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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Wilton Azevedo: do gesto gráfico ao pixel]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Secretaria da Educação do Estado de São Paulo Prefeitura Municipal de Sumaré Centro de Formação de Educadores Municipais de Sumaré]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Wilton Azevedo, Brazilian artist and designer, one of the pioneers to incorporate technology and its signs in its artistic production, materializing the way where the graphic codes and the visual and sound languages, are being subverted to the software, in other words, the digital gadget it incorporating the languages and human codes, transforming them into a single code, the digital, in the interlacement between graphic gesture, the writing, the fusion of artistic languages and their unfolding in digital media.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Wilton Azevedo: do gesto gr&aacute;fico ao pixel</b></p>     <p><b>Wilton Azevedo: from graphic gesture to pixel</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Hugo Daniel Rizolli Moreira*</b></p>     <p>*Brasil, artista visual.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Secretaria da Educa&ccedil;&atilde;o do Estado de S&atilde;o Paulo (SEE).Prefeitura Municipal de Sumar&eacute;; Centro de Forma&ccedil;&atilde;o de Educadores Municipais de Sumar&eacute; (CEFEMS); Endere&ccedil;o postal: Rua Ipiranga 316 &#8212; Centro Sumar&eacute; &#8212; SP. CEP 13170-026 Brasil.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b></p>     <p>Wilton Azevedo, artista e designer brasileiro, um dos pioneiros a incorporar a tecnologia e seus signos em sua produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica, materializando o percurso onde os c&oacute;digos gr&aacute;ficos e as linguagens visuais e sonoras, v&atilde;o sendo subvertidas para o software, ou seja, o dispositivo digital vai incorporando as linguagens e c&oacute;digos humanos, transformando-os em um &uacute;nico c&oacute;digo, o digital, no entrela&ccedil;amento entre o gesto gr&aacute;fico, a escrita, a fus&atilde;o de linguagens art&iacute;sticas e seus desdobramentos nos meios digitais.</p>     <p><b>Palavras chave:</b> Arte digital / linguagens da arte / escritura digital expandida.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b></p>     <p>Wilton Azevedo, Brazilian artist and designer, one of the pioneers to incorporate technology and its signs in its artistic production, materializing the way where the graphic codes and the visual and sound languages, are being subverted to the software, in other words, the digital gadget it incorporating the languages and human codes, transforming them into a single code, the digital, in the interlacement between graphic gesture, the writing, the fusion of artistic languages and their unfolding in digital media.</p>      <p><b>Keywords:</b> Digital art / languages of art / expanded digital writing.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Wilton Luiz de Azevedo nasceu em S&atilde;o Paulo em 1958. Designer gr&aacute;fico, ilustrador, desenhista, programador visual e professor. Quando crian&ccedil;a sonhava em ser desenhista, e n&atilde;o imaginava se tornar professor, nem atuar na fronteira entre o desenho e o digital.</p>     <p>Por&eacute;m, a vida o fez trilhar o caminho docente, artista e pesquisador, ao longo de sua carreira art&iacute;stica nunca abandonou a potencial import&acirc;ncia que o gesto gr&aacute;fico, que o desenho espont&acirc;neo e humano traz para o desenvolvimento e evolu&ccedil;&atilde;o das linguagens art&iacute;sticas.</p>     <p>Graduou-se em Comunica&ccedil;&atilde;o na Escola Superior de Propaganda e Marketing &#8212; ESPM em 1980. No in&iacute;cio de sua carreira, atua como ilustrador e artista gr&aacute;fico, se debru&ccedil;a ao estudo de pigmentos e resinas naturais com Marlene Almeida (1942) para aplicar em seus trabalhos como ilustrador, al&eacute;m da dedica&ccedil;&atilde;o ao estudo de pap&eacute;is artesanais com Diva Elena Bus (1943).</p>     <p>Em 1984 conclui o mestrado em linguagem, comunica&ccedil;&atilde;o e semi&oacute;tica na PUC/SP, com a disserta&ccedil;&atilde;o O Ru&iacute;do como Linguagem, com orienta&ccedil;&atilde;o de D&eacute;cio Pignatari (1927-2012). Em 1995, concluiu o doutorado na mesma institui&ccedil;&atilde;o com a orienta&ccedil;&atilde;o de Arlindo Machado (1949). Come&ccedil;a a expor em 1977, participando do Sal&atilde;o de Humor de Piracicaba. Em 1987 realiza a primeira exposi&ccedil;&atilde;o de pintura por computador em S&atilde;o Paulo, no Clube de Cria&ccedil;&atilde;o, o que lhe valeu uma exposi&ccedil;&atilde;o no Museu de Imagem e Som em 1988. Publica os livros <i>O Que &Eacute; Design</i>, pela Editora Brasiliense, e <i>Os Signos do Design</i>, pela Global Editora.