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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Planos Regionais de Ordenamento do Território e governança territorial: do discurso às evidências da prática]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Territorial governance is a broad concept that has been used in multiple situations and application objects and the specific contours and scope of its adoption deserves to be studied from a practical standpoint, in order to know better the understandings, the specific contours and scope of its adoption. This study analyzed its use in the instruments of regional territorial development.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Governança Territorial]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Regional Coordination and Development Commission]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Planos Regionais de Ordenamento do Territ&oacute;rio e governan&ccedil;a territorial: do discurso &agrave;s evid&ecirc;ncias da pr&aacute;tica</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Carmo, Fernanda<sup>1</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>&nbsp; <a href="mailto:fmr.carmo@gmail.com">fmr.carmo@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A governan&ccedil;a territorial &eacute; um conceito amplo, que tem vindo a ser utilizado em m&uacute;ltiplas situa&ccedil;&otilde;es e objetos de aplica&ccedil;&atilde;o e que merece ser estudado do ponto de vista pr&aacute;tico, no sentido de conhecer melhor os entendimentos, os contornos espec&iacute;ficos e o alcance da sua ado&ccedil;&atilde;o. Neste artigo analisamos a sua utiliza&ccedil;&atilde;o nos instrumentos de desenvolvimento territorial regional.</p>     <p><b>Palavras-Chave</b>: Governan&ccedil;a Territorial; Planeamento Estrat&eacute;gico Territorial; Plano Regional de Ordenamento do Territ&oacute;rio; Comiss&otilde;es de Coordena&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Regional.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Territorial governance is a broad concept that has been used in multiple situations and application objects and the specific contours and scope of its adoption deserves to be studied from a practical standpoint, in order to know better the understandings, the specific contours and scope of its adoption. This study analyzed its use in the instruments of regional territorial development.</p>     <p><b>Keywords:</b> Territorial Governance; Spatial Planning; Regional Spatial Plan; Regional Coordination and Development Commission.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>A governan&ccedil;a territorial &eacute; um conceito amplo, que tem vindo a ser utilizado em m&uacute;ltiplas situa&ccedil;&otilde;es e objetos de aplica&ccedil;&atilde;o e que merece ser estudado do ponto de vista pr&aacute;tico, no sentido de se conhecer melhor os entendimentos, os contornos espec&iacute;ficos e o alcance da sua ado&ccedil;&atilde;o. Com este trabalho pretendemos aprofundar o conhecimento da sua utiliza&ccedil;&atilde;o nos processos de planeamento e desenvolvimento territorial regional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este artigo apresenta a metodologia e os resultados e conclus&otilde;es de uma pesquisa sobre governan&ccedil;a territorial e administra&ccedil;&atilde;o perif&eacute;rica que teve como caso de estudo os Planos Regionais de Ordenamento do Territ&oacute;rio (PROT).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1.1. Condi&ccedil;&otilde;es e requisitos de governan&ccedil;a territorial</b></p>     <p>O conceito de governan&ccedil;a territorial configura um campo concetual particular, que se individualiza em raz&atilde;o da natureza do seu objeto &ndash; o territ&oacute;rio - um objeto m&uacute;ltiplo e complexo, em si mesmo - e em raz&atilde;o do seu objetivo - regular, governar ou gerir din&acirc;micas territoriais atrav&eacute;s da condu&ccedil;&atilde;o de uma pluralidade de atores. Nos v&aacute;rios &acirc;mbitos espaciais, em fun&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio e dos objetivos dos atores, as quest&otilde;es chave da governan&ccedil;a podem apontar para abordagens, significados e alcances distintos, todavia, as condi&ccedil;&otilde;es e requisitos gerais do processo s&atilde;o an&aacute;logos e comuns.</p>     <p>Os processos de governan&ccedil;a territorial emergem de uma constru&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e social do territ&oacute;rio, traduzida em relacionamentos de atores nesse territ&oacute;rio, e concretizam-se segundo l&oacute;gicas e esquemas de organiza&ccedil;&atilde;o e coordena&ccedil;&atilde;o (Davoudi et.al., 2008; Stocker, 2008). Nesta conce&ccedil;&atilde;o a governan&ccedil;a territorial pode ser assumida como um instrumento de governabilidade do territ&oacute;rio aplicado num determinado quadro a&ccedil;&atilde;o, envolvendo governo e administra&ccedil;&atilde;o leg&iacute;timos e legitimados, atores econ&oacute;micos e sociais pr&oacute;-ativos, organiza&ccedil;&otilde;es e cidad&atilde;os envolvidos, territ&oacute;rios de atua&ccedil;&atilde;o reconhecidos e instrumentos de gest&atilde;o fi&aacute;veis. Concetualizando a governan&ccedil;a enquanto forma reinventada de governar, Chamusca (2013: 42) refere que &ldquo;&hellip; a quest&atilde;o estrutural reside na governabilidade do territ&oacute;rio &ndash; estabilidade, coer&ecirc;ncia, e efici&ecirc;ncia institucional e pol&iacute;tica da administra&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o dos territ&oacute;rios &ndash; sendo que esta est&aacute; relacionada com o respeito das leis e das estruturas deliberativas, com o equil&iacute;brio entre as reivindica&ccedil;&otilde;es da sociedade &hellip; e os efeitos concretos da a&ccedil;&atilde;o do governo&rdquo;.</p>     <p>Tendo como objetivo a constru&ccedil;&atilde;o do modelo de an&aacute;lise emp&iacute;rica das estruturas de suporte e dos processos de governan&ccedil;a territorial desenvolvidos no &acirc;mbito da implementa&ccedil;&atilde;o dos PROT e da gest&atilde;o estrat&eacute;gica dos territ&oacute;rios, passamos a identificar, do ponto de vista te&oacute;rico, as condi&ccedil;&otilde;es e requisitos de governan&ccedil;a que se evidenciam como mais relevantes, recorrendo a uma sistematiza&ccedil;&atilde;o efectuada num trabalho antecedente (Carmo, 2013). Nesse trabalho identificaram-se os requisitos b&aacute;sicos do processo de governan&ccedil;a territorial em dois t&oacute;picos que passamos a citar.</p>     <p>&ldquo;A <i>governan&ccedil;a &eacute; um processo de constru&ccedil;&atilde;o do valor p&uacute;blico em rede. Exige: motiva&ccedil;&atilde;o e legitimidade de decis&atilde;o fora dos circuitos formais e hier&aacute;rquicos; equil&iacute;brio e representatividade dos atores; e presta&ccedil;&atilde;o de contas em moldes de responsabiliza&ccedil;&atilde;o objectiva&rdquo; </i>(Carmo, 2013: 258)<i>.</i></p>     <p>Assume-se que o processo de forma&ccedil;&atilde;o do valor p&uacute;blico &eacute; central no conceito de governan&ccedil;a, &ldquo;o valor p&uacute;blico &eacute; constru&iacute;do coletivamente por meio da discuss&atilde;o e da delibera&ccedil;&atilde;o, envolvendo membros eleitos e n&atilde;o eleitos das estruturas de governo e outros atores chave&rdquo; e que &ldquo;a constru&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es de sucesso &eacute; a chave para a governan&ccedil;a em rede, para a accountabillity democr&aacute;tica a ela associada e &eacute; tamb&eacute;m o objetivo central da gest&atilde;o necess&aacute;ria para a suportar&rdquo; (Stocker, 2008: 32). A for&ccedil;a do processo de governan&ccedil;a &eacute; motivacional, sendo mais dependente do estabelecimento de redes e parcerias e de relacionamentos fundados no respeito m&uacute;tuo e na aprendizagem partilhada, em fun&ccedil;&atilde;o de objetivos comuns, do que de regras de funcionamento.</p>     <p>Reconhece-se que a constru&ccedil;&atilde;o do valor p&uacute;blico em governan&ccedil;a, tendo muito de motivacional e uma parte de informal, n&atilde;o pode preterir mecanismos que salvaguardem a legitimidade das decis&otilde;es, a proporcionalidade e a equidade dos atores chamados ao processo, nem escamotear modelos de controlo que garantam a transpar&ecirc;ncia e o escrut&iacute;nio dos assuntos a diversos n&iacute;veis de compreens&atilde;o. &ldquo;&hellip;a resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos em torno de interesses leg&iacute;timos mas contradit&oacute;rios ou at&eacute; antag&oacute;nicos n&atilde;o pode assentar exclusivamente em an&aacute;lises de conformidade legal e t&eacute;cnica (vis&atilde;o moderna), e muito menos em decis&otilde;es arbitr&aacute;rias decorrentes exclusivamente de prefer&ecirc;ncias e interesses particulares (vis&otilde;es individualista e neoliberal). Pressup&otilde;e convic&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas e valores definidos de forma expl&iacute;cita em rela&ccedil;&atilde;o tanto aos processos e procedimentos de decis&atilde;o quanto aos resultados visados.&rdquo; (Ferr&atilde;o, 2011: 50).