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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O uso das escalas geográficas no estudo do processo de imigração contemporânea no Brasil]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article broaches the issue of the use of geographical scales as a method of research and approach of the contemporary immigration process in Brazil in light of the usages of the territory by groups of immigrants that arrived in Brazil since the last decades of 20th century and consolidated in socioeconomic strategic regions of the country. Then, the use of these scales allows the interpretation of power relations and political, social and economic relations that support the action and consolidation of great migratory flows not only toward south-south, but also in a new phenomena that is being observed in relation to north-south, of immigrants from countries as Haiti and Taiwan, for instance, and intrigues researchers from geographic science in the beginning of the new century with the possibilities and challenges from immigration.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Imigração]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O uso das escalas geogr&aacute;ficas no estudo do processo de imigra&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea no Brasil</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Uebel, Roberto<sup>1</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Universidade Federal do Rio Grande do Sul; <a style="color: #000080;" href="mailto:roberto.uebel@ufrgs.br">roberto.uebel@ufrgs.br</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este artigo aborda a quest&atilde;o do uso das escalas geogr&aacute;ficas como um m&eacute;todo de estudo do processo imigrat&oacute;rio contempor&acirc;neo no Brasil &agrave; luz dos usos do territ&oacute;rio pelos grupos imigrantes que chegaram ao Brasil desde as &uacute;ltimas d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX e consolidaram-se em regi&otilde;es socioecon&ocirc;micas estrat&eacute;gicas do pa&iacute;s. Logo, o uso destas escalas permite a interpreta&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de poder, rela&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, sociais e econ&ocirc;micas que favorecem a a&ccedil;&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o das grandes correntes migrat&oacute;rias n&atilde;o apenas no sentido sul-sul, mas tamb&eacute;m um novo fen&ocirc;meno que se observa com a rela&ccedil;&atilde;o norte-sul, de imigrantes provenientes de pa&iacute;ses, como por exemplo, Haiti e Senegal e que fomenta pesquisadores da ci&ecirc;ncia geogr&aacute;fica a pesquisar cada vez mais sobre o tema nestas primeiras d&eacute;cadas do terceiro mil&ecirc;nio.</p>     <p><b>Palavras-Chave</b>: Imigra&ccedil;&atilde;o. Escalas. Territ&oacute;rio. Contemporaneidade. Brasil.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article broaches the issue of the use of geographical scales as a method of research and approach of the contemporary immigration process in Brazil in light of the usages of the territory by groups of immigrants that arrived in Brazil since the last decades of 20<sup>th</sup> century and consolidated in socioeconomic strategic regions of the country. Then, the use of these scales allows the interpretation of power relations and political, social and economic relations that support the action and consolidation of great migratory flows not only toward south-south, but also in a new phenomena that is being observed in relation to north-south, of immigrants from countries as Haiti and Taiwan, for instance, and intrigues researchers from geographic science in the beginning of the new century with the possibilities and challenges from immigration.</p>     <p><b>Keywords:</b> Immigration. Scales. Territory. Contemporaneity. Brazil.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>&Agrave; luz da mundializa&ccedil;&atilde;o da sociedade e das culturas no limiar do s&eacute;culo XXI, os processos migrat&oacute;rios internacionais refor&ccedil;aram um novo escopo e abordagem n&atilde;o restritos apenas &agrave; Sociologia e &agrave; Demografia; assim, o debate sobre as grandes migra&ccedil;&otilde;es voltou a envolver com vigor as quest&otilde;es econ&ocirc;micas, pol&iacute;ticas e territoriais, fazendo jus ent&atilde;o aos estudos, m&eacute;todos e abordagens da Ci&ecirc;ncia Econ&ocirc;mica e da Geografia brasileira para a interpreta&ccedil;&atilde;o do fen&ocirc;meno imigrat&oacute;rio contempor&acirc;neo. Se, no princ&iacute;pio do s&eacute;culo XX, as correntes migrat&oacute;rias internacionais seguiam um padr&atilde;o Norte-Sul, Leste-Oeste, hoje essa situa&ccedil;&atilde;o transformou-se e h&aacute; um fluxo migrat&oacute;rio entre todas as regi&otilde;es do planeta, como bem observam Rocha-Trindade (2005) e Castles e Miller (2009).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Portanto, visto que a imigra&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea ganhara um car&aacute;ter n&atilde;o apenas sociol&oacute;gico e demogr&aacute;fico, mas tamb&eacute;m territorial, dentro da emin&ecirc;ncia da Ci&ecirc;ncia Geogr&aacute;fica, uma op&ccedil;&atilde;o para o estudo desse processo e de seus principais atores &ndash; os imigrantes &ndash; &eacute; a abordagem das escalas geogr&aacute;ficas de poder e gest&atilde;o, dentro do m&eacute;todo indutivo, que caracterizam um aporte metodol&oacute;gico que permite observar como os atores locais/regionais &ndash; localizados nos &acirc;mbitos da sociedade civil, do Estado e do mercado &ndash; articulam-se entre si e com as demais escalas de poder e gest&atilde;o, com vistas &agrave; promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento de territ&oacute;rios.</p>     <p>Considerar a exist&ecirc;ncia de diferentes escalas atuantes em determinados territ&oacute;rios, possibilita a compreens&atilde;o da densidade e da complexidade oriunda da multiplicidade de poderes neles existentes e atuantes. (R&Uuml;CKERT; RAMBO, 2010, p. 1). Logo, analisando-se cen&aacute;rios locais, por exemplo, da imigra&ccedil;&atilde;o boliviana e haitiana no Brasil - que ocorrem em estados diferentes - podemos, relacionando juntamente com as a&ccedil;&otilde;es nas escalas nacionais e internacionais, partir para uma caracteriza&ccedil;&atilde;o do cen&aacute;rio nacional da imigra&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea no Brasil.</p>     <p>Destarte, &eacute; importante ressaltar o panorama e a import&acirc;ncia das migra&ccedil;&otilde;es para o Brasil, pa&iacute;s continental de vasto territ&oacute;rio e articulador de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e de imigra&ccedil;&atilde;o ainda no s&eacute;culo passado:</p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>     <p>Enquanto Furtado faz uma breve refer&ecirc;ncia sobre a import&acirc;ncia e o desenrolar inicial da imigra&ccedil;&atilde;o no territ&oacute;rio brasileiro, Caio Prado J&uacute;nior dedica um cap&iacute;tulo de sua obra Hist&oacute;ria Econ&ocirc;mica do Brasil e praticamente toda sua obra Forma&ccedil;&atilde;o do Brasil Contempor&acirc;neo ao tema da imigra&ccedil;&atilde;o e coloniza&ccedil;&atilde;o como determinantes do desenvolvimento e forma&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica do Brasil. Al&eacute;m de inferir os objetivos econ&ocirc;micos da imigra&ccedil;&atilde;o, j&aacute; apontados por Furtado, Prado J&uacute;nior resgata tamb&eacute;m os seus objetivos pol&iacute;ticos e militares. (UEBEL, 2012, p. 46).