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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Conflitos territoriais em áreas protegidas de pequenas ilhas: a &#8220;ilha montanha&#8221; do Pico (Açores - Portugal)]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Small islands are vulnerable systems due to their specific socio-economic and natural characteristics. Simultaneously, these features contribute to a natural heritage with a high level of endemism and the development of unique cultural landscapes. In this context, the creation of protected areas has proven to be an appropriate measure for nature conservation and cultural heritage management. However, constraints resulting from protection regimes tend to create conflicts, especially when the local economic basis is affected. On small islands, these conflicts may escalate due to the increasing competition for limited space and resources. The article discusses the territorial conflicts related to protected areas in such contexts, taking Pico Island (Azores, Portugal) as a case study.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conflitos territoriais em &aacute;reas protegidas de pequenas ilhas: a &ldquo;ilha montanha&rdquo; do Pico (A&ccedil;ores &ndash; Portugal)</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Pereira, Margarida<sup>1</sup>; Bragagnolo, Chiara<sup>2</sup>; Calado, Helena<sup>3</sup>; Fonseca, Catarina<sup>1</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>e-GEO - Centro de Estudos de Geografia e Planeamento Regional, FCSH-UNL; <a style="color: #000080;" href="mailto:ma.pereira@fcsh.unl.pt">ma.pereira@fcsh.unl.pt</a>; <a style="color: #000080;" href="mailto:catarinafonseca7@gmail.com">catarinafonseca7@gmail.com</a></p>     <p><sup>2</sup>Instituto de Ci&ecirc;ncias Biol&oacute;gicas e da Sa&uacute;de, Universidade Federal de Alagoas (UFAL); <a style="color: #000080;" href="mailto:chiara.bragagnolo@yahoo.com.br">chiara.bragagnolo@yahoo.com.br</a></p>     <p><sup>3</sup>CIBIO, Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o em Biodiversidade e Recursos Gen&eacute;ticos (P&oacute;lo A&ccedil;ores); <a style="color: #000080;" href="mailto:calado@uac.pt">calado@uac.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>As pequenas ilhas s&atilde;o sistemas muito vulner&aacute;veis devido &agrave;s suas especificidades socioecon&oacute;micas e naturais. Mas essas caracter&iacute;sticas contribu&iacute;ram para a forma&ccedil;&atilde;o de um patrim&oacute;nio natural com elevado n&iacute;vel de endemismos e para o desenvolvimento de paisagens culturais &uacute;nicas. Neste contexto, a cria&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas protegidas &eacute; uma das medidas mais apropriadas para a conserva&ccedil;&atilde;o da natureza e a gest&atilde;o do patrim&oacute;nio cultural. Contudo, as restri&ccedil;&otilde;es relacionadas com o seu regime de prote&ccedil;&atilde;o tendem a gerar situa&ccedil;&otilde;es de conflito, especialmente quando afetam a base econ&oacute;mica local. Estes conflitos podem agudizar-se devido &agrave; maior competi&ccedil;&atilde;o pelos espa&ccedil;os e recursos limitados. O artigo aborda os conflitos territoriais relacionados com as &aacute;reas protegidas em contextos insulares ex&iacute;guos, tendo a &ldquo;ilha montanha&rdquo; do Pico como caso de estudo.</p>     <p><b>Palavras-Chave</b>: conflitos territoriais, atores, &aacute;reas protegidas, pequenas ilhas, desenvolvimento sustent&aacute;vel.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Small islands are vulnerable systems due to their specific socio-economic and natural characteristics. Simultaneously, these features contribute to a natural heritage with a high level of endemism and the development of unique cultural landscapes. In this context, the creation of protected areas has proven to be an appropriate measure for nature conservation and cultural heritage management. However, constraints resulting from protection regimes tend to create conflicts, especially when the local economic basis is affected. On small islands, these conflicts may escalate due to the increasing competition for limited space and resources. The article discusses the territorial conflicts related to protected areas in such contexts, taking Pico Island (Azores, Portugal) as a case study.</p>     <p><b>Keywords:</b> territorial conflicts, stakeholders, protected areas, small islands, sustainable development.</p>     <p>&nbsp;&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>1.Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>O artigo aborda os conflitos territoriais relacionados com as &aacute;reas protegidas em contextos insulares ex&iacute;guos, tendo a ilha do Pico (A&ccedil;ores, Portugal) como caso de estudo. Esta ilha representa um contexto emblem&aacute;tico para a conserva&ccedil;&atilde;o da natureza, devido &agrave; extens&atilde;o de espa&ccedil;o protegido (cerca de 35% do seu territ&oacute;rio) e &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o dum novo sistema de gest&atilde;o da natureza na Regi&atilde;o, em 2007, que criou o conceito de Parque Natural de Ilha (PNI). Apesar de inovadora, esta pol&iacute;tica regional de conserva&ccedil;&atilde;o da natureza ao n&iacute;vel local e os m&uacute;ltiplos interesses dos atores socioecon&oacute;micos e pol&iacute;tico-administrativos podem agudizar conflitos existentes ou gerar novos. Os objetivos do artigo s&atilde;o: identificar, interpretar e espacializar os conflitos territoriais e os atores envolvidos, analisar o contexto de aparecimento dos conflitos e dar contributos para a sua resolu&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>O texto est&aacute; estruturado em seis pontos: para al&eacute;m da introdu&ccedil;&atilde;o, o ponto 2 problematiza os conflitos territoriais em contextos insulares ex&iacute;guos; o ponto 3 introduz o caso de estudo e uma breve descri&ccedil;&atilde;o da evolu&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica regional de conserva&ccedil;&atilde;o da natureza; o ponto 4 descreve a metodologia adoptada para identificar e localizar os conflitos; o ponto 5 apresenta os resultados e o ponto 6 discute-os e avan&ccedil;a com as principais conclus&otilde;es.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2.Problematiza&ccedil;&atilde;o: Conflitos territoriais em contextos insulares ex&iacute;guos</b></p>     <p>As pequenas ilhas s&atilde;o ecossistemas muito vulner&aacute;veis, devido &agrave;s caracter&iacute;sticas biof&iacute;sicas, demogr&aacute;ficas e socioecon&oacute;micas (espa&ccedil;o e recursos limitados, maior exposi&ccedil;&atilde;o a altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas e riscos naturais, economias pequenas), que constituem desafios adicionais para o desenvolvimento sustent&aacute;vel e a conserva&ccedil;&atilde;o da natureza e da paisagem (Calado <i>et al.</i>, 2007; Calado, 2008; Lagabrielle <i>et al.</i>, 2011). As atividades humanas representam a&iacute; umas das maiores press&otilde;es sobre os ecossistemas (van Beukering <i>et al.</i>, 2007; Lagabrielle <i>et al.