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<publisher-name><![CDATA[Universidade de LisboaFaculdade de Belas-Artes]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Do estranho para o transcendental na obra de Fernando Maselli]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article presents how the Stranger is a formal resource used by the artist Fernando Maselli (Buenos Aires, 1978) to construct a course for an interpretation in the universe of the Transcendental. It focuses on two series 'Inquiries about the Sublime' (2015) and 'Anunciación' (2014-15) and intends to highlight how the manipulation of naturalistic images, inducing through the idea of strange, spatial and temporal indefinition, provides an allusion to the transcendental, especially the Sublime.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Do estranho para o transcendental na obra de Fernando Maselli</b></p>     <p><b>From the strange to the transcendental in Fernando Maselli's work</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Domingos Loureiro&#42; & Sofia Torres&#42;&#42;</b></p>     <p>&#42;Portugal, Artista.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade do Porto, Faculdade de Belas-Artes, Instituto de Investiga&ccedil;&atilde;o em Arte, Design e Sociedade. Av. Rodrigues de Freitas, 265 4000-221 Porto, Portugal. </p>     <p>&#42;&#42;Portugal, artista.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade do Porto, Faculdade de Belas-Artes, Instituto de Investiga&ccedil;&atilde;o em Arte, Design e Sociedade. Av. Rodrigues de Freitas, 265 4000-221 Porto, Portugal. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO: </b></p>     <p>O artigo apresenta o modo como o Estranho &eacute; um recurso formal utilizado pelo artista Fernando Maselli (Buenos Aires, 1978) para construir um percurso para uma interpreta&ccedil;&atilde;o no universo do Transcendental. Centra-se em duas s&eacute;ries 'Indagaciones acerca de lo Sublime' (2015) e 'Anunciaci&oacute;n' (2014-15) e pretende colocar em evid&ecirc;ncia como a manipula&ccedil;&atilde;o de imagens naturalistas, induzindo atrav&eacute;s da ideia de estranho, indefini&ccedil;&atilde;o espacial e temporal, proporciona uma alus&atilde;o ao transcendental, sobretudo ao Sublime. </p>     <p><b>Palavras chave: </b>estranho / transcendental / paisagem / Sublime.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT: </b></p>     <p>The article presents how the Stranger is a formal resource used by the artist Fernando Maselli (Buenos Aires, 1978) to construct a course for an interpretation in the universe of the Transcendental. It focuses on two series 'Inquiries about the Sublime' (2015) and 'Anunciaci&oacute;n' (2014-15) and intends to highlight how the manipulation of naturalistic images, inducing through the idea of strange, spatial and temporal indefinition, provides an allusion to the transcendental, especially the Sublime.</p>     <p><b>Keywords: </b><i>stranger / transcendental / lanscape / Sublime.</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>A obra de Fernando Maselli desenvolve-se ao redor do religioso e do transcendental, assumindo o Sublime como centro de um universo formal e conceptual e "est&aacute; marcada pela representa&ccedil;&atilde;o da imensid&atilde;o da natureza perante a insignific&acirc;ncia do ser humano" (Valcarlos: 2017). As suas produ&ccedil;&otilde;es, maioritariamente no campo da fotografia, apresentam imagens de paisagens id&iacute;licas que recuperam e assumem a imag&eacute;tica do Romantismo, onde a Natureza transmudada &eacute; espelho emocional e intelectual do homem e do Divino. S&atilde;o imagens de lugares desabitados, onde a no&ccedil;&atilde;o de tempo se apresenta amb&iacute;gua, remetendo para a ideia de lugares intocados ou anteriores &agrave; presen&ccedil;a humana: espa&ccedil;os sinuosos imersos em neblina onde a dimens&atilde;o atmosf&eacute;rica &eacute; muito carregada, ocultando e revelando as estruturas montanhosas ou da vegeta&ccedil;&atilde;o (<a href="#f1">Figura 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v10n26/10n26a17f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>No entanto, as imagens dos lugares constru&iacute;dos por Maselli, apesar de se assemelharem a espa&ccedil;os reais, preservam um aspeto de espa&ccedil;o dissociado ou incoerente, onde a luz, o horizonte ou a no&ccedil;&atilde;o de gravidade parece ser subvertida. Preservam uma esp&eacute;cie de impossibilidade, uma dimens&atilde;o de instabilidade e de fal&ecirc;ncia visual, onde tudo o que parece correto &eacute; simultaneamente colocado em causa, assumindo-se na sua din&acirc;mica formal entre o est&aacute;tico e o m&oacute;vel, entre o concreto e o invis&iacute;vel, entre o imanente e o transcendente. Levanta-se ent&atilde;o a quest&atilde;o: &#8212; <i>O que possibilita esta experi&ecirc;ncia visual?</i> E, &#8212; <i>Qual o percurso desenvolvido pela imagem para alcan&ccedil;ar esta dimens&atilde;o fenomenol&oacute;gica?</i></p>     <p>O processo de trabalho de Maselli desenvolve-se em diversas fases: a) a primeira corresponde a um processo de pesquisa por lugares onde foram relatados eventos paranormais, metaf&iacute;sicos, espirituais ou de cariz religioso, num per&iacute;odo recente ou n&atilde;o; b) dessa recolha e sele&ccedil;&atilde;o, o artista empreende uma imers&atilde;o solit&aacute;ria no espa&ccedil;o f&iacute;sico, numa estancia mais ou menos prolongada, expondo-se frequentemente a elementos climat&eacute;ricos e espaciais extremos; c) no espa&ccedil;o, regista fotografias e videos, sob diferentes pontos de vista e em momentos temporais diferentes; d) regressado ao est&uacute;dio, o autor processa e reconstr&oacute;i as imagens, mantendo elementos do espa&ccedil;o original, mas manipulando a cena de forma a eliminar marcas da presen&ccedil;a humana e n&atilde;o s&oacute;; e) por fim, as imagens s&atilde;o devolvidas ao espa&ccedil;o fisico atrav&eacute;s da sua instala&ccedil;&atilde;o em espa&ccedil;os expositivos. Apresenta-se neste artigo o percurso de constru&ccedil;&atilde;o das imagens de Maselli, incidindo sobre o uso do estranho como refer&ecirc;ncia visual e porque se assume como uma ferramenta essencial para o sucesso conceptual e fenomenol&oacute;gico das imagens. Procura-se ainda explicar como o artista utiliza um processo concreto de constrangimento para potenciar o acesso ao territ&oacute;rio do transcendente, nomeadamente ao Sublime.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Imers&atilde;o e recolha</b></p>     <p>O processo de imers&atilde;o na paisagem onde s&atilde;o recolhidas as imagens &eacute; realizado a partir de um conjunto de espa&ccedil;os onde est&atilde;o referenciados acontecimentos de natureza religiosa ou transcendental. Locais onde foram, em algum momento da hist&oacute;ria, descritos fen&oacute;menos milagrosos ou m&iacute;sticos que o artista procura identificar, "considerados espa&ccedil;os sagrados por diversas tradi&ccedil;&otilde;es culturais (&#8230;) servindo-se do neologismo cunhado pelo investigador do fen&oacute;meno religioso Mircea Eliade, Hierofan&iacute;as" (Abad Vidal, 2015: texto da exposi&ccedil;&atilde;o "Indagaciones acerca de lo sublime")</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, Maselli realiza expedi&ccedil;&otilde;es a lugares frequentemente in&oacute;spitos, registando e experienciando o impacto visual, f&iacute;sico e simb&oacute;lico do lugar, expondo-se aos elementos e &agrave;s suas consequ&ecirc;ncias. Lugares como os Pirineus ou os Picos da Europa, em Espanha, ou regi&otilde;es montanhosas da Am&eacute;rica Latina, entre outros (Valcarlos: 2017, texto da exposi&ccedil;&atilde;o "Infinito Artificial").