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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Ninhos e o Arquivo Agora: fotografia e projeção na obra de Elaine Tedesco]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Nests and the Archive Now: photography and projection in the art work of Elaine Tedesco]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article analyzes the art work of the Brazilian artist Elaine Tedesco in the exhibition "Ninhos e o Arquivo Agora". The artist designs and reframe 1980s photographic negatives of her archives, in the exhibition space. The Nest is used as a shelter metaphor in the exhibition, and the resigned images are of children photographed in scenes of play or child labor. It is concluded that the artist, by its process of creation, makes these images powerful, strong and socially critical.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>"Ninhos e o Arquivo Agora": fotografia e proje&ccedil;&atilde;o na obra de Elaine Tedesco</b></p>     <p><b>"Nests and the Archive Now": photography and projection in the art work of Elaine Tedesco</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Andr&eacute;a Br&auml;cher&#42;</b></p>     <p>&#42;Brasil, artista visual e professora.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Instituto de Artes, Departamento de Artes Visuais. Rua Senhor dos Passos, 248, CEP 90020-180, Centro, Porto Alegre, RS, Brasil. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO: </b></p>     <p>No artigo analisa-se a obra da artista brasileira Elaine Tedesco na exposi&ccedil;&atilde;o "Ninhos e o Arquivo Agora". A artista projeta e refotografa no espa&ccedil;o expositivo negativos fotogr&aacute;ficos da d&eacute;cada de 80 de seus arquivos. O Ninho &eacute; utilizado como met&aacute;fora de abrigo na exposi&ccedil;&atilde;o, e as imagens ressignificadas s&atilde;o de crian&ccedil;as fotografadas em cenas de brincadeiras ou trabalho infantil. Conclui-se que a artista, por seu processo de cria&ccedil;&atilde;o,torna essas imagens potentes, forte e cr&iacute;ticas socialmente. </p>     <p><b>Palavras chave: </b>fotografia / proje&ccedil;&atilde;o / arquivo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT: </b></p>     <p>The article analyzes the art work of the Brazilian artist Elaine Tedesco in the exhibition "Ninhos e o Arquivo Agora". The artist designs and reframe 1980s photographic negatives of her archives, in the exhibition space. The Nest is used as a shelter metaphor in the exhibition, and the resigned images are of children photographed in scenes of play or child labor. It is concluded that the artist, by its process of creation, makes these images powerful, strong and socially critical. </p>     <p><b>Keywords: </b>photography / projection / archive.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O artigo tem como foco a artista visual e pesquisadora Elaine Tedesco (Porto Alegre, RS/Brasil &#8212; 1963) e seu trabalho intitulado: "Ninhos e o Arquivo Agora". A artista &eacute; Professora Adjunta do Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e atua na &aacute;rea de fotografia junto ao Departamento de Artes Visuais e no Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Artes Visuais. Possui gradua&ccedil;&atilde;o em Artes Visuais na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Seu mestrado (2002) e doutorado (2009) s&atilde;o em Po&eacute;ticas Visuais pela mesma universidade &#8212; UFRGS. Desde os anos 1980 produz e exp&otilde;e obras art&iacute;sticas. Como artista pl&aacute;stica atua na produ&ccedil;&atilde;o de fotografia, instala&ccedil;&atilde;o e videoperformance.</p>     <p>"Ninhos e o Arquivo Agora" &eacute; o nome da exposi&ccedil;&atilde;o coletiva que a artista participou junto com Lurdi Blauth no Por&atilde;o do Pa&ccedil;o Municipal da Prefeitura de Porto Alegre (RS/Brasil) entre 1 agosto e 13 de setembro de 2013. Embora a exposi&ccedil;&atilde;o possa ser considerada uma coletiva, pretende-se analisar as obras fotogr&aacute;ficas, para este artigo, de autoria de Elaine Tedesco, bem como seu processo de cria&ccedil;&atilde;o. A exposi&ccedil;&atilde;o &eacute; um dos resultados parciais da pesquisa "Procedimentos de contato: desdobramentos da fotografia em imagem num&eacute;rica na atualidade", UFRGS/ Feevale, coordenada por Elaine Tedesco e Lurdi Blauth (Universidade Feevale).