</i>, 2009). Portanto, o estabelecimento de &aacute;reas protegidas est&aacute; considerado entre as medidas mais eficientes para a conserva&ccedil;&atilde;o e a gest&atilde;o da natureza, da paisagem e dos recursos escassos neste contexto (Kerr, 2005; Niles &amp; Baldacchino, 2011).</p>     <p>Todavia, as &aacute;reas protegidas n&atilde;o s&atilde;o lugares isentos de conflitos (Lewis, 1996), especialmente quando o acr&eacute;scimo de restri&ccedil;&otilde;es relacionado com o seu regime de prote&ccedil;&atilde;o afeta a base econ&oacute;mica local (Borrini-Feyerabend, 1996; Castro &amp; Nielsen, 2003). No que respeita aos contextos insulares, os conflitos nas &aacute;reas protegidas podem agudizar-se devido &agrave; maior competi&ccedil;&atilde;o pelos espa&ccedil;os e recursos limitados (Lagabrielle <i>et al.</i>, 2011). Um conflito surge quando as partes envolvidas s&atilde;o interdependentes, isto &eacute;, quando as expectativas de uns condicionam as dos outros. As situa&ccedil;&otilde;es mais comuns para a emerg&ecirc;ncia de conflitos territoriais est&atilde;o associadas: ao processo de (re)apropria&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o geogr&aacute;fico e &agrave; disputa de recursos escassos; &agrave; diversidade de valores em presen&ccedil;a; &agrave;s diferentes territorialidades dos envolvidos; &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es de poder, refletidas nos processos de decis&atilde;o (Schmid, 1998; Carrero Canela, 2009). Em contextos de profundas transforma&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas, sociais e territoriais, os conflitos s&atilde;o quase inevit&aacute;veis, mas n&atilde;o s&atilde;o necessariamente negativos, constituindo uma oportunidade para identificar e resolver problemas (Lewis, 1996; Lockwood, 2010). O planeamento territorial, sobretudo quando alicer&ccedil;ado em modelos colaborativos, pode constituir um instrumento para a preven&ccedil;&atilde;o ou para a resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos.</p>     <p>Assim, a gest&atilde;o das &aacute;reas protegidas ser&aacute; mais eficiente se for adotada uma abordagem inclusiva, baseada na colabora&ccedil;&atilde;o dos atores e das comunidades locais (Borrini-Feyerabend, 1996). O envolvimento efetivo dos atores no planeamento e na gest&atilde;o pode facilitar a identifica&ccedil;&atilde;o e localiza&ccedil;&atilde;o proativa dos conflitos, minimizando <i>trade-off</i> negativos entre conserva&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento econ&oacute;mico e aumentando a perce&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica sobre os benef&iacute;cios proporcionados pelos ecossistemas e pelo estatuto de prote&ccedil;&atilde;o (Lewis, 1996; Jamal, 2004).</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Caso de estudo: o PNI do Pico</b></p>     <p><b>3.1 Enquadramento biogeogr&aacute;fico </b></p>     <p>O Arquip&eacute;lago dos A&ccedil;ores, Regi&atilde;o Aut&oacute;noma de Portugal, localiza-se no Atl&acirc;ntico Norte. Tem 9 ilhas habitadas, de origem vulc&acirc;nica, distribu&iacute;das por tr&ecirc;s grupos geogr&aacute;ficos: Ocidental, Central e Oriental. O Pico pertence ao grupo Central e &eacute; a segunda maior ilha dos A&ccedil;ores, com uma extens&atilde;o de 447 km<sup>2</sup> e 152 km de costa. Na parte ocidental situa-se a montanha hom&oacute;nima, com altitude de 2351 metros, que lhe confere um valor paisag&iacute;stico singular.</p>     <p>Em 2011, a popula&ccedil;&atilde;o residente rondava os 15000 habitantes. As &aacute;reas urbanas, de pequena dimens&atilde;o, localizam-se na faixa costeira. A base econ&oacute;mica est&aacute; suportada na agro-pecu&aacute;ria (fileira do leite e da carne). O turismo de natureza est&aacute; em crescimento, sendo a montanha um dos focos da atra&ccedil;&atilde;o tur&iacute;stica, que justificou o investimento do governo regional numa "casa da montanha", a meia encosta (1100 metros), para controlar e apoiar o &uacute;nico acesso ao trilho que permite a subida.</p>     <p>A combina&ccedil;&atilde;o entre isolamento geogr&aacute;fico e fatores geof&iacute;sicos (clima, natureza do solo) originou grande variedade de s&iacute;tios e habitats naturais dotados de elevado interesse conservacionista (turfeiras, zonas h&uacute;midas, campos de lava) onde abundam esp&eacute;cies end&eacute;micas. A ilha do Pico distingue-se tamb&eacute;m pela Paisagem Protegida da Cultura da Vinha, resultante da transforma&ccedil;&atilde;o antr&oacute;pica de parte da zona costeira, a partir do s&eacute;culo XV. Esta adapta&ccedil;&atilde;o da viticultura a caracter&iacute;sticas territoriais adversas (aus&ecirc;ncia ou reduzida espessura de solo, terreno repleto de pedra, ventos com salsugem) deu origem a um patrim&oacute;nio hist&oacute;rico-cultural &uacute;nico, classificado como Patrim&oacute;nio da Humanidade pela UNESCO em 2004 (UNESCO, 2004). A zona inclui um not&aacute;vel padr&atilde;o de muros lineares, paralelos e perpendiculares &agrave; linha de costa, onde as vinhas s&atilde;o cultivadas em ch&atilde;o de lava negra em milhares de pequenos e cont&iacute;guos lotes rectangulares (<i>currais</i> ou <i>curraletas</i>), e um diversificado patrim&oacute;nio edificado, de apoio &agrave; vitivinicultura. A partir dos anos 50, a escassez de m&atilde;o-de-obra, a desloca&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o para meios urbanos e os elevados custos de produ&ccedil;&atilde;o inerentes &agrave; especificidade desta cultura (impossibilidade de mecaniza&ccedil;&atilde;o), provocou o abandono dos sistemas tradicionais de produ&ccedil;&atilde;o de vinha em currais e das &aacute;reas de cultivo, fragmentando parte das grandes propriedades em pequenas parcelas com um elevado n&uacute;mero de propriet&aacute;rios privados (UNESCO, 2004). Nos &uacute;ltimos anos a produ&ccedil;&atilde;o de vinha foi retomada, potenciando a adega cooperativa.</p>     <p>A qualidade do ambiente e dos recursos naturais, assim como o patrim&oacute;nio paisag&iacute;stico, levaram &agrave; designa&ccedil;&atilde;o de um conjunto de &aacute;reas com diferente estatuto de prote&ccedil;&atilde;o na Regi&atilde;o, como veremos de seguida.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>3.2 A pol&iacute;tica regional de conserva&ccedil;&atilde;o da natureza</b></p>     <p>Ao longo dos anos o enquadramento jur&iacute;dico das &aacute;reas protegidas sofreu altera&ccedil;&otilde;es, refletindo a evolu&ccedil;&atilde;o nacional da pol&iacute;tica de conserva&ccedil;&atilde;o da natureza. Ap&oacute;s a cria&ccedil;&atilde;o de reservas pontuais, a adapta&ccedil;&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o nacional que estabelece uma Rede Nacional de &Aacute;reas Protegidas<a href="#_ftn1" name="_ftnref1"><sup><sup>[1]</sup></sup></a> ao contexto regional constituiu o primeiro enquadramento global para a cria&ccedil;&atilde;o duma rede de &aacute;reas protegidas nos A&ccedil;ores<a href="#_ftn2" name="_ftnref2"><sup><sup>[2]</sup></sup></a>, integrando reservas florestais e naturais. Mais tarde foram inclu&iacute;das as &aacute;reas da Rede Natura 2000 classificadas em 2004<a href="#_ftn3" name="_ftnref3"><sup><sup>[3]</sup></sup></a>, as &aacute;reas designadas ao abrigo de conven&ccedil;&otilde;es internacionais para a prote&ccedil;&atilde;o da natureza e as Zonas H&uacute;midas de Interesse Internacional (Conven&ccedil;&atilde;o de Ramsar).