</p>     <p>A imers&atilde;o na natureza relembra a rela&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica do artista do Romantismo, William Turner (1755-1851), ou dos artistas da Land Art. Autores associados conceptualmente ao Sublime e que Maselli absorve para a sua a&ccedil;&atilde;o, quer do ponto de vista performativo quer ideol&oacute;gico. A imers&atilde;o consolida-se como uma incurs&atilde;o meditativa, onde o artista se disponibiliza f&iacute;sica e psiquicamente para a rece&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o: visual, auditiva, t&aacute;ctil, olfativa e mental. Este processo emp&iacute;rico desempenha um papel essencial para a constru&ccedil;&atilde;o da imagem posterior, como informa&ccedil;&atilde;o que acomete uma dimens&atilde;o ultra-sensorial. Trata-se de uma a&ccedil;&atilde;o que remete para Richard Long (1945), Marina AbramovicÌ (1946) , Alberto Carneiro (1937-2017), autores para quem a performance e a rela&ccedil;&atilde;o com a natureza s&atilde;o centrais, mas tamb&eacute;m para Thomas Struth (1954), especialmente na s&eacute;rie "Paradises" (1998-2007), Michael Najjar (1966) na s&eacute;rie "High Altitude" (2009-10), Pedro Vaz (1977), Jo&atilde;o Queiroz (1957), Rui Algarvio (1973) ou Michael Biberstein (1948-2013).</p>     <p>Segundo Valcarlos, durante a jornada, ele contempla e experimenta a paisagem de maneira introspectiva, enquanto reflete e estuda os planos e as poss&iacute;veis combina&ccedil;&otilde;es que pode fazer.</p>     <p>Realizadas a partir de a&ccedil;&otilde;es de imers&atilde;o na paisagem, sobretudo, montanhosa, as suas composi&ccedil;&otilde;es parecem assumir a intemporalidade do espa&ccedil;o, remetendo para a Natureza antes da presen&ccedil;a humana, para um espa&ccedil;o-tempo indefinido, imbu&iacute;do da imensidade do divino. Nesse &acirc;mbito, para al&eacute;m dos locais escolhidos, principalmente remotos, ser&aacute; nas caracter&iacute;sticas da recomposi&ccedil;&atilde;o das imagens que se formulam as condi&ccedil;&otilde;es de instabilidade e de aparente indefini&ccedil;&atilde;o temporal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Manipular atrav&eacute;s do estranho</b></p>     <p>    <blockquote><i>Ao compor,</i> (Maselli) <i>pode usar imagens de diferentes lugares, mas sempre pertencentes ao mesmo maci&ccedil;o e cordilheira, tiradas de diferentes &acirc;ngulos. Mais tarde, no est</i>&uacute;di<i>o, utiliza t</i>&eacute;<i>cnicas digitais para compor suas obras e atrav</i>&eacute;<i>s de "fragmenta&ccedil;&atilde;o, repeti&ccedil;&atilde;o, multiplica&ccedil;&atilde;o e sobreposi&ccedil;&atilde;o de volumes, enfatiza a magnific</i>&ecirc;<i>ncia das cordilheiras montanhosas". Assim, atrav</i>&eacute;<i>s do uso desse processo digital e da reitera&ccedil;&atilde;o das partes, ele constr</i>&oacute;<i>i paisagens imaginadas nas quais tenta alcan&ccedil;ar o efeito do infinito.</i> (Valcarlos: 2017)</blockquote></p>     <p>Como se percebe no excerto, o programa de trabalho do autor segue metodologias concretas (<a href="#f2">Figura 2</a>). Todavia, o processo de manipula&ccedil;&atilde;o ou recomposi&ccedil;&atilde;o das imagens (e dos espa&ccedil;os), assenta numa dimens&atilde;o metodol&oacute;gica menos obvia, j&aacute; que a inten&ccedil;&atilde;o conceptual e formal da nova imagem n&atilde;o &eacute; reproduzir o espa&ccedil;o f&iacute;sico, mas induzir um estado contemplativo e fenomenol&oacute;gico. Para isso, o autor, recorre a processos que paralelamente constroem e destroem a imagem, promovendo uma organiza&ccedil;&atilde;o da imagem assente formalmente no estranho. O estranho &eacute; uma forma de classificar a dimens&atilde;o formal de ambiguidade que as paisagens transmitem e consiste na convoca&ccedil;&atilde;o de um estado de incompreens&atilde;o concreta do espa&ccedil;o e do tempo, o que origina uma impossibilidade de leitura da totalidade dos fen&oacute;menos visuais.