</p>     <p>Artista pl&aacute;stico atuante desde a d&eacute;cada de 1980, ao longo de seu percurso, foi incorporando o uso da tecnologia e seus signos atrav&eacute;s de meios eletr&ocirc;nicos, que se desdobram numa significativa produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica colocando Azevedo como um vanguardista no cen&aacute;rio contempor&acirc;neo da arte brasileira.</p>     <p>Em 1998 organiza, edita e &eacute; respons&aacute;vel pela produ&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica do CD-ROM <i>Interpoesia: poesia hiperm&iacute;dia interativa</i>, com poesias de sua autoria e de Philadelpho Menezes (1960-2000). Foi professor do programa de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o na Universidade Presbiteriana Mackenzie at&eacute; 2016, quando veio a falecer.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. A cultura digital e as linguagens da arte</b></p>     <p>O surgimento da cultura digital no Brasil, na d&eacute;cada de 90, influenciou de maneira significativa a obra de Azevedo, que a partir de ent&atilde;o, passa a explorar essas possibilidades em suas cria&ccedil;&otilde;es.</p>     <blockquote>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Tecnologias contempor&acirc;neas criam novas possibilidades tanto de representa&ccedil;&atilde;o como express&atilde;o. Alguns conceitos surgem por decorr&ecirc;ncia do surgimento de softwares, equipamentos, computadores, e estes associados a meios de reprodu&ccedil;&atilde;o mais antigos devem ser contemplados como elementos expressivos de linguagem, muitas vezes, bastante peculiares. Estas ferramentas visam orientar quanto aos tra&ccedil;os de tecnologia na cria&ccedil;&atilde;o do objeto vis&iacute;vel, assim como apresenta a compet&ecirc;ncia expressiva desses meios</i> (Gon&ccedil;alves, 2005).</p></blockquote>     <p>Pela obra e experimenta&ccedil;&otilde;es de te&oacute;ricos e conceitos que se dedicaram a estudar e resignificar a evolu&ccedil;&atilde;o das linguagens art&iacute;sticas ao longo dos anos, do surgimento da cultura digital e de conceitos que foram incorporados ao universo da arte atrav&eacute;s do surgimento dos meios digitais, o percurso art&iacute;stico e procedimental do designer e artista Wilton Azevedo, vai experimentando e descobrindo novas possibilidades, pois "pesquisa &eacute; a vontade e a consci&ecirc;ncia de se encontrar solu&ccedil;&otilde;es, para qualquer &aacute;rea do conhecimento humano" (Zamboni, 2012:51), assim Wilton penetra no universo digital e na utiliza&ccedil;&atilde;o de hiperm&iacute;dias.</p>     <blockquote>    <p><i>J&aacute; que podemos ter acesso em qualquer lugar e horaaesses armaz&eacute;ns de signos, arquivos que cont&ecirc;m de maneira parcial e ass&eacute;ptica o conhecimento humano contido em um apertar de um mouse, passou a ser oportuno desvendar esta nova escritura que h&aacute; muito estamos tendo contato atrav&eacute;s de videoclipes, vinhetas de televis&atilde;o, internet, CD-ROM, blog, fotolog e as c&acirc;meras de bolso usadas como canetas. Ou seja, o que entendemos hoje por livro, texto e literatura, e suas consequ&ecirc;ncias narrativas, n&atilde;o poder&aacute; ser analisado pelos novos suportes digitais &#8212; hiperm&iacute;dia &#8212; se n&atilde;o voltarmos a nossa aten&ccedil;&atilde;o para a necessidade maior que o ser humano tem em produzir escrituras com ou sem "o sangue de seu pr&oacute;prio corpo", na inten&ccedil;&atilde;o de lan&ccedil;ar o exerc&iacute;cio do ef&ecirc;mero em forma de eterno</i> (Azevedo, 2007:3).</p></blockquote>     <p>O conceito de hiperm&iacute;dia come&ccedil;a a surgir na d&eacute;cada de 60, juntamente com conceitos da tecnologia da informa&ccedil;&atilde;o, sendo potencializado &agrave; medida que os computadores passam a fazer parte do cotidiano das pessoas.