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A administra&ccedil;&atilde;o produziu legisla&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m para prote&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies end&eacute;micas, como a <i>Erica Azorica</i> (Urze), protegida pela Conven&ccedil;&atilde;o de Berna e pela Diretiva Habitat.</p>     <p>A pouca adequa&ccedil;&atilde;o do regime nacional &agrave; estrutura insular e as dificuldades de gest&atilde;o das in&uacute;meras &aacute;reas referidas (com objetivos e orienta&ccedil;&otilde;es de gest&atilde;o diferenciados) levaram a administra&ccedil;&atilde;o regional a criar o conceito de Parque Natural de Ilha (PNI) em 2007<a href="#_ftn4" name="_ftnref4"><sup><sup>[4]</sup></sup></a>, procedendo &agrave; revis&atilde;o e reclassifica&ccedil;&atilde;o da rede de &aacute;reas protegidas de acordo com o regime de categorias de gest&atilde;o da Uni&atilde;o Internacional para a Conserva&ccedil;&atilde;o da Natureza (IUCN) (Dudley, 2008; Calado, 2008; Fonseca <i>et al.</i>, 2013).</p>     <p>Em consequ&ecirc;ncia da aplica&ccedil;&atilde;o deste regime jur&iacute;dico e de gest&atilde;o, a Rede de &Aacute;reas Protegidas dos A&ccedil;ores &eacute; atualmente constitu&iacute;da por um sistema de nove Parques Naturais terrestres (um por cada ilha) e um Parque Marinho. Cada Parque ser&aacute; dotado de um plano de natureza especial e ter&aacute; uma entidade gestora pr&oacute;pria (&oacute;rg&atilde;o de gest&atilde;o de &aacute;rea protegida por ilha).</p>     <p>No Pico as &aacute;reas protegidas mais emblem&aacute;ticas s&atilde;o a Reserva Natural da Montanha (classificada em 1982<a href="#_ftn5" name="_ftnref5"><sup><sup>[5]</sup></sup></a>), a Paisagem Protegida de Interesse Regional da Cultura da Vinha da Ilha do Pico<a href="#_ftn6" name="_ftnref6"><sup><sup>[6]</sup></sup></a>, as &aacute;reas integradas na Rede Natura 2000 e um S&iacute;tio Ramsar.</p>     <p>Em 2008 foi institu&iacute;do o Parque Natural da Ilha do Pico (PNI), incluindo as &aacute;reas protegidas existentes e criando outra. O PNI do Pico constitui, assim, uma unidade integrada de 22 &aacute;reas protegidas, pautada por objetivos de gest&atilde;o e conserva&ccedil;&atilde;o que contempla espa&ccedil;os com particulares aptid&otilde;es para a conserva&ccedil;&atilde;o da natureza, da paisagem e dos recursos naturais. A sua extens&atilde;o cobre 35% da ilha, abrangendo sobretudo: &aacute;reas ocupadas pela montanha e pelo planalto central com aspetos geol&oacute;gicos e ecol&oacute;gicos not&aacute;veis; tro&ccedil;os litorais fundamentais para a conserva&ccedil;&atilde;o dos recursos marinhos; e uma &aacute;rea de elevado valor cultural e paisag&iacute;stico, ocupada pela cultura da vinha.</p>     <p>Apesar do esfor&ccedil;o da administra&ccedil;&atilde;o regional em criar um modelo inovador de gest&atilde;o das &aacute;reas protegidas, o processo de planeamento, ainda n&atilde;o iniciado, dever&aacute; ponderar aspetos que indiciam dificuldades de gest&atilde;o, nomeadamente: &aacute;reas com valias ambientais diferentes, &agrave;s quais est&atilde;o associados objetivos de preserva&ccedil;&atilde;o distintos; press&otilde;es de ocupa&ccedil;&atilde;o diferenciadas, geradoras de conflitos territoriais pela disputa de recursos escassos; m&uacute;ltiplos atores envolvidos na gest&atilde;o, nem sempre em sintonia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. Metodologia</b></p>     <p>A pesquisa desdobrou-se na identifica&ccedil;&atilde;o e espacializa&ccedil;&atilde;o dos conflitos territoriais, no posicionamento dos atores e na an&aacute;lise cr&iacute;tica dos planos de ordenamento em vigor.&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>4.1 Identifica&ccedil;&atilde;o dos conflitos</b></p>     <p>A perce&ccedil;&atilde;o dos conflitos apoiou-se na abordagem aos atores e na an&aacute;lise cr&iacute;tica dos planos de ordenamento. No primeiro caso foi questionada a perspetiva dos atores em rela&ccedil;&atilde;o ao PNI. No segundo caso, foram identificados os problemas associados aos instrumentos de ordenamento do territ&oacute;rio da responsabilidade da administra&ccedil;&atilde;o regional, com objetivos direcionados para a conserva&ccedil;&atilde;o da natureza, pois parte das &aacute;reas do PNI j&aacute; est&atilde;o sujeitas a orienta&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas de planeamento.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4.1.1 Abordagem aos atores</b></p>     <p>A abordagem aos atores envolveu duas etapas:</p> <ul>     <li><i>Classifica&ccedil;&atilde;o dos atores</i>. Os principais atores foram identificados pela sua natureza ou &aacute;rea de atividade, apresentando interesses diretos ou indiretos na &aacute;rea do PNI e/ou sendo suscet&iacute;veis de serem afetados pelas medidas de gest&atilde;o. Assim, foram selecionados os representantes de entidades governamentais (administra&ccedil;&otilde;es municipais e autoridade gestora do PNI), da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental regional para a defesa do ambiente (com representa&ccedil;&atilde;o formal na ilha) e das associa&ccedil;&otilde;es relacionadas com as atividades econ&oacute;micas (pesca, agropecu&aacute;ria, vitivinicultura e latic&iacute;nios). Na aus&ecirc;ncia de uma estrutura organizada para representar os interesses do setor do turismo, foram selecionadas empresas de alojamento tur&iacute;stico (hotel e turismo rural), de anima&ccedil;&atilde;o tur&iacute;stica e de atividades n&aacute;uticas. Para al&eacute;m disso, foram escolhidos os representantes de associa&ccedil;&otilde;es ligadas a atividades l&uacute;dicas (pesca desportiva, ca&ccedil;a, guias de montanha) e a outras atividades que interagem com turistas (taxistas). Foram ainda inclu&iacute;dos &oacute;rg&atilde;os de comunica&ccedil;&atilde;o social, quer pelo seu conhecimento da realidade local, quer pelo seu contributo na divulga&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o e na forma&ccedil;&atilde;o de opini&atilde;o (lista dos atores no <a href="#anexo1">Anexo I</a>). Subsequentemente, os atores foram classificados em quatro categorias: administra&ccedil;&otilde;es municipais; autoridade gestora do PNI; atores econ&oacute;micos - estruturas associativas e/ou empres&aacute;rios ligados aos setores econ&oacute;micos (agricultura/vinha, pecu&aacute;ria, ind&uacute;stria agroalimentar, pesca e turismo); e atores socioculturais (ONG, associa&ccedil;&otilde;es l&uacute;dico-recreativas e <i>media</i>);</li>     <li><i>Ausculta&ccedil;&atilde;o dos atores </i>atrav&eacute;s de entrevistas semiestruturadas (Julho de 2011), que focaram: opini&atilde;o geral sobre o PNI e os seus limites; benef&iacute;cios e constrangimentos do Parque para a ilha e para a atividade de cada ator.