</p>     <p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote><i>Nas suas obras, Maselli usa colagem para mostrar uma natureza inventada, artificial e infinita, fotografada de forma contemplativa em busca da empatia do espectador.</i> (Valcarlos: 2017)</blockquote></p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v10n26/10n26a17f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O estranho &eacute; a designa&ccedil;&atilde;o que escolhemos para identificar o recurso visual que assenta na composi&ccedil;&atilde;o de elementos formalmente similares mas dissonantes no &acirc;ngulo de vis&atilde;o e no per&iacute;odo temporal. No caso da paisagem natural realizada pelo autor, sobretudo presentes em exposi&ccedil;&otilde;es como "Infinito Artificial" (2016-2017) e "Indagaciones acerca de lo Sublime" (2015), o estranho apresenta-se na discrep&acirc;ncia visual e temporal de cada fragmento da cena, resultando-se aparentemente cred&iacute;vel, mas formalmente imposs&iacute;vel. Esta dimens&atilde;o convoca um estado de inquieta&ccedil;&atilde;o que remete para a experi&ecirc;ncia sublime, sobretudo na defini&ccedil;&atilde;o proposta por Edmund Burke, de um estado de <i>incompreens&atilde;o,</i> seguido por um estado de <i>deleite</i> (2013).</p>     <p>A condi&ccedil;&atilde;o formal das paisagens realizadas por Maselli, onde a manipula&ccedil;&atilde;o digital organizada ao redor da ideia de estranho &eacute; central, evidencia o modo como o trabalho do artista revela o papel da tecnologia e do poder humano sobre a natureza. Neste sentido, as paisagens isoladas e intemporais que o artista apresenta, fazem ecoar uma dimens&atilde;o cr&iacute;tica e pol&iacute;tica sobre a atua&ccedil;&atilde;o humana, quer sobre a natureza, quer sobre as dimens&otilde;es emp&iacute;ricas do sublime (Abad Vidal, 2015).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3.Transcend&ecirc;ncia e Sublime</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>    <blockquote><i>Atualmente</i> (&#8230;) <i>em vez da natureza</i> &eacute; <i>o incr</i>&iacute;vel poder da tecnologia suscet&iacute;vel de fornecer mais a mat&eacute;<i>ria-prima do que pode ser considerado um sublime caracteristicamente contempor&acirc;neo. () extrema compress</i>&atilde;<i>o esp</i>&aacute;cio-temporal produzida por tecnologias de comunica&ccedil;&atilde;o globalizadas dando origem a uma perce&ccedil;&atilde;o do quotidiano como fundamentalmente desestabilizador e excessivo (Morley, 2010:12)</blockquote></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As paisagens naturais de Maselli s&atilde;o, objetivamente, artificiais e recordam o processo de trabalho utilizado por Najjar, na s&eacute;rie "High Altitude" em que picos nevados, inicialmente recolhidos nos Andes da Argentina, s&atilde;o depois reconstru&iacute;dos reproduzindo gr&aacute;ficos das principais Bolsas de Mercado Mundiais. Relembra ainda a s&eacute;rie "Orogenesis &#8212; Landscape without memory" (Batchen, 2005) realizada por Joan Fontcuberta (1955), em que imagens de paisagens id&iacute;licas e virgens, eram, na verdade, produzidas por software militar para treinar pilotos de avia&ccedil;&atilde;o em ataques a&eacute;reos reais.</p>     <p>Tal como Fontcuberta e Najjar, Maselli coloca em evid&ecirc;ncia o poder humano sobre a natureza, convocando para a mesma imagem, paradoxos visuais e reais, como se poder&aacute; verificar na s&eacute;rie "Anunciaci&oacute;n" (<a href="#f3">Figura 3</a>), onde apenas com imagens de nuvens, o artista, constr&oacute;i cenas que remetem para a descri&ccedil;&atilde;o de eventos religiosos extraordin&aacute;rios. Estas imagens s&atilde;o, na pr&aacute;tica, constru&iacute;das com a altera&ccedil;&atilde;o da posi&ccedil;&atilde;o de diversas nuvens subvertendo a dimens&atilde;o espacial, onde alto e baixo, esquerda e direita, se misturam indiferenciadamente. Esta altera&ccedil;&atilde;o convoca uma suspens&atilde;o visual que remete, quer para a descri&ccedil;&atilde;o