</p>     <p>O "Ninho", na exposi&ccedil;&atilde;o, foi usado como uma met&aacute;fora de acolhida (Blauth & Tedesco, 2013a:192) e tamb&eacute;m como objeto na instala&ccedil;&atilde;o. O local, hist&oacute;rico, hoje restaurado e transformado em espa&ccedil;o cultural, j&aacute; foi uma pris&atilde;o e um desp&oacute;sito de mantimentos da municipalidade. Na <a href="#f1">Figura 1</a> temos uma vista da sala de exposi&ccedil;&otilde;es com as imagens fotogr&aacute;ficas impressas de Elaine Tedesco ao fundo e ao lado direito, e no primeiro plano, os ninhos vermelhos de sua autoria.</p>     <p>Pretende-se analisar a obra da artista visual brasileira Elaine Tedesco na exposi&ccedil;&atilde;o "Ninhos e o Arquivo Agora", quando ser&atilde;o aprofundadas as quest&otilde;es da proje&ccedil;&atilde;o e o uso de seu arquivo fotogr&aacute;fico nessas obras.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v10n26/10n26a13f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Do Arquivo &agrave; Proje&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>As fotografias aqui visualizadas e exemplificada pela <a href="#f2">Figura 2</a>, nos mostra uma imagem impressa a partir de um arquivo digital, esse, obtido a partir de um negativo 35mm, preto-e-branco, projetado na parede do local da exposi&ccedil;&atilde;o. As imagens fazem parte de</p>     <p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>&#91;&#8230;&#93; <i>uma s&eacute;rie de fotografias que tem como ponto de partida a revis&atilde;o de conjuntos de negativos que foram obtidos no entorno do Mercado P&uacute;blico de Porto Alegre, na pra&ccedil;a XV e no Parque Farroupilha, fotografando pessoas, com uma Leica M2, no in&iacute;cio dos anos 80</i> (Blauth & Tedesco, comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, texto de apresenta&ccedil;&atilde;o da exposi&ccedil;&atilde;o 'Ninhos e o arquivo agora').</blockquote></p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v10n26/10n26a13f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A artista &eacute; advinda da tradi&ccedil;&atilde;o da fotografia em preto-e-branco e tais negativos permaneceram guardados pela artista at&eacute; serem (re)vistos enquanto arquivo. Guardam uma hist&oacute;ria documental e testemunhal &#8212; aquela das crian&ccedil;as em seus afazeres de crian&ccedil;a &#8212; brincadeiras -, bem como naqueles afazeres que lhes arrancam da inf&acirc;ncia &#8212; o trabalho infantil. Seu arquivo fotogr&aacute;fico &eacute; descrito pela artista da seguinte forma (trecho retirado de sua tese):</p>     <p>    <blockquote>&#91;&#8230;&#93; <i>&Eacute; importante informar que, apenas em setembro de 2008, depois de estar usando, tamb&eacute;m, c&acirc;meras digitais, passei a nomear esse conjunto de negativos de arquivos. Isso porque, mesmo fotografando h&aacute; 25 anos, organizar os negativos e diapositivos sempre foi um problema. Enquanto meus colegas fot&oacute;grafos tinham uma preocupa&ccedil;&atilde;o consider&aacute;vel com a conserva&ccedil;&atilde;o e arquivamento de seus negativos, o m&aacute;ximo que consegui fazer, ao logo dos anos, foi guard&aacute;-los em papel manteiga, dentro de ter (sic) ou quatro caixas, com tudo misturado.     <br>No in&iacute;cio dos anos 90, tentei organizar, ao menos, as fotografias que documentavam as montagens das exposi&ccedil;&otilde;es e, nessa d&eacute;cada, eu consegui guardar todas em uma &uacute;nica pasta arquivo. Mas o arquivo (objeto) para guard&aacute;-las nunca foi comprado.</i> (Tedesco, 2009:137-8)</blockquote></p>     <p>Portanto, aqui a artista descreve o que entende como a organiza&ccedil;&atilde;o do arquivo de fotografias, e o conte&uacute;do do arquivo utilizado para a exposi&ccedil;&atilde;o analisada. Diferentemente do que comenta Hal Foster em "An Archivel Impulse" (2006), Elaine Tedesco n&atilde;o &eacute; movida pela necessidade de colecionar ou arquivar, ou trabalhar com dados de internet, como fazem muitos dos artistas contempor&acirc;neos que usam o arquivo como impulsionadores de seu trabalho de arte. Seu arquivo de fotografias &eacute; local de retorno para novos experimentos e trabalhos.