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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Apropriação e simulacro como estratégia de legitimação artística, um caso de estudo: Sandra Gamarra]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article presents the way in which two morally questionable processes, the appropriation and the simulacrum, have been used by artists as abasis for their projects and, above all, as a strategy for artistic legitimation. In addition to making a framework of the themes in the artistic context, seeks to highlight its increasing use in recent authors, emphasizing a case study on the Peruvian author Sandra Gamarra(1972). It seeks to reflect on how the use of these processes is validated and legitimized in the context of artistic diffusion, and how definitions such as author, authorship, creation and originality are sustained.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Apropria&ccedil;&atilde;o e simulacro como estrat&eacute;gia de legitima&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica, um caso de estudo: Sandra Gamarra</b></p>     <p><b>Appropriation and simulacrum as strategy of artistic legitimation, a case study: Sandra Gamarra</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Domingos Loureiro*</b></p>     <p>*Portugal, Artista Pl&aacute;stico.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade do Porto, Faculdade de Belas-Artes, i2ADS &#8212; Instituto de Investiga&ccedil;&atilde;o em Arte, Design e Sociedade. Av. Rodrigues de Freitas, 265 , 4000-222 Porto, Portugal.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b></p>     <p>O artigo apresenta o modo como dois processos moralmente question&aacute;veis, a apropria&ccedil;&atilde;o e o simulacro, t&ecirc;m sido utilizado por artistas como base para os seus projetos autorais e, sobretudo, como estrat&eacute;gia de legitima&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica. Al&eacute;m de fazer um enquadramento dos temas no contexto art&iacute;stico, procura por em evid&ecirc;ncia o seu recurso em autores recentes, destacando um caso de estudo sobre a autora peruana Sandra Gamarra (1972). Procura-se fazer uma reflex&atilde;o sobre como o recurso a estes processos &eacute; validado e legitimado, no &acirc;mbito da difus&atilde;o art&iacute;stica, e de que modo defini&ccedil;&otilde;es como autor, autoria, cria&ccedil;&atilde;o e originalidade se sustentam.</p>     <p><b>Palavras chave:</b> apropria&ccedil;&atilde;o em arte / simulacro / autoria / difus&atilde;o art&iacute;stica / LiMac.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b></p>     <p>The article presents the way in which two morally questionable processes, the appropriation and the simulacrum, have been used by artists as abasis for their projects and, above all, as a strategy for artistic legitimation. In addition to making a framework of the themes in the artistic context, seeks to highlight its increasing use in recent authors, emphasizing a case study on the Peruvian author Sandra Gamarra(1972). It seeks to reflect on how the use of these processes is validated and legitimized in the context of artistic diffusion, and how definitions such as author, authorship, creation and originality are sustained.</p>     <p><b>Keywords:</b> appropriation in art / simulacrum / authorship / art disclosure / LiMac.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O termo <i>apropria&ccedil;&atilde;o</i> &eacute; empregue no contexto art&iacute;stico sobretudo a partir dos movimentos Cubismo e Dada&iacute;smo (Argan, 1992), referindo-se ao uso de colagens de objetos quotidianos nas produ&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas desses per&iacute;odos.