</li>     </ul>     <p>O tratamento apoiou-se em tr&ecirc;s matrizes: expectativas/atores; benef&iacute;cios/atores; constrangimentos/atores, para identificar os interesses conflituosos e os interesses concili&aacute;veis/sin&eacute;rgicos, condi&ccedil;&atilde;o essencial para posterior mobiliza&ccedil;&atilde;o dos atores em redor da sua supera&ccedil;&atilde;o/minimiza&ccedil;&atilde;o ou promo&ccedil;&atilde;o, respetivamente.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>4.1.2 An&aacute;lise cr&iacute;tica dos planos de ordenamento</b></p>     <p>O ordenamento do territ&oacute;rio em Portugal disp&otilde;e de instrumentos com diferentes fun&ccedil;&otilde;es: i) desenvolvimento territorial; ii) planeamento territorial; iii) pol&iacute;tica setorial com incid&ecirc;ncia territorial; e, iv) natureza especial. Os planos de natureza especial s&atilde;o dirigidos &agrave; gest&atilde;o dos recursos naturais. A an&aacute;lise cr&iacute;tica dos planos de ordenamento que incidem no PNI considerou apenas os de responsabilidade da administra&ccedil;&atilde;o regional, vocacionados para a preserva&ccedil;&atilde;o do ambiente e biodiversidade<a href="#_ftn7" name="_ftnref7"><sup><sup>[7]</sup></sup></a>:</p> <ul>     <li>Plano de Ordenamento das Bacias Hidrogr&aacute;ficas das Lagoas (POBHL, 2009), - orientado para a preserva&ccedil;&atilde;o da funcionalidade ecol&oacute;gica das Bacias Hidrogr&aacute;ficas das Lagoas e a gest&atilde;o dos seus recursos h&iacute;dricos;</li>     <li>Plano Sectorial da Rede Natura 2000 (PRN2000, 2004), que define o &acirc;mbito e as medidas de conserva&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas integradas na Rede Natura 2000;</li>     <li>Plano de Ordenamento da Paisagem Protegida de Interesse Regional da Cultura da Vinha da Ilha do Pico (POPPVIP, 2006), que visa a conserva&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio cultural atrav&eacute;s da valoriza&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio paisag&iacute;stico e o fomento da atividade vitivin&iacute;cola.</li>     </ul>     <p>A an&aacute;lise incidiu sobre a identifica&ccedil;&atilde;o dos objetivos definidos pelos planos, os problemas a&iacute; apontados e as solu&ccedil;&otilde;es preconizadas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>5. Resultados</b></p>     <p>Os resultados integram a interpreta&ccedil;&atilde;o das entrevistas aos atores, a an&aacute;lise cr&iacute;tica dos planos selecionados e a espacializa&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas com objetivos concili&aacute;veis e conflituosos em &aacute;reas protegidas na ilha de Pico.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5.1 Perspetiva dos atores </b></p>     <p>As entrevistas permitiram evidenciar as expectativas dos diferentes atores sobre o PNI bem como os benef&iacute;cios e constrangimentos que associam &agrave; sua cria&ccedil;&atilde;o (<a href="/img/revistas/got/n5/n5a10anexo2.gif">Anexo II</a>). A sua interpreta&ccedil;&atilde;o mostra os posicionamentos diferenciados por parte dos atores (administra&ccedil;&atilde;o local e regional, econ&oacute;micos e socioculturais).</p>     
<p>Nas expectativas declaradas pelos atores face ao PNI (<a href="#t1">Tab. 1</a>) constata-se:&nbsp;</p> <ul>     <li>a revis&atilde;o dos limites do parque (devido &agrave; perce&ccedil;&atilde;o negativa da sua extens&atilde;o excessiva), pretendida por diversos atores (8 de 18);</li>     <li>outras expectativas, relacionadas com interesses pr&oacute;prios ou particulares, tais como abastecimento de &aacute;gua e captura de lapas, (referidas por 7 dos 18 atores).</li>     </ul>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/got/n5/n5a10t1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A vis&atilde;o do PNI como instrumento de prote&ccedil;&atilde;o da natureza e de gest&atilde;o sustent&aacute;vel dos recursos &eacute; escassa, sendo as expectativas E6 e E7 apenas mencionadas por 2 e 3 atores, respetivamente. Nos benef&iacute;cios (<a href="#t2">Tab. 2</a>) observa-se a posi&ccedil;&atilde;o pouco favor&aacute;vel das administra&ccedil;&otilde;es locais face ao PNI, que n&atilde;o apontaram benef&iacute;cios (B5). J&aacute; os atores econ&oacute;micos e socioculturais reconheceram vantagens associadas ao refor&ccedil;o do turismo (B2) (9 de 18) e &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais (B1) (6 de 18). Nos constrangimentos (<a href="#t3">Tab. 3</a>), os que recolhem unanimidade dos atores econ&oacute;micos e socioculturais e da administra&ccedil;&atilde;o regional s&atilde;o: redu&ccedil;&atilde;o das pastagens (C4); limita&ccedil;&otilde;es &agrave; constru&ccedil;&atilde;o (C9) e prote&ccedil;&atilde;o da urze (C6) na &aacute;rea de pasto e na vinha.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2">     <p><img src="/img/revistas/got/n5/n5a10t2.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t3">     <p><img src="/img/revistas/got/n5/n5a10t3.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>5.2 An&aacute;lise cr&iacute;tica dos planos em vigor </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na &aacute;rea do PNI incidem tr&ecirc;s planos, com objetivos focados na preserva&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais e na valoriza&ccedil;&atilde;o da paisagem: dois planos especiais e um plano setorial.</p>     <p>O Plano de Ordenamento das Bacias Hidrogr&aacute;ficas das Lagoas (POBHL, 2009) estabelece orienta&ccedil;&otilde;es para as bacias hidrogr&aacute;ficas das principais lagoas (Caiado, Capit&atilde;o, Paul, Peixinho e Rosada). Segundo a classifica&ccedil;&atilde;o do PNI, todas as lagoas s&atilde;o abrangidas pela &Aacute;rea de Paisagem Protegida da Zona Central. As lagoas do Caiado e do Paul est&atilde;o tamb&eacute;m inclu&iacute;das noutras &aacute;reas do PNI.</p>     <p>O Plano Sectorial da Rede Natura 2000 (PRN2000, 2004) define o &acirc;mbito e o enquadramento legal das medidas de conserva&ccedil;&atilde;o dos habitats e das esp&eacute;cies da fauna e flora selvagens nas &aacute;reas integradas na Rede Natura 2000, todas abrangidas pelo PNI.</p>     <p>O Plano de Ordenamento da Paisagem Protegida de Interesse Regional da Cultura da Vinha da Ilha do Pico (POPPVIP, 2006) incide na respetiva &aacute;rea de paisagem protegida, que ocupa 3.078ha, dos quais 987ha est&atilde;o classificados como Patrim&oacute;nio da Humanidade e os restantes designados como &aacute;rea tamp&atilde;o. O PNI abrange a totalidade desta &aacute;rea.</p>     <p>Em termos gerais, os objetivos do POBHL e do PRN2000 s&atilde;o concili&aacute;veis: reduzir as &aacute;reas de pastagem, combater a eutrofiza&ccedil;&atilde;o das massas de &aacute;gua (lagoas) e conservar esp&eacute;cies e habitats end&eacute;micos. As medidas propostas s&atilde;o diversas, nomeadamente: cessa&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas de pastoreio nas bacias hidrogr&aacute;ficas e renaturaliza&ccedil;&atilde;o destes espa&ccedil;os, recupera&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas naturais degradadas, interdi&ccedil;&atilde;o da utiliza&ccedil;&atilde;o de &aacute;gua das lagoas para fins agropecu&aacute;rios (abeberamento de animais e extra&ccedil;&atilde;o por auto-tanques).