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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In today's world, there is a main concern ecological issue. In contemporary art, we highlight two Brazilian artists that we evidenced in the Amazônia Exhibition 2018, Novos Viajantes at MUBE- Museum of Sculpture and Ecology in São Paulo, Brasil. Maurício Adinolfi and Fernando Limberger, they work with recyclables materials and green sculpture. Both act as educators and environment activists, elaborate installation and interventions with inventive poetic language as well as creative images that tells their world outlook.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Amaz&ocirc;nia: os Novos Viajantes, os Artistas da Madeira</b></p>     <p><b>Amaz&ocirc;nia, Novos Viajantes, the artists of wood</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Neide Marcondes&#42; & Nara S&iacute;lvia Marcondes Martins&#42;&#42;</b></p>     <p>&#42;Brasil, artista visual, professora titular.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Estadual Paulista-UNESP, Professora convidada PROLAM&ndash; Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o da Am&eacute;rica Latina-USP. Av Prof. L&uacute;cio Martins Rodrigues, 443 &#8212; 1&ordm; andar &#8212; Sala 116A &#8212; Butant&atilde; &#8212; S&atilde;o Paulo/SP &#8212; CEP: 05508-020 Brasil. </p>     <p>&#42;&#42;Brasil, artista visual, professora pesquisadora.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Presbiteriana Mackenzie; Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, FAUMackenzie. R. Itamb&eacute;, 143 &#8212; Higien&oacute;polis, S&atilde;o Paulo &#8212; SP, 01302-907, Brasil. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b></p>     <p>No mundo atual &eacute; n&iacute;tida a preocupa&ccedil;&atilde;o quanto as quest&otilde;es ecol&oacute;gicas. Na arte contempor&acirc;nea destacamos dois artistas brasileiros que se evidenciaram na Exposi&ccedil;&atilde;o Amaz&ocirc;nia 2018, Novos Viajantes, no Museu de Escultura e Ecologia MUBE em S&atilde;o Paulo, Brasil. Maur&iacute;cio Adinolfi e Fernando Limberger trabalham com materiais recicl&aacute;veis e com a escultura do verde. Ambos atuam como educadores ativistas, elaboram instala&ccedil;&otilde;es e interven&ccedil;&otilde;es com linguagem po&eacute;tica da inven&ccedil;&atilde;o, cria&ccedil;&atilde;o de imagens que relatam suas vis&otilde;es de mundo.</p>     <p><b>Palavras chave: </b>arte contempor&acirc;nea / natureza / instala&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT:</b></p>     <p>In today's world, there is a main concern ecological issue. In contemporary art, we highlight two Brazilian artists that we evidenced in the Amaz&ocirc;nia Exhibition 2018, Novos Viajantes at MUBE&ndash; Museum of Sculpture and Ecology in S&atilde;o Paulo, Brasil. Maur&iacute;cio Adinolfi and Fernando Limberger, they work with recyclables materials and green sculpture. Both act as educators and environment activists, elaborate installation and interventions with inventive poetic language as well as creative images that tells their world outlook.</p>     <p><b>Keywords:</b>contemporary art / nature / installations<i>.</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>&Eacute; &eacute;poca de mundializa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mico-financeira e de planetariza&ccedil;&atilde;o nas quest&otilde;es ambientais. Discuss&otilde;es ambientais, ecol&oacute;gicas e sobre a sustentabilidade ganham a aten&ccedil;&atilde;o em diferentes espa&ccedil;os de atua&ccedil;&atilde;o tanto na arquitetura verde, no eco equil&iacute;brio, na log&iacute;stica reversa e no reuso de materiais (Manzini & Verozi, 2003). Na arte contempor&acirc;nea est&atilde;o presentes estas preocupa&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o expressas em atitudes principalmente com a reciclagem dos materiais. Os artistas se apropriam de materiais seja pela mem&oacute;ria hist&oacute;rica ou pela consci&ecirc;ncia atual despertada ao meio ambiente.