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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Jéssica Mangaba: 'no Álbum', uma memória construída]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Jéssica Mangaba: 'in the Album', a built memory]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The proposed article aims to reflect on the photographic series In the Album II of the young Brazilian visual artist Jéssica Mangaba (1988). The series consists of 14 images that build / reconstruct, through vestiges, memories lived and not lived by her father, creating memory constructed and expanded in the present. Theoretical concepts such as Photography Expression (Rouillé, 2009), Expanded Photography (Fernandes, 2002, 2006), Crystal Image (Fatorelli, 2003), Memory (Bergson, 2010) will be approached.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Fotografia expandida]]></kwd>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[álbum de família]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[family album]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>J&eacute;ssica Mangaba: 'no &Aacute;lbum', uma mem&oacute;ria constru&iacute;da</b></p>     <p><b>J&eacute;ssica Mangaba: 'in the Album', a built memory</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Sandra Maria L&uacute;cia Pereira Gon&ccedil;alves*</b></p>     <p>*Brasil, artista visual.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Faculdade de Biblioteconomia e Comunica&ccedil;&atilde;o (FABICO), Departamento de Comunica&ccedil;&atilde;o. Rua Ramiro Barcelos, 2705, Santana, Porto Alegre &#8212; RS, 90035-007, Brasil.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b></p>     <p>O artigo proposto possui como objetivo refletir acerca da s&eacute;rie fotogr&aacute;fica No &Aacute;lbum II da jovem artista visual brasileira J&eacute;ssica Mangaba (1988). A s&eacute;rie &eacute; composta por 14 imagens que constroem/reconstroem, atrav&eacute;s de vest&iacute;gios, lembran&ccedil;as vividas e n&atilde;o vividas de seu pai, criando uma mem&oacute;ria constru&iacute;da e expandida no presente.Conceitos te&oacute;ricos como o de Fotografia Express&atilde;o (Rouill&eacute;, 2009), Fotografia Expandida (Fernandes, 2002, 2006), Imagem Cristal (Fatorelli, 2003) e Mem&oacute;ria (Bergson, 2010) ser&atilde;o abordados.</p>      <p><b>Palavras chave:</b> Fotografia expandida / mem&oacute;ria / &aacute;lbum de fam&iacute;lia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b></p>     <p>The proposed article aims to reflect on the photographic series In the Album II of the young Brazilian visual artist J&eacute;ssica Mangaba (1988). The series consists of 14 images that build / reconstruct, through vestiges, memories lived and not lived by her father, creating memory constructed and expanded in the present. Theoretical concepts such as Photography Expression (Rouill&eacute;, 2009), Expanded Photography (Fernandes, 2002, 2006), Crystal Image (Fatorelli, 2003), Memory (Bergson, 2010) will be approached.</p>      <p><b>Keywords:</b> Expanded photography / memory / family album.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O artigo possui como objetivo refletir acerca da s&eacute;rie fotogr&aacute;fica <i>No &Aacute;lbum II</i> da jovem artista visual brasileira J&eacute;ssica Mangaba (1988). Al&eacute;m do desenvolvimento de trabalhos autorais, Mangaba trabalha como fot&oacute;grafa <i>freelancer</i> para o mercado editorial brasileiro (revistas impressas e online) e cobertura de eventos. Tais dados podem ser conferidos em seu site oficial: <a href="http://www.jessicamangaba.com.br/sp-arte-press/" target="_blank">http://www.jessicamangaba.com.br/sp-arte-press/</a>. A s&eacute;rie <i>No &Aacute;lbum II</I>, objeto de reflex&atilde;o deste artigo, &eacute; composta por 14 imagens que constroem/reconstroem, atrav&eacute;s