</p>     <p>Al&eacute;m das colagens de recortes de jornal ou pap&eacute;is, utilizados por Pablo Picasso (ES, 1881-1973), Georges Braque (FR, 1882, 1963) ou Kurt Schwitters (AL, 1887, 1948), o <i>ready-made</i> utilizado por Marcel Duchamp (FR, 1887, 1968) ser&aacute; certamente o mais radical exemplo de apropria&ccedil;&atilde;o, at&eacute; meados do s&eacute;culo XX. O termo refere-se &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o, no interior da pr&aacute;tica art&iacute;stica, de elementos que lhe s&atilde;o estranhos, normalmente objetos do quotidiano (Argan, 1992).</p>     <p>As principais quest&otilde;es suscitadas por este recurso t&ecirc;m a ver com aspetos como originalidade, conceito, dom&iacute;nio t&eacute;cnico, real/fict&iacute;cio. Est&aacute; ainda associado &agrave; ideia de transgress&atilde;o, numa tentativa de rotura com os sistemas preexistentes, conforme nos refere Argan (1992), Archer (2008), entre outros.</p>     <p>O termo <i>simulacro</i> est&aacute; intrinsecamente relacionado com a arte desde os seus prim&oacute;rdios, associado &agrave; imagem, &agrave; representa&ccedil;&atilde;o e encena&ccedil;&atilde;o. Deleuze (1969), a partir da leitura de Plat&atilde;o, refere o simulacro associado &agrave; ideia de c&oacute;pia mas tamb&eacute;m de uma experi&ecirc;ncia sobre a qual o observador perde o dom&iacute;nio e a capacidade de perceber que se trata de um simulacro. Para Deleuze, <i>O simulacro inclui em si o ponto de vista diferencial; o observador faz parte do pr&oacute;prio simulacro, que se transforma e se deforma com o seu ponto de vista.</i> (Deleuze, 1969, p. 264)</p>     <p>Nesse sentido, considera que o simulacro n&atilde;o ser&aacute; apenas uma c&oacute;pia de um <i>Modelo</i>, mas que conter&aacute; em si uma inten&ccedil;&atilde;o de ser coisa, e por isso <i>Semelhante</i>: <i>Em suma, h&aacute; no simulacro um devir-louco, (&#8230;) um devir sempre outro, um devir subversivo das profundidades, h&aacute;bil a esquivar o igual, o limite, (&#8230;)</i> (Deleuze, 1969, p. 264)</p>     <p>Tanto no ato de apropria&ccedil;&atilde;o como no de simulacro, existe uma inten&ccedil;&atilde;o reativa ou de transgress&atilde;o, tendo contextos e alvos diferentes, mas frequentemente impulsionados por conceitos de subvers&atilde;o. Pelo que ser&aacute; na Modernidade que estes processos encontram um lugar fulcral como agentes intelectuais e pr&aacute;ticos. O exemplo do <i>ready-made</i> empregue por Marcel Duchamp p&otilde;e em evid&ecirc;ncia quest&otilde;es de autoria, de virtuosismo, de Real e ficcional, pelo que o autor ser&aacute; o centro de uma espiral com repercuss&otilde;es ao longo das d&eacute;cadas sucessivas. A <i>imagem-objeto</i> (imagem ready-made) (L, 2011), recurso primordial dos artistas da Pop Art: Europeia, com Gerhard Richter (AL, 1932) e Sigmar Polke (PL, 1941, 2010), e; Americana, com Jasper Johns (EUA, 1930), Robert Rauschenberg (EUA, 1925, 2008), Roy Lieschenstein (EUA, 1923, 1977), Jeff Koons (EUA, 1955), Jean-Michel Basquiat (EUA, 1960, 1988) ou Andy Warhol (EUA, 1928, 1987); mas, tamb&eacute;m de autores como Luc Tuymans (BE, 1958), Wilhelm Sasnal (PL, 1972), Eberhard Havekost (AL, 1967), Thomas Ruff (AL, 1958), Carlos Correia (PT, 1975), Sandra Gamarra, Martinho Costa (PT, 1977), &eacute; exemplo de apropria&ccedil;&atilde;o em arte.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao simulacro, autores como Maurizio Cattellan (IT, 1960), Hiroshi Sugimoto (JP, 1948), Thomas Hirschhorn (SW, 1957), Damien Hirst (EN, 1965), Cindy Sherman (EUA, 1954), Paulo Mendes (PT, 1966), Sara &amp; Andr&eacute; (PT, 1980, 1979), Olafur Eliasson (DI, 1967), Gillian Wearing (EN, 1963), evidenciam o quanto se trata de um recurso frequente na arte.