</p>     <p>Quanto &agrave; presta&ccedil;&atilde;o de contas e responsabiliza&ccedil;&atilde;o objetiva, adota-se o conceito de <i>accountability</i> apresentado por Bovens (2007), que lhe imputa os sin&oacute;nimos de responsabilidade, transpar&ecirc;ncia e confian&ccedil;a, alertando para a mutabilidade do conceito em processos de delibera&ccedil;&atilde;o e participa&ccedil;&atilde;o e dando nota de que a <i>accountability </i>deve alicer&ccedil;ar-se em mecanismos que garantam que os atores providenciam ao f&oacute;rum relevante, detentor da possibilidade de lhes imputar consequ&ecirc;ncias formais e informais, a informa&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para o enquadramento e compreens&atilde;o dos assuntos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>&ldquo;A governan&ccedil;a exige capacita&ccedil;&atilde;o institucional e social e n&atilde;o dispensa governa&ccedil;&atilde;o na condu&ccedil;&atilde;o do processo e na coordena&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas&rdquo;</i> (Carmo, 2013: 259)<i>.</i></p>     <p>Neste registo relevou Kirlin (1996), ao salientar que as grandes quest&otilde;es da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica em democracia identificam-se com a necessidade de incrementar a capacidade de aprendizagem social no contexto de sistemas complexos, em que os decisores s&atilde;o os criadores e conformadores mas n&atilde;o os executantes diretos, tendo em vista a devida compreens&atilde;o dos assuntos e dos valores em causa no quadro de um julgamento p&uacute;blico dos cidad&atilde;os.</p>     <p>Quanto &agrave; import&acirc;ncia da governa&ccedil;&atilde;o recorremos a Ferr&atilde;o (2013), &ldquo;A passagem de uma &oacute;tica de governo a uma &oacute;tica de governan&ccedil;a n&atilde;o pode ser interpretada como um processo sequencial de natureza radical, em que a &uacute;ltima substitui a primeira anulando-a&rdquo; e &ldquo;&hellip;a excessiva focaliza&ccedil;&atilde;o nas formas de governan&ccedil;a n&atilde;o tem favorecido uma an&aacute;lise mais dial&eacute;tica e normativa, centrada na rela&ccedil;&atilde;o <i>que deve existir</i> entre formas de governo e de governan&ccedil;a&rdquo; (Ferr&atilde;o, 2013: 264). O autor desenvolve a tem&aacute;tica no quadro do que designa por institucionaliza&ccedil;&atilde;o dos modos de governan&ccedil;a, salientando que &ldquo;&hellip; as decis&otilde;es tomadas no &acirc;mbito dos novos modos de governan&ccedil;a &ndash; baseadas em rela&ccedil;&otilde;es volunt&aacute;rias e n&atilde;o hier&aacute;rquicas [&hellip;] devem ter alguma tradu&ccedil;&atilde;o em instrumentos e regras democraticamente consagradas (legitimidade pol&iacute;tica), de natureza juridicamente vinculativa [...] ou enquadradora de comportamentos e pr&aacute;ticas institucionais e individuais&hellip;&rdquo;(Ferr&atilde;o, 2013: 274).</p>     <p>Expostos os t&oacute;picos te&oacute;ricos registamos que o processo de governan&ccedil;a territorial diz respeito um conjunto de atores e a um espa&ccedil;o de concretiza&ccedil;&atilde;o do objeto do debate e da delibera&ccedil;&atilde;o e decis&atilde;o destes, um espa&ccedil;o socioecon&oacute;mico contextualizado pelo territ&oacute;rio nas suas m&uacute;ltiplas dimens&otilde;es: geogr&aacute;ficas; f&iacute;sico-ambientais; socioculturais; econ&oacute;micas; administrativas e organizativas.</p>     <p>Evidenciam-se, assim, como requisitos do processo de governan&ccedil;a territorial: o equil&iacute;brio e representatividade dos atores envolvidos; a garantia da legitimidade da decis&atilde;o; a constru&ccedil;&atilde;o de mecanismos de relacionamento; a defini&ccedil;&atilde;o da territorialidade da a&ccedil;&atilde;o; a conce&ccedil;&atilde;o de motores de confian&ccedil;a e motiva&ccedil;&atilde;o; o balizamento dos objetos de delibera&ccedil;&atilde;o; a cria&ccedil;&atilde;o de esquemas de presta&ccedil;&atilde;o de contas; a promo&ccedil;&atilde;o de ferramentas de aprendizagem coletiva; e a consagra&ccedil;&atilde;o de formas de participa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1.2. Desafios do planeamento regional e da administra&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>A actividade de planeamento regional &eacute; uma fun&ccedil;&atilde;o administrativa que assimila as iner&ecirc;ncias da ordem pol&iacute;tico-institucional e organizativa da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica portuguesa e dos processos de forma&ccedil;&atilde;o e partilha de poderes de base territorial. Os desafios do planeamento regional est&atilde;o, assim, intrinsecamente ligados aos desafios que se colocam ao exerc&iacute;cio administrativo, no refor&ccedil;o da coordena&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas e dos atores p&uacute;blicos e da colabora&ccedil;&atilde;o com agentes externos e na supera&ccedil;&atilde;o de contextos adversos persistentes, nomeadamente os apontados por Ferreira (2007): persist&ecirc;ncia da tend&ecirc;ncia pesada de centralismo; exist&ecirc;ncia de labirintos administrativos, radicados na segmenta&ccedil;&atilde;o e fragmenta&ccedil;&atilde;o administrativa; opacidades do sistema e falta de organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho em rede; legisla&ccedil;&atilde;o excessiva e dispersa com desconex&otilde;es.</p>     <p>Os PROT, no quadro do sistema de gest&atilde;o territorial e da pol&iacute;tica de ordenamento do territ&oacute;rio, s&atilde;o instrumentos recentes. A sua configura&ccedil;&atilde;o como instrumentos de natureza estrat&eacute;gica surgiu com a cria&ccedil;&atilde;o do sistema de gest&atilde;o territorial em 1998 / 1999 &ndash; ainda incompletos - apenas em tr&ecirc;s dos territ&oacute;rios regionais de planeamento foram conclu&iacute;dos com aprova&ccedil;&atilde;o e entrada em vigor - e fr&aacute;geis &ndash; a sua assimila&ccedil;&atilde;o e transposi&ccedil;&atilde;o para os instrumentos de planeamento municipal, especial e setorial &eacute; muito ex&iacute;gua, dada a in&eacute;rcia da din&acirc;mica de planeamento em Portugal. Ademais o planeamento territorial regional atravessa um per&iacute;odo de estagna&ccedil;&atilde;o, inerente &agrave; falta de completamento da cobertura do pa&iacute;s com estes planos e a uma indefini&ccedil;&atilde;o de futuro associada &agrave; reforma legislativa do sistema de gest&atilde;o territorial, que perdura desde 2011.</p>     <p>A ainda fraca valora&ccedil;&atilde;o deste instrumento de desenvolvimento territorial &eacute; uma consequ&ecirc;ncia de problemas mais vastos intr&iacute;nsecos &agrave; pol&iacute;tica de ordenamento do territ&oacute;rio, ao sistema de planeamento e &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o administrativa territorial mas, na nossa &oacute;tica, &eacute; tamb&eacute;m uma causa da n&atilde;o resolu&ccedil;&atilde;o de alguns desses problemas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ferr&atilde;o (2011: 26) aborda explicitamente os problemas da pol&iacute;tica de ordenamento do territ&oacute;rio referindo-a como uma pol&iacute;tica duplamente fraca: &ldquo;fraca em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sua miss&atilde;o, dada a despropor&ccedil;&atilde;o que se verifica entre a ambi&ccedil;&atilde;o dos objetivos visados e as condi&ccedil;&otilde;es efetivas para os atingir; e fraca em rela&ccedil;&atilde;o aos efeitos indesejados decorrentes de outras pol&iacute;ticas, dada vulnerabilidade em rela&ccedil;&atilde;o a impactes negativos &agrave; luz dos objetivos e princ&iacute;pios do ordenamento do territ&oacute;rio&rdquo;. E, como fundamentos da fraqueza da pol&iacute;tica, aponta, por um lado, a descredibiliza&ccedil;&atilde;o precoce do sistema de ordenamento do territ&oacute;rio e a exist&ecirc;ncia de uma comunidade t&eacute;cnico-profissional e cient&iacute;fica fragmentada e, por outro, o predom&iacute;nio de uma cultura pol&iacute;tico-administrativa pouco favor&aacute;vel &agrave; coordena&ccedil;&atilde;o intersectorial de base territorial e a aus&ecirc;ncia de uma cultura c&iacute;vica de ordenamento do territ&oacute;rio robusta.</p>     <p>Tamb&eacute;m o Programa Nacional da Pol&iacute;tica de Ordenamento do Territ&oacute;rio (PNPOT) (Lei 58/2007, 04/09) identifica como problemas para o ordenamento do territ&oacute;rio: i) o d&eacute;fice de cultura c&iacute;vica valorizadora do ordenamento do territ&oacute;rio, baseada no conhecimento rigoroso dos problemas, na participa&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os e na capacita&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica das institui&ccedil;&otilde;es e agentes mais diretamente envolvidos; ii) o d&eacute;fice de coordena&ccedil;&atilde;o entre os principais atores institucionais, p&uacute;blicos e privados, respons&aacute;veis por pol&iacute;ticas e interven&ccedil;&otilde;es com impacte territorial; iii) a complexidade, rigidez e centralismo e a opacidade da legisla&ccedil;&atilde;o e dos procedimentos de planeamento e gest&atilde;o territorial que afetam a sua efici&ecirc;ncia e aceita&ccedil;&atilde;o social. O registo destes problemas fundamenta objetivos estrat&eacute;gicos e operacionais assumidos pelo PNPOT que determinam a promo&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica e institucional nos processos de planeamento e desenvolvimento territorial e o incentivo de comportamentos positivos e respons&aacute;veis face ao ordenamento do territ&oacute;rio.</p>     <p>Numa outra dimens&atilde;o, o relat&oacute;rio ESPON (2006) aponta como principais pontos cr&iacute;ticos para o caso de Portugal: i) em primeiro lugar, a afirma&ccedil;&atilde;o de que a participa&ccedil;&atilde;o dos n&atilde;o eleitos no processo de forma&ccedil;&atilde;o das decis&otilde;es ainda &eacute; vista como uma ileg&iacute;tima interfer&ecirc;ncia e que os processos de participa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o pouco consequentes; ii) em segundo, a refer&ecirc;ncia a que ainda prepondera uma vis&atilde;o municipalista sem assimila&ccedil;&atilde;o da l&oacute;gica regional e que, em contraponto, prepondera uma centraliza&ccedil;&atilde;o de recursos. Esta refer&ecirc;ncia levou a uma recomenda&ccedil;&atilde;o de melhoria das conex&otilde;es regionais e locais.