de vest&iacute;gios, lembran&ccedil;as vividas e n&atilde;o vividas de seu pai, criando, a partir da&iacute;, uma mem&oacute;ria constru&iacute;da e expandida no presente. De est&eacute;tica propositalmente amadora, essas imagens tencionam as fronteiras entre o real da imagem e sua fic&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A s&eacute;rie teve in&iacute;cio em 2008 e foi finalizada em 2009. Sua origem se deu dentro de sua monografia, <i>Do &Aacute;lbum &#8212; Mem&oacute;ria e Fic&ccedil;&atilde;o</i>, para a obten&ccedil;&atilde;o do grau de Bacharel em Fotografia no Centro Universit&aacute;rio SENAC, S&atilde;o Paulo em 2009. A s&eacute;rie &eacute; fruto de todo um processo te&oacute;rico e reflexivo sobre a quest&atilde;o da imagem documental e sua expans&atilde;o ficcional, bem como do processo da mem&oacute;ria &#8212; caminhos e descaminhos que sofre a mem&oacute;ria a partir daquele que recorda; o ir e vir permanente entre passado e presente, um emaranhado que aos poucos perde a forma primitiva, em uma recria&ccedil;&atilde;o permanente. Nesse jogo, a mem&oacute;ria torna-se devir (Deleuze, 2007). Tal reflex&atilde;o tornou poss&iacute;vel &agrave; artista flexibilizar o referente temporal e fotografar/criar, a partir de imagens mentais, o passado no presente. A s&eacute;rie <i>No &Aacute;lbum II</i> teve grande repercuss&atilde;o, sendo exposta em diferentes Galerias de Arte no Brasil.</p>     <p>Informa-se que conceitos te&oacute;ricos como o de Fotografia Express&atilde;o (Rouill&eacute;, 2009), Fotografia Expandida (Fernandes, 2006), Imagem Cristal (Fatorelli, 2003), Mem&oacute;ria (Bergson, 2010) ser&atilde;o abordados por estarem presentes no trabalho desenvolvido por Mangaba. A t&eacute;cnica empregada pela autora tamb&eacute;m ser&aacute; abordada.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Mangaba e a Fotografia Express&atilde;o</b></p>     <p>A forma&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria de Mangaba na fotografia deu-se dentro daquilo que se estabelece como fotografia aplicada ao universo da Comunica&ccedil;&atilde;o (fotojornalismo, fotopublicidade e fotografia institucional), modos de fazer ligados &agrave; fotografia com car&aacute;ter documental (referencial) e que Mangaba considerou &agrave; &eacute;poca a escolha mais adequada para atuar no dia a dia do mercado como fot&oacute;grafa &#8212; apesar de existir o desejo de se dedicar de modo te&oacute;rico e pr&aacute;tico a uma fotografia mais expressiva, onde quest&otilde;es relacionadas ao fazer art&iacute;stico estivessem envolvidas.</p>     <p>A rela&ccedil;&atilde;o de Mangaba com a fotografia &eacute; anterior ao seu ingresso na Universidade. Essa rela&ccedil;&atilde;o com a imagem vem de longa data. Segundo relato da artista, em entrevista dada a autora deste artigo por e-mail (em 2017), seu pai e sua m&atilde;e se conheceram atrav&eacute;s de fotografias um do outro, trocadas atrav&eacute;s de cartas &#8212; a fotografia e a troca de telefonemas que se seguiu levaram ao desejo de se conhecerem e, posteriormente, se casarem. Quando soube dessa hist&oacute;ria, Mangaba, com 14 anos na &eacute;poca, ficou muito empolgada com o poder de uma imagem "&#91;&#8230;&#93; com tudo que a imagem fotogr&aacute;fica poderia movimentar, representar e significar. Foi um ponto de virada &#91;&#8230;&#93;" (Mangaba, comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, 2017). A partir desse evento fundador, Mangaba teve na imagem seu ponto de foco, de inquieta&ccedil;&otilde;es e reflex&otilde;es. Sua sensibilidade a levou a perceber a imagem fotogr&aacute;fica para al&eacute;m da simples refer&ecirc;ncia e perceber o aspecto subjetivo e expressivo nela presente. Na mesma entrevista acima citada, a artista diz; "&#91;&#8230;&#93; ent&atilde;o, quando comecei a estudar fotografia eu s&oacute; queria ir a fundo nisso tudo, nesse universo da imagem e as pontes que ela constr&oacute;i". Atualmente, sem se importar se o que fazia (faz) era (&eacute;) documento ou arte, Mangaba est&aacute; mais preocupada em experimentar a linguagem fotogr&aacute;fica, distendendo-a, questionando-a nos seus modos do "isso foi" Barthesiano (Barthes, 2006).