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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Áreas para o acolhimento das actividades empresariais no Algarve: Estratégias e instrumentos de gestão territorial]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Economic development areas in Algarve: the efficacy of the strategies of territorial planning instruments or the maintenance of previous logics]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article looks into the contents of strategic documents for the Region of the Algarve, the orientations given by the supra-municipal plans and the way these orientations are reflected into the territorial planning instruments in terms of the implementation of economic development areas. After two decades since the Regional Plan (PROT) was issued, the succeeding municipal master plans and the revision of the PROT, the article aims to characterise the contents of the regional strategies and to evaluate the efficacy of the territorial planning instruments expressing these strategies. The analysis suggests that vague and inadequate assertive strategic objectives still persist based on superficial diagnosis. Thus, territorial planning instruments are not based on concerted strategies. Yet, models for the implementation and functioning of economic development areas do exist, resulting from isolated initiatives, which can be seen as success stories to be adopted by public and private entities, in more dynamic or peripheral territories.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Áreas de acolhimento empresarial]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>&Aacute;reas para o acolhimento das actividades empresariais no Algarve. Estrat&eacute;gias e instrumentos de gest&atilde;o territorial</b></p>     <p><b>Economic development areas in Algarve: the efficacy of the strategies of territorial planning instruments or the maintenance of previous logics. </b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Domingues, Alexandre<sup>1</sup>, Cabral, Jo&atilde;o<sup>2</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>CCDR - ALG; <a href="mailto:adomingues@ccdr-alg.pt">adomingues@ccdr-alg.pt</a></p>     <p><sup>2</sup>FAUL / CIAUD; <a href="mailto:jcabral@fa.ulisboa.pt">jcabral@fa.ulisboa.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O artigo analisa os conte&uacute;dos dos documentos estrat&eacute;gicos para a Regi&atilde;o do Algarve, as orienta&ccedil;&otilde;es fornecidas pelos planos de escala supra-municipal e a transposi&ccedil;&atilde;o destas para os instrumentos de gest&atilde;o territorial, no que respeita &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas para o acolhimento empresarial. Decorridas j&aacute; duas d&eacute;cadas sobre a entrada em vigor do Plano Regional de Ordenamento do Territ&oacute;rio (PROT), os subsequentes planos directores municipais e a revis&atilde;o do PROT, procura-se caracterizar o conte&uacute;do das estrat&eacute;gias regionais e avaliar a efic&aacute;cia dos instrumentos de gest&atilde;o territorial que lhes dariam express&atilde;o. A an&aacute;lise efectuada permite adiantar que persistem quadros estrat&eacute;gicos vagos e pouco assertivos, frequentemente fundados em diagn&oacute;sticos superficiais, que os instrumentos de gest&atilde;o territorial n&atilde;o t&ecirc;m, regra geral, veiculado qualquer estrat&eacute;gia concertada, mas tamb&eacute;m que existem &ldquo;modelos&rdquo; de implementa&ccedil;&atilde;o e de funcionamento de &aacute;reas de acolhimento empresarial, fruto de iniciativas isoladas, que se apresentam como casos de sucesso e de recomend&aacute;vel adop&ccedil;&atilde;o, para as entidades p&uacute;blicas ou privadas, em territ&oacute;rios mais din&acirc;micos ou mais perif&eacute;ricos.</p>     <p><b>Palavras-Chave</b><b>: </b>&Aacute;reas de acolhimento empresarial; ordenamento do territ&oacute;rio; espa&ccedil;os industriais; desenvolvimento regional; Algarve</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The article looks into the contents of strategic documents for the Region of the Algarve, the orientations given by the supra-municipal plans and the way these orientations are reflected into the territorial planning instruments in terms of the implementation of economic development areas. After two decades since the Regional Plan (PROT) was issued, the succeeding municipal master plans and the revision of the PROT, the article aims to characterise the contents of the regional strategies and to evaluate the efficacy of the territorial planning instruments expressing these strategies. The analysis suggests that vague and inadequate assertive strategic objectives still persist based on superficial diagnosis. Thus, territorial planning instruments are not based on concerted strategies. Yet, models for the implementation and functioning of economic development areas do exist, resulting from isolated initiatives, which can be seen as success stories to be adopted by public and private entities, in more dynamic or peripheral territories.</p>     <p><b>Keywords</b><b>: </b>Economic development areas; territorial planning; industrial spaces; regional development; Algarve.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Passados mais de 20 anos desde a entrada em vigor do Plano Regional de Ordenamento do Territ&oacute;rio do Algarve (PROT 1991), e quase outros tantos desde a publica&ccedil;&atilde;o da grande maioria dos planos directores municipais (PDM) dos 16 munic&iacute;pios da Regi&atilde;o, considerou-se pertinente analisar os conte&uacute;dos e as directrizes dos documentos estrat&eacute;gicos, e as orienta&ccedil;&otilde;es emanadas dos planos de escala supra-municipal, assim como as interpreta&ccedil;&otilde;es e as transposi&ccedil;&otilde;es que delas fizeram os instrumentos de gest&atilde;o territorial (IGT) em mat&eacute;ria de implementa&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas para o acolhimento de actividades empresariais. Estas &aacute;reas correspondem aos espa&ccedil;os definidos nos instrumentos de gest&atilde;o territorial (sobretudo nos PDM) expressamente para a instala&ccedil;&atilde;o de unidades industriais, grandes estabelecimentos comerciais, operadores log&iacute;sticos e servi&ccedil;os relacionados com as actividades produtivas.</p>     <p>A pouca clareza e assertividade dos documentos orientadores para aquelas actividades, que contribuiu em grande medida para uma actua&ccedil;&atilde;o dos munic&iacute;pios pautada pela inconsist&ecirc;ncia, incoer&ecirc;ncia e aus&ecirc;ncia de articula&ccedil;&atilde;o num plano regional (que as actividades empresariais exigem) teve, e tem, como resultado no territ&oacute;rio e no sector empresarial, uma efic&aacute;cia muito aqu&eacute;m da visada pelos postulados enunciados pelas estrat&eacute;gias. Todavia, h&aacute; casos (poucos) de sucesso, com reconhecimento fora da Regi&atilde;o, fruto de iniciativas isoladas (p&uacute;blicas e privadas), que se configuram como &ldquo;modelos&rdquo; adopt&aacute;veis a outros contextos territoriais, mais ou menos din&acirc;micos ou perif&eacute;ricos.</p>     <p>Um primeiro esfor&ccedil;o de monitoriza&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas empresariais no Algarve teve in&iacute;cio em 2009. A CCDR Algarve disponibilizou a plataforma <a href="http://www.algarveacolhe.com"target="_blank">www.algarveacolhe.com</a>, para divulgar junto de potenciais investidores na Regi&atilde;o a oferta de terrenos e instala&ccedil;&otilde;es, para venda ou aluguer, nos espa&ccedil;os definidos pelos IGT da Regi&atilde;o do Algarve para usos empresariais. Pretendeu-se colmatar a aus&ecirc;ncia de informa&ccedil;&atilde;o sobre a oferta regional para fins empresariais, inibidora da concretiza&ccedil;&atilde;o das inten&ccedil;&otilde;es descritas nos documentos estrat&eacute;gicos para a Regi&atilde;o, que referem a necessidade de diversificar a base econ&oacute;mica, demasiadamente assente na constru&ccedil;&atilde;o / imobili&aacute;ria / turismo.</p>     <p>Este projecto permitiu estruturar os elementos essenciais para efectuar uma an&aacute;lise em duas vertentes: <i>i)</i> conhecer, em termos quantitativos e qualitativos, o tecido empresarial da Regi&atilde;o; e <i>ii)</i> observando a din&acirc;mica de instala&ccedil;&atilde;o das empresas, avaliar a ader&ecirc;ncia aos objectivos tra&ccedil;ados nos documentos da estrat&eacute;gia de desenvolvimento regional veiculados pelos IGT. Parte-se da tese de que os objectivos do PROT 91 (DR n.&ordm; 11/91, de 21 de Mar&ccedil;o) quanto &agrave; dinamiza&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento de um sector produtivo regional forte e inovador, n&atilde;o foram ainda alcan&ccedil;ados. Constata-se tamb&eacute;m que os IGT em vigor, que supostamente traduziriam as orienta&ccedil;&otilde;es da estrat&eacute;gia regional, n&atilde;o foram eficazes na implementa&ccedil;&atilde;o das inten&ccedil;&otilde;es que tinham subjacentes quanto &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o e localiza&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas para fins empresariais. Por&eacute;m, &eacute; incorrecto inferir que a responsabilidade caber&aacute; apenas aos IGT, por n&atilde;o terem &ldquo;cumprido&rdquo; as orienta&ccedil;&otilde;es dos documentos estrat&eacute;gicos ou dos planos supramunicipais ou regionais. Como se tentar&aacute; demonstrar, n&atilde;o s&oacute; os IGT (administra&ccedil;&atilde;o local) pouco atenderam aos respectivos enquadramentos regionais (ou mesmo sub-regionais), como tamb&eacute;m as pr&oacute;prias estrat&eacute;gias n&atilde;o continham linhas program&aacute;ticas e de operacionaliza&ccedil;&atilde;o e, sobretudo, n&atilde;o avaliaram as estrat&eacute;gias anteriores. Ou seja, no caso em an&aacute;lise, os enquadramentos estrat&eacute;gicos que se v&ecirc;m sobrepondo partem, persistentemente, de uma aus&ecirc;ncia de avalia&ccedil;&atilde;o da implementa&ccedil;&atilde;o das estrat&eacute;gias anteriores.