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<publisher-name><![CDATA[Universidade de LisboaFaculdade de Belas-Artes]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA['Entre Solaris e Nostalgias': fotografia e pintura nas obras de Jociele Lampert]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The present article analyses some works of the exhibition "Solaris" by the brazilian researcher and visual artist Jociele Lampert. Authors who dialogue with the film, photography and other techniques as well as an interview with the artist (2018) and her personal website (2017) where her recent work can be seen were used. Her work is potent establishing reflections over materiality and temporality in the artistic process.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>'Entre Solaris e Nostalgias': fotografia e pintura nas obras de Jociele Lampert</b></p>     <p><b>'Between Solaris and Nostalgias': photography and painting in the works of Jociele Lampert</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Andr&eacute;a Br&auml;cher*</b></p>     <p>*Brasil, artista visual e professora.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Instituto de Artes, Departamento de Artes Visuais. Rua Senhor dos Passos, 248 , Porto Alegre &#8212; CEP 90020-180, Rio Grande do Sul, Brasil.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b></p>     <p>O presente artigo apresenta a an&aacute;lise de algumas obras da exposi&ccedil;&atilde;o individual "Solaris", da artista visual e pesquisadora brasileira Jociele Lampert, atrav&eacute;s de autores que dialogam com o filme, fotografia e outras t&eacute;cnicas art&iacute;sticas. Utilizaram-se entrevista com a artista (2018) e o site pessoal da mesma (2017), onde encontramos seus trabalhos recentes. Sua obra mostra-se potente, estabelecendo reflex&otilde;es sobre a materialidade e temporalidade no processo art&iacute;stico.</p>     <p><b>Palavras chave:</b> Jociele Lampert / Andrei Tarkovski / Solaris.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b></p>     <p>The present article analyses some works of the exhibition "Solaris" by the brazilian researcher and visual artist Jociele Lampert. Authors who dialogue with the film, photography and other techniques as well as an interview with the artist (2018) and her personal website (2017) where her recent work can be seen were used. Her work is potent establishing reflections over materiality and temporality in the artistic process.</p>      <p><b>Keywords:</b> Jociele Lampert / Andrei Tarkovski / Solaris.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este artigo tem como foco a artista visual brasileira Jociele Lampert (Santa Maria/RS, 1977). Atualmente docente na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC/Brasil) &#8212; e no ensino desde 2003 -, onde leciona e pesquisa o cruzamento da pr&aacute;tica, pesquisa e ensino art&iacute;sticos. E &eacute; a pintura que abre portas e janelas para sua po&eacute;tica.</p>     <p>Jociele Lampert possui gradua&ccedil;&atilde;o em Desenho e Pl&aacute;stica &#8212; Bacharelado em Pintura, pela Universidade Federal de Santa Maria (2002), gradua&ccedil;&atilde;o em Desenho e Pl&aacute;stica &#8212; Licenciatura pela mesma universidade (2003). Fez seu mestrado em Educa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m na Universidade Federal de Santa Maria (2005). Doutora em Artes Visuais pela Escola de Comunica&ccedil;&otilde;es e Artes da Universidade de S&atilde;o Paulo (2009). Sua pesquisa como professora visitante no <i>Teachers College</i> na <i>Columbia University</i> na cidade de Nova Iorque (como Bolsista <i>Fulbright,</i> 2013), permitiu o estudo intitulado: <i>ArtistÂ´s Diary and ProfessorÂ´s Diary: roamings about Painting Education.</i> Destaca-se em sua carreira acad&ecirc;mica a cria&ccedil;&atilde;o e coordena&ccedil;&atilde;o do Grupo de Estudos Est&uacute;dio de Pintura Apotheke (UDESC).