</p>     <p>Estes diagn&oacute;sticos contribuem para refor&ccedil;ar a ideia de que os PROT, na sua atual configura&ccedil;&atilde;o, enquanto instrumentos de desenvolvimento territorial, elaborados e dinamizados na sua implementa&ccedil;&atilde;o pelas Comiss&otilde;es de Coordena&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Regional (CCDR), na qualidade de servi&ccedil;os perif&eacute;ricos do Estado respons&aacute;veis por executar as pol&iacute;ticas de desenvolvimento regional, ordenamento do territ&oacute;rio e ambiente e por promover a articula&ccedil;&atilde;o intersectorial dos servi&ccedil;os desconcentrados de &acirc;mbito regional e a coordena&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas com express&atilde;o territorial, t&ecirc;m um potencial que n&atilde;o deve ser subestimado ou ignorado.</p>     <p>Os PROT, pela sua natureza estrat&eacute;gica, pelo seu posicionamento vertical e horizontal entre os v&aacute;rios instrumentos de desenvolvimento e de planeamento territorial da compet&ecirc;ncia dos v&aacute;rios sectores do Estado e das autarquias locais e pelos processos de governan&ccedil;a que desencadeiam, constituem instrumentos fundamentais para a organiza&ccedil;&atilde;o e funcionamento do sistema e para a atua&ccedil;&atilde;o das entidades p&uacute;blicas.</p>     <p>O trabalho a desenvolver para a implementa&ccedil;&atilde;o dos PROT visa principalmente promover e sustentar o processo colaborativo de execu&ccedil;&atilde;o das orienta&ccedil;&otilde;es, medidas e a&ccedil;&otilde;es do plano, no contexto das atua&ccedil;&otilde;es das v&aacute;rias entidades e atores competentes em raz&atilde;o das mat&eacute;rias e dom&iacute;nios de a&ccedil;&atilde;o. Este trabalho, por si da maior import&acirc;ncia, encerra potencialidades de gera&ccedil;&atilde;o e majora&ccedil;&atilde;o de din&acirc;micas colaborativas fundamentais para coordena&ccedil;&atilde;o mais alargada de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas no espa&ccedil;o territorial regional e para o fortalecimento da pol&iacute;tica de ordenamento do territ&oacute;rio.</p>     <p>A gest&atilde;o da elabora&ccedil;&atilde;o e operacionaliza&ccedil;&atilde;o destes planos pode constituir um palco abrangente para a defini&ccedil;&atilde;o de novos processos e formas de trabalho que valorizem mais o capital territorial regional e afirmem a governan&ccedil;a territorial como um processo organizado de promo&ccedil;&atilde;o do di&aacute;logo pol&iacute;tico e t&eacute;cnico fundamentado e de pondera&ccedil;&atilde;o de interesses conflituais de forma estruturada e objetivada, assumindo-se como um ve&iacute;culo para uma evolu&ccedil;&atilde;o no desempenho administrativo.</p>     <p>A gest&atilde;o da implementa&ccedil;&atilde;o dos PROT obriga a que as CCDR, enquanto servi&ccedil;os respons&aacute;veis pela coordena&ccedil;&atilde;o e promo&ccedil;&atilde;o da execu&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas territoriais consagradas nos planos, adotem novas condutas de gest&atilde;o processual, assumam a lideran&ccedil;a e desenvolvam um conjunto de iniciativas e tarefas, em articula&ccedil;&atilde;o com as demais entidades competentes por pol&iacute;ticas p&uacute;blicas setoriais, em parceria com os munic&iacute;pios e envolvendo os atores privados e as organiza&ccedil;&otilde;es sociais. Este caminho passa pela motiva&ccedil;&atilde;o e mobiliza&ccedil;&atilde;o dos v&aacute;rios interlocutores territoriais a partir de referenciais comuns e pela capacita&ccedil;&atilde;o da sociedade civil e dos cidad&atilde;os para a cria&ccedil;&atilde;o de significados coletivos em mat&eacute;rias do ordenamento do territ&oacute;rio.</p>     <p>S&atilde;o ainda escassas as an&aacute;lises sistem&aacute;ticas sobre os sistemas de governan&ccedil;a dos PROT. As reflex&otilde;es j&aacute; produzidas (Carmo et.al., 2011, Marques, 2008; Pereira 2011) evidenciam as potencialidades dos mecanismos de governan&ccedil;a desenvolvidos na elabora&ccedil;&atilde;o dos PROT, nomeadamente o capital de relacionamento e os processos de aprendizagem colectiva constru&iacute;dos, mas, tamb&eacute;m, as grandes dificuldades de manuten&ccedil;&atilde;o das din&acirc;micas geradas. Revelam-se, pois, essenciais as estruturas de monitoriza&ccedil;&atilde;o, avalia&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o cont&iacute;nuas dos PROT que propiciem um quadro de governabilidade territorial. A an&aacute;lise emp&iacute;rica deste trabalho partiu destas expectativas sobre o papel dos PROT na melhoria da atividade administrativa e visa conhecer o desenho e desempenho destas estruturas.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Metodologia</b></p>     <p>Partindo do quadro concetual e do conhecimento experiencial concebemos um modelo de pesquisa orientado pela pergunta de partida: <i>T&ecirc;m os PROT contribu&iacute;do para o desenvolvimento de processos de governan&ccedil;a territorial promovidos pelas CCDR? E estar&atilde;o as potencialidades desses processos a ser plenamente aproveitadas?</i></p>     <p><i>&nbsp;</i></p>     <p><b>2.1. Modelo de an&aacute;lise</b></p>     <p>O modelo de an&aacute;lise traduz uma estrat&eacute;gia de pesquisa que assenta numa componente te&oacute;rica - conhecimento adquirido no &acirc;mbito do enquadramento te&oacute;rico e contextual - e numa componente emp&iacute;rica &ndash; identifica&ccedil;&atilde;o de unidades de observa&ccedil;&atilde;o, defini&ccedil;&atilde;o de dom&iacute;nios de an&aacute;lise e sele&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;todos e t&eacute;cnicas instrumentais de recolha e sistematiza&ccedil;&atilde;o dos dados.</p>     <p>Nesta pesquisa recorremos ao m&eacute;todo indutivo, para chegar a infer&ecirc;ncias gerais a partir de observa&ccedil;&otilde;es, e a uma abordagem qualitativa, baseada na sistematiza&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o descritiva, recolhida por an&aacute;lise documental.</p>     <p>Considerando as duas quest&otilde;es encadeadas da pergunta de partida, pretendeu-se responder: ao contributo dos PROT para o desenvolvimento de processos de governan&ccedil;a territorial ao n&iacute;vel regional, com base na an&aacute;lise dos conte&uacute;dos dos planos, complementada pela an&aacute;lise das posi&ccedil;&otilde;es assumidas pelos atores participantes; ao aproveitamento pleno das suas potencialidades, com base na interpreta&ccedil;&atilde;o desses conte&uacute;dos &agrave; luz de requisitos do processo de governan&ccedil;a territorial, complementada pela consulta dos relat&oacute;rios de monitoriza&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;veis ao p&uacute;blico.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A. Objetivos da recolha dos dados</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O que dizem os PROT? - Identificar no conte&uacute;do documental dos PROT as refer&ecirc;ncias a mat&eacute;rias do dom&iacute;nio da governan&ccedil;a territorial e sistematizar as refer&ecirc;ncias identificadas, segundo dom&iacute;nios de an&aacute;lise relevantes do ponto de vista concetual.</p>     <p>O que defenderam os atores? - Identificar os entendimentos e as posi&ccedil;&otilde;es dos atores envolvidos na elabora&ccedil;&atilde;o dos PROT em mat&eacute;ria de governan&ccedil;a territorial.</p>     <p>O que est&aacute; a ser feito? - Identificar registos p&uacute;blicos da operacionaliza&ccedil;&atilde;o das orienta&ccedil;&otilde;es, diretrizes, medidas e a&ccedil;&otilde;es de governan&ccedil;a territorial.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>B. Unidades de observa&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Os PROT do territ&oacute;rio continental, incluindo planos em vigor e propostas conclu&iacute;das e submetidas a consulta p&uacute;blica &ndash; componentes referentes &agrave;s op&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas, &agrave;s normas orientadoras e aos programas de execu&ccedil;&atilde;o<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a>; Os pareceres finais das comiss&otilde;es de acompanhamento dos PROT e, complementarmente, as atas das reuni&otilde;es realizadas durante o processo de elabora&ccedil;&atilde;o; Os relat&oacute;rios de monitoriza&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o dos PROT em vigor.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>C. Dom&iacute;nios de an&aacute;lise</b></p>     <p>A defini&ccedil;&atilde;o dos dom&iacute;nios de an&aacute;lise da informa&ccedil;&atilde;o teve por base: o enquadramento te&oacute;rico e contextual relativo &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es e os requisitos dos processos de governan&ccedil;a territorial e aos desafios do planeamento estrat&eacute;gico regional; o nosso conhecimento experiencial das unidades de observa&ccedil;&atilde;o - os PROT, nas componentes de plano e de processo administrativo &ndash; e o tipo de respostas pretendidas.