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<publisher-name><![CDATA[Universidade de LisboaFaculdade de Belas-Artes]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA['O espectador fotógrafo: Zénon Piéters' e o livro como espaço para as imagens de Patricia Franca-Huchet]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA['The viewer photographer: Zénon Piéters' and the book like space for the images from Patricia Franca-Huchet]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal de Minas Gerais Escola de Belas Artes ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA["The viewer photographer: Zénon Piéters" (2011) is abook of the artist and researcher Patricia Franca-Huchet, whose work with the photography and literature images involve writing, editing and fiction of ordination fragments. This editing it behaves like a subjectivation device for excellence visual and tactile, relational and intellectual. In this space for images, it is important to know how the artist, through his poetic work, instigates a debate around the image and discursiveness in art, sharing thought and image.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>'O espectador fot&oacute;grafo: Z&eacute;non Pi&eacute;ters' e o livro como espa&ccedil;o para as imagens de Patricia Franca-Huchet</b></p>     <p><b>'The viewer photographer: Z&eacute;non Pi&eacute;ters' and the book like space for the images from Patricia Franca-Huchet</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>B&aacute;rbara Mol*</b></p>     <p>*Brasil artista visual e psquisadora.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Escola de Belas Artes, Programa de P&oacute;s Gradua&ccedil;&atilde;o em Artes. Av. Pres. Ant&ocirc;nio Carlos, 6627 &#8212; Liberdade, Belo Horizonte &#8212; MG, CEP 31270-901, Brasil.<b></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b></p>     <p>"O espectador fot&oacute;grafo: Z&eacute;non Pi&eacute;ters" (2011) &eacute; imagem, livro e obra de Patricia Franca-Huchet, artista e pesquisadora brasileira, cujo trabalho com as imagens da fotografia e da literatura envolvem escrita, montagem e fic&ccedil;&atilde;o. Este espa&ccedil;o para as imagens se porta como um dispositivo de subjetiva&ccedil;&atilde;o visual, t&aacute;til e intelectual, por excel&ecirc;ncia relacional. Busca-se saber como o artista, por meio de seu trabalho po&eacute;tico, instiga um debate em torno da imagem e do tempo ao partilhar pensamento e imagem, conduzido por uma singular discursividade na arte.</p>     <p><b>Palavras chave:</b> Imagem / livro / poeticidade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b></p>     <p>"The viewer photographer: Z&eacute;non Pi&eacute;ters" (2011) is abook of the artist and researcher Patricia Franca-Huchet, whose work with the photography and literature images involve writing, editing and fiction of ordination fragments. This editing it behaves like a subjectivation device for excellence visual and tactile, relational and intellectual. In this space for images, it is important to know how the artist, through his poetic work, instigates a debate around the image and discursiveness in art, sharing thought and image.</p>     <p><b>Keywords:</b> Image / book / poeticity.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>    <p><i>&Agrave;</i> <i>imagem de Walter Benjamin &#8212; "o principal &eacute; arrancar fragmentos de seus contextos e lhes impor uma nova ordem, de tal forma que eles possam se iluminar mutualmente e justificar, por assim dizer, livremente suas exist&ecirc;ncias</i></p>     <p>(Franca-Huchet, 2011).</p></blockquote>     <blockquote>    <p><i>E com o escritor o mundo inteiro escreve</i></p>     <p> (Duras, 1995: 24).</p></blockquote>     <p>Depois de tr&ecirc;s ou mais x&iacute;caras de caf&eacute;, numa noite em Paris de 2009, a conversa entre a artista brasileira Patricia Franca-Huchet e o fot&oacute;grafo amador Z&eacute;non Pi&eacute;ters come&ccedil;ava a se cristalizar em imagens.