do fen&oacute;meno religioso, quer para uma dimens&atilde;o transcendental, onde o que estamos a ver n&atilde;o &eacute; totalmente compreendido. Deste modo, o autor promove uma dupla rela&ccedil;&atilde;o com o transcendental e o sublime: a primeira &eacute; a descri&ccedil;&atilde;o do evento, seguindo sobretudo a caracteriza&ccedil;&atilde;o de Burke, onde o <i>deleite</i> corresponde 'a um mar revolto depois da tempestade'; o segundo elemento &eacute; a promo&ccedil;&atilde;o de uma intensa experi&ecirc;ncia ao espectador, recorrendo &agrave; manipula&ccedil;&atilde;o da percep&ccedil;&atilde;o, induzindo d&uacute;vida, incerteza e por fim, propondo &agrave; contempla&ccedil;&atilde;o. Em concreto, permite-nos inferir que o autor recorre a processos de constrangimento assentes na manipula&ccedil;&atilde;o digital da imagem, para potenciar um relato e um evento emp&iacute;rico associado ao transcendente.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v10n26/10n26a17f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. Devolver a experi&ecirc;ncia</b></p>     <p>Como nos diz David Bowie, na m&uacute;sica <i>Space Oddity, "</i>Ground Control to Major Tom &#8212; Your circuit's dead &#8212; There's something wrong" a que Major Tom responde "This is Major Tom to Ground Control &#8212; I'm stepping through the door &#8212; And I'm floating in a most peculiar way &#8212; And the stars look very different today () &#8212; And there's nothing I can do". Bowie referia-se a Major Tom, que estaria numa nave espacial &agrave; deriva no espa&ccedil;o, e no modo como a circunst&acirc;ncia que o levaria &agrave; morte, se reverteu num processo contemplativo da paisagem.</p>     <p>Como espectador, Maselli, rendeu-se &agrave; circunst&acirc;ncia do espa&ccedil;o para onde se deslocou. Como emissor, o autor, promove uma outra experi&ecirc;ncia atrav&eacute;s das suas exposi&ccedil;&otilde;es e das suas imagens (<a href="#f4">Figura 4</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v10n26/10n26a17f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Andar &agrave; deriva no espa&ccedil;o &eacute; uma analogia poss&iacute;vel para descrever a experi&ecirc;ncia perante as paisagens que o artista constr&oacute;i. Nada parece estar solidamente colocado na cena. Nenhuma montanha, &aacute;rvore ou nuvem, parece estar concretamente ali, e simultaneamente, tudo parece im&oacute;vel, intocado, intemporal. Assim, como Major Tom diz "And there's nothing I can do", resta-nos contemplar. Maselli manipula a paisagem, mas tamb&eacute;m o espectador, induzindo o inesperado, o incompreendido, o inst&aacute;vel, e incita o espectador &agrave; contempla&ccedil;&atilde;o e ao deleite. Maselli reverte o concreto em fluido, o imanente em transcendente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>A obra de Maselli desenvolve-se, em s&iacute;ntese, nas etapas: a imers&atilde;o no espa&ccedil;o previamente selecionado; a reconstru&ccedil;&atilde;o das imagens; a rela&ccedil;&atilde;o com o espectador. Percebe-se como a circunst&acirc;ncia da imers&atilde;o na paisagem natural &eacute; essencial para a recolha de dados visuais, mas sobretudo emp&iacute;ricos, que recorrem &agrave; informa&ccedil;&atilde;o previamente selecionada, e aquela que &eacute; experienciada <i>in loco</i>.</p>     <p>Esta informa&ccedil;&atilde;o &eacute; depois retomada na reconstru&ccedil;&atilde;o das imagens, organizando paisagens naturais em redor da ideia de estranho. O estranho &eacute; o processo de coloca&ccedil;&atilde;o de forma coligada de elementos aparentemente similares, mas espacial e temporalmente distintos. O estranho &eacute; identificado pela sensa&ccedil;&atilde;o de instabilidade e incoer&ecirc;ncia resultante da tentativa de identificar o espa&ccedil;o e o momento em que as fotos foram registadas. A paisagem assume-se ent&atilde;o como uma impossibilidade. Nesse sentido, a imagem remete para a experi&ecirc;ncia sublime, aludindo sobretudo &agrave; defini&ccedil;&atilde;o de Burke de um estado de incompreens&atilde;o sucedido por um estado de deleite. Contudo, as imagens de Maselli n&atilde;o s&atilde;o apenas descri&ccedil;&otilde;es dos eventos emp&iacute;ricos associados ao transcendente. S&atilde;o propostas para a promo&ccedil;&atilde;o do mesmo fen&oacute;meno que associamos &agrave; experi&ecirc;ncia transcendental, evidenciado pelo modo como a natureza e o espectador s&atilde;o manipulados atrav&eacute;s de processos de constrangimento.