</p>     <p>As relativas incoer&ecirc;ncias do processo de planeamento como instrumento de ordenamento do territ&oacute;rio eficaz t&ecirc;m sido identificadas e debatidas por v&aacute;rios autores sob diferentes perspectivas (sobre a avalia&ccedil;&atilde;o do interesse p&uacute;blico na ocupa&ccedil;&atilde;o e uso do solo ver Needham, 2006). A evid&ecirc;ncia resultante desta reflex&atilde;o e da an&aacute;lise de diversos casos de estudo tem demonstrado que as din&acirc;micas de uso e transforma&ccedil;&atilde;o do solo s&atilde;o relativamente aut&oacute;nomas na resposta a din&acirc;micas locais e de mercado, n&atilde;o sendo consent&acirc;neas, por um lado, com vis&otilde;es positivistas do planeamento associadas a padr&otilde;es de zonamento r&iacute;gidos e, por outro lado, com a diversidade de agendas dos diferentes n&iacute;veis e tutelas da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. (ver, por exemplo, Portas et al, 2003 e 2011; Cabral e Crespo, 2010). Neste artigo pretende-se apenas apresentar um exemplo concreto de um dom&iacute;nio &ndash; o zonamento e a programa&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas para actividades empresariais &ndash; que n&atilde;o tem a montante uma pr&aacute;tica consistente de avalia&ccedil;&otilde;es e um acervo suficiente de estudos de caso.</p>     <p>Lu&iacute;s B. Soares (2004, pp. 96), reconhece que a &ldquo;<i>generaliza&ccedil;&atilde;o dos PDM veio refor&ccedil;ar as compet&ecirc;ncias e a &lsquo;autonomia&rsquo; da gest&atilde;o aut&aacute;rquica no respeitante ao ordenamento do territ&oacute;rio municipal, mas, ao mesmo tempo</i>&rdquo; instalar &ldquo;<i>uma vis&atilde;o fragmentada e localista dos problemas territoriais e da sua resolu&ccedil;&atilde;o</i>&rdquo;, e considera que tal ter&aacute; sido acentuado &ldquo;<i>pela aus&ecirc;ncia de pol&iacute;ticas e de instrumentos de ordenamento do territ&oacute;rio de escala supramunicipal</i>&rdquo;. Ou seja, teriam faltado &ldquo;<i>pol&iacute;ticas de enquadramento</i>&rdquo; e prevalecido &ldquo;<i>a total incapacidade de produzir instrumentos de coordena&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o territorial dos planos municipais</i>&rdquo; (Soares, 2004, pp. 96). Por&eacute;m, como se tentar&aacute; demonstrar, a &ldquo;<i>interven&ccedil;&atilde;o descoordenada, casu&iacute;stica e sem orienta&ccedil;&otilde;es consistentes</i>&rdquo; que &ldquo;<i>teve, muitas vezes, efeitos directos na incoer&ecirc;ncia e posterior falta de aplicabilidade dos planos</i>&rdquo; imperou mesmo com o enquadramento de um PROT: o PROT Algarve (1991), anterior a qualquer um dos 16 PDM. N&atilde;o ser&aacute;, ent&atilde;o, apenas um problema de aus&ecirc;ncia de quadro de refer&ecirc;ncia estrat&eacute;gico, integrador e de escala regional, mas sim um problema com, pelo menos, duas vertentes: <i>i</i>) a clareza e assertividade desse e de posteriores quadros orientadores, para o tema que o presente artigo aborda: as &aacute;reas para as actividades empresariais; e <i>ii</i>) uma das &ldquo;<i>condicionantes de fundo</i>&rdquo; do &ldquo;<i>debate sobre a pol&iacute;tica regional para o pa&iacute;s</i>&rdquo; reside nas &ldquo;<i>pr&aacute;ticas dos distintos actores locais e regionais, e a sua disposi&ccedil;&atilde;o e capacidade para se pensarem colectivamente em fun&ccedil;&atilde;o de um projecto territorial comum</i>&rdquo; (Ferr&atilde;o, 2004, pp. 74).</p>     <p>A desarticula&ccedil;&atilde;o e a descoordena&ccedil;&atilde;o est&atilde;o presentes em dois momentos: <i>i</i>) na gera&ccedil;&atilde;o inicial de planos supramunicipais e regionais, entre entidades e organismos da administra&ccedil;&atilde;o central e central desconcentrada; <i>ii</i>) na seguinte gera&ccedil;&atilde;o desses planos nos quais as entidades da administra&ccedil;&atilde;o local foram chamadas, sen&atilde;o a uma elabora&ccedil;&atilde;o conjunta, pelo menos &agrave; concerta&ccedil;&atilde;o, prevista pela Lei de Bases da Pol&iacute;tica de Ordenamento do Territ&oacute;rio e Urbanismo, LBPOTU (Lei n.&ordm; 48/98, de 11 de Agosto; e DL n.&ordm; 380/99, de 22 de Setembro). Assim, n&atilde;o &eacute; apenas, numa primeira fase, uma desarticula&ccedil;&atilde;o entre conceptualizadores e executores (dois n&iacute;veis distintos), mas tamb&eacute;m a posterior extens&atilde;o dessa desarticula&ccedil;&atilde;o para um quadro de responsabilidades comuns e partilhadas por aqueles dois conjuntos de agentes. O artigo reporta somente &agrave; componente actividades empresariais e &agrave; sua territorializa&ccedil;&atilde;o mas, eventuais an&aacute;lises sobre outras actividades do &ldquo;projecto territorial comum&rdquo; &ndash; turismo, rede urbana e equipamentos, as actividades agr&iacute;colas, etc. &ndash; apresentariam muito certamente os mesmos resultados.</p>     <p>Houve leg&iacute;timas expectativas de que, feito o balan&ccedil;o em mat&eacute;ria da avalia&ccedil;&atilde;o dos PDM e da articula&ccedil;&atilde;o entre os n&iacute;veis da administra&ccedil;&atilde;o, suprimidos ou corrigidos os constrangimentos e aspectos cr&iacute;ticos, melhoradas as componentes instrumentais (cartografia, recursos humanos, etc.) e, sobretudo, com a nova l&oacute;gica de abordagem das quest&otilde;es do territ&oacute;rio veiculadas pela LBPOTU, poderiam vir a ter lugar mudan&ccedil;as no planeamento e gest&atilde;o das transforma&ccedil;&otilde;es do territ&oacute;rio. A LBPOTU redefiniu a atribui&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias e responsabilidades na gest&atilde;o territorial (pelas escalas central, regional e local), e partiu de um optimismo no qual estavam criadas as condi&ccedil;&otilde;es para a melhor articula&ccedil;&atilde;o entre as estrat&eacute;gias, a montante, e o exerc&iacute;cio do planeamento, a jusante. Estariam assim melhoradas as condi&ccedil;&otilde;es para uma &ldquo;<i>cultura de reflexividade, concerta&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica e coopera&ccedil;&atilde;o de base territorial</i>&rdquo; (Ferr&atilde;o, 2004, pp. 74).</p>     <p>A Revis&atilde;o do PROT (2007) &eacute; elaborada neste quadro. Os planos da compet&ecirc;ncia da administra&ccedil;&atilde;o central t&ecirc;m um car&aacute;cter essencialmente estrat&eacute;gico, cabendo aos munic&iacute;pios, em sede de plano director, definirem a estrat&eacute;gia de desenvolvimento municipal e o modelo de ordenamento territorial. Como se tentar&aacute; demonstrar, a estrat&eacute;gia veiculada pela Revis&atilde;o do PROT, em mat&eacute;ria da programa&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas de acolhimento empresarial &eacute; vaga, ainda mais do que o documento estrat&eacute;gico que lhe esteve subjacente (EDA 2007-2013), para al&eacute;m de que o Observat&oacute;rio criado para a monitoriza&ccedil;&atilde;o da implementa&ccedil;&atilde;o do PROT n&atilde;o contempla, como havia sucedido com o PROT 1991, as &aacute;reas de acolhimento empresarial. Assim, contrariando o quadro optimista que conferia &ldquo;<i>maior import&acirc;ncia &agrave;s vis&otilde;es estrat&eacute;gicas e aos processos de formula&ccedil;&atilde;o, execu&ccedil;&atilde;o, acompanhamento e avalia&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas&hellip;</i>&rdquo; (Ferr&atilde;o, 2004, pp. 75), no qual as CCDR poderiam n&atilde;o apenas desempenhar um papel como &ldquo;<i>gestor estrat&eacute;gico do desenvolvimento territorial</i>&rdquo;, mas tamb&eacute;m &ldquo;<i>corrigir os erros do passado</i>&rdquo; e &ldquo;<i>promover novas formas de rela&ccedil;&atilde;o institucional entre departamentos da administra&ccedil;&atilde;o central e entre estas e as autarquias</i>&rdquo; (Soares, 2004), verificou-se que, pelo menos no Algarve, a oportunidade n&atilde;o foi aproveitada, e o papel n&atilde;o foi cumprido.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A express&atilde;o territorial e, assim, a relativa efic&aacute;cia das estrat&eacute;gias delineadas e dos instrumentos para a sua operacionaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; vis&iacute;vel sob as mais diversas formas. A olho nu, ao percorrer o principal eixo vi&aacute;rio da Regi&atilde;o &ndash; a EN/ER 125 &ndash;, torna-se evidente. Por um lado, a impar&aacute;vel ocupa&ccedil;&atilde;o da envolvente daquele eixo por pequenas e m&eacute;dias ind&uacute;strias, pequeno e grande com&eacute;rcio, oficinas e servi&ccedil;os, quando os IGT definem outros usos para a grande maioria dos terrenos ocupados por aquelas actividades. Por outro lado, estando os PDM em vigor h&aacute; j&aacute; 15-20 anos, esperar-se-ia que, sobretudo ao longo do mesmo eixo, houvesse no terreno uma express&atilde;o do uso que o plano define, uma transposi&ccedil;&atilde;o para o terreno das suas inten&ccedil;&otilde;es. No entanto, observam-se ocupa&ccedil;&otilde;es id&ecirc;nticas em ambos os lados do eixo &ndash; prolifera&ccedil;&atilde;o de estabelecimentos &ndash;, quando o plano define usos distintos para cada um dos lados do eixo. Duas d&eacute;cadas decorridas sobre a vig&ecirc;ncia dos PDM, seria j&aacute; tempo de se ter no terreno a correspondente dos usos que constam nas plantas de ordenamento dos planos.</p>     <p>Esta quest&atilde;o orienta a investiga&ccedil;&atilde;o para outro n&iacute;vel de interroga&ccedil;&otilde;es que o artigo procurar&aacute; enquadrar. Ser&aacute; que a distribui&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas para o acolhimento de actividades empresariais e a sua programa&ccedil;&atilde;o/execu&ccedil;&atilde;o decorre da transposi&ccedil;&atilde;o para os PDM de uma estrat&eacute;gia desadequada? Porque &eacute; que os PDM n&atilde;o conseguiram romper com l&oacute;gicas de localiza&ccedil;&atilde;o anteriores &ndash; isentas do exerc&iacute;cio de planeamento e ordenamento &ndash; que privilegiaram as localiza&ccedil;&otilde;es &ldquo;naturais&rdquo; definidas por factores como, em regra, a proximidade aos principais eixos e n&oacute;s vi&aacute;rios? Ser&aacute; que os PDM assumiram diagn&oacute;sticos superficiais, ou errados, e n&atilde;o incorporaram evid&ecirc;ncias, n&atilde;o previram tend&ecirc;ncias e n&atilde;o entenderam as l&oacute;gicas de localiza&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas empresariais? Para tais quest&otilde;es, e para se entender o generalizado insucesso das orienta&ccedil;&otilde;es em mat&eacute;ria de &aacute;reas empresariais, as respostas, mesmo que parciais, s&atilde;o afirmativas.</p>     <p>Por esse motivo, s&atilde;o utilizadas express&otilde;es como &ldquo;relativa efic&aacute;cia&rdquo; ou &ldquo;relativo insucesso&rdquo;. H&aacute;, por&eacute;m, exemplos bem-sucedidos de como a estrat&eacute;gia definida no PDM, suportada por uma vontade pol&iacute;tica forte e por uma eficiente programa&ccedil;&atilde;o e afecta&ccedil;&atilde;o de meios, est&aacute; a ter resultados e a cumprir os objectivos referidos nas estrat&eacute;gias regionais e nos IGT. Identificar-se-&atilde;o exemplos e concluir-se-&aacute; com um dos objectivos fundamentais da ideia subjacente &agrave; plataforma <a href="http://www.algarveacolhe.com"target="_blank">www.algarveacolhe.com</a>: a identifica&ccedil;&atilde;o de bons exemplos de &aacute;reas de acolhimento empresarial que se podem constituir como modelos a seguir em sede de revis&atilde;o dos PDM.