Kleiser, descobrindo assim a pr&aacute;tica <i>Musical Canine Freestyle</i>, com adeptos centrados sobretudo nos Estados Unidos da Am&eacute;rica, tendo decidido focar toda a sua resid&ecirc;ncia neste fen&oacute;meno.</p>     <blockquote>    <p><i>For me it was really important to saw the bond that these humans and dogs have together. I consider that I found a sport or an activity that puts humans and dogs at the same level. That's why I use to say that is about a dog dancing with a human, and I don't use the word 'owner'</i> (&#8230;) <i>This is not possible without the dog, the same way that is not possible without the human, and I find this unity so beautiful.</i> (Ant&oacute;n, 2016)</p></blockquote>     <p>A fot&oacute;grafa passou meses em viagem pelos Estados Unidos, visitando, conhecendo e partilhando dias com os adeptos desta modalidade, ganhando a sua confian&ccedil;a e as dos animais e fazendo-os sentir confort&aacute;veis com a lente da sua c&acirc;mara. &Agrave; semelhan&ccedil;a do que acontece em "Ugly Mugly", um conjunto de imagens delicadas, prestam homenagem a um relacionamento invulgar, com parcerias inesperadas, habitualmente acompanhadas por um v&iacute;deo que explicita o movimento adivinhado nas imagens est&aacute;ticas &#8212; <a href="#f5">Figura 5</a>.</p>     <blockquote>    <p><i>I consider each project has its own necessities.</i> (&#8230;) <i>The most important thing in the project is the movement, so I knew, from the very beginning, that I needed to record that movement and that the right format for the story was a documentary. I shoot the movement with video but I kept taking the pictures with my usual camera. It was complicated because the process was intense, I was doing everything by myself.</i> (Ant&oacute;n, 2018)</p></blockquote>     <p>Sobre o fen&oacute;meno <i>Musical Canine Freestyle</i>, Bego Ant&oacute;n acrescentaria que a beleza est&aacute; na liberdade do erro que, instrumentalizado por humanos e c&atilde;es, comp&otilde;e uma coreografia simbi&oacute;tica, onde a compreens&atilde;o mutua do distinto papel de cada participante ganha sentido, numa aparentemente pr&aacute;tica prazerosa para ambos, que encontra um ritmo pr&oacute;prio com momentos de not&aacute;vel coordena&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. O Invis&iacute;vel</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apesar de partir sempre da realidade, uma das componentes mais sedutoras do trabalho de Bego Ant&oacute;n, &eacute; tamb&eacute;m a sua capacidade de ficcionar o invis&iacute;vel. Caso exemplar foi o projeto "The Earth is only a little dust under our feet" (<a href="#f7">Figura 7</a>, <a href="#f8">Figura 8</a>), que explorou as cren&ccedil;as em seres m&aacute;gicos por parte da cultura islandesa, ou "Los de Arriba" (<a href="#f6">Figura 6</a>) composta por uma s&eacute;rie de retratos de indiv&iacute;duos que acreditam ter avistado OVNIS, projeto esse que continua em aberto, com uma continua recolha de relatos por parte da fot&oacute;grafa.</p>     <blockquote>    <p><i>Los de Arriba es un proyecto sobre personas que han tenido experiencias extraordinarias. Han visto ovnis, han sido abducidos, contactados desde el m&aacute;s all&aacute; o han sufrido visitas de dormitorio por seres de otros planetas.</i> (Ant&oacute;n <i>apud</i> Garc&iacute;a, 2015)</p></blockquote>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6"><img src="/img/revistas/est/v9n22/9n22a16f6.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f7"><img src="/img/revistas/est/v9n22/9n22a16f7.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f8"><img src="/img/revistas/est/v9n22/9n22a16f8.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>"Los de Arriba" mostra um conjunto de imagens de habitantes da Catalunha que acreditam ter tido contacto com objetos e seres extraterrestres. Uma vez mais, os interesses e cren&ccedil;as de pequenos grupos que considera especiais, levam a Ant&oacute;n a um genu&iacute;no fasc&iacute;nio pela apresenta&ccedil;&atilde;o de uma narrativa fotogr&aacute;fica onde, atrav&eacute;s de elementos como a luz artificial, tenta traduzir na imagem uma aproxima&ccedil;&atilde;o visual a algo invis&iacute;vel &#8212; <a href="#f6">Figura 6</a>. S&atilde;o tamb&eacute;m apresentadas imagens de documentos e anota&ccedil;&otilde;es de algumas das testemunhas ou vitimas destes eventos extraordin&aacute;rios, que registam com pormenor, recorrendo a relat&oacute;rios, esquemas ou desenhos, os estranhos acontecimentos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mais revelador foi, contudo, "The Earth is only a little dust under our feet" (<a href="#f7">Figura 7</a>), projeto que aguarda para 2018 a publica&ccedil;&atilde;o em foto-livro. Durante 2 meses, Bego Ant&oacute;n refugiou-se numa vila do Norte da Isl&acirc;ndia, onde contactaria com in&uacute;meros habitantes que, acreditando em seres m&aacute;gicos, como elfos e gigantes, mostrariam &agrave; fot&oacute;grafa como no seu dia a dia encontram formas de conviver com estas criaturas m&iacute;ticas invis&iacute;veis para os demais.