</p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p>O territ&oacute;rio brasileiro, assim, apresentara-se sempre como um grande destino para os fluxos migrat&oacute;rios internacionais, por suas especificidades territoriais, sociais e econ&ocirc;micas de adapta&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel aos imigrantes, infer&ecirc;ncia esta observada na diversidade de grupos imigrat&oacute;rios que aqui se estabeleceram durante os s&eacute;culos XIX e XX, como espanh&oacute;is, alem&atilde;es, italianos e japoneses, e aqueles que, em prol das transforma&ccedil;&otilde;es contempor&acirc;neas do meio (sistema) t&eacute;cnico-cient&iacute;fico internacional, &agrave; merc&ecirc; das exig&ecirc;ncias do capitalismo, encontraram no Brasil oportunidades de prosperidade econ&ocirc;mica e estabilidade social, como, por exemplo, s&iacute;rios, haitianos, bolivianos e taiwaneses, como bem colocam Zamberlam et al. (2013) e Klein e Bacha (1989).</p>     <p>Novamente, a import&acirc;ncia do uso das escalas geogr&aacute;ficas como um meio de abordagem e estudo dessas migra&ccedil;&otilde;es est&aacute; presente quando estas se apresentam como uma ferramenta social para a interpreta&ccedil;&atilde;o das regi&otilde;es e lugares, como nas palavras de Paasi:</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <p>[...] how current interpretations of scale as social construct contribute to and challenge the interpretations of region and place, thus hopefully complementing the recent profound reviews of the notion of scale. (PAASI, 2004, p. 1).</p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p>&Eacute; importante ressaltar ainda que as escalas geogr&aacute;ficas apresentam-se bem delimitadas quando de uma an&aacute;lise dos processos migrat&oacute;rios contempor&acirc;neos, que para esta pesquisa poderiam ser assim definidas: escala global, escala nacional, escala estadual e escala local. Tal delimita&ccedil;&atilde;o ser&aacute; importante para as futuras argui&ccedil;&otilde;es de resultados encontrados com a pesquisa, conforme demonstra Cargnin (2011):</p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>     <p>[...] a an&aacute;lise do comportamento dos atores que atuam sobre um determinado territ&oacute;rio, nas principais escalas de poder e gest&atilde;o, permite que se observem elementos de como esses agentes se articulam com vistas &agrave; promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento regional. (CARGNIN, 2011, p. 223).</p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Escalas, imigra&ccedil;&atilde;o e territ&oacute;rio: a pesquisa</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A presente pesquisa n&atilde;o possui como foco principal o desenvolvimento regional; todavia, a mesma acep&ccedil;&atilde;o acima permite o concomitante estudo e argui&ccedil;&atilde;o das imigra&ccedil;&otilde;es contempor&acirc;neas no Brasil, j&aacute; que, ainda segundo Paasi, a escala geogr&aacute;fica &eacute; uma epistemologia, uma forma de conhecer o mundo (PAASI, 2004). Logo, utilizando-se os instrumentais da escala geogr&aacute;fica, &eacute; poss&iacute;vel estabelecermos um par&acirc;metro de an&aacute;lise e conclus&otilde;es a respeito de resultados antes n&atilde;o poss&iacute;veis de visualiza&ccedil;&atilde;o com as escalas cartogr&aacute;ficas, sempre dentro do m&eacute;todo indutivo, isto &eacute;, partindo-se da an&aacute;lise dos cen&aacute;rios regionais de grupos imigrat&oacute;rios para a constru&ccedil;&atilde;o de uma imagem do cen&aacute;rio nacional total. Portanto, a ado&ccedil;&atilde;o das escalas como estrat&eacute;gia de apreens&atilde;o da realidade e escolha de diferentes espa&ccedil;os de conceptualiza&ccedil;&atilde;o implica n&atilde;o privilegiar apenas um n&iacute;vel de an&aacute;lise (R&Uuml;CKERT, s.d.).</p>     <p>O referencial te&oacute;rico de uma pesquisa que pretende investigar tem&aacute;ticas entrela&ccedil;adas de imigra&ccedil;&atilde;o, escalas geogr&aacute;ficas e espa&ccedil;o social, est&aacute; diretamente ligado &agrave; pr&oacute;pria produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica da ci&ecirc;ncia geogr&aacute;fica contempor&acirc;nea e os conceitos oriundos desta, como por exemplo, territ&oacute;rio, espa&ccedil;o social e homem social, desenvolvidos por autores como Raffestin (1987), que na sua defini&ccedil;&atilde;o de territ&oacute;rio e territorialidade, permitir&aacute; vislumbrarmos o cen&aacute;rio da imigra&ccedil;&atilde;o no Brasil, por exemplo:</p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>     <p>&ldquo;Un territoire est ainsi produit autour de la ville et tout un syst&egrave;me de relations est mis en place, syst&egrave;mes, justement, qui d&eacute;finit la territorialit&eacute;, pas tout la territorialit&eacute; caract&egrave;re syst&eacute;mique des transformations. La territorialit&eacute; est exprim&eacute;e dans ce cas par l&rsquo;&eacute;volution des phases d&rsquo;un double cycle.&rdquo; (RAFFESTIN, 1987, p. 16).</p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p>Ou seja, as transforma&ccedil;&otilde;es com repercuss&otilde;es territoriais da imigra&ccedil;&atilde;o para o Brasil d&atilde;o a t&ocirc;nica de import&acirc;ncia para esta pesquisa, ao passo que o homem espacial, caracterizado neste sentido como o imigrante, faz parte deste cen&aacute;rio de transforma&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Al&eacute;m de caracterizar o imigrante como um homem espacial, sua rela&ccedil;&atilde;o &eacute; com e n&atilde;o sobre o espa&ccedil;o social: <i>&ldquo;avant les hommes &eacute;taient sens&eacute;s agir sur l&rsquo;espace, per&ccedil;u comme &eacute;tant le contenant de la relation sociale. Aujourd&rsquo;hui les individus agissent avec l&rsquo;espace&rdquo;</i> (LUSSAULT, 2007).</p>     <p>Ressalta-se ainda o car&aacute;ter pol&iacute;tico-territorial dos processos migrat&oacute;rios, sejam estes antigos ou contempor&acirc;neos, dado que uma das principais repercuss&otilde;es da imigra&ccedil;&atilde;o &eacute; a ocupa&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio, logo, uma forma de pol&iacute;tica territorial, quando empregada e motivada pelos agentes governamentais, fomentando novamente a intera&ccedil;&atilde;o entre as escalas globais, nacionais e regionais.</p>     <p>De forma clara e simples, o governo brasileiro mostrava suas inten&ccedil;&otilde;es e preocupa&ccedil;&otilde;es com a seguran&ccedil;a das fronteiras nacionais ao promover, com a imigra&ccedil;&atilde;o (nesse sentido coloniza&ccedil;&atilde;o) espanhola na fronteira entre Rio Grande do Sul, Argentina e Uruguai, obedecendo aos par&acirc;metros explicativos citados aqui anteriormente, o povoamento dessa estrat&eacute;gica regi&atilde;o (ao delimitar um m&iacute;nimo de tr&ecirc;s anos de perman&ecirc;ncia aos imigrantes, j&aacute; deixava clara a inten&ccedil;&atilde;o de um povoamento duradouro e arraigado nos locais onde se estabeleceriam).