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Os espa&ccedil;os para o acolhimento empresarial nos documentos estrat&eacute;gicos e nos IGT</b></p>     <p>Ao longo do artigo ser&atilde;o utilizadas express&otilde;es com significados semelhantes mas que se reportam a realidades diferentes. Para melhor se compreender o conte&uacute;do e o contexto em que express&otilde;es como <i>&aacute;reas de acolhimento empresarial</i> (ou <i>&aacute;rea para o acolhimento de actividades empresariais</i>) e <i>espa&ccedil;os para o acolhimento de actividades empresariais</i> s&atilde;o utilizadas, entende-se por conveniente uma pr&eacute;via clarifica&ccedil;&atilde;o. A primeira reporta-se a uma concentra&ccedil;&atilde;o de empresas e de actividades (em parcelas ou lotes), e de instala&ccedil;&otilde;es livres (para venda e ou aluguer). Estas aglomera&ccedil;&otilde;es de empresas, actividades e superf&iacute;cies/instala&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis apresentam as mais diferentes formas e g&eacute;neses e os mais diversos graus de programa&ccedil;&atilde;o, ocupa&ccedil;&atilde;o e de compacta&ccedil;&atilde;o. Entende-se por <i>espa&ccedil;os para o acolhimento de actividades empresariais</i> aqueles que foram inscritos nos planos municipais de ordenamento do territ&oacute;rio (PMOT) para a circunscri&ccedil;&atilde;o das <i>&aacute;reas de acolhimento empresarial</i>. Estes espa&ccedil;os s&atilde;o bastante heterog&eacute;neos, compreendendo um vasto leque de ocupa&ccedil;&otilde;es e de usos. Embora os PDM os tenham circunscrito para fins industriais e empresariais, em alguns casos j&aacute; existentes &agrave; data da sua elabora&ccedil;&atilde;o e publica&ccedil;&atilde;o, em muitos deles persistem as ocupa&ccedil;&otilde;es e usos anteriores &ndash; habita&ccedil;&atilde;o, agricultura, etc.</p>     <p>Como se depreende, existem <i>espa&ccedil;os</i> sem <i>&aacute;reas</i> e <i>&aacute;reas</i> fora de <i>espa&ccedil;os</i>. Neste artigo ser&atilde;o abordadas as din&acirc;micas ocorridas nos <i>espa&ccedil;os</i> e respectivas <i>&aacute;reas</i>, essencialmente porque &eacute; para esses espa&ccedil;os que, por imperativos do ordenamento do territ&oacute;rio, se dever&atilde;o transpor e materializar as estrat&eacute;gias de desenvolvimento. Serve tamb&eacute;m esta clarifica&ccedil;&atilde;o para afastar qualquer eventual interpreta&ccedil;&atilde;o daquelas duas terminologias como transposi&ccedil;&otilde;es de uma figura legalmente criada com a designa&ccedil;&atilde;o de &Aacute;rea de Localiza&ccedil;&atilde;o Empresarial (ALE), criada e definida pelo DL n&ordm; 46/2001, de 10 de Fevereiro. N&atilde;o existe no Algarve nenhuma &aacute;rea enquadr&aacute;vel nesta figura, embora duas &aacute;reas, referidas mais adiante, apresentem alguns dos seus aspectos distintivos.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1">     <p><img src="/img/revistas/got/n5/n5a04f1.gif"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>2.1. O Plano Regional de Ordenamento do Territ&oacute;rio do Algarve (1991)</b></p>     <p>O PROT Algarve (1991) continha muito poucas orienta&ccedil;&otilde;es, e muito gen&eacute;ricas, sobre as &aacute;reas de acolhimento empresarial. Para a quest&atilde;o das &aacute;reas empresariais limitou-se a identificar &ldquo;<i>&aacute;reas alternativas de concentra&ccedil;&atilde;o industrial</i>&rdquo; e a sugerir a sua localiza&ccedil;&atilde;o na envolvente de 4 aglomerados: Tunes, Faro, Loul&eacute; e Castro Marim. O plano sugeria as 4 novas &aacute;reas de escala sub-regional (as existentes estariam saturadas?), adiantava par&acirc;metros gen&eacute;ricos (dimens&atilde;o, dist&acirc;ncia ao aglomerado mais pr&oacute;ximo, etc.), e recomendava o fomento de uma rede de pequenas &aacute;reas, de &acirc;mbito local.</p>     <p>Este plano revelou-se pouco assertivo quanto a orienta&ccedil;&otilde;es para as &aacute;reas de acolhimento empresarial, e delegou a mat&eacute;ria nos PDM. N&atilde;o teria sido precoce a refer&ecirc;ncia &agrave; diversifica&ccedil;&atilde;o do tecido produtivo regional, como posteriores documentos estrat&eacute;gicos a fizeram. &Agrave; &eacute;poca (1991), as preocupa&ccedil;&otilde;es eram o ordenamento e a conten&ccedil;&atilde;o da expans&atilde;o urbana, o esfor&ccedil;o de impedir a descaracteriza&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica da Regi&atilde;o, a salvaguarda dos atractivos e das potencialidades tur&iacute;sticas e a protec&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os naturais, amea&ccedil;ados por duas d&eacute;cadas de intensa constru&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, este plano n&atilde;o tinha associado um programa de execu&ccedil;&atilde;o que identificasse os dom&iacute;nios de actua&ccedil;&atilde;o, as ac&ccedil;&otilde;es/projectos a desenvolver, uma estimativa dos montantes financeiros necess&aacute;rios, a defini&ccedil;&atilde;o de prioridades e as fontes de financiamento.</p>     <p>A irrelev&acirc;ncia dada pelo PROT 1991 &agrave; quest&atilde;o do acolhimento empresarial ficou evidente no Estudo de Avalia&ccedil;&atilde;o do PROT Algarve 1989/1996 (CEDRU, 2000). Reportando-se aos primeiros 5 anos de vig&ecirc;ncia do PROT, o estudo aborda uma s&eacute;rie de dom&iacute;nios &ndash; demografia, sistema urbano, infraestrutura&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio, etc. &ndash; com algum pormenor mas, em mat&eacute;ria de &aacute;reas empresariais, a abordagem &eacute; muito sum&aacute;ria: constata-se a perda de popula&ccedil;&atilde;o activa na ind&uacute;stria; e afirma-se n&atilde;o terem sido &ldquo;&hellip; <i>cartografadas &aacute;reas industriais concretas mas apenas concentra&ccedil;&otilde;es industriais&hellip;</i>&rdquo; (CEDRU, 2000, pp.9). A avalia&ccedil;&atilde;o aborda a transposi&ccedil;&atilde;o das orienta&ccedil;&otilde;es do PROT para os PDM quanto ao zonamento e cria&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas de &acirc;mbito local/municipal mas, contrariamente a outras din&acirc;micas abordadas (por amostragem), n&atilde;o se debru&ccedil;a sobre a programa&ccedil;&atilde;o, a emiss&atilde;o de alvar&aacute;s, a infraestrutura&ccedil;&atilde;o, a instala&ccedil;&atilde;o de empresas e a ocupa&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas empresariais. Destaque-se ainda a opini&atilde;o dos autarcas quanto aos &ldquo;<i>efeitos gerados pelo PROT Algarve 1991&rdquo;</i> no dom&iacute;nio &ldquo;<i>actividade industrial</i>&rdquo;: um autarca n&atilde;o respondeu; onze consideraram os efeitos &ldquo;<i>nulos</i>&rdquo;; e os restantes quatro consideraram os efeitos &ldquo;<i>positivos mas reduzidos</i>&rdquo; (CEDRU, 2000, pp. 153).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2.2. As &aacute;reas de acolhimento empresarial nos planos directores municipais</b></p>     <p>Houve, refere a avalia&ccedil;&atilde;o, uma concord&acirc;ncia dos PDM com as orienta&ccedil;&otilde;es veiculadas no PROT. N&atilde;o ter&aacute; sido plena, tamb&eacute;m porque as orienta&ccedil;&otilde;es eram vagas mas, efectivamente, foram definidas nos PDM as 4 &ldquo;<i>&aacute;reas alternativas</i>&rdquo;. Da mesma forma, foram definidas &ldquo;<i>as segundas linhas</i>&rdquo; de &ldquo;<i>&aacute;reas afectas ao uso industrial, de interesse local ou concelhio&hellip;&rdquo; </i>(CCR Algarve, 1990, pp. 48). Contudo, nem as primeiras se afirmaram como o &ldquo;cord&atilde;o&rdquo; de &aacute;reas empresariais de &acirc;mbito sub-regional, nem as segundas como uma segunda linha de &aacute;reas de n&iacute;vel hier&aacute;rquico inferior. A delimita&ccedil;&atilde;o destas &aacute;reas nos PDM, tendo que ser inclusiva com as pr&eacute;-exist&ecirc;ncias e acolher outros condicionalismos, produziu um quadro de &aacute;reas caracterizado por uma extrema heterogeneidade, tendo no entanto um aspecto bem vincado: a aus&ecirc;ncia de uma hierarquia de &aacute;reas empresariais definida nos n&iacute;veis sub-regional e local/municipal, como o PROT pretendia. Como resultado, os 16 PDM aprovados ap&oacute;s o PROT definiram um total de 64 espa&ccedil;os para acolhimento de actividades empresariais.</p>     <p>Sendo expect&aacute;vel, face &agrave;s especificidades dos munic&iacute;pios da Regi&atilde;o, que existam concelhos com mais espa&ccedil;os que outros, &eacute; no entanto &oacute;bvio que, na elabora&ccedil;&atilde;o dos PDM, n&atilde;o houve uma l&oacute;gica comum a todos os concelhos no que respeita &agrave; defini&ccedil;&atilde;o e delimita&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os para fins empresariais. Os par&acirc;metros indicados pelo PROT, quanto a dimens&otilde;es e dist&acirc;ncia aos centros urbanos, ter&atilde;o sido tamb&eacute;m interpretados como meramente indicativos. Das 4 &ldquo;<i>&aacute;reas alternativas</i>&rdquo;, apenas duas (Loul&eacute; e Castro Marim) t&ecirc;m mais de 50 ha (as outras duas t&ecirc;m 13,6 e 8,7 ha). Algumas destas &aacute;reas n&atilde;o passaram de inten&ccedil;&otilde;es uma vez que, ou n&atilde;o tiveram concretiza&ccedil;&atilde;o (Tunes e Castro Marim) ou, quando a tiveram, ficou aqu&eacute;m do esperado (S.B. Alportel). A concretiza&ccedil;&atilde;o falhou tamb&eacute;m, no caso destas quatro &aacute;reas (que se pretendiam estruturantes), pelos seguintes aspectos: <i>i)</i> na generalidade, os acessos n&atilde;o foram executados; <i>ii)</i> frequentemente, o per&iacute;metro definido em PDM n&atilde;o considerou (ou remeteu a quest&atilde;o para um plano de ordem inferior), o cadastro e a exist&ecirc;ncia de outros usos, designadamente o uso habitacional.</p>     <p>Haveria mais aspectos a considerar na avalia&ccedil;&atilde;o da execu&ccedil;&atilde;o das 4 &aacute;reas propostas pelo PROT. No entanto, e passados 20 anos sobre a sua entrada em vigor, a melhor avalia&ccedil;&atilde;o consistir&aacute;, sem d&uacute;vida, na actual ocupa&ccedil;&atilde;o destas &aacute;reas. Apenas uma destas &aacute;reas (Loul&eacute;) cumpriu o seu des&iacute;gnio. As restantes nunca se afirmaram. A &aacute;rea de S.B. Alportel tem 5 estabelecimentos; as de Tunes e Castro Marim nunca se concretizaram.