</p>     <p>Assim, o estranho assume-se como uma ferramenta formal e conceptual para a elabora&ccedil;&atilde;o de um percurso para a promo&ccedil;&atilde;o de uma experi&ecirc;ncia no universo do transcendental, ficando claro que Maselli n&atilde;o s&oacute; o identifica, como o utiliza metodologicamente para convocar o transcendente e, em particular, o Sublime.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Abad Vidal, Julio Cesar (2015) Fernando Maselli, I<i>ndagaciones acerca de lo sublime.</i> <a href="https://juliocesarabadvidal.wordpress.com/2015/06/30/fernando-maselli-indagaciones-acerca-de-lo-sublime/" target="_blank">https://juliocesarabadvidal.wordpress.com/2015/06/30/fernando-maselli-indagaciones-acerca-de-lo-sublime/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1467114&pid=S1647-6158201900020001700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Batchen, Geoffrey (2005) <i>Landscapes without memory &#8212; Photografs by Joan Fontcuberta.</i> Aperture.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1467115&pid=S1647-6158201900020001700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Burke, Edmund (2013) <i>Uma Investiga&ccedil;&atilde;o filos&oacute;fica acerca da origem das nossas ideias sobre o sublime e o belo</i>, Trad. Alexandra Abranches, Jaime Costa e Pedro Martins. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1467117&pid=S1647-6158201900020001700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Loureiro, Domingos (2016) <i>Sublime e Constrangimento,</i> Tese Doutoramento. Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1467119&pid=S1647-6158201900020001700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Morley, Simon (ed.)(2010) <i>The Sublime</i>, Whitechapel Gallery & MIT Press, Londres.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1467121&pid=S1647-6158201900020001700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Maselli, Fernando, (s/d) <i>Statment.</i> In Fernando Maselli &#91;s&iacute;tio&#93; <a href="http://fernandomaselli.com/statement/" target="_blank">http://fernandomaselli.com/statement/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1467123&pid=S1647-6158201900020001700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Najjar, Michael (2008-2010) <i>High Altitude.</i> <a href="http://www.michaelnajjar.com/artworks/high-altitude" target="_blank">http://www.michaelnajjar.com/artworks/high-altitude</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1467124&pid=S1647-6158201900020001700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Valcarlos, Ignacio Migu&eacute;liz (2017) <i>Infinito Artificial. &#91;</i>Texto da exposi&ccedil;&atilde;o&#93; Museu Universidad de Navarra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1467125&pid=S1647-6158201900020001700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Pegg, Nicholas (2000) <i>The Complete David Bowie</i>, London: Reynolds & Hearn.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1467127&pid=S1647-6158201900020001700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo submetido a 11 de janeiro de 2019 e aprovado a 21 janeiro de 2019</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:dloureiro@fba.up.pt">dloureiro@fba.up.pt</a> (Domingos Loureiro)</p>     ]]></body>
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