</p>     <p>Vest&iacute;gio incandescente da constela&ccedil;&atilde;o imag&eacute;tica inacabada da artista, "O espectador fot&oacute;grafo: Z&eacute;non Pi&eacute;ters" (<a href="#f1">Figura 1</a>) &eacute; a primeira publica&ccedil;&atilde;o da s&eacute;rie nomeada "Os quatro fot&oacute;grafos. " S&eacute;rie em processo sobre fot&oacute;grafos, imagens, narrativas autobiogr&aacute;ficas e ficcionais, em que a artista, pesquisadora e tamb&eacute;m professora de desenho da Escola de Belas Artes, na Universidade Federal de Minas Gerais (Brasil) desenvolve e atualiza a tradi&ccedil;&atilde;o pertencente &agrave; experi&ecirc;ncia liter&aacute;ria e &agrave; hist&oacute;ria da arte de narrar.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v9n23/9n23a07f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Imagem, livro, obra</b></p>     <p>"O espectador fot&oacute;grafo" parte daquele encontro durante o inverno franc&ecirc;s, no qual imagens, lembran&ccedil;as e reflex&otilde;es da artista pesquisadora e do fot&oacute;grafo, leitor e melanc&oacute;lico, s&atilde;o registradas numa edi&ccedil;&atilde;o, de &uacute;nico exemplar, atrav&eacute;s de resson&acirc;ncias picturais e liter&aacute;rias sentidas e discutidas, postas em rela&ccedil;&atilde;o e em di&aacute;logo.</p>     <p>Este trabalho atual com a escrita e a imagem desestabiliza a no&ccedil;&atilde;o de representa&ccedil;&atilde;o, da fotografia de nos mostrar tudo e, ainda, evoca outra no&ccedil;&atilde;o de tempo cultivada pela artista, por meio do procedimento sens&iacute;vel da montagem. Para esta autora, h&aacute; um tempo fundado pela opera&ccedil;&atilde;o po&eacute;tica: o tempo das imagens e seus fragmentos. Para mim, artista espectadora leitora h&aacute;, ainda, o tempo para folhear e sentir as p&aacute;ginas, de voltar e retomar alguma imagem e algum fragmento.</p>     <p>&Agrave; sua maneira, <i>Z&eacute;non Pi&eacute;ters</i> (<a href="#f2">Figura 2</a>) tamb&eacute;m funda seu pr&oacute;prio tempo quando retoma sua hist&oacute;ria: filho de uma fam&iacute;lia de livreiros que se torna fot&oacute;grafo pela necessidade de escolher deliberadamente seus gestos. Por uma necessidade de emancipar-se de seu destino pr&eacute;-determinado pelo "personagem <i>Z&eacute;non Ligre</i> que lhe deu, desde a inf&acirc;ncia, um nome, uma dire&ccedil;&atilde;o e at&eacute; mesmo uma forma de inicia&ccedil;&atilde;o", de acordo com a autora brasileira. Esta figura inici&aacute;tica vem do romance <i>L'Oeuvre au noir,</i> da escritora Marguerite Yourcenar (19031987), evocado por <i>Pi&eacute;ters</i> e Franca-Huchet, lan&ccedil;ando-nos para fora do livro e, por uma sutil simultaneamente, j&aacute; nos convidando a mergulhar em outra experi&ecirc;ncia livresca.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v9n23/9n23a07f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>De espec&iacute;fico volume e peso, esta edi&ccedil;&atilde;o ilumina o m&eacute;todo formal, espiritual e intelectual com o qual a artista trabalha. Isto &eacute;, o modo como Franca-Huchet d&aacute; a ver a imagem, a evidencia instaurando em seu centro a rela&ccedil;&atilde;o do fotograf&aacute;vel e daquilo incapaz de se tornar foto.</p>     <p>O que impele a quest&atilde;o: qual o status do objeto a ser fotografado? Abrindo a d&uacute;vida para outros gestos: qual o status daquele que fotografa, qual o status da pr&oacute;pria fotografia, da imagem, da arte, do artista, etc.