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A delimita&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os para as actividades empresariais nos PDM ter&aacute; assim, com o enquadramento gen&eacute;rico dado pelo PROT, seguido outras l&oacute;gicas incutidas por cada um dos munic&iacute;pios e das equipas que os elaboraram. Na aus&ecirc;ncia de uma metodologia de origem, poder-se-&aacute; <i>a posteriori</i> estabelecer um conjunto de tipologias de espa&ccedil;os para o acolhimento empresarial que enquadra os 64 espa&ccedil;os definidos nos planos. Assim, os PDM: <i>i)</i> delimitaram &aacute;reas onde havia j&aacute; concentra&ccedil;&otilde;es de empresas; <i>ii)</i> circunscreveram &aacute;reas com loteamentos industriais e comerciais executados antes dos PDM (incluindo, por vezes, terrenos na envolvente para eventuais expans&otilde;es); <i>iii)</i> circunscreveram grandes unidades industriais que, n&atilde;o constituindo &aacute;reas empresariais, n&atilde;o poderiam ter outra classifica&ccedil;&atilde;o no PDM que n&atilde;o a industrial; <i>iv)</i> identificaram &aacute;reas, interessantes em termos de proximidade a n&oacute;s vi&aacute;rios, considerando que o conjunto de estabelecimentos existente (nalguns casos, muito reduzido) fosse capaz de atrair outros estabelecimentos; <i>v)</i> identificaram &aacute;reas onde, n&atilde;o havendo pr&eacute;-exist&ecirc;ncias de natureza empresarial, se considerou, atendendo &agrave; proximidade de n&oacute;s/eixos vi&aacute;rios, ou de lugares com dimens&atilde;o, que deveria existir um espa&ccedil;o para fins empresariais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2.3. As &aacute;reas de acolhimento empresarial definidas em planos de pormenor</b></p>     <p>Os PDM, nos artigos que disp&otilde;em sobre as &ldquo;&aacute;reas industriais, comerciais e de servi&ccedil;os&rdquo;, s&atilde;o claros quanto &agrave; obrigatoriedade de os espa&ccedil;os serem objecto de Planos de Pormenor (PP) ou opera&ccedil;&otilde;es de loteamento. Em rigor, apenas em 1 dos 64 espa&ccedil;os previstos nos PDM houve lugar &agrave; elabora&ccedil;&atilde;o, aprova&ccedil;&atilde;o e publica&ccedil;&atilde;o de um plano de pormenor (PP da &Aacute;rea Industrial de Santa Margarida &ndash; Tavira, RCM n&ordm; 24/2003, de 19 de Fevereiro). As restantes programa&ccedil;&otilde;es foram por via dos loteamentos. Por&eacute;m, apenas em 24 dos 64 espa&ccedil;os definidos em PDM para fins empresariais tiveram lugar opera&ccedil;&otilde;es de loteamento aprovadas e executadas posteriormente &agrave; data de entrada em vigor dos planos, sendo que daqueles, 5 tinham j&aacute; loteamentos anteriores &agrave; entrada em vigor dos planos. Para al&eacute;m daqueles 24 espa&ccedil;os, h&aacute; ainda outros 7 com opera&ccedil;&otilde;es de loteamento concretizadas antes da entrada em vigor dos planos. Constata-se, assim, a fraca programa&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os previstos nos PDM, uma vez que, mesmo contabilizando os que tinham j&aacute; loteamentos concretizados, em apenas 31 dos espa&ccedil;os previstos em plano (48% do total) &ndash; somente 23% do total da superf&iacute;cie prevista no conjunto dos PDM &ndash; teve lugar a programa&ccedil;&atilde;o para fins empresariais. Nos restantes 33 espa&ccedil;os (e 77% da superf&iacute;cie) a ocupa&ccedil;&atilde;o permanece, grosso modo, id&ecirc;ntica &agrave; que existia antes dos PDM.</p>     <p>A consciencializa&ccedil;&atilde;o, por alguns executivos camar&aacute;rios, de que o &ldquo;exerc&iacute;cio de planeamento&rdquo; subjacente ao padr&atilde;o de localiza&ccedil;&atilde;o e a estrat&eacute;gia de programa&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os para as actividades empresariais expressos nos PDM n&atilde;o estaria a resultar, ter&aacute; sido a raz&atilde;o para, muitos anos ap&oacute;s a entrada em vigor dos planos, terem sido publicados 9 PP &ndash; Portim&atilde;o, Tavira, Faro, Lagos (3), Loul&eacute; (2) e Castro Marim &ndash; que contemplam, total ou parcialmente, lotes para acolher empresas. Todos estes PP significaram altera&ccedil;&otilde;es dos PDM, em terrenos afectos a outros usos e condicionantes, e levam &agrave; conclus&atilde;o de que, pelo menos nestes munic&iacute;pios, houve o entendimento que, n&atilde;o for&ccedil;osamente o n&uacute;mero de espa&ccedil;os previstos, mas sobretudo as suas localiza&ccedil;&otilde;es e os mecanismos para a programa&ccedil;&atilde;o destas &aacute;reas, n&atilde;o seriam os mais adequados. Este &ldquo;refor&ccedil;o&rdquo; de novos espa&ccedil;os &eacute; pass&iacute;vel de v&aacute;rias interpreta&ccedil;&otilde;es: <i>i)</i> muitos dos definidos em PDM n&atilde;o se revelaram interessantes para a iniciativa municipal (e privada); <i>ii)</i> mesmo nos espa&ccedil;os com voca&ccedil;&atilde;o para as actividades empresariais, a iniciativa privada foi insuficiente para a constitui&ccedil;&atilde;o de uma oferta de terrenos e de instala&ccedil;&otilde;es, pelo que os munic&iacute;pios chamaram a si a iniciativa de definir e programar estas &aacute;reas.</p>     <p>Note-se tamb&eacute;m que estes 9 planos s&atilde;o muito posteriores &agrave; entrada em vigor dos PDM (entre 10 e 16 anos). Considerando que a vig&ecirc;ncia destes &uacute;ltimos &eacute; de 10 anos, seria este o tempo em que os munic&iacute;pios estariam, n&atilde;o a publicar PP que alteram os usos definidos nos PDM, mas sim a concluir os respectivos processos de revis&atilde;o, a apresentar a redefini&ccedil;&atilde;o da estrat&eacute;gia para as actividades empresariais e a transp&ocirc;-la para o zonamento. Ao inv&eacute;s, os PP v&ecirc;m coexistir com os espa&ccedil;os definidos nos PDM; n&atilde;o vieram desenvolver e concretizar as estrat&eacute;gias e propostas do plano director mas, sem as rever, adaptar ou (mesmo) suprimir, resultam num averbamento de &ldquo;novas orienta&ccedil;&otilde;es&rdquo; &ndash; n&atilde;o articuladas e repensadas num quadro mais vasto de &acirc;mbito regional ou municipal &ndash; para o desenvolvimento das actividades empresariais. N&atilde;o houve uma revis&atilde;o da estrat&eacute;gia para as actividades empresariais, mas sim a sobreposi&ccedil;&atilde;o (ou justaposi&ccedil;&atilde;o) da anterior, e do seu zonamento, com inten&ccedil;&otilde;es isoladas.</p>     <p>As evid&ecirc;ncias sustentam estas conclus&otilde;es. Alguns dos munic&iacute;pios (Loul&eacute;, Portim&atilde;o) que publicaram PP s&atilde;o munic&iacute;pios onde a oferta de lotes e de instala&ccedil;&otilde;es &eacute; largamente excedent&aacute;ria. Em Castro Marim, onde em 10 anos n&atilde;o se fixou uma empresa no espa&ccedil;o definido em plano, sem se demonstrar real ou potencial capacidade de capta&ccedil;&atilde;o de empresas, publicou-se um PP em cuja &aacute;rea se poderia concentrar 1/3 de todos os estabelecimentos instalados no conjunto de todos os 73 espa&ccedil;os da Regi&atilde;o. Destaque-se que, destes 9 planos, apenas um foi concretizado (Portim&atilde;o), embora nenhuma empresa ainda se tenha fixado. Os restantes oito planos n&atilde;o tiveram concretiza&ccedil;&atilde;o. Para completar esta breve retrospectiva sobre as din&acirc;micas dos espa&ccedil;os definidos nos PDM para as actividades empresariais, julga-se pertinente, porque corrobora a falta de dinamismo apontada, referir a absoluta inexist&ecirc;ncia de aprova&ccedil;&otilde;es, em mat&eacute;ria de &aacute;reas empresariais, em sede do Programa Operacional Regional (QCA II, 1994-2001) &ndash; ou seja, nos primeiros 6-7 anos de vig&ecirc;ncia dos planos directores &ndash;, e a uma procura igualmente muito baixa<a href="#_ftn1" name="_ftnref1"><sup><sup>[1]</sup></sup></a> no quadro comunit&aacute;rio seguinte (PO Regional, QCA III, 2000-2006).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2.4. As &aacute;reas de acolhimento empresarial na &ldquo;Estrat&eacute;gia de Desenvolvimento do Algarve&rdquo; (2007-2013) e na Revis&atilde;o do PROT Algarve, de 2007</b></p>     <p>O falhan&ccedil;o, nesta mat&eacute;ria, foi assumido no diagn&oacute;stico da Estrat&eacute;gia de Desenvolvimento do Algarve 2007-2013 (CCDR Algarve, 2006). A an&aacute;lise refere que &ldquo;&hellip; <i>apesar da relativa concentra&ccedil;&atilde;o espacial das empresas industriais h&aacute;, em contrapartida, uma significativa dispers&atilde;o de zonas industriais na regi&atilde;o, &hellip; (&hellip;). Esta dispers&atilde;o contrasta igualmente com a aus&ecirc;ncia de &aacute;reas de localiza&ccedil;&atilde;o industrial, em termos espec&iacute;ficos, e de localiza&ccedil;&atilde;o, em termos gerais</i>&rdquo; (CCDR Algarve, 2006, pp. 24).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Inequivocamente, o documento reconhece a inefic&aacute;cia das anteriores estrat&eacute;gias e planos. &Eacute; referida &ldquo;&hellip; <i>uma aus&ecirc;ncia de planifica&ccedil;&atilde;o para a implanta&ccedil;&atilde;o industrial nos aglomerados e zonas industriais. N&atilde;o existe qualquer levantamento sistematizado da tipologia de empresas localizadas nessas &aacute;reas nem uma estrat&eacute;gia espec&iacute;fica para o sector que permita seleccionar as ind&uacute;strias a atrair para aqueles espa&ccedil;os</i>&rdquo; (CCDR Algarve, 2006, pp. 24). As orienta&ccedil;&otilde;es propostas pelo PROT n&atilde;o colheram e a aplica&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o dos PDM descurou a planifica&ccedil;&atilde;o das &ldquo;zonas industriais&rdquo;. O estudo refere ainda: &ldquo;<i>a persist&ecirc;ncia de um absoluto desconhecimento da ocupa&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas de acolhimento</i>&rdquo;; e, &ldquo;<i>concomitantemente, a aus&ecirc;ncia de uma estrat&eacute;gia que permita definir as actividades que dever&atilde;o ser captadas e fixadas naquelas &aacute;reas.</i>&rdquo; Registe-se que estes aspectos ficaram amplamente comprovados nos levantamentos efectuados no quadro do projecto <a href="http://www.algarveacolhe.com"target="_blank">www.algarveacolhe.com</a>. Em muitos espa&ccedil;os definidos em PDM, mesmo em loteamentos municipais, muitos dos estabelecimentos n&atilde;o s&atilde;o das actividades que se pretenderia inicialmente acolher.</p>     <p>Para al&eacute;m de apontar a indefini&ccedil;&atilde;o/difus&atilde;o do padr&atilde;o locativo das &aacute;reas empresariais, o documento critica a aus&ecirc;ncia de uma estrat&eacute;gia de atrac&ccedil;&atilde;o de empresas, a n&atilde;o defini&ccedil;&atilde;o de um perfil das empresas a atrair, e ainda a inexist&ecirc;ncia de &ldquo;<i>entidades gestoras</i>&rdquo; que consigam fazer descolar as &aacute;reas existentes de meros loteamentos &ldquo;<i>onde foram instaladas as infraestruturas base convencionais</i>&rdquo; sem uma &ldquo;<i>gest&atilde;o condominial</i>&rdquo;.