</p>     <p>A an&aacute;lise dos dados foi estruturada em tr&ecirc;s linhas de an&aacute;lise, a primeira destinada a conhecer os sistemas de governan&ccedil;a propostos, a segunda orientada para identificar as dimens&otilde;es de governan&ccedil;a presentes nesses sistemas, e a terceira visando percecionar os contextos em que os sistemas foram propostos e sistematizar as preocupa&ccedil;&otilde;es subjacentes dos atores.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>C1 &ndash; Caracteriza&ccedil;&atilde;o dos Sistemas de Governan&ccedil;a Territorial dos PROT</p>     <p>Na primeira linha de an&aacute;lise partimos de uma leitura comparada do conte&uacute;do dos planos para inferir os tr&ecirc;s dom&iacute;nios de an&aacute;lise e respectivos descritores de suporte da sistematiza&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o. O sistema de governan&ccedil;a de cada plano foi depois caracterizado em fun&ccedil;&atilde;o do seu posicionamento em cada descritor.</p>     <p>Objetivos &ndash; caracteriza&ccedil;&atilde;o do que se pretende alcan&ccedil;ar com o sistema proposto; Estruturas &ndash; tipifica&ccedil;&atilde;o das estruturas de governan&ccedil;a propostas nas suas vertentes, org&acirc;nica e funcional; Medidas e A&ccedil;&otilde;es - tipifica&ccedil;&atilde;o das realiza&ccedil;&otilde;es de suporte ao funcionamento das estruturas de governan&ccedil;a e procedimentos inerentes, inscritos nos programas de execu&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>C2 &ndash; Dimens&otilde;es de Governan&ccedil;a evidenciadas nos PROT</p>     <p>A sistematiza&ccedil;&atilde;o das dimens&otilde;es de governan&ccedil;a presentes no conte&uacute;do dos PROT foi efectuada a partir de uma pr&eacute;-identifica&ccedil;&atilde;o de nove dom&iacute;nios anal&iacute;ticos que traduzem as condi&ccedil;&otilde;es e os requisitos de governan&ccedil;a territorial considerados mais relevantes no &acirc;mbito da implementa&ccedil;&atilde;o dos PROT. A pr&eacute;-identifica&ccedil;&atilde;o dos dom&iacute;nios baseou-se no quadro te&oacute;rico e contextual e foi apenas afinada, na fase de recolha de dados, na sua terminologia e amplitude de conceitos.</p>     <p>Envolvimento de atores &ndash; atores envolvidos nos sistemas de governan&ccedil;a;</p>     <p>Tipo de interlocu&ccedil;&atilde;o - tipo de relacionamento entre atores, em fun&ccedil;&atilde;o dos atores envolvidos, de preocupa&ccedil;&otilde;es expressas no envolvimento e de fun&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas;</p>     <p>Geometrias territoriais - &acirc;mbitos territoriais em que se processa a articula&ccedil;&atilde;o dos atores e dos relacionamentos verticais e horizontais inerentes;</p>     <p>Gera&ccedil;&atilde;o de motiva&ccedil;&atilde;o - fatores de motiva&ccedil;&atilde;o que levem os atores a reconhecer um interesse particular no seu envolvimento no processo de governan&ccedil;a, nas suas componentes formais e informais;</p>     <p>Forma&ccedil;&atilde;o de valores comuns - objetos de discuss&atilde;o e de delibera&ccedil;&atilde;o partilhada;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Legitimidade da decis&atilde;o &ndash; pap&eacute;is dos atores nas estruturas criadas e nos processos e procedimentos de negocia&ccedil;&atilde;o e decis&atilde;o em grupo;</p>     <p>Presta&ccedil;&atilde;o de contas - &acirc;mbitos e formas de presta&ccedil;&atilde;o de contas, nas vertentes de disponibiliza&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o e da efetiva&ccedil;&atilde;o do escrut&iacute;nio e responsabiliza&ccedil;&atilde;o;</p>     <p>Capacita&ccedil;&atilde;o e aprendizagem - processos e/ou de medidas e a&ccedil;&otilde;es de capacita&ccedil;&atilde;o dos atores e procedimentos de fomento de aprendizagem organizacional;</p>     <p>Participa&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os - identifica&ccedil;&atilde;o de incentivos &agrave; participa&ccedil;&atilde;o e envolvimento dos cidad&atilde;os no escrut&iacute;nio da implementa&ccedil;&atilde;o do plano.</p>     <p>C3 &ndash; Identifica&ccedil;&atilde;o das posi&ccedil;&otilde;es dos v&aacute;rios atores envolvidos na elabora&ccedil;&atilde;o dos planos sobre o sistema de governan&ccedil;a proposto. Registar as suas preocupa&ccedil;&otilde;es expl&iacute;citas ou impl&iacute;citas e inferir a sua ader&ecirc;ncia &agrave; realidade em execu&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>D. Fontes e per&iacute;odo de observa&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Planos publicados - consultados em Di&aacute;rio da Republica; Planos conclu&iacute;dos - consultados na Dire&ccedil;&atilde;o-Geral do Territ&oacute;rio e nas plataformas colaborativas <i>on-line</i>; Documentos administrativos processuais (pareceres finais e atas das comiss&otilde;es de acompanhamento) &ndash; consultados na Dire&ccedil;&atilde;o-Geral do Territ&oacute;rio; Relat&oacute;rios de monitoriza&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o dos PROT em vigor (OVT e Algarve) - consultados nos <i>sites</i> das CCDR. O per&iacute;odo de observa&ccedil;&atilde;o decorreu de junho a setembro de 2013.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>3. Resultados</b></p>     <p>Decorre da leitura global da documenta&ccedil;&atilde;o que serviu de base &agrave; an&aacute;lise que os PROT foram, durante a sua elabora&ccedil;&atilde;o, um m&oacute;bil para a ativa&ccedil;&atilde;o de sistemas de relacionamento de atores e para a cria&ccedil;&atilde;o de sinergias de ac&ccedil;&atilde;o, entre entidades respons&aacute;veis por diferentes interesses p&uacute;blicos, entre os n&iacute;veis central, regional e local da administra&ccedil;&atilde;o, em alguns dom&iacute;nios, entre representantes de interesses p&uacute;blicos e privados e, de uma forma geral, ainda que t&eacute;nue, entre a administra&ccedil;&atilde;o e os cidad&atilde;os.</p>     <p>Tal traduziu-se no conte&uacute;do dos PROT, todos prop&otilde;em sistemas de governan&ccedil;a orientados para a monitoriza&ccedil;&atilde;o, avalia&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o do plano durante a implementa&ccedil;&atilde;o, com objetivos, n&atilde;o apenas de relato da sua execu&ccedil;&atilde;o, mas, sobretudo, de efetiva&ccedil;&atilde;o de esquemas de interlocu&ccedil;&atilde;o regular entre atores que representam pol&iacute;ticas e interesses distintos. Estes conte&uacute;dos v&atilde;o para al&eacute;m do regulamentarmente exigido e podem ser lidos como uma iniciativa interna do pr&oacute;prio plano, promovida pelas CCDR e partilhada pelo conjunto dos atores que participaram no processo de elabora&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Atente-se que o regime jur&iacute;dico que regula o sistema de gest&atilde;o territorial apenas prev&ecirc; que as entidades respons&aacute;veis pela elabora&ccedil;&atilde;o dos instrumentos de gest&atilde;o territorial devem promover a permanente avalia&ccedil;&atilde;o da adequa&ccedil;&atilde;o e concretiza&ccedil;&atilde;o da disciplina nestes consagrada e que, em mat&eacute;ria de regula&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do material e documental dos PROT, o regime jur&iacute;dico n&atilde;o prev&ecirc; obriga&ccedil;&otilde;es de conte&uacute;do quanto a esta mat&eacute;ria. Embora houvesse orienta&ccedil;&otilde;es da tutela para que os PROT considerassem a sua monitoriza&ccedil;&atilde;o (documento orientador, de 2005), embora o PNPOT (desde 2007) referisse que a elabora&ccedil;&atilde;o do PROT deveria ser uma oportunidade para constituir um f&oacute;rum de car&aacute;cter intersectorial e interinstitucional, e, pese embora, algumas das determina&ccedil;&otilde;es de elabora&ccedil;&atilde;o dos PROT tivessem estabelecido a obriga&ccedil;&atilde;o de previs&atilde;o de ferramentas de monitoriza&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o, o facto &eacute; que os sistemas de monitoriza&ccedil;&atilde;o, avalia&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o consagrados nos PROT extravasam significativamente as obriga&ccedil;&otilde;es regulamentares que lhes s&atilde;o aplic&aacute;veis.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Sistemas de governan&ccedil;a territorial</b></p>     <p>Todos os PROT analisados prev&ecirc;em sistemas de governan&ccedil;a territorial focados na monitoriza&ccedil;&atilde;o, avalia&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o da sua implementa&ccedil;&atilde;o, com designa&ccedil;&otilde;es aproximadas, a que passaremos a referir-nos por SMAG. Os conte&uacute;dos referentes &agrave; governan&ccedil;a territorial em abstrato e aos SMAG em concreto, s&atilde;o tratados, em geral, na parte introdut&oacute;ria do cap&iacute;tulo das normas orientadoras, segundo uma abordagem mais estrat&eacute;gica, contextual e discursiva, e depois, no final do plano, em pontos espec&iacute;ficos dedicados ao SMAG, onde se apresentam e desenvolvem as suas componentes operacionais, segundo uma abordagem mais normativa. Quanto ao teor das mat&eacute;rias tratadas no &acirc;mbito destes sistemas, verificamos que os objetivos, os atores alvo, as &aacute;reas tem&aacute;ticas principais e as formas de organiza&ccedil;&atilde;o da interlocu&ccedil;&atilde;o entre os atores s&atilde;o distintos nos v&aacute;rios PROT, sendo percet&iacute;vel que as caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas de cada territ&oacute;rio, as experi&ecirc;ncias de gest&atilde;o das CCDR e de determinados atores participantes no processo influenciaram a conce&ccedil;&atilde;o e o desenho das solu&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>O <a href="#t1">Quadro 1</a>&nbsp;sistematiza a informa&ccedil;&atilde;o recolhida sobre os sistemas de governan&ccedil;a dos PROT e caracteriza-os em tr&ecirc;s dom&iacute;nios de an&aacute;lise. A n&iacute;vel de objetivos podemos registar que em todos os casos &eacute; objetivo dos SMAG a monitoriza&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o da execu&ccedil;&atilde;o do PROT, no sentido da aplica&ccedil;&atilde;o das suas orienta&ccedil;&otilde;es e da realiza&ccedil;&atilde;o das medidas e a&ccedil;&otilde;es e, tamb&eacute;m, da perce&ccedil;&atilde;o dos seus efeitos sobre a evolu&ccedil;&atilde;o dos territ&oacute;rios onde incidem, incluindo o estudo de din&acirc;micas territoriais espec&iacute;ficas, mas apenas alguns consideram a possibilidade de utilizar estes sistemas para desenvolver componentes abertas do plano, para interpretar os seus conte&uacute;dos de natureza indicativa ou para promover a adapta&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos espec&iacute;ficos.