</p>     <p>Pensa-se que a fotografia produzida por Mangaba pode ser classificada como Fotografia Express&atilde;o. Aquele tipo de imagem que, de acordo com Andr&eacute; Rouill&eacute; (2009), tenciona a fotografia em suas bases ao colocar a refer&ecirc;ncia em um segundo plano, tenso, um modo de fazer capaz de inventar novas visibilidades, de tornar vis&iacute;vel o que antes n&atilde;o o era devido ao apego total ao referente exigido pelo documento. Marque-se que a Fotografia Express&atilde;o n&atilde;o recusa de todo o documento, mas prop&otilde;em novos caminhos, indiretos "&#91;&#8230;&#93; de acesso as coisas, aos fatos, aos acontecimentos &#91;&#8230;&#93;" (Rouill&eacute;, 2009:161). Nesse modo de fazer a fotografia possui um autor, tem uma escrita que se traduz no uso da forma que produz sentido e se torna linguagem. &Eacute; isso que Mangaba realiza em sua s&eacute;rie <i>No &Aacute;lbum II</I>, onde a fotografia transforma-se em um jogo l&uacute;dico que deixa correr livre a express&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1.1. A Fotografia Expandida</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De modo consequente, a fotografia produzida pela artista &eacute; considerada uma Fotografia Expandida, no sentido de que, ao questionar o referente temporal e espacial na constru&ccedil;&atilde;o fotogr&aacute;fica das mem&oacute;rias relatadas de seu pai (imagens mentais), ela esgar&ccedil;a a linguagem fotogr&aacute;fica, ampliando-a, tornando o referente em vest&iacute;gio, ind&iacute;cio daquilo que foi (ou n&atilde;o). Nesse modo de fazer a fotografia possui importante car&aacute;ter simb&oacute;lico. Essa classifica&ccedil;&atilde;o possui como &acirc;ncora Fernandes Junior (2006), que assim define a Fotografia Expandida:</p>     <blockquote>    <p><i>Denominamos essa produ&ccedil;&atilde;ocontempor&acirc;neamais arrojada, livre das amarras dafotografia convencional, de fotografia expandida, onde a &ecirc;nfase est&aacute; na import&acirc;ncia do processo de cria&ccedil;&atilde;o e nos procedimentos utilizados pelo artista, para indicar que a fotografia se expandiu em termos de flutua&ccedil;&atilde;o ao redor da tr&iacute;ade peirciana</i> &#91;&#8230;&#93; <i>tem &ecirc;nfase no fazer, nos processos e procedimentos de trabalho cuja finalidade &eacute; a produ&ccedil;&atilde;o de imagens perturbadoras</i> &#91;&#8230;&#93; (Fernandes J&uacute;nior, 2016:11).</p></blockquote>     <p>Ao subverter e desarticular as refer&ecirc;ncias, a Fotografia Expandida se torna desafiadora e provocadora. Para que isso se realize de modo eficaz, aquele que pratica tal fotografia deve conhecer profundamente o aparelho que utiliza (de modo a subvert&ecirc;-lo). Nessa fotografia o processo criativo do artista vai al&eacute;m do momento da tomada fotogr&aacute;fica; todo o processo est&aacute; predisposto a sofrer modifica&ccedil;&otilde;es antes, durante e depois da sua "revela&ccedil;&atilde;o". A Fotografia Expandida &eacute; uma forma de resist&ecirc;ncia aos modos operativos das bulas e manuais dos instrumentos fotogr&aacute;ficos e dos processamentos qu&iacute;micos ou digitais para a sua revela&ccedil;&atilde;o. Mais do que tudo, esse modo de fazer &eacute; tamb&eacute;m &eacute;tico e pol&iacute;tico ao buscar retirar o observador interessado de seus automatismos e zonas de conforto, tornando-o parte essencial na realiza&ccedil;&atilde;o e objetivos da obra.