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<publisher-name><![CDATA[Universidade de LisboaFaculdade de Belas-Artes]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Del LaGrace Volcano: 'Terrorismo de género em part-time]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Del LaGrace Volcano: part-time gender terrorist]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade da Beira Interior Faculdade de Artes e Letras Departamento de Comunicação e Artes]]></institution>
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<country>Portugal</country>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Del LaGrace Volcano, a visual artist and cultural producer, acts on sociological issues derived from meta-normative behavior that regulates definitions such as 'gender', 'transgender' or 'intersexual', allowing an interpretative discourse that goes beyond the bio-social polarity to the male and female. Volcano's work interfere effectively with heteronormative and queer readings, allowing different meanings in this domain.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Del LaGrace Volcano: 'Terrorismo de g&eacute;nero em part-time.'</b></p>     <p><b>Del LaGrace Volcano: 'part-time gender terrorist.'</b></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>Lu&iacute;s Herberto*</b></p>     <p>*Portugal, Artista Pl&aacute;stico.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade da Beira Interior (UBI), Faculdade de Artes e Letras, Departamento de Comunica&ccedil;&atilde;o e Artes/ LabCom/ IFP. Endere&ccedil;o postal completo: Rua Marqu&ecirc;s D'&Aacute;vila e Bolama, 6201-001 Covilh&atilde;, Portugal.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b></p>     <p>Del LaGrace Volcano, artista visual e produtora cultural actua a partir de quest&otilde;es sociol&oacute;gicas derivadas do comportamento meta-normativo que regula defini&ccedil;&otilde;es como 'g&eacute;nero', 'transg&eacute;nero' ou 'intersexual', permitindo um discurso interpretativo que ultrapassa a polaridade bio-social para o masculino e feminino. O seu trabalho interfere eficazmente nas leituras heteronormativas e de registo queer, permitindo diversas acep&ccedil;&otilde;es neste dom&iacute;nio.</p>     <p><b>Palavras chave:</b> intersexual / g&eacute;nero / provoca&ccedil;&atilde;o / normatividade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b></p>     <p>Del LaGrace Volcano, a visual artist and cultural producer, acts on sociological issues derived from meta-normative behavior that regulates definitions such as 'gender', 'transgender' or 'intersexual', allowing an interpretative discourse that goes beyond the bio-social polarity to the male and female. Volcano's work interfere effectively with heteronormative and queer readings, allowing different meanings in this domain.</p>      <p><b>Keywords:</b> intersexual / gender / provocation / normativity.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Del LaGrace Volcano (n.1957) actua em territ&oacute;rios sociobiol&oacute;gicos sens&iacute;veis, particularmente na pr&oacute;pria muta&ccedil;&atilde;o, de mulher para homem, sendo igualmente conhecida como uma artista l&eacute;sbica, famosa pelo modo exibicionista como altera a sua apar&ecirc;ncia, com atributos entre homem e mulher (<a href="#f1">Figura 1</a>). Utiliza o pr&oacute;prio corpo e os sinais exteriores de identifica&ccedil;&atilde;o para actuar visualmente nas constru&ccedil;&otilde;es relativas ao g&eacute;nero e &agrave; sexualidade, na fus&atilde;o do masculino e do feminino, apresentando-se no seu g&eacute;nero intersexual de um modo assumidamente desafiador, quer nas l&oacute;gicas heterossexuais como igualmente na cultura <i>queer.</i> Articula um fosso entre o que &eacute; conceptual e tecnologicamente poss&iacute;vel <i>by design,</i> no que diz respeito &agrave; transforma&ccedil;&atilde;o intencional do g&eacute;nero, movendo-se numa esfera que n&atilde;o reconhece unicamente os padr&otilde;es heterossexuais e homossexuais, incitando o modo como podem evoluir e de certo modo, autonomizar-se (<a href="#f2">Figura 2</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v9n23/9n23a12f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v9n23/9n23a12f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Recusa as categorias biol&oacute;gicas e normativas de g&eacute;nero para se tornar em simult&acirc;neo, objecto e sujeito na representa&ccedil;&atilde;o, assumindo-se como <i>'terrorista do g&eacute;nero em part-time'</i> (Volcano, s.d.)