</p>     <p>Actualmente, v&aacute;rios anos passados sobre o diagn&oacute;stico (de 2006), parte significativa dos munic&iacute;pios n&atilde;o tem qualquer loteamento ou &aacute;rea de iniciativa municipal afecta a estes usos e, outros, nem t&atilde;o pouco de iniciativa privada. Com excep&ccedil;&otilde;es, os loteamentos municipais s&atilde;o &aacute;reas que os munic&iacute;pios urbanizaram e alienaram a pre&ccedil;os baixos, permitindo que os propriet&aacute;rios dos lotes os mantenham expectantes. N&atilde;o est&aacute; prevista a reversibilidade dos lotes e, quando h&aacute; de facto a instala&ccedil;&atilde;o de um estabelecimento, n&atilde;o h&aacute; crit&eacute;rio de selec&ccedil;&atilde;o (para al&eacute;m das restri&ccedil;&otilde;es de natureza ambiental).</p>     <p>Desta forma, os munic&iacute;pios abdicaram da capacidade de implementar uma estrat&eacute;gia de capta&ccedil;&atilde;o e fixa&ccedil;&atilde;o de empresas e de definir um rumo para o sector produtivo do munic&iacute;pio. N&atilde;o deixa de ser not&oacute;rio, designadamente pela discord&acirc;ncia que, ap&oacute;s a delega&ccedil;&atilde;o nos munic&iacute;pios de compet&ecirc;ncias nos dom&iacute;nios do ordenamento do territ&oacute;rio e do licenciamento de actividades (que os munic&iacute;pios vinham reclamando), uma boa parte dos munic&iacute;pios receba as compet&ecirc;ncias e n&atilde;o as exer&ccedil;a, como instrumentos que s&atilde;o, para o crescimento econ&oacute;mico e o desenvolvimento dos seus concelhos, precisamente os argumentos levantados na reclama&ccedil;&atilde;o das compet&ecirc;ncias.</p>     <p>A EDA 2007-2013 refere a necessidade de &ldquo;<i>&hellip; uma nova estrat&eacute;gia de atrac&ccedil;&atilde;o de empresas de nova gera&ccedil;&atilde;o, &hellip; conjugar a disponibilidade de infra-estruturas avan&ccedil;adas, acessibilidades de qualidade, servi&ccedil;os qualificados de apoio&hellip;&rdquo;, </i>enfatiza a necess&aacute;ria &ldquo;<i>organiza&ccedil;&atilde;o planeada do espa&ccedil;o</i>&rdquo; e prop&otilde;e &ldquo;<i>assegurar a cria&ccedil;&atilde;o de uma rede de &aacute;reas empresariais&hellip;</i>&rdquo;. As prioridades e linhas de actua&ccedil;&atilde;o para operacionalizar tais inten&ccedil;&otilde;es referem a &ldquo;<i>promo&ccedil;&atilde;o de zonas de localiza&ccedil;&atilde;o empresarial consolidadas que assegurem o ordenamento das actividades econ&oacute;micas e da log&iacute;stica regional</i>&rdquo; e a defini&ccedil;&atilde;o de &ldquo;<i>um modelo de localiza&ccedil;&atilde;o de Zonas Industriais de Nova Gera&ccedil;&atilde;o para a implementa&ccedil;&atilde;o de empresas com forte conte&uacute;do tecnol&oacute;gico</i>&rdquo; (CCDR Algarve, 2006, pp. 25).</p>     <p>O documento cont&eacute;m ainda, para al&eacute;m do diagn&oacute;stico cr&iacute;tico sobre a actua&ccedil;&atilde;o das entidades p&uacute;blicas e do sector privado, uma nova terminologia. Deixou de haver refer&ecirc;ncia &agrave;s &ldquo;&aacute;reas industriais&rdquo; e s&atilde;o melhor especificados os &ldquo;formatos&rdquo; de aglomera&ccedil;&atilde;o das actividades produtivas: a assun&ccedil;&atilde;o da log&iacute;stica como um vasto conjunto de actividades que envolve, a montante e a jusante, a tradicional transforma&ccedil;&atilde;o e que, assim, importa beneficiar das sinergias propiciadas pela aglomera&ccedil;&atilde;o; o destaque para a necessidade de criar &aacute;reas para empresas e servi&ccedil;os intensivos em conhecimento &ndash; os &ldquo;<i>centros/p&oacute;los de transfer&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica</i>&rdquo;.</p>     <p>As propostas constantes na EDA 2007-2013 viriam a ser transpostas para a Revis&atilde;o do PROT Algarve (RCM n.&ordm; 102/2007, de 3 de Agosto); quer porque a entidade respons&aacute;vel pela elabora&ccedil;&atilde;o de ambos &eacute; a mesma &ndash; CCDR Algarve &ndash; quer porque os consultores nestes dom&iacute;nios foram, tamb&eacute;m, os mesmos. Todavia, e tendo a figura do PROT, por for&ccedil;a das altera&ccedil;&otilde;es introduzidas na LBPOTU, adquirido um car&aacute;cter orientador e estrat&eacute;gico, ser&atilde;o os PMOT a efectuar a &ldquo;tradu&ccedil;&atilde;o&rdquo; destes princ&iacute;pios e normativas.</p>     <p>Na Revis&atilde;o do PROT Algarve, dificilmente se vislumbrariam as &aacute;reas para o acolhimento empresarial se o documento, por entre parques tem&aacute;ticos, museus, teatros, hospitais, centros de congressos, etc., n&atilde;o identificasse os equipamentos de &acirc;mbito regional &ldquo;<i>estruturantes para o sistema territorial do Algarve&hellip;</i>&rdquo;. De entre uma listagem numerosa, sobressaem: um &ldquo;<i>Tecnop&oacute;lis Portim&atilde;o-Lagos &ndash; 2 centros especializados na cria&ccedil;&atilde;o de actividades inovadoras e sistemas inteligentes</i>&rdquo;; um &ldquo;<i>P&oacute;lo Tecnol&oacute;gico da Universidade do Algarve, no Parque das Cidades</i>&rdquo;; um &ldquo;<i>Parque das Novas Actividades Aglomera&ccedil;&atilde;o Faro-Loul&eacute;-Olh&atilde;o, incluindo o P&oacute;lo Tecnol&oacute;gico do Algarve</i>&rdquo;; e mais 3 parques, obviamente tecnol&oacute;gicos, em outras tantas localiza&ccedil;&otilde;es, de sectores como a corti&ccedil;a, as ci&ecirc;ncias do mar e a energia solar (CCDR Algarve, pp. 47).</p>     <p>O acolhimento empresarial &eacute; tamb&eacute;m abordado no ponto &ldquo;1.7 Estrutura&ccedil;&atilde;o das Redes de Transporte e Log&iacute;stica&rdquo;, nomeadamente nos Objectivos Operativos para a Rede Log&iacute;stica, onde &eacute; referida a concretiza&ccedil;&atilde;o do &ldquo;<i>sistema regional de log&iacute;stica e &aacute;reas de localiza&ccedil;&atilde;o empresarial apoiado</i>&rdquo; em 4 centros de &acirc;mbito regional &ndash; &ldquo;<i>Centro Empresarial e de Log&iacute;stica de Tunes</i>&rdquo;; &ldquo;<i>&Aacute;rea de Neg&oacute;cios do Sotavento Algarvio</i>&rdquo;; &ldquo;<i>Mercado Abastecedor da Regi&atilde;o de Faro (MARF) </i>&rdquo; e &ldquo;<i>&Aacute;rea Empresarial do Barlavento</i>&rdquo; &ndash; e a conclus&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o da &ldquo;<i>rede de parques empresariais municipais</i>&rdquo;. Em suma, a Revis&atilde;o do PROT Algarve 2007 consegue ser, ainda, mais gen&eacute;rica do que a EDA.</p>     <p>N&atilde;o pretendendo a confronta&ccedil;&atilde;o exaustiva sobre o que disp&otilde;em o PROT 1991 e a sua Revis&atilde;o para as &aacute;reas empresariais, h&aacute; no entanto importantes semelhan&ccedil;as e dissemelhan&ccedil;as a destacar, a saber: <i>i)</i> a Revis&atilde;o de 2007 enuncia 6 p&oacute;los tecnol&oacute;gicos, transpondo assim para o territ&oacute;rio mais uma terminologia do que propriamente projectos concretos; <i>ii)</i> a manuten&ccedil;&atilde;o de uma perspectiva de hierarquiza&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas empresariais &ndash; 4 centros de &acirc;mbito regional e uma rede de &aacute;reas municipais; <i>iii)</i> a assun&ccedil;&atilde;o, mais clara em 2007, de que as &aacute;reas do sistema regional dever&atilde;o posicionar-se no corredor do principal eixo vi&aacute;rio &ndash; a A22 &ndash;, atribuindo-se assim &agrave;s actividades log&iacute;sticas o ambiente &ldquo;enquadrador&rdquo; das &aacute;reas de localiza&ccedil;&atilde;o empresarial; <i>iv)</i> a Revis&atilde;o do PROT deixa de referir as &aacute;reas para Loul&eacute; e S&atilde;o Br&aacute;s de Alportel; <i>v)</i> a Revis&atilde;o do PROT confirma uma &aacute;rea consolidada e em funcionamento &ndash; o MARF &ndash;; &ldquo;repesca&rdquo; no PROT 1991 duas &aacute;reas que n&atilde;o tiveram concretiza&ccedil;&atilde;o &ndash; Tunes e Castro Marim &ndash;; e &ldquo;lan&ccedil;a&rdquo; uma nova &aacute;rea &ndash; &Aacute;rea Empresarial do Barlavento &ndash;, sem antecedentes e sem posteriores desenvolvimentos. Houve por&eacute;m, na Revis&atilde;o do PROT, a preocupa&ccedil;&atilde;o de associar ao documento um Programa de Execu&ccedil;&atilde;o, embora meramente indicativo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Situa&ccedil;&atilde;o actual dos espa&ccedil;os dos PMOT para fins empresariais</b></p>     <p>Em resultado dos processos de defini&ccedil;&atilde;o, programa&ccedil;&atilde;o e ocupa&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os para actividades empresariais, o cen&aacute;rio actual, em termos de n&uacute;mero, distribui&ccedil;&atilde;o, g&eacute;nese, e forma/tipologia (espont&acirc;nea ou programada) das &aacute;reas empresariais &eacute; muito heterog&eacute;neo. Ap&oacute;s a apresenta&ccedil;&atilde;o, nos pontos anteriores, numa sequ&ecirc;ncia cronol&oacute;gica necessariamente muito sintetizada, da constitui&ccedil;&atilde;o e g&eacute;nese dos espa&ccedil;os para o acolhimento de actividades empresariais no Algarve, faz-se a seguir um resumo da situa&ccedil;&atilde;o actual destes espa&ccedil;os, assim como das figuras pelas quais se constitu&iacute;ram.</p>     <p>Os PMOT (PDM e sequentes PP) previram um total de 73 espa&ccedil;os para o acolhimento de actividades empresariais. &Eacute;, sem d&uacute;vida, um n&uacute;mero excessivo. Tal significa que est&aacute; previsto em PMOT um espa&ccedil;o para o acolhimento de actividades empresariais em cada 68,5 km<sup>2</sup>; ou seja, distando em m&eacute;dia do espa&ccedil;o mais pr&oacute;ximo n&atilde;o mais do que 8,3 km. Destes 73 espa&ccedil;os, somente 43 tiveram programa&ccedil;&atilde;o (PP ou loteamento), sendo que apenas houve execu&ccedil;&atilde;o em 35 destes 43; ou seja, e em rela&ccedil;&atilde;o ao total (73 espa&ccedil;os em PMOT), apenas houve, em quase duas d&eacute;cadas de PDM, execu&ccedil;&atilde;o em 48% dos espa&ccedil;os. Por&eacute;m, a taxa de ocupa&ccedil;&atilde;o dos lotes &eacute; baixa. Uma parte bastante significativa dos 1.585 lotes executados, n&atilde;o tem edifica&ccedil;&atilde;o e est&aacute; livre (22% do total); e uma outra parte tamb&eacute;m significativa das naves edificadas nos lotes (13,3%) est&aacute; para venda ou aluguer, sendo que uma parte importante destas naves nunca teve ocupa&ccedil;&atilde;o. Por outras palavras, somente 52% dos lotes tem empresas a laborar.