</p>     <p>As quest&otilde;es acima citadas podem ser observadas na imagem a seguir (<a href="#f1">Figura 1</a>). Fruto da s&eacute;rie <i>No &Aacute;lbum II</i> essa imagem faz parte da narrativa, sem cronologia, proposta pela artista, que atrav&eacute;s de ind&iacute;cios do real, fabula&ccedil;&otilde;es e fantasias (processo semelhante que ocorre com a mem&oacute;ria ao se lembrar de algo) cria uma mem&oacute;ria constru&iacute;da sobre a vida de seu pai durante o per&iacute;odo em que n&atilde;o teve conviv&ecirc;ncia com ele. Para tanto, a artista "se valeu de inven&ccedil;&otilde;es fundidas entre o ocorrido, o imaginado e o idealizado" (Mangaba, 2012:30).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v9n24/9n24a10f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Nessa imagem (<a href="#f1">Figura 1</a>) se observa o procedimento t&eacute;cnico realizado por Mangaba, que para chegar a esse resultado experimentou v&aacute;rias coisas, como ela mesma diz; "&#91;&#8230;&#93; filme, polaroide, digital, e ver o que tinha mais a ver com a proposta. As minhas refer&ecirc;ncias eram as fotos antigas &#91;&#8230;&#93; quis deixar presente, seja na tonalidade ou no enquadramento, essa est&eacute;tica caseira e crua" (Mantovanini, 2010). Al&eacute;m disso, utiliza o desfocado, que pode ser tanto uma caracter&iacute;stica atribu&iacute;da &agrave; est&eacute;tica amadora, bem como uma alus&atilde;o &agrave; mem&oacute;ria, traduzida assim em imagem sem foco e fugidia. Essa imagem possui tamb&eacute;m caracter&iacute;sticas de uma "cebola". &Eacute; uma imagem com m&uacute;ltiplas camadas, palimpsesto de diferentes n&iacute;veis temporais. Fus&atilde;o fugidia de passado, presente e futuros, imagem em devir, um cristal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1.2. A Imagem Cristal</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Completa os conceitos aqui explicitados, que recobrem o trabalho de Mangaba e se complementam o de Imagem Cristal. Tal conceito &eacute; utilizado para se referir, como evidencia Fatorelli (2003), &agrave;quelas imagens que possuem como caracter&iacute;stica a n&atilde;o subservi&ecirc;ncia &agrave; refer&ecirc;ncia e nela n&atilde;o se esgotam &#8212; quer dizer, sua rela&ccedil;&atilde;o com o tempo e o espa&ccedil;o n&atilde;o se d&aacute; do mesmo modo como se d&aacute;nas imagens puramente documentais. Na Imagem Cristal, "&#91;&#8230;&#93; as imagens secretam realidades que j&aacute; n&atilde;o se confundem com a refer&ecirc;ncia &#91;&#8230;&#93; situam-se num presente sempre renovado que desperta um passado e prenuncia um futuro igualmente abertos" (Fatorelli, 2003:33). Tais imagens entram em rela&ccedil;&atilde;o direta com as imagens do sonho e da fantasia, onde, ainda de acordo com Fatorelli "&#91;&#8230;&#93; foram quebradas as condi&ccedil;&otilde;es habituais de reconhecimento e de a&ccedil;&atilde;o que envolve a percep&ccedil;&atilde;o interessada e pragm&aacute;tica &#91;&#8230;&#93;" (2003:33). Nessas imagens o que importa n&atilde;o &eacute; o reconhecimento, mas sim o conhecimento que delas adv&eacute;m.</p>     <p>A configura&ccedil;&atilde;o pl&aacute;stica visual da imagem possui papel importante na constru&ccedil;&atilde;o de seu aspecto e caracter&iacute;stica cristalina. No caso espec&iacute;fico de Mangaba, o desfocado utilizado para apagar os tra&ccedil;os mais expl&iacute;citos de um reconhecimento figurativo, trabalha no sentido de criar uma falha a ser preenchida por aquele que a observa, levando o observador interessado para suas pr&oacute;prias experi&ecirc;ncias com a mem&oacute;ria. Enquadramento, ponto de vista e &acirc;ngulo de da tomada do fot&oacute;grafotrabalham na mesma dire&ccedil;&atilde;o de abertura a um devir.