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; poss&iacute;vel considerar o instrumento desse acordo como uma forma de pol&iacute;tica de defesa nacional com limites, inten&ccedil;&otilde;es e consequ&ecirc;ncias bem delimitadas n&atilde;o s&oacute; ao Rio Grande do Sul, mas ao Brasil tamb&eacute;m, consoante se exp&ocirc;s neste trabalho de pesquisa, em ciclos espec&iacute;ficos desde o fim do s&eacute;culo XIX (ZAMBERLAM et al., 2013).</p>     <p>Nesse sentido, a quest&atilde;o dos <i>policy-makers</i> e as rela&ccedil;&otilde;es de poder para escalas espec&iacute;ficas est&atilde;o intr&iacute;nsecas nesta cita&ccedil;&atilde;o de Racine, Raffestin e Ruffy:</p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>     <p>[...] o ge&oacute;grafo, ao propor diversas representa&ccedil;&otilde;es para um conjunto dado, diversas caricaturas ou modelos, prepara em suma &ldquo;planos&rdquo; para as a&ccedil;&otilde;es futuras. [...] O dom&iacute;nio das escalas &eacute;, portanto, pr&eacute;vio a toda a a&ccedil;&atilde;o. &Eacute; talvez essa a ocasi&atilde;o de convidar os ge&oacute;grafos a descobrir uma &ldquo;escala das preocupa&ccedil;&otilde;es humanas&rdquo;. (RACINE; RAFFESTIN; RUFFY, 1983, p. 134).</p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p>Uma das caracter&iacute;sticas mais marcantes da hist&oacute;ria do capitalismo tem sido a intensa mobilidade espacial da popula&ccedil;&atilde;o. Dentro de cada pa&iacute;s, as cidades transformaram-se em l&oacute;cus hegem&ocirc;nico da acumula&ccedil;&atilde;o de capital, acelerando o processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o, fruto n&atilde;o s&oacute; do crescimento natural &nbsp;da popula&ccedil;&atilde;o, mas principalmente das migra&ccedil;&otilde;es internas oriundas do campo; como afirma Brito (1995, p. 53), &ldquo;n&atilde;o houve economia e sociedade que se desenvolvessem sem que houvesse uma intensa mobilidade espacial da popula&ccedil;&atilde;o&rdquo;.</p>     <p>Todavia, essas migra&ccedil;&otilde;es de ordem econ&ocirc;mica tamb&eacute;m ocorrem entre os diferentes pa&iacute;ses, o que constitui outro tra&ccedil;o do desenvolvimento do capitalismo, dado que este se desenvolve de forma distinta entre os pa&iacute;ses. A hist&oacute;ria recente n&atilde;o poderia ser bem entendida se n&atilde;o fosse considerada a intera&ccedil;&atilde;o entre os pa&iacute;ses atrav&eacute;s das suas popula&ccedil;&otilde;es. A pr&oacute;pria identidade de muitos deles, a sua constitui&ccedil;&atilde;o como na&ccedil;&atilde;o, foi um produto do movimento internacional de diferentes povos.</p>     <p>Ainda com base no artigo de Brito (1995), observa-se que o apogeu da quest&atilde;o motivacional economia-migra&ccedil;&atilde;o deu-se na segunda metade do s&eacute;culo XIX, quando as emigra&ccedil;&otilde;es europeias tornaram-se mais relevantes. As causas estavam nas profundas mudan&ccedil;as pelas quais o capitalismo industrial passava, considerando-se a Segunda Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial, um per&iacute;odo marcado pela intensa industrializa&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses europeus e pela disputa entre eles por novos mercados consumidores e fontes de mat&eacute;ria-prima, originando crise econ&ocirc;mica e instabilidade pol&iacute;tica.</p>     <p>Assim, ocorrendo essa mobilidade entre as diferentes escalas de an&aacute;lise propostas, possibilita-se encontrar quais as interfer&ecirc;ncias de cada escala desde o processo de tomada de decis&atilde;o de emigrar at&eacute; aos efeitos dessas migra&ccedil;&otilde;es em todas as escalas propostas, ainda em uma abordagem de consequ&ecirc;ncias econ&ocirc;micas, sociais e territoriais. Todavia, cabe nesse quadro a necessidade de filtrar tais consequ&ecirc;ncias, restringindo-nos nesta pesquisa &agrave;s pol&iacute;ticas territoriais e &agrave;s repercuss&otilde;es territoriais (dado que o uso do termo impacto &eacute; mais apropriado aos estudos de longo prazo) dos processos migrat&oacute;rios contempor&acirc;neos no Brasil.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para tornar mais complexo o cen&aacute;rio atual das migra&ccedil;&otilde;es internacionais, ao contr&aacute;rio do que se observava na Segunda Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial, os fluxos migrat&oacute;rios que se intensificaram est&atilde;o ocorrendo no sentido da periferia para o centro do capitalismo ou dos pa&iacute;ses em desenvolvimento para os desenvolvidos, visto que as condi&ccedil;&otilde;es sociais, econ&ocirc;micas e demogr&aacute;ficas dos pa&iacute;ses mais pobres est&atilde;o longe de exercer a mesma atra&ccedil;&atilde;o de um s&eacute;culo atr&aacute;s (BRITO, 1995).</p>     <p>Coloca-se assim a seara das migra&ccedil;&otilde;es internacionais em um contexto muito mais complexo <i>verbi gratia</i> as migra&ccedil;&otilde;es sul-sul; sul-norte, norte-sul; leste-oeste; tipos de migra&ccedil;&otilde;es muito mais diversificadas e complexas em quest&otilde;es sociais, economicas, pol&iacute;ticas e identit&aacute;rias de forma muito mais intensa e prof&iacute;cua do que as migra&ccedil;&otilde;es dos &uacute;ltimos dois s&eacute;culos.</p>     <p>O fato &eacute; que o processo migrat&oacute;rio com motiva&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas era e ainda &eacute; seletivo, segundo Brito (1995): uma grande parte dos imigrantes n&atilde;o conseguia sucesso nessa mobilidade e s&oacute; restava a eles o retorno &agrave;s origens ou o itiner&aacute;rio de milh&otilde;es de migrantes &ndash; migrar de cidade em cidade ou de regi&atilde;o em regi&atilde;o, como n&ocirc;mades sociais.</p>     <p>A professora Bilac, atrav&eacute;s da obra de Patarra (BILAC, 1995 <i>apud</i> PATARRA, 1995), contribui tamb&eacute;m com uma interpreta&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio-economicista dos motivos que levam ao ato de migrar. Para ela, ao lado dessas reflex&otilde;es macroestruturais, as altera&ccedil;&otilde;es na composi&ccedil;&atilde;o dos fluxos migrat&oacute;rios conduziram tamb&eacute;m &agrave; reformula&ccedil;&atilde;o dos modelos baseados na ideia de sistemas migrat&oacute;rios centrados na an&aacute;lise dos v&iacute;nculos que se estabelecem entre os territ&oacute;rios de origem e os territ&oacute;rios receptores, pelo fluxo e contrafluxo de pessoas, al&eacute;m dos v&iacute;nculos econ&ocirc;micos e pol&iacute;ticos. A forma&ccedil;&atilde;o de redes interpessoais e familiares entre esses territ&oacute;rios constitui um desses v&iacute;nculos, que Portes (1995) e Massey (1990) apresentam nas bases sociol&oacute;gicas e econ&ocirc;micas do fen&ocirc;meno geogr&aacute;fico da imigra&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Para autores como Bilac e Patarra, as altera&ccedil;&otilde;es recentes nos fluxos migrat&oacute;rios e suas implica&ccedil;&otilde;es macroecon&ocirc;micas tamb&eacute;m representam a maturidade das correntes migrat&oacute;rias estimuladas pelas redes sociais baseadas nos la&ccedil;os dom&eacute;sticos. Assim, ligando-se migrantes e n&atilde;o migrantes em um complexo arranjo de rela&ccedil;&otilde;es sociais e culturais, tais arranjos conduzem informa&ccedil;&atilde;o, assist&ecirc;ncia social e financeira e modelam as causas da migra&ccedil;&atilde;o &ndash; desde a n&atilde;o migra&ccedil;&atilde;o, a imigra&ccedil;&atilde;o, a migra&ccedil;&atilde;o de retorno (remigra&ccedil;&atilde;o) e a continuidade dos fluxos migrat&oacute;rios.