</p>     <p>A impossibilidade de se fotografar uma pintura &eacute; uma tomada de consci&ecirc;ncia daquele que cuidadosamente comtempla as imagens, daquele que defende sua materialidade, sua intransfer&iacute;vel visibilidade enquanto fen&ocirc;meno art&iacute;stico. Esta problem&aacute;tica se d&aacute; a ver com a pr&oacute;pria visualidade trabalhada, uma vez que as imagens assumem aspectos diferentes no livro: de um lado, se reportam ao di&aacute;logo, mais diretamente, em preto e branco, referindo-se &agrave; uma certa passagem e afirma&ccedil;&atilde;o da escrita. De outro, se distingue pelas imagens em cor, nas p&aacute;ginas finais do livro, convocadas na discuss&atilde;o entre <i>Z&eacute;non</i> e Patricia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As imagens em cor mostram uma s&eacute;rie de pinturas &#8212; e suas molduras expostas, sobre um fundo indeterminado onde, &agrave;s vezes, h&aacute; uma pequena legenda de identifica&ccedil;&atilde;o da obra. Esta apari&ccedil;&atilde;o acontece quando a artista, ao inv&eacute;s do todo, exp&otilde;e apenas trechos e tangencia o quadro. Como se a pintura repelisse o aparelho fotogr&aacute;fico.</p>     <p>Este justo modo de olhar e de produzir imagens consciente de que a fotografia como ato de ver, criticamente o real, &eacute; impotente em apreender a totalidade das coisas. Isto &eacute;, a artista em di&aacute;logo com <i>Z&eacute;non</i> revela sua justa posi&ccedil;&atilde;o diante dasimagensao defenderasingularidadedesua mat&eacute;ria. Antes detudo, &eacute;aconsci&ecirc;ncia da potente unicidade de cada imagem e de sua linguagem (<a href="#f3">Figura 3</a>). A fotografia e sua rela&ccedil;&atilde;o com a pintura &#8212; pr&aacute;tica da artista desde 1992 &#8211;, a escrita e a fic&ccedil;&atilde;o s&atilde;o ambival&ecirc;ncias com as quais Franca-Huchet manipula seu <i>corpus</i> imag&eacute;tico, aproximando hist&oacute;ria da arte, literatura, pintura e fotografia em meio &agrave;s experi&ecirc;ncias pessoais &#8212; mem&oacute;ria, percep&ccedil;&atilde;o, sonho. Entrela&ccedil;ando o difuso e disforme, o sonho e a fic&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria, a autora potencializa novos significados integrando os res&iacute;duos sens&iacute;veis, tramando os fragmentos e restos do mundo imageantes, cita&ccedil;&otilde;es, coincid&ecirc;ncias e conting&ecirc;ncias em um espa&ccedil;o que administra tr&ecirc;s graus da experi&ecirc;ncia: o real, o fict&iacute;cio e o imagin&aacute;rio &#8212; cintilando a imagem do "n&oacute; de Borromeu" de Jacques Lacan, em que as tr&ecirc;s esferas se relacionam talvez, ao dar destino as imagens, ora ao dispor a cria&ccedil;&atilde;o em uma fic&ccedil;&atilde;o tornando-a real, ora irrealizando o real.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v9n23/9n23a07f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Isto &eacute;, tomadas a imagem e a escrita na mesma situa&ccedil;&atilde;o, ordena uma transgress&atilde;o: dar apar&ecirc;ncia de realidade ao irreal (Cassirer, 1994). Algo como atualizar certo gesto de fingir &#8212; quando encena o encontro entre ela e <i>Z&eacute;non Pi&eacute;ters,</i> no <i>Caf&eacute; Pistache</i> em Paris<i>,</i> por exemplo. Mas aqui, fingir n&atilde;o &eacute; mentir, uma vez que nessas opera&ccedil;&otilde;es imag&eacute;ticas n&atilde;o h&aacute; inten&ccedil;&atilde;o de provocar engano ou confus&atilde;o e, sim, a inten&ccedil;&atilde;o de partilhar a vontade da artista de ser outro tal o poeta portugu&ecirc;s Fernando Pessoa (1888-1935) e seus heter&ocirc;nimos.</p>     <p><i>Z&eacute;non Pi&eacute;ters,</i> seu personagem heter&ocirc;nimo, pode representar tal tr&iacute;ade e ser outra imagem daquele n&oacute;, na medida em que surge de um escape do real, por certo distanciamento que se deixa aproximar, um escape enviesado (<a href="#f4">Figura 4</a>). Algo como quando se desvia o olhar e o redireciona, obliquamente, algo que desde j&aacute; configura uma tomada de posi&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica e filos&oacute;fica em que o espectador leitor se situa pr&oacute;ximo &agrave; imagem e, inda assim, consegue mant&ecirc;-la aberta, em curvatura.