</p>     <p>O processo de trabalho para a exposi&ccedil;&atilde;o no Por&atilde;o consistiu-se em projetar negativosescolhidosdeseuarquivo,comumantigoprojetorde<i>slides</i>,sobreasparedes do lugar. Tal estrat&eacute;gia de "projetar" imagens &eacute; n&atilde;o &eacute; nova no trabalho da artista. A proje&ccedil;&atilde;o j&aacute; &eacute; descrita em sua tese de doutorado, onde as proje&ccedil;&otilde;es s&atilde;o o encontro da mat&eacute;ria luz da proje&ccedil;&atilde;o com o anteparo para formar uma imagem. Este anteparo, ao contr&aacute;rio do esperado, n&atilde;o &eacute; (necessariamente) uma parede branca e/ou lisa, mas as paredes das cidades (algumas internas e externas), em decorr&ecirc;ncia disso, ocorrem sobreposi&ccedil;&otilde;es, contamina&ccedil;&otilde;es &#8212; como relata a mesma (Tedesco, 2009:12). Ainda, comenta, do interesse nesses lugares em que ocorrem as proje&ccedil;&otilde;es e que durante a tese lhe interessavam, normalmente, espa&ccedil;os abandonados, e/ou constru&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias.</p>     <p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote><i>Pode-se v&ecirc;-las, tamb&eacute;m, como espa&ccedil;os de indetermina&ccedil;&atilde;o que mostram o transcurso do tempo, a vida do lugar, a fal&ecirc;ncia e o descaso &#8212; s&atilde;o casas velhas, f&aacute;bricas e pr&eacute;dios p&uacute;blicos. Lugares carregados de temporalidades, dura&ccedil;&otilde;es e mem&oacute;rias, provisoriamente transformados durante a realiza&ccedil;&atilde;o das proje&ccedil;&otilde;es de fotografias sobre suas paredes, que se impregnam de luminosidade, de figuras e de sombras.</i> (Tedesco, 2009:12)</blockquote></p>     <p>Que temporalidades, que dura&ccedil;&otilde;es e que mem&oacute;rias estas proje&ccedil;&otilde;es nos evocam? O local das proje&ccedil;&otilde;es de "Ninhos e o Arquivo Agora" &eacute; um pr&eacute;dio hist&oacute;rico dentro do Centro Hist&oacute;rico de Porto Alegre (RS/Brasil). O edif&iacute;cio foi tombado em 1979 e, ap&oacute;s restaura&ccedil;&atilde;o, passou a abrigar espa&ccedil;os de arte e o acervo art&iacute;stico da cidade de Porto Alegre. Originalmente constu&iacute;do entre 1898 e 1901 para ser a sede da Intend&ecirc;ncia da cidade, abrigava entre outros org&atilde;os, o 1O. distrito policial, e "os prisioneiros ficavam em celas com latrinas instaladas no por&atilde;o" (Prefeitura de Porto Alegre<i>,</i> s/d). O Por&atilde;o hoje abriga exposi&ccedil;&otilde;es de arte. O local, j&aacute; resturado, tem em suas paredes tijolos artesanais &agrave; mostra, e &eacute; nesse anteparo, que Elaine Tedesco projeta suas imagens de crian&ccedil;as. Crian&ccedil;as que foram fotografadas, no caso da <a href="#f2">Figura 2</a> no entorno do local, junto ao Mercado P&uacute;blico, como o t&iacute;tulo aponta. Se o antigo pr&eacute;dio j&aacute; foi pris&atilde;o, e o por&atilde;o j&aacute; foi carceragem, agora abriga acervo art&iacute;stico e exposi&ccedil;&otilde;es tempor&aacute;rias art&iacute;sticas. No entanto, ao projetar o menino vendendo frutas, Tedesco ressignifica as ima-gens em rela&ccedil;&atilde;o ao lugar.</p>     <p>A que tipo de pris&atilde;o estas crian&ccedil;as est&atilde;o acorrentadas, vivendo nas ruas a vender frutas para sobreviverem? Que pris&atilde;o de inf&acirc;ncia &eacute; essa que as obriga a trabalhar em tenra idade? Dentro das paredes da antiga carceragem est&atilde;o ao abrigo da rua, da viol&ecirc;ncia dos adultos, das drogas, dos estupros e da morte. Tedesco provoca um deslocamente espacial com estas imagens. Mas ser&aacute; que a antiga carceragem &eacute; um ninho?</p>     <p>O que &eacute; um ninho? No texto de apresenta&ccedil;&atilde;o da exposi&ccedil;&atilde;o encontramos escrita a origem que as artistas indicam para o t&iacute;tulo da exposi&ccedil;&atilde;o e de sua proposta po&eacute;tica.