<i>,</i> alertando para uma realidade que apresenta um sistema cultural aparentemente esgotado nos seus paradigmas de representa&ccedil;&atilde;o do 'g&eacute;nero', permitindo interroga&ccedil;&otilde;es v&aacute;lidas para as quest&otilde;es como intersexo e transg&eacute;nero (Horlacher, 2016), apesar da perman&ecirc;ncia do sistema bin&aacute;rio heterossexual revelar uma realidade perfeitamente institu&iacute;da e &agrave; qual n&atilde;o se prev&ecirc; nem se deseja altera&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Pretendo aqui apresentar algumas particularidades na pertin&ecirc;ncia desta fus&atilde;o entre sujeito e objecto, a partir do registo deliberadamente provocat&oacute;rio que ultrapassa a cristaliza&ccedil;&atilde;o do bin&oacute;mio masculino/ feminino, quer no registo visual, quer nos discursos que permite.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>G&eacute;nero | Sexualidade | Intersexualidade</b></p>     <p>No dom&iacute;nio visual em que opera, fortemente associado &agrave; cultura <i>queer</i>, representa uma mudan&ccedil;a radical, em limites sens&iacute;veis que refutam de igual modo, uma ideia de esgotamento deste registo e que permitem ainda alguma surpresa prevaricadora, quer em leituras individuais, quer na estrutura social colectiva. O fen&oacute;meno p&uacute;blico da intersexualidade demonstra, com evid&ecirc;ncia, a exist&ecirc;ncia de realidades que rompem estrategicamente com os sistemas heteronormativos (Halberstam, 2005). Neste contexto, Del LaGrace esclarece distintamente o seu papel indefinido na quest&atilde;o do g&eacute;nero, interferindo na imprevisibilidade reactiva do espectador, ao dirigir as espectativas para uma cultura visual e biol&oacute;gica inst&aacute;vel (<a href="#f3">Figura 3</a>)</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v9n23/9n23a12f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Contudo, trabalha sobre o g&eacute;nero e n&atilde;o o sobre o sexo, com constantes interroga&ccedil;&otilde;es nesse sentido, abordando tem&aacute;ticas que interferem nas leituras convencionais relativas ao g&eacute;nero: na actua&ccedil;&atilde;o masculinizada das l&eacute;sbicas e transforma&ccedil;&atilde;o interpretativa de mulher para homem (<i>drag king</i>), no <i>porno gay</i> masculino, na direc&ccedil;&atilde;o de uma cultura <i>queer</i> polimorfa e de igual modo, nos confrontos com um lesbianismo assexuado (Volcano &amp; Halberstam, 1999). Subverte deliberadamente o olhar do espectador ao manipular as espectativas condicionadas aos estere&oacute;tipos de g&eacute;nero, dificultando de certo modo, e mesmo neste artigo, uma apresenta&ccedil;&atilde;o clara ao modo como &eacute; referida, j&aacute; que a nossa linguagem apenas prev&ecirc; masculino e feminino e recorre &agrave; estrutura normativa instalada.</p>     <p>A abordagem ao conceito de g&eacute;nero enquanto estrutura cultural para o masculino e para o feminino, apresenta-se em oposi&ccedil;&atilde;o ao sexo biol&oacute;gico e para os dois sexos da normatividade social. Esta possibilidade permite ainda entendimentos diversificados para os atributos biol&oacute;gicos, j&aacute; que as caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas de cada um dos sexos n&atilde;o s&atilde;o suficientes para quest&otilde;es de identidade. Nesta linha, h&aacute; igualmente uma abordagem mais 'essencialista', que retira da raiz biol&oacute;gica as caracter&iacute;sticas de cada sexo. Neste caso, partindo do princ&iacute;pio que a 'contamina&ccedil;&atilde;o' cultural n&atilde;o redefine a biol&oacute;gica, estabelece paradigmas redutores que pouca import&acirc;ncia atribuem &agrave; estrutura cultural e social na constru&ccedil;&atilde;o da identidade de g&eacute;nero. No discurso anglo-sax&oacute;nico sobre estas quest&otilde;es, h&aacute; uma forte separa&ccedil;&atilde;o nas refer&ecirc;ncias a masculino/ feminino, indicando os contextos s&oacute;cio/ culturais, sem contudo perder a estrutura biol&oacute;gica, sendo esta referente aos voc&aacute;bulos macho e f&ecirc;mea.</p>     <p>Assiste-se actualmente a um crescente interesse nestas mat&eacute;rias, com incid&ecirc;ncia em quest&otilde;es de sexualidade, como um importante aspecto dos estudos de g&eacute;nero. O conceito de 'sexualidade' ganha autonomia na sua separa&ccedil;&atilde;o do conceito de 'sexo', porque o primeiro est&aacute; integrado no discurso sobre o comportamento sexual e sobre o desejo, heterossexual ou homossexual, e o segundo &eacute; associado ao estatuto biol&oacute;gico, assumido est&aacute; que a rela&ccedil;&atilde;o entre sexo e g&eacute;nero passa por uma constru&ccedil;&atilde;o cultural constru&iacute;da, afastando os desejos das estruturas biol&oacute;gicas convencionais (Foucault, 1994).