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Mem&oacute;ria e Fic&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Mem&oacute;ria e fic&ccedil;&atilde;o s&atilde;o quest&otilde;es fundamentais na s&eacute;rie <i>No &Aacute;lbum II</I>. O questionamento sobre se a mem&oacute;ria &eacute; uma fic&ccedil;&atilde;o ou realidade pura a&iacute; se coloca. A reflex&atilde;o leva a d&uacute;vida: algumas lembran&ccedil;as s&atilde;o t&atilde;o antigas que se perde a certeza de como alguma coisa realmente se deu. Parece que, ao lembrar, se est&aacute; sempre a recriar e, desse modo, ficcionando. Bergson (2010) em <i>Mat&eacute;ria e Mem&oacute;ria</i> pondera que o c&eacute;rebro n&atilde;o arquiva mem&oacute;rias, ele as cria permanentemente a cada vez que lembran&ccedil;as s&atilde;o acionadas (bem como tudo que conhecemos &eacute; coberto pelo manto da mem&oacute;ria, seja real ou ficcionada). Em outras palavras, n&atilde;o existe um reservat&oacute;rio de mem&oacute;ria pura a ser acessado cada vez que se pensa no passado, a imagem conjurada &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o do sujeito no presente. &Eacute; como diz a pensadora e professora da Universidade de Amsterdam, Jos&eacute; Van Dijck (2007), "&#91;&#8230;&#93; Mem&oacute;rias, efetivamente, s&atilde;o reescritas a cada vez que s&atilde;o ativadas; em vez de recordar uma mem&oacute;ria que tenha sido guardada algum tempo atr&aacute;s, o c&eacute;rebro est&aacute; forjando tudo de novo em uma nova associa&ccedil;&atilde;o &#91;&#8230;&#93;" (Dijck, 2007:32). Pode-se ent&atilde;o afirmar, utilizando Ranci&egrave;re (2012), ao se pensar a imagem fotogr&aacute;fica como reposit&oacute;rio de lembran&ccedil;as, que "&#91;&#8230;&#93; a fotografia n&atilde;o &eacute; o duplo de alguma coisa. &Eacute; um jogo complexo de rela&ccedil;&otilde;es entre o vis&iacute;vel e o invis&iacute;vel &#91;&#8230;&#93;, o dito e o n&atilde;o dito" (Ranci&egrave;re, 2010:92). Possuidoras de camadas, como a mem&oacute;ria, a fotografia como suporte de lembran&ccedil;as ficciona e cria mundos composs&iacute;veis.</p>     <p>Mangaba parte dessas ideias para afirmar que qualquer &aacute;lbum de fam&iacute;lia &eacute; tamb&eacute;m uma fic&ccedil;&atilde;o. A pr&oacute;pria origem do &aacute;lbum como cria&ccedil;&atilde;o de uma mem&oacute;ria familiar afirmadora da posi&ccedil;&atilde;o social de seus membros j&aacute; mostra sua seletividade daquilo que deve figurar em suas p&aacute;ginas. A cren&ccedil;a &agrave; &eacute;poca de que a fotografia era uma imagem m&aacute;quina, objetiva ajuda a afirmar a "verdade" do que &eacute; retratado. Mangaba, na s&eacute;rie <i>No &Aacute;lbum II,</i> parte dessa cren&ccedil;a para transformar o sentido de realismo da fotografia de fam&iacute;lia, bem como a temporalidade que lhe &eacute; inerente: nela, passado e presente se misturam para construir uma realidade ficcional.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. A s&eacute;rie Do &Aacute;lbum II</b></p>     <p>Trata-se de um &Aacute;lbum constru&iacute;do a partir de imagens da vida do pai da artista (per&iacute;odos da vida dele que Mangaba desconhecia, visto os pais terem se separado quando ela era ainda uma crian&ccedil;a) dispersas em pequenos &aacute;lbuns familiares &#8212; desses entregues pelas lojas de revela&ccedil;&atilde;o em pequenos sacos pl&aacute;sticos. O trabalho, de acordo com a artista em entrevista dada &agrave; autora deste texto, "&#91;&#8230;&#93; foi desenvolvido em tr&ecirc;s partes. Nasceu como uma pesquisa a partir de um conjunto de imagens &#91;&#8230;&#93; de um per&iacute;odo muito espec&iacute;fico da vida do meu pai, e depois foi se tornando o trabalho <i>No &Aacute;lbum II</I>" (Mangaba, comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, 2017). Algumas das imagens presentes nos primeiros estudos para a confec&ccedil;&atilde;o da s&eacute;rie <i>No &Aacute;lbum II</i> foram produzidas por seu pai ou mesmo outros familiares. As restantes foram constru&iacute;das por Mangaba a partir de lacunas somadas a diferentes relatos advindos principalmente das narrativas de vida do pai por ele mesmo. Formam o trabalho <i>No &Aacute;lbum II,</i> em sua vers&atilde;o mais atual, 14 imagens dispostas narrativamente em ordem n&atilde;o cronol&oacute;gica &#8212; segundo a autora, &eacute; assim que a mem&oacute;ria se apresenta: de modo fragment&aacute;rio e n&atilde;o cronol&oacute;gico.