</p>     <p>O computador pessoal tamb&eacute;m estendeu a capacidade e viabilizou o desejo humano de interagir, de intercambiar documenta&ccedil;&atilde;o, de comunicar conhecimentos e, pela vida da m&iacute;dia em que se transformou, comunicar sensa&ccedil;&otilde;es e sentimentos. Os meios de comunica&ccedil;&atilde;o social &#8212; sejam eles a pintura rupestre ou um audiovisual editado eletronicamente &#8212; cont&ecirc;m, em si, a natureza simult&acirc;nea da t&eacute;cnica e da arte, da informa&ccedil;&atilde;o e da sensibiliza&ccedil;&atilde;o de sentidos e emo&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Os meios tecnol&oacute;gicos ent&atilde;o penetram e come&ccedil;am a dialogar com outras &aacute;reas do conhecimento, como a teoria liter&aacute;ria e as produ&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas, antevendo os impactos que a digitaliza&ccedil;&atilde;o do conhecimento traria para o ser humano. Essa rela&ccedil;&atilde;o da arte com os meios tecnol&oacute;gicos foi grande objeto deestudo de Wilton Azevedo.</p>     <p>O artista parte da linguagem po&eacute;tica do desenho, que utilizamos para nos expressar desde a pr&eacute;-hist&oacute;ria. Se utiliza de elementos visuais gr&aacute;ficos, como a linha, o ponto e de elementos pict&oacute;ricos como a cor e a luz e sombra, al&eacute;m do som, que num processo de aglutina&ccedil;&atilde;o de valores est&eacute;ticos e sensoriais, desdobram-se em c&oacute;digos digitais, que somente o c&oacute;digo bin&aacute;rio do computador pode incorporar. Ainda, transforma o s&iacute;mbolo alfab&eacute;tico, a letra e a palavra em representa&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas que o meio tecnol&oacute;gico absorve e os transforma em um conjunto de imagens que se sobrep&otilde;em na tela do computador dando um novo significado aos elementos da arte.</p>     <p>Nesse sentido, Lev Manovich alerta para a mudan&ccedil;a operada pela tecnologia ser t&atilde;o decisiva para a produ&ccedil;&atilde;o de obras, como o foi a mudan&ccedil;a/passagem da utiliza&ccedil;&atilde;o do afresco e da t&ecirc;mpera para o &oacute;leo, operada no Renascimento, permitindo novas narrativas.</p>     <blockquote>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>A programa&ccedil;&atilde;o de computadores, a interface gr&aacute;fica homem-m&aacute;quina, o hipertexto, a multim&iacute;dia computadorizada, a forma&ccedil;&atilde;o de redes (com e sem fio) &#8212; concretizaram as ideias por tr&aacute;s dos projetos dos artistas, mas ampliaram-nas muito mais do que o imaginado pelos artistas</i> (Manovich, 2005:49).</p></blockquote>     <p>Se o artista contempor&acirc;neo convive hoje em dia com realidades e naturezas cristalizadas na tela de um computador, sons e imagens, qualquer cr&iacute;tica a esse respeito deve levar em conta a mistura dessas diferentes naturezas. A palavra e a forma devem ser repensadas nas rela&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas que convivem com elas e que d&atilde;o visibilidade ao processo de fus&atilde;o de linguagens na tela do computador, na obra digital.</p>     <p>Timm ainda aponta caracter&iacute;sticas fundamentais que norteiam os caminhos dessas rela&ccedil;&otilde;es com os ambientes virtuais.</p>     <blockquote>    <p><i>&Eacute; verdade inclusive que muitos ambientes virtuais facilitaram o processo de integra&ccedil;&atilde;o de arquivos de m&uacute;ltiplas m&iacute;dias atrav&eacute;s de templates, muitas vezes engessadas na concep&ccedil;&atilde;o de simples menus, o que de certa forma elimina a magia da cria&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o entre sentidos, as vezes ocultos no conte&uacute;do de textos e imagens de v&aacute;rias naturezas, o que talvez tenha regrado um poss&iacute;vel fasc&iacute;nio do link que acompanhou muitas produ&ccedil;&otilde;es experimentais, no in&iacute;cio da implementa&ccedil;&atilde;o dos hipertextos.</i> (Timm, Schnaid &amp; Zaro, 2004:13).</p></blockquote>     <p>Nessa transi&ccedil;&atilde;o para o digital, o artista possui projetos emblem&aacute;ticos, como a edi&ccedil;&atilde;o do CD ROOM interativo em parceria com o poeta Philadelpho Menezes, intitulado <i>POESIA HIPERM&Iacute;DIA INTERATIVA,</i> uma colet&acirc;nea de poemas digitais, entre eles o poema digital <i>L&aacute;bios,</i> onde texto, imagens em movimento e sons se fundem no suporte digital criando um novo signo art&iacute;stico (<a href="#f1">Figura 1</a>). Essa nova linguagem h&iacute;brida, que surge a partir da coexist&ecirc;ncia do verbo, do som e da imagem, criada por escritores, artistas, poetas e designers, abre amplas e novas possibilidades de entendimento e sensibilidade em torno das pr&oacute;prias linguagens da arte.