</p>     <p>Segundo Di&eacute;gues J&uacute;nior, o processo imigrat&oacute;rio configura uma transforma&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio que recebe imigrantes dos grupos nacionais n&atilde;o tradicionais, ou seja, n&atilde;o portugueses e holandeses (majoritariamente colonizadores), ocorrida essencialmente atrav&eacute;s de um meio &ndash; o trabalho &ndash;, conforme descrito pelo autor:</p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>     <p>[...] os grupos pioneiros modificaram [a paisagem regional] com o trabalho de desbravamento e penetra&ccedil;&atilde;o; mas tamb&eacute;m sobre a paisagem cultural pela incorpora&ccedil;&atilde;o de elementos pr&oacute;prios, muitos dos quais se tornaram integrantes do novo quadro cultural, contribuindo assim para enriquecer, na pluralidade de aspectos que hoje apresenta, o padr&atilde;o cultural luso-brasileiro. (DI&Eacute;GUES J&Uacute;NIOR, 1964, p. 109).</p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Conv&eacute;m descrever ainda outras influ&ecirc;ncias materiais que os imigrantes inclu&iacute;ram na paisagem regional, tais como a cultura da uva, pelos italianos, e a diversifica&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o realizada pelos alem&atilde;es em todo Sul do Brasil, podendo-se assim citar in&uacute;meros eventos em que atividades imigrantes contribu&iacute;ram para processos &nbsp;de cultiva&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o social e o territ&oacute;rio em que fizeram parte.</p>     <p>Contudo, no campo econ&ocirc;mico, o desenvolvimento de um parque industrial baseado no progresso normal do trabalho do artesanato se apresenta como a mais expressiva contribui&ccedil;&atilde;o do imigrante (DI&Eacute;GUES J&Uacute;NIOR, 1964). Os artes&atilde;os europeus tiveram a oportunidade de converter suas oficinas em estabelecimentos industriais. Grandes f&aacute;bricas hoje, em diferentes setores da ind&uacute;stria, tiveram sua origem no artesanato rural.</p>     <p>Assinala-se assim o imigrante estrangeiro chegado ao Brasil como o respons&aacute;vel pela inclus&atilde;o de uma s&eacute;rie de elementos culturais novos que se difundiram e se incorporaram aos elementos nacionais. N&atilde;o se trata somente de uma transcend&ecirc;ncia sociol&oacute;gica, mas tamb&eacute;m de especificidades culturais, costumes, h&aacute;bitos e ideias que se transmitiram entre os grupos migrantes e a sociedade brasileira j&aacute; estabelecida ao longo dos &uacute;ltimos dois s&eacute;culos, o que, conforme aponta Di&eacute;gues J&uacute;nior (1964), inclui o campo econ&ocirc;mico.</p>     <p>Vale destacar, por sua repercuss&atilde;o particular, o papel exercido pela industrializa&ccedil;&atilde;o. Observa-se na leitura, tanto dos autores cl&aacute;ssicos como da obra j&aacute; mencionada de Di&eacute;gues J&uacute;nior, verdadeiro desdobramento social da primitiva classe de colonos e de imigrantes art&iacute;fices, que passavam de categoria, se transferindo do primitivo ambiente rural &ndash; onde se estabeleceram as primeiras concentra&ccedil;&otilde;es de colonos e imigrantes em territ&oacute;rio sul-brasileiro - para as vilas criadas recentemente, ou acompanhavam o desenvolvimento da pr&oacute;pria localidade. Com o crescimento das atividades industriais, surge uma classe oper&aacute;ria nova, de que participavam os descendentes de imigrantes.</p>     <p>No primeiro quartel do s&eacute;culo XX, &agrave; medida que a industrializa&ccedil;&atilde;o e a urbaniza&ccedil;&atilde;o foram progredindo, acompanhadas por grandes afluxos de m&atilde;o de obra imigrante (em sua maioria europeia e asi&aacute;tica), as clivagens entre ricos e pobres, a diversidade &eacute;tnica e de estilos de vida acentuou-se, colidindo com as concep&ccedil;&otilde;es do luso-brasilianismo nas terras brasileiras.</p>     <p>A legisla&ccedil;&atilde;o aprovada no in&iacute;cio do s&eacute;culo passado teve como consequ&ecirc;ncia a elimina&ccedil;&atilde;o quase total dos contingentes de imigrantes provenientes do leste e do sul da Europa. A opini&atilde;o p&uacute;blica, conforme demonstra Rocha-Trindade (1995), respondeu ambivalentemente aos efeitos das vagas migrat&oacute;rias, reconciliando esses sentimentos anti-imigrat&oacute;rios, tendo por referente os mitos do progresso e a cren&ccedil;a no poder da sociedade nacional em transformar os estrangeiros.</p>     <p>Nessa acep&ccedil;&atilde;o, aliada ao nacionalismo imposto pela ditadura getulista, os imigrantes (agora j&aacute; em sua segunda e terceira gera&ccedil;&atilde;o de descendentes nascidos no Brasil) deveriam adotar valores e comportamentos conformes aos padr&otilde;es da cultura nacional. Foi nessa sequ&ecirc;ncia que emergiu inicialmente nos Estados Unidos e posteriormente no Brasil a ideologia do <i>melting-pot</i>, estabelecendo um segundo modelo de relacionamento entre diferentes grupos &eacute;tnicos e raciais.</p>     <p>A ideologia do <i>melting-pot</i>, uma met&aacute;fora que traduz a ideia de uma fus&atilde;o entre diferentes grupos &eacute;tnicos, come&ccedil;ou assim por ser a resposta de uma minoria &agrave; imigra&ccedil;&atilde;o transatl&acirc;ntica. Para o Brasil, essa ideologia seria superior e necess&aacute;ria ao pensamento getulista de unidade nacional, cultural e &eacute;tnica, criando uma pseudo-sociedade brasilianista na qual os imigrantes deveriam abandonar seus idiomas e costumes, a fim de formar a p&aacute;tria Brasil. Enquanto filosofia, o <i>melting-pot</i> postulava, segundo Rocha-Trindade:</p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>[...] a assimila&ccedil;&atilde;o dos diferentes grupos de imigrantes na sociedade e defendia que estes deveriam abandonar as suas caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas em benef&iacute;cio de uma cultura comum resultante da am&aacute;lgama de v&aacute;rias nacionalidades. (ROCHA-TRINDADE, 1995, p. 94).</p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p>Logo, no caso brasileiro, os nacionais poderiam ser de origem alem&atilde;, espanhola, francesa ou qualquer outra, por&eacute;m eram, acima de tudo, o resultado da mistura elaborada a partir dos mais diversos contributos &eacute;tnicos. Isso envolvia tamb&eacute;m o campo econ&ocirc;mico at&eacute; o fim da II Guerra Mundial na sociedade brasileira: o com&eacute;rcio deixava de ser uma especificidade de imigrantes judeus e &aacute;rabes; as padarias deixavam de ser lusitanas; a partir de ent&atilde;o tudo seria brasilianista ou, no sentido sociol&oacute;gico-econ&ocirc;mico, brasileiro.