</p>     <p>Esta separa&ccedil;&atilde;o est&aacute; igualmente associada, por contraste, &agrave;s sociedades de organiza&ccedil;&atilde;o patriarcal, que prev&ecirc; a n&atilde;o exist&ecirc;ncia de 'desvios' normativos biol&oacute;gicos, permitindo elucidativos estudos no que diz respeito aos discursos visuais, como por exemplo, entre muitos outros, '<i>Dis/ playing the phallus: male artists perform their masculinities'</i>, em que Amelia Jones interpreta o muito vis&iacute;vel trabalho de artistas homens e heterossexuais &#8212; que se saiba &#8212; e que nas d&eacute;cadas de 1960 e 1970 utilizaram tamb&eacute;m o pr&oacute;prio corpo como arte e ou performatividade panflet&aacute;ria para a celebra&ccedil;&atilde;o da hegemonia masculina, atrav&eacute;s do intencional (ou n&atilde;o) exagero das propriedades f&aacute;licas do seu trabalho, refor&ccedil;ando assim a sua autoridade art&iacute;stica (Jones, 1994). Este posicionamento inquestion&aacute;vel pelo papel preponderantemente masculino na produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica vis&iacute;vel na Hist&oacute;ria das Artes Visuais, tem uma not&aacute;vel reactividade em momentos de charneira pol&iacute;tica, com as consequentes mudan&ccedil;as sociais e despoleta imediatas e not&aacute;veis reac&ccedil;&otilde;es, quer em artistas com discursos assumidamente feministas, quer no crescente activismo LGBTQ, que a partir de 1969 alcan&ccedil;a express&atilde;o internacional a partir do que representam as violentas manifesta&ccedil;&otilde;es em <i>Stonewall</i> (Cotter, 1994): no modo como os artistas que representam estes grupos minorit&aacute;rios assumem a sua visibilidade, mas mais importante, na recep&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e mais abrangente da sua obra, garantindo um caminho para uma investiga&ccedil;&atilde;o visual cada vez mais interpretativa e peculiar, evoluindo de um registo social e politizado, muitas vezes com caracter&iacute;sticas formais de registo documental, para express&otilde;es criativas e radicais, como em Robert Mapplethorpe (1946-1989), Natacha Merritt (n.1977), Andres Serrano (n.1950) e Del LaGrace Volcano, num reduzido universo de artistas que escolhem agir sem camuflagens tem&aacute;ticas, fundindo nos seus prop&oacute;sitos formais e sociais, que incluem a provoca&ccedil;&atilde;o intencional atrav&eacute;s de imagens sexualmente expl&iacute;citas e desafiadoras dos c&oacute;digos morais de conduta, elementos hist&oacute;ricos construtores da Arte e de igual modo, explorando irrepreensivelmente quest&otilde;es t&eacute;cnicas, garantindo assim o seu lugar na <i>high-art</i> dominante, j&aacute; que garantem uma utiliza&ccedil;&atilde;o criativa da estrutura acad&eacute;mica e art&iacute;stica que os estruturam (<a href="#f4">Figura 4</a>). Os c&oacute;digos de comportamento sexual que s&atilde;o cultivados, exercidos e igualmente policiados, est&atilde;o em constante muta&ccedil;&atilde;o e s&atilde;o naturalmente adapt&aacute;veis &agrave;s realidades sociais e consequente contexto pol&iacute;tico, permitindo sobretudo que nos tecidos urbanos cosmopolitas e demograficamente sobrelotados, despontem realidades que ultrapassam a normatividade do discurso p&uacute;blico recorrente do pr&oacute;prio exerc&iacute;cio sociopol&iacute;tico. Neste contexto, a sexualidade pode ser vista como um indicador v&aacute;lido para as rela&ccedil;&otilde;es de g&eacute;nero, em determinados grupos sociais, mas de igual modo, as rela&ccedil;&otilde;es de g&eacute;nero permitem aferir quest&otilde;es de sexualidade, mesmo as que ultrapassam os c&oacute;digos base da reprodutividade (<a href="#f5">Figura 5</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v9n23/9n23a12f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v9n23/9n23a12f5.