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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Natureza e Linguagem, Grafia e Organicidade: um estudo crítico sobre a Série Plantas de Sylvia Furegatti]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The Plants Series, begun in 2006 by the Brazilian artist Sylvia Furegatti, has been acknowledging unfolding through the instigating production of objects, installations, interventions and artist's books that expand the original creative reason - derived from new artistic demands. Priority: the relations contemporary between nature and language and the transits between spelling and organicity. Therefore, the artist connects herself with the tradition of scientific illustration and the innovation of bioart.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Natureza e Linguagem, Grafia e Organicidade: um estudo cr&iacute;tico sobre a S&eacute;rie Plantas de Sylvia Furegatti</b></p>     <p><b>Nature and Language, Spelling and Organicity: a Critical Study about the Plant Series of Sylvia Furegatti</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Marcos Rizolli*</b></p>     <p>*Brasil, Artista Visual.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM); Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o, Arte e Hist&oacute;ria da Cultura, Grupo de Pesquisa (CNPq) Arte e Linguagens Contempor&acirc;nea. R. da Consola&ccedil;&atilde;o, 930 &#8212; Consola&ccedil;&atilde;o, S&atilde;o Paulo &#8212; SP, 01302-907, Brasil.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b></p>     <p>A S&eacute;rie <i>Plantas</i>, iniciada em 2006 pela artista brasileira Sylvia Furegatti, vem reconhecendo desdobramentos atrav&eacute;s de instigante produ&ccedil;&atilde;o de objetos, instala&ccedil;&otilde;es, interven&ccedil;&otilde;es e livros de artista que expandem a raz&atilde;o criativa original &#8212; derivada em novas demandas art&iacute;sticas. Prioritariamente: a rela&ccedil;&otilde;es contempor&acirc;neas entre natureza e linguagem e os tr&acirc;nsitos entre grafia e organicidade. Assim, a artista conecta-se com a tradi&ccedil;&atilde;o da ilustra&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e a inova&ccedil;&atilde;o da bioarte.</p>     <p><b>Palavras chave:</b> natureza e linguagem / tecnologias art&iacute;sticas / Sylvia Furegatti.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b></p>     <p>The Plants Series, begun in 2006 by the Brazilian artist Sylvia Furegatti, has been acknowledging unfolding through the instigating production of objects, installations, interventions and artist's books that expand the original creative reason &#8212; derived from new artistic demands. Priority: the relations contemporary between nature and language and the transits between spelling and organicity. Therefore, the artist connects herself with the tradition of scientific illustration and the innovation of bioart.</p>     <p><b>Keywords:</b> nature and language / artistic technologies / Sylvia Furegatti.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sylvia Furegatti, artista brasileira, docente no Curso de Artes Visuais da Universidade de Campinas, vem construindo uma expressividade que age na converg&ecirc;ncia entre natureza e linguagem &#8212; e que a faz despontar como emergente personalidade na cena art&iacute;stica contempor&acirc;nea.</p>     <p>Essa rela&ccedil;&atilde;o se processa de forma &iacute;ntima e delicada. Enquanto desenha e objetualiza, cria paisagens m&iacute;nimas &#8212; que bem sabem aproveitar sua inicial forma&ccedil;&atilde;o em Artes Visuais e sua m&aacute;xima titula&ccedil;&atilde;o em Hist&oacute;ria da Arquitetura e do Urbanismo.</p>     <p>No &acirc;mbito da natureza, tomou como suporte corpos naturais, escolhendo e recortando folhas de plantas suculentas &#8212; que atuam tanto como suporte quanto como argumento para, estrategicamente, revelar &iacute;ntimas organicidades. No &acirc;mbito da linguagem, escolheu o linearismo do desenho &#8212; que no uso do nanquim branco com o bico de pena configura imagens florais (raizes, bulbos, ramos, folhas, flores) fazendo surgir delicadas grafias.