</p>     <p>&Eacute; importante mencionar que a metodologia das escalas ganha relev&acirc;ncia em raz&atilde;o da multidimensionalidade do poder resultante da descentraliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-administrativa do Estado ocorrida no Brasil ap&oacute;s os anos oitenta, per&iacute;odo este concorrente com a retomada dos fluxos migrat&oacute;rios internacionais ao pa&iacute;s. Nesse sentido, diferentes atores pertencentes ao Estado, &agrave; sociedade civil e ao mercado &ndash; em diferentes escalas &ndash;, agem sobre o territ&oacute;rio, ora estabelecendo rela&ccedil;&otilde;es conflituosas, ora sin&eacute;rgicas. (R&Uuml;CKERT; RAMBO, 2010).</p>     <p>A escala geogr&aacute;fica se apresenta como uma hierarquia de n&iacute;veis de an&aacute;lise do espa&ccedil;o social, que pode ser concebido, segundo Castro (1995) e Grataloup (1979), ainda como um encaixamento de estruturas. Todavia, deve-se ressaltar que sendo uma medida, a escala n&atilde;o &eacute; necessariamente do fen&ocirc;meno, mas aquela escolhida para melhor observ&aacute;-lo, dimension&aacute;-lo e mensur&aacute;-lo, n&atilde;o devendo confundi-la com a dimens&atilde;o do que &eacute; observado (CASTRO, 1995, p. 127).</p>     <p>Al&eacute;m de ser o artif&iacute;cio anal&iacute;tico que d&aacute; visibilidade ao real, neste caso ao perfil s&oacute;cio-espacial das imigra&ccedil;&otilde;es para o Brasil, a escala de observa&ccedil;&atilde;o cria o fen&ocirc;meno e a&iacute; surgem as lacunas que se pretende responder com base neste referencial te&oacute;rico, principalmente da quest&atilde;o c&iacute;clica das imigra&ccedil;&otilde;es no Brasil; a escala geogr&aacute;fica introduz o problema de multiformas do espa&ccedil;o, mas tamb&eacute;m ajuda a compreend&ecirc;-lo, novamente das partes ao todo, sendo um jogo de rela&ccedil;&otilde;es entre fen&ocirc;menos de amplitude e natureza diversas.</p>     <p>Este tipo de metodologia multi-instrumental que utiliza as escalas geogr&aacute;ficas e tamb&eacute;m a cartografia tem&aacute;tica j&aacute; se mostrara eficaz em estudos anteriores como em Cargnin (2011) e R&eacute;seau MIGREUROP (2012), o que leva-nos a prop&ocirc;-la tamb&eacute;m nesta pesquisa, procurando servir de um estudo de utilidade p&uacute;blica em futuras investiga&ccedil;&otilde;es acerca do &ldquo;fen&ocirc;meno&rdquo; imigrat&oacute;rio c&iacute;clico no Brasil.</p>     <p>Logo, a abordagem das escalas geogr&aacute;ficas caracteriza um aporte metodol&oacute;gico indutivo que permite observar como os atores locais/regionais &ndash; localizados nos &acirc;mbitos da sociedade civil e do Estado &ndash; articulam-se entre si e com as demais escalas de poder e gest&atilde;o, com vistas &agrave; promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento de territ&oacute;rios. Considerar a exist&ecirc;ncia de diferentes escalas atuantes em determinados territ&oacute;rios, possibilita a compreens&atilde;o da densidade e da complexidade oriunda da multiplicidade de poderes neles existentes e atuantes.</p>     <p>Ademais, o migrante, deixando sua terra, quebra sua rede origin&aacute;ria de rela&ccedil;&otilde;es para reconstitu&iacute;-la em outro lugar. &Eacute; por esse motivo que, quando se desloca s&oacute; ou com a fam&iacute;lia, intuitivamente busca lugares onde estejam seus compatriotas ou conhecidos. E as escalas geogr&aacute;ficas assim novamente s&atilde;o &uacute;teis para ajudar na argui&ccedil;&atilde;o dos desafios da ordem social e cultural enfrentados pelo migrante, j&aacute; que, segundo Fern&aacute;ndez e Brand&atilde;o (2010), a no&ccedil;&atilde;o de escala &eacute; um estimulante instrumento para tentar se reconectar tais din&acirc;micas e desafios globais com os processos localizados e regionalizados dentro desta pesquisa na imigra&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea ao Brasil, posto que ela possibilita realizar interpreta&ccedil;&otilde;es em rede, do local para nacional, e vice-versa.</p>     <p>Utilizando-se, primeiramente, da obra de Ortega e Almeida Filho (2007), verifica-se a infer&ecirc;ncia dos imigrantes como atores de um processo em que se abandona um horizonte estritamente setorial, que considera, entre outros fatores, a agricultura como o &uacute;nico setor de desenvolvimento das pr&aacute;ticas imigrat&oacute;rias, e em que se conciliam tais atores como fundamentais no processo de desenvolvimento social do territ&oacute;rio.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;Tal diversidade dos fluxos imigrat&oacute;rios, na personifica&ccedil;&atilde;o do imigrante, permite por meio da an&aacute;lise destas rela&ccedil;&otilde;es o conhecimento dos tempos/espa&ccedil;os do quotidiano destes e conhecer suas reivindica&ccedil;&otilde;es. Desta forma, a territorialidade dos grupos imigrantes permite o que diz-nos Fernandes (1992):</p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>     <p>&ldquo;Em meio pr&oacute;prio, contraposto ao p&uacute;blico, o grupo manifesta a sua autonomia e a sua identidade. No espa&ccedil;o neutro, ao contr&aacute;rio, todos se podem encontrar. N&atilde;o &eacute; o lugar da afirma&ccedil;&atilde;o da identidade, a n&atilde;o ser quando a visibilidade simb&oacute;lica do status &eacute; forte, e, por isso, nele tamb&eacute;m se tende a gerar o conflito.&rdquo; (FERNANDES, 1992, p. 77).</p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p>N&atilde;o se intenciona nesta pesquisa realizar o estudo das concep&ccedil;&otilde;es culturais e intr&iacute;nsecas a cada grupo de imigrantes no Brasil nas &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas, por exemplo, contudo, a cita&ccedil;&atilde;o acima corrobora a quest&atilde;o de que quando da an&aacute;lise regional, pontual, em uma amostra de grupos de imigrantes e da sua confronta&ccedil;&atilde;o com as demais pontualidades imigrantes, por exemplo, senegaleses no Rio Grande do Sul, haitianos no Acre e bolivianos em S&atilde;o Paulo, pode-se come&ccedil;ar a tra&ccedil;ar cen&aacute;rios regionais que servir&atilde;o de esteio para o panorama nacional das imigra&ccedil;&otilde;es no Brasil. Isto quer dizer, para configurarmos o cen&aacute;rio total, faz-se necess&aacute;rio o contraposto no meio pr&oacute;prio, o local da imigra&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Discutir desenvolvimento territorial &eacute; realizar a assun&ccedil;&atilde;o da conflitualidade inerente e a alterca&ccedil;&atilde;o perene de interesses m&uacute;ltiplos e seus variados <i>loci</i> de possibilidades de concentra&ccedil;&atilde;o, ou n&atilde;o, de projetos em disputa em variadas escalas espaciais.</p>     <p>A conforma&ccedil;&atilde;o de nossa estrutura social, segundo Brand&atilde;o (2007), gerou uma sociedade com alto patamar de &ldquo;fluidez&rdquo;, onde o deslocamento ocupacional, ao lado do deslocamento econ&ocirc;mico e geogr&aacute;fico, obteve &ecirc;xito na gera&ccedil;&atilde;o de prest&iacute;gio, qualifica&ccedil;&atilde;o e renda, ou, mais especificamente, proporcionou um conjunto de expectativas de promo&ccedil;&atilde;o individual e das fam&iacute;lias, levando os fluxos migrat&oacute;rios internacionais a tomarem a decis&atilde;o de emigrar.