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1">     <p><img src="/img/revistas/got/n5/n5a03t1.gif"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>A articula&ccedil;&atilde;o institucional, entendida como uma forma de estrutura&ccedil;&atilde;o e fortalecimento do relacionamento entre as entidades mais importantes para o plano, est&aacute; bem presente em todos os PROT, mas as formas como essa articula&ccedil;&atilde;o se expressa s&atilde;o diferentes e traduzem-se de modo distinto no enunciar dos objectivos. Nuns casos mais centradas no refor&ccedil;o da pr&oacute;pria CCDR e dos seus &oacute;rg&atilde;os, dando maior enfoque &agrave;s articula&ccedil;&otilde;es internas e baseadas nos instrumentos de gest&atilde;o territorial, noutros, mais ligados &agrave; continuidade dos trabalhos da comiss&atilde;o de acompanhamento da elabora&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Um objetivo presente na maioria dos sistemas de governan&ccedil;a &eacute; o de articula&ccedil;&atilde;o dos PROT com a gest&atilde;o dos programas de financiamento comunit&aacute;rio, manifestado na inten&ccedil;&atilde;o de que o PROT sirva de enquadramento, quer para a defini&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica das linhas de apoio financeiro, quer para a defini&ccedil;&atilde;o de requisitos regulamentares de acesso e de crit&eacute;rios de sele&ccedil;&atilde;o de candidaturas, quer ainda para a contratualiza&ccedil;&atilde;o da gest&atilde;o com entidades intermunicipais.</p>     <p>Embora presente nos enunciados, a mat&eacute;ria das parcerias com atores privados, na sua componente operativa, &eacute; pouco desenvolvida e a explora&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o e envolvimento da sociedade civil e dos cidad&atilde;os assenta apenas na disponibiliza&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o havendo consist&ecirc;ncia de propostas que nos permitisse regist&aacute;-las.</p>     <p>Quanto &agrave;s estruturas de suporte dos SMAG, encontramos tr&ecirc;s situa&ccedil;&otilde;es distintas. No caso dos PROT Centro e Alentejo identific&aacute;mos uma estrutura delineada segundo uma perspetiva de melhoria funcional, que parte da ideia de refor&ccedil;o da integra&ccedil;&atilde;o do trabalho desenvolvido pelos servi&ccedil;os e &oacute;rg&atilde;os das CCDR e dos mecanismos de articula&ccedil;&atilde;o institu&iacute;dos para a intera&ccedil;&atilde;o coordenada de planos (sistema de gest&atilde;o territorial) e para a coordena&ccedil;&atilde;o intersectorial e multin&iacute;vel (Conselho de Coordena&ccedil;&atilde;o Intersectorial e Conselho da Regi&atilde;o) para dar corpo a uma estrutura de governan&ccedil;a. A estrutura &eacute; convencional, suportada pela defini&ccedil;&atilde;o de fun&ccedil;&otilde;es de dire&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o estrat&eacute;gica, protagonizadas pelo presidente da CCDR, por fun&ccedil;&otilde;es de gest&atilde;o t&eacute;cnica, conduzidas pelos servi&ccedil;os da CCDR, e por fun&ccedil;&otilde;es de concerta&ccedil;&atilde;o intersectorial e de articula&ccedil;&atilde;o local, assumidas, respetivamente pelos conselhos antes identificados.</p>     <p>No caso dos PROT OVT e AML, em vigor e altera&ccedil;&atilde;o, e, parcialmente, do Norte, identific&aacute;mos uma estrutura desenhada numa perspetiva de inova&ccedil;&atilde;o organizacional, que parte da ideia de valoriza&ccedil;&atilde;o da din&acirc;mica de trabalho e da proximidade e confian&ccedil;a de relacionamento geradas no seio da comiss&atilde;o de acompanhamento da elabora&ccedil;&atilde;o do plano, para institucionalizar uma estrutura de governan&ccedil;a espec&iacute;fica, n&atilde;o convencional, centrada na monitoriza&ccedil;&atilde;o, avalia&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o da implementa&ccedil;&atilde;o do PROT. Esta estrutura &eacute; composta por uma comiss&atilde;o de acompanhamento de natureza consultiva, que d&aacute; continuidade &agrave; comiss&atilde;o que acompanhou a elabora&ccedil;&atilde;o, mantendo o n&iacute;vel de representa&ccedil;&atilde;o e valorizando as pr&aacute;ticas de trabalho anteriores, por um n&uacute;cleo de gest&atilde;o operacional, com uma parte de composi&ccedil;&atilde;o fixa, agregando a CCDR e os munic&iacute;pios associados, e outra de composi&ccedil;&atilde;o vari&aacute;vel, formando comiss&otilde;es tem&aacute;ticas, e, ainda, por um observat&oacute;rio destinado a monitorizar a execu&ccedil;&atilde;o do plano, os seus efeitos gerais e din&acirc;micas territoriais espec&iacute;ficas. O PROT Norte apresenta uma declina&ccedil;&atilde;o desta estrutura tipo, que se traduz na redu&ccedil;&atilde;o da comiss&atilde;o de acompanhamento &agrave;s entidades p&uacute;blicas e num maior enfoque na articula&ccedil;&atilde;o interna.</p>     <p>No Algarve previu-se uma estrutura de acompanhamento composta pelas entidades p&uacute;blicas representantes dos interesses mais relevantes e pelas autarquias isoladas e em associa&ccedil;&atilde;o intermunicipal, sendo que, na sua concretiza&ccedil;&atilde;o, esta estrutura foi reconduzida ao observat&oacute;rio do PROT Algarve, criado por RCM como entidade independente, com fun&ccedil;&otilde;es de acompanhamento, monitoriza&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o do PROT e do sistema de turismo nele previsto. O observat&oacute;rio &eacute; composto pela CCDR, pela entidade nacional respons&aacute;vel pelo setor do turismo e pelos munic&iacute;pios, detendo compet&ecirc;ncias de monitoriza&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o geral do plano e dos seus efeitos e, tamb&eacute;m, compet&ecirc;ncias espec&iacute;ficas de concerta&ccedil;&atilde;o de interesses e de concilia&ccedil;&atilde;o de posi&ccedil;&otilde;es das entidades que interv&ecirc;m nos procedimentos de concretiza&ccedil;&atilde;o dos n&uacute;cleos de desenvolvimento tur&iacute;stico, pressupondo um relacionamento com o sector privado.</p>     <p>Embora com abordagens distintas, a previs&atilde;o de observat&oacute;rios regionais, articulados com o Observat&oacute;rio do Ordenamento do Territ&oacute;rio e do Urbanismo, previsto no Regime Jur&iacute;dico, s&atilde;o uma componente central dos SMAG em todos os PROT.</p>     <p>Quanto a medidas e a&ccedil;&otilde;es inscritas nos programas de execu&ccedil;&atilde;o dos PROT e destinadas &agrave; cria&ccedil;&atilde;o e funcionamento das estruturas ou ao desenvolvimento de componentes do SMAG, constat&aacute;mos que as mesmas s&atilde;o ex&iacute;guas. Na maioria das situa&ccedil;&otilde;es registam-se a&ccedil;&otilde;es agregadas, sem detalhe de or&ccedil;amento e prioridade, e centradas na elabora&ccedil;&atilde;o de estudos e na produ&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Dimens&otilde;es de governan&ccedil;a territorial</b></p>     <p>As dimens&otilde;es da governan&ccedil;a territorial, que identific&aacute;mos com base nos principais requisitos do processo de governan&ccedil;a, est&atilde;o presentes no conte&uacute;do dos v&aacute;rios PROT. Todos eles assumem a import&acirc;ncia de princ&iacute;pios e objetivos de governan&ccedil;a territorial no desenvolvimento dos trabalhos de implementa&ccedil;&atilde;o do plano e todos, com maior ou menor desenvolvimento, fazem refer&ecirc;ncia aos dom&iacute;nios de an&aacute;lise pr&eacute;-identificadas.</p>     <p>Importa, no entanto, registar que o tratamento das mat&eacute;rias em an&aacute;lise assume nos v&aacute;rios PROT uma grande amplitude, incluindo enquadramentos te&oacute;ricos e declara&ccedil;&otilde;es de princ&iacute;pio e de inten&ccedil;&atilde;o abstratas, a par, e em sobreposi&ccedil;&atilde;o, com orienta&ccedil;&otilde;es e diretrizes normativas. Nesta realidade, para a sistematiza&ccedil;&atilde;o registada no <a name="t2"><a href ="/img/revistas/got/n5/n5a03t2.gif"> Quadro 2</a>&nbsp;tivemos por base uma leitura global dos pontos espec&iacute;ficos referentes &agrave; mat&eacute;ria em estudo, extraindo, em primeiro lugar, as refer&ecirc;ncias com natureza de orienta&ccedil;&atilde;o ou diretriz e, em segundo, complementando-as com a interpreta&ccedil;&atilde;o de refer&ecirc;ncias mais amplas desde que relacionadas com o quadro de a&ccedil;&atilde;o definido pelas orienta&ccedil;&otilde;es e diretrizes, n&atilde;o tendo sido consideradas refer&ecirc;ncias presentes no enunciado mas para as quais n&atilde;o encontr&aacute;mos uma liga&ccedil;&atilde;o percet&iacute;vel com aquele.</p>     