</p>     <p>A artista unge as duas dimens&otilde;es &#8212; natureza e linguagem / grafia e organicidade &#8212; atrav&eacute;s de registros fotogr&aacute;ficos aptos ao estabelecimento de complementariedades formal-imag&eacute;ticas, articula&ccedil;&otilde;es estrutural-espaciais e acr&eacute;scimos viso-conceituais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Uma Tese</b></p>     <p>Sua pesquisa doutoral <i>Arte de meio urbano. Elementos de forma&ccedil;&atilde;o da est&eacute;tica extramuros no Brasil</i>, apresentada em 2007 &agrave; Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de S&atilde;o Paulo anunciava as preocupa&ccedil;&otilde;es conceituais da produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica que estava em elabora&ccedil;&atilde;o. A artista j&aacute; estava envolvida com uma linhagem de pesquisa que:</p>     <blockquote>    <p><i>Disserta sobre os aspectos constitutivos da pr&aacute;tica e do discurso das formas da a&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica contempor&acirc;nea&#8230; projetos, textos, trabalhos art&iacute;sticos, bem como contextos urbanos e culturais importantes paraaverifica&ccedil;&atilde;odas rela&ccedil;&otilde;es travadas pelos agentes do circu&iacute;to art&iacute;stico na atualidade. Das experimenta&ccedil;&otilde;es ambientais&#8230; procura analisar as estrat&eacute;gias que levam a Arte a um estado poss&iacute;vel de ser compreendido como Extramuros</i> (Furegatti, 2007: resumo).</p></blockquote>     <p>Tudo isso, para dimensionar a S&eacute;rie <i>Plantas</i>, objeto deste estudo cr&iacute;tico, iniciada com a obra <i>Work in progress</i>, de 2006 (<a href="#f1">Figura 1</a>).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v9n23/9n23a02f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Assim, a partir da obra inicial, considerada o primo-motor da s&eacute;rie, Sylvia Furegatti investiu num processo de deriva&ccedil;&otilde;es meta-criativas &#8212; compreendendo significativa expans&atilde;o das pr&oacute;prias concep&ccedil;&otilde;es de natureza e linguagem, traduzidas em adulteradas organicidades e empenhadas grafias. Estabeleceu, ent&atilde;o, agudas simbioses entre paisagem e organismo. A S&eacute;rie <i>Plantas</i>, at&eacute; hoje vigente no imagin&aacute;rio da artista, compreende corpos vegetais e corpos humanos; membranas e peles &#8212; estruturas devidamente percebidas em trabalhos mais recentes.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. A S&eacute;rie <i>Plantas</i></b></p>     <p>A partir de <i>Work in progress</i> a artista definiu um intenso cotidiano de pesquisa, cria&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o. Elaborou a fus&atilde;o de desenho, fotografia, objeto escult&oacute;rico e instala&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica &#8212; numa proposta expressiva que empregava materiais org&acirc;nicos para apresentar uma sobreposi&ccedil;&atilde;o de marcas visuais elaboradas sobre peles ou superf&iacute;cies, humanas ou de plantas, nas quais se demarcavam refer&ecirc;ncias de vida, de mem&oacute;ria &#8212; a natureza animada e seus registros de linguagem.</p>     <p>As primeiras pe&ccedil;as criadas &#8212; que compreendiam as folhas destacadas, com suas superf&iacute;cies desenhadas foram fixadas em paredes e justapostas com pequenas imagens fotogr&aacute;ficas que apresentavam detalhes de corpos de pessoas com desenhos sobre a pele &#8212; justamente escolhidas, por portarem manchas ou pintas naturais que, para a artista, constituiam uma esp&eacute;cie de jardim florido, organicamente desenhado. Ent&atilde;o, a conviv&ecirc;ncia entre universo humano e mundo vegetal se potencializava atrav&eacute;s das rela&ccedil;&otilde;es estabelecidas entre as fotografias e as folhas das plantas &#8212; que, por suas vezes, detinham em suas superf&iacute;cies desenhos de outras esp&eacute;cies, gerando novos jardins.</p>     <p>A intimidade e a delicadeza da S&eacute;rie <i>Plantas</i> continuamente se renovam: as ideias sobre os ciclos da vida transmutam-se em imagens, objetos, livros de artista e interven&ccedil;&otilde;es. Afinal, a artista faz com que a natureza resulte em linguagem &#8212; ainda que a materialidade essencial da s&eacute;rie seja a pr&oacute;pria natureza. Um argumento bem contempor&acirc;neo!