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v9n23/9n23a07f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Sentir-se pr&oacute;ximo da imagem tem rela&ccedil;&atilde;o como a proximidade do livro. Ao perceber o corpo do livro e seus quatro limiares, observa-se que existe um modo de segur&aacute;-lo em que &eacute; necess&aacute;rio formar uma esp&eacute;cie de par&ecirc;nteses para mant&ecirc;-lo nas m&atilde;os. Enquanto uma face se volta para o centro do leitor, a outra se abre para fora, para o tempo e para o outro. Este outro que pode ter as m&atilde;os apressadas ou lentas, suaves ou abruptas, sens&iacute;veis ou indiferentes &agrave;s imagens (<a href="#f5">Figura 5</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v9n23/9n23a07f5.jpg"></a>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&Eacute; por meio destes movimentos que ao sair da leitura, pergunto-me como o livro pode precipitar imagin&aacute;rios, mem&oacute;rias, imagens? Como as leituras nos colocam em frente a um infinito e como poder&iacute;amos segur&aacute;-lo nas m&atilde;os? Sem pretender resolver tais indaga&ccedil;&otilde;es, penso sobre a face da imagem posta para fora do objeto, ou seja, ex-posta e que &eacute; nesta exterioridade que se d&aacute; alguma possibilidade para o pensamento cr&iacute;tico e reflexivo sobre a obra, isto &eacute;, para a entrada de outros criadores.</p>     <p>Ao 'reerguer o olhar' de um livro e de uma imagem, seguindo a no&ccedil;&atilde;o barthesiana, somos capazes de dar vida aos textos porque quando lemos damos-lhes postura (Barthes, 1988). Se damos postura aos textos &eacute; porque agimos por um fen&ocirc;meno ambivalente em que ler &eacute; escrever &#8212; em n&oacute;s &#8212; tais textos. Somos n&oacute;s, os espectadores leitores, que expandimos imagens, que multiplicamos textos, que impulsionamos o real e a fic&ccedil;&atilde;o. &Eacute; porque habitamos a escrita, fazendo da literatura nossa morada, em inst&acirc;ncia. Afinal, &eacute; o leitor que inaugura qualquer leitura.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. A artista e o <i>bricoleur</i></b></p>     <p>O car&aacute;ter daquele que trabalha com a imagem por meio desta espec&iacute;fica disposi&ccedil;&atilde;o estabelece v&iacute;nculo com o <i>bricoleur</i>. O verbo <i>bricoler</i> tem o sentido de ziguezaguear, fazer de forma provis&oacute;ria, falsificar, traficar, jogar. Na antropologia, Claude L&eacute;vi-Strauss (1908-2009), em <i>O Pensamento Selvagem</i> (2008), pensou sobre o <i>bricoleur</i> como aquele que se volta para os res&iacute;duos de obras humanas e trabalha sobre algo j&aacute; constitu&iacute;do para fazer ou refazer seu invent&aacute;rio. Ele interroga seu conjunto de utens&iacute;lios e materiais a fim de compreend&ecirc;-los, "contribuindo assim para definir um conjunto a ser realizado, que no final ser&aacute; diferente do conjunto instrumental apenas pela disposi&ccedil;&atilde;o interna das partes" (L&eacute;vi-Strauss, 2008: 34). Em ensaio publicado, nomeado como "Montagem no tempo: o <i>bricoleur</i> o livro e o fot&oacute;grafo", Franca-Huchet investiga a rela&ccedil;&atilde;o de seu trabalho de montagem e a figura do <i>bricoleur</i>:</p>     <blockquote>    <p><i>&Eacute; necess&aacute;rio para o artista agenciar os materiais. Penso na sequ&ecirc;ncia de tudo isso na palavra Bricolagem, usei intuitivamente essa palavra em uma apresenta&ccedil;&atilde;o de trabalho e, pesquisando na sequ&ecirc;ncia, fui ver que ela j&aacute; havia sido pensada por L&eacute;vi-Strauss</i> (&#8230;)<i>. Trata-se de articular a fic&ccedil;&atilde;o, amontagem e tamb&eacute;m, ateatralidade nadire&ccedil;&atilde;ode uma imagem que apresente conhecimento. Considero-me ent&atilde;ocomo o bricoleur</i> (Franca-Huchet, 2013, CD).