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao fundir estes conceitos na hist&oacute;ria das artes, com especial incid&ecirc;ncia a partir das revolu&ccedil;&otilde;es sociais da d&eacute;cada de 1960, e no modo como se tornam vis&iacute;veis as express&otilde;es da sexualidade e do corpo, recorrendo em grande parte &agrave; operabilidade visual, ser&aacute; dif&iacute;cil n&atilde;o adoptar uma abordagem mais flex&iacute;vel, apesar da tend&ecirc;ncia para definir a diferen&ccedil;a sexual implicar a oposi&ccedil;&atilde;o bin&aacute;ria entre macho e f&ecirc;mea e ser predominantemente enquadrada na esfera heterossexual. &Eacute; sobretudo neste dom&iacute;nio que se organizam os processos interpretativos da imagem, com relev&acirc;ncia para a inclina&ccedil;&atilde;o sexual, que pode ou n&atilde;o destruir ambiguidades criativas e redefinir prop&oacute;sitos comunicativos, em autores que optam por uma apresenta&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica mais consensual.</p>     <p>Precisamente para permitir leituras clarificadas, muitos artistas optaram por apresentar na sua obra a sua inclina&ccedil;&atilde;o sexual, (Perry, 1999), sendo esta caracter&iacute;stica mais clara em artistas de defini&ccedil;&atilde;o LGBTQ, acentuando o seu significado nos <i>'queer studies.'</i></p>      <p>De um modo estrito, a produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica n&atilde;o define a sexualidade do indiv&iacute;duo e seria igualmente demasiado redutor permitir leituras nesse sentido: a s&eacute;rie <i>Made in Heaven</i> (1991), de Koons, ou os <i>Digital Diaries</i> (2000), de Merritt, por exemplo, n&atilde;o nos permite, de modo directo, aferir que a sua inclina&ccedil;&atilde;o &eacute; heterossexual, do mesmo modo que n&atilde;o nos &eacute; poss&iacute;vel definir uma qualquer parafilia nas obras de Balthus (Balthasar Klossowski, 1908-2001) &#8212; dada a recente pol&eacute;mica no <i>Metropolitan Museum of Art, NY</I>, ao penalizarem a obra pela aferi&ccedil;&atilde;o moral do seu autor. Contudo esta acep&ccedil;&atilde;o &eacute; mais refut&aacute;vel em Robert Mapllethorpe ou Otto M&uuml;hl, entre tantos outros, que intencional e assertivamente obrigam os p&uacute;blicos generalistas a leituras mais complexas, na fus&atilde;o entre arte, interpreta&ccedil;&atilde;o e quest&otilde;es sociol&oacute;gicas emergentes e determinantes na escala evolutiva comportamental.</p>     <p>Se pensarmos que a quest&atilde;o do g&eacute;nero n&atilde;o &eacute; necessariamente adere&ccedil;ada apenas por grupos de press&atilde;o, nomeadamente LGBTQ, &eacute; neste contexto que o s&atilde;o inicialmente, de um modo mais vis&iacute;vel, bem como pela cr&iacute;tica feminista, entre as d&eacute;cadas de 1960 e 1990, mantendo a abordagem nas quest&otilde;es do 'g&eacute;nero', evoluindo para os estudos sobre sexualidade e <i>queer</i>, mais que homossexualidade (Williams, 2011). A abordagem hist&oacute;rica mostra-nos que o discurso sobre estas tem&aacute;ticas tem evolu&iacute;do da estigmatiza&ccedil;&atilde;o para um ponto de vista mais positivo, incluindo a quest&atilde;o espec&iacute;fica de Del LaGrace Volcano, ao assumir uma masculinidade feminina independente, e em simult&acirc;neo, n&atilde;o tenta recriar qualquer um dos g&eacute;neros biossociais, mesmo com todo o aparato visual e algumas indetermina&ccedil;&otilde;es que envolvem os seus prop&oacute;sitos. Neste sentido e a prop&oacute;sito, <i>Matrix</i>, a pintura/ retrato de grandes dimens&otilde;es que Jenny Saville produziu em 1999 (Saville, 2005), permite interpreta&ccedil;&otilde;es e leituras poliss&eacute;micas, desde preocupa&ccedil;&otilde;es pessoais na quest&atilde;o da identidade de g&eacute;nero at&eacute; &agrave; legitima&ccedil;&atilde;o institucional, quer na estrutura activista, quer na exposi&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica no <i>mainstream</i> art&iacute;stico:</p>     <blockquote>    <p><i>Del LaGrace em 'On Being a Jenny Saville Painting': 'Jenny Saville paints women. I no longer identify as "woman" and feel uncomfortable being read as female. I am intersex by design, an intentional mutation, and need to have my gender specified as existing outside of the binary gender system, rather than &#91;as&#93; an abomination of it</i> &#91;&#8230;&#93; <i>My fear is that I will be read as only female and this painting may have the power to dislocate and/ or diminish my transgendered maleness in the eyes of others and quite possibly my own</i> (Saville, Territories, 1999).</p></blockquote>     <p>Mas a pintura que Saville produz em constantes cita&ccedil;&otilde;es do corpo feminino, afasta-se claramente dos pressupostos do olhar masculino heterossexual, acrescidas de uma demarca&ccedil;&atilde;o no grotesco e na cr&iacute;tica aos padr&otilde;es formais para o corpo que ocupam grande parte das rela&ccedil;&otilde;es visuais e sociais nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, permitindo associa&ccedil;&otilde;es a um discurso que confronta a heterossexualidade institucionalizada (<a href="#f6">Figura 6</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6"><img src="/img/revistas/est/v9n23/9n23a12f6.