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v9n24/9n24a09f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Tamb&eacute;m o que viabiliza esse conv&iacute;vio entre diferentes matrizes s&iacute;gnicas &eacute; o aparato tecnol&oacute;gico digital. Cabe-nos refletir em que medida essa tecnologia interv&eacute;m na l&oacute;gica de funcionamento das linguagens e at&eacute; que ponto as linguagens nos revelam outro modo de conviver com a tecnologia. O que notamos na ambi&ecirc;ncia digital &eacute; que o significado das palavras e formas n&atilde;o cabe mais somente nelas mesmas. &Eacute; nesse universo, que Wilton Azevedo busca inspira&ccedil;&atilde;o e conceitua&ccedil;&atilde;o para sua produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica.</p>     <blockquote>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>H&aacute; um significado que n&atilde;o mais est&aacute; ligado a um signo comum ou po&eacute;tico, mas sim a um signo que se mostraem expans&atilde;o, dilatando-se. O significado est&aacute; l</i>&aacute;, <i>mas s&oacute; &eacute; detectado por seus componentes bin&aacute;rios, que est&atilde;o entrela&ccedil;ados aos componentes bin&aacute;rios do som, da imagem e demais acontecimentos manifestados na tela do computador. Estamos falando de cria&ccedil;&otilde;es que tomam como linguagem a ser articulada aquela do meio de comunica&ccedil;&atilde;o mais din&acirc;mico dotempo presente, odigital. Sendoassim, oque cabe aoartista&eacute; selecionar e articular essas linguagens para expressar a sua forma po&eacute;tica</i> (Azevedo &amp; Sales, 2012:53).</p></blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Escritura digital expandida</b></p>     <p>Wilton defende a partir dessas muta&ccedil;&otilde;es sensoriais, a ideia de escritura digital expandida, onde n&atilde;o temos mais o verbo, a imagem e o som, sendo que essas linguagens se fundem em um &uacute;nico c&oacute;digo atrav&eacute;s de recursos tecnol&oacute;gicos, a pr&oacute;pria escritura digital expandida.</p>     <p>E o ambiente digital &eacute;, seguramente, um espa&ccedil;o-tempo em que os diferentes campos do conhecimento podem conviver; e n&atilde;o apenas em forma de hipertextos (ligados uns aos outros) sobretudo, criando novos modos de significar e compreender as rela&ccedil;&otilde;es mundanas.</p>     <p>No caso de <i>Volta ao fim</i> (<a href="#f2">Figura 2</a>), uma poss&iacute;vel sofistica&ccedil;&atilde;o do leitor &eacute; desej&aacute;vel na cria&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria digital. Se anteriormente precis&aacute;vamos sair da nossa zona de conforto para adentrarmos os signos da cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stico-digital, que nos faz contemplar e entender outras formas de nos relacionarmos com o mundo, agora estamos diante uma m&iacute;dia que nos faz habitar as obras e nos relacionar com v&aacute;rias linguagens simultaneamente.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v9n24/9n24a09f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Estamos frente a frente com essas escrituras expandidas, diante dessas faces sonoras, de versos t&aacute;teis e das imagens em movimentos anal&oacute;gicos-digitais (programadas em <i>softwares</i>) e assim podemos redescobrir uma beleza que n&atilde;o nos remeta apenas &agrave;s explica&ccedil;&otilde;es acerca de quanto a arte e a literatura nos transformam, mas tamb&eacute;m que nos proporcione encantamento pelas formas, pelos sons, pelas cores e pelas percep&ccedil;&otilde;es corporais. Tudo isso sob uma nova &oacute;tica de frui&ccedil;&atilde;o, como na obra <i>Volta ao fim</i>, onde observamos todos esses valores como expectadores por meio de um monitor de computador.</p>     <p>No v&iacute;deo Palimpgesto (<a href="#f3">Figura 3</a>), o artista materializa o percurso onde os c&oacute;digos gr&aacute;ficos e as linguagens visuais e sonoras, v&atilde;o sendo subvertidas para o software, ou seja, o dispositivo digital vai incorporando as linguagens e c&oacute;digos humanos, transformando-os em um &uacute;nico c&oacute;digo, o digital. Durante o v&iacute;deo, o c&oacute;digo da palavra aparece distorcido, fora do seu contexto original, num processo de ressignifica&ccedil;&atilde;o para a plataforma digital, que ocorre a partir do processamento do software, incorporado na linguagem do pixel. O v&iacute;deo produzido por Azevedo, registra esse percurso de fus&atilde;o entre as linguagens e signos materializados no suporte digital.