</p>     <p>Escolhemos trabalhos recentes da artista para analisar, que fazem parte da exposi&ccedil;&atilde;o individual "Solaris" acontecida em 2017 na Galeria Municipal de Arte Pedro Paulo Vecchietti, na cidade Florian&oacute;polis (Santa Catarina/Brasil) e de seu portef&oacute;lio de fotografias (Lampert, 2017) &#8212; dentre as quais a cianotipia <i>Rublev</i>. Os trabalhos incluem pinturas, desenhos, monotipias, serigrafias e cianotipias, baseadas em imagens dos filmes do cineasta Andrei Tarkovski.</p>     <p>Ser&aacute; utilizado Pastoreau (2016) para aprofundarmos a hist&oacute;ria e significado da cor azul, Campany (2008) para a discuss&atilde;o da aproxima&ccedil;&atilde;o da fotografia e cinema. Fazse necess&aacute;rio citar os filmes de Andrei Tarkovski para compreender as rela&ccedil;&otilde;es entre esta cinematografia e o trabalho da artista.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Arte entre meios</b></p>     <p>A exposi&ccedil;&atilde;o individual "Solaris" (Lampert, 2017), como j&aacute; foi escrito, inclui pinturas, desenhos, monotipias, serigrafias, baseadas em imagens dos filmes do cineasta Andrei Tarkovski. Identificados com clareza <i>frames</i> ou fotogramas de diversos filmes do cineasta: Andrey Rublev (1966), Stalker (1979), Solaris (1972) e Nostalghia (1983).</p>     <p>A artista justifica arela&ccedil;&atilde;o entre os filmes esuas obras na sua &uacute;ltima exposi&ccedil;&atilde;o:</p>     <blockquote>    <p><i>Todos temos Solaris e Nostalgias, &eacute; para onde retornamos ou de onde nunca sa&iacute;mos. Quando assistimos a um filme, e algo nos apreende, exercitamos nosso modo de olhar, e quando criamos algo que &eacute; produzido fruto dessa experi&ecirc;ncia, adensamos nossa percep&ccedil;&atilde;o de si e do Outro, &eacute; por isto que se chama Arte e Arte Educa&ccedil;&atilde;o, por que nos educamos com as imagens, que nos atravessam e cruzam nossa experi&ecirc;ncia</i> (Lampert, 2017).</p></blockquote>  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A artista escolhe as imagens enquanto assiste aos filmes em DVD, ou os "instantes", como os chama. Estes s&atilde;o determinados levando em considera&ccedil;&atilde;o a "carga pict&oacute;rica" do " instante" e tamb&eacute;m, preferencialmente, se este inclui ou n&atilde;o a paisagem &#8212; tema caro &agrave; ela (Lampert, comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, janeiro 2018). Portanto, primeiro, h&aacute; a identifica&ccedil;&atilde;o do <i>frame</i> do filme, de uma sequ&ecirc;ncia longa que conta uma hist&oacute;ria. O fragmento da narrativa filme &eacute; ressignificado atrav&eacute;s de uma outra linguagem: seja a pintura, o desenho, a gravura ou fotografia, e sua obra se constituiu entre diferentes meios.</p>     <p>No caso da pintura, inserem-se, inclusive, as legendas da tradu&ccedil;&atilde;o, exemplificada pela <a href="#f1">Figura 1</a>.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v9n24/9n24a14f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Seus trabalhos tamb&eacute;m contemplam a repeti&ccedil;&atilde;o de um mesmo <i>frame</i>, em diversas t&eacute;cnicas, como podemos verificar atrav&eacute;s das <a href="#f2">Figura 2</a> e <a href="#f3">Figura 3</a>.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v9n24/9n24a14f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v9n24/9n24a14f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Na <a href="#f1">Figura 1</a> e <a href="#f2">Figura 2</a> identificamos uma paleta de cores menos saturada, e que, segundo a artista, est&aacute; trabalhando na aplica&ccedil;&atilde;o dos exerc&iacute;cios de cor de Joseph Albers. Em particular na <a href="#f1">Figura 1</a>, a cor do filme &eacute; preto-e-branco, e sua paleta de cores &eacute; diversa. O &oacute;leo que usa na pintura, d&aacute; vida a v&aacute;rias camadas (cinco) (Lampert, comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, janeiro 2018). J&aacute; em suas monotipias &#8212; <a href="#f3">Figura 3</a> -, evidencia-se a cor mais vibrante e saturada, e h&aacute; ind&iacute;cios de interfer&ecirc;ncias na imagem.