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Roubar para inovar</b></p>     <p>Se num primeiro momento, o uso de elementos do quotidiano apropriados para a arte, versa quest&otilde;es como: originalidade, singularidade/m&uacute;ltiplo, cria&ccedil;&atilde;o, ilus&atilde;o, representa&ccedil;&atilde;o, virtuosismo. Num segundo momento, encontramos pr&aacute;ticas e autores que se apropriam ou simulam integralmente outros autores e fen&oacute;menos do campodaarte,como no exemplo apresentado por Banksy (EN,1974) apropriando-se de uma express&atilde;o de Picasso sobre a ideia de roubar as ideias de outros (<a href="#f1">Figura 1</a>). A altera&ccedil;&atilde;o entre o primeiro momento e o segundo &eacute; aparentemente simples, mas invoca quest&otilde;es de enorme import&acirc;ncia para a compreens&atilde;o deste fen&oacute;meno na atualidade. Trata-se de perceber como estas estrat&eacute;gias funcionam como forma de legitima&ccedil;&atilde;o, quando, &agrave; partida, se assumem como processos de apropria&ccedil;&atilde;o de autoria e identidade alheias, e, em senso comum e legal, reprov&aacute;veis (Calejo, 2010). Autores como: Richard Prince (EUA, 1949) que, na s&eacute;rie <i>New Portraits</i> (2015) (<a href="#f2">Figura 2</a>), se apropria de imagens retiradas das p&aacute;ginas pessoais de utilizadores do <i>Instagram</i>, <i>refotografando-as</i> (Lauren, 2016) e apresentando-as como suas; de Sara &amp; Andr&eacute;, uma dupla que se apropria da est&eacute;tica de outros autores para cada uma das suas produ&ccedil;&otilde;es, onde se autorretratam; de Maurizio Cattellan, que na exposi&ccedil;&atilde;o <i>Another Fucking Ready-Made</i> (1996), na Galeria Appel em Amesterd&atilde;o, apresenta o conte&uacute;do exposi&ccedil;&atilde;o da galeria cont&iacute;gua, roubada antes da inaugura&ccedil;&atilde;o; ou do projeto LiMac &#8212; Lima Museu de Arte Contempor&acirc;neo, um museu fict&iacute;cio criado por Sandra Gamarra, onde a autora coleciona r&eacute;plicas de obras e exposi&ccedil;&otilde;es; entre outros.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v9n23/9n23a10f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v9n23/9n23a10f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A legitima&ccedil;&atilde;o destes autores &eacute; reconhecida pela sua inclus&atilde;o em eventos, cole&ccedil;&otilde;es e publica&ccedil;&otilde;es especializadas em arte, como museus de arte contempor&acirc;nea, revistas de arte, monografias, textos cr&iacute;ticos, feiras de arte, galerias, entre outros, indicadores qualitativos que consideramos v&aacute;lidos para justificar a legitima&ccedil;&atilde;o em contexto art&iacute;stico. Assim, salientam-se algumas quest&otilde;es que aqui como: O que &eacute; a autoria?, Que direitos temos sobre as nossas produ&ccedil;&otilde;es? Pode o falso tornar-se aut&ecirc;ntico?, a ser, Como se processa?, e finalmente, At&eacute; onde o autor que plagia se sente aut&ecirc;ntico a faz&ecirc;-lo?</p>     <p>Para responder a estas quest&otilde;es apresentamos a artista peruana Sandra Gamarra e a exposi&ccedil;&atilde;o realizada na 29&ordf; Bienal de S&atilde;o Paulo, em 2010, com o projeto LiMac &#8212; Lima Museu de Arte Contempor&acirc;neo</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Colecionadora de contrafa&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Sandra Gamarra tem desenvolvido a sua pr&aacute;tica art&iacute;stica no &acirc;mbito da pintura e da instala&ccedil;&atilde;o. A sua pintura de cariz realista tem a particularidade de assumir-se como uma obra baseada no pl&aacute;gio e na apropria&ccedil;&atilde;o de refer&ecirc;ncias visuais muito concretas da Hist&oacute;ria da Arte.</p>     <p>A artista refere, em 2012, por ocasi&atilde;o da sua participa&ccedil;&atilde;o na Capital Europeia da Cultura &#8212; Guimar&atilde;es 2012, que no seu pa&iacute;s de origem, devido &agrave; escassez econ&oacute;mica, o mercado de contrafa&ccedil;&atilde;o tem enorme proje&ccedil;&atilde;o e que, atrav&eacute;s destas marcas, os peruanos tentam responder ao desejo de posse de produtos inacess&iacute;veis. Nesse contexto, e apoiada numa analogia muito singular, a autora decide que poderia tentar obter aos seus objetos de culto atrav&eacute;s da contrafa&ccedil;&atilde;o ou da realiza&ccedil;&atilde;o de r&eacute;plicas de obras e objetos da sua admira&ccedil;&atilde;o. Assim, d&aacute; in&iacute;cio a uma longa produ&ccedil;&atilde;o de <i>arte contrafeita</i> reproduzindo