</p>     <p>H&aacute; algum tempo construtores tamb&eacute;m chamados de artistas da madeira usam as sobras eventuais do material de constru&ccedil;&otilde;es de edif&iacute;cios entre eles os estruturais, enxaim&eacute;is, colunas, constru&ccedil;&otilde;es de taipa de m&atilde;o, tesouras dos telhados (Martins, 1978).</p>     <p>Entre os v&aacute;rios artistas da madeira cabe citar Frans Krajcberg, que habitou no Brasil durante d&eacute;cadas e faleceu no ano de 2017, este artista que se apropria de madeiras descartadas para conceber em projetos art&iacute;sticos, transformando em obras de arte que liberta a madeira de sua condi&ccedil;&atilde;o anterior (Cipriano, 2003).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1.1 Artistas da Amaz&ocirc;nia: Novos Viajantes</b></p>     <p>Na exposi&ccedil;&atilde;o Artistas da Amaz&ocirc;nia: Novos Viajantes foi organizada em tr&ecirc;s n&uacute;cleos que apresentou a pesquisa cient&iacute;fica, as obras naturalistas hist&oacute;ricas dos artistas viajantes que desbravavam o territ&oacute;rio nos s&eacute;culos XVII e XVIII, e obras contempor&acirc;neas. A mostra no Museu de Escultura e Ecologia&ndash; MUBE em S&atilde;o Paulo, Brasil, teve curadoria de Cau&ecirc; Alves e da bi&oacute;loga L&uacute;cia Lohmann, esteve aberta para visita&ccedil;&atilde;o de maio a julho de 2018. Destacaram-se dois artistas contempor&acirc;neos, Maur&iacute;cio Adinolfi e Fernando Limberger, que se evidenciaram com suas grandes instala&ccedil;&otilde;es (Guimar&atilde;es, 2018).</p>     <p>O primeiro, paulista nascido em 1978, vive em S&atilde;o Paulo, capital e no litoral. Artista pl&aacute;stico, com p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, com forma&ccedil;&atilde;o em filosofia atua como educador ativista. Suas obras interfer&ecirc;ncias e instala&ccedil;&otilde;es assim como desenhos e pinturas evidenciam suas ideias, prop&oacute;sitos e preocupa&ccedil;&otilde;es. Entre suas exposi&ccedil;&otilde;es no Brasil e exterior constam: Calado do Cais, Livro-Barco e Projeto Ultra Mar. Na interven&ccedil;&atilde;o Calado do Cais de Maur&iacute;cio Adinolfi elaborou projeto que consistiu na experi&ecirc;ncia de trabalhar diretamente com os remanescentes construtores navais de barcos de madeira da praia do Perequ&ecirc; no Guaruj&aacute;, S&atilde;o Paulo. Buscou na for&ccedil;a desse material resignificar esse ato e contrapor essas embarca&ccedil;&otilde;es e sua hist&oacute;ria &agrave; expans&atilde;o portu&aacute;ria e &agrave; escala das grandes embarca&ccedil;&otilde;es. O artista maneja objetos semidestru&iacute;dos, no caso de barcos de pescaria, joga com estas formas e faz a interven&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o p&uacute;blico na praia do litoral sul de S&atilde;o Paulo. S&atilde;o barcos trazidos da regi&atilde;o do Perequ&ecirc; que foram enterrados na areia, colocados na posi&ccedil;&atilde;o vertical, de costas para o mar (<a href="#f1">Figura 1</a>). Por que esta praia? O movimento das reformas do canal do porto de Santos fez com que assoreasse cada vez mais esta praia consequentemente grande extens&atilde;o de areia impede que os barcos atraquem; n&atilde;o h&aacute; mais espa&ccedil;o para os barcos pesqueiros. A preocupa&ccedil;&atilde;o refor&ccedil;a a conscientiza&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica, cria imagens e formas que conversam hist&oacute;rias sobre reformas incessantes que causam muta&ccedil;&atilde;o descontrolada (Adinolfi, 2018).