</p>     <p>Os objetivos e as medidas do POPPVIP t&ecirc;m um car&aacute;ter menos conservacionista, visando a manuten&ccedil;&atilde;o da paisagem cultural da vinha, atrav&eacute;s da recupera&ccedil;&atilde;o e reabilita&ccedil;&atilde;o da atividade vitivin&iacute;cola e dos seus elementos peculiares, e o incremento da atividade, em complementaridade com o turismo e outros setores econ&oacute;micos.</p>     <p>A <a name="t4"><a href="/img/revistas/got/n5/n5a10t4.gif">Tabela 4</a>&nbsp;resume os objetivos de planeamento e gest&atilde;o consagrados nos tr&ecirc;s planos, os problemas/conflitos nas respetivas &aacute;reas de interven&ccedil;&atilde;o a&iacute; apontados e as solu&ccedil;&otilde;es preconizadas.</p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>5.3 Localiza&ccedil;&atilde;o dos conflitos</b></p>     <p>Em termos espaciais, os pontos cr&iacute;ticos associados aos conflitos territoriais est&atilde;o referenciados a quatro sub&aacute;reas: montanha, zona central, coroa interm&eacute;dia e faixa costeira (<a href="#f1">Fig. 1</a>). Embora o PNI abranja todos os an&eacute;is, as &aacute;reas protegidas concentram-se maioritariamente na faixa costeira, na zona central e na montanha.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f1">     <p><img src="/img/revistas/got/n5/n5a10f1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Os conflitos ligados ao uso do espa&ccedil;o rural e natural ocorrem sobretudo no n&uacute;cleo central da ilha (zona central e montanha). A&iacute; destacam-se:</p> <ul>     <li>a intensifica&ccedil;&atilde;o do uso da montanha para lazer com potencial altera&ccedil;&atilde;o da sua capacidade de carga, associada quer ao incremento da explora&ccedil;&atilde;o das atividades tur&iacute;sticas ao longo do ano, quer &agrave; possibilidade de cria&ccedil;&atilde;o de novos trilhos (<a href="/img/revistas/got/n5/n5a10anexo2.gif">Anexo II</a>) que pode entrar em conflito com os objetivos de conserva&ccedil;&atilde;o do s&iacute;tio;</li>     
<li>a expans&atilde;o das pastagens, com consequente aumento das press&otilde;es sobre as &aacute;reas de maior valia para a conserva&ccedil;&atilde;o da natureza e da biodiversidade (planalto central), induzidas por atividades agropecu&aacute;rias e outras poss&iacute;veis convers&otilde;es de uso do solo (de natural ou seminatural em floresta de prote&ccedil;&atilde;o). A convers&atilde;o de &aacute;reas naturais de altitude (como zonas h&uacute;midas, turfeiras e prados naturais) em pastagens resulta em conflito expl&iacute;cito com os objetivos de conserva&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies e habitats<a href="#_ftn8" name="_ftnref8"><sup><sup>[8]</sup></sup></a> e com os problemas mais evidenciados pelos planos que abrangem a zona central (POBHL; RN2000). Contudo, o impedimento do alargamentodas pastagens, com conseguinte redu&ccedil;&atilde;o da rentabilidade das explora&ccedil;&otilde;es agropecu&aacute;rias e da unidade industrial (f&aacute;brica de queijo), foram constrangimentos relevados por muitos atores;</li>     <li>a degrada&ccedil;&atilde;o da qualidade da &aacute;gua, devido ao uso m&uacute;ltiplo dos recursos h&iacute;dricos (abeberamento de animais, extra&ccedil;&atilde;o de &aacute;gua para apoio a lavoura e produ&ccedil;&atilde;o de energia). Estes problemas, tratados pelo POBHL, encontram-se em resolu&ccedil;&atilde;o, estando j&aacute; implementadas algumas das medidas a&iacute; propostas (reconvers&atilde;o das pastagens em espa&ccedil;os renaturalizados, constru&ccedil;&atilde;o de tanques para abeberamento dos animais fora das bacias hidrogr&aacute;ficas das lagoas).</li>     </ul>     <p>As &aacute;reas de pastagem na zona central aproximam-se dos 18.000ha, estando 35% em &aacute;reas protegidas (zona de conflito). Outros 19% foram identificados como zona de potencial conflito, devido ao risco de uma futura convers&atilde;o das &aacute;reas naturais.</p>     <p>Os conflitos com incid&ecirc;ncia na coroa costeira est&atilde;o associados a:</p> <ul>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>restri&ccedil;&otilde;es &agrave; constru&ccedil;&atilde;o na zona de Paisagem Protegida. Este conflito manifestou-se atrav&eacute;s da perce&ccedil;&atilde;o negativa ligada &agrave;s limita&ccedil;&otilde;es da capacidade edificat&oacute;ria. Os propriet&aacute;rios das explora&ccedil;&otilde;es vitivin&iacute;colas expressaram interesse de constru&ccedil;&atilde;o/amplia&ccedil;&atilde;o quer de instala&ccedil;&otilde;es de apoio &agrave; sua atividade (adegas, armaz&eacute;ns, solares, etc.) quer de constru&ccedil;&atilde;o para resid&ecirc;ncia (principal ou secund&aacute;ria); os operadores tur&iacute;sticos defenderam &iacute;ndices menos restritivos para a edificabilidade em espa&ccedil;o rural, como condi&ccedil;&atilde;o para assegurar empreendimentos de qualidade (<a href="/img/revistas/got/n5/n5a10anexo2.gif">Anexo II</a>);</li>     
<li>rentabilidade da vitivinicultura (recupera&ccedil;&atilde;o e reabilita&ccedil;&atilde;o) e preserva&ccedil;&atilde;o da paisagem cultural. A explora&ccedil;&atilde;o da atividade vin&iacute;cola resulta em conflito com a presen&ccedil;a de esp&eacute;cies vegetais (urze) e animais (coelho), citadas pelos atores como pragas que comprometem a viabilidade da produ&ccedil;&atilde;o. A restri&ccedil;&atilde;o &agrave; ca&ccedil;a (coelho) nas &aacute;reas protegidas e o estatuto de conserva&ccedil;&atilde;o de algumas esp&eacute;cies (urze) incrementam este conflito (o corte da urze para a planta&ccedil;&atilde;o de vinha &eacute; admitido, mas o processo burocr&aacute;tico requerido desincentiva os agricultores a adotar os procedimentos exigidos). A combina&ccedil;&atilde;o entre a aus&ecirc;ncia de pr&aacute;ticas agr&iacute;colas e as condi&ccedil;&otilde;es geomorfol&oacute;gicas e clim&aacute;ticas da ilha levaram &agrave; coloniza&ccedil;&atilde;o dos currais abandonados por comunidades ecol&oacute;gicas com elevada biodiversidade de esp&eacute;cies end&eacute;micas e invasoras.</li>     </ul>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>6. Discuss&atilde;o e conclus&otilde;es</b></p>     <p>A an&aacute;lise das entrevistas evidenciou a posi&ccedil;&atilde;o das quatro categorias de atores face ao PNI. Os constrangimentos associados ao PNI foram os mais apontados pelos atores, ao contr&aacute;rio dos eventuais benef&iacute;cios. Dado o car&aacute;ter inovador do conceito de PNI, a administra&ccedil;&atilde;o regional deveria ter colocado particular aten&ccedil;&atilde;o na sua divulga&ccedil;&atilde;o e nos seus prop&oacute;sitos, pr&eacute;-requisito essencial para um melhor acolhimento pela popula&ccedil;&atilde;o. Apesar da discuss&atilde;o p&uacute;blica efetuada na fase de reclassifica&ccedil;&atilde;o e delimita&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas protegidas, a pouca tradi&ccedil;&atilde;o de participa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o exigia da administra&ccedil;&atilde;o uma atitude mais proativa para cativar os atores locais, demonstrando o potencial intr&iacute;nseco do PNI para o desenvolvimento local, e o incremento de a&ccedil;&otilde;es continuadas de divulga&ccedil;&atilde;o e promo&ccedil;&atilde;o para uma eficaz concretiza&ccedil;&atilde;o ao longo do tempo.