<p>Em mat&eacute;ria de representatividade dos atores no processo de governan&ccedil;a territorial dos PROT verificamos que ao n&iacute;vel das estruturas o envolvimento &eacute;, essencialmente, de natureza institucional e cariz p&uacute;blico, centrado nas CCDR, nas entidades da administra&ccedil;&atilde;o setorial e nos munic&iacute;pios associados. Apesar de serem efetuadas v&aacute;rias refer&ecirc;ncias &agrave; import&acirc;ncia do refor&ccedil;o da intera&ccedil;&atilde;o p&uacute;blico-privado, em concreto n&atilde;o existem operacionaliza&ccedil;&otilde;es desenhadas e pass&iacute;veis de ser caracterizadas com objetividade, com exce&ccedil;&atilde;o do Algarve.</p>     <p>No caso dos planos que preconizam estruturas de continuidade com as comiss&otilde;es de acompanhamento da sua elabora&ccedil;&atilde;o, os representantes dos interesses econ&oacute;micos, sociais, culturais e ambientais est&atilde;o representados ao n&iacute;vel consultivo. No PROT Algarve, pode inferir-se a exist&ecirc;ncia de uma participa&ccedil;&atilde;o dos agentes privados no sistema de governan&ccedil;a, n&atilde;o ao n&iacute;vel da estrutura, mas dos trabalhos desta, no &acirc;mbito do turismo.</p>     <p>Este baixo n&iacute;vel de representa&ccedil;&atilde;o e de envolvimento dos atores privados na estrutura de governan&ccedil;a deve ser lido tendo em conta a natureza do instrumento de planeamento que estamos a tratar. Primeiro, porque o seu posicionamento de charneira no quadro do sistema de gest&atilde;o territorial, apela, como vimos nos pontos anteriores, a uma concentra&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;os na coordena&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e na coopera&ccedil;&atilde;o dos atores por estas respons&aacute;veis, bem como na concretiza&ccedil;&atilde;o da intera&ccedil;&atilde;o coordenada de instrumentos de planeamento da responsabilidade das entidades p&uacute;blicas. Segundo, porque, tratando-se de um instrumento de natureza estrat&eacute;gica, a concretiza&ccedil;&atilde;o operativa das suas orienta&ccedil;&otilde;es e diretrizes carece, na maioria dos seus conte&uacute;dos, de desenvolvimento e materializa&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito dos planos reguladores da ocupa&ccedil;&atilde;o e uso do solo, ficando o PROT mais afastado da execu&ccedil;&atilde;o privada direta. N&atilde;o obstante, em algumas mat&eacute;rias, a participa&ccedil;&atilde;o das organiza&ccedil;&otilde;es representativas dos interesses privados &eacute; importante, face aos objetivos enunciados pelos PROT, e teria sido poss&iacute;vel prever um maior envolvimento das mesmas, atribuindo-lhes responsabilidades de monitoriza&ccedil;&atilde;o e comprometendo-as com algumas esferas de decis&atilde;o.</p>     <p>Os modelos de governan&ccedil;a delineados no &acirc;mbito dos PROT s&atilde;o essencialmente modelos de governan&ccedil;a horizontal, entre a administra&ccedil;&atilde;o do Estado, perif&eacute;rica e central desconcentrada, e modelos de articula&ccedil;&atilde;o vertical, entre estas entidades e as autarquias locais, isoladas ou em associa&ccedil;&atilde;o, destinados a formalizar rotinas de articula&ccedil;&atilde;o institucional. Os sistemas de governan&ccedil;a de &iacute;ndole funcional, como os do Centro e do Alentejo, manifestam, a par das preocupa&ccedil;&otilde;es de articula&ccedil;&atilde;o externa da CCDR, um grande enfoque na articula&ccedil;&atilde;o interna, entre os servi&ccedil;os da CCDR. Noutra linha de preocupa&ccedil;&otilde;es, o PROT OVT salienta a necessidade de estabelecer uma articula&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica com as CCDR Centro e Alentejo, tendo em vista garantir a ader&ecirc;ncia entre o PROT e os Programas Operacionais Regionais. Esta refer&ecirc;ncia &eacute; justificada pela descoincid&ecirc;ncia da inser&ccedil;&atilde;o regional do territ&oacute;rio do OVT, para efeitos de planeamento e gest&atilde;o territorial e de gest&atilde;o de fundos comunit&aacute;rios</p>     <p>A geometria territorial predominantemente referida como base para o estabelecimento de redes de interlocu&ccedil;&atilde;o reflete os dois &acirc;mbitos territoriais administrativos existentes: o espa&ccedil;o regional, coincidente com o territ&oacute;rio de atua&ccedil;&atilde;o das CCDR; e o espa&ccedil;o intermunicipal, coincidente com o territ&oacute;rio de atua&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas metropolitanas e das comunidades intermunicipais. Pese embora, nos seus conte&uacute;dos materiais de natureza t&eacute;cnica, os PROT apontem orienta&ccedil;&otilde;es e diretrizes para espa&ccedil;os de atua&ccedil;&atilde;o espec&iacute;ficos e diversos das circunscri&ccedil;&otilde;es administrativas (espa&ccedil;os problema, espa&ccedil;os funcionais, unidades territoriais, etc.), estas propostas n&atilde;o d&atilde;o origem a desenvolvimentos particulares no &acirc;mbito do sistema de governan&ccedil;a. Esta l&oacute;gica denota a forte conota&ccedil;&atilde;o da governan&ccedil;a territorial com os mecanismos institucionais e com os moldes formais de atua&ccedil;&atilde;o e uma menor ades&atilde;o a outros espa&ccedil;os de articula&ccedil;&atilde;o mais livre. As refer&ecirc;ncias a compromissos de gest&atilde;o territorial de &aacute;reas funcionais, parcerias para o desenvolvimento de projetos, constru&ccedil;&otilde;es de territ&oacute;rios de a&ccedil;&atilde;o durante e em fun&ccedil;&atilde;o do processo s&atilde;o ausentes ou abstratas.</p>     <p>Os fatores de gera&ccedil;&atilde;o de motiva&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o identificados nos PROT enquanto tal. Por isso, foram identificados a partir de uma interpreta&ccedil;&atilde;o das inten&ccedil;&otilde;es que perpassam os enquadramentos mais te&oacute;ricos e das propostas do SMAG. Consider&aacute;mos como refer&ecirc;ncias pass&iacute;veis de incluir neste dom&iacute;nio de an&aacute;lise as realiza&ccedil;&otilde;es que possam motivar os atores a interessar-se por ter um envolvimento no processo de governan&ccedil;a, desde a ideia de refor&ccedil;o do di&aacute;logo institucional, que referenciamos no PROT AML em vigor, &agrave;s men&ccedil;&otilde;es, algo vagas, de concerta&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica e de parceria estrat&eacute;gica enunciadas nos PROT OVT e AML-Altera&ccedil;&atilde;o, aos prop&oacute;sitos de defini&ccedil;&atilde;o de procedimentos comuns, trocas de experi&ecirc;ncias e divulga&ccedil;&atilde;o de boas pr&aacute;ticas, patentes nos PROT Centro e Alentejo, aos pactos territoriais/ agendas estrat&eacute;gicas do PROT Norte e aos mecanismos de decis&atilde;o partilhada no dom&iacute;nio do turismo do Algarve e OVT.</p>     <p>O dom&iacute;nio de an&aacute;lise da forma&ccedil;&atilde;o de valores comuns est&aacute; intrinsecamente ligado ao da gera&ccedil;&atilde;o de motiva&ccedil;&atilde;o, uma vez que s&oacute; pontualmente conseguimos referenciar processos de constru&ccedil;&atilde;o de valor p&uacute;blico em rede por meio de discuss&atilde;o e delibera&ccedil;&atilde;o, situa&ccedil;&atilde;o aplic&aacute;vel no caso do setor do turismo, nos PROT Algarve e OVT, este com menor express&atilde;o. Todavia, podemos considerar que existe uma forma&ccedil;&atilde;o de valores comuns em processos menos ambiciosos do ponto de vista te&oacute;rico mas de grande import&acirc;ncia na pr&aacute;tica, como a harmoniza&ccedil;&atilde;o de procedimentos e crit&eacute;rios t&eacute;cnicos, a forma&ccedil;&atilde;o de parcerias e redes e, no geral, o pr&oacute;prio processo de monitoriza&ccedil;&atilde;o, avalia&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o dos PROT na sua globalidade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A legitimidade da decis&atilde;o &eacute; um requisito central dos processos de governan&ccedil;a que poderia considerar-se neste contexto bastante relativizado, uma vez que predominam articula&ccedil;&otilde;es horizontais e verticais de &iacute;ndole institucional e que os pr&oacute;prios PROT remetem para a atua&ccedil;&otilde;es gizadas pelo quadro de compet&ecirc;ncias das entidades e pelo quadro legal aplic&aacute;vel, como est&aacute; patente no <a href ="/img/revistas/got/n5/n5a03t2.gif"> Quadro 2</a>. Todavia isto n&atilde;o quer dizer que n&atilde;o haja margem para decis&atilde;o e problemas de legitimidade e legitima&ccedil;&atilde;o da decis&atilde;o uma vez que a coordena&ccedil;&atilde;o territorial de pol&iacute;ticas setoriais e a interven&ccedil;&atilde;o concorrente da administra&ccedil;&atilde;o regional e das autarquias locais em mat&eacute;ria de ordenamento do territ&oacute;rio apresentam margens de decis&atilde;o muito amplas, com zonas de conflito e com necessidades de gest&atilde;o desse conflito. As redes previstas no &acirc;mbito do SMAG e a publicita&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o do processo de monitoriza&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o s&atilde;o procedimentos que visam assegurar a legitimidade e legitima&ccedil;&atilde;o da decis&atilde;o.</p>     