obras, s&eacute;ries de obras ou mesmo publica&ccedil;&otilde;es, dos autores que escolhe para a sua pr&oacute;pria cole&ccedil;&atilde;o de arte. N&atilde;o se trata de uma produ&ccedil;&atilde;o de s&eacute;ries de r&eacute;plicas, como as que encontramos em qualquer banca de recorda&ccedil;&otilde;es tur&iacute;sticas em Paris ou Amesterd&atilde;o, de Monet, Van Gogh, ou Renoir, realizadas por empresas familiares na China. Trata-se de uma sele&ccedil;&atilde;o de obras e autores que a artista escolhe de entre publica&ccedil;&otilde;es de arte contempor&acirc;nea como a <i>Vitamina P</I>, <i>Art Now</i>, <i>Artistas do Mil&eacute;nio</i>, entre outras. Todavia, n&atilde;o &eacute; latente a reprodu&ccedil;&atilde;o do original, mas da imagem impressa, pelo que entre pinturas de outros artistas, encontram-se imagens: de fot&oacute;grafos, de instala&ccedil;&otilde;es, de esculturas, de performances, ou at&eacute; mesmo r&eacute;plicas das pr&oacute;prias publica&ccedil;&otilde;es. E, tal como os produtos contrafeitos, verificamos a exist&ecirc;ncia deliberada de debilidades na transposi&ccedil;&atilde;o da imagem, evidenciando as comuns imperfei&ccedil;&otilde;es observadas nos objetos pirata.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Ser ou Ser</b></p>     <p>O LiMacLima Museu de Arte Contempor&acirc;neo, um museu ficcional, foi criado em 2002 pela artista depois de constatar que Lima era a &uacute;nica grande capital que n&atilde;o possu&iacute;a, ent&atilde;o, um Museu focado na arte contempor&acirc;nea. Ao mesmo tempo, &eacute; o museu que acolhe toda a sua cole&ccedil;&atilde;o de arte contrafeita, pelo que &eacute; t&eacute;nue o limite entre a ideia de ficcional e de real.</p>     <p>O Museu, alojado em <a href="http://li-mac.org" target="_blank">http://li-mac.org</a>, tem uma agenda organizada, uma cole&ccedil;&atilde;o de arte, exposi&ccedil;&otilde;es, textos cr&iacute;ticos e at&eacute; uma loja com <i>merchandising</i>, como qualquer museu (<a href="#f3">Figura 3</a>). Contudo, tudo o que ali se encontra est&aacute; imbu&iacute;do nesta ideia de falso e irreal, sendo que, numa primeira visita ao s&iacute;tio na internet, n&atilde;o ficam d&uacute;vidas de se tratar de um verdadeiro museu. O museu simulacro que se apropriou de autores e obras, existe ainda em itiner&acirc;ncias e resid&ecirc;ncias art&iacute;sticas em diferentes espa&ccedil;os e exposi&ccedil;&otilde;es, como a est&acirc;ncia na F&aacute;brica Asa, em Guimar&atilde;es Capital Europeia da Cultura, em 2012, ou na 29&ordf; Bienal de S&atilde;o Paulo, em 2010. Estamos perante um exemplo de uma fic&ccedil;&atilde;o que se transforma em realidade, j&aacute; que o LiMac, desta feita n&atilde;o pode ser considerado como uma obra ficcional. Al&eacute;m da sua pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia conceptual, a sua inscri&ccedil;&atilde;o &eacute; realizada pelas perman&ecirc;ncias em diferentes lugares de legitima&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v9n23/9n23a10f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. A experi&ecirc;ncia real de uma fic&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Uma das est&acirc;ncias ocorre na 29&ordf; Bienal de S&atilde;o Paulo, em 2010. A organiza&ccedil;&atilde;o que, ao n&atilde;o conseguir a ced&ecirc;ncia da s&eacute;rie <i>Oktober 18, 1977</i> (1988) de Gerhard Richter, presente no MOMA (EUA), decide desafiar a artista a reproduzir toda a s&eacute;rie e a instal&aacute;-la como LiMac, no certame (<a href="#f4">Figura 4</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v9n23/9n23a10f4.jpg"></a>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Na visita ao espa&ccedil;o de exposi&ccedil;&atilde;o, o espectador &eacute; induzido que est&aacute; perante a famosa s&eacute;rie do artista alem&atilde;o, um conjunto de obras sobre o grupo terrorista Baader-Meinhof, realizado a partir de imagens recolhidas da imprensa, e que aborda uma tem&aacute;tica