</p>     <p>Quanto a empresas instaladas nos espa&ccedil;os definidos nos IGT, o seu n&uacute;mero &eacute; de 885 (empresas e estabelecimentos). Mais relevante que o n&uacute;mero destas empresas, sem d&uacute;vida baixo, &eacute; a sua estrutura: <i>i</i>) apenas 167 das empresas (18,9%) est&atilde;o classificadas nas actividades industriais; <i>ii</i>) apenas 38 (4,3%) est&atilde;o nas actividades afectas &agrave; log&iacute;stica e transportes; <i>iii</i>) e apenas 181 (20,4%) est&atilde;o classificadas como com&eacute;rcio grossista. Os servi&ccedil;os &agrave;s empresas s&atilde;o em n&uacute;mero residual e as empresas classificadas em sectores como o com&eacute;rcio retalhista e <i>stands</i> e oficinas auto t&ecirc;m um peso excessivo (32%). Em n&uacute;mero significativo, e crescente, est&atilde;o as empresas de servi&ccedil;os pessoais e dom&eacute;sticos, clubes e associa&ccedil;&otilde;es recreativas e culturais, incluindo equipamentos na &aacute;rea da sa&uacute;de e at&eacute; escolares. Como resultado, mais de metade das empresas instaladas n&atilde;o parece ter enquadramento nas classes de espa&ccedil;o tal como est&atilde;o definidas nos PDM.</p>     <p>O grande n&uacute;mero de espa&ccedil;os e de tipologias resultam da coexist&ecirc;ncia no territ&oacute;rio: <i>i)</i> das anteriores concentra&ccedil;&otilde;es de empresas (industriais, comerciais e outras) ou grandes unidades fabris isoladas que os PDM; <i>ii)</i> das &aacute;reas que, com os PDM, foram executadas, esmagadoramente por via de loteamentos e s&oacute; muito excepcionalmente por PP; e <i>iii)</i> das &aacute;reas que, antes da revis&atilde;o dos PDM, foram programadas em sede de PP (apenas uma foi executada, e n&atilde;o tem ainda qualquer ocupa&ccedil;&atilde;o).</p>     <p>Em mat&eacute;ria de &ldquo;espontaneidade&rdquo; das &aacute;reas empresariais, reconhece-se a ac&ccedil;&atilde;o positiva dos IGT: desde o PROT 1991 e a entrada em vigor dos PDM, n&atilde;o surgiram mais concentra&ccedil;&otilde;es de empresas em regime de licenciamento individual. Ou seja, procedendo &agrave; circunscri&ccedil;&atilde;o das antigas &aacute;reas ocupadas pelas unidades transformadoras tradicionais &ndash; n&atilde;o significando contudo que tenha havido uma estrutura&ccedil;&atilde;o ou requalifica&ccedil;&atilde;o destas &aacute;reas de forma a melhorar as condi&ccedil;&otilde;es de labora&ccedil;&atilde;o &ndash; a entrada em vigor dos PDM ter&aacute;, pelo menos, impedido novas concentra&ccedil;&otilde;es &ldquo;espont&acirc;neas&rdquo;. Pontualmente, instalaram-se unidades, armaz&eacute;ns e superf&iacute;cies (grossistas ou retalhistas) sem enquadramento a montante mas, regra geral, come&ccedil;ou a prevalecer a figura do loteamento. Por&eacute;m, sendo esta a realidade nos espa&ccedil;os previstos para a instala&ccedil;&atilde;o de actividades empresariais nos PDM, o mesmo n&atilde;o ocorreu fora deles. Sobretudo na envolvente dos grandes eixos, persiste a instala&ccedil;&atilde;o de estabelecimentos e de actividades que, pela sua natureza, deviam estar nas &aacute;reas para tal previstas nos PDM.</p>     <p>Com os PDM vingou a figura do loteamento. De um total de 49 loteamentos para fins empresariais, 36 (73% do total) foram na vig&ecirc;ncia dos PDM; embora apenas 73,6% da &aacute;rea destes 36 loteamentos esteja concretizada. Por outro lado, a grande maioria destes loteamentos (31 em 36) s&atilde;o de particulares. Isto &eacute;, com os PDM, os munic&iacute;pios praticamente abdicaram da figura do loteamento municipal, por via dos quais poderiam concretizar a estrat&eacute;gia de capta&ccedil;&atilde;o e fixa&ccedil;&atilde;o de empresas (mecanismos de redu&ccedil;&atilde;o fiscal, baixo custo dos terrenos, etc.) com rela&ccedil;&atilde;o com a base produtiva local e geradoras de cadeias de valor. Dos 11 loteamentos municipais existentes na Regi&atilde;o, apenas 5 s&atilde;o posteriores aos PDM. Tem, assim, prevalecido uma generalizada aus&ecirc;ncia da iniciativa municipal para a dota&ccedil;&atilde;o dos territ&oacute;rios com as infraestruturas e as condi&ccedil;&otilde;es para procederem &agrave; relocaliza&ccedil;&atilde;o de estabelecimentos disseminados e atra&iacute;rem empresas. A situa&ccedil;&atilde;o afigura-se eventualmente mais preocupante quando se verifica que, dos 16 munic&iacute;pios, 5 n&atilde;o t&ecirc;m qualquer loteamento para estes fins.</p>     <p>Como forma de sintetizar, n&atilde;o propriamente numa classifica&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os para actividades empresariais segundo as inten&ccedil;&otilde;es e objectivos dos documentos estrat&eacute;gicos e dos PMOT, mas mais numa &ldquo;arruma&ccedil;&atilde;o&rdquo; segundo a forma como os espa&ccedil;os se afirmaram (ou n&atilde;o) no territ&oacute;rio &ndash; i.e., relacionando as inten&ccedil;&otilde;es em plano com a din&acirc;mica efectiva desses espa&ccedil;os &ndash;, apresenta-se uma &ldquo;tipologia&rdquo; dos mesmos segundo as duas referidas vertentes (<a href="#t1">Quadro 1</a>). A informa&ccedil;&atilde;o apresentada consubstancia a an&aacute;lise e os coment&aacute;rios produzidos, que convergem na constata&ccedil;&atilde;o da inconsequ&ecirc;ncia e da inefic&aacute;cia das estrat&eacute;gias veiculadas pelos documentos estrat&eacute;gicos e pelo PROT no que respeita &agrave; quest&atilde;o das &aacute;reas empresariais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="t1">     <p><img src="/img/revistas/got/n5/n5a04t1.gif">&nbsp;</p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A inconsequ&ecirc;ncia e a inefic&aacute;cia podem ser observadas em duas fases: <i>a</i>) entre 1992 e 1997, com a publica&ccedil;&atilde;o dos PDM; <i>b</i>) com os PP, ap&oacute;s 1997. As duas complementam-se, sendo por&eacute;m evidente que &eacute; uma inefic&aacute;cia &ldquo;anunciada&rdquo;. A implementa&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas empresariais estava &agrave; partida fortemente cerceada por um insuficiente diagn&oacute;stico regional que, assim, pouco adiantou na defini&ccedil;&atilde;o de uma estrat&eacute;gia, clara e operativa, para a cria&ccedil;&atilde;o daquelas &aacute;reas. Como exemplos, e como atr&aacute;s se referiu, nem o PROT 1991 apresentava um programa de execu&ccedil;&atilde;o, nem o posterior Estudo de Avalia&ccedil;&atilde;o do PROT (1989/96) procurou avaliar a implementa&ccedil;&atilde;o das orienta&ccedil;&otilde;es emanadas.</p>     <p>Com orienta&ccedil;&otilde;es pouco assertivas para as actividades empresariais e o seu zonamento, o PROT 1991 deixou a quest&atilde;o entregue ao voluntarismo dos munic&iacute;pios. A esmagadora maioria destes procurou acima de tudo &ldquo;garantir&rdquo; a expans&atilde;o dos per&iacute;metros urbanos para fins tur&iacute;sticos e residenciais. Como a quest&atilde;o n&atilde;o se conforma com uma abordagem de escala local/municipal, a aus&ecirc;ncia de um quadro conceptual regional foi negativamente decisiva. A inefic&aacute;cia &eacute; bem vis&iacute;vel nos valores apresentados no <a href="#t1">Quadro 1</a>: <i>i)</i> 48,7% da superf&iacute;cie dos espa&ccedil;os previstos nos PDM para as &aacute;reas empresariais encontram-se desocupados, entregues a outros usos ou mesmo sem uso; <i>ii)</i> 89,8% desta superf&iacute;cie n&atilde;o teve qualquer programa&ccedil;&atilde;o, e apenas 6% foi concretizada; <i>iii)</i> 71,8% da superf&iacute;cie contida nos espa&ccedil;os definidos nos PDM com a inten&ccedil;&atilde;o de, integrando pr&eacute;-exist&ecirc;ncias, criar estruturas para a fixa&ccedil;&atilde;o de empresas, est&aacute; livre; <i>iv)</i> 99,3% da superf&iacute;cie contida nas &aacute;reas sem ocupa&ccedil;&atilde;o de natureza empresarial (ou habitacional), sem uso ou com uso agr&iacute;cola &ndash; ocupa&ccedil;&atilde;o que ocorria &agrave; data de entrada em vigor do PDM &ndash;, encontra-se livre; e <i>v)</i> at&eacute; mesmo 55,9% da superf&iacute;cie dos espa&ccedil;os com todos os loteamentos executados ap&oacute;s a entrada em vigor dos PDM se encontra livre, sendo que 86,1% desta superf&iacute;cie (234,2 ha) n&atilde;o tem programa&ccedil;&atilde;o (PP ou loteamento).</p>     <p>Os posteriores PP &ndash; sem trazerem altera&ccedil;&otilde;es que traduzam um reequacionar da estrat&eacute;gia anterior, e sem que se assumam como um exerc&iacute;cio de &ldquo;relocaliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; de &aacute;reas previstas em plano, constituindo-se sim como &ldquo;adi&ccedil;&otilde;es&rdquo; aos espa&ccedil;os j&aacute; previstos &ndash;, padecem da mesma inefic&aacute;cia, apenas: <i>i)</i> 1 dos 9 planos foi executado; <i>ii)</i> 8,9% da superf&iacute;cie dos lotes destes planos foi executada; <i>iii)</i> est&atilde;o implantados 3 estabelecimentos (que j&aacute; existiam antes do plano).</p>     <p>A observa&ccedil;&atilde;o do <a href="#t1">Quadro 1</a>&nbsp;permite ainda orientar a an&aacute;lise para uma outra realidade. Tendo conclu&iacute;do que os documentos estrat&eacute;gicos elaboraram, em v&aacute;rios momentos, diagn&oacute;sticos insuficientes, propostas gen&eacute;ricas sem enquadramento e prioridades, e que as &ldquo;interpreta&ccedil;&otilde;es&rdquo; ou &ldquo;transposi&ccedil;&otilde;es&rdquo; feitas pelos PDM (e posteriores PP) destas estrat&eacute;gias n&atilde;o contribu&iacute;ram (como o reconhecem os diagn&oacute;sticos de sucessivos documentos estrat&eacute;gicos) para a cria&ccedil;&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas empresariais na Regi&atilde;o, qual ser&aacute; ent&atilde;o o padr&atilde;o de localiza&ccedil;&atilde;o e de distribui&ccedil;&atilde;o destes espa&ccedil;os?</p>     <p>O reduzido n&uacute;mero de estabelecimentos nos espa&ccedil;os previstos nos PDM, quando comparados com os totais regionais, e a persist&ecirc;ncia nestes espa&ccedil;os de muita superf&iacute;cie livre, apesar de a vig&ecirc;ncia dos PDM ter mais de d&eacute;cada e meia, n&atilde;o significa necessariamente que tenha havido uma quebra de dinamismo na instala&ccedil;&atilde;o de estabelecimentos. De acordo com os Anu&aacute;rios Estat&iacute;sticos da Regi&atilde;o do Algarve (INE), em 1992 havia 1.529 empresas classificadas nas Ind&uacute;strias Transformadoras com sede na Regi&atilde;o (logo, apenas uma frac&ccedil;&atilde;o do total), apenas 75% das empresas desta sec&ccedil;&atilde;o existentes em 2009. O que ocorreu ter&aacute; sido a instala&ccedil;&atilde;o de empresas em terrenos fora dos espa&ccedil;os para tal previstos nos PDM, dando assim de certa forma uma continuidade aos processos de localiza&ccedil;&atilde;o e de distribui&ccedil;&atilde;o espacial das actividades e dos estabelecimentos que existiam antes da entrada em vigor dos PDM.