<p>A presta&ccedil;&atilde;o de contas &eacute; exercida, essencialmente, por via dos relat&oacute;rios de monitoriza&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o, onde prepondera a apresenta&ccedil;&atilde;o do sistema de indicadores e, em alguns casos, o relato do processo de implementa&ccedil;&atilde;o. Os relat&oacute;rios peri&oacute;dicos s&atilde;o bienais nos PROT, que prev&ecirc;em sistemas de &iacute;ndole funcional, e anuais nos demais, e na generalidade pretendem-se articulados com os do Observat&oacute;rio do Ordenamento do Territ&oacute;rio e do Urbanismo e contribuintes dos Relat&oacute;rios de Estado do Ordenamento do Territ&oacute;rio, ambos previstos no Regime Jur&iacute;dico mas ainda n&atilde;o operacionalizados.</p>     <p>No segundo semestre de 2013, o PROT Algarve tinha dispon&iacute;vel ao p&uacute;blico um relat&oacute;rio (datado de 2009), mas relativo apenas ao sistema de indicadores. O PROT-OVT tinha dispon&iacute;veis dois relat&oacute;rios (datados de 2011 e 2012) mais completos, apresentando o sistema de indicadores e tamb&eacute;m a monitoriza&ccedil;&atilde;o do programa de execu&ccedil;&atilde;o e o relato do pr&oacute;prio processo de gest&atilde;o do PROT no &acirc;mbito do SMAG, numa &oacute;tica de aprendizagem organizacional. Os relat&oacute;rios garantem as vertentes de publicita&ccedil;&atilde;o e transpar&ecirc;ncia da informa&ccedil;&atilde;o, sendo o escrut&iacute;nio e a responsabiliza&ccedil;&atilde;o, num primeiro n&iacute;vel, cometido &agrave;s comiss&otilde;es de acompanhamento (nos casos em que est&atilde;o previstas), que se pronunciam sobre os relat&oacute;rios, e a um segundo n&iacute;vel &agrave;s comunidades t&eacute;cnicas e cient&iacute;ficas e aos cidad&atilde;os em geral, a partir da sua disponibiliza&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica <i>on-line</i>.</p>     <p>A capacita&ccedil;&atilde;o e aprendizagem s&atilde;o tamb&eacute;m dom&iacute;nios de an&aacute;lise onde preponderam refer&ecirc;ncias difusas, n&atilde;o se traduzindo em concretiza&ccedil;&otilde;es detalhadas. Todavia, &eacute; ineg&aacute;vel que a constitui&ccedil;&atilde;o do sistema de informa&ccedil;&atilde;o e os estudos sobre as din&acirc;micas territoriais s&atilde;o a&ccedil;&otilde;es no dom&iacute;nio da capacita&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es e das comunidades que a estes acedem. E &eacute; tamb&eacute;m ineg&aacute;vel que as redes e esquemas de interlocu&ccedil;&atilde;o proporcionam aprendizagem organizacional.</p>     <p>A participa&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os &eacute; enunciada como uma componente importante da democracia participativa, mas a identifica&ccedil;&atilde;o de incentivos &agrave; participa&ccedil;&atilde;o e ao envolvimento dos cidad&atilde;os no escrut&iacute;nio da implementa&ccedil;&atilde;o do plano e do processo de governan&ccedil;a &eacute; incipiente. A participa&ccedil;&atilde;o &eacute; viabilizada pela disponibiliza&ccedil;&atilde;o de relat&oacute;rios de monitoriza&ccedil;&atilde;o, nos <i>sites</i> das CCDR, e pelos sistemas de indicadores, via observat&oacute;rios, sendo ex&iacute;gua a oferta de facilitadores adicionais, tais como, sum&aacute;rios executivos ou dispositivos tecnol&oacute;gicos facilitadores da intera&ccedil;&atilde;o (p.e. plataformas colaborativas) que melhorem a comunica&ccedil;&atilde;o a diferentes n&iacute;veis de compreens&atilde;o e interesse.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Vis&otilde;es dos atores</b></p>     <p>A identifica&ccedil;&atilde;o da vis&atilde;o dos atores resulta da leitura dos pareceres finais e das atas das comiss&atilde;o de acompanhamentos, sendo que esta linha da pesquisa n&atilde;o revelou material assinal&aacute;vel, n&atilde;o obstante a extensa dimens&atilde;o dos pareceres. Numa leitura geral constatamos apenas que no processo de elabora&ccedil;&atilde;o dos PROT as comiss&otilde;es de acompanhamento demonstraram uma aceita&ccedil;&atilde;o t&aacute;cita dos SMAG e registaram algumas preocupa&ccedil;&otilde;es, sobretudo ao n&iacute;vel da concretiza&ccedil;&atilde;o dos sistemas de governan&ccedil;a em medidas e a&ccedil;&otilde;es concretas a inscrever nos programas de execu&ccedil;&atilde;o e do envolvimento e participa&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es. Pode inferir-se, tamb&eacute;m, algum ceticismo sobre a efetiva operacionalidade dos SMAG na partilha de decis&otilde;es.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>4. Discuss&atilde;o e Conclus&otilde;es</b></p>     <p>A situa&ccedil;&atilde;o dos v&aacute;rios PROT &eacute; muito diferenciada em termos de tempo de aplica&ccedil;&atilde;o e de relato da experi&ecirc;ncia entretanto adquirida. O PROT AML, que foi o primeiro plano a ser elaborado na configura&ccedil;&atilde;o de instrumento de natureza estrat&eacute;gica, apresenta um conte&uacute;do menos desenvolvido e a estrutura nele prevista n&atilde;o foi operacionalizada. Os PROT Norte, Centro e AML-Altera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&atilde;o em vigor, n&atilde;o existindo, portanto, condi&ccedil;&otilde;es de avalia&ccedil;&atilde;o das virtualidades ou debilidades das estruturas previstas e dos resultados da sua operacionaliza&ccedil;&atilde;o. Os PROT Algarve, OVT e Alentejo, respetivamente em vigor desde 2007, 2009 e 2010, desenvolveram as mat&eacute;rias da governan&ccedil;a em moldes muito distintos e os dois primeiros apresentam j&aacute; relat&oacute;rios de monitoriza&ccedil;&atilde;o, o do Algarve focado no sistema de indicadores e o do OVT mais abrangente.</p>     <p>&Eacute; patente a exist&ecirc;ncia de um elevado grau de discrep&acirc;ncia entre os enunciados te&oacute;ricos constantes das normas orientadoras e mesmo dos pontos espec&iacute;ficos referentes ao SMAG e as concretiza&ccedil;&otilde;es. Os enunciados assumem um teor discursivo, declarando os princ&iacute;pios, as virtualidades e os objetivos da governan&ccedil;a territorial com um grau de abrang&ecirc;ncia vasto, mas as refer&ecirc;ncias a procedimentos e formas de atua&ccedil;&atilde;o, o envolvimento de atores e as compet&ecirc;ncias atribu&iacute;das s&atilde;o diminutos face &agrave;s expetativas geradas pelo discurso. Assim, no plano ret&oacute;rico enunciam-se instrumentos colaborativos, de debate, de concerta&ccedil;&atilde;o e de decis&atilde;o partilhada, envolvendo atores p&uacute;blicos e privados, mas na pr&aacute;tica n&atilde;o se identificam sedes, procedimentos e ferramentas para o realizar.</p>     <p>Como evid&ecirc;ncias concretas de decis&atilde;o partilhada, encontramos incumb&ecirc;ncias para o desenvolvimento de algumas componentes abertas do plano, para interpretar os seus conte&uacute;dos de natureza indicativa, para promover (propor) a adapta&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos espec&iacute;ficos, ou para concertar posi&ccedil;&otilde;es em dom&iacute;nios concretos, como &eacute; caso do turismo, onde se inscrevem a gest&atilde;o dos limiares de camas tur&iacute;sticas e as confer&ecirc;ncias relativas aos procedimentos concursais dos n&uacute;cleos de desenvolvimento tur&iacute;stico do Algarve e o reconhecimento do interesse regional dos n&uacute;cleos de desenvolvimento econ&oacute;mico associados a turismo e lazer do OVT. Esta dualidade entre a ambi&ccedil;&atilde;o e a concretiza&ccedil;&atilde;o &eacute; menos vis&iacute;vel nos PROT que optaram por uma perspetiva funcional e mais alinhada com as compet&ecirc;ncias das CCDR e seus &oacute;rg&atilde;os.</p>     <p>A an&aacute;lise realizada tornou evidente o interesse que a mat&eacute;ria da governan&ccedil;a territorial registou no contexto da elabora&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o dos PROT, denotando-se uma preocupa&ccedil;&atilde;o generalizada em atuar sobre a melhoria das condi&ccedil;&otilde;es do exerc&iacute;cio administrativo, sobretudo ao n&iacute;vel da coordena&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e dos instrumentos de planeamento no territ&oacute;rio regional e, em alguns casos mais restritos, de concertar interesses p&uacute;blicos e privados em torno de setores ou projetos espec&iacute;ficos.</p>     <p>Efetivamente a leitura conjunta dos dom&iacute;nios de an&aacute;lise relativos ao envolvimento de atores, ao tipo de interlocu&ccedil;&atilde;o e &agrave;s geometrias territoriais leva-nos a inferir que os sistemas de governan&ccedil;a dos PROT est&atilde;o mais preocupados em concretizar adequados n&iacute;veis de intera&ccedil;&atilde;o de planos e de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e de interlocu&ccedil;&atilde;o entre entidades administrativas do que em partir dessa realidade para outras formas mais inovadoras de governan&ccedil;a territorial. Esta conclus&atilde;o, na nossa perspetiva, n&atilde;o menoriza os sistemas previstos nos PROT, antes pelo contr&aacute;rio, consciencializa-nos de um problema da fun&ccedil;&atilde;o administrativa e da atividade de planeamento em particular, e apela &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o destes instrumentos de planeamento para melhorar as pr&aacute;ticas existentes.</p>     <p>A exiguidade da afirma&ccedil;&atilde;o de posi&ccedil;&otilde;es por parte do f&oacute;rum de atores que acompanhou a elabora&ccedil;&atilde;o dos PROT, face a um assunto que a todos eles diz respeito, leva-nos a inferir algumas explica&ccedil;&otilde;es cumulativas: a mais direta &eacute; a exist&ecirc;ncia de uma conson&acirc;ncia de pensamento com as abordagens do assunto apresentadas pelas CCDR, na linha de pensamento de que &ldquo;s&oacute; se critica quando se discorda&rdquo;; a segunda &eacute; a manifesta&ccedil;&atilde;o de um alheamento face a uma mat&eacute;ria que ainda &eacute; pouco apreendida e que est&aacute; muito mais alinhada com os discursos do que com as pr&aacute;ticas, segundo o pensamento de que &ldquo;se est&aacute; mencionado est&aacute; tratado&rdquo;; a terceira &eacute; a de que as preocupa&ccedil;&otilde;es de coordena&ccedil;&atilde;o, coopera&ccedil;&atilde;o e concerta&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas, atores e interesses s&atilde;o principalmente das CCDR e escapam, ainda, ao cerne das preocupa&ccedil;&otilde;es dos demais atores envolvidos, na linha de pensamento de que &ldquo;a coordena&ccedil;&atilde;o &eacute; um problema de quem coordena e n&atilde;o de quem tem de se coordenar&rdquo;.