</p>     <p>A an&aacute;lise efetuada distinguiu diferentes conflitos, existentes e potenciais/latentes, induzidos pelo PNI, todos em redor da rela&ccedil;&atilde;o conserva&ccedil;&atilde;o da natureza-biodiversidade/desenvolvimento da economia local. Esta apoia-se em tr&ecirc;s atividades - agro-pecu&aacute;ria (agricultores e f&aacute;brica de queijo); turismo de natureza, associado sobretudo &agrave; montanha e circunscrito a uma pequena parte do ano; e vitivinicultura (produtores e adega cooperativa). Entre os diferentes atores econ&oacute;micos n&atilde;o h&aacute; conflitos diretos, pois nos processos de (re)apropria&ccedil;&atilde;o n&atilde;o disputam recursos naturais e as atividades desempenhadas n&atilde;o s&atilde;o concorrenciais, embora os valores que os mobilizam sejam diferenciados. Assim, sobressaem rela&ccedil;&otilde;es de neutralidade, sendo a conflitualidade focada na entidade gestora do parque. As autoridades locais (munic&iacute;pios) tendem tamb&eacute;m para a defesa dos interesses dos agentes econ&oacute;micos, embora procurem alguma aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave;quela entidade, de quem dependem para a resolu&ccedil;&atilde;o de problemas espec&iacute;ficos (nomeadamente abastecimento p&uacute;blico de &aacute;gua). No entanto, apontam-lhe um poder hegem&oacute;nico, pouco abertura ao di&aacute;logo, focagem (exclusiva) em objetivos de conserva&ccedil;&atilde;o. O consenso local encontrado est&aacute; alicer&ccedil;ado no entendimento que a Administra&ccedil;&atilde;o Regional com a tutela do ambiente imp&otilde;e restri&ccedil;&otilde;es &agrave;s atividades de terceiros, sem que ela pr&oacute;pria demonstre capacidade de cumprir aquilo a que se prop&otilde;e ou de n&atilde;o o fazer da forma mais adequada (a este prop&oacute;sito foi apontada, por exemplo, a deficiente gest&atilde;o da &ldquo;casa da montanha&rdquo;). Esta leitura &eacute; corroborada pelos <i>media</i>: defendem a preserva&ccedil;&atilde;o do ambiente, por ser um recurso vital para a ilha, mas, sendo insuficiente para sustentar a base econ&oacute;mica local, n&atilde;o pode inviabilizar o incremento das atividades instaladas.&nbsp;</p>     <p>Em termos espaciais, na faixa costeira concentram-se os conflitos gerados pelas limita&ccedil;&otilde;es &agrave; constru&ccedil;&atilde;o na zona da Paisagem Protegida. Al&eacute;m disso, a defesa do patrim&oacute;nio cultural conflitua com o incremento da atividade vitivin&iacute;cola e, por arrastamento, com o bom desempenho da adega cooperativa. Embora a explora&ccedil;&atilde;o das vinhas seja fundamental para a manuten&ccedil;&atilde;o do estatuto de patrim&oacute;nio da humanidade, os interesses entre os pressupostos para a conserva&ccedil;&atilde;o e recupera&ccedil;&atilde;o da paisagem cultural (s&oacute; mantida se economicamente rent&aacute;vel) est&atilde;o em tens&atilde;o permanente. A esta conflitualidade acrescem os conflitos com a conserva&ccedil;&atilde;o da natureza. De facto, a pr&aacute;tica da atividade vin&iacute;cola conflitua com esp&eacute;cies protegidas ao abrigo de conven&ccedil;&otilde;es internacionais (Conven&ccedil;&atilde;o de Berna), europeias (Diretiva Habitat e Diretiva Aves) e esp&eacute;cies predadoras protegidas (pombo torcaz dos A&ccedil;ores) e n&atilde;o protegidas (melro, coelho), apontadas como pragas pelos agricultores, devido aos danos que provocam nas vinhas. Esta prote&ccedil;&atilde;o pode constituir um desincentivo para a explora&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola, levando ao abandono e subsequente degrada&ccedil;&atilde;o da paisagem, comprometendo, no limite, a sua classifica&ccedil;&atilde;o. Perante os dois objetivos estrat&eacute;gicos, de concilia&ccedil;&atilde;o dif&iacute;cil, &eacute; indispens&aacute;vel definir prioridades. A op&ccedil;&atilde;o a favor da conserva&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio cultural parece evidente, dada a exiguidade, concentra&ccedil;&atilde;o e car&aacute;ter identit&aacute;rio &uacute;nico da &aacute;rea ocupada pela vinha. O problema pode residir na compet&ecirc;ncia da entidade gestora do PNI, focada na conserva&ccedil;&atilde;o da natureza e n&atilde;o no desenvolvimento sustent&aacute;vel duma atividade econ&oacute;mica e na gest&atilde;o duma paisagem de valor cultural peculiar.</p>     <p>Para a resolu&ccedil;&atilde;o dos conflitos identificados, a entidade gestora do PNI deveria adotar uma atitude mais colaborativa, envolvendo nos processo de decis&atilde;o os interessados e co-responsabilizando-os com os resultados, e mais flex&iacute;vel: por um lado, reavaliar a &aacute;rea classificada e retirar da classifica&ccedil;&atilde;o de patrim&oacute;nio da humanidade os currais onde a vinha j&aacute; foi substitu&iacute;da por agrupamentos de esp&eacute;cies end&eacute;micas e com estatuto de conserva&ccedil;&atilde;o atribu&iacute;do; por outro, em articula&ccedil;&atilde;o com os vitivinicultores, acompanhar o controlo das esp&eacute;cies que comprometem a atividade. A espacializa&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas em causa podem facilitar o di&aacute;logo com os atores, apoiando a defini&ccedil;&atilde;o de medidas consensuais. Os benef&iacute;cios alcan&ccedil;ados seriam positivos para o turismo (mais &aacute;rea de vinha reabilitada e cuidada), para a atividade econ&oacute;mica em si mesma (maior produ&ccedil;&atilde;o, mais empregos), e para a constru&ccedil;&atilde;o de um modelo de governan&ccedil;a (coopera&ccedil;&atilde;o dos atores assente na confian&ccedil;a e reciprocidade). Embora pouco abordada, a propriedade do solo &eacute; tamb&eacute;m cr&iacute;tica para o sucesso das explora&ccedil;&atilde;o, sendo fundamental encontrar mecanismos de aproxima&ccedil;&atilde;o entre propriet&aacute;rios da terra n&atilde;o interessados na explora&ccedil;&atilde;o e potenciais vitivinicultores sem terra.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que respeita &agrave;s restri&ccedil;&otilde;es da capacidade edificat&oacute;ria na &aacute;rea da Paisagem Protegida, o PNI deveria fazer uma reflex&atilde;o cr&iacute;tica sobre as regras em vigor, ponderando os ganhos e perdas. Tal podia ser equacionada em sede de revis&atilde;o do POPPVIP ou de elabora&ccedil;&atilde;o do plano de ordenamento do PNI (neste caso em coordena&ccedil;&atilde;o com os objetivos e par&acirc;metros estabelecidos em conjunto com a UNESCO para a &aacute;rea classificada como patrim&oacute;nio da humanidade). Assim, as condi&ccedil;&otilde;es para a implanta&ccedil;&atilde;o de unidades de apoio ao turismo rural poderiam ser revistas, mas sem comprometer o patrim&oacute;nio natural e paisag&iacute;stico, essenciais ao desenvolvimento da atividade tur&iacute;stica e &agrave; redu&ccedil;&atilde;o dos conflitos.