</p>     <p>Pode-se observar na imagem a seguir (<a href="#f2">Figura 2</a>), uma da s&eacute;rie <i>No &Aacute;lbum II</I>. Trata-se de um retrato do pai da artista, produzido atrav&eacute;s do relato do mesmo sobre o desejo antigo de ser retratado dirigindo um caminh&atilde;o, visto que quando dirigiu um n&atilde;o foi fotografado. Mangaba materializa o passado numa imagem produzida no presente. Observa-se que nessa mem&oacute;ria em devir o foco est&aacute; ausente, visto que as atualiza&ccedil;&otilde;es da mem&oacute;ria se fazem de forma permanente tornando sua forma fugidia. Na s&eacute;rie, a artista tenciona a realidade temporal do referente fotogr&aacute;fico, que, em seu trabalho, &eacute; flexibilizada ou mesmo abolida. Tal imagem aproxima-se daquilo que Fatorelli (2003), classifica de Imagem Cristal, como exposto anteriormente. H&aacute; um transbordamento do tempo nesta imagem, uma fissura que possibilita um devir onde passado, presente e futuro entram em colis&atilde;o propiciando incont&aacute;veis atualiza&ccedil;&otilde;es. Imagens potentes, subversivas e suplementares no seu movimento de constru&ccedil;&atilde;o de um passado no presente, permitem/propiciam ao leitor interessado uma imers&atilde;o em suas pr&oacute;prias mem&oacute;rias e imagens mentais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v9n24/9n24a10f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Na imagem seguinte (<a href="#f3">Figura 3</a>), o mesmo processo de produ&ccedil;&atilde;o do passado no presente se repete. Atrav&eacute;s da visualiza&ccedil;&atilde;o de duas fotografias do pai tomando banho de rio em duas situa&ccedil;&otilde;es e lugares diferentes (Cear&aacute; e Bahia), Mangaba criou uma terceira imagem, que une as duas situa&ccedil;&otilde;es anteriormente vividas. O <i>flou</i> como procedimento de constru&ccedil;&atilde;o com a finalidade de causar um estranhamento perceptivo est&aacute; presente Ficcionada, tal imagem torna-se lembran&ccedil;a real de vida.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v9n24/9n24a10f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Ao fotografar o passado no presente, Mangaba coloca em quest&atilde;o a veracidade/realidade da imagem fotogr&aacute;fica, cren&ccedil;a que ainda vigora no senso comum. Indica que o passado &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o revista no presente e que a fotografia, ao mesmo tempo em que certifica e autentica a presen&ccedil;a e exist&ecirc;ncia de algo, como afirma Dubois (2004) permite a presen&ccedil;a da subjetividade e da fic&ccedil;&atilde;o. As imagens fotogr&aacute;ficas criadas pela artista na reconstru&ccedil;&atilde;o do passado de seu pai, do qual n&atilde;o participou, indicam que a arte &eacute; o lugar onde os abismos interiores dos sujeitos podem ser preenchidos, mesmo que momentaneamente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Barthes, Roland (2006) <i>A C&acirc;mara Clara</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70. ISBN: ISBN: 972-24-41349-7&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1463154&pid=S1647-6158201800040001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bergson, Henri (2010)<i>Mat&eacute;ria e Mem&oacute;ria.</i> S&atilde;o Paulo: Martins Fontes. ISBN: 8578272528&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1463155&pid=S1647-6158201800040001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Deleuze, Gilles (2007)<i>A Imagem tempo.