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Entre cinema e fotografia: Rublev</b></p>     <p>A fotografia <i>Rublev</i>, da s&eacute;rie <i>Entre Solaris e Nostalgias</i> &#8212; <a href="#f4">Figura 4</a>, exemplifica sua destreza em um dos processos fotogr&aacute;ficos hist&oacute;ricos: a cianotipia.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v9n24/9n24a14f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Este trabalho de Jociele Lampert (<a href="#f4">Figura 4</a>) &eacute; desenvolvido numa t&eacute;cnica fotogr&aacute;fica hist&oacute;rica, do s&eacute;culo XIX, que tem como caracter&iacute;sticas ser monocrom&aacute;tica e azul.</p>     <p>No trabalho novamente vislumbra-se a rela&ccedil;&atilde;o entre o filme e a fotografia. Meios distintos, sabemos que ambos "&#91;&#8230;&#93; as machines involving speed, light, exposure, projection, duration and motion" (Campany, 2008:12). As longas tomadas f&iacute;lmicas, t&iacute;picas do cineasta, evoca as longas sess&otilde;es de pintura, ou, mesmo, o longo processamento necess&aacute;rio para a cianotipia. &Eacute; poss&iacute;vel pensarmos nas temporalidades internas dos personagens e tamb&eacute;m nas temporalidades de cada meio art&iacute;stico: filme, fotografia e pintura.</p>     <blockquote>    <p><i>Slowness enables film to approach the traditional sense of 'presence' typical of art's materially fixed mediasuch as painting, sculpture and photography, all ofwhich have valued the depiction rather re-creation movement</i> (Campany, 2008:38-9).</p></blockquote>     <p>Na obra, um <i>frame</i> do filme, em positivo, opera entre as duas linguagens: cinema e fotografia. Sabemos que o "&#91;&#8230;&#93; Film is a virtual, immaterial projection, while the photograph is a fixed image and a fixed object" (Campany, 2008:11). Assim, nos deparamos com a quest&atilde;o da materialidade e da imaterialidade das imagens e seu processo criativo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Rublev</i>, nome do trabalho em cianotipia, <i>&eacute; o</i> personagem do filme (1966) de mesmo nome de Andrei Tarkovski, e &eacute; a evoca&ccedil;&atilde;o do pintor russo Andrey Rublev (entre 1360 e 1370-1430), reconhecido por muitos como o maior pintor de &iacute;cones russo.</p>     <blockquote>    <p><i>O &iacute;cone simbolicamente deveria representar uma realidade espiritual, o que quer dizer que o &iacute;cone de um santo deveria ser entendido como o retrato espiritual do santo, n&atilde;o um retrato f&iacute;sico</i> (Russian Art Gallery, 2017).</p></blockquote>     <p>Novamente a quest&atilde;o da imaterialidade e materialidade retorna, agora atrav&eacute;s do vi&eacute;s das pr&aacute;ticas e tradi&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas que Rublev inspira, ligadas &agrave;s cren&ccedil;as religiosa e espiritual. &Agrave; simplicidade do personagem, acrecenta-se questionamentos existenciais e religiosos.</p>     <p>Na cena escolhida, o personagem representado pela cianotipia, est&aacute; tateando no meio de uma floresta, supreendido pela viol&ecirc;ncia e escurid&atilde;o que se seguem ao ataque brutal que o tornou cego. Seu rosto apresenta sangue, assim como suas m&atilde;os.</p>     <p>Como j&aacute; visto em outas obras de Lampert, o <i>frame</i> &eacute; rebatido lateralmente, <a href="#f5">Figura 5</a>.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v9n24/9n24a14f5.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Segundo a artista a cena do filme foi escolhida pela "carga pict&oacute;rica", e declara: "escolho n&atilde;o s&oacute; pela esteticidade das imagens, mas pela possibilidade de fazer estudos de cor com ela (tenho planos de pintar &agrave; tinta a mesma cena)" (Lampert, comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, janeiro 2018).