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Notas conclusivas</b></p>     <p>Del LaGrace Volcano actua visualmente em refer&ecirc;ncias que permitem interroga&ccedil;&otilde;es v&aacute;lidas para quest&otilde;es de identidade de g&eacute;nero, declarando abertamente o modo como apresenta transforma&ccedil;&otilde;es radicais nas suas caracter&iacute;sticas f&iacute;sica e que se op&otilde;em &agrave;s categorias biol&oacute;gicas e normativas que empregamos habitualmente para masculino e feminino, n&atilde;o sendo estas necessariamente sobre quest&otilde;es da sexualidade.</p>     <p>Esclarece distintamente o seu papel indefinido, interferindo na imprevisibilidade reactiva do espectador, abordando tem&aacute;ticas que seguem tendencionalmente na direc&ccedil;&atilde;o de uma cultura <i>queer</i> polimorfa, subvertendo a interpreta&ccedil;&atilde;o condicionada nos estere&oacute;tipos de g&eacute;nero, aplic&aacute;veis no feminino e no masculino, permitindo ainda algumas d&uacute;vidas em quest&otilde;es de linguagem, j&aacute; que esta &eacute; estruturada igualmente em quest&otilde;es socioculturais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Cotter, H. (1994). Art after Stonewall. 12 artists Interviewed. <i>Art in America, 83, No.6</i>, pp. 56-65.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461650&pid=S1647-6158201800030001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Foucault, M. (1994). <i>Hist&oacute;ria da Sexualidade I. A vontade de Saber. (P. Tamen, Trad.).</i> Lisboa: Rel&oacute;gio d' &Aacute;gua.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461652&pid=S1647-6158201800030001200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Halberstam, J. (2005). <i>In a Queer Time and Place: Transgender Bodies, Subcultural Lives.</i> New York &amp; London: New York University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461654&pid=S1647-6158201800030001200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Horlacher, S. (Ed.). (2016). <i>Transgender and Intersex: Theoretical, Practical, and Artistic Perspectives.</i> Dresden, Germany: Palgrave.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461656&pid=S1647-6158201800030001200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Jones, A. (1994, December). Dis/ playing the phallus: male artists perform their masculinities. <i>Art History, 17, No. 4</i>, pp. 546-584.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461658&pid=S1647-6158201800030001200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Perry, G. (1999). <i>Gender and Art.</i> Hew Haven &amp; London: Yale University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461660&pid=S1647-6158201800030001200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Saville, J. (1999). <i>Territories.</i> UK: Gagosian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461662&pid=S1647-6158201800030001200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Saville, J. (2005). <i>Saville.</i> New York: Rizzoli.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461664&pid=S1647-6158201800030001200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Volcano, D. L. (n.d.). <i>home</i>. Retrieved Dezembro 23, 2017, from Del LaGrace Volcano: <a href="http://www.dellagracevolcano.com/" target="_blank"> http://www.dellagracevolcano.com/</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461666&pid=S1647-6158201800030001200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Volcano, D. L., &amp; Halberstam, J. (1999). <i>The drag king book.</i> London: SErpent's Tail.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461667&pid=S1647-6158201800030001200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Wawrzinek, J. (2008). <i>Ambiguous Subjects. Dissolution and Metamorphosis in The Postmodern Sublime.</i> Amsterdam &#8212; New York: Rodopi.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461669&pid=S1647-6158201800030001200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Williams, J. J. (2011). The Drag of Masculinity: An Interview with Judith 'Jack' Halberstam. <i>simploke, 19, No. 1-2</i>, pp. 361-380.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1461671&pid=S1647-6158201800030001200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
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