</i> S&atilde;o Paulo, SP: Brasiliense. ISBN: 85-11-22028-3&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1463156&pid=S1647-6158201800040001000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Dijck, Jos&eacute; Van (2007) <i>Mediated memories in digital age</i>. Stanford: Stanford University Press. ISBN: 9780804756242&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1463157&pid=S1647-6158201800040001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Dubois,Philippe (2004) <i>O ato fotogr&aacute;fico</i>. S&atilde;o Paulo: Papirus. ISBN: 8530802462&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1463158&pid=S1647-6158201800040001000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Fatorelli, Ant&ocirc;nio (2003)<i>Fotografia e Viagem. Entre a Natureza e o Artificio.</i> Rio de Janeiro: Relume Dumar&aacute;: FAPERJ. ISBN: 85-7316-323-2&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1463159&pid=S1647-6158201800040001000006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Fernandes Junior, Rubens (2006) Processos de cria&ccedil;&atilde;o na fotografia: apontamentos para os entendimentos dos vetores e das vari&aacute;veis da produ&ccedil;&atilde;o fotogr&aacute;fica. <i>Revista Facom</i> &#8212; FAAP n&ordm; 16 (2&ordm; semestre 2006): 10-19. ISSN: 1676-8221. &#91;Consult. 2017-11-15&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://www.faap.br/revista_faap/revista_facom/facom_16/rubens.pdf" target="_blank">http://www.faap.br/revista_faap/revista_facom/facom_16/rubens.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1463160&pid=S1647-6158201800040001000007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Mantovanini, Marina (2010) <i>Entrevista a Marina Mantovanini</i>. <i>+Soma</i> 18/jul-ago 2010 &#91;Consult. 2017-11-02&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://pt-br.facebook.com/notes/soma/entrevista-j%C3%A9ssica-mangaba-por-marina-mantovanini/425510447746/" target="_blank">http://pt-br.facebook.com/notes/soma/entrevista-j%C3%A9ssica-mangaba-por-marina-mantovanini/425510447746/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1463162&pid=S1647-6158201800040001000008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Mangaba, J&eacute;ssica (2009) <i>Do &Aacute;lbum &#8212; Mem&oacute;ria e Fic&ccedil;&atilde;o</i>. Trabalho de Conclus&atilde;o de Curso &#8212; Centro Universit&aacute;rio SENAC &#8212; Unidade Lapa Scipi&atilde;o, S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1463163&pid=S1647-6158201800040001000009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Mangaba, J&eacute;ssica (2012) <i>Lapso</i>. Funda&ccedil;&atilde;o Armando Penteado &#8212; FAAP-P&oacute;s Gradua&ccedil;&atilde;o. Curso de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o <i>Lato-sensu</i> em Fotografia, S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1463165&pid=S1647-6158201800040001000010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ranci&egrave;re, Jacques (2010) <i>O espectador Emancipado</i>. Lisboa: Editora Orfeu Negro. ISBN: 9898327065&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1463167&pid=S1647-6158201800040001000011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Rouill&eacute;, Andr&eacute; (2009) <i>A fotografia entre o documento e arte contempor&acirc;nea</i>. S&atilde;o Paulo. ISBN: 978-85-7359-876-6&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1463168&pid=S1647-6158201800040001000012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Enviado a 30 de dezembro de 2018 e aprovado a 17 de janeiro de 2018</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:sandrapgon@terra.com.br">sandrapgon@terra.com.br</a> (Sandra Maria L&uacute;cia Pereira Gon&ccedil;alves)</p>      ]]></body><back>
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