</p>     <p>Outro conflito prende-se com a diminui&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas de pastagem na zona central, em benef&iacute;cio de &aacute;reas naturais. Para os atores ligados &agrave; agropecu&aacute;ria, apoiados pelas autoridades locais, esta circunst&acirc;ncia penaliza a rentabilidade econ&oacute;mica das explora&ccedil;&otilde;es e o funcionamento da ind&uacute;stria leiteira, com preju&iacute;zos manifestos para a economia da ilha. Para minimizar este conflito admitem-se como solu&ccedil;&otilde;es:</p> <ul>     <li>avalia&ccedil;&atilde;o da possibilidade de convers&atilde;o de &aacute;rea com predomin&acirc;ncia de esp&eacute;cies invasoras em pastagem, por exemplo em zonas sem estatuto de prote&ccedil;&atilde;o da coroa interm&eacute;dia;</li>     <li>condicionar o alargamento das pastagens em altitude (na zona central) e aplicar incentivos &agrave; extensifica&ccedil;&atilde;o agro-pecu&aacute;ria (por exemplo, integrando as medidas do PRN2000 ) para n&atilde;o comprometer a rentabilidade econ&oacute;mica da agropecu&aacute;ria;</li>     <li>integra&ccedil;&atilde;o do modelo de ordenamento do POBHL para o controlo do processo de eutrofiza&ccedil;&atilde;o das lagoas, suportando a coopera&ccedil;&atilde;o dos atores para a reconvers&atilde;o das pastagens nas bacias hidrogr&aacute;ficas em espa&ccedil;os renaturalizados;</li>     <li>refor&ccedil;o das alternativas de abeberamento dos animais propostas no POHBL (tanques localizados fora das bacias hidrogr&aacute;ficas).</li>     </ul>     <p>Tendo em conta a combina&ccedil;&atilde;o destas medidas, a gest&atilde;o do PNI dever&aacute; ponderar a possibilidade de expans&atilde;o da &aacute;rea de pastagem e a sua localiza&ccedil;&atilde;o. No entanto, a intensifica&ccedil;&atilde;o da atividade agropecu&aacute;ria pode ter, al&eacute;m da perda da biodiversidade, outras consequ&ecirc;ncias ambientais relevantes (maior risco de eros&atilde;o; refor&ccedil;o do consumo de &aacute;gua e diminui&ccedil;&atilde;o da sua qualidade; aumento de eutrofiza&ccedil;&atilde;o das lagoas). Assim, deve ser efetuada uma cuidada avalia&ccedil;&atilde;o ambiental suportada no di&aacute;logo com os atores, que pode ser facilitado com o recurso a metodologias de espacializa&ccedil;&atilde;o e ferramentas de visualiza&ccedil;&atilde;o. De facto, no aumento de pastagens a localiza&ccedil;&atilde;o deveria ser criteriosamente ponderada, pois h&aacute; propriedades em solo com escassa voca&ccedil;&atilde;o para a reconvers&atilde;o (caracter&iacute;sticas geomorfol&oacute;gicas ou pedol&oacute;gicas).</p>     <p>O turismo foi o setor que melhor acolheu o PNI. Todavia, emergiram problemas que dever&atilde;o ser acompanhados e superados, para evitar a sua transforma&ccedil;&atilde;o em conflitos. As principais cr&iacute;ticas incidiram sobre: i) diminutas condi&ccedil;&otilde;es para a instala&ccedil;&atilde;o de unidades do turismo de natureza resultante do excesso de restri&ccedil;&otilde;es &agrave; edificabilidade; ii) gest&atilde;o deficiente da casa da montanha (insufici&ecirc;ncia dos servi&ccedil;os prestados aos turistas); iii) subutiliza&ccedil;&atilde;o da montanha como recurso tur&iacute;stico (um &uacute;nico acesso, num curto per&iacute;odo do ano). A crescente divulga&ccedil;&atilde;o da ilha como destino de excel&ecirc;ncia de turismo de natureza estimula a ambi&ccedil;&atilde;o de ampliar as condi&ccedil;&otilde;es de subida &Agrave; montanha (mais trilhos, em todas as esta&ccedil;&otilde;es do ano). Por&eacute;m essa intensifica&ccedil;&atilde;o pode vir a alterar o equil&iacute;brio de posi&ccedil;&otilde;es entre os agentes tur&iacute;sticos e a entidade gestora do parque.</p>     <p>Por fim, a escassez dos recursos h&iacute;dricos para as necessidades humanas e a agropecu&aacute;ria n&atilde;o pode estar ausente das preocupa&ccedil;&otilde;es de gest&atilde;o do PNI. Algumas solu&ccedil;&otilde;es foram j&aacute; consensualizadas (bebedouros para o gado fora das bacias hidrogr&aacute;ficas, reconvers&atilde;o das lagoas do Capit&atilde;o e do Paul para abastecimento p&uacute;blico) e est&atilde;o em implementa&ccedil;&atilde;o, cabendo ao PNI acompanhar o seu refor&ccedil;o e monitoriza&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em conclus&atilde;o: o artigo aborda os conflitos territoriais relacionados com as &aacute;reas protegidas em contextos insulares pequenos. A exiguidade territorial, a par das pol&iacute;ticas e medidas de conserva&ccedil;&atilde;o da natureza, estimulam os conflitos associados &agrave; disputa pela utiliza&ccedil;&atilde;o dos recursos escassos e protegidos. A "ilha montanha", com caracter&iacute;sticas geogr&aacute;ficas peculiares e parte do territ&oacute;rio tutelado, &eacute; um caso de estudo emblem&aacute;tico.</p>     <p>A implementa&ccedil;&atilde;o da nova pol&iacute;tica de conserva&ccedil;&atilde;o da natureza definida pela administra&ccedil;&atilde;o regional, consubstanciada na cria&ccedil;&atilde;o do PNI, agudizou ou reconfigurou os conflitos locais, que tendem a gerar tens&atilde;o crescente entre atores e, no limite, podem condicionar os objetivos de partida. A audi&ccedil;&atilde;o dos atores evidenciou as contradi&ccedil;&otilde;es entre os objetivos (conservacionistas) da pol&iacute;tica regional e os interesses locais (de incremento da base econ&oacute;mica) perante a utiliza&ccedil;&atilde;o de recursos escassos e permitiu sistematizar conflitos, processos que os originaram, complementaridades e incompatibilidades. Dada a import&acirc;ncia da natureza como motor de desenvolvimento num arquip&eacute;lago onde os recursos naturais escasseiam, a reconfigura&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica de conserva&ccedil;&atilde;o reuniu um consenso alargado da comunidade regional face aos objetivos e ao instrumento adotado (PNI). Mas a aplica&ccedil;&atilde;o do conceito a uma realidade espec&iacute;fica encontrou resist&ecirc;ncias e obst&aacute;culos inesperados. Por um lado, a instala&ccedil;&atilde;o da entidade gestora do Parque na ilha tornou mais evidente o atrito com os atores locais, focados nos recursos enquanto suporte da base econ&oacute;mica da ilha; por outro, a conserva&ccedil;&atilde;o da natureza n&atilde;o pode inviabilizar a utiliza&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima dos recursos para a sustentabilidade econ&oacute;mica local. O cerne do conflito est&aacute; neste desequil&iacute;brio. A sua supera&ccedil;&atilde;o &eacute; indispens&aacute;vel para que os envolvidos vejam as suas expetativas atingidas, embora nunca otimizadas individualmente.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>7. Bibliografia </b></p>     <p>Borrini-Feyerabend, G., (1996). Collaborative Management of Protected Areas: Tailoring the Approach to the Context. Issues in Social Policy, IUCN, Gland (Switzerland).</p>     <p>Calado, H., (2008). Reclassifica&ccedil;&atilde;o da rede de &aacute;reas protegidas da Regi&atilde;o Aut&oacute;noma dos A&ccedil;ores. In: Gest&atilde;o e ordenamento das atividades litor&acirc;neas, 3rd Seminary. Academia da Marinha, Lisbon (Portugal).