</p>     <p>Esta tese assenta em dois aspectos: o primeiro, pela observa&ccedil;&atilde;o das din&acirc;micas que contribu&iacute;ram para um padr&atilde;o disperso da distribui&ccedil;&atilde;o das actividades empresariais; o segundo, pela observa&ccedil;&atilde;o do grau de concretiza&ccedil;&atilde;o e dos n&iacute;veis de &ldquo;consolida&ccedil;&atilde;o&rdquo; dos espa&ccedil;os previstos em plano. Quanto &agrave; dispers&atilde;o &ndash; a ocupa&ccedil;&atilde;o indiscriminada de espa&ccedil;os previstos para outros usos &ndash;, podem ser destacados dois padr&otilde;es. Um primeiro, a dispers&atilde;o pura, com a ocupa&ccedil;&atilde;o de terrenos sem uma l&oacute;gica comum para al&eacute;m da possibilidade de aquisi&ccedil;&atilde;o/arrendamento de um terreno em condi&ccedil;&otilde;es financeiras mais vantajosas, da propriedade do terreno quando &eacute; o pr&oacute;prio a instalar a empresa/estabelecimento ou da exist&ecirc;ncia de um ou outro factor locativo relevante (n&oacute; vi&aacute;rio, proximidades de outra empresa da fileira/subsidi&aacute;ria, etc.). Um segundo, um padr&atilde;o designado por &ldquo;dispers&atilde;o orientada&rdquo;, que tem na Regi&atilde;o a m&aacute;xima express&atilde;o na ocupa&ccedil;&atilde;o da envolvente do principal eixo vi&aacute;rio regional &ndash; a EN/ER 125.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>3.1. Dois casos de sucesso</b></p>     <p>A an&aacute;lise elaborada permite afirmar, de forma mais sustentada, que a efic&aacute;cia das estrat&eacute;gias, do planeamento, do zonamento e da gest&atilde;o dos espa&ccedil;os e das &aacute;reas para acolher as actividades empresariais t&ecirc;m sido extremamente reduzidas. Contudo, h&aacute; casos que deveriam ser seguidos e adaptados. Estes casos enfrentam dificuldades v&aacute;rias: a secundariza&ccedil;&atilde;o num quadro regional que sempre privilegiou outras actividades (constru&ccedil;&atilde;o, imobili&aacute;ria, turismo); o d&eacute;bil tecido produtivo da regi&atilde;o, consequ&ecirc;ncia da desestrutura&ccedil;&atilde;o das actividades econ&oacute;micas n&atilde;o directamente relacionadas com as citadas actividades; a aus&ecirc;ncia de volume e de massa cr&iacute;tica do mercado regional; o car&aacute;cter perif&eacute;rico da Regi&atilde;o, no dom&iacute;nio da produ&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m em mat&eacute;ria de inser&ccedil;&atilde;o nas grandes redes de transporte e de comunica&ccedil;&otilde;es; e, tamb&eacute;m, a aus&ecirc;ncia de uma cultura e de uma pr&aacute;tica de articula&ccedil;&atilde;o entre e dentro das pr&oacute;prias entidades e organismos, que permitam orientar as actua&ccedil;&otilde;es para um des&iacute;gnio comum e criar os procedimentos para a concretiza&ccedil;&atilde;o desses objectivos. Neste contexto, e com os constrangimentos acima apresentados, destacam-se duas iniciativas desenvolvidas na Regi&atilde;o: <i>1)</i> o Mercado Abastecedor da Regi&atilde;o de Faro (MARF), no concelho de Faro; <i>2)</i> a Zona Industrial da Feiteirinha, concelho de Aljezur.</p>     <p>O MARF instalou-se num espa&ccedil;o para o qual o PDM de Faro previa a cria&ccedil;&atilde;o de um mercado abastecedor grossista para o sector hortofrut&iacute;cola regional. Sem perder a sua fun&ccedil;&atilde;o original, o MARF diversificou e reorientou a sua actividade para a distribui&ccedil;&atilde;o e a log&iacute;stica, potenciando a sua localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica. Actualmente, para al&eacute;m do mercado grossista e de empresas do com&eacute;rcio por grosso, est&atilde;o instaladas 11 das 39 empresas dos &ldquo;Transportes e Armazenagem&rdquo; a laborar nas &aacute;reas empresariais da Regi&atilde;o (28% do total), unidades da ind&uacute;stria transformadora (com elevado grau de tecnologia) e v&aacute;rios servi&ccedil;os de operadores &agrave; escala regional.</p>     <p>A iniciativa desenvolvida em Aljezur, num contexto geograficamente menos favor&aacute;vel, &eacute; tamb&eacute;m not&aacute;vel. Seguindo as orienta&ccedil;&otilde;es do PROT 1991, o Regulamento do PDM definiu a cria&ccedil;&atilde;o da Zona Industrial da Feiteirinha. O enunciado &eacute; muito gen&eacute;rico, eventualmente at&eacute; menos elaborado do que o de outros PDM da Regi&atilde;o. Em 1998 &eacute; emitido o Alvar&aacute; de Loteamento para a Zona Industrial, e as infraestruturas s&atilde;o conclu&iacute;das em 2003. Houve no entanto a percep&ccedil;&atilde;o de que a din&acirc;mica incutida ao processo n&atilde;o estaria a resultar. Para al&eacute;m da relocaliza&ccedil;&atilde;o de algumas oficinas, a procura dos lotes era praticamente inexistente. A pr&aacute;tica habitual de concluir as obras de urbaniza&ccedil;&atilde;o e esperar por interessados n&atilde;o gerou resultados. Neste contexto, a autarquia constituiu uma estrutura (informal) &ndash; o CADE (Centro de Apoio ao Desenvolvimento) &ndash; que, desde o in&iacute;cio se concentrou no objectivo claro e expl&iacute;cito de funcionar como uma &ldquo;ag&ecirc;ncia&rdquo; de capta&ccedil;&atilde;o de empresas e de investimento e, simultaneamente, coordenar internamente todas as fases de tramita&ccedil;&atilde;o nos servi&ccedil;os camar&aacute;rios de uma inten&ccedil;&atilde;o de investimento.</p>     <p>A zona industrial n&atilde;o est&aacute; totalmente ocupada, o que sucede por existir crit&eacute;rio na aprecia&ccedil;&atilde;o das pretens&otilde;es. A pr&aacute;tica corrente de alienar lotes para actividades indiferenciadas n&atilde;o &eacute; aqui seguida; pelo contr&aacute;rio, privilegiam-se as empresas com domic&iacute;lio fiscal no concelho, que criem rela&ccedil;&otilde;es com a base produtiva local, que criem novas frentes para os recursos locais, ou que redescubram e desenvolvam actividades/fileiras que projectem o concelho.</p>     <p>Destes dois casos h&aacute; a destacar sobretudo o seguinte: <i>i</i>) ambas as &aacute;reas t&ecirc;m entidades gestoras, importantes na capta&ccedil;&atilde;o de empresas e na gest&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o das infraestruturas &ndash; necessidade fundamental relevada pelos documentos estrat&eacute;gicos &ndash;, o que n&atilde;o sucede em nenhuma outra &aacute;rea da regi&atilde;o; <i>ii</i>) estas entidades gestoras, para al&eacute;m do aspecto de gest&atilde;o condominial tradicional, desenvolvem outras frentes de trabalho como candidaturas a programas de financiamento, apoio &agrave; comercializa&ccedil;&atilde;o, assessorias fiscais e jur&iacute;dicas, etc.; <i>iii</i>) em Aljezur existe um mecanismo de reversibilidade do lote (cujo custo &eacute; simb&oacute;lico), eficientemente aplicado quando o proponente n&atilde;o cumpre com os estipulado no regulamento, o que n&atilde;o sucede em nenhuma outra iniciativa municipal na regi&atilde;o; <i>iv</i>) no MARF, a concep&ccedil;&atilde;o e a estrutura das instala&ccedil;&otilde;es edificadas permite a ocupa&ccedil;&atilde;o por m&oacute;dulos, agrupados ou desagrupados em fun&ccedil;&atilde;o das necessidades das empresas.</p>     <p>Ou seja, estes dois casos, que n&atilde;o figuravam no PROT 1991 como os espa&ccedil;os estruturantes na regi&atilde;o para o acolhimento empresarial &ndash; o MARF surge, posteriormente &agrave; sua consolida&ccedil;&atilde;o, na Revis&atilde;o do PROT (2007), e a &aacute;rea de Aljezur n&atilde;o &eacute; mencionada nesta revis&atilde;o &ndash; acabam por praticamente ser os &uacute;nicos casos em que houve uma concretiza&ccedil;&atilde;o das orienta&ccedil;&otilde;es fornecidas pelos sucessivos enquadramentos estrat&eacute;gicos, embora estes mesmos enquadramentos tivessem apontado para outras localiza&ccedil;&otilde;es. Estes dois casos demonstram assim que a interpreta&ccedil;&atilde;o das orienta&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ricas contidas nos documentos e planos estrat&eacute;gicos ficou ao livre arb&iacute;trio dos munic&iacute;pios (e dos privados). Demonstram igualmente que n&atilde;o tiveram lugar ac&ccedil;&otilde;es de monitoriza&ccedil;&atilde;o, de acompanhamento e de avalia&ccedil;&atilde;o da implementa&ccedil;&atilde;o das estrat&eacute;gias, caso contr&aacute;rio n&atilde;o resultariam apenas estas duas &aacute;reas que, nem figuravam no exerc&iacute;cio de planeamento. Particularmente mais preocupante ser&aacute; porventura a evid&ecirc;ncia de que, com mais ou menos, e maiores ou menores, introdu&ccedil;&otilde;es no quadro legal e normativo, com frequentes redistribui&ccedil;&otilde;es dos pap&eacute;is e das compet&ecirc;ncias das entidades, com planos mais ou menos f&iacute;sicos ou de natureza estrat&eacute;gica, em cada fase de novo quadro estrat&eacute;gico (n&atilde;o necessariamente com planeamento) persistam e se agravem as lacunas de base. De entre estas, a aus&ecirc;ncia de avalia&ccedil;&atilde;o das anteriores directrizes e a extrema dificuldade em articular e operacionalizar as interven&ccedil;&otilde;es no territ&oacute;rio.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. Conclus&otilde;es</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como se procurou demonstrar ao longo do artigo, a melhor forma de aferir a qualidade das estrat&eacute;gias de desenvolvimento, assim como a efici&ecirc;ncia da sua transposi&ccedil;&atilde;o para o territ&oacute;rio por via dos processos de planeamento ser&aacute; atrav&eacute;s da leitura e interpreta&ccedil;&atilde;o dos resultados expressos nesse mesmo territ&oacute;rio. Com 20 anos decorridos desde a aprova&ccedil;&atilde;o das orienta&ccedil;&otilde;es emanadas do PROT 1991, mais de 15 desde a vig&ecirc;ncia da primeira gera&ccedil;&atilde;o de PDM na Regi&atilde;o, j&aacute; quatro anos desde a Revis&atilde;o do PROT 2007 &ndash; embora ainda sem a segunda gera&ccedil;&atilde;o de planos directores &ndash; e, durante este per&iacute;odo, diversos documentos de teor conceptual e estrat&eacute;gico que foram produzidos para enquadrar os planos regionais de ordenamento do territ&oacute;rio, estranhamente, ou n&atilde;o, o resultado que se tem no territ&oacute;rio n&atilde;o &eacute; o que se desejava. Como se afirmou nas primeiras p&aacute;ginas do artigo, deveria haver no territ&oacute;rio uma correspond&ecirc;ncia, quanto aos usos e fun&ccedil;&otilde;es, ao que est&aacute; definido e previsto nas plantas de ordenamento dos PDM. Por&eacute;m, muito poucas s&atilde;o as situa&ccedil;&otilde;es em que tal se verifica. A observa&ccedil;&atilde;o revela a manuten&ccedil;&atilde;o e a perpetua&ccedil;&atilde;o dos mecanismos de ocupa&ccedil;&atilde;o e apropria&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio que subsistem sem correspond&ecirc;ncia com os princ&iacute;pios do material estrat&eacute;gico, legislativo e normativo que foi sendo produzido.