</p>     <p>Num segundo momento do projeto, em exposi&ccedil;&atilde;o realizada na Galeria de Artes da UNICAMP, em 2009, folhas jovens da esp&eacute;cie <i>Agave avellanidens</i> serviram de suporte para desenhos, ent&atilde;o tatuados em suas peles/superf&iacute;cies. As folhas tautadas foram apresentadas em caixas de acr&iacute;lico transparente, fixadas nas paredes (<a href="#f2">Figura 2</a>). Essas pe&ccedil;as receberam o t&iacute;tulo de <i>Epiphytas</i> (Epi=sobre; phyton=planta) e permitiram que a artista descobrisse o tempo m&eacute;dio de dura&ccedil;&atilde;o do trabalho que, de algum modo, reconhecia e compreendia o ciclo de perman&ecirc;ncia da vida vegetal.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v9n23/9n23a02f2.jpg"></a>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Assim, na extens&atilde;o do per&iacute;odo expositivo, as folhas &#8212; destacadas de suas organicidades vitais &#8212; permaneceram perfeitas por cerca de 4 meses, respeitado o processo de autonutri&ccedil;&atilde;o e posterior deteriora&ccedil;&atilde;o das plantas.</p>     <p>Fazendo evoluir o projeto, em abril de 2013, para a experi&ecirc;ncia da Ocupa&ccedil;&atilde;o da Moradia Estudantil da UNICAMP, as plantas escolhidas foram da esp&eacute;cie <i>Sansevieria Trifasciata</i>, popularmente conhecidas por <i>Espada de S&atilde;o Jorge</i> (<a href="#f3">Figura 3</a>). Dessa vez, as folhas estavam dispostas em vasos e com isso, num&eacute;rica e tridimensionalmente, se tranformaram numa mais evidenciada proposta de interven&ccedil;&atilde;o e instala&ccedil;&atilde;o. Plantadas em latas cil&iacute;ndricas de alum&iacute;nio, as folhagens reconheceram novos desenhos, advindos do universo das ilustra&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas: portavam flores desenhadas com tinta branca na parte alta das folhas; portavam, ainda, textos que informavam seus nomes cient&iacute;ficos &#8212; informa&ccedil;&otilde;es selecionadas de "um dos meus livros de refer&ecirc;ncia para esse vi&eacute;s assumido pelo meu trabalho entre Arte, Paisagem e Natureza, trata-se do livro <i>Garden of Eden</i> (2008), de H. Walter Lack" (Furegatti, 2013).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v9n23/9n23a02f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Atrav&eacute;s da S&eacute;rie <i>Plantas</i>, Sylvia Furegatti vem continuamente nos surpreendendo com trabalhos de instala&ccedil;&atilde;o, interven&ccedil;&atilde;o, maquetes e livros de artista &#8212; que encontram na paisagem os seus elementos estruturais.</p>     <p>A artista vem dedicando-se aos necess&aacute;rios cruzamentos entre estudos acad&ecirc;micos e projetos art&iacute;sticos &#8212; orientados pela contempor&acirc;nea rela&ccedil;&atilde;o Arte-e-Meio. J&aacute; realizou v&aacute;rias interven&ccedil;&otilde;es na paisagem da cidade de Campinas e de outros centros urbanos, al&eacute;m de agir coletivamente constru&ccedil;&atilde;o de in&uacute;meros projetos art&iacute;sticos devenvolvidos pelo Grupo Pparalelo de Arte Contempor&acirc;nea, do qual a artista &eacute; sua fundadora e l&iacute;der criativa.</p>     <blockquote>    <p><i>O interesse da artista em apresentar plasticamente elementos origin&aacute;rios da paisagem que, supostamente, fazem nascer os lugares e as coisas que percebemos no mundo, guarda ainda a inten&ccedil;&atilde;o de propor uma reflex&atilde;o sobre a origem do trabalho art&iacute;stico contempor&acirc;neo, evidentemente conceitual, dada a freq&uuml;ente pesquisa de novos materiais, tempos de dura&ccedil;&atilde;o e valores para o objeto da arte</i> (Morethy Couto, 2009: texto de apresenta&ccedil;&atilde;o).</p></blockquote>     <p>Com intimidade e delicadeza, a artista define, dia-a-dia, um projeto art&iacute;stico multidimensional: as instala&ccedil;&otilde;es formadas por objetos de parede que trazem folhas de plantas com desenhos descritivos da bot&acirc;nica aplicados sobre sua estrutura; os livros de artista, cujos volumes s&atilde;o adquiridos em sebos, reconhecem interfer&ecirc;ncias de novos desenhos e colagens; a arquitetura (dos corpos, das planta, das paredes e espa&ccedil;os da galeria, da cidade, da paisagem&#8230; na linguagem) &#8212; percebida como argumento e contexto criativo. Sylvia faz, assim, prevalecer a percep&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o, em sua rela&ccedil;&atilde;o com as coisas:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <blockquote>    <p><i>O espa&ccedil;o &eacute; compreendido enquanto elemento estruturante do sistema da arte; lugar de embate dos seus diversos agentes e que pode