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v10n26/10n26a08f1.jpg"></a>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>"Qual o sentido: somos daqui, deste local e pertencemos a ele" (Bauman, 2005:24). Em <i>Projeto Ultramarino na Ilha Diana</i>, uma das &uacute;nicas col&ocirc;nias de pescadores ainda existentes na regi&atilde;o no litoral sul de S&atilde;o Paulo, o artista Adinolfi coordena o projeto de reciclagem, do eco arquitetura e refor&ccedil;a a sensa&ccedil;&atilde;o de aconchego, de apego &agrave; comunidade, proporcionando a reflex&atilde;o sobre a identidade e alteridade. Com os habitantes do lugar elabora a urbaniza&ccedil;&atilde;o da ilha, elege, restaura e conserva a arquitetura identit&aacute;ria do local (<a href="#f2">Figura 2</a>), especialmente pela caracteriza&ccedil;&atilde;o e continuidade cultura da comunidade cai&ccedil;ara e dos sambaquis em vias de desaparecimento. Todo o complexo seria destru&iacute;do pelo movimento das constru&ccedil;&otilde;es e da reurbaniza&ccedil;&atilde;o do porto de Santos (Adinolfi, 2018). Na exposi&ccedil;&atilde;o Amazonas: Novos Viajantes, no espa&ccedil;o externo do Museu de Escultura e Ecologia, em maio de 2018, Maur&iacute;cio Adinolfi refor&ccedil;a mais uma vez a preocupa&ccedil;&atilde;o com a reciclagem de embarca&ccedil;&otilde;es. Destaca-se, Estorvo Escorbuto, instala&ccedil;&atilde;o com partes de barcos de madeira, asfalto, ossos, cabos de a&ccedil;&atilde;o demonstrando o reuso dos materiais (<a href="#f3">Figura 3</a>). Esta instala&ccedil;&atilde;o foi idealizada para a exposi&ccedil;&atilde;o. Os fragmentos s&atilde;o retomados do passado &uacute;til e trazidos para o presente em po&eacute;tica instala&ccedil;&atilde;o (Guimar&atilde;es, 2018).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v10n26/10n26a08f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v10n26/10n26a08f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A instala&ccedil;&atilde;o erege os objetos, no caso de fragmentos de barcos, exibem em vis&atilde;o din&acirc;mica no espa&ccedil;o, elementos que despertam para um mundo mutante e l&iacute;quido (Marcondes & Martins, 2018). A ideia nost&aacute;lgica de perten&ccedil;a a uma comunidade, uma sociedade coletiva est&aacute; rareando-se os habitantes destas comunidades cai&ccedil;aras trabalham na retrotopia (Bauman, 2017) com a perspectiva da sobreviv&ecirc;ncia de localidade e auto refer&ecirc;ncia.</p>     <p>O artista Fernando Limberger, natural do Rio Grande do Sul, Brasil, de 1962, &eacute; chamado escultor do verde. Trabalha com instala&ccedil;&otilde;es e interven&ccedil;&otilde;es e atua no Brasil e no exterior. Sua intensa premia&ccedil;&atilde;o deve-se as suas preocupa&ccedil;&otilde;es com situa&ccedil;&otilde;es predat&oacute;rias dos espa&ccedil;os da natureza. Em muitas instala&ccedil;&otilde;es Fernando discute a paisagem urbana e a natureza. </p>     <p>Na instala&ccedil;&atilde;o de Fernando Limberger denominada Conten&ccedil;&atilde;o Verde, o artista coletou esp&eacute;cies de &aacute;rvore comuns de parques e jardins p&uacute;blicos da capital para dentro da Pinacoteca no ano de 2017, instalou canteiros de plantas abastecidos por sistema de irriga&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o plantas adultas, nativas e ex&oacute;ticas de at&eacute; oito metros colocadas num mesmo espa&ccedil;o formando volume verde cercado por grades de ferro que confinam as pessoas do espa&ccedil;o verde. A luz &eacute; natural e a irriga&ccedil;&atilde;o &eacute; sustent&aacute;vel e projetada. O artista questiona as fronteiras da cultura e da natureza.