</p></blockquote>     <p>Na iman&ecirc;ncia desse segundo encontro, da artista e do <i>bricoleur</i> straussiano, agenciar os materiais indica um acontecimento art&iacute;stico, um m&eacute;todo e um conhecimento em que a artista, como <i>bricoleur,</i> de olhar e discurso sens&iacute;veis construtivos, exterioriza algo do tempo. N&atilde;o somente pela retomada e revis&atilde;o dos vest&iacute;gios com os quais trabalha, pela inten&ccedil;&atilde;o de refazer um invent&aacute;rio &#8212; como a for&ccedil;a e o peso do passado art&iacute;stico &#8211;, mas ainda porque capta alguma coisa das pinturas que tentam se prolongar incompletas nas imagens do livro, algo relativo &agrave; perman&ecirc;ncia em contraponto &agrave; fotografia &#8212; marca do instant&acirc;neo e do ef&ecirc;mero.</p>     <p>Trabalhar com essas duas energias, a do passado pela tradi&ccedil;&atilde;o e a do futuro pelo que &eacute; ef&ecirc;mero, nos situa em um ambiente mesti&ccedil;o, cr&iacute;tico e po&eacute;tico (<a href="#f6">Figura 6</a>, <a href="#f7">Figura 7</a>): espa&ccedil;o mesti&ccedil;o da fic&ccedil;&atilde;o, de singular pluralidade. Singular e plural &eacute; o que defendemos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f6"><img src="/img/revistas/est/v9n23/9n23a07f6.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f7"><img src="/img/revistas/est/v9n23/9n23a07f7.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Em suas declara&ccedil;&otilde;es, Franca-Huchet fala sobre o lugar singular do artista e retoma o que te&oacute;rico Dominique Chateau nomeia de artista-pleno: aquele que procura atrav&eacute;s de sua obra participar do mundo com viv&ecirc;ncia m&aacute;xima, ou nas palavras de Franca-Huchet (2011), sentir-se inteiramente no mundo e saber que ele est&aacute; em n&oacute;s. Essa assimila&ccedil;&atilde;o do mundo pela artista possibilita romper a dicotomia realidade-fic&ccedil;&atilde;o, instaurada e mantida por uma demanda excludente, e substitu&iacute;-la em busca de uma viv&ecirc;ncia m&aacute;xima, pela tr&iacute;ade realidade-fic&ccedil;&atilde;o-imagin&aacute;rio.</p>     <p>Este <i>artista</i>-<i>pleno</i> &eacute; um produtor de imagens que se emancipa da dimens&atilde;o real, onde se d&aacute; a vida, para articular seu mote sens&iacute;vel e simb&oacute;lico livremente sem perder rela&ccedil;&atilde;o com a tradi&ccedil;&atilde;o, com a hist&oacute;ria, com a mem&oacute;ria e com a imagem, porque entende e sente seu poder de evocar o tempo e remont&aacute;-lo. Esta pr&aacute;tica exige a compreens&atilde;o de que quando o artista "coloca uma imagem no mundo, prop&otilde;e um pensamento e um saber, que podem ser intelig&iacute;veis, mas preferem ser sens&iacute;veis, pelos sentidos f&iacute;sicos, ps&iacute;quicos e pelas intui&ccedil;&otilde;es" (Franca-Huchet, 2009, CD). Assim, para a artista a imagem prefere se dar aos sentidos, aos afetos, as percep&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Entre as m&uacute;ltiplas tarefas do artista da atualidade que se envolve com a percep&ccedil;&atilde;o e a sensibilidade, com a reflex&atilde;o e teoria art&iacute;stica &#8212; sem com isso ter sil&ecirc;ncio dentro de si &#8212; me pergunto como artista, de que maneira o trabalho po&eacute;tico te&oacute;rico pode instigar um debate que tangencie a imagem, mantendo-a &agrave; dist&acirc;ncia. Isto &eacute;, como o artista trabalha os limiares do conhecimento sobre aquilo que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel nem recusar nem apreender. Quest&atilde;o mesma que incomoda &agrave;queles que com esperan&ccedil;a e melancolia insistem em perseguir as imagens, mesmo muitas vezes sabendo que s&atilde;o perseguidos por elas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Em sua atividade sens&iacute;vel, autora e heter&ocirc;nimo apresentam-nos a poss&iacute;vel capacidade de reorganizar as imagens, os pensamentos e, por extens&atilde;o, a mem&oacute;ria, o esquecimento e as esperan&ccedil;as.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>"O espectador fot&oacute;grafo" exp&otilde;e-nos a import&acirc;ncia de se repensar o espectador e sua atividade desde sempre an&aacute;rquica, considerando sua subjetividade, sua experi&ecirc;ncia e seu inconsciente, uma vez que o vis&iacute;vel, o invis&iacute;vel, o visual s&atilde;o for&ccedil;as concretas e corporificadas no mundo, potencialidades capazes de propor outros esquemas relacionais aos dom&iacute;nios formativos e cognitivos, sensitivos do ser humano.