</p>     <p>Na cianotipia &eacute; poss&iacute;vel usar os pinc&eacute;is de pintura para emulsionar o papel. E o resultado &eacute; obtido com a retirada da emuls&atilde;o sem sensibiliza&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s da &aacute;gua. O processo inverso da pintura.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Durante o per&iacute;odo denominado pelos historiados de "Pictorialismo", o cian&oacute;tipo aparece nos trabalhos de Paul Burty Haviland e F. Holland Day (Prodger, 2006; Rexer, 2002:106) e &eacute;, ao longo do s&eacute;culo XX, que ir&aacute; seduzir e tornar-se um processo usado entre artistas, especialmente a partir da d&eacute;cada de 60, como em Robert Heinecken, Robert Fichter e Robert Rauschenberg (Rexer, 2002:107). O cian&oacute;tipo surge de modo t&iacute;mido, por&eacute;m, de forma ininterrupta na contemporaneamente no Brasil. Dentre os precursores de uso da t&eacute;cnica temos Luiz Guimar&atilde;es Monforte, Kenji Ota e Ros&acirc;ngela Renn&oacute;.</p>     <p>O azul, uma cor presente na natureza, aparece no tingimento de tecidos, nas pinturas corporais, em ornamentos e na arte. "Para os eg&iacute;pcios, como para outros povos do Pr&oacute;ximo e M&eacute;dio Oriente, o azul &eacute; uma cor ben&eacute;fica, que afasta as for&ccedil;as do mal. Est&aacute; associado aos rituais funer&aacute;rios e &agrave; morte, para proteger o defunto no Al&eacute;m" e &#91;&#8230;&#93; "Mais ainda que os Gregos, os Romanos v&ecirc;em no azul uma cor sombria, oriental ou b&aacute;rbara e utilizam-no com parcim&ocirc;nia" (Pastoreau, 2016:26). "Apenas o mosaico constitui excep&ccedil;&atilde;o: vindo do Oriente, traz consigo uma paleta mais clara, mais verde, mais azulada, que encontraremos nas artes bizantina e paleocrist&atilde;. O azul &eacute; a&iacute; a cor n&atilde;o s&oacute; da &aacute;gua, mas &agrave;s vezes tamb&eacute;m do fundo e da luz" (Pastoreau, 2016:27). Nesta cianotipia da artista, a cor azul <i>&eacute;</i> forte e uniforme, destaca-se, e pensamos que remete mais a barb&aacute;rie do que &agrave; prote&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Desse encontro entre filme e fotografia, entre Jociele e Tarkovski resulta em uma prolifera&ccedil;&atilde;o de imagens, conforme Rita Bredariolli (2017), escreve:</p>     <blockquote>    <p><i>Apreendendo, aprendendo e tornando presente. Tornando real, pela experi&ecirc;ncia da materialidade, pelo entendimento da imagem como corpo, a pot&ecirc;ncia delicada, fr&aacute;gil, rarefeita, ef&ecirc;mera, vol&aacute;til, imprecisa, intang&iacute;vel, da mat&eacute;ria da qual s&atilde;o feitos o tempo, a mem&oacute;ria, o sonho, as imagens, a vida.</i></p> </blockquote>     <p>De tais "materiais" s&atilde;o feitos as obras de Jociele Lampert &#8212; "instantes" evocados de uma linguagem-movimento, que rende-se a imagem-est&aacute;tica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Procurou-se no artigo analisar os trabalhos da exposi&ccedil;&atilde;o individual "Solaris", da artista visual e pesquisadora brasileira Jociele Lampert, atrav&eacute;s de autores que dialogam com filme, fotografia e outras t&eacute;cnicas art&iacute;sticas. Utilizou-se uma pequena entrevista com a artista (janeiro de 2018) e o site pessoal da mesma (2017), onde encontramos seus trabalhos recentes.</p>     <p>Verificou-se que o trabalho ainda est&aacute; em execu&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o sendo uma s&eacute;rie fechada.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As pinturas, desenhos, monotipias, serigrafias e cianotipias s&atilde;o baseadas em imagens dos filmes do cineasta Andrei Tarkovski, e, nesta s&eacute;rie os <i>frames</i> dos filmes utilizados em seus trabalhos s&atilde;o provenientes de Andrey Rublev (1966), Stalker (1979), Solaris (1972) e Nostalghia (1983).