</p>     <blockquote>    <p><i>Most of the Icelandic people believe in the beings from the Earth: elves, trolls, fairies, huldufolk, monsters and ghosts. I met dozens of people who have the gift and I went from the north to the south of the country to find their homes and hidden places. Every new landscape confirmed that if there is a place to believe in magic, Iceland must be the place.</i> (Ant&oacute;n, 2013)</p></blockquote>     <p>Captar seres para si invis&iacute;veis, seria um novo desafio para Ant&oacute;n, que procuraria simular as imagens descritas pelos islandeses, alimentadas sobretudo por pressentimentos ora amea&ccedil;adores, ora de particular comunh&atilde;o com a paisagem de um pa&iacute;s, geol&oacute;gica e topograficamente, distinto de qualquer outro. Mais que captar os m&aacute;gicos seres, Bego tentou identificar o poderiam ser considerados vest&iacute;gios por eles deixados, que h&aacute; s&eacute;culos s&atilde;o interpretados erespeitados pelos islandeses, que modificam a sua vida pessoal e em comunidade em fun&ccedil;&atilde;o destas formas paralelas de exist&ecirc;ncia, que alimentam muita da mitologia e cultura do pa&iacute;s.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. O Processo</b></p>     <p>Como tornado explicito ao longo deste texto, nem sempre os temas que interessam a Bego Ant&oacute;n, s&atilde;o os mais f&aacute;ceis de ecoar num p&uacute;blico amplo. Este facto levanta &agrave; fot&oacute;grafa algumas dificuldades no que respeita &agrave; apresenta&ccedil;&atilde;o cred&iacute;vel dos seus intentos:</p>     <blockquote>    <p><i>My topics have no place in usual media so it's usually very hard having people trust them before they are actually finished. My interest is very particular. People don't really understand how a woman can dance with a dog until they see the pictures, or is hard to take a man seriously if he believes in elves. But I always trust 100% all of the people I meet. I believe their truth. And I think that, until there's no proof that something is true, all versions of that truth are possible. I find it very disrespectful when people critic others for their beliefs, no matter which that belief is.</i> (Ant&oacute;n, 2018)</p></blockquote>     <p>Esta abertura ao outro, por mais &uacute;nico que ele possa ser, caracteriza e define a fotografia de Bego Ant&oacute;n. A sua busca por singularidades &eacute;, deste modo, mais uma busca por indiv&iacute;duos e pelas suas hist&oacute;rias, do que por boas imagens. No entanto, as excecionais imagens que cria nascem deste humanismo que as molda e as faz acontecer, traduzindo o tempo e o cuidado nelas investido.<i></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>    <p>Talking to the people Imeetismoreimportant tomethan taking their picture; sometimes I donÂ´t even take a picture! I try very hard to understand them and ask them a ton of questions. I'm very curious and I love knowing, I usually take notes while I meet these people and then, after chatting and creating a confidence atmosphere, I photograph them. And spending that amount of time talking to them make them trust me and we get to know each other a bit. For me, going into someone's home, taking a picture in five minutes and leaving doesn't make any sense. My favorite part is to get to know them. And while we talk, the picture comes to my mind. That's my process.</i> (Ant&oacute;n, 2018)</p></blockquote>     <p>Classificar o seu trabalho ser&aacute; sempre, como a p&oacute;pria refere, uma tarefa &aacute;rdua: "I always have a hard time trying to label my work so I never do. But if I have to chose a name, I would say my work is new documentalism. My topics are usually part of reality, but an unknown reality." (Ant&oacute;n, 2018)</p>     <p>Neste sentido, talvez n&atilde;o surpreenda uma recente abertura de Ant&oacute;n a um novo trabalho que poder&aacute; acrescentar novas vertentes ao seu processo de trabalho, "All of them Witches" &#8212; uma recria&ccedil;&atilde;o visual que se foca num per&iacute;odo hist&oacute;rico negro no Pa&iacute;s Basco: a inquisi&ccedil;&atilde;o e a morte na fogueira de mulheres consideradas bruxas.