</p>     <p>As abordagens dos v&aacute;rios PROT, sendo diferenciadas, denotam, na nossa leitura de contexto, preocupa&ccedil;&otilde;es comuns das CCDR quanto &agrave; necessidade de refor&ccedil;o da governan&ccedil;a territorial, nuns casos impulsionando a a&ccedil;&atilde;o da estrutura formal de servi&ccedil;os e &oacute;rg&atilde;os constitu&iacute;dos, no sentido de dotar &ldquo;velhos servi&ccedil;os com novas condutas&rdquo; e noutros, promovendo a cria&ccedil;&atilde;o de estruturas novas, mais ou menos convencionais, no sentido de motivar &ldquo;novas estruturas para velhos trabalhos&rdquo;. N&atilde;o tivemos, nesta pesquisa, condi&ccedil;&otilde;es para avaliar a adequa&ccedil;&atilde;o das solu&ccedil;&otilde;es, nem tal se pretendia, mas apenas para registar as sintonias e diverg&ecirc;ncias dos entendimentos de partida, as formas alternativas de concretiza&ccedil;&atilde;o e alguns resultados demonstrados, considerando-se de interesse que a mesma seja continuada e desenvolvida.</p>     <p>A avalia&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas de governan&ccedil;a territorial preconizadas nos PROT enquadra-se nas preocupa&ccedil;&otilde;es mais gerais de avalia&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e &eacute; uma obriga&ccedil;&atilde;o da comunidade cient&iacute;fica e t&eacute;cnica que trabalha nas &aacute;reas do ordenamento do territ&oacute;rio, n&atilde;o s&oacute; numa perspetiva de gerar maior ader&ecirc;ncia dos discursos &agrave;s pr&aacute;ticas e de transformar o conhecimento te&oacute;rico em processos operativos, mas tamb&eacute;m numa perspetiva de contributo para a forma&ccedil;&atilde;o de uma cultura administrativa e c&iacute;vica mais s&oacute;lida no dom&iacute;nio das pol&iacute;ticas territoriais. Consideramos, ali&aacute;s, que linhas de investiga&ccedil;&atilde;o da governan&ccedil;a dos PROT s&atilde;o n&atilde;o s&oacute; de interesse e utilidade evidentes, como podem criar uma maior aproxima&ccedil;&atilde;o entre as CCDR e a comunidade acad&eacute;mica, fora dos esquemas tradicionais da consultoria pr&oacute;prios da elabora&ccedil;&atilde;o dos planos, com efeitos positivos na transforma&ccedil;&atilde;o do conhecimento nos dois sentidos.</p>     <p>Seja por necessidades espec&iacute;ficas ou por interesse mais geral, os PROT apresentam propostas de sistemas de governan&ccedil;a e esquemas de interlocu&ccedil;&atilde;o horizontal e vertical com significado no panorama da atividade administrativa de planeamento no dom&iacute;nio do ordenamento do territ&oacute;rio. Sendo evidente das infer&ecirc;ncias da an&aacute;lise efetuada que estes planos contribu&iacute;ram para o desenvolvimento de processos de governan&ccedil;a territorial promovidos pelas CCDR, n&atilde;o podemos concluir que as potencialidades destes planos estejam a ser plenamente aproveitadas. Independentemente da modalidade e do grau de operacionaliza&ccedil;&atilde;o destas estruturas justifica-se uma monitoriza&ccedil;&atilde;o orientada que contribua para um melhor conhecimento e aproveitamento das mesmas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Numa traject&oacute;ria de converg&ecirc;ncia &agrave; escala europeia e mundial os instrumentos de planeamento de natureza estrat&eacute;gica t&ecirc;m vindo a afirmar-se face aos instrumentos de planeamento de natureza regulamentar, como consequ&ecirc;ncia do maior alinhamento das pr&aacute;ticas de planeamento participativo, colaborativo e deliberativo com as necessidades de flexibilidade da resposta dos planos e dos processos de planeamento em contextos sociais de grande complexidade e mutabilidade e com a nova racionalidade de partilha do poder do Estado com outros atores, no quadro dos modelos pol&iacute;tico-institucionais contempor&acirc;neos.</p>     <p>Nesta linha de afirma&ccedil;&atilde;o dos instrumentos de planeamento estrat&eacute;gico colocam-se grandes desafios a uma organiza&ccedil;&atilde;o administrativa como a portuguesa, que tem ra&iacute;zes profundas no funcionamento hier&aacute;rquico e individualista das institui&ccedil;&otilde;es e no planeamento racional e regulamentar do uso do solo, sendo necess&aacute;rio percorrer um caminho de adapta&ccedil;&atilde;o das culturas institucionais e organizacionais que passa pela mobiliza&ccedil;&atilde;o e capacita&ccedil;&atilde;o dos atores envolvidos e pela afirma&ccedil;&atilde;o de protagonistas, sob a forma de institui&ccedil;&otilde;es e instrumentos, que enquadrem, promovam e dinamizem processos de transforma&ccedil;&atilde;o, assegurando a manuten&ccedil;&atilde;o dos referenciais fundamentais da ac&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. &Eacute; neste quadro que os PROT devem ser pensados e conduzidos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5. Refer&ecirc;ncias</b></p>     <p>Bovens, M. (2007). &ldquo;New forms of accountability and EU-Governance&rdquo;. Comparative European Politics 5: 104-120.</p>     <p>Carmo, F. (2013). Planos Regionais de Ordenamento do Territ&oacute;rio e Governan&ccedil;a Territorial: uma oportunidade para as Comiss&otilde;es de Coordena&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Regional. 1st International Meeting: Geografia &amp; Pol&iacute;tica, Politicas e Planeamento. Jos&eacute; Rio Fernandes <i>et. al.</i> (org). Porto, CEGOT: 252-265.</p>     <p>Carmo, F. <i>et. al.</i> (2012). Novas Experi&ecirc;ncias de Governan&ccedil;a no Planeamento Regional: O Caso do Plano Regional de Ordenamento do Oeste e Vale do Tejo. Atas do XIII Col&oacute;quio Ib&eacute;rico de Geografia - Respuestas de la Geograf&iacute;a Ib&eacute;rica a la crisis actual. Dominic Roy&eacute; <i>et. al.</i> (coord). Santiago Compostela, Meubook: 237-248.</p>     <p>Chamusca, P. (2013). &ldquo;Novos desafios e objetivos de governa&ccedil;&atilde;o territorial: discutindo a reorganiza&ccedil;&atilde;o do Estado e a concetualiza&ccedil;&atilde;o da governan&ccedil;a como modelo de gest&atilde;o dos territ&oacute;rios&rdquo;. GOT 4 - Revista de Geografia e Ordenamento do Territ&oacute;rio: 31-55.</p>     <p>Davoudi, S. <i>et. al.</i> (2008). &ldquo;Territorial governance in the making. Approaches, methodologies, practices&rdquo;, Bolet&iacute;n de la A.G.E, 46: 33-52.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>ESPON, (2006). Governance of Territorial and Urban Policies from the EU to the Local Level, final report ESPON-Projet 2.3.2. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.espon.eu"target="_blank">www.espon.eu</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S2182-1267201400010000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Ferr&atilde;o, J. (2013). Governan&ccedil;a, Governo e Ordenamento do Territ&oacute;rio em Contextos Metropolitanos. Metropoliza&ccedil;&atilde;o do Espa&ccedil;o: Gest&atilde;o Territorial e Rela&ccedil;&otilde;es Urbano-Rurais. &Aacute;lvaro Ferreira <i>et. al.</i> (org). Rio de Janeiro, Consequ&ecirc;ncia: 255-281.</p>     <!-- ref --><p>Ferr&atilde;o, J. (2011). O Ordenamento do Territ&oacute;rio como Pol&iacute;tica P&uacute;blica. Lisboa, Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S2182-1267201400010000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ferreira, A. F. (2007). Gest&atilde;o Estrat&eacute;gica de Cidades e Regi&otilde;es. Lisboa, Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000157&pid=S2182-1267201400010000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Kirlin, J. J. (1996). &ldquo;The big questions of public administration in a democracy&rdquo;. Public Administration Review. 56 (5): 416-423.</p>     <p>Marques, T. S. (2008). Planos regionais de ordenamento do territ&oacute;rio: um balan&ccedil;o preliminar. Atas do encontro anual da <i>Ad Urbem</i> - Os Dez Anos da Lei de Bases da Politica de Ordenamento do Territ&oacute;rio e de Urbanismo. G&eacute;nese e Evolu&ccedil;&atilde;o do sistema de Gest&atilde;o Territorial 1998-2008. Fernando Gon&ccedil;alves et. al. (ccord): 187-197.</p>     <p>Pereira, M.; D. Gil (2011). O ordenamento do territ&oacute;rio e o desenvolvimento regional: os planos regionais como plataforma de converg&ecirc;ncia?. Casos de desenvolvimento regional. Rui Baleiras (coord.). Cascais, Princ&iacute;pia: 253-266.</p>     <p>Stocker, G. (2008). Gest&atilde;o do valor p&uacute;blico. A administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica orientada pela miss&atilde;o?. Estado, Sociedade Civil e Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica. Para um novo paradigma do servi&ccedil;o p&uacute;blico. J. M. Moreira <i>et. al.</i> (coord). Coimbra, Almedina: 25-44.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> PROT Norte (proposta 07/2009); PROT Centro (proposta 09/2010); PROT OVT (RCM 64-A/2009, 06/08); PROT AML (RCM 60/2002, 08/04); PROT AML (proposta altera&ccedil;&atilde;o, 11/2010); PROT Alentejo (RCM 53/2010, 02/08); PROT Algarve (RCM 102/2007, de 03/08)</p>      ]]></body>
</article>