</p>     <p>A moderniza&ccedil;&atilde;o acelerada do capital desencadeou um processo avassalador de migra&ccedil;&atilde;o, urbaniza&ccedil;&atilde;o e burocratiza&ccedil;&atilde;o que rompeu os alicerces em que se erguia a vida nacional, o que remete &agrave; infer&ecirc;ncia de Brand&atilde;o (2007): se enraizamento, contexto e territorializa&ccedil;&atilde;o viraram pontos decisivos das discuss&otilde;es acad&ecirc;micas e pol&iacute;ticas, &eacute; porque o mundo vinha destruindo todas as perman&ecirc;ncias.</p>     <p>Nessa abordagem, verifica-se que os territ&oacute;rios n&atilde;o se definem por limites f&iacute;sicos, mas pela maneira como se produz, em seu interior, a intera&ccedil;&atilde;o social; a&iacute; reside a import&acirc;ncia da coopera&ccedil;&atilde;o e da partilha de conhecimentos e experi&ecirc;ncias entre atores na forma&ccedil;&atilde;o do ambiente territorial, tendo-se como exemplo em Abramovay (2003) o desenvolvimento diferenciado de certas regi&otilde;es italianas, o que real&ccedil;a o papel dos atores e das organiza&ccedil;&otilde;es, entre elas o Estado brasileiro como receptor e promotor da imigra&ccedil;&atilde;o durante os s&eacute;culos XIX e XX, no processo de crescimento e desenvolvimento econ&ocirc;mico territorial.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A no&ccedil;&atilde;o de territ&oacute;rio impede a confus&atilde;o entre crescimento econ&ocirc;mico e o processo de desenvolvimento, o que reporta diretamente ao marco te&oacute;rico e problem&aacute;tico deste trabalho: o desenvolvimento econ&ocirc;mico e sustent&aacute;vel, e n&atilde;o os aspectos de crescimento regional em prol de dado grupo produtivo. Trata-se de uma influ&ecirc;ncia hist&oacute;rica embasada tanto em Ortega e Almeida Filho (2007) como em Hatton e Williamson (1998), com o objetivo n&atilde;o apenas de examinar como se formam e como podem ser reduzidos os custos de transa&ccedil;&atilde;o &ndash; tendo estes sido incorporados nessa &oacute;tica aos atores-imigrantes &ndash; e sim de abord&aacute;-los sob um &acirc;ngulo hist&oacute;rico e a partir da influ&ecirc;ncia que sobre eles exercem as for&ccedil;as sociais que os constituem, ligando-se diretamente &agrave; parte hist&oacute;rica da problem&aacute;tica deste trabalho.</p>     <p>A abordagem territorial do desenvolvimento estimula e instiga o estudo dos mecanismos de governan&ccedil;a p&uacute;blica subjacentes &agrave; composi&ccedil;&atilde;o e &agrave; atua&ccedil;&atilde;o dos sistemas estruturais de desenvolvimento, o que leva ao questionamento do presente trabalho, ainda que n&atilde;o seja sua hip&oacute;tese e dial&eacute;tica principal, sobre as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de promo&ccedil;&atilde;o da imigra&ccedil;&atilde;o que ocorreram ao longo dos &uacute;ltimos dois s&eacute;culos (MOURE, 1980).</p>     <p>Seguindo-se a l&oacute;gica da problem&aacute;tica do desenvolvimento territorial como um desempenho econ&ocirc;mico diferencial, a rela&ccedil;&atilde;o dos imigrantes com o seu meio adv&eacute;m como um fator de impacto desenvolvimentista por se dar como um fator intang&iacute;vel, referente &agrave; maneira como os atores sociais se relacionam entre si, tendo, novamente, crucial import&acirc;ncia na explica&ccedil;&atilde;o do processo de desenvolvimento.</p>     <p>As comunidades imigrat&oacute;rias (incluindo seus aspectos culturais) constituem um dos cinco fatores intang&iacute;veis estudados e apontados por Moure (1980) em seu projeto financiado pela Uni&atilde;o Europeia, embasado em uma pesquisa que consiste em estabelecer compara&ccedil;&otilde;es entre distintas regi&otilde;es para verificar quais fatores respondiam pelo desempenho econ&ocirc;mico diferencial, conforme apontado anteriormente.</p>     <p>Dando continuidade ao desenrolar das especificidades do desenvolvimento territorial como marco te&oacute;rico, tem-se que a identidade cultural dos atores &eacute; uma caracter&iacute;stica fundamental do &nbsp;dito desenvolvimento: a abordagem do desenvolvimento econ&ocirc;mico local destaca fundamentalmente os valores territoriais de identidade, diversidade e flexibilidade que existiram, no passado, nas formas de produ&ccedil;&atilde;o baseadas n&atilde;o apenas na grande ind&uacute;stria, mas em caracter&iacute;sticas gerais e locais de um territ&oacute;rio determinado.</p>     <p>Assim, o local adquiriu uma import&acirc;ncia estrat&eacute;gica para se alcan&ccedil;ar o desenvolvimento nacional. Os governos locais (escala local) estariam em condi&ccedil;&otilde;es de atrair empresas e promover sua competitividade, fornecendo, al&eacute;m disso, base hist&oacute;rico-cultural para a integra&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos-atores, isto &eacute;, os governos locais passam a gozar de uma maior capacidade de representa&ccedil;&atilde;o e legitimidade com rela&ccedil;&atilde;o a seus representados, sendo agentes institucionais de integra&ccedil;&atilde;o social e cultural de comunidades territoriais.</p>     <p>A ideia em voga, ent&atilde;o, com o desenvolvimento da territorialidade e a propuls&atilde;o da imigra&ccedil;&atilde;o, &eacute; inserir os territ&oacute;rios espec&iacute;ficos no mercado mundial, e a constru&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os supranacionais vem corroborando essa tend&ecirc;ncia, a partir da qual o territ&oacute;rio emerge como uma nova unidade de refer&ecirc;ncia para a atua&ccedil;&atilde;o do Estado e a regula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas.</p>     <p>Pode-se dizer que a no&ccedil;&atilde;o de territ&oacute;rio abre caminho para um avan&ccedil;o not&aacute;vel no estudo do pr&oacute;prio desenvolvimento, visto que este &eacute; resultado da forma espec&iacute;fica como s&atilde;o usados os fatores materiais e imateriais dispon&iacute;veis, com base nessas rela&ccedil;&otilde;es entre os atores distintos &ndash; privados, p&uacute;blicos e associativos &ndash; com o plano local ou regional, tendo-se ferramentas especialmente importantes para o estudo da liga&ccedil;&atilde;o entre os territ&oacute;rios e as for&ccedil;as sociais que os comp&otilde;em.</p>     <p>Promover o desenvolvimento territorial torna-se imperativo e &aacute;rduo, pois territ&oacute;rio envolve, necessariamente, arb&iacute;trio, cria&ccedil;&atilde;o, nexo e poder, e ao substantivo &ldquo;desenvolvimento&rdquo; s&atilde;o apensados in&uacute;meros adjetivos, conferindo a ele uma suposta multiplicidade.</p>     <p>O estudo dos territ&oacute;rios sob o &acirc;ngulo das for&ccedil;as sociais que os comp&otilde;em abre caminho para se compreender as mudan&ccedil;as que novas for&ccedil;as sociais podem imprimir &agrave; maneira como hoje se organiza o que positiva e corrobora esse estudo sobre o impacto imigrat&oacute;rio.