</p>     <p>"There is no photographic proof of that period so I had to find inspiration in art and film, so I'm having the time of my life. I really enjoy getting information about the period." (Ant&oacute;n, 2018). Pela primeira vez, os testemunhos recolhidos por Ant&oacute;n n&atilde;o s&atilde;o diretos; pelo contr&aacute;rio, os &uacute;nicos registos escritos de eventos da &eacute;poca foram produzidos pelos inquisidores ou por historiadores sem rela&ccedil;&otilde;es pessoais com as mulheres em quest&atilde;o. Antev&ecirc;-se assim a abertura a uma nova forma de trabalho, que poder&aacute; refletir-se em fotografias que, necessariamente ser&atilde;o cada vez mais ficcionadas ou constru&iacute;das, ainda que num estilo documental.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Bego Ant&oacute;n prop&otilde;e pensar a fotografia como uma descoberta pessoal partilhada e uma aventura visualmente estimulante. Acreditando que o que melhor nos define &eacute; o que nos torna diferentes, e nutrindo uma curiosidade profunda por essa diferen&ccedil;a individual que convoca para a condu&ccedil;&atilde;o do seu pr&oacute;prio processo de trabalho, a fot&oacute;grafa procura que cada um dos projetos fotogr&aacute;ficos que abra&ccedil;a, contribuam para uma aceita&ccedil;&atilde;o que mais n&atilde;o &eacute; que um elogio &agrave;s singularidades que enriquecem o vasto campo das cren&ccedil;as, atitudes e afetos que comp&otilde;em a condi&ccedil;&atilde;o humana.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Agradecimentos</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Bolseira de doutoramento FCT, Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, Portugal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Ant&oacute;n, Bego (2013a) <i>Butterfly Days</i>. &#91;Consult. 2017-12-28&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://begoanton.com/butterfly-days/" target="_blank">http://begoanton.com/butterfly-days/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1460417&pid=S1647-6158201800020001600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ant&oacute;n, Bego (2013b) <i>The Earth is only a little dust under our feet</i>. &#91;Consult. 2018-01-03&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://begoanton.com/the-earth-is-only-a-little-dust-under-our-feet/" target="_blank">http://begoanton.com/the-earth-is-only-a-little-dust-under-our-feet/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1460418&pid=S1647-6158201800020001600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ant&oacute;n Bego (2016) Photographer <i>Bego Ant&oacute;n travels the U.S.</i>. &#91;Consult. 2018-01-03&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href=" https://www.youtube.com/watch?v=XgLkapGYOh0&t=1s" target="_blank">https://www.youtube.com/watch?v=XgLkapGYOh0&t=1s</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1460419&pid=S1647-6158201800020001600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ant&oacute;n, Bego (2017) <i>Bego Ant&oacute;n</i>. &#91;Consult.2018-01-02&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=DEyQcEr1d_I" target="_blank">https://www.youtube.com/watch?v=DEyQcEr1d_I</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1460420&pid=S1647-6158201800020001600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Cohan, Michelle (2015)<i>'The world's ugliest dog' isn't so ugly</i>. &#91;Consult. 2018-01-02&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://edition.cnn.com/2015/01/08/living/cnnphotos-ugly-mugly/index.html" target="_blank">http://edition.cnn.com/2015/01/08/living/cnnphotos-ugly-mugly/index.html</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1460421&pid=S1647-6158201800020001600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Garc&iacute;a, Cristina (2015) <i>Bego Ant&oacute;n, la verdad esta ahi fuera</i>. &#91;Consult. 2018-01-03&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href=" https://algunasplantasraras.wordpress.com/2015/01/15/13744/" target="_blank">https://algunasplantasraras.wordpress.com/2015/01/15/13744/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1460422&pid=S1647-6158201800020001600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Enviado a 04 de janeiro de 2018 e aprovado a 17 de janeiro de 2018</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:susanavrocha@gmail.com">susanavrocha@gmail.com</a> (Susana Rocha)</p>      ]]></body><back>
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