</p>     <p>    <blockquote><i>No pensamento bachelardiano encontramos algumas reflex&otilde;es: o ninho tem a fun&ccedil;&atilde;o de habitar, e &eacute; uma imagem que desperta em n&oacute;s a imagem de uma primitividade. Ao observarmos um ninho, sempre ficamos encantados com a sua engenhosidade e perfei&ccedil;&atilde;o com que o p&aacute;ssaro constr&oacute;i a sua pequena morada, deixando a marca de um instinto que sempre se repete. O ninho &eacute; tamb&eacute;m um esconderijo da vida alada, onde talvez se possa ficar invis&iacute;vel sob o c&eacute;u. Ao mesmo tempo em que &eacute; um abrigo prec&aacute;rio, tamb&eacute;m remete ao devaneio da seguran&ccedil;a e o lugar do ref&uacute;gio absoluto. Estas imagens me instigam a pensar sobre flutua&ccedil;&otilde;es dial&eacute;ticas entre o interior e o exterior, entre o escondido e o manifesto, entre possibilidades e impossibilidades.</i> (Blauth & Tedesco, comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, texto de apresenta&ccedil;&atilde;o da exposi&ccedil;&atilde;o 'Ninhos e o arquivo agora').</blockquote></p>     <p>Podemos ent&atilde;o inferir que essas imagens que documentavam a cidade e a inf&acirc;ncia, recebem um abrigo, um ref&uacute;gio, um esconderijo, mesmo que prec&aacute;rio, um ninho de acochego e de invisibilidade? Tedesco ao tornar p&uacute;blico seu arquivo fotogr&aacute;fico torna-o vis&iacute;vel, retira-o do ref&uacute;gio do esquecimento, do abrigo arquiv&iacute;stico a que toda fotografia passada se destina. Vive a dial&eacute;tica do esquecimento e da lembran&ccedil;a, do passado e do presente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Da Proje&ccedil;&atilde;o &agrave; Imagem Digital e &agrave; Impress&atilde;o</b></p>     <p>Dando continuidade a seu processo de cria&ccedil;&atilde;o, ap&oacute;s a proje&ccedil;&atilde;o, Elaine Tedesco fotografou digitalmente a parede da sala de exposi&ccedil;&otilde;es e criou a s&eacute;rie de imagens apresentadas na mostra. Impressas no tamanho 90 x 60 cm, 60 x 90cm e 50 x 34 cm, apresentavam as caracter&iacute;sticas de cor dos negativos preto-e-branco, mostrando uma imagem negativa, propositalmente reenquadrada de modo a mostrar o deslocamento de ponto de vista do fot&oacute;grafo em rela&ccedil;&atilde;o ao centro da proje&ccedil;&atilde;o, como vemos na <a href="#f3">Figura 3</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v10n26/10n26a13f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Tedesco nos apresenta nessas fotografias o reverso da imagem, muito mais preto do que branco, for&ccedil;ando o espectador m&eacute;dio a fazer a revers&atilde;o da mesma em sua mente e imagin&aacute;-la positiva. Mas parece que &eacute; no escuro da proje&ccedil;&atilde;o dentro do Por&atilde;o e nos tons de preto e cinza do fotograma que residem a for&ccedil;a do trabalho da artista. Um pequeno negativo que cont&eacute;m a delicada silhueta da crian&ccedil;a, amplia-se, tornando-se uma grande figura, uma grande imagem, quase sombra contra a parede. Ao inv&eacute;s de ampliador, &eacute; no projetor que ocorre a amplia&ccedil;&atilde;o fotogr&aacute;fica e a imagem funciona como a sombra projetada: "ela parece ser do tamanho de um le&atilde;o, mas em fato n&atilde;o &eacute; maior do que uma figura microsc&oacute;pica de papel&atilde;o (Stoichita, 1999:201) &#8212; nesse caso &eacute; bom lembrar que estamos nos reportando a um negativo de pequeno formato.</p>     <p>Na <a href="#f3">Figura 3</a> temos o menino segurando uma caixa, ele olha para o lago com pedalinhos. Sua caixa pode ser para vender pequenos biscoitos ou ser a caixa de um engraxate, que importaria? Seu foco (e de Tedesco tamb&eacute;m) &eacute; o lago &#8212; onde fam&iacute;lias e crian&ccedil;as tradicionalmente pedalam e se divertem. Teria ele uma fam&iacute;lia para retornar? Teria ele o dinheiro necess&aacute;rio para o prazeroso passeio no lago? Quanto questionadora essa imagem &eacute;, e ao mesmo tempo, repleta de possibilidades de sonhos e amargas realidades.