</p>     <p>Jociele Lampert interessa-se pelo o aspecto pict&oacute;rico dos <i>frames</i> ou "instantes" capturados, para depois desenvolver os diversos trabalhos e em t&eacute;cnicas diversificadas. Tal diversidade atesta acapacidade produtiva, elaborativa da artista.</p>     <p>No seu universo, ao contr&aacute;rio dos filmes, aplicam-se cores suaves ou cores saturadas. Busca atrav&eacute;s de Albers, fazer deste projeto, exerc&iacute;cios de cor e de estudo. Persegue a materialidade, em oposi&ccedil;&atilde;o a cor luz ou proje&ccedil;&atilde;o dos filmes; tal materialidade est&aacute; presente tanto nas pinturas, desenhos, monotipias, serigrafias e cianotipias.</p>     <p>Seu trabalho abre portas para pensar tamb&eacute;m a temporalidade, uma vez que destancam-se nos filmes uma dura&ccedil;&atilde;o incomum nas cenas, e exterioriza&ccedil;&otilde;es de estados interiores atrav&eacute;s de tomadas que lembram quadros. Estados psicol&oacute;gicos, espiritualidade e imaterialidade, tamb&eacute;m s&atilde;o poss&iacute;veis vieses para pensar este trabalho que se revela m&uacute;ltiplo e ao mesmo tempo consistente. Consistente tanto em sua pr&aacute;tica acad&ecirc;mica, como art&iacute;stica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Bredariolli, Rita Luciana Berti (2017). <i>Exposi&ccedil;&atilde;o Solaris.</i> &#91;Consult. 20171112&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href="https://www.jocielelampert.com.br/exposicao-solaris" target="_blank">https://www.jocielelampert.com.br/exposicao-solaris</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1463577&pid=S1647-6158201800040001400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Campany, David (2008) <i>Photography and Cinema.</i> London: Reaktion Books Ltd. ISBN: 978 1 86189 351 2&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1463579&pid=S1647-6158201800040001400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Lampert, Jociele (2017). <i>Exposi&ccedil;&atilde;o Solaris.</i> &#91;Consult. 20171130&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href="https://www.jocielelampert.com.br/" target="_blank">https://www.jocielelampert.com.br/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1463580&pid=S1647-6158201800040001400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Pastoreau, Michel (2016). <i>Azul:</i> hist&oacute;ria de uma cor. Lisboa: Orfeu Negro. ISBN: 978-989-8327-86-4&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1463581&pid=S1647-6158201800040001400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Prodger, Philip (2006). <i>Impressionist Camera:</i> Pictorial Photography in Europe, 1888-1918. London: Merrell. ISBN: 978-1858943312&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1463582&pid=S1647-6158201800040001400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Rexer, Lyle (2002). <i>Photography's Antiquarian Avant-Garde:</i> the new wave in old processes. Nova Iorque: Harry N. Abrams. ISBN: 0-8109-0402-0&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1463583&pid=S1647-6158201800040001400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Rublev, Andrey (2017) Russian Art Gallery. &#91;Consult. 20171130&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://www.russianartgallery.org/oldicons/inside2.htm/" target="_blank">http://www.russianartgallery.org/oldicons/inside2.htm/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1463584&pid=S1647-6158201800040001400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Enviado a 04 de janeiro de 2018 e aprovado a 17 de janeiro de 2018</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:andrea.bracher@ufrgs.br">andrea.bracher@ufrgs.br</a> (Andr&eacute;a Br&auml;cher)</p>      ]]></body><back>
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