tomar variadas formas de apresenta&ccedil;&atilde;o, demandar interpreta&ccedil;&otilde;es diferenciadas e exigir daquele que investiga uma postura atenta &agrave; din&acirc;mica pr&oacute;pria ao nosso tempo. A partir dessa perspectiva, que reconhece a impossibilidade de se discutir aarte contempor&acirc;neade um lugar &uacute;nico ou fixo</i> (Morethy Couto; Furegatti, 2013:02)</p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. A ilustra&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e a bioarte</b></p>     <p>A S&eacute;rie Plantas, tamb&eacute;m se conecta com o ide&aacute;rio da ilustra&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica: uma atividade secular, que acompanha o conhecimento do homem desde os prim&oacute;rdios de sua exist&ecirc;ncia e reflete, al&eacute;m de sua capacidade de aprendizagem, a sua evolu&ccedil;&atilde;o, deixando preciosos registros da natureza. A diversidade tem&aacute;tica da ilustra&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica &eacute; t&atilde;o grande quanto a da pr&oacute;pria ci&ecirc;ncia. A multiplicidade de t&eacute;cnicas dispon&iacute;vel permite ao ilustrador a elabora&ccedil;&atilde;o de imagens claras, objetivas e, ao mesmo tempo, cativantes. Na busca da imagem que melhor transmita a informa&ccedil;&atilde;o que se deseja, o ilustrador cient&iacute;fico vai do hiper-realismo, passando pelo realismo at&eacute; a simplifica&ccedil;&atilde;o das formas ou mesmo desconstru&ccedil;&atilde;o da realidade.</p>     <p>Entre arte e ci&ecirc;ncia, a S&eacute;rie <i>Plantas</i> quanto mais evolui, tanto mais se debru&ccedil;a num di&aacute;logo multidimensional composto por desenhos cient&iacute;ficos, fotografias, v&iacute;deos, livros de artista, instala&ccedil;&otilde;es com plantas vivas &#8212; natureza e linguagem, grafias e organicidades, ent&atilde;o, formam um metaf&oacute;rico arquip&eacute;lago (<a href="#f4">Figura 4</a> e <a href="#f5">Figura 5</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v9n23/9n23a02f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v9n23/9n23a02f5.jpg"></a>     
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<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Bioarte &eacute; um conceito de constru&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica que compreende pesquisas interdisciplinares que fazem convergir arte e ci&ecirc;ncia. Termo originalmente vinculado aos modos de apropria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica de conhecimentos cient&iacute;ficos e tecnol&oacute;gicos, que envolvem quest&otilde;es sobre a vida, atrav&eacute;s de uma abordagem art&iacute;stica. A bioarte transgride &agrave; vis&atilde;o racional predominante nas ci&ecirc;ncias:</p>     <blockquote>    <p><i>Tendo em vista que as tecnologias digitais se desenvolveram no sentido de tornarem uma extens&atilde;o artificial da mente humana, as obras desenvolvidas neste campo da arte exp&otilde;e a vis&atilde;o dos artistas com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s contradi&ccedil;&otilde;es da vida artificial e de conceitos que implicam no assunto como org&acirc;nico e inorg&acirc;nico, animado e inanimado</i> (Silveira, 2013).</p></blockquote>     <p>A bioarte, t&atilde;o peculiarmente apropriada por Sylvia Furegatti, torna-se uma pr&aacute;tica art&iacute;stica na qual o meio &eacute; a mat&eacute;ria viva, embora exista alguma discuss&atilde;o quanto aos est&aacute;gios nos quais a mat&eacute;ria pode ser considerada viva ou vivente. Se os materiais usados pelos bioartistas s&atilde;o os organismos vivos, &eacute; exatamente assim que age a artista. E, certamente, expressar-se atrav&eacute;s de interven&ccedil;&otilde;es nas formas vivas desperta quest&otilde;es &eacute;ticas e est&eacute;ticas. A bioarte &eacute; uma experi&ecirc;ncia do s&eacute;culo XXI para artistas que desejam aproximar ainda mais artes e ci&ecirc;ncias.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Atrav&eacute;s da S&eacute;rie <i>Plantas</i> &#8212; entre tantas outras igualmente significativas e instigantes &#8212; Sylvia Furegatti soube construir uma s&oacute;lida trajet&oacute;ria art&iacute;stica. Com not&aacute;vel coer&ecirc;ncia expressiva, que alia teoria e pr&aacute;tica, sempre nos oferece &iacute;ntimas e delicadas respostas ao contempor&acirc;neo questionamento acerca dos limites da arte &#8212; em seus processos de legitima&ccedil;&atilde;o das avan&ccedil;adas pr&aacute;ticas art&iacute;sticas, do cont&iacute;nuo exerc&iacute;cio cr&iacute;tico e das demandas relacionais com o sistema da arte.