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v9n24/9n24a09f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Outro v&iacute;deo do artista, Enc&eacute;falo (<a href="#f4">Figura 4</a>), mostra a fus&atilde;o de elementos visuais e linguagens no suporte computacional.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v9n24/9n24a09f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>A partir dessas abordagens, podemos concluir que o artista se apropria de diversos elementos visuais: linha, forma, textura, cor, e de diversas linguagens: escrita, sonora, visual, e as subverte para o suporte digital.ao longo de sua carreira.</p>     <p>Esse percurso nos permite percorrer, vivenciar e reconhecer por meio de sua produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica as possibilidades que as novas tecnologias digitais v&ecirc;m proporcionando no terreno da potencialidade dos signos da arte e no surgimento cada vez mais claro de um c&oacute;digo h&iacute;brido, interligando linguagens como som, imagem e texto, que Azevedo explorou no decorrer de seus trabalhos. Ou ainda, dimensionar e explorar como as linguagens expressivas humanas s&atilde;o fundidas e absorvidas pelo suporte digital.</p>     <p>Com o falecimento de Wilton Azevedo em 2016, suas experimenta&ccedil;&otilde;es e sua obra se consolidam, deixando um legado art&iacute;stico no entrela&ccedil;amento entre o gesto gr&aacute;fico, a escrita, a fus&atilde;o de linguagens art&iacute;sticas e seus desdobramentos nos meios digitais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Azevedo, Wilton (2007). "Po&eacute;tica das hiperm&iacute;dias, uma escritura expandida". <i>Revista Boitat&aacute;</i>. ISSN 1980-4504. N&ordm; 4 (jul-dez): 1-17. &#91;Consult. 2017-12-27&#93;. Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://revistaboitata.portaldepoeticasorais.inf.br/revista/edicao/numero-4-semestre-jul-dez-2007/4" target="_blank">http://revistaboitata.portaldepoeticasorais.inf.br/revista/edicao/numero-4-semestre-jul-dez-2007/4</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1463067&pid=S1647-6158201800040000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Azevedo, Wilton; Sales, Cristiano (2012). "A literatura digital e sua escritura expandida: uma reflex&atilde;o sobre a obra Volta ao fim<i>". Revista Brasileira de Literatura Comparada</i>. ISSN 0103-6963, vol. 14, n. 20: 49-62.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1463068&pid=S1647-6158201800040000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gon&ccedil;alves, Claudio C. Babenko (2005). <i>Para uma an&acute;lise do fen&ocirc;meno visual.</i> S&atilde;o Paulo: Acadcom Gr&aacute;fica e Editora. ISBN 85-98437-02-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1463070&pid=S1647-6158201800040000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Manovich, Lev (2005). "Novas m&iacute;dias como tecnologia e ideia: dez defini&ccedil;&otilde;es" In: L&uacute;cia Le&atilde;o (org.). <i>O chip e o caleidosc&oacute;pio: reflex&otilde;es sobre as novas m&iacute;dias</i>. S&atilde;o Paulo: Editora SENAC. ISBN 8573594209:25-49.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1463072&pid=S1647-6158201800040000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Timm, Maria Isabel, Schnaid, Fermando, Zaro, Milton Ant&ocirc;nio (2004). "Contexto hist&oacute;rico e reflex&otilde;es sobre hipertextos, hiperm&iacute;dia e sua influ&ecirc;ncia na cultura e no ensino do S&eacute;culo XXI<i>." Revista Renote Novas Tecnologias na Educa&ccedil;&atilde;o</i>. ISSN 1679-1916. V.2 N.1:1-16. &#91;Consult. 2017-12-27&#93;. Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://seer.ufrgs.br/index.php/renote/issue/view/930/showToc" target="_blank">http://seer.ufrgs.br/index.php/renote/issue/view/930/showToc</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1463074&pid=S1647-6158201800040000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Zamboni, Silvio (2012). <i>A Pesquisa em Arte: um paralelo entre arte e ci&ecirc;ncia</i>. 4&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Campinas: Autores Associados. ISBN 978-85-85701-64-2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1463075&pid=S1647-6158201800040000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Enviado a 03 de janeiro de 2018 e aprovado a 17 de janeiro de 2018</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:rizollihugo@gmail.com">rizollihugo@gmail.com</a> (Hugo Daniel Rizolli Moreira)</p>      ]]></body><back>
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