</p>     <p>No enfrentamento da torrente de processos desinibidores proporcionados pelo consumo e pela tecnologia atuais &eacute; preciso repensar a antropot&eacute;cnica (Sloterdijk, 2016) e coloc&aacute;-la em curso. Formas antigas podem ser examinadas e inventadas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em Desmoronamento Azul, instala&ccedil;&atilde;o montada em 2016 no Centro Cultural do Banco do Brasil em S&atilde;o Paulo, Limberger instalou vinte toneladas de areia tingidas de azul e fincou troncos de &aacute;rvores queimados organicamente de tamanhos variados, distribu&iacute;dos sobre a areia (<a href="#f4">Figura 4</a>). Os troncos queimados foram colocados em formato irregular em eleva&ccedil;&atilde;o topogr&aacute;fica. A madeira &eacute; um material produzido a partir do tecido formada por plantas lenhosas. &Eacute; um material org&acirc;nico de complexa composi&ccedil;&atilde;o onde predominam fibras de celulose. A desfloresta&ccedil;&atilde;o e dispers&atilde;o de habitat para m&uacute;ltiplas esp&eacute;cies amea&ccedil;am a biodiversidade. Segundo Guimar&atilde;es (2018: 86) Limberger coloca "o tom de azul escolhido &eacute; o celeste que alude &agrave; cor do c&eacute;u e traz para o espa&ccedil;o a impress&atilde;o de aridez, invas&atilde;o e transitoriedade".</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v10n26/10n26a08f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A instala&ccedil;&atilde;o do MUBE situada na parte externa do museu, Fernando Limberger trabalha a mem&oacute;ria, refor&ccedil;a a consci&ecirc;ncia ecol&oacute;gica em Ainozoma com o cen&aacute;rio devastador da queima e a ruina do solo. Ao caminhar pelo mapeamento da instala&ccedil;&atilde;o pode-se interpretar e perceber o evento no qual estabelece que o artista funda sua morada no mundo (Heidegger,1992).</p>     <p>S&atilde;o troncos queimados expostos em terra vermelha com plantas da esp&eacute;cie capim&#8211;braqueara que emergem de forma dificultosa em cen&aacute;rio devastado (<a href="#f5">Figura 5</a>). O efeito &eacute; impactante.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v10n26/10n26a08f5.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>A arte n&atilde;o apresenta uma significa&ccedil;&atilde;o, pois a obra e manifesta&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica &eacute; ser, acontecer. Quando em evento, na linguagem heideggeriana permite abrir-se em hist&oacute;rias para o mundo e proporciona as mais diversas interpreta&ccedil;&otilde;es. Podemos ressaltar que estes artistas pesquisados podem ser chamados de artistas educadores. Na linguagem po&eacute;tica da inven&ccedil;&atilde;o, cria&ccedil;&atilde;o, imagem relatam seu olhar/mundo. Nesta modernidade l&iacute;quida, as identidades socioculturais, pol&iacute;ticas e sexuais sofrem processos de transforma&ccedil;&otilde;es cont&iacute;nuas que v&atilde;o do perene ao transit&oacute;rio, das identidades &agrave;s alteridades e glocalidades.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A obra &eacute; pensada com aglutinadora de ideias e quest&otilde;es. Os artistas manejam conceitos e organismos da hist&oacute;ria e convertem suas opera&ccedil;&otilde;es em linguagem e constroem em experi&ecirc;ncias sociais. A apropria&ccedil;&atilde;o dos materiais, seja como hist&oacute;ria seja como mem&oacute;ria ativam o momento atual. A compossibilidade de suas obras e manifesta&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas transitam nas t&eacute;cnicas das instala&ccedil;&otilde;es, performances, v&iacute;deos e fotos. A hist&oacute;ria &eacute; convertida, a arte vai al&eacute;m da corre&ccedil;&atilde;o de valores. A ideia nost&aacute;lgica de perten&ccedil;a de uma comunidade social, com mem&oacute;ria coletiva est&aacute; se rareando. Vivemos na era da tecnologia e do trabalho conceitual, na era do sempre recome&ccedil;ando em nome de uma vis&atilde;o mais ampla do mundo, que &eacute; ao mesmo tempo ecol&oacute;gica e global.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Adinolfi, Maur&iacute;cio. <i>Adinolfi</i> (2018). Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.mauricioadinolfi.com/" target="_blank">http://www.mauricioadinolfi.com/</a> &#91;Consult. 