</p>     <p>Nesta imers&atilde;o ensa&iacute;stica, encontro na constru&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica de Patricia Franca-Huchet a import&acirc;ncia da exist&ecirc;ncia singular de cada ser humano e de seu olhar construtivo. Como se ao assumir o passado, o imagin&aacute;rio, a fic&ccedil;&atilde;o, nos fizesse escutar a nossa pr&oacute;pria intimidade. Como um sinal de que a arte &eacute; talvez a &uacute;nica manifesta&ccedil;&atilde;o sens&iacute;vel capaz de jogar com o fluxo da hist&oacute;ria, dos fen&ocirc;menos e da vida. Talvez a &uacute;nica capaz de brincar com o tempo perdido, inatual e o mais inesperado presente (Franca-Huchet, 2011:15).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Barthes, Roland. (1988). <i>O rumor da l&iacute;ngua</i>. S&atilde;o Paulo: Brasiliense, ISBN 8511180885&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461219&pid=S1647-6158201800030000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Cassirer, Ernst. (1994). <i>Ensaio sobre o homem:</i> <i>introdu&ccedil;&atilde;o a uma filosofia da cultura humana</i>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes, ISBN 8533602715&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461220&pid=S1647-6158201800030000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Duras, Marguerite. (1995). <i>Escrever</i>. Rio de Janeiro: Editora Rocco, ISBN: 85-325-0508-2&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461221&pid=S1647-6158201800030000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Franca-Huchet, Patricia (2009) "Justo uma imagem. " <i>Revista Poi&eacute;sis.</i> ISSN 1517-5677 e-ISSN 2177-8566, Vol. 13(10): 105-112. &#91;Consult. 2014-05-04&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://www.poiesis.uff.br/PDF/poiesis13/Poiesis13justoimagem.pdf" target="_blank">http://www.poiesis.uff.br/PDF/poiesis13/Poiesis13justoimagem.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461222&pid=S1647-6158201800030000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Franca-Huchet, Patricia (2013) "Montagem no tempo: o <i>bricoleur</i> o livro e o fot&oacute;grafo. " In LUGAR in COMUM: IV Coletivo da P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Arte da Universidade de Bras&iacute;lia. &#91;Consult.2014-05-04&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://www.anaisdocoma.unb.br/index.php/contact/category/25-poeticascontemporaneas" target="_blank">http://www.anaisdocoma.unb.br/index.php/contact/category/25-poeticascontemporaneas</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461224&pid=S1647-6158201800030000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Franca-Huchet, Patricia (2011) "Temporais: cita&ccedil;&atilde;o e colis&atilde;o". <i>Anais do 20&ordm; Encontro da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Pesquisadores em Artes Pl&aacute;sticas</i>, Rio de Janeiro: ANPAP. &#91;Consult.2013-11-09&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://www.anpap.org.br/anais/2011/pdf/cpa/patriciafrancahuchet.pdf" target="_blank">http://www.anpap.org.br/anais/2011/pdf/cpa/patriciafrancahuchet.pdf </a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461225&pid=S1647-6158201800030000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>L&eacute;vi-Strauss, Claude. (2008). <i>O pensamento selvagem</i>. Campinas: Papirus, ISBN 30800834&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461227&pid=S1647-6158201800030000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Enviado a 04 de janeiro de 2018 e aprovado a 17 de janeiro de 2018</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:abarbaramol@gmail.com"> abarbaramol@gmail.com</a> (B&aacute;rbara Mol)</p>     ]]></body>
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