</p>     <p>Retomando as palavras j&aacute; citadas da artista: "durante a realiza&ccedil;&atilde;o das proje&ccedil;&otilde;es de fotografias sobre suas paredes, que se impregnam de luminosidade, de figuras e de sombras." (Tedesco, 2009: 12). Essas sombras s&atilde;o vis&iacute;veis na <a href="#f2">Figura 2</a>, <a href="#f3">Figura 3</a> e <a href="#f4">Figura 4</a>. Assim, entre proje&ccedil;&otilde;es e impress&otilde;es, a artista nos conta uma hist&oacute;ria de inf&acirc;ncia, ora de sonho, ora de realidade. Ora de luz, ora de escurid&atilde;o. Nos questiona e nos ajuda a refletir sobre o escondido e o manifesto, e entre as possibilidades e as impossibilidades de uma vida infantil, nem sempre "aninhada", abrigada e protegida.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v10n26/10n26a13f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&otilde;es</b></p>     <p>Analisou-se a obra da artista visual brasileira Elaine Tedesco na exposi&ccedil;&atilde;o "Ninhos e o Arquivo Agora" (2013, Por&atilde;o do Pa&ccedil;o Municipal da Prefeitura de Porto Alegre, RS/Brasil), quando foram aprofundadas as quest&otilde;es da proje&ccedil;&atilde;o e o uso de seu arquivo fotogr&aacute;fico na mesma.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tanto a fotografia qunto a proje&ccedil;&atilde;o est&atilde;o presentes no trabalho da artista j&aacute; algumas d&eacute;cadas, mas aqui procurou-se analisar o uso de seu arquivo de negativos em preto-e-branco, que deram origem &agrave;s proje&ccedil;&otilde;es e as imagens digitais impressas expostas.</p>     <p>Ao projetar suas imagens e refotograf&aacute;-las, ressignifca as imagens infantis da d&eacute;cada de 80. No contexto espacial e geogr&aacute;fico da galeria de arte &#8212; Por&atilde;o do Pa&ccedil;o Municipal da Prefeitura de Porto Alegre &#8212; a met&aacute;fora do ninho &eacute; utilizada como local de abrigo e de refugio de suas imagens de arquivo. Cruza a proje&ccedil;&atilde;o, a luz, a sombra e os negativos com as brincadeiras de crian&ccedil;a e o trabalho infantil. Assim, nos conduz pelos universos da inf&acirc;ncia idealizada e a da inf&acirc;ncia que exclui socialmente. Potente, forte, cr&iacute;tico, o trabalho de Elaine Tedesco n&atilde;o nos abriga em ninho nenhum.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Blauth, Lurdi & Tedesco, Elaine (2013) "Ninhos e o arquivo agora". <i>Anais do Congresso Po&eacute;ticas da Cria&ccedil;&atilde;o,</i> UFES, Vit&oacute;ria. &#91;Consult. 2018-12-04&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href="https://www.youblisher.com/p/895483-ANAIS-DO-POETICAS-2013/" target="_blank">https://www.youblisher.com/p/895483-ANAIS-DO-POETICAS-2013/</a>. ISBN:978-85-64586-68-0&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1466786&pid=S1647-6158201900020001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Foster, Hal (2006) "An Archival Impulse". In: Merewether, Charles (ed.) <i>The Archive: Documents of Contemporary Art</i>. Londres: Whitechapel. P. 143-148. ISBN: 0-85488-148-4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1466787&pid=S1647-6158201900020001300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Prefeitura de Porto Alegre (s/d) "Pa&ccedil;o dos A&ccedil;orianos." &#91;Consult. 2018-12-19&#93; Dispon&iacute;vel em: URL: <a href="http://www2.portoalegre.rs.gov.br/vivaocentro/default.php?p_secao=68" target="_blank">http://www2.portoalegre.rs.gov.br/vivaocentro/default.php?p_secao=68</a> .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1466789&pid=S1647-6158201900020001300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Stoichita, Victor I. (1999) <i>A short history of the shadow.</i> Londres: Reaktion Books. ISBN: 978-1861890009&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1466791&pid=S1647-6158201900020001300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Tedesco, Elaine Athaydes Alves (2009) <i>Um processo fotogr&aacute;fico em sobreposi&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o urbano.</i> 218 f. Tese (Doutorado). Curso de Artes Visuais, Artes Visuais, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1466792&pid=S1647-6158201900020001300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo submetido a 03 de janeiro de 2019 e aprovado a 21 janeiro de 2019</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:andrea.bracher@terra.com.br">andrea.bracher@terra.com.br</a> (Andr&eacute;a Br&auml;cher)</p>      ]]></body><back>
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