2018-12-18&#93;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1466281&pid=S1647-6158201900020000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bauman, Zygmunt (2005) <i>Identidade: entrevista a Benedito Vecchi/Zygmunt Bauman.</i> S&atilde;o Paulo: Jorge Zahar Ed. ISBN 85-7110-889-7&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1466283&pid=S1647-6158201900020000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bauman, Zygmunt (2017). <i>Estranhos &agrave; nossa porta</i>. Rio de Janeiro: Zahar, ISBN 978-85-378-1610-3&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1466284&pid=S1647-6158201900020000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Cypriano, Fabio (2003) "Paisagens fazem interven&ccedil;&atilde;o no CCBB". <i>Folha de S&atilde;o Paulo</i>. Acontece. Dispon&iacute;vel em <a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/acontece/ac0111200304.htm" target="_blank">https://www1.folha.uol.com.br/fsp/acontece/ac0111200304.htm</a> &#91;Consult. 2018-12-18&#93;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1466285&pid=S1647-6158201900020000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Limberger, Fernando. <i>Limberger</i>. Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://fernandolimberger.blogspot.com/" target="_blank">http://fernandolimberger.blogspot.com/</a> &#91;Consult. 2018-12-18&#93;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1466287&pid=S1647-6158201900020000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Guimar&atilde;es, Maria (2018) <i>Artista na expedi&ccedil;&atilde;o, bi&oacute;logo no museu.</i> Dispon&iacute;vel em <a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2018/06/084-087_Mube_268.pdf" target="_blank">http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2018/06/084-087_Mube_268.pdf</a> &#91;Consult. 2018-12-18&#93;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1466289&pid=S1647-6158201900020000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Heidegger, Martin (1992) <i>Arte y poesia</i>. M&eacute;xico: Fondo de Cultura Econ&oacute;mica, ISBN 950-557-124-0&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1466291&pid=S1647-6158201900020000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Marcondes, Neide; Martins, Nara (2018). <i>Desvelar a arte: arte contempor&acirc;nea meandros da interpreta&ccedil;&atilde;o</i>. S&atilde;o Paulo: Altamira, ISBN 978-85-99518-24-3&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1466292&pid=S1647-6158201900020000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Martins, Neide M. (1978) <i>O partido arquitet&ocirc;nico rural de Porto Fleiz, Tiet&ecirc; e Laranjal Paulista no s&eacute;culo XIX: um estudo comparativo</i>. S&atilde;o Paulo: Conselho Estadual de Artes e Ci&ecirc;ncias ISBN 728-6098165&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1466293&pid=S1647-6158201900020000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Manzini, Ezio; Vezoli, Carlo (2003) <i>O desenvolvimento de produtos Sustent&aacute;veis</i>. S&atilde;o Paulo: EDUSP, ISBN8531407311&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1466294&pid=S1647-6158201900020000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Sloterdijk, Peter (2016) <i>Ira e tempo, ensaio pol&iacute;tico-psicol&oacute;gico</i>. S&atilde;o Paulo: Esta&ccedil;&atilde;o Liberdade ISBN 10: 8574481955&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1466295&pid=S1647-6158201900020000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Artigo completo submetido a 26 de dezembro de 2018 e aprovado a 21 janeiro de 2019</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:ne.be@uol.com.br">ne.be@uol.com.br</a> (Neide Marcondes) </p>      ]]></body><back>
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