</p>     <p>Durante os &uacute;ltimos 20 anos, e n&atilde;o obstante: <i>i</i>) as sucessivas altera&ccedil;&otilde;es dos quadros legais e normativos; <i>ii</i>) o alargamento dos &acirc;mbitos de elabora&ccedil;&atilde;o, participa&ccedil;&atilde;o e concerta&ccedil;&atilde;o dos processos de planeamento e de ordenamento do territ&oacute;rio aos v&aacute;rios n&iacute;veis e escalas geogr&aacute;ficas de actua&ccedil;&atilde;o das entidades; e <i>iii</i>) as significativas melhorias nos dom&iacute;nios tecnol&oacute;gicos, comunicacionais, inform&aacute;ticos, cartogr&aacute;ficos, etc.; n&atilde;o se operaram as transforma&ccedil;&otilde;es desejadas e perspectivadas. Subsistem, e de forma bastante vincada, as &ldquo;<i>condicionantes de fundo</i>&rdquo; (Ferr&atilde;o, 2004, pp. 74), apesar do novo quadro redistributivo das fun&ccedil;&otilde;es e responsabilidades de promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento territorial.</p>     <p>Em dom&iacute;nios como o objecto do presente artigo, s&atilde;o ainda evidentes os insuficientes desempenhos das fun&ccedil;&otilde;es de &ldquo;<i>regula&ccedil;&atilde;o da ac&ccedil;&atilde;o de actores</i>&rdquo; (escalas nacional-regional) e, sobretudo, a &ldquo;<i>mobiliza&ccedil;&atilde;o de actores regionais e subregionais em torno de programas de ac&ccedil;&atilde;o comuns</i>&rdquo; (Ferr&atilde;o, 2004, pp. 76). A constitui&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento de &aacute;reas para o acolhimento de actividades empresariais na Regi&atilde;o do Algarve poderiam ter constitu&iacute;do um &ldquo;<i>programa de ac&ccedil;&atilde;o comum</i>&rdquo;, tivesse entretanto existido nas v&aacute;rias fases do processo, um entendimento prospectivo dos diversos agentes envolvidos e, sobretudo, uma aproxima&ccedil;&atilde;o entre dois dom&iacute;nios que persistem em n&atilde;o se integrarem mutuamente: o desenvolvimento regional e o ordenamento do territ&oacute;rio.</p>     <p>Neste quadro, brevemente resumido, foram tamb&eacute;m apontados os exemplos da constitui&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas empresariais de Aljezur e do MARF. Os documentos estrat&eacute;gicos de refer&ecirc;ncia produzidos nos &uacute;ltimos 20 anos referem a necessidade de cria&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas daquela natureza, que permitiriam criar e atrair empresas para a Regi&atilde;o, e dot&aacute;-la de um tecido produtivo forte e gerador de emprego. Contudo, aqueles documentos n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o t&ecirc;m conseguido apresentar diagn&oacute;sticos &ldquo;reais&rdquo; e, assim, uma fundamenta&ccedil;&atilde;o estruturada e consistente, como tamb&eacute;m n&atilde;o t&ecirc;m conseguido, naturalmente, mobilizar os restantes actores para a sua prossecu&ccedil;&atilde;o. Em 2012, ainda n&atilde;o teve lugar a formaliza&ccedil;&atilde;o da revis&atilde;o de nenhum PDM da Regi&atilde;o, e os poucos processos em curso est&atilde;o ainda numa fase muito embrion&aacute;ria; enquanto no quadro vigente continuam a subsistir as condi&ccedil;&otilde;es para as actua&ccedil;&otilde;es &ldquo;<i>fragmentadas</i>&rdquo; e &ldquo;<i>localistas</i>&rdquo;.</p>     <p>Por &uacute;ltimo, e face ao volume das &ldquo;discord&acirc;ncias&rdquo; demonstradas ao longo do artigo entre os documentos estrat&eacute;gicos e enquadradores e o planeado, executado e ocupado, subsiste a quest&atilde;o da adequabilidade da &aacute;rea de localiza&ccedil;&atilde;o empresarial enquanto figura para acolher as actividades empresariais. As discord&acirc;ncias verificam-se um pouco por todo o pa&iacute;s, n&atilde;o s&atilde;o um exclusivo do Algarve.</p>     <p>Os discursos e as hip&oacute;teses que suportam a concentra&ccedil;&atilde;o destas actividades em espa&ccedil;os e zonamento pr&oacute;prios referem um vasto leque de vantagens, nomeadamente: a diminui&ccedil;&atilde;o dos custos com a infraestrutura&ccedil;&atilde;o; a especificidade da pr&oacute;pria infraestrutura&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o pode ser ub&iacute;qua e extens&iacute;vel a todo o territ&oacute;rio; o ambiente empresarial; as economias de escala, de aglomera&ccedil;&atilde;o e as sinergias; a incompatibiliza&ccedil;&atilde;o com outros usos; etc.. Parece, assim, com a concentra&ccedil;&atilde;o, prevalecer um quadro e uma l&oacute;gica nos quais se combinam tanto as vantagens para as empresas (reparti&ccedil;&atilde;o de custos das infraestruturas, ambiente empresarial, e outros) como para o ordenamento do territ&oacute;rio e a gest&atilde;o territorial. At&eacute; houve, como se deu conta, &aacute;reas empresariais que se constitu&iacute;ram neste contexto. Como foi destacado, apenas duas funcionam com uma gest&atilde;o conjunta e com um projecto definido. Existem, por&eacute;m, mais &aacute;reas na regi&atilde;o, n&atilde;o exactamente nos par&acirc;metros das duas referidas, mas aproveitando as vantagens pr&oacute;prias de uma aglomera&ccedil;&atilde;o, mesmo que apenas org&acirc;nica.</p>     <p>Parece, assim, subsistir a adequabilidade da figura da &aacute;rea de localiza&ccedil;&atilde;o empresarial. O que ter&aacute; falhado, e sobre tal se procurou reflectir, ter&atilde;o sido: <i>i</i>) factores que est&atilde;o na g&eacute;nese ou a montante do exerc&iacute;cio de planeamento &ndash; orienta&ccedil;&otilde;es vagas, interpreta&ccedil;&otilde;es e aplica&ccedil;&otilde;es das mesmas sem nexo, excesso de &aacute;reas de localiza&ccedil;&atilde;o empresarial na grande maioria dos munic&iacute;pios, a escolha (e inscri&ccedil;&atilde;o nos IGT) de localiza&ccedil;&otilde;es sem qualquer aptid&atilde;o e viabilidade, etc.; <i>ii</i>) condi&ccedil;&otilde;es para implementa&ccedil;&atilde;o e monitoriza&ccedil;&atilde;o eficaz dos IGT &ndash; a cria&ccedil;&atilde;o (frequentemente sem execu&ccedil;&atilde;o) de mais &aacute;reas, sem uma altera&ccedil;&atilde;o (remo&ccedil;&atilde;o, eventualmente) das existentes; a pr&oacute;pria ultrapassagem, em muito, do per&iacute;odo de 10 anos previsto na lei para a revis&atilde;o do PDM, e <i>iii</i>) pr&aacute;ticas, seguidas na gest&atilde;o quotidiana em mat&eacute;ria de autoriza&ccedil;&atilde;o de localiza&ccedil;&atilde;o e licenciamento, que, sem uma perspectiva enquadradora, foram permitindo a instala&ccedil;&atilde;o de unidades industriais, log&iacute;sticas e comerciais um pouco por todo o territ&oacute;rio, frequentemente at&eacute; em terrenos abrangidos por condicionantes especiais.</p>     <p>Entretanto, e como as empresas e as actividades nascem, desenvolvem-se e morrem, t&ecirc;m din&acirc;micas pr&oacute;prias que, frequentemente, apenas postumamente s&atilde;o enquadradas em modelos te&oacute;ricos &ndash; funcionais, espaciais ou outros &ndash; e em quadros legais e normativos que, n&atilde;o raras vezes, requerem a aplica&ccedil;&atilde;o de regimes transit&oacute;rios para compatibiliza&ccedil;&atilde;o (legaliza&ccedil;&atilde;o), o processo de ocupa&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio prossegue, em grande medida, no modelo que existia antes da cobertura do territ&oacute;rio pelos planos de ordenamento.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>5. Bibliografia</b></p>     <p>CABRAL, J. e CRESPO, J. L. (2012) &ldquo;Urban policy goals and territorial planning &ndash; articulations and lessons from planning urban regions in Porugal&rdquo; in: Cravid&atilde;o, F., Rio Fernandes, J. A. &amp; Valen&ccedil;a, M. M. (Orgs.) Urban developments in Brazil and Portugal, New York: Nova Science Publishers</p>     <p>CEDRU (2000): Estudo de Avalia&ccedil;&atilde;o do PROT Algarve (1989/96 &ndash; Relat&oacute;rio Final, Lisboa, Centro de Estudos em Desenvolvimento Regional e Urbano.</p>     <!-- ref --><p>CCDR Algarve (2006): Estrat&eacute;gia de Desenvolvimento do Algarve 2007-2013, Faro, Comiss&atilde;o de Coordena&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Regional do Algarve&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S2182-1267201400010000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>CCDR Algarve (2007): PROT Algarve: Volume I &ndash; Plano, Faro, Comiss&atilde;o de Coordena&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Regional do Algarve (tamb&eacute;m dispon&iacute;vel em <a href="http://www.ccdr-alg.pt"target="_blank">www.ccdr-alg.pt</a>)</p>     <!-- ref --><p>CCR Algarve (1990): Plano Regional de Ordenamento do Territ&oacute;rio do Algarve, Faro, Comiss&atilde;o de Coordena&ccedil;&atilde;o Regional do Algarve&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S2182-1267201400010000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>FERR&Atilde;O, J. (2004), &ldquo;Uma pol&iacute;tica regional para Portugal&rdquo;, Sociedade e Territ&oacute;rio, N&ordm; 37/38, Junho 2004, pp. 72-79</p>     <!-- ref --><p>NEEDHAM, B. (2006) Planning, Law and Economics: The rules we make for using land, Routledge&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S2182-1267201400010000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>PORTAS, N.; DOMINGUES, &Aacute;. e CABRAL, J. (2003) Pol&iacute;ticas Urbanas &ndash; tend&ecirc;ncias, estrat&eacute;gias e oportunidades, Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian</p>     <p>PORTAS, N.; DOMINGUES, &Aacute;. e CABRAL, J. (2011) Pol&iacute;ticas Urbanas II &ndash; transforma&ccedil;&otilde;es, regula&ccedil;&atilde;o e projectos, Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>SOARES, L. J. BRUNO (2004): &ldquo;Paradoxos e equ&iacute;vocos de 20 anos de planeamento do territ&oacute;rio&rdquo;, Sociedade e Territ&oacute;rio, N&ordm; 37/38, Junho 2004, pp. 96-102</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Apenas foram financiados 3 projectos/ac&ccedil;&otilde;es de &ldquo;zonas empresariais locais&rdquo;: Feiteirinha (Aljezur), Loteamento Municipal das Quatro Estradas (Alcoutim) e &Aacute;rea Empresarial de Tavira &ndash;, que totalizaram uma comparticipa&ccedil;&atilde;o de 5,19 M &euro;.</p>      ]]></body><back>
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