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A incorpora&ccedil;&atilde;o das estrat&eacute;gias de desenvolvimento local nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas federais pode representar um avan&ccedil;o no resgate de uma parcela importante de territ&oacute;rios deprimidos e propiciar a inser&ccedil;&atilde;o desses espa&ccedil;os nos circuitos comerciais regionais, nacionais e internacional, o que nos leva a inquirir at&eacute; que ponto a imigra&ccedil;&atilde;o pode ser determinante no desenvolvimento brasileiro, posto que as experi&ecirc;ncias internacionais j&aacute; comprovassem a viabilidade dessas estrat&eacute;gias de desenvolvimento local.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Infer&ecirc;ncias finais</b></p>     <p>Assim, em suma, o m&eacute;todo de abordagem escalar torna-se completamente ligado ao escopo da pesquisa em imigra&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea no Brasil, j&aacute; que permite, dentro de cada escala, realizar as conex&otilde;es prop&iacute;cias ao desenvolvimento, &agrave; economia e &agrave;s repercuss&otilde;es territoriais contempor&acirc;neas da imigra&ccedil;&atilde;o, sendo de utilidade p&uacute;blica para a formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas imigrat&oacute;rias inclusive com vieses de aproveitamento territorial <i>a posteriori</i>.</p>     <p>Conforme mostra a hist&oacute;ria imigrantista brasileira, os imigrantes foram importantes para a transforma&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&oacute; do espa&ccedil;o social urbano, em virtude da identidade cultural e social diferente, mas tamb&eacute;m contribu&iacute;ram na transforma&ccedil;&atilde;o das territorialidades (ou territ&oacute;rios) produtivos, em especial da ind&uacute;stria e agricultura, na primeira metade do S&eacute;culo XX, conforme exposto anteriormente.</p>     <p>O imigrante apresenta-se assim como um ator &ldquo;misto&rdquo; entre o local e o internacional, dado que atua localmente, por&eacute;m, com um car&aacute;ter internacional. Configura na sua a&ccedil;&atilde;o o fator internacional como propulsor do local, ou seja, levando a imigra&ccedil;&atilde;o ou o trabalho imigrante como uma a&ccedil;&atilde;o multiescalar do internacional agindo diretamente no local. Por exemplo, um imigrante boliviano que atua localmente numa confec&ccedil;&atilde;o t&ecirc;xtil, por&eacute;m, que traz consigo importantes quest&otilde;es de t&iacute;pico ator internacional: trabalho estrangeiro, direitos dos imigrantes, acordos binacionais de trabalho e imigra&ccedil;&atilde;o, viol&ecirc;ncia contra estrangeiros em territ&oacute;rio brasileiro, remessas internacionais de dinheiro, tr&aacute;fico internacional de pessoas e drogas, descaminho, contrabando, vantagens comparativas internacionais, divis&atilde;o internacional do trabalho e uma vasta s&eacute;rie de quest&otilde;es que o ator local-internacional imigrante boliviano (ou de qualquer outra nacionalidade) apresenta quando inserido no territ&oacute;rio brasileiro, sendo a&iacute; alvo da abordagem multiescalar de poder e gest&atilde;o.</p>     <p>Nesse sentido, podemos inferir que com as influ&ecirc;ncias trazidas acima pelo ator local-internacional que caracteriza o imigrante, o desenvolvimento territorial n&atilde;o pode ser desconsiderado do grande impacto que a imigra&ccedil;&atilde;o causa em uma sociedade e em um territ&oacute;rio, tendo-se como grandes exemplos os Estados Unidos, onde se tenta aplicar uma r&iacute;gida pol&iacute;tica imigrat&oacute;ria principalmente nos estados do Sul, onde fronteiras foram cercadas e impactaram diretamente na economia local-regional em prol dos atores locais-internacionais que s&atilde;o os imigrantes, outro exemplo &eacute; a pr&oacute;pria Uni&atilde;o Europeia que tem seu territ&oacute;rio configurado por quistos imigrat&oacute;rios not&aacute;veis e influentes nas pol&iacute;ticas do bloco econ&ocirc;mico, dando claro exemplo a situa&ccedil;&atilde;o da Turquia, que almeja agregar-se &agrave; Uni&atilde;o Europeia e conta com expressivo n&uacute;mero de imigrantes em pa&iacute;ses-chave do bloco, como Alemanha e Fran&ccedil;a.</p>     <p>Outro exemplo que comprova esta hip&oacute;tese da influ&ecirc;ncia da imigra&ccedil;&atilde;o no desenvolvimento do territ&oacute;rio s&atilde;o os chineses que aportam cada vez mais em grande n&uacute;mero no continente africano, a fim de estabelecerem bases de extra&ccedil;&atilde;o mineral e petrol&iacute;fera, al&eacute;m de implanta&ccedil;&atilde;o de experimentos de agrotecnologia que futuramente ser&atilde;o replicados no pa&iacute;s que conta com quase dois bilh&otilde;es de habitantes, deste modo, a &Aacute;frica Oriental come&ccedil;a a sofrer grandes mudan&ccedil;as com esta presen&ccedil;a de imigrantes chineses em seu territ&oacute;rio, economia e sociedade.</p>     <p>Por fim, estes e outros exemplos mostram a notoriedade das a&ccedil;&otilde;es da imigra&ccedil;&atilde;o e seus atores imigrantes que aqui definimos como atores locais-internacionais no territ&oacute;rio e seu desenvolvimento em regi&otilde;es estrat&eacute;gicas na agenda internacional de poder e gest&atilde;o, dentre elas o Brasil, que urgem a abordagem multiescalar para mapear, interpretar, compreender e qui&ccedil;&aacute; tomar a&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;tica interna e externa ante estes novos fluxos imigrat&oacute;rios que caracterizam a economia, a sociedade e o territ&oacute;rio contempor&acirc;neo, com &ecirc;nfase especial no Brasil.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>Abramovay, Ricardo. O futuro das regi&otilde;es rurais. Porto Alegre: Editora UFRGS, 2003. v. 1. 149 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S2182-1267201400010001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Brand&atilde;o, Carlos. Territ&oacute;rios e Mudan&ccedil;as no &ldquo;Padr&atilde;o de Sociabilidade&rdquo; no Brasil. In: ORTEGA, Antonio C&eacute;sar.&nbsp;Territ&oacute;rio, Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas e Estrat&eacute;gias de Desenvolvimento.&nbsp;Campinas: Al&iacute;nea, 2007. Cap. 1, p. 17:40.</p>     <!-- ref --><p>Brito, Fausto. Os povos em movimento: as migra&ccedil;&otilde;es internacionais no desenvolvimento do capitalismo. In: PATARRA, Neide Lopes (Coord.). Emigra&ccedil;&atilde;o e imigra&ccedil;&atilde;o internacionais no Brasil contempor&acirc;neo. 2. ed. S&atilde;o Paulo: Fundo de Popula&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 1995. p. 53:66.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S2182-1267201400010001200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Cargnin, Antonio Paulo. Pol&iacute;ticas de desenvolvimento regional no Rio Grande do Sul: vest&iacute;gios, marcas e repercuss&otilde;es territoriais. 2011. 317f. Tese (Doutorado em Geografia) &ndash; Instituto de Geoci&ecirc;ncias, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2011.</p>     <!-- ref --><p>Castles, Stephen; Miller, Mark J. The age of migration: international population movements in the modern world. Nova York: Guilford Press, 2009. 