</p>     <p>Calado, H., Quintela, A., Porteiro, J. (2007) &ldquo;Integrated Coastal Zone Management Strategies on small islands&rdquo;. J Coastal Research, SI 50 (Proceedings of the 9th International Coastal Symposium): 125-129.</p>     <!-- ref --><p>Castro, P., and Nielsen, E. (Eds) (2003). Natural resource conflict management case studies: an analysis of power, participation and protected areas. FAO, Rome (Italy).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S2182-1267201400010001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Dudley, N. (Ed.) (2008). Guidelines for Applying Protected Area Management Categories. IUCN, Gland (Switzerland). 86pp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S2182-1267201400010001000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Fonseca, C.; Pereira, M.; Calado, H.; Botelho, C. (2013). Ordenamento e gest&atilde;o de &aacute;reas protegidas nos A&ccedil;ores: particularidades e desafios do novo sistema de gest&atilde;o territorial regional, <i>In</i> Rio Fernandes, Cunha, Chamusca, (org.), Actas do 1st International Meeting &ndash; Geography &amp; Politics, Policies and Planning. Porto. Faculdade de Letras da Universidade do Porto / CEGOT: 102-115 (E-BOOK).</p>     <p>Herrero Canela, M. (2009). La dimensi&oacute;n material y simb&oacute;lica de los conflictos territoriais. Una perspectiva para la gobernabilidad de los territorios, <i>in</i> Farin&oacute;s, Romero e Salom (Eds) Cohesi&oacute;n e inteligencia territorial, Valencia, PUV: 265-290.</p>     <p>Jamal, T. (2004) &ldquo;Conflict in Natural Area Destinations: A Critique of Representation and &lsquo;Interest&rsquo; in Participatory Processes&rdquo;. Tourism Geographies 6(3): 352&ndash;379.</p>     <p>Lagabrielle, E., Rouget, M., Le Bourgeois, T., Payet, K., Durieux, L., Baret, S., Dupont, J., Strasberg, D. (2011) Integrating conservation, restoration and land-use planning in islands - An illustrative case study in R&eacute;union Island (Western Indian Ocean). Landscape and Urban Planning, 101: 120&ndash;130.</p>     <p>Lagabrielle, E., Rouget, M., Payet, K., Wistebaar, N., Durieux, L., Baret, S., Lombard, A., Strasberg, D. (2009) Identifying and mapping biodiversity processes for conservation planning in islands: A case study in R&eacute;union Island (Western Indian Ocean). Biological Conservation 142(7): 1523-1535.</p>     <p>Lewis, C. (1996). Managing Conflicts in Protected Areas<i>. </i>IUCN, Gland, Switzerland, and Cambridge, UK. xii + 100 pp.</p>     <p>Lockwood, M., (2010) &ldquo;Good governance for terrestrial protected areas: A framework, principles and performance outcomes&rdquo;. Journal of Environmental Management, 91: 754&ndash;766.</p>     <p>Kerr, S.A. (2005) &ldquo;What is small island sustainable development about?&rdquo; Ocean &amp; Coastal Management 48: 503&ndash;524.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Niles, D., Baldacchino, G. (Eds.) (2011) Island Futures: Conservation and Development Across the Asia-Pacific Region. Springer, Tokyo, Japan. 182pp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S2182-1267201400010001000014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>POBHL (2009). Plano de Ordenamento das Bacias Hidrogr&aacute;ficas das Lagoas do Pico. Regi&atilde;o Aut&oacute;noma dos A&ccedil;ores. Portugal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S2182-1267201400010001000015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>POPPVIP (2006). Plano de Ordenamento da Paisagem Protegida de Interesse Regional da Cultura da Vinha da Ilha do Pico. Regi&atilde;o Aut&oacute;noma dos A&ccedil;ores. Portugal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000157&pid=S2182-1267201400010001000016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PRN2000 (2004). Plano Sectorial da Rede Natura 2000 da Regi&atilde;o Aut&oacute;noma dos A&ccedil;ores. Regi&atilde;o Aut&oacute;noma dos A&ccedil;ores. Portugal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S2182-1267201400010001000017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Schmid, A.P. (1998) Thesaurus and Glossary of Early Warning and Conflict Prevention Terms, London: Fewer. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://reliefweb.int/node/21594"target="_blank">http://reliefweb.int/node/21594</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S2182-1267201400010001000018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>UNESCO (2004) Landscape of the Pico Island vineyard culture. Main document for the nomination of Pico Island vineyard culture to the UNESCO world heritage list. Horta (Portugal).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000163&pid=S2182-1267201400010001000019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>van Beukering, P., Brander, L., Tompkins, E. and McKenzie, E. (2007) Valuing the Environment in Small Islands - An Environmental Economics Toolkit. Available from: <a href="http://www.jncc.gov.uk/page-4065"target="_blank">http://www.jncc.gov.uk/page-4065</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S2182-1267201400010001000020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Decreto-Lei n.&ordm; 19/93, de 23 de Janeiro.</p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> Decreto Regional n.&ordm; 21/93/A, de 23 de Dezembro.</p>     <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> Decreto Regional n.&ordm; 14/2004/A, de 20 de Maio.</p>     <p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a> Decreto Regional n.&ordm; 15/2007/A, de 25 de Junho.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5">[5]</a> Decreto Regional n.&ordm; 15/82/A, de 9 de Julho.</p>     <p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6">[6]</a> Decreto Regional n.&ordm; 12/96/A, de 27 de Junho.</p>     <p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7">[7]</a> Assim n&atilde;o foram inclu&iacute;dos: o PROTA (Plano estrat&eacute;gico de desenvolvimento regional), o POTRAA (Plano estrat&eacute;gico do turismo); o POOC (Plano de ordenamento da orla costeira), da responsabilidade da administra&ccedil;&atilde;o regional e os Planos Directores Municipais, da responsabilidade da administra&ccedil;&atilde;o local.</p>     <p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8">[8]</a> Habitats singulares dos A&ccedil;ores, como por exemplo os <i>Matos Macaron&eacute;sicos End&eacute;micos</i>, as <i>Florestas macaron&eacute;sicas de Juniperus</i>, as <i>Turfeiras altas activas</i> e <i>Turfeiras arborizadas</i>, as <i>Laurissilvas macaron&eacute;sicas</i>, etc., foram parcialmente destru&iacute;dos pela expans&atilde;o das pastagens em altitude e pela invas&atilde;o de esp&eacute;cies ex&oacute;ticas (PRORURAL, 2008).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Anexo I - Lista dos atores</b></p>     <p>&nbsp;</p> <a name="anexo1">     <p><img src="/img/revistas/got/n5/n5a10anexo1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><a href="/img/revistas/got/n5/n5a10anexo2.gif">Anexo II</a>: S&iacute;ntese dos resultados das entrevistas aos atores</b></p>      
 ]]></body><back>
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