associada &agrave; pol&iacute;tica, &agrave; liberdade e &agrave; morte. Contudo, uma margem branca, na parte inferior de cada uma das telas, suscita alguma confus&atilde;o, tal como o nome da institui&ccedil;&atilde;o que cede a cole&ccedil;&atilde;o, o LiMac em vez do MOMA. Na d&uacute;vida, o espectador busca mais informa&ccedil;&atilde;o sobre o que estar&aacute; a presenciar, recorrendo a documentos dispostos numa banca no centro da exposi&ccedil;&atilde;o. Estes, tamb&eacute;m plagiados, evidenciam as imperfei&ccedil;&otilde;es que os objetos contrafeitos apresentam, tornando-se cada vez mais presente a ideia de hiato ou lapso, ficando mais &oacute;bvio que se estar&aacute; perante um simulacro. Inicia-se ent&atilde;o um processo de reajuste em que tudo o que se viu, pensou e experienciou &eacute; posto em causa. E, sobre essa primeira experi&ecirc;ncia &eacute; formulada uma segunda, em que se procura entender o que se presenciara e o que agora se presencia, onde as primeiras ideias colidem e interagem com as que agora se enunciam.</p>     <p>Richter apropriava-se de imagens que depois reproduzia atrav&eacute;s de pintura. Afirmava que o conte&uacute;do das imagens n&atilde;o lhe interessava, que apenas reproduzia imagens e n&atilde;o conte&uacute;dos ou temas, que as imagens eram todas abstra&ccedil;&otilde;es (Richter, 1995). Contradizendo-se, ou talvez n&atilde;o, assume que necessitou de realizar a referida s&eacute;rie porque precisava de compreender e aceitar o que levara a que aqueles jovens se tivessem sacrificado por ideais, evidenciando que n&atilde;o estaria alheio aos conte&uacute;dos das suas imagens abstratas. Gamarra, por seu lado, plagia o que gosta, o que admira e gostaria de possuir. Ambos apropriam-se de imagens.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5. Ladr&atilde;o que rouba ladr&atilde;o</b></p>     <p>Privilegiando obras de cunho pol&iacute;tico, a 29&ordf; Bienal de S&atilde;o Paulo, teve a curadoria de Agnaldo Farias e Moacir dos Anjos. Afirmou-se como uma a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, tendo em vista que, al&eacute;m da escolha da s&eacute;rie de Richter, que o MOMA certamente negaria a ced&ecirc;ncia, escolhem um projeto ficcional para reivindicar uma nova a&ccedil;&atilde;o, a de legitimar o pl&aacute;gio.</p>     <p>Se num primeiro momento, a s&eacute;rie de Richter &eacute; realizada com pl&aacute;gio de imagens de autoria alheia, a segunda s&eacute;rie &eacute; realizada com o intuito de potenciar o questionamento do espectador para a validade de tudo o que se estaria a ver. N&atilde;o se trata apenas de uma reflex&atilde;o sobre o conte&uacute;do das imagens originais, mas tamb&eacute;m do conte&uacute;do que Richter incute quando primeiro as reproduziu em pintura e, finalmente do projeto que novamente as reproduziu e que agora as apresenta. Trata-se assumidamente de um processo de apropria&ccedil;&atilde;o, mas que n&atilde;o se extingue nesse processo, originando a que, na d&uacute;vida, se esteja perante algo diferente e, potencialmente, inovador.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>N&atilde;o restar&atilde;o d&uacute;vidas do modo como a apropria&ccedil;&atilde;o e o simulacro estar&atilde;o presentes na pr&aacute;tica art&iacute;stica atual. Existe um n&uacute;mero elevado de autores legitimados para se poder colocar em causa a sua pertin&ecirc;ncia, embora, moralmente permane&ccedil;am algumas zonas-sombra.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O caso de estudo apresentado evidencia o modo como a <i>apropria&ccedil;&atilde;o</i> &eacute; relevante e, em certa medida, seria suficiente como estrat&eacute;gia de legitima&ccedil;&atilde;o, tal como acontece com a obra de Richard Prince. Todavia, considera-se que ser&aacute; o <i>simulacro</i> que colocar&aacute; <i>em pot&ecirc;ncia</i> a obra e o projeto de Gamarra, legitimando-o. Como Deleuze nos descreve: <i>h&aacute; no simulacro um devir-louco, (&#8230;) um devir sempre outro, um devir subversivo das profundidades, h&aacute;bil a esquivar o igual (&#8230;),</i>que resulta da capacidade envolvente da experi&ecirc;ncia do simulacro, <i>que o observador n&atilde;o pode dominar</i> (Deleuze, 1996, 264).