</p>     <blockquote>    <p><i>Sua eletiva inspira&ccedil;&atilde;o em movimentos art&iacute;sticos que, nos anos 1960, buscaram romper com os paradigmas modernistas &eacute; clara e se faz evidente tanto em suas pesquisas acad&ecirc;micas quanto em seus trabalhos pr&aacute;ticos, voltados para a discuss&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o da arte com seu entorno, do homem com seu ambiente</i> (Morethy Couto; Furegatti, 2013:02)</p></blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Int&iacute;mas e delicadas &#8212; as propostas art&iacute;sticas da artista (para muito al&eacute;m das fotografias, dos desenhos, dos objetos, das instala&ccedil;&otilde;es, das interven&ccedil;&otilde;es, dos livros de artista, da bioarte) reivindicam o interacionismo obra-espectador. A S&eacute;rie <i>Plantas</i>, nos seus mais diversificados est&aacute;gios, prop&otilde;e permanente percep&ccedil;&atilde;o ativa. O campo tensional entre obra e espectador se amplia, torna-se complexo. Da intimidade das ilustra&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas, perpassando a delicadeza da vida vegetal, Plantas se expande para a natureza &#8212; sem deixar de ser linguagem.</p>     <p>Entre natureza e linguagem, entre grafias e organicidades, dilui-se a presen&ccedil;a da artista e a unicidade do objeto art&iacute;stico. Tudo, ent&atilde;o, retorna &agrave; vida!</p>     <p>Por fim, na S&eacute;rie <i>Plantas</i>, o interesse da artista est&aacute; na simples apresenta&ccedil;&atilde;o da natureza &#8212; ainda que qualitativa, indexical e simbolicamente representada pelos registros de linguagem que a humanidade historicamente elaborou &#8212; os signos. Eles fazem nascer as coisas e os lugares; nossa percep&ccedil;&atilde;o de mundo; nossa conci&ecirc;ncia contempor&acirc;nea; enfim, a arte.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Furegatti, Sylvia (2007) <i>Arte de meio urbano: Elementos de forma&ccedil;&atilde;o da est&eacute;tica extramuros no Brasil</i>. Tese de Doutorado. S&atilde;o Paulo: FAU-USP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1460753&pid=S1647-6158201800030000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Furegatti, Sylvia (2013). <i>Apontamentos sobre a s&eacute;rie plantas</i>. &#91;Consult. 2017-12-27&#93; <a href="http://www.pparalelo.art.br/acoes/sylvia-furegatti-apontamentos-sobre-a-serie-de-plantas/" target="_blank">http://www.pparalelo.art.br/acoes/ sylvia-furegatti-apontamentos-sobre-a-serie-de-plantas/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1460755&pid=S1647-6158201800030000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Lack, Hans Walter (2008) <i>Garden of Eden</i>. Col&ocirc;nia: Taschen. ISBN 3826503042&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1460756&pid=S1647-6158201800030000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Morethy Couto, Maria de F&aacute;tima (2009) &#91;Texto de Apresenta&ccedil;&atilde;o&#93; Galeria de Arte do Instituto de Artes &#8212; UNICAMP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1460757&pid=S1647-6158201800030000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Morethy Couto, Maria de F&aacute;tima; Furegatti, Sylvia Helena (Orgs.) (2013) <i>Espa&ccedil;os da Arte Contempor&acirc;nea</i>. S&atilde;o Paulo: Alameda. ISBN 978-85-7939-216-0&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1460759&pid=S1647-6158201800030000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Silveira, Erico (2013). <i>Bioarte</i>. <a href="http://compreendendobioarte.blogspot.com.br/2013/01/o-que-e-bioarte.html" target="_blank">http://compreendendobioarte.blogspot.com.br/2013/01/o-que-e-bioarte.html</a> &#91;Consult. 2017-12-27&#93;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1460760&pid=S1647-6158201800030000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Enviado a 02 de janeiro de 2018 e aprovado a 17 de janeiro de 2018</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:marcos.rizolli@mackenzie.br">marcos.rizolli@mackenzie.br</a> (Marcos Rizolli)</p>      ]]></body><back>
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