369 p. 4 ed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S2182-1267201400010001200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Castro, In&aacute; Elias de. O problema da escala. In: Castro, In&aacute; Elias de.&nbsp;Geografia: conceitos e temas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995. p. 117-140.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S2182-1267201400010001200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Di&eacute;gues J&uacute;nior, Manuel.&nbsp;Imigra&ccedil;&atilde;o, urbaniza&ccedil;&atilde;o e industrializa&ccedil;&atilde;o:&nbsp;estudo sobre alguns aspectos da contribui&ccedil;&atilde;o cultural do imigrante no Brasil. Rio de Janeiro: Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais, 1964. 373 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S2182-1267201400010001200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Fernandes, A. Teixeira. Poder local e democracia. Revista da Faculdade deLetras. v. 2. p.46-52, 1992.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S2182-1267201400010001200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Fern&aacute;ndez, Victor Ramiro; Brand&atilde;o, Carlos. Introducci&oacute;n. In: FERN&Aacute;NDEZ, Victor Ramiro; BRAND&Atilde;O, Carlos.&nbsp;Escalas y pol&iacute;ticas del desarrollo regional: Desaf&iacute;os para Am&eacute;rica Latina.&nbsp;1. ed. Buenos Aires: Mi&ntilde;o y D&aacute;vila, 2010. p. 17-43.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S2182-1267201400010001200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Grataloup, Christian. Des &eacute;chelles.&nbsp;Espaces Temps, Paris, v. 10, n. 10-11,p.72-79, 1979. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.persee.fr/web/revues/home/prescript/article/espat_0339-3267_1979_num_10_1_3032"target="_blank">http://www.persee.fr/web/revues/home/prescript/article/espat_0339-3267_1979_num_10_1_3032</a>&gt;. Acesso em: 28 mar. 2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S2182-1267201400010001200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Hatton, Timothy; Williamson, Jeffre. The age of mass migration: causes and economic impact. New York: Oxford University Press, 1998. 301 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S2182-1267201400010001200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Klein, Herbert; Bacha, Edmar L.. Social Change in Brazil: 1945-1985 The Incomplete Transition. Albuquerque: University of New Mexico Press, 1989.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S2182-1267201400010001200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lussault, Michel.&nbsp;L'Homme spatial: La construction sociale de l'espacehumain. Paris: Seuil, 2007. 363 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S2182-1267201400010001200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Massey, Douglas S. The Social and Economic Origins of Immigration.&nbsp;Annals of the American Academy of Political and Social Science. <b>510.</b> p.60-72, 1990.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S2182-1267201400010001200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Moure, Telmo. A inser&ccedil;&atilde;o da economia imigrante na economia ga&uacute;cha. In: DACANAL, Jos&eacute; Hildebrando et al. RS: Imigra&ccedil;&atilde;o &amp; Coloniza&ccedil;&atilde;o. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1980. (S&eacute;rie Documenta, 4). cap. 4, p. 91-113.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Ortega, Antonio C&eacute;sar; Almeida Filho, Niemeyer. Desenvolvimento territorial, seguran&ccedil;a alimentar e economia solid&aacute;ria.&nbsp;Campinas: Al&iacute;nea, 2007. 308 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S2182-1267201400010001200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Paasi, Anssi. Place and region: looking through the prism of scale.&nbsp;Progress in Human Geography. <b>28</b>(4), p.1-11, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S2182-1267201400010001200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Patarra, Neide Lopes. Emigra&ccedil;&atilde;o e imigra&ccedil;&atilde;o internacionais no Brasil contempor&acirc;neo. S&atilde;o Paulo: Fundo de Popula&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 1995. 200 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000157&pid=S2182-1267201400010001200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Portes, Alejandro.&nbsp;Economic Sociology of Immigration, The: Essays on Networks, Ethnicity, and Entrepreneurship. Nova York: Russell Sage Foundation, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S2182-1267201400010001200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Racine, J.B.; Raffestin, C.; Ruffy, V. Escala e A&ccedil;&atilde;o: contribui&ccedil;&otilde;es para uma interpreta&ccedil;&atilde;o de mecanismo de escala pr&aacute;tica da geografia.&nbsp;Revista Brasileira de Geografia. <b>45.</b> p.123-135, 1983.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S2182-1267201400010001200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Rocha-Trindade, Maria Beatriz. Sociologia das migra&ccedil;&otilde;es. Lisboa: Universidade Aberta, 1995. 410 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000163&pid=S2182-1267201400010001200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>R&uuml;ckert, Aldomar Arnaldo; Rambo, Anelise Graciele. Metodologia das escalas geogr&aacute;ficas de poder e gest&atilde;o aplicada &agrave; an&aacute;lise de desenvolvimento em quatro territ&oacute;rios rurais no Brasil.&nbsp;Confins. <b>8.</b> p.1-32, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S2182-1267201400010001200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>R&uuml;ckert, Aldomar Arnaldo. As escalas geogr&aacute;ficas como m&eacute;todo de procedimento. Porto Alegre, [s.d.]. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="https://www.dropbox.com/sh/y7kgvqosalzuwk4/6n5VIhqJgj/21.%20As%20%20escalas%20geogr%C3%A1ficas%20como%20%20m%C3%A9todo%20de%20procedimento.docx"target="_blank">https://www.dropbox.com/sh/y7kgvqosalzuwk4/6n5VIhqJgj/21.%20As%20%20escalas%20geogr%C3%A1ficas%20como%20%20m%C3%A9todo%20de%20procedimento.docx</a>&gt;. Acesso em: 12 jul. 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000167&pid=S2182-1267201400010001200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Uebel, Roberto Rodolfo Georg. Impactos da Imigra&ccedil;&atilde;o Espanhola no Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Territorial do Rio Grande do Sul no S&eacute;culo XX.&nbsp;2012. 219 f. Monografia (Bacharelado) - Curso de Ci&ecirc;ncias Econ&ocirc;micas, Departamento de Ci&ecirc;ncias Econ&ocirc;micas, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000169&pid=S2182-1267201400010001200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Zamberlam, Jurandir Et al. Imigrante: a fronteira da documenta&ccedil;&atilde;o e o dif&iacute;cil acesso &agrave;s pol&iacute;ticas p&uacute;blicas em Porto Alegre. Porto Alegre: S&oacute;lidus, 2013. 88 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S2182-1267201400010001200025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
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