</p>     <p>O sucesso da legitima&ccedil;&atilde;o da obra de Sandra Gamarra reside na capacidade de sugest&atilde;o do simulacro (<a href="#f5">Figura 5</a>). Gamarra condiciona o espectador na sua pr&oacute;pria conjuntura, convidando-o a intervir e a evidenciar o seu conhecimento sobre o assunto simulado, para depois induzir o choqueda descoberta quevai transformar o observador e tudo o que pensara. Nesse sentido, como Deleuze aponta, o Simulacro ambiciona mais do que ser c&oacute;pia do Modelo: &#8212; ambiciona ser Semelhante. Assim, as quest&otilde;es que lan&ccedil;amos anteriormente s&atilde;o respondidas pela capacidade de distin&ccedil;&atilde;o desta figura em rela&ccedil;&atilde;o ao seu Modelo. Haver&aacute;, por essa raz&atilde;o, a necessidade de rever tudo baseando a procura na diferen&ccedil;a e n&atilde;o na qualidade da proximidade. &Eacute; a <i>identidade do Diferente</i> que potencia a import&acirc;ncia do simulacro, porque coloca o original e o falso num mesmo patamar, o da verdadeira experi&ecirc;ncia. Neste sentido, a experi&ecirc;ncia tanto do original como do simulacro s&atilde;o id&ecirc;nticas, por se tratar de duas verdadeiras experi&ecirc;ncias. Assim, o Diferente &eacute; que o que se perceciona sobre cada um dos elementos, que ser&aacute; certamente distinto e certamente diferenciador e, como tal original e inovador.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v9n23/9n23a10f5.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota</b></p>     <p>Por op&ccedil;&atilde;o conceptual, o autor decidiu apropriar-se de todas as imagens recorrendo &agrave; estrat&eacute;gia utilizada pelo artista Richard Prince, <i>refotografando</i> todas as imagens atrav&eacute;s do monitor.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>A.A.V.V. (2010) <i>Cat&aacute;logo da 29&ordf; Bienal de S&atilde;o Paulo: H&aacute; sempre um copo de mar para um homem navegar,</i> Bienal de S&atilde;o Paulo&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461470&pid=S1647-6158201800030001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Aguiar, S. (1992) "O Simulacro." In: <i>ECO &#8212; Publica&ccedil;&atilde;o da P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o da Escola de Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal do Rio de Janeiro</i>. V. 1, n&ordm; 1. Rio de Janeiro: Imago ed., pp. 27-37.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461471&pid=S1647-6158201800030001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Almeida, Bruno (2016) <i>Sandra Gamarra</i>, in Situ <a href="https://projetositu.wordpress.com/2016/08/10/sandra-gamarra/" target="_blank"> https://projetositu.wordpress.com/2016/08/10/sandra-gamarra/</a> Acesso a 02 jan 2018&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461473&pid=S1647-6158201800030001000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Archer, Michael (2008) <i>Arte contempor&acirc;nea: uma hist&oacute;ria concisa</i>, Martins Fontes&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461474&pid=S1647-6158201800030001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Argan, Giulio Carlo (1992) <i>Arte moderna: do iluminismo aos movimentos contempor&acirc;neos</i>, Companhia das letras&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461475&pid=S1647-6158201800030001000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>"Apropria&ccedil;&atilde;o." (2018) Enciclop&eacute;dia Ita&uacute; Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. S&atilde;o Paulo: Ita&uacute; Cultural, 2018. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo3182/apropriacao" target="_blank">http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo3182/apropriacao</a>. Acesso em: 03 de Jan. 2018. Verbete da Enciclop&eacute;dia ISBN: 978-85-7979-060-7&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461476&pid=S1647-6158201800030001000006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Baudrillard, Jean (1991) <i>Simulacros e simula&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa: Rel&oacute;gio d'&aacute;gua&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461477&pid=S1647-6158201800030001000007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Deleuze, G. (1969) <i>L&oacute;gica do Sentido.</i> S&atilde;o Paulo: Ed. Perspectiva, 1998&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461478&pid=S1647-6158201800030001000008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Deleuze, G. (1968) <i>Diferen&ccedil;a e Repeti&ccedil;&atilde;o.</i> Rio de Janeiro: Ed. Graal, 1988&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461479&pid=S1647-6158201800030001000009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Evans, David (2009) <i>Appropriation.</i> Londres: Whitechapel Gallery     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461480&pid=S1647-6158201800030001000010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Evans, David (2009) <i>Appropriation.</i> Londres: Whitechapel Gallery</p>     <!-- ref --><p>Jones, Jonathan (2016) <i>Richard Prince has disowned his Ivanka Trump work, but he can't wash his hands so easily</i>Jones, Jonathan (2016) <i>Richard Prince has disowned his Ivanka Trump work, but he can't wash his hands so easily</i> <a href="https://www.theguardian.com/artanddesign/jonathanjonesblog/2017/jan/16/richard-prince-has-disowned-his-ivanka-trump-work-but-he-cant-wash-his-hands-so-easily" target="_blank">https://www.theguardian.com/artanddesign/jonathanjonesblog/2017/jan/16/richard-prince-has-disowned-his-ivanka-trump-work-but-he-cant-wash-his-hands-so-easily</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461482&pid=S1647-6158201800030001000011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Leite, Maria Isabel (2008) <i>Educa&ccedil;&atilde;o e as linguagens art&iacute;stico-culturais: processos de apropria&ccedil;&atilde;o/frui&ccedil;&atilde;o e de produ&ccedil;&atilde;o/ cria&ccedil;&atilde;o</i>. <i>in</i> Celdon, Fritzen, Moreira: <i>Educa&ccedil;&atilde;o e Arte: as linguagens art&iacute;sticas na forma&ccedil;&atilde;o humana</i>. Campinas, SP: Papirus ISBN 978 85 308 0858 7 (pp. 27-36)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461483&pid=S1647-6158201800030001000012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Garcia Calejo (29-04-2010) <i>Direitos de Autor, Obras, Contrafac&ccedil;&atilde;o, Usurpa&ccedil;&atilde;o, Direito Patrimonial.</i> Acord&atilde;o do Tribunal Constitucional 3501/05.0TBOER.L1.S1 <a href="http://www.stj.pt/index.php/jurisprudencia-42213/basedados" target="_blank">http://www.stj.pt/index.php/jurisprudencia-42213/basedados</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461484&pid=S1647-6158201800030001000013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Sharkey, Lauren (2016) Richard Prince: The controversial Artist and master of Appropriation <a href="https://www.highsnobiety.com/2016/09/05/richard-prince-artist/" target="_blank"> https://www.highsnobiety.com/2016/09/05/richard-prince-artist/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461485&pid=S1647-6158201800030001000014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Richter, Gerhard (1995) <i>The Daily Practice of Painting &#8212; Writings and Interviews 1962-1993</i>. Londres: Thames &amp; Hudson / Anthony d'Offay Gallery&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461486&pid=S1647-6158201800030001000015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Enviado a 04 de janeiro de 2018 e aprovado